segunda-feira, 6 de janeiro de 2025
sábado, 4 de janeiro de 2025
domingo, 21 de maio de 2023
quinta-feira, 18 de maio de 2023
Dias que enchem a alma e nos libertam a cabeça, com terra calcorreada debaixo dos pés e sol alto no olhar. Passeios e caminhos, estradas que acariciam as curvas da terra e fazem a alma dançar ao som das músicas que se vão sucedendo em sorrisos que não sabem cantar. Locais de silêncio e águas que vão correndo calmamente para onde têm de ir, numa frescura descomprometida e livre, que fazemos por beber. Pausas que fazem o tempo ter um sentido que não precisa de razão, como se a vida só se vivesse nesta suspensão do quotidiano, nos intervalos dos dias.
Eu conseguia habituar-me a esta vida de dondoca sem esforço, a sério… anda-me a saber como a água fresca aos sedentos. Sede de vida também se sente, parece-me.
sábado, 22 de abril de 2023
Leva-me a dançar.
Leva-me a dançar num sítio cheio de gente onde ninguém me veja, onde a música seja só minha quando fechar os olhos e me esquecer do mundo com a tua mão na minha. Deixa-me gritar para dentro a liberdade que me custou tanto, tão fundo, e sorrir para fora como se nada tivesse custado e o tempo levasse tudo lavado num sorriso. Leva-me daqui para onde eu ainda estiver, resgata-me das garras dum tempo que nunca foi meu, duma criatura que nunca consegui ser. Que nunca quis ser. Leva-me ao cimo de todos os sonhos, onde as vistas se espreguiçam para lá de todos os horizontes, onde o sol se encosta, aninha, e espera a lua de pestaninha aberta. Amam-se na eternidade de mal se verem, mas esperarem-se a toda a hora, numa poesia sem palavras. Leva-me ao cimo dessa montanha, de todas as montanhas, vamos respirar fundo e encher de pureza a alma, senti-la de novo toda, inteira, como se nunca tivesse sido beliscada, esgaçada, rasgada e apunhalada. Como se estivesse inteira para confiar. Como se sítios sagrados a regenerassem, e acreditássemos de novo. Vamos sentir a poesia outra vez pela primeira vez. Vamos onde há um altar à vida, um lugar filho do luar, pai de todos os pontos cardeais, com o mundo lá em baixo a rodear-nos por todos os lados, sem nos tocar. Um alpendre que fala ao peso de cada passo nosso, para nos lembrar que há terra e raízes, e debaixo de todas as estrelas vamos banhar de luar a pele inteira. Vamos despir as noites do frio e vestir-nos de silêncio que fala de dentro. Anda, vamos fechar os olhos e respirar tudo em suspiros quentes, brincadeiras, sorrisos e gargalhadas frescas. Tudo o que sejamos nós e queiramos que o tempo seja. E vamos fingir que a vida é isto e que o resto são só pequenas pausas. Vamos brincar ao faz-de-conta que nada conta, senão o que queremos ver no meio da escuridão.
Leva-me como quem me resgata. Os sítios sagrados são sempre pessoas. Dança comigo.
sábado, 29 de outubro de 2022






