Mostrar mensagens com a etiqueta Pintas a quatro patas. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Pintas a quatro patas. Mostrar todas as mensagens

domingo, 28 de julho de 2024

 

Foi um calcorrear de jardins, hoje. Somos umas sortudas porque temos nas imediações de casa 3 dos jardins da cidade, que vamos aproveitando. A intenção é sempre sair cedo... tipo dez, dez e meia, que para mim, há uns aos, já seria madrugada, considerando que é fim de semana. Agora já não consigo dormir até à uma da tarde, ou é muito raro, lá para as dez começo a despertar mesmo que seja ficar na cama o que me apetece... e hoje aconteceu, ronha até quase às onze, depois saltei da cama. Pus umas leggings, t-shirt sapatilhas, boné e óculos de sol, e lá fomos nós para a nossa passeata sem rumo definido, o meu rumo favorito. Começámos pela Saudade, depois descemos, atravessámos o Botânico, saímos na Universidade, demos uma volta ali pela alta, depois descemos os Arcos do Jardim e fomos dar à Sereia. A cidade anda cheia de turistas, novos e velhos no passeio. Passei por um miúdo lindo, português, talvez pouco mais novo que a minha filha, uns olhos verde água, lindos, alegres mas meigos e um sorriso aberto, pelo menos foi isso que me dirigiu e eu passei com a quatro patas, e sorri também, mas fiquei a pensar quantas irão chorar por aquele. Não consigo deixar de pensar que quanto mais giros, mais parvos e menos a pena valem... mas haverá excepções, nem todos se tornarão convencidos e ocos. Acho que foi por ter esta ideia que sempre fugi de tipos de certo tipo. Ou melhor, não fugi, só não me diziam nada. Sim, são giros, olha-se e diz-se ah sim sim senhor, e pronto.  Mais tarde na vida comprovei a teoria. Eu estava certa. O melhor é olhar, sorrir, e seguir. Não perder tempo. E nós seguimos e andámos pela cidade uma hora e 5 kms, diz aqui a maquineta. Chegámos a casa derreadas e já passava do meio dia, com um calor que nos saía por todo o lado. Cheguei, comi uma fruta, despi-me e deixei-me aqui a descansar no sofá, com um café vagaroso, antes de ir ao banho. Devia fazer isto todos os sábados e domingos que não chovesse, faz bem à alma. Andei uma hora com a tracção às quatro por companhia, sempre feliz, e soube-me bem, não falei com ninguém, não levei sequer música nos ouvidos para entreter os pensamentos. Não, só eu e o tempo, o sol, e deixar a alma espraiar-se na luz que cobre as coisas, na brisa que suaviza o calor, a apreciar a sombra quando o sol aperta muito, ouvir a minha própria respiração e sentir o corpo. Sentir o corpo por dentro e saber que somos no mundo muito mais o por fora. E chegar a casa. Onde o por dentro e o por fora não se distinguem. Ou não deviam.

quinta-feira, 10 de agosto de 2023

 Na cozinha com duas cadeiras a fazer de cama, uma almofada na parede para encostar a cabeça, conto respirações de luz apagada, abro os olhos quando por um bocado não oiço nada… o meu coração pára, talvez também ele para tentar escutar melhor. Depois volta a respiração curta e quase em esforço, ainda que menos do que aquele que ouvi e me fez fazer de duas cadeiras uma cama. Há duas horas contei 65 respirações por minuto, os batimentos cardíacos desisti porque eram de tal forma confusos acelerados e fortes que desisti, antes que com o pânico quem tivesse um ataque fosse eu. Agora conto entre 35 e 40 depende. Parece-me que a este ponto depende do sonho que o grisalho cá de casa está a ter. Eu por mim estou num pesadelo há horas… desde que o fui buscar ao hospital dos peludos. Que estava tudo bem, fora de perigo, dois dias depois de entrar por ali a dentro com ele por um fio pela minha estupidez. Não vi na véspera que temperaturas iam estar; os dias de muito calor tinha ouvido nas notícias eram no fim‑de‑semana, depois começavam a baixar. Deixei muita água e deixei-o a sombra depois de lhe dar de comer. Seguiu-se um dia de trabalho, fora daqui como sempre nos dias que correm, a uma hora daqui, quase. E a caminho, atrasada, para não variar, fico a saber que esperam temperaturas de 40 graus… deu-me um aperto, mas achei que estando à sombra, num sítio coberto e com bastante água não haveria problema grave. Estou sozinha, filha de férias longe, irmão de férias mais longe ainda, a senhora que vai fazer a limpeza de férias. E eu a quase uma hora. Liguei para quem estava no prédio para assegurar que ainda havia água nas bacias, e que o moço estava à sombra. Sim senhor a tudo, fiquei mais descansada, confesso. Quando chego a casa a correr escadas acima abro a porta para o pátio de trás e vejo a quase morte a ofegar, os olhos vidrados quase ausentes, não se mexia, reagiu à minha voz pareceu-me. Corri a buscar a bacia com água deitei-lhe um pouco no focinho, fui buscar uma taca pequena e enfiei-lhe água pela goela abaixo. Não se mexia, e arfava como quem foge à frente da morte com ela quase nos calcanhares. Ligo para as urgências, o que faço? Trazê-lo? Ele n se mexe… mas tem de ser, não há outra maneira respondem-me. Ok, nem que o carregue as costas. E foi, não as costas mas  em peso, até ao abençoado elevador que me levaria à garagem. É preciso a chave para o elevador ir até à garagem. Está no chaveiro, com a chave de casa, que na confusão... ficou em casa, do outro lado da porta fechada… ia morrendo eu. Lembrei-me que desde que estou sozinha tenho uma suplente guardada, porque sei que a minha cabeça é tonta e que um dia qualquer isto podia acontecer. Claro que nunca imaginei que estivesse numa tal emergência. Corro, literalmente, subo desço, volto. Finalmente o elevador tem como descer até à garagem. Abro o portão, o carro ficou lá fora ao sol. Domingo esqueci-me de o por na garagem. Se houvesse um Euromilhões ao contrário eu ganhava se jogasse. Certinho direitinho, não há outra hipótese. Pego no bicho em peso, ponho-o aos pés do lugar do morto e rosno com este pensamento. Fecho a porta dou a volta ao carro a correr, tudo sempre a correr, desvairada. Ligo o carro, o ar condicionado no máximo e só para os pés. Não sei como não atropelei ninguém, ou não me desgracei em modo automotor, acho que cheguei ao veterinário em minuto e meio, e entro por la com o cão quase debaixo do braço, só que ele não é do tamanho de um porta chaves… vai directo para debaixo de água. Termómetro, acima de 40 graus. Olha para mim como quem grita, lá dum sítio fundo e de voz sumida. Passam 5 minutos, talvez menos, talvez mais, sei lá. Termómetro. Desceu mais de meio grau. Mais água, álcool porque (aprendi) quando evapora com a água dissipa o calor do corpo. Mais chuveirada no pelo, até que chega à temperatura normal. Eu não falo, não digo nada, olho, oiço, tento pensar se será possível que aquele moço de 14 anos e uns trocos ultrapasse aquilo. Começa a beber água do chão do sítio onde estão a molha-lo, começa a estar presente na cena, a parecer até o quanto lhe está a saber bem a água, começa a sentir-se melhor. Começa a sentir, parece. Já respira devagar. Mais devagar que agora, parece-me, o meu coração dá-se conta que bate, já me sinto respirar. Talvez. Só talvez. Mas reagiu e pode ser que… talvez. Mandam-me para casa e vai lá ficar para o dia seguinte, a soro e análises. As próximas 24 horas são críticas. No dia seguinte o medo das notícias, ligo, nada, depois ligam-me. As análises podiam estar pior face ao episódio de calor e idade. Tem de se repetir ao fim da manhã. E depois de feitas acusaram teimosia extrema, evoluíam positivamente. Tinha-o apanhado e trazido a tempo. Mas ainda não saiu da zona de perigo. E eu não saí de certeza, digo que é melhor ficar mais um dia. Tenho medo de o levar  para casa, pesquisei no Mr Google e os três, quatro dias podem revelar consequências que as primeiras 24 horas podem ocultar. Fica mais um dia internado, mas vou ve-lo ao fim do dia. Está vivaço, levanta-se com alguma genica, bebe água e come com vontade. O meu coração respira de alívio, a culpa larga o lastro de uns tantos quilos… "foi uma sorte, eu estava céptico-  dizia o médico -, e a olvido branca, nem falava, mas chegou cá em tempo recorde e devemos ter feito tudo bem, porque se amanhã continuar assim ,está fora de perigo" não há indicadores que levem a pensar diferente. À tarde liga-me. Ele está bem, e tem alta. Hoje. Há bocado ao fim do dia, mas quer fazer um exame ao coração. Continua com respiração acelerada e ofegante, já não havendo razões para isso... e tem de haver uma razão. Fez o exame e descobriu, tem o coração grande demais - brinco e digo, isso eu já sabia, mas não sei se me entenderam - e continua, ocupa quase a caixa torácica toda, não deixa espaço para os pulmões trabalharem normalmente, e está já a pressionar a traqueia... pois, quem tem o coração grande demais, respira mal muitas vezes, como quem tem um peso no peito, sempre a pressionar. Também já sabia disso, penso para mim, mas não digo, calo. Não me entendem, mais vale o silêncio. E fui buscá-lo e achei que não estava espevitado como ontem. Já em casa acho-o cansado, prostrado, derrotado e quase em esforço para respirar. Sinto-o quente, ponho uma toalha molhada no corpo passo no focinho e orelhas. Não melhora, passado um tempo acalma um pouco. Não estou descansada. Vou buscar as mantas para ficar com o rabo menos quadrado nas cadeiras a fazer de cama. Fecho as luzes. Ponho-me a contar respirações e as horas de sono que não vou ter, mas não consigo sair daqui. Não que faça alguma coisa, não faço, porque não sei o que fazer, senão esperar pela manhã para ligar outra vez. Dizer que alguma coisa não está bem. Ajudem-me. Ajudem-no. Que eu contar respirações por minuto não ajuda a coisa nenhuma, mas não sei que mais fazer para que o coração bata com jeito e não em modo descompensado e sem regras. Tenho sono e uma reunião às 10. E um irmão que tem direito a ainda ter cão quando regressar, a não se sentir culpado por ter ido três semanas de férias quando precisava de três meses, porque quem deixou cá a tratar do cão, do limoeiro, do jardim, do correio, do resto da canzoada e da papelada não conseguiu fazer as coisas bem, com jeito.  É certo que o cão tem o coração grande, agora atestado com radiografia cheia de razões, mas podia ter evitado o calor, deixava-o dentro da cozinha, ainda que não evitasse lavar a cozinha todos os fins de dia. E agora conto respirações e rezo para que nos próximos dias tenha razões para ter de lavar a cozinha todos os dias quando chegar ao fim de um dia de trabalho. 43 respirações neste minuto e três sustos. 

(E não vou reler não me apetece, deve estar cheio de gralhas, paciência, também eu)

sábado, 5 de março de 2022




Até agora foi isto... acordar com fome sem pão em casa. Calçar umas sapatilhas e a farda para o ioga daqui a pouco debaixo de um casaco, óculos escuros a filtrar a manhã já alta, atrelar a doida da ninja e sair de casa. Deixá-la correr como se o chão amanhã pudesse fugir, ou já daqui a pouco, na pressa de gastar o ar que o sol aquecia. Elegante de corpo e corrida, destrambelhada de maneiras e pateta por natureza dá gosto ver a criatura correr de ponta a outra do jardim enquanto os meus pés quietos se aquecem ao sol. Depois das primeiras energias esgotadas rumamos ao pão e contra todas as expectativas a doida não se portou mal... sentadinha a guardar o poste que lhe mandei enquanto fui comprar o pão e cheirar o sabor do pão quente. Regressámos, e foi direita dar a cheirar à mãe os cheiros que trazia, mas ela estava filada no cheiro do pão que o saco guardava. Não foi dia do costumeiro brunch,  hoje só fruta, chá e torradas de bolo de Ançã que a minha filha já comia antes de nascer e que adora, mas que hoje não comeu. Depois de repente atentei numa mensagem no chá... das que a mim me dizem pouco, de energias positivas e bla bla bla, quando virei a outra fez-me mais sentido, mas continuo a sentir que há mensagens que nunca poderão ser mensagens expresso, parangonas boas aos ouvidos que mais das vezes não passam disso mesmo. A banda sonora faz-me sorrir neste trecho que aqui deixo:

Do you think you can tell
And did they get you to trade your heroes for ghosts
Hot ashes for trees
Hot air for a cool breeze
Cold comfort for change

Não sei se vai ser um bom dia, acordei faladora e bem disposta cheia de preocupações por dentro dos olhos, mas este pedaço de dia soube-me bem. Agora ioga e banho!
Bom dia!

 

domingo, 18 de julho de 2021

 
E é isto… ora se estica ao meu lado, ou resolve lamber-me os pés… ou faz aquela cara de pateta quando lhe dizemos alguma coisa que não deve fazer - como que não pode estar em cima do tapete, que não me lamba os pés, que não se faz xixi na cozinha quando a porta está aberta, mesmo que esteja a chover e não apeteça ir lá fora, enfim, tanta coisa...  tenho sentimentos muito estranhos em relação a esta criatura… irrita-me que seja tão apatetada, e que não aprenda  (não sei se é burrice, ou só teimosia em fazer o  que lhe dá na real gana e ignorar-nos de cima a baixo...), e ao mesmo tempo acho que é por isso que mais gosto dela, não sei explicar. Não percebe metade (ou percebe tudo e acha só estúpido e sem cabimento na cabeça dela, sei lá) do que se lhe diz, mas é tão meiga e bonita por dentro daquele olhar pateta… é estranho, pronto… não lhe interessa o que se lhe diz, interessa-lhe fazer o que lhe apetece, sofrer as consequências, e independentemente delas continuar com a mesma alma meiga e incondicional... como que quase a fazer-nos patetas a nós, que não percebemos nada disto… e não é que a pateta poderá estar certa, sem usar razão nenhuma?

domingo, 11 de julho de 2021

  

Assim não há motivação que aguente… Uma guarda a cama em sonhos, a outra, a filha, pensa guardar-me a mim, dormindo. Acho que vou é desistir e tirar uma soneca também… ainda por cima hoje estou um bocado preguiçosa. Acho que deve ser por amanhã ser segunda, e então também me apetece aproveitar para esticar o esqueleto aqui no tapete e deixar-me abandonar a uma soneca… aliás como já fiz uma pausa para escrever isto, é só questão de prolongá-la ;)) arranjamos sempre boas desculpas para fazermos aquilo que queremos, né? Eu sei…

sábado, 3 de abril de 2021


 Uma tarde para as meninas esticarem as pernas... a mãe sempre de focinho no chão, a filha sempre com as orelhas no ar...  as duas doidas. Não consigo levar as duas ao mesmo tempo, foi uma de cada vez, o que deu trabalho a dobrar às minhas pernas... mas o tempo estava a convidar e estávamos as três a precisar de sair de casa. Não fomos muito longe, mas fomos onde quisemos, quer dizer eu, porque elas de certeza tinham ido mais longe e mais tempo :) agora ler um tico, enquanto se aproveita o sol que resta, que segunda feira está quase aí... 

quinta-feira, 18 de março de 2021

 


Ando para falar desta moça há tempos, mas adio por preguiça, ou qualquer outra coisa que me faz não querer seguir o fio à meada. Porque tenho sentimentos muito diversos em relação à bicha. Tem muita coisa que me irrita até à medula... nunca me passei tanto com um bicho. E acho que nunca admirei tanto uma ternura assim, um coração que só deve vir em tamanho de cão e este mesmo nessa categoria é enorme, incomensurável. A mãe conquistou-me e é muito mais minha, esta é um caso à parte, outra categoria, ou talvez, sem categoria que lhe caiba. Já levou umas tareias, que não lhe doem mas me deixam as mãos feitas num oito, ela é dura como ferro, só músculo. E inconsciência, completa. É uma criatura com um jeito muito próprio, ou muita falta de jeito. Tem focinho de patetona, nunca conheci focinho com ar tão pateta, e ela está à altura do focinho, só vos digo. Se fosse gente devia ser daqueles super optimistas, cheios de teorias positivas e muito inconsciente. Nada a faz parar, ou pensar. Faz uma asneira agora, fica de castigo, mas durante o castigo já não se lembra (ou melhor não quer saber), já passou, já está feliz e pateta outra vez. Não aprende. O que pode ser giro às vezes. E é. Mas faz-me pensar coisas que não gosto. Que há criaturas que não aprendem, que foram feitas assim, e pronto. Estupidas basicamente, e sem conserto à vista. Nem todas optimistas e sempre felizes e inconscientes. Não, algumas nada disso, mas sempre a especializar-se em erros diferentes da mesma estupidez. Portanto esta criatura ao mesmo tempo que me irrita solenemente e me lembra coisas que não me apetecem, enternece-me duma maneira que me desconcerta. Que não cabe ou sabe de moldes. É duma meiguice e duma doçura bruta que é impossível resistir, só não sendo estupida talvez se possa resistir e racionalizar, ou assim... Não é o meu caso, obviamente. 

E é isto, foi-se chegando e achou por bem contribuir com o seu ioga, esticando-se ao meu lado no tapete. Gosta de me sentir à altura do seu focinho. Gosta do focinho a focinho como quem gosta de um tête-a-tête. Eu deixei-a ficar, esticada ao lado do tapete, a olhar para mim com aquela patetice inata em que o seu olhar está mergulhado, e nos abalroa em misericórdia. Depois, no fim, na posição de chinês - eu, isto é, não ela - achou por bem sentar-se entre os meus joelhos. O que rapidamente passou ao deitar-se, e em menos de um fósforo adormeceu. Tem uma vida muito agitada e cansativa, pois... Tive de registar, porque me ri verdadeiramente hoje com ela, e sorri e lhe dei mimo e gostei da companhia no ioga, e na sua maneira parva de mimar os outros. Esta criatura tem qualquer coisa, mas uma qualquer coisa que nao entendo. E ora me leva ao inferno, ora nos mimamos em momentos divinos. Como hoje.

sábado, 7 de março de 2020

Um belo dia para o primeiro passeio de trela, da pintarolas Júnior, 
uma russa a quem não falta pinta.. a não ser no pelo... ;))


sexta-feira, 27 de dezembro de 2019

[imagem @jean_jullien]

Hoje foi o dia em que quase me tornei uma “cats person”. Ou tive pena de não o ser há muito tempo. Ao fim dum dia de trabalho e de umas voltas voltas de carro pela cidade ao sabor de um ou dois cigarros, chego, quase nove horas, a casa. Vinha bem disposta, as voltas acompanhadas de boa música deixaram-me bem disposta, vinha com fome, e se soubesse assobiar se calhar viria a assobiar escadas acima. Entro em casa, oiço uns barulhos estranhos, vou direita à zona de guerra, perdão à cozinha, mal abro a porta instala-se o silêncio - o que é logo mau sinal - dou uns passos e os meus olhos pousam no caos... o saco de ração de tamanho mega familiar espalhado pelo chão, o caixote de cartão onde estava, roído até ao osso, o saco em género carnavalesco feito em tiras, e quatro focinhos, muito bem postos, alinhados, sentadinhos e calados com o ar solene de quem está prestes a ouvir um concerto de orquestra.... e eu só penso que aquelas criaturas não têm conserto, pestes autênticas, terroristas sem fé, destruidores por convicção. Tudo. Com ar de quem não mexeu uma palha, uns santos. Até me esqueci da fome, tiro a espécie de “cancela” que separa aquele espaço, da cozinha propriamente dita, e é vê-los fugir por entre os meus pés... Depois  de maldizer a minha vida de trás para a frente e da frente para trás, e reposta a ordem mínima, mando os sacanas irem de volta para o sítio deles.... qual quê, ficaram surdos. Olham para todas as paredes,  ou enfiam o focinho na barriga própria ou alheia, o que estiver mais à mão, e nada, não é nada comeles. Danada até ao tutano,  dou  dois berros e desato a dar palmadas naqueles traseiros... mas os sacanas são rápidos, e agora a modos que tenho dois trambolhos em vez de dedos, porque um fugiu-me e bati na esquina dum armário da cozinha, e devo dizer que não, não estava a ser meiga com os moços... irra que dor. E pronto, durante uma boa meia hora não consegui dobrar os dedos, o indicador e o do meio, aquele que tantas vezes apetece usar para indicar apreço, enquanto ficavam negros e inchados... uma maravilha. Em vez de comer estive com ervilhas na mão, congeladas, pois. E os sacanas já refastelados na sua caminha a olhar para mim com aquele ar de quem devia ter apanhado, mas não apanhou. A sério, eu devia era gostar de gatos, ou assim. Irra... 

sábado, 3 de agosto de 2019


Fiquei cá a pensar... Sagitário, ‘tá certo... mas o cão ou o dono??
Voltei a ler melhor... o cão. Definitivamente o cão, claro!! 
Ehehehe
O pessoal não manda em nós, principalmente não tendo lógica :DD

Bom dia!
[a minha sorte é tão macaca que já hoje me ri muitas vezes da minha desgraça... a vida é engraçada, a sério. E desta vez, mais uma vez a minha cadela pregou-me a mesma partida. Parece que espera que eu esteja sozinha e tenha planos... danada da gaja...]

domingo, 16 de junho de 2019



Passeio a Pintarolas a cheiros e o silêncio pensa-me, tem uma batuta que me orquestra os pensamentos, ainda que nem sempre os afine ou os musique... Olho para trás e percebo que tive pessoas fracas na minha vida. Talvez seja um padrão, talvez elas me escolham, talvez eu me tenha deixado escolher para tentar de todas as maneiras que sabia, fortalecê-las, fazê-las olhar para dentro e verem mais do que julgavam encontrar, e ver o que eu via além daquela insegurança. E com isso fazer-me amar, será? ( e talvez isto diga muito das minhas inseguranças, da minha própria fraqueza)... Mas acho que se fortaleceram, que se viram melhor do que até aí conseguiam. Sei-o. Que lhes dei isso de mim, arrancado, rasgado de mim, talvez. Só não sei se me enfraqueceram. Talvez o nosso inconsciente nos diga que as pessoas fracas não nos esmagam, que não nos magoarão (e isto é certamente insegurança, medo, mais uma vez, fraquezas minhas). O inconsciente está errado. Magoam. E eu tenho de, e vou, mudar o padrão. 

[já alguém da blogosfera, há uns anos, me dizia, tu precisas dum gajo que não tenha medo de te pôr os pontos nos i’s, de tos apontar, que te olhe de igual, não de cima, mas certamente não de baixo, alguém que te veja e te mostre - alguém que faça por mim o que fiz por outros.]
Vi isto e achei que me servia. 
De certeza.
A bicha até é parecida. E tem as mesmas manias.
Zelar pela nossa companhia e segurança ou supervisionar se estamos a fazer tudo bem... 
em qualquer lado!! :D

E hoje é dia de passeio ;)

Bom dia!

sábado, 25 de maio de 2019



Estou cá desconfiada - já com um elevado grau de confiança, diga-se - que a minha cadela, já parte dos meus dias e noites, da casa, da família, não pele da minha pele, mas pelo de toda a minha roupa, que a moça anda a largar pelo que não é brincadeira, mas dizia eu, este bicho enganou-se na casa, só pode... parece que tem alergia a massa!! Cá em casa!!... como é possível?... Deve ser alérgica a glúten: além de moderna a bicha é fina, lá do alto do seu aristocrático porte atlético de caçadora. E dito isto, assim de repente parece-me, que por este lado até era bom dizer que afinal não se enganou na casa, que há qualquer coisa de pedigree que me agrada... hummm vou repensar o assunto...

(ainda que daqui ela já não arrede pé, claro, já é parte da família, duma ramificação com mais um par de patas e bastante mais pêlo ;) e só ligeiramente sui generis nas preferências culinárias, acho que lhe perdoo porque além de ser um orgulho de espertalhona e vivaça, é a moça mais lindona da avenida, sem dúvidas e por larga diferença, claro... e a única que me faz levantar bem disposta, ainda que a refilar por me acordar, focinho com focinho, como hoje. E hoje até sonhei com ela, tinha tido uma ninhada de três lindezas, duas moças castanhas como ela e um de pinta negra como o namorado... fiquei a pensar o que quereria dizer. Nascimento? renovações? vidas novas? coisas lindas?... não sei. sei que gosto dela, muito. mais que isso também não interessa, pois não? não. )

sábado, 5 de janeiro de 2019

[foto @ifitwags]

Pela primeira vez acordo com um gajo ao meu lado. Moço que, lá pelas contas dele, deve ser um recente cinquentão, grisalho e carregado de charme (às vezes, garanto-vos, até faz parar o trânsito)... O único que me entra em casa sem pedir licença, a casa é dele, ou ele assim a toma, como a mim me toma por ser dele, mas só quando lhe dá jeito, pois. Gajos. Acordo quase nariz com nariz. Não abro logo os olhos, finjo-me de mula, ele não quer saber de mulas, espeta-me o nariz na cara,sem apelo, agravo ou réstia de misericórdia... Estava frio, muito frio, rai'sparta o gajo e o nariz gelado, mas abri os olhos e desatei-me a rir... não há como não. Agarrei-me a ele, numa espécie de abraço muito desiquilibrado e desengonçado, pois. Ele fica todo contente, não pára quieto, mal me deixa sair da cama, entorpecilha-me as pernas nas dele, e percebo que tem mesmo de cortar as unhas... mas a felicidade dele só por me ter acordado é coisa para me fazer levantar a sorrir - começar bem o dia às vezes parece que não custa nada. Está constipado, farta-se de espirrar no caminho para a cozinha... espero que não me tenha pegado nada, o danado do peludo com nome de rio. E como eu dizia, hoje pela primeira vez este ano, fui acordada por um moço com nome de rio, peludo grisalho, constipado, muito mimento e ciumento, a precisar de cortar as unhas e que há não muito tempo queria afinfar a teenager (lá pelas contas deles) pintarolas patuda residente neste domicílio.... e tem um nariz verdadeiramente gelado. Mas fez-me rir...

Bom dia!... hoje é dia de deixar o tempo correr devagar entre o que se quer e o que se tem... e é dia de passeio a várias patas, mas sou só eu ou está um frio do caraças?.... acho que vou ter de arranjar um casaquinho assim para a bicha ... senão constipa-se como o outro...

terça-feira, 25 de dezembro de 2018

Passeio natalício a seis patas e belas cores.
Das coisas que não se trocam.

domingo, 16 de dezembro de 2018


As minhas únicas decorações de Natal...
... e as únicas que me apetecem fazer...
Mas também as mais lindonas do mundo, claro!!

domingo, 28 de janeiro de 2018

Pelos caminhos da vadiagem:
... a correr e a saltar
... com o rio a espreitar-nos entre os vultos que não o vêem.
... com o sol quase a pôr-se e nós a pararmos para beber um café à sua despedida.
...e depois ficar a pensar, enquanto o café amargo se acomoda no palato, que a frase do filme de ontem "chama-me pelo teu nome, que eu chamo-te pelo meu" tem nas suas raízes mais beleza que o melhor por-do-sol que possa ver.

quarta-feira, 27 de setembro de 2017


Aqui à minha frente, a pintarolas e os seus fenomenais penteados de orelhas... e a meiguice, a traquinice, o olhar que fala, o procurar os meus pés para abrigo e almofada, tudo isto é ela... Nunca ninguém ficou tão contente de me ver, nunca me fizeram uma festa tão grande só de me avistar. E no entanto estou sempre a dizer-lhe para não me saltar porque me arranha toda, e dou-lhe uma palmada quando resolve ir buscar uma meia nos dentes para me presentear a chegada. Sou uma bruta, isto de ter de a educar às vezes é duro, tenho de ser mais dura do que sou, senão tornar-se-á um desatino viver com ela. Agora, a olhar para ela e a fazer-lhe umas festas antes de irmos dormir, dei por mim a pensar que foi dos melhores conselhos que me deu, para arranjar um cão, e foi a melhor coisa que eu fiz. Mas, ao mesmo tempo, é um nó que aperta a alma, olhava para ela e pensava: se lhe acontece alguma coisa não vou querer mais nenhuma. Nenhuma será assim, nenhuma terá a história que já temos, por nenhuma mais vou dormir duas ou três noites no sofá da sala porque ela não se calava e não sabia ficar sozinha - ainda agora é um martírio... Depois desta não vou querer mais nenhuma. É uma chatice gostar-se de alguém. Roubam-nos partes que não sabíamos que tínhamos, trazem-nos dentro, recantos nossos que nos revelam e descobrem, como há tempos escrevi. Esta já é um recanto meu, doce e difícil, mas já é meu, não quero mais cantos meus desalojados de mim. Se tudo correr normalmente há-de a minha filha sair de casa e esta pintas ainda me ficar a roer as noites aos pés. E depois? Quando esta me abandonar também não quero mais nenhuma. É tão difícil arrumar recantos cheios de coisas nossas, coisas que gostamos, que cresceram em nós, que se fizeram nós. Nós que depois perdem o caminho do desatar. Serei assim em tudo? Quando encontro algo que sinto único trato-o como único? E não sei ainda como substituir únicos, só aprendi a viver sem eles. Não quero coisas únicas que fazem ninho em mim, quero o que não me entre dentro porque não sei deitar fora... A não ser, talvez, a vida. Essa deito fora para manter o que tenho dentro. É uma chatice e não serve para nada. Mas as coisas mais bonitas nunca têm utilidade, senão sentirmo-las bonitas e isso nos fazer sentido em todos os sentidos, menos no ter de ter um sentido.

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Quando a pintarolas está noutra zona da casa
 e não vem quando a chamo, fazendo-se de surda,
 e eu estou preguiçosa, abro a porta do frigorífico e ela aparece logo. 
... O som do frigorífico fala mais alto que eu, só pode. 
Ou a surdez é selectiva... ou ela tem a mania que tem vontades, sei lá...

sexta-feira, 4 de agosto de 2017


-Quem és tu Zé Gato??
-.....

(Mas o que é a criatura está a fazer à minha cauda?... estou tramada...)

...olha também eu. Está visto. Não me safei. E agora estou o protótipo da cota-encalhadinha-mor... filha, cadela e gata. Sim... tudo meninas, parece que esta casa não aceita machos... parece o destino a falar alto.

Bom dia!