sábado, 16 de abril de 2022
sábado, 9 de abril de 2022
domingo, 3 de abril de 2022
(pelo menos riu-se, para isso contou...)
sábado, 2 de abril de 2022
quarta-feira, 30 de março de 2022
Sai-se ainda de dia do trabalho agora, e apetece mais o hábito de fazer a ponte entre o trabalho e a noite, esticar as margens enquanto se fuma um cigarro ou dois. Então dá-se rumo a esse desejo e a um pedaço de silêncio. Olhamos as nuvens no horizonte, e do por do sol aprisionado imaginamos as cores quentes de que se gosta o céu pintado. As árvores abanam-se na sua dança do vento e a janela semi aberta deixa entrar o som dessa dança que nos dança nos ouvidos. Não é o meu Alentejo mas dá uma certa paz, e devolve-nos algum tempo. Algum não vem ser memórias, mas estão talvez apaziguadas, inofensivas quiçá.
terça-feira, 29 de março de 2022
segunda-feira, 28 de março de 2022
domingo, 27 de março de 2022
Está um frio de rachar, nem com a manta a coisa se torna mais amena. As luzes apagadas aqui e lá em cima. Oiço música ao longe, parece que há uma discoteca por aqui... surpreendo-me como se tal fosse surpresa. Escuto e há outros barulhos que não o sr. Javali a fuçar a poucos metros como ontem, e que não consigo identificar. Fumo um cigarro e vou para dentro. Já são horas é amanhã há regresso duma estadia demasiado curta. Ficava aqui mais uma semana assim. Dizem-me que se algum dia me mudasse mesmo para um destino destes me fartaria, me cansaria depressa, mas quanto mais venho menos acredito. Quanto mais me conheço mais aqui me quero. Assim, longe de tudo perto do que apetece e posso ter. Mesmo que assim, de fugida mas com pé no regresso. E se não o pé, a alma.
sábado, 26 de março de 2022
sexta-feira, 25 de março de 2022
Cá fora, enrolada numa manta, olho para cima, acima de mim está uma pinha que não tarda me cai na pinha venha o vento de feição e intenção. Ao longe oiço cães a ladrar enquanto carros passam a rasgar os barulhos da noite, que são silêncio. Este silêncio dos sítios de sossego, de lonjura, de tranquilidade doce. Daqui a uma hora as luzes daqui de fora desligam, vão dormir, os carros também. Os cães provavelmente continuarão a ladrar. Eu provavelmente aqui estarei outra vez, o olhar de soslaio a pinha que me quer acertar na pinha. Ao longe a tocha enorme continuará a queimar e a iluminar o horizonte, ainda que escondida por trás dum manso pinheiro. Assim são as coisas. E as metáforas que tão bem lhes assentam.
Vou, levo música, três livros, um olhar cheio de vazios, e só levo quem me está dentro. E levo gente a mais, ainda assim me confesso. Raio de penduras :))
domingo, 20 de março de 2022
quinta-feira, 17 de março de 2022
terça-feira, 8 de março de 2022
sábado, 5 de março de 2022
And did they get you to trade your heroes for ghosts
Hot ashes for trees
Hot air for a cool breeze
Cold comfort for change
sexta-feira, 4 de março de 2022
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2022
A essas pessoas a quem ajudei sempre que pude, quem defendi quando ameaçadas de alguma forma, e que agora me tentam queimar para sobressair, ou por qualquer razão que não quero conhecer, só me ocorre agradecer-lhes. Não fora isso é continuava a pensar que eram o que não são. Assim sempre se distingue melhor o trigo do joio, e em discurso directo. Custa, mas é melhor assim. E lá me lembro da frase do meu tio com que sempre embirrei por a adivinhar demasiado certa: “nunca ajudes ninguém, que o gajo nunca mais te perdoa”. Válido para todos os géneros.
[verdade seja dita que o plural com que escrevo é neste momento uma hipérbole... mas também pode ser um resumo, porque houve mais... mas lá está, esses já os remeti para longe, não me preocupo mais com essa gente]
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2022
Uma pessoa esquece-se de viver no rodopio das horas que viram dias que contam semanas e parece que nem respiramos. Não nos lembramos disso. Será que fazemos o que não nos lembramos de fazer, de ter feito? Certamente que sim, mas será que conta?? Se não nos lembramos de respirar sabemos que respirámos, e sabemos porque se nos faltar o ar damos conta. Mas daremos conta quando nos falta a vida? Algo em nós se sobressalta se nos falta a vida? Não. Não para quase todos. Há pessoas diferentes, com sensibilidades diferentes, necessidades diferentes, sangues mais ávidos, corações mais fortes na sua sede. A mim só me dou conta que me esqueço de viver e de sentir, se não escrevo. E quando digo não escrevo, não apenas assim, em palavras enfileiraras a caminho de algum lado a contraluz do ecrã branco... escrever por dentro, em palavras que não se dizem, mas nos valsam na cabeça, que fazem a festa no silêncio duma música própria que mais ninguém ouve, mas onde há palavras que dançam e almas que (se) compõem.
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2022
Estava frio, mas soube bem… fazer tempo até ao jantar, debaixo da lua, cheia de si, caminhar ao longo do rio, vê-lo a, devagar, encaminhar-se para onde tem de chegar sem saber, apenas corre, ao sabor das forças que o vão levando. Não pensa, não quer, não escolhe. Há-de lá chegar, mesmo não sabendo como, ou porquê. Nem sequer é destino, é o que tem de ser. Há-de pertencer ao mar, e não mais distinguir-se dele. Será mar. Nós seremos o quê?
domingo, 13 de fevereiro de 2022
Este ano até me lembrei deste dia antes do dia e de ser bombardeada pelo consumismo habitué em tudo o que é loja ou publicidade, e das manifestações facebookianas de felicidade, frases de “hoje e todos os dias”, jantares e prendinhas que proliferam no dia. Já o disse aqui, acho esta e outras datas, uma óptima desculpa para se fazer uma coisa diferente, uma brincadeira, uma noite diferente a dois, sem restaurantes prendas e afins. Quanto mais não seja, se a vida corrida nos varre tanto tempo, há datas que nos dão desculpa para - se quisermos - as aproveitar. Não uma obrigação, mas mais uma (podem inventar-se mais, e à discrição...) desculpa para fazer o que se quer…sempre que se pode. Não algo para mostrar, mas para celebrar a sorte de se terem, e gostarem. De se pertencerem. Mas talvez seja (muito mais) raro…
sábado, 12 de fevereiro de 2022
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2022
E talvez assim o tempo passe melhor entre o despertar e o adormecer de conversas e desconversas, risos e silêncios, entre desvendares e pequenas descobertas, que contrabalançam o que se guarda sem esconder. Cada descoberta é um risco, cada conversa uma rede que nos ampara, mas nos vai prendendo numa segurança só aparente. Mas o tempo passa e não avisa o que muda, ou se muda alguma coisa. A vida é a mesma, mas sabe a diferente, ligeiramente diferente, mas não descobri em quê. Os fins de dia, esta ponte que teimo em fazer ritual, permanece. E eu também. Perguntam-me o que é para mim paixão, e dou por mim a pensar numa resposta com palavras, sempre curtas por mais que se estiquem. Paixão é em essência uma força motora. É o que nos faz fazer as parvoíces mais parvas carregados de razões que sabemos não existirem, mas que sentimos até aos ossos. É como uma força da gravidade que nos puxa incessantemente para o sonho onde mora a nossa felicidade - penso, e sai-me nestas palavras. Mas podiam ser outras, ou uma imagem que guardamos, um cheiro, um momento que enche todas as paletes de cores numa fotografia intemporal a preto e branco. As cores são nossas, as palavras são de toda a gente. A paixão de poucos.
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2022
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2022
terça-feira, 1 de fevereiro de 2022
segunda-feira, 31 de janeiro de 2022
O dia desponta cedo no cinzento que derramaram no céu, tão cedo que ainda está frio para o nariz fora do gorro e as mãos fora dos lençóis quentes, o carro avisa da possibilidade de gelo, eu aviso-o que é tarde para me avisar de gelo no meu caminho… e com estas conversas continuamos rumo ao que nos espera. Cedo, demasiado cedo. Para a minha preguiça e saudades de caminha quente, pelo menos…
sábado, 29 de janeiro de 2022
quinta-feira, 27 de janeiro de 2022
quarta-feira, 26 de janeiro de 2022
É isto. É só isto.
Uma grande diferença pelos mesmos vinte minutos. A diferença está na vontade, no querer estar, querer ver, no valer sempre a pena, porque se gosta de estar, ver, tocar, falar, tudo ou o que for… e então há vontade, imensa, real. Se não houver não vale a pena, nem vinte minutos nem vinte horas, nem vinte anos. Nada. Há momentos que valem anos.
domingo, 23 de janeiro de 2022
sexta-feira, 21 de janeiro de 2022
Aceitam-se candidatos
(seleção por entrevista. Se souberem ler, e o que ler, podem ganhar pontos logo na casa de partida. também válido para o saber apreciar o que beber…)
[bem sei que aqui agora só se leem disparates mas estou com muita vontade de disparates e parvoíces… com vontade de arranjar razões para me rir ou fazer rir. Isto passa, não há problema]
domingo, 16 de janeiro de 2022
…O que me faz lembrar que tenho de saltar da cama e dedicar-me ao ioga… não que me apeteça, mas faz-me bem, e eu tenho mais de 1,65mts :)))
[… mas convenhamos, o verdadeiro templo não será uma questão de tamanho, mas de outras dimensões, daquela dimensão que leva até si os peregrinos com vontade e fé… digo eu. E muito haveria a dizer sobre essa vontade e fé :))) ]
Bom domingo ;)
Sento-me no degrau frio da varanda a fumar o último cigarro do dia, à minha frente a lua vaidosa e luminosa faz-me companhia. Mesmo que não levantasse o nariz para a ver no céu em todo a sua beleza estonteante, ou se estivesse escondida num canto do céu a que os meus olhos não chegassem daqui, via-a em tudo ao redor, através do seu luar pousado em todas as coisas. Há certas coisas que não precisamos olhar directamente para ver. Ou conhecer para saber. Onde há luar, há lua. Onde há sombras, há luz. Às vezes as entrelinhas sabem melhor. Afinal o luar não será apenas o sol a dobrar uma esquina que diríamos impossível?
sábado, 15 de janeiro de 2022
O que eu me ri…
Se me respondessem isto, com aquele ar meio malandro meio no gozo, numa cumplicidade que abraça estas brincadeiras, acho que achava tanta piada que ele já não ia pescar… e íamos era directos para a mesa… sem maquilhagem :D
(se bem que não me estou a ver com alguém que pesque, mas…)
Pedir alguém com um sentido de humor cúmplice não é pedir demais, pois não? É que as vezes parece, tal é a raridade da coisa…
Mas pronto, meninos, olhem boa pesca!! :))
quarta-feira, 12 de janeiro de 2022
Às vezes lembro-me do que sou relembrando o que fui, o que escrevi, como senti. Faço por vezes esse exercício difícil de me olhar pelo retrovisor, leio coisas antigas que vivi e de mim escorri em linhas onde desejei descoser-me, libertar-me, salvar-me do silêncio que tantas vezes transborda. Transbordou. Surpreendo-me quando gosto de me ler, quase me duvido na certeza que senti tudo pelas costuras, sempre em dor, tantas vezes em esforço de vida. Uma sobrevivência sempre no limite das forças, onde o que mais doía era a felicidade incontida que alguns instantes continham e que a eternidade ainda guarda para me lembrar. Não sei de quê, não sei de quem. Talvez de mim. Mas para quê? Uma linha de luz descosida na escuridão enredada dos dias. Há uma certa luz que se apagou de mim. Nem sempre quebrar a escuridão ilumina.
segunda-feira, 10 de janeiro de 2022
Vai um chocolatinho? Mas só virtual, que os chocolates são poucos para dividir a minha gulodice … :)
domingo, 9 de janeiro de 2022
- Por que é que o fazes?
Foi a pergunta que há dias me surgiu, enquanto encerrava o dia e deixava os monólogos invadirem o tempo de um cigarro - como agora com a chuva pequenina a molhar os vidros, e o cigarro a queimar-se em fumo. Tal como a pergunta, também a resposta não tardou. Já a sei há muito, e não mudou. A razão não mudou, nada mudou nas coisas que não entendia. Talvez só agora a veja, nítida e plena, como uma resposta real duma conversa verdadeira que nunca existiu. Para me perguntar. Para pensar na pergunta, na resposta, no como, no para quê, na razão... para pensar, só. E enquanto se pensa, o tempo entretém os monólogos, suspende momentos, invade as noites, entorpece-se e paira. Tropeça-se. E não terá outro propósito, mas tem um fim: a resposta.
Tem esse fim, mas não termina nada senão o raciocínio.
sábado, 8 de janeiro de 2022
Está um frio de rachar (diz aqui oito graus, mas parecem ainda menos) e eu abro mais a janela. Talvez precise sentir os ossos. Talvez precise sentir. Talvez precise desse sentido do desconforto para acordar não sei de quê, e não sei o quê. Talvez sinta calor por dentro e queira compensar com o frio do mundo do lado de fora do carro. Talvez queira ouvir melhor o silêncio e os seus ruídos apaziguadores. Talvez não me queira ouvir e o frio me obrigue a acordar o corpo do lado de fora, para ouvir o mundo, para se concentrar nele, para o sentir como um arrepio. Para abandonar o meu mundo. Talvez seja só porque quero fumar mais um cigarro antes de recolher a casa sem ter feito nada do que não me apetecia fazer, mas devia. Talvez.
A vontade oscila entre sair do sofá ir apanhar ar frio, ver gente, uma paisagem diferente da que me entra pelas janelas (e às vezes surpreende… ontem apanhei a lua no céu, linda de morrer, corada ou em fogo, mas tão pouco tímida, num sorriso de derreter escuridões… assim aqui, da vista do meu sofá…) , ou ficar aqui, sentada no sofá, enrolada numa manta com a cadela aos pés e o chá ao lado enquanto passeio pela net a ler coisas, ou a ver um filme, ou, agora mais raro e não sei porquê, a ler um livro.
Faz-me lembrar aquela coisa de ter um anjo e um diabinho em cada um dos ombros, cada um a dizer sua coisa... mas ser surda de um dos lados!... adivinha-se qual é que oiço sempre, né?
[além disto tudo, deste dilema bicudo, tenho de ir ao supermercado, e estou cá com uma vontadinha que não vos digo nada...]
quarta-feira, 5 de janeiro de 2022
sábado, 1 de janeiro de 2022
Aceitar as tuas sombras,
Enterrar os teus medos,
Libertar o lastro,
Retomar o voo.
Não te rendas que a vida é isso,
Continuar a viagem
Perseguir os teus sonhos,
Destravar o tempo,
Remover os escombros,
e destapar o céu.
[...]
Não te rendas, por favor não cedas,
Mesmo que o frio queime,
Mesmo que o medo morda,
Mesmo que o sol se ponha e se cale o vento,
Ainda há fogo na tua alma,
Ainda há vida nos teus sonhos
Porque cada dia é um começo novo,
Porque esta é a hora e o melhor momento.
Porque não estás só, porque eu te amo.
Mario Benedetti, traduzido por Inês Pedrosa
domingo, 26 de dezembro de 2021
"Depois do Natal vem o domingo da Família... da Sagrada Família. Será a família uma coisa sagrada? Hoje fala-se de famílias alternativas. Sociólogos e psicólogos falam-nos de famílias mono-parentais, co-parentais, sem filhos, com filhos de outros, com pais de outros... Em tudo isso onde estará o Sagrado? O Sagrado é o Amor, o que equilibra e faz crescer: é o que humaniza. O mundo precisa de espaços sagrados e de relações sagradas: deseja famílias que o sejam. O resto parece, mas disfarça mal a violência que esconde."
Vasco P. Magalhães
É nestas alturas - ou particularmente nestas alturas - que sinto como a minha família é estranhamente disfuncional, ou seja, funciona à sua maneira, mas é uma maneira estranha de funcionar. É também nestas alturas que a sinto mais minha, que sei que só esta poderia ser a minha família, que esta disfuncionalidade faz parte de mim, e explica-me em muita coisa, talvez fosse a única que poderia combinar comigo. Feitios complicados para onde quer que nos viremos (menos para mim, claro... ), maneiras de lidar com a vida diferentes, ainda que com sensibilidades parecidas, e veladas. Silêncios que dizem o mesmo e conseguiriam conversar entre si longas horas sem faltar assunto... e talvez conversem. Pensei um dia poder amenizar esta disfuncionalidade trazendo à família pessoas mais normais, tornando-me mais normal por casamento, mas talvez eu tenha dificuldades em adaptar-me à normalidade formatada e lisa (e a casamentos que não têm o que eu quero). Estes formatos planos apenas escondem melhor as arestas das relações, as contradições, as naturais idiossincrasias de cada um , e de todos enquanto família. A disfuncionalidade começa onde a transparência, ou a falta de parcimónia assaltam os momentos. E aí, o sangue que nos junta, que nos une, que nos faz um, é curiosamente o que não é dito, é o que se sente, porque sentimos com o mesmo ADN maluco e disforme: disfuncional, talvez. Quanto mais lugares vazios na mesa há, menos parcimónia se senta connosco. E mais eu penso que não haveria outra família que pudesse ser mais minha, onde eu encaixasse tão bem as minhas desreguladas intensidades desperdiçadas, ainda que tantas vezes me apeteça umas férias desta. Mas ainda assim, há uma coisa que não se consegue duvidar, é o que temos de sagrado e que equilibra o desequilibrado caos. Sagrado, porque faz o impossível, nada mais o conseguiria. Só o Amor faz milagres, não há porque disfarçar o óbvio.
quinta-feira, 23 de dezembro de 2021
domingo, 19 de dezembro de 2021
Levanto-me quando o sono está satisfeito e os sonhos se calam, visto a roupa do ioga que tenho falhado preguiçosa e indecentemente, abro a porta aos cães que foram dormir ao vizinho a noite passada. Dou-lhes de comer depois de algum mimo, ponho os fones e vou limpar o sitio deles. O dia tem sol, e sol na música. Nem todos os dias têm sol na música, hoje sim. Volto para a cozinha, tiro o ipod e ponho na coluna que me deram há anos e que descobriu finamente o seu lugar certo na cozinha. Arranjo uma taça de fruta que hoje não me dá preguiça de descascar e arranjar e o ipod pela boca da coluna devolve-me isto:
And you're a devil meaning well
You steal my lines and you strike me down
Come raise your flag upon me
And if you want me, I'm your country
If you win me I'm forever
Um dia cheio, uma noite num sítio que gosto. O dia encheu-se de pessoas que me fazem sentir bem, acarinhada, acolhida nas vidas de cada um, pessoas que procuraram estar comigo sem eu procurar ninguém. Ri-me, conversei, disse disparates e não disparates, vi o sol reflectido no rio, bebi vinho, à noite um Porto sob um luar mais frio a reflectir-se nas pedras. Brindei à vida, à minha e à de quem me quer bem. Não me deixaram ignorar a data, nem que tenho gente minha e carinho onde cair, se tiver de cair. Nós somos também as pessoas que nos rodeiam, e a maneira como nos rodeiam, como estão presentes, talvez também diga muito de nós. Gosto de pensar que sim, pelo menos.
[chego ao fim destes dias e percebo que não tirei fotos. Nenhuma. Tiraram-me uma :) começa o ano da capícua. Gosto de capícuas, acho que já aqui o disse algumas vezes, mas nem sempre o que gosto é bom para mim. Veremos. ]
sexta-feira, 17 de dezembro de 2021
O ano da capícua. Deveria dar sorte, dará? Tinha pensado há tempos juntar o pessoal, jantarmos, dizermos umas parvoíces em conjunto e rirmo-nos um bocado. Mas não. Não vai ser. E o ano não sei como vai ser, nunca sabemos também, claro. Os últimos dias têm sido estranhos, penso nisso aqui sentada a ver a lua pelo vidro da frente a olhar para mim, a parecer mais o biscoito perfeito de nuvem do que a lua altiva contra um azul suave. Esta é a altura em que o tríptico do ano me começa a morder, a roer a alma e rilhar os dentes. Cada dente uma mágoa que se entranha nos ossos, mas olhamos para o lado e assobiamos para calar o silêncio e chamar o futuro. Fumo mais um cigarro e piro-me daqui, fujo dos sítios que já foram em mim mais do que lugares.
quarta-feira, 15 de dezembro de 2021
Trazer o carro à revisão. O mesmo de há quinze anos. E, enquanto espero a boleia, penso que me apego às coisas, que pedi para fazerem revisão e repararem uma série de coisas para por o carro não como novo, mas muito bem para a sua idade. E agora estou ao sol, aqui às voltas, a ver carros à venda em segunda mão e a pensar que enquanto não desapegamos do velho não temos espaço para receber o novo, para pensar o novo, para querer o novo. Talvez seja verdade. Mas se eu gosto do velho, ele serve-me, eu sirvo-lhe e juntos vamos onde queremos (onde eu quero, vá… como aliás tem de ser, pois ;) ) para que raio havia de querer ter um carro novo? Para mostrar? Não preciso disso nem, para já, de um carro novo.
segunda-feira, 13 de dezembro de 2021
domingo, 12 de dezembro de 2021
Não é de hoje, hoje tentámos fazer em casa parecido, que é ligeiramente diferente do que costumam ser os nossos brunches. Não é hábito fazermos panquecas, mas uma vez ou outra a minha filha faz. Mas a foto tirada por ela foi para dizer que eu afinal também tiro fotos de comida… é verdade tirei, é muito raro mas tenho um fraco por brunches, essa ideia que me arrasta para uma sensação de ronha, de uma certa lassidão, e ao mesmo tempo regalo dos sentidos. Mistura-se muito do que gosto com o tempo a mover-se connosco sem pensarmos nele, com música, com mimo, com descanso de alma. Gostei daquele brunch naquele dia, fora de casa. Foi diferente e foi saboroso também. Mas não tinha musica - ou a minha musica, melhor dizendo (hoje o shuffle quando entrei na cozinha começou com Cave e “Into these arms “… que mais dizer?? Que mais pedir??) -, nem mimo aos cães, nem um café no fim bebido à janela com a alma virada para o mundo de dentro. Gosto mais destes.
Bom domingo :)
quarta-feira, 8 de dezembro de 2021
Nestes feriados a miúda tem a explicação de manhã e então tenho de a levar. Vi uma esplanada com sol no caminho, e onde paro as vezes, e achei que era um bom sítio para tomar um café e ler um tico… coisa que eu fazia tantas vezes há algum tempo atrás e que agora parece pré-histórico, mas é só pré-pandemia. E podia te-lo feito mais, mas mudamos de hábitos, substituímos por outros, esquecemos, talvez. Mas há hábitos que são mais que isso, mais que mecanismos quase automáticos, há hábitos que são rotinas procuradas, como rituais. Isto acontece quando se gosta, quando o que nos leva à repetição não é o mero hábito, mas o prazer, o gosto, a consciência dele. Essa, que tantas vezes tanta gente perde e depois dizem… é preciso perdermos para darmos valor. Aquele clichê que tem muita verdade. O perder faz ganhar a consciência desse gostar, desse querer. Mas nem sempre é precisa a perda, nem devia. Eu hoje já saí de casa com o livro, só pensei que a esplanada seria outra, mas calhou esta. O ritual, o prazer, é este bocadinho comigo, para ler, para escrever sobre nada, para tomar um café e jogar pensamentos fora.
[Ooops… I did it again :))) ]
quinta-feira, 2 de dezembro de 2021
Neste final de dia, debaixo duma árvore despida com o frio a entrar pela janela, dou por mim a pensar que ando afastada de escrever. Ou talvez não, talvez não seja isso, talvez ande a afastar-me de me ler. Porque uma coisa leva à outra. Dou por mim nestas últimas semanas a repetir a frase “ a única coisa que sei fazer é trabalhar” para evitar o resto tudo. A vida talvez, ou o que não queríamos que ela fosse, mas perante isso só sabemos fazer uma coisa: trabalhar para gastar o tempo que não gastamos como gostaríamos. E talvez isso seja a vida, ou só uma forma de mediocridade a que nos habituamos. Mas não paramos para pensar para não o concluir. Carro parado, a respirar o frio que o isolamento não me deixava experimentar fora de casa. E de certa forma já nem sei se sentia falta. Às vezes o mundo fecha-se, ou nós fechamo-nos e dizemos que foi ele, as circunstâncias e o contexto e … e… mas parte seremos nós a fechar, a perder interesse. A passar o dia a trabalhar para não o perceber. Porque perante tudo isto, a única coisa que sabemos fazer é enfiar a cabeça no trabalho, e depois na cama. É certo que depois os sonhos tramam-nos, porque a única coisa que eles sabem fazer é trabalhar-nos, ou seja, sonhar.
[Mas disso não vou falar agora, mesmo tendo um sonho a perseguir-me desde o fim‑de‑semana. Escrever… dá nisto, faz assentar-nos na pele, no olhar, na maldita consciência, o que anda em suspensão nas entrelinhas curtas, muito curtas dos dias.]

















