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quinta-feira, 10 de agosto de 2023

 Na cozinha com duas cadeiras a fazer de cama, uma almofada na parede para encostar a cabeça, conto respirações de luz apagada, abro os olhos quando por um bocado não oiço nada… o meu coração pára, talvez também ele para tentar escutar melhor. Depois volta a respiração curta e quase em esforço, ainda que menos do que aquele que ouvi e me fez fazer de duas cadeiras uma cama. Há duas horas contei 65 respirações por minuto, os batimentos cardíacos desisti porque eram de tal forma confusos acelerados e fortes que desisti, antes que com o pânico quem tivesse um ataque fosse eu. Agora conto entre 35 e 40 depende. Parece-me que a este ponto depende do sonho que o grisalho cá de casa está a ter. Eu por mim estou num pesadelo há horas… desde que o fui buscar ao hospital dos peludos. Que estava tudo bem, fora de perigo, dois dias depois de entrar por ali a dentro com ele por um fio pela minha estupidez. Não vi na véspera que temperaturas iam estar; os dias de muito calor tinha ouvido nas notícias eram no fim‑de‑semana, depois começavam a baixar. Deixei muita água e deixei-o a sombra depois de lhe dar de comer. Seguiu-se um dia de trabalho, fora daqui como sempre nos dias que correm, a uma hora daqui, quase. E a caminho, atrasada, para não variar, fico a saber que esperam temperaturas de 40 graus… deu-me um aperto, mas achei que estando à sombra, num sítio coberto e com bastante água não haveria problema grave. Estou sozinha, filha de férias longe, irmão de férias mais longe ainda, a senhora que vai fazer a limpeza de férias. E eu a quase uma hora. Liguei para quem estava no prédio para assegurar que ainda havia água nas bacias, e que o moço estava à sombra. Sim senhor a tudo, fiquei mais descansada, confesso. Quando chego a casa a correr escadas acima abro a porta para o pátio de trás e vejo a quase morte a ofegar, os olhos vidrados quase ausentes, não se mexia, reagiu à minha voz pareceu-me. Corri a buscar a bacia com água deitei-lhe um pouco no focinho, fui buscar uma taca pequena e enfiei-lhe água pela goela abaixo. Não se mexia, e arfava como quem foge à frente da morte com ela quase nos calcanhares. Ligo para as urgências, o que faço? Trazê-lo? Ele n se mexe… mas tem de ser, não há outra maneira respondem-me. Ok, nem que o carregue as costas. E foi, não as costas mas  em peso, até ao abençoado elevador que me levaria à garagem. É preciso a chave para o elevador ir até à garagem. Está no chaveiro, com a chave de casa, que na confusão... ficou em casa, do outro lado da porta fechada… ia morrendo eu. Lembrei-me que desde que estou sozinha tenho uma suplente guardada, porque sei que a minha cabeça é tonta e que um dia qualquer isto podia acontecer. Claro que nunca imaginei que estivesse numa tal emergência. Corro, literalmente, subo desço, volto. Finalmente o elevador tem como descer até à garagem. Abro o portão, o carro ficou lá fora ao sol. Domingo esqueci-me de o por na garagem. Se houvesse um Euromilhões ao contrário eu ganhava se jogasse. Certinho direitinho, não há outra hipótese. Pego no bicho em peso, ponho-o aos pés do lugar do morto e rosno com este pensamento. Fecho a porta dou a volta ao carro a correr, tudo sempre a correr, desvairada. Ligo o carro, o ar condicionado no máximo e só para os pés. Não sei como não atropelei ninguém, ou não me desgracei em modo automotor, acho que cheguei ao veterinário em minuto e meio, e entro por la com o cão quase debaixo do braço, só que ele não é do tamanho de um porta chaves… vai directo para debaixo de água. Termómetro, acima de 40 graus. Olha para mim como quem grita, lá dum sítio fundo e de voz sumida. Passam 5 minutos, talvez menos, talvez mais, sei lá. Termómetro. Desceu mais de meio grau. Mais água, álcool porque (aprendi) quando evapora com a água dissipa o calor do corpo. Mais chuveirada no pelo, até que chega à temperatura normal. Eu não falo, não digo nada, olho, oiço, tento pensar se será possível que aquele moço de 14 anos e uns trocos ultrapasse aquilo. Começa a beber água do chão do sítio onde estão a molha-lo, começa a estar presente na cena, a parecer até o quanto lhe está a saber bem a água, começa a sentir-se melhor. Começa a sentir, parece. Já respira devagar. Mais devagar que agora, parece-me, o meu coração dá-se conta que bate, já me sinto respirar. Talvez. Só talvez. Mas reagiu e pode ser que… talvez. Mandam-me para casa e vai lá ficar para o dia seguinte, a soro e análises. As próximas 24 horas são críticas. No dia seguinte o medo das notícias, ligo, nada, depois ligam-me. As análises podiam estar pior face ao episódio de calor e idade. Tem de se repetir ao fim da manhã. E depois de feitas acusaram teimosia extrema, evoluíam positivamente. Tinha-o apanhado e trazido a tempo. Mas ainda não saiu da zona de perigo. E eu não saí de certeza, digo que é melhor ficar mais um dia. Tenho medo de o levar  para casa, pesquisei no Mr Google e os três, quatro dias podem revelar consequências que as primeiras 24 horas podem ocultar. Fica mais um dia internado, mas vou ve-lo ao fim do dia. Está vivaço, levanta-se com alguma genica, bebe água e come com vontade. O meu coração respira de alívio, a culpa larga o lastro de uns tantos quilos… "foi uma sorte, eu estava céptico-  dizia o médico -, e a olvido branca, nem falava, mas chegou cá em tempo recorde e devemos ter feito tudo bem, porque se amanhã continuar assim ,está fora de perigo" não há indicadores que levem a pensar diferente. À tarde liga-me. Ele está bem, e tem alta. Hoje. Há bocado ao fim do dia, mas quer fazer um exame ao coração. Continua com respiração acelerada e ofegante, já não havendo razões para isso... e tem de haver uma razão. Fez o exame e descobriu, tem o coração grande demais - brinco e digo, isso eu já sabia, mas não sei se me entenderam - e continua, ocupa quase a caixa torácica toda, não deixa espaço para os pulmões trabalharem normalmente, e está já a pressionar a traqueia... pois, quem tem o coração grande demais, respira mal muitas vezes, como quem tem um peso no peito, sempre a pressionar. Também já sabia disso, penso para mim, mas não digo, calo. Não me entendem, mais vale o silêncio. E fui buscá-lo e achei que não estava espevitado como ontem. Já em casa acho-o cansado, prostrado, derrotado e quase em esforço para respirar. Sinto-o quente, ponho uma toalha molhada no corpo passo no focinho e orelhas. Não melhora, passado um tempo acalma um pouco. Não estou descansada. Vou buscar as mantas para ficar com o rabo menos quadrado nas cadeiras a fazer de cama. Fecho as luzes. Ponho-me a contar respirações e as horas de sono que não vou ter, mas não consigo sair daqui. Não que faça alguma coisa, não faço, porque não sei o que fazer, senão esperar pela manhã para ligar outra vez. Dizer que alguma coisa não está bem. Ajudem-me. Ajudem-no. Que eu contar respirações por minuto não ajuda a coisa nenhuma, mas não sei que mais fazer para que o coração bata com jeito e não em modo descompensado e sem regras. Tenho sono e uma reunião às 10. E um irmão que tem direito a ainda ter cão quando regressar, a não se sentir culpado por ter ido três semanas de férias quando precisava de três meses, porque quem deixou cá a tratar do cão, do limoeiro, do jardim, do correio, do resto da canzoada e da papelada não conseguiu fazer as coisas bem, com jeito.  É certo que o cão tem o coração grande, agora atestado com radiografia cheia de razões, mas podia ter evitado o calor, deixava-o dentro da cozinha, ainda que não evitasse lavar a cozinha todos os fins de dia. E agora conto respirações e rezo para que nos próximos dias tenha razões para ter de lavar a cozinha todos os dias quando chegar ao fim de um dia de trabalho. 43 respirações neste minuto e três sustos. 

(E não vou reler não me apetece, deve estar cheio de gralhas, paciência, também eu)

sábado, 29 de abril de 2023

 Querido, mudei a casa!!

Adoro esta fotografia. 

Há um grito nela, que oiço.

E um gozo, que sinto.

E uma certa petulância desafiadora, que me fala. 

E um horizonte todo a testemunhar, desfocado mas ainda a deixar perceber as vistas largas.

A nudez debaixo do reflexo da água: uma fragilidade assumida é uma força disfarçada.

Não sei se já tinha mudado esta casa alguma vez, não me lembro, mas suponho que já tinha havido uma foto antes da que substitui agora. Há sempre alguma coisa forte que impõe esse tipo de mudanças, não sei porquê, mas porque este espaço é muito eu, identifico-me com tudo o que aqui aparece de alguma forma, e o mote é o nome daqui do tasco e a foto. A palavra e a imagem, duas coisas que em mim andam muito atracadas uma à outra. Hoje fez-me sentido esta mudança como se não a fazer não fizesse sentido, era algo que se impunha de facto, negá-lo seria deixar de ser fiel ao princípio. O que me lembra aquela máxima, que acho o máximo, que diz que temos sempre de mudar para conseguirmos mantermo-nos fieis a nós mesmos, para continuarmos os mesmos.

segunda-feira, 23 de agosto de 2021

Apanhei isto numas coisas antigas, fartei-me de rir com os comentários parvos (aqui adaptados e destacados em fundo vermelho) que acrescentei a um texto que apanhei em algum lado na altura, não sei se na altura mais alguém se riu, ma eu ri-me a escrevê-lo e a relê-lo ontem à noite. Deixo aqui como amostra de parvoíces passadas e gargalhadas futuras. Na altura escrevia algumas parvoíces destas e tenho saudades disso, talvez até estes comentários deveriam ter outra assinatura, ainda que eu seja sempre eu, foi um eu de outra fase, que hoje revisitei e voltei a ser um bocadinho, e gostei, talvez eu não tenha mudado assim tanto, afinal, só me faltará o mote, se calhar... mas a emissão retomará a (a)normalidade habitual já de seguida, não se apoquentem. :)


As mulheres e o sexo: gritonas, mandonas, ordinárias e religiosas


No que toca ao seu comportamento na cama, as mulheres dividem-se em quatro (só??? desconfio um bocado deste começo, não sei se o mocinho tem canudo na matéria... não aparenta curriculum à altura.... só pode!) grupos diferentes: as gritonas, as mandonas, as ordinárias e as religiosas.


Gritonas - são o maior grupo (pois, já ouvi dizer...), que é formado pelas mulheres que dão gritos durante o sexo. Convém esclarecer que os gritos não são neste caso frases completas, nem sequer palavras, mas apenas sons à solta, sem qualquer construção gramatical específica. São os célebres "ahn, ahn, ahn"; o sempre muito escutado "oh, oh, oh"; os "ai, ai ai" ou o mais raro "ehhhhhh..."

Normalmente, os gritos começam com uma vogal, e aqui o "o" ganha clara vantagem (ohhhhhh a sério??? isso aparenta uma certa desilusão, não?... eu a pensar que era o AAAhhhhhhhhh), seguido a curta distância pelo "a" (ahhhhhh....bom...), e ambos muitíssimo destacados do "e". Há alguns casos em que os gritos começam por "u" (uhhhh... serão vaias, mocinho?...não sei, just say'n) ou "i" ( e...e...e mais qualquer coisa... que não chega?), mas são muito marginais, e julgo que só foram escutados por uma única vez numa ilha do Pacífico.

Quanto ao volume dos gritos, há basicamente dois subgrupos: o primeiro é o das Mulheres Sensurround, cuja gritaria nos faz trepidar (pode ser bom, se calhar...); o segundo é o das Mulheres Stereo, que gritam virando a cabeça alternadamente para a esquerda e para a direita (ele é optimista, eu acho que elas estão a dizer que não... ou estão em negação, ou o gajo pensa que está no bom caminho...mas não nãããoooo), de forma a criar um efeito sonoro digno de recordação (alguém com um sorrisinho parvo de recordação?....).

É igualmente interessante examinar o ritmo dos gritos femininos. Há o ritmo Techno, um "oh-oh,oh-oh" muito acelerado; há o ritmo "Super Slowmotion", um "ahhnnnnnnnnnnnnnnn" lento e prolongado (só para quem tem boas caixas toráxicas para aguentar...devem ser gajas bem fornecidas de pulmões, claro), quase desprovido de climax (coitadinhas.... tsss tssss); e há o ritmo Fadista (este deve ser assim.... o mais erudito sei lá...) , um "óoooooh" sofrido e inesperadamente amargurado dadas as circunstâncias (inesperado... dizes tu).

Por fim, há o ritmo mais animado, que está no Top das preferências masculinas, o ritmo Classic Remix. No fundo, trata-se de uma mistura de tons antigos da música pop com as sonoridades mais modernas da house, do tipo "ahnn...ah-ah-ah, ohhhnn, oh-oh-oh, oh...ohhh, ah....ahnnn..." (hum hum... estou a ver que não faço ideia do que seja, mas devo ser a única aqui...)

 

Mandonas - Este grupo é obviamente formado pelas mulheres que dão ordens durante o sexo (alguém tem de pôr ordem na situação, ora!). É o segundo grupo mais numeroso, e tem crescido claramente nos últimos anos, talvez devido à auto-confiança elevada das mulheres (ou à necessidade de orientação dos mocinhos, quiçá).

A ordem mais escutada pelos homens é a chamada Ordem Imperativa de Localização Vaga (OILV), com o inimitável grito "Vai, Vai, Vai!" (é mais um hino à motivação, diria eu, tipo cheerleader do próprio espectáculo...mas se ele precisa de motivação desta... não sei não...). Depois, há a Ordem Confirmativa de Penetração Eficiente (OCPE), com o não menos famoso "Isso, isso, isso!"(tipo aviso à navegação... se bem que não sei como não desconcentra o gajo, mas pronto... vocês nã0 se desconcentram nestas coisas facilmente, tá visto...)

Em terceiro lugar, aparece a Ordem Imperativa Oral (OIO), com o sempre bem vindo "Quero chupar-te!" (este gajo não sabe o que é uma ordem!!! uma ordem é: chupa-me!... esta gente...pfffff... depois admiram-se de precisarem de orientações...)Segue-se a Ordem Generalista Ordinária (OGO), com o célebre "fod..-me!" (isto sim, já me parece mais uma ordem, mas se nos durantes, algo corre mal, porque a ela parece-lhe que ele ainda não está a fazer a coisa certa, ou como deve "de" ser...), que por vezes se transforma numa Ordem Perfeitamente Localizada mas Ordinária (OPLO), com o imperial "Fod...-me aí!" (parece-me plausível...  há que especificar, não vá baralhar-se....)

Por mais surpreendente que isso possa parecer, há igualmente mulheres que dão ordens a uma terceira pessoa, que neste caso é a sua própria vagina (que portanto o mocinho entende como uma terceira pessoa... hum hum... 'tá certo...). Incluem-se nesta situação a chamada Ordem Castigadora Vaginal (OCV), com o famosissímo "Dá-lhe, dá-lhe, dá-lhe!"; e também a ligeiramente aterradora Ordem Castigadora Vaginal Nazi (OCVN), com o formidável "Rebenta com ela!" (hummm sem comentários de tão parva que a coisa é já de si...)

 

Nota: devem contar-se também neste grupo as mulheres que usam a chamada Ordem de Pré-aviso de Orgasmo (OPO), que é quando elas gritam: "Está quase, está quase!" (lá está mais um aviso à navegação, tipo torre de controlo, a dar conhecimento do ETA... talvez para ninguém chegar atrasado, ou adiantado, quem sabe)

 

Ordinárias - Este terceiro grupo é formado, como o nome indica, pelas mulheres que só dizem palavrões durante o sexo. Embora ainda minoritário, também tem aumentado bastante nos últimos anos. As classes altas e as classes médias incorporaram na sua linguagem diária não só o "ó pá" e o "tchau", mas também o calão durante o sexo (deve ser uma espécie de inbbbbeja do vocabulário alargado do pobinho... ou o reconhecimento da sua utilidade empírica, sabe-se lá).

Assim, são já muito habituais as mulheres que largam vários "fod...-se" durante esses tórridos momentos, bem como aquelas que usam o termo "cara...o" a torto e a direito, seja para referenciar o dito cujo e o que desejam fazer com ele (há que chamar os bois pelos nomes, né? chamar Joãozinho, ou Zézinho, talvez aniquile qualquer esperançazita da coisa se dar... digo eu, sei lá), seja apenas para libertar a tensão acumulada desde a última vez que viram um (pois, se libertam a tensão a chamar-lhe nomes, em vez de se agarrarem à coisa, se calhar vão voltar ao mesmo... ou não...). 

Evidentemente, é expectável que estas mulheres misturem os palavrões com gritos parecidos com os do primeiro ou do segundo grupos. Por vezes, acontece mesmo que, no espaço de breves segundos, uma mulher salta do grupo Gritonas para o grupo Mandonas (é assim, somos polivalentes!!), e desse, num micro-segundo, para o grupo Ordinárias (e valentes, também...).

A situação verifica-se quando ela, ainda um pouco inibida, vai libertanto uns "ahhnss" e uns "ohhss" e de repente começa a transformar-se e, no auge da excitação, larga um convicto "ah, ah, ah, vai, vai, fod...-me!" 

Para além dos palavrões referentes ao acto, há também o uso dos palavrões referentes aos intervenientes específicos. Há mulheres que, mal um homem as aquece, começam logo a baptizá-lo de forma vernácula (chamam-lhe aquecedor, queres ver?...). "Ó meu cabr..., (ahh afinal não, mas pode acumular, certo?...) estás a gostar?" é um exemplo muito escutado.(com quem esta gente se dá... caredo!!!)

Por fim, há o Palavrão de Auto-Marketing, que é quando as mulheres começam a chamar palavrões a si próprias. "Sim, sou uma put..." ou "adoro ser a tua put..."(não será isto assim a insinuar que no fim tens de dar qualquer coisinha??? não sei, estou só a especular...) são frases que já quase se tornaram verdadeiros lugares comuns e de que convém desconfiar, pois já todos nos habituámos a auto-promoções (jezzzuzzzzz...para isso ser promoção.... antes de serem putas eram o quê???... valhamedeus) permanentes.

 

Religiosas - Este é o último grupo e é bastante raro em Portugal (a sério? como assim? cá não se ajoelha e reza o Pai nosso fervorosamente? ou essas não são, assim.... religiosas?), embora exista muito nos Estados Unidos da América, que como todos sabemos é um país religioso (hum hum pois claro, aposto que deve ser por isso) . Assim, por lá é comum ouvir-se a exclamação "Oh my God, oh my God!" (mocinho com larga carreira internacional...que até domina o inglês!) Ao que parece, as americanas lembram-se do Altíssimo (não não és tu, deixa de ser convencido... é o DEUS mesmo, o do céu...convencido) quando estão a ter prazer. 

Com Hollywood a mostrar repetidamente situações destas, a expressão foi rapidamente incorporada no vocabulário nacional, e já se ouvem algumas portuguesas que libertam um convicto "Oh, meu Deus!"(lembraram-se que deixaram o fogão aceso, ou a máquina a torcer muito tempo... deve ser isso...e ele a pensar que é para ele...)

São as Mulheres Divinas, não porque sejam melhores que as outras, mas porque para um homem é sempre bom saber que há pelo menos uma mulher no mundo que acredita que ele é um pequeno deus na caminha (pois pequeno deus, e na caminha... 'tá certo... mas vá, pronto acabou a parvoeira...que as mais discretas não têm piada que mereça tempo de antena... ou o mocinho não conhece nenhuma)."

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021

 Hoje sonhei que estava a ficar com o cabelo branco. Estava ao espelho e constatava que aquela meia dúzia que me acompanha há uns anos se tinha multiplicado, que começava realmente a notar-se, isso de estar a ficar com o cabelo branco. E olhava e olhava e não sabia bem o que pensar ou sentir, mas na verdade quando acordei o que achei curioso foi que não punha a questão de o pintar. No sonho, isto é. E depois, acordada. Devo ter pintado o cabelo, até hoje, umas três vezes e sempre por curiosidade de como ficaria, e sempre temporário, com produtos que vão saindo com a lavagem. E fiquei a pensar, será que daqui a, sei lá, um ano vou ter de começar a pintar o cabelo? Então e se não pintar? Tenho pouco e fino e se ele desiste de mim com essa ofensa? Humm...? E depois? E agora, enquanto o almoço faz plantei-me à frente do espelho, e a verdade é que já tenho uns quantos, e vários compridos, do tamanho dos outros, dos que não são ovelhas brancas... acho que ainda não se nota, mas eu já noto qualquer coisa... uma relutância em negar o tempo, mas o tempo o dirá. Negar o óbvio torna-se muitas vezes apenas ridículo, outras revela-se uma necessidade. Às vezes acumulam-se as duas... Por enquanto acho que olho para o facto - e ele para mim - com um olho aberto e outro fechado, entre o espanto e a naturalidade, a incredulidade e a aceitação.

segunda-feira, 25 de maio de 2020

Hoje por exemplo, a esta hora, já houve dois candidatos ao título...
... que mereceram, mas não, não disse, bom... só em pensamento. 
Ainda que, com o que efectivamente disse, suponho que eles desenvolveram a excepcional capacidade de ler pensamentos... com alguma clareza, diria eu.... o que, convenhamos, dá sempre jeito. A mim, pelo menos, deu. :))))

segunda-feira, 11 de maio de 2020



Outlander - comecei a ver porque ouvi vários comentários que valia a pena. Não fora isso e a temática não me puxaria, viagens no tempo e séries de época não são a minha predileção. Claro que quando entra em cena este moço o interesse sobe seja qual for o contexto, e não costumo ser muito susceptível a estes moços bonitinhos, com um fisico que não fere os olhos ( e o dele vai muito para além disso... jazuzzz há ali qualquer coisa no conjunto que impressiona) e uma carinha de meio meninos ainda ( e este, da pesquisa que fiz, ao natural parece muito imberbe.. mas vá, acho que talvez  lhe perdoasse isso...). O certo é que realmente desde que comecei a ver, a partir do quinto ou  sexto episódio, tornou-se um tira-sono... era só mais um episódio... e de manhã o despertador não queria cá saber de coisas... mas deixou-me algumas vezes a pensar. O que me cativou (além do moço, pois) foram pequenos pormenores da relação deles. Não vale a pena tentar explicar, nem eu o farei, mas fez-me pensar... coisas simples, pequenos (grandes) pormenores que se reconhecem, que me fizeram pensar que, se por um lado há certas coisas que se vêem, ou lêem, e dizemos ah e tal, estas coisas só em livros ou filmes; por outro, quando as vivemos dizemos que são únicas, parece que nunca ninguém as viveu, ou sentiu, assim. No entanto, depois, quando somos confrontados com certas cenas sorrimos, porque se foram escritas alguém as sentiu assim, ou muito parecido... e afinal aquilo que chamamos único, parecerá único para toda a gente... ou seja, não só não é único, como  não é só de livros, ou filmes. A vantagem é que quando é escrito tem o fim que quem escreve quer, e talvez seja essa a razão de algumas pessoas escreverem, para lhes dar o fim que querem ou para expurgar o seu. 
Nesta série há muitos pormenores de cenas entre eles que me fizeram pensar isto, e sorrir algumas (muitas) vezes mesmo sem querer, outras consciente, pois se nada disto é único, haverá mais e até melhor. O sentido de humor partilhado, o brincarem em momentos estranhos a outros, a "taradice" entendida em conjunto como saudável, boa e nunca como ordinarice, os olhares que falam, as brincadeiras privadas, o vocabulário íntimo, as coisas que se dizem. Tanta coisa comum se calhar a tanta gente - sim, haverá mais quem veja as relações assim,  e a mim (re)lembra-me que existe, que é possível, e que se poderá viver, sem viagens no tempo e sempre a fugir de algo ou alguém.
Há coisas que podem ser, nem todas, mas algumas poderão ser, e podem ser muito boas, ainda que não o sejam sempre e a todo o tempo - mas não são só de livros, afinal, cada vez mais nos apercebemos que a realidade em tudo ultrapassa a ficção a seu tempo... a alguns essa realidade chega tarde demais, para outros nunca chegará. Uma coisa parece certa para quem a conhece, não a consegue desconhecer, mesmo que queira.... e depois há memorandos assim, na tela. E isso é bom. Há coisas que não mudam, e coisas que têm de mudar para que nos mantenhamos fieis ao que acreditamos, ou queremos.


 [Fiquei para sempre fã do sotaque escocês, e gostei da série, sim senhor, acabei agora o último episódio da quarta temporada. Acho que já há outra, mas ainda não está disponível... não fui muito a favor de oferecerem a assinatura da Netflix à minha filha... mas... :))) ]

sexta-feira, 27 de dezembro de 2019

[imagem @jean_jullien]

Hoje foi o dia em que quase me tornei uma “cats person”. Ou tive pena de não o ser há muito tempo. Ao fim dum dia de trabalho e de umas voltas voltas de carro pela cidade ao sabor de um ou dois cigarros, chego, quase nove horas, a casa. Vinha bem disposta, as voltas acompanhadas de boa música deixaram-me bem disposta, vinha com fome, e se soubesse assobiar se calhar viria a assobiar escadas acima. Entro em casa, oiço uns barulhos estranhos, vou direita à zona de guerra, perdão à cozinha, mal abro a porta instala-se o silêncio - o que é logo mau sinal - dou uns passos e os meus olhos pousam no caos... o saco de ração de tamanho mega familiar espalhado pelo chão, o caixote de cartão onde estava, roído até ao osso, o saco em género carnavalesco feito em tiras, e quatro focinhos, muito bem postos, alinhados, sentadinhos e calados com o ar solene de quem está prestes a ouvir um concerto de orquestra.... e eu só penso que aquelas criaturas não têm conserto, pestes autênticas, terroristas sem fé, destruidores por convicção. Tudo. Com ar de quem não mexeu uma palha, uns santos. Até me esqueci da fome, tiro a espécie de “cancela” que separa aquele espaço, da cozinha propriamente dita, e é vê-los fugir por entre os meus pés... Depois  de maldizer a minha vida de trás para a frente e da frente para trás, e reposta a ordem mínima, mando os sacanas irem de volta para o sítio deles.... qual quê, ficaram surdos. Olham para todas as paredes,  ou enfiam o focinho na barriga própria ou alheia, o que estiver mais à mão, e nada, não é nada comeles. Danada até ao tutano,  dou  dois berros e desato a dar palmadas naqueles traseiros... mas os sacanas são rápidos, e agora a modos que tenho dois trambolhos em vez de dedos, porque um fugiu-me e bati na esquina dum armário da cozinha, e devo dizer que não, não estava a ser meiga com os moços... irra que dor. E pronto, durante uma boa meia hora não consegui dobrar os dedos, o indicador e o do meio, aquele que tantas vezes apetece usar para indicar apreço, enquanto ficavam negros e inchados... uma maravilha. Em vez de comer estive com ervilhas na mão, congeladas, pois. E os sacanas já refastelados na sua caminha a olhar para mim com aquele ar de quem devia ter apanhado, mas não apanhou. A sério, eu devia era gostar de gatos, ou assim. Irra... 

terça-feira, 30 de julho de 2019


“ Um dos erros da vida, embora seja certamente uma excelsa virtude nas religiões monoteístas, é aceitar as coisas tal e qual elas se nos apresentam.
A resignação – pois é disso que se trata – é contentarmo-nos com aquilo que existe. Escusa até de ser mau, até pode ser bom. Mas vir ao mundo e depois sair dele sem ter alterado nada é uma tristeza porque perdemos uma oportunidade de adaptar as coisas ao nosso gosto particular, individual.”

Miguel Esteves Cardoso (crónica da Fugas desta semana)


Assim sendo, não sou monoteísta. E não sabia. Mas realmente nunca fui de endeusar ninguém.  Talvez seja nadaísta. Se calhar é isso. 
Adaptar as coisas ao nosso gosto, ao que somos, gostamos e acreditamos, não aceitar simplesmente o status quo, parece-me um bom mantra, ou mote. E principalmente não nos queixarmos e criticarmos se nada fizermos pela mudança. 
Li esta crónica do MEC ( que não tem nada a ver com o assunto, é sobre o gelo perfeito que agora se comercializa) depois duma discussão com alguém que simplesmente não mandou passear uma pessoa (recomendada por mim... ainda por cima que vergonha valhamedeus)  que estando no desemprego, sugeriu que o período de experiência no novo trabalho fosse pago "por fora".  Claro, para não perder o subsídio de desemprego (e na verdade quem está com dúvidas não é quem vai empregar, que anda há mais de seis meses à procura de alguém com alguma experiência...)... E eu que me passei, que me indignei, fui chamada de exagerada... ahhh e tal é normal, disseram-me... ao que respondi que da próxima vez que se indignarem com o que os políticos alegadamente fazem e do se aproveitam,  e do que roubam ao que todos pagamos com impostos, lembrem-se que pelos vistos não se podem, nem devem indignar, porque na medida do seu possível, fazem o mesmo. Alimentam o que criticam, e aceitam-no como generalidade, como normal. 
Fui eu que recomendei a moça, e sentia como responsabilidade tentar arranjar-lhe um emprego, mas realmente nada a fazer, e agora não me sinto minimamente culpada por afinal estar no desemprego... parece que é onde sempre quis estar... isto há cada uma valhamedeus! Fico doida com certas coisas... cambada de monoteístas, é o que é!

domingo, 14 de julho de 2019


Deve ser arte dizer-se a uma pessoa o contrário do que se diz a outra, 
conseguindo mentir às duas. 
Se não for arte há-de ser pelo menos coisa de um grande artista...

[Hoje, já não sei porquê dei comigo a pensar isto, enquanto as mãos pensavam outras coisas. Talvez haja sítios na nossa cabeça que as mãos atarefadas não ocupam sempre. 
Agora, chegada a casa, aqui parada e a degustar o frio da noite ao som dos carros que passam e das vozes de esplanada, surge-me outra vez. Agora, as mãos quietas, mexem na memória do dia para me relembrar isto. Não sei porquê, é apenas uma constatação, não uma conclusão. Deve ser pela curiosa duplicidade da coisa, dos contrários que não se anulam nem se reforçam... ou porque há que dar reconhecimento aos artistas. Não sei.]

sexta-feira, 7 de junho de 2019



E depois do som das ventosas a saltar o médico diz “não tem nada no coração, o coração está bom”.
Não pode ser, o meu coração tem de tudo, mas pouco do que gosta muito, é por isso que não está bom. Está só conformado. O que não é bom. O médico não deve ser bom da cabeça. Nem do coração. Mas temos de esperar o relatório, para ter certeza. Não sei de quê.


[ acho que o coração e eu estamos sem pachorra para esta minha vida... muda tanta coisa menos esta minha falta de pachorra para o que não me faz o coração bater ligeiramente selvagem - falhar a certeza dum compasso bem orquestrado e penteadinho. 
...E as pessoas... estou um bocado farta de pessoas. Daqui a nada vou mesmo dar em eremita num monte no Alentejo, despentear searas com o vento que trago no olhar... ahhhh já faltou mais!]

sexta-feira, 31 de maio de 2019

...e é isto.
...o belo do optimismo.
...uma macacada.
Ou a minha ideia dele.
O meu dia de hoje começou ontem às onze da noite,
adiantou-se para chegar tudo atrasado...
e depois da m#%$@ feita... é dar a cara e esperar a pancada.
Já ter argumentos preparados, as armas limpas e preparadas.
Há coisas que começam mesmo bem!!
... cambada de macacos...

sexta-feira, 24 de maio de 2019


[foto @diego_durden]

"— Garçon, que dose de mentira você tem?
— Temos: Eu te amo, nunca vou te deixar, eu quero você comigo, sinto saudades e também temos uma que anda saindo bastante: “Pode confiar em mim”.
— Ah… Manda todas que hoje eu quero me iludir."

[apanhado na página facebook: sometimes less is more]

É p'ró menino e p'rá menina.... para quem quiser acreditar e confiar e ser estúpido... mas  também serve para quem não tiver alternativa... há para muitos gostos e feitios, sempre com a mesma receita.
E é sempre uma boa dose, com certeza!...

quinta-feira, 11 de abril de 2019

...então e se forem palitos?... é amor... que não dá pica nenhuma, mas pica!

E quando duas pessoas ficam juntas sendo a segunda (ou única, ao que parece, de parte a parte, neste momento) opção de cada uma delas - isso será economia de meios, uma certa justiça perversa, ou só uma pragmática pobreza - uma tristeza prática? Uma miséria que passa por elegância?... Impulse não é de certeza, até porque ali não se oferecem flores, só enfeites.... ahhh... espera, já sei... é amor forte e profundo, daquele com cenas que não deixam o outro partir, quase de faca na liga - ou, para quem não usa tal apetrecho, também se pode dizer de faca e alguidar; em alguns casos será bastante mais apropriado - em que alguém se descabela e humilha (muito), a dizer que não é capaz de viver sem o outro... e parece que é verdade, mas por falta de alternativa, não de tentativa.
Eu cá não sei, mas preferia estar sozinha... bom, vai daí, é mesmo por estas e por outras que estou. E antes assim que assim-assim, a fazer número, ou compasso de espera até aparecer alguma coisa mais interessante ou... até não ter medo de enfrentar a vida só com o que sou e tenho, sei lá.

[enquanto escrevia isto lembrei-me desta publicidade... há coisas que ficam sem sabermos porquê...]

terça-feira, 19 de março de 2019


Ontem vi um filme (é o que dá estar de molho, estou a ben-u-ron, pastilhas para a garganta, xarope, livro e filmes... tem de haver algum alado bom, né?) sobre um psicólogo que me fez lembrar algumas questões que volta e meia me põem a pensar. Milgram é o nome do psicólogo, e dedicou-se ao estudo do ser humano como ser social, ou seja a influência da sociedade - ou melhor ainda -, do grupo, no indivíduo, e nesta perspectiva o poder da autoridade e da obediência. Através duma experiência chegou à conclusão que 65% dos indivíduos aceitaram inflingir choques (supostamente, ninguém estava a ser sujeito a choques eléctricos, mas os indivíduos da experiência não sabiam) noutra pessoa porque lhes era dito que a experiência era assim, e que a responsabilidade, caso algo corresse mal, não seria deles. E com esta informação as pessoas (65% delas) continuavam a inflingir choques de voltagem crescente até atingir os 450 volts (voltagem que lhes era no início informado de que era perigosa), de forma consciente, ainda que visivelmente a contragosto, mas continuando a obedecer às regras duma experiência voluntária. Ou seja, não eram patrões, nem superiores, nem havia efectivamente nada que os obrigasse, a não ser repetirem-lhes que eram as regras da experiência e que eles não seriam responsabilizados. Só 35% das pessoas recusaram tais regras, levantaram-se e negaram-se a continuar a submeter choques a outro indivíduo, sem qualquer custo, risco ou castigo.
Quando pensamos nisto à luz do Holocausto muito é explicado - aliás Milgram é judeu e a escolha do seu tema fulcral de investigação não é alheio ao que se passou na II Guerra. Também já Hannah Arendt falava na banalidade do mal, mas ali, ali vemos gente como toda a gentes sem qualquer tipo de coerção ou risco, fazer a uma escala menor o que foi perpetrado durante a guerra a milhões. E, como se leva a concluir, basicamente com as mesmas justificações. Afinal cumpriam ordens, obedeciam a uma autoridade, até poderiam ser castigados caso não o fizessem (o que na experiência não acontecia). Na verdade nós deixamos de lado a moral e até o que pensamos e os princípios que seguimos face a algo que se apresente como autoridade, e como normalidade, como regra. E isto é tremendo. Onde fica a nossa cabeça? onde é que pensamos por nós? Onde é que deixamos de seguir os outros porque é suposto, porque é a norma vigente, ou porque representam autoridade, ou simplesmente porque "é a lei"? 
Se algumas vezes dei comigo a pensar algumas destas coisas, verdade seja dita, não tanto relativamente ao holocausto, ainda que não saiba dizer porquê, talvez porque todo o mundo, à excepção dos nazistas, concordava que era uma atrocidade. Ser contra não era ter de ir contra nada, era estar de um dos lados. Ser contra e ir contra tudo só sendo militar alemão e negar-se, opor-se, lutar contra, dizer "eu não faço". Mas recorrentemente penso, se tivesse vivido na época da escravatura, o que pensaria eu? Quando ainda não se falava ou pensava em abolir a escravatura, como veria eu a questão? Como pensaria eu, com tudo o que me rodearia na altura? Teria coragem de pensar por mim? E pensaria bem? 
Como será que eu teria reagido à experiência? tinha ido até ao fim ou tinha-me recusado a continuar a certo ponto? 
Sei que não sou cobarde ao ponto de culpar tudo e mais o que apareça por não conseguir o que quero, ou não fazer pelo que quero, não invento mil razões que me desresponsabilizem, não digo que fiz mal ou que deixei de fazer isto ou aquilo por causa do outro, ou porque a vida foi contra e eu nem tentei, isso acho que não faço, não me desresponsabilizo inventando desculpas, justificações para as minhas fraquezas. Mas quem serei eu na verdade numa questão destas? O que faria eu? O que pensaria eu? O que defenderia?
Só a mim é que inquietam estas questões?
Estaria eu nos 35%?

terça-feira, 22 de janeiro de 2019

É mesmo isto. Esta.
A esta não falto, nem tenho de me mentalizar que tenho de ir, que me faz bem e tal... nesta pelo go a estadia, há dias que só me apetece correr para lá (devagarinho, que isto correr também não é comigo...) e depois ficar por muito tempo a dedicar-me a este exercício... isto sim é um exercício que não me cansa, que me dá prazer e sim, deste saio revigorado e não de rastos... ao outro tenho andado a esquivar-me... mas num mundo eficiente não devia cada um dedicar-se aquilo que faz melhor? Eu sou muito eficaz a dormir, mais que no ioga, só vos digo...

quarta-feira, 14 de novembro de 2018

[foto @ranbeneli]

Tenho fome de azul no céu da boca,
Alguém me arranja uma fatia?
Não quero nuvens, mas pode ter pássaros a riscar o céu de mil caminhos, ou riscado a giz pelas mãos duma criança que ri. Quero um azul donde chovam beijos límpidos, e que em cada manhã da língua orvalhada se colha uma alvorada de palavras que amanheçam sorrisos - assim como quem sabe ao que sabe o céu.

Tenho fome de azul no céu da boca,
Alguém me dá uma colher de azul?
Quero um azul que se respire e que nos molhe, por dentro e por fora, quero o azul onde se navegam sonhos em barcos a remos e onde somos pescados à linha por almas que nos enredam para sempre - assim, como quem sabe ao que sabe a liberdade de partir, escolhendo ficar.


[acordei com a primeira frase deste texto, acordei no momento em que a dizia num sonho. acordei com a sensação de ter de a escrever, porque como que me aguava a boca. tenho sonhado muito nos últimos tempos - já largos, meses talvez, o que é cansativo -, não sei o que anda o meu subconsciente a tramar, mas cansa-me o sono. Não me lembro dos sonhos, nem das sessões de cinema que me parecem durar toda a noite dentro de mim, mas às vezes acordo com frases, como esta que aqui ficou e deu nisto. fico com a sensação que as escrevo porque alguém me manda, me impele, me sussurra, depois fico a pensar que parece plágio, como se não fossem frases minhas... ainda que saiam duma qualquer parte da minha cabeça com quem nem sempre falo... é muito esquisito, a sério. como se fosse eu noutra versão, uma versão distante de mim mesma, mas tão próxima como o avesso que me forra os pensamentos que não me lembro de ter, nocturna, talvez.]

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

ahahhaha... 
Muito bom!!
...quem se lembra destas coisas deve ser muito interessante de conhecer...
Já me ri, já valeu a pena!!

Bom dia.

[acho que hoje vou finalmente inscrever-me no ginásio, temos de nos dar a volta, não é mesmo? neste caso também tenho de dar a volta à minha preguiça... mas vai daí talvez se vejam por lá pessoas interessantes, duvido, mas nunca se sabe...]


sexta-feira, 12 de outubro de 2018

Houve um amigo que há uns anos me dizia que eu devia ter sido muito maltratada, e isto foi coisa que nunca esqueci - o notar-se, o ver-se através de mim as mágoas que acumulei, por deixar alguém maltratar-me enquanto dava tudo de mim. Não gostei e não queria ser vista assim.
Hoje em dia não sou maltratada, nem bem, não sou tratada... só sei que acordei com a sensação que preciso é dum bom trato e o resto que se trate (para não dizer outra coisa...)

Há soluções tão fáceis, fôssemos todos fáceis. Fôssemos todos pessoas de fáceis soluções, de optimismos inconscientes, superficialidades saborosas, imunes à dor de magoar os outros e que se lixe,  e haveria tantos dias melhores.... porque cada um trata de si, essa é que é essa, e o resto que se fod@... quando puder. Se não for com um, é com outro, pouco importa.

Bom dia.

quinta-feira, 27 de setembro de 2018

...mas só se for mesmo uma consulta, e não demasiado prolongada... 
não vá eu passar a precisar de internamento...

[ a brincar, a brincar já deram hoje comigo a falar sozinha mais de uma vez... 
ainda que só coisas mui acertadas...]






quarta-feira, 26 de setembro de 2018

[via @iheartintelligence]

Eiaaaa... tantas notícias boas!!
Parece feito (quase) à minha medida...
Pode ser que haja esperança para mim... ;))

Bom dia!