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domingo, 21 de maio de 2023

 


Há realmente alguma coisa reparadora no silêncio da natureza. Um silêncio que não é oco, não é vazio, é cheio de uma vida que nos enche, que nos repara, que nos recupera. Foram três noites e não deu para tudo o que queria, ou como queria. Ficar doente sabe deus com quê não ajudou, mas deu-me sono e dormi, fiz yoga quando me apeteceu com os olhos a alongarem também até ao horizonte. Ouvi musica enquanto cozinhei, li enquanto os olhos não se quiseram fechar. Tudo num ritmo muito próprio, muito meu, muito sem horas. As noites na serra são frias e o céu tirita de estrelas que não conseguimos contar, nem queremos.  O calor da cama conforta e aninha, enquanto os olhos se distraem pelas janelas abertas à paisagem, com as luzes da vila ao fundo, qual presépio fora de época. E a cabeça vagueia não se sabe por onde, mas volta a nós e devolve-nos, porque não há ali mais ninguém, só nós e quem trazemos dentro. Só nós e as recordações. Só nós e os sonhos. Só nós e o que nos faz, e nos fez. E a Pintarolas, claro, que atrevida elegeu um sofá de baloiço para cama mesmo em frente à janela. 
O que custou foi o regresso, e pensar no que se aproxima, no tempo que afinal não vou ter como pensava, que tudo se acelerou, que o tempo encurtou. Que a dondoquice está em perigo de extinção desde o telefonema com uma proposta, que a consciência manda aceitar porque é aliciante, e porque dondoquice não é opção de vida, por muito que me apetecesse (e precisasse) mais tempo de descanso, de reorganização, de ordenar ideias e interiores remexidos demais. Vamos ter menos tempo para fazer o que pensávamos fazer em mais, vamos ter de esticar tempo e dias para fazer tudo o que queríamos, projectos novos, facetas de nós que queremos descobrir se são nossas mesmo. Para explorarmos caminhos em nós que não sabemos ainda onde vão dar. E escrever, obrigar-me a sentar e vencer a preguiça de me desenovelar, de me desenterrar dos escombros dos últimos tempos. E aprender, aprender mais coisas, porque aprender também alimenta. E pensar em voltar. Em voltar a nós, não aqui, mas a qualquer lugar onde consigamos estar presentes, onde a alma tem um corpo perfeitamente seu, que habitamos verdadeiramente, numa plenitude que só certo silêncio compreende, e explica.

terça-feira, 6 de agosto de 2019

... das decisões difíceis...
Aiiii que a vida é tão difícil 
quando se tem de tomar decisões... 

Bom dia!

domingo, 4 de agosto de 2019

... quando eu morrer não vou para o céu. É o que me ocorre, quando me apercebo que quando boto os olhos em certos sítios e coisas, invadem-me pensamentos pecaminosos... que me fazem rir sozinha, e pensar que também não sei se vale muito a pena ir para o céu depois de morrer, acho que mais vale umas incursões em vida... que é já de si um pensamento digno de herege...
há sítios tão divinais que só podem ser pecado dos mortais...
E onde apetece voltar, noutros tempos de que procuro calendário.

sexta-feira, 21 de setembro de 2018



Balanço da tarde ;)))




De chávena na mão - que diz "Some fox loves you", prefiro Wolves, mas estas descoincidências são a história da minha vida... - empoleirada, depois do pequeno-almoço a servir de almoço, a beber o café que ontem demorei vinte minutos a ir buscar e duas horas para trazer. O sítio é paradisíaco mas chegar cá é uma espécie de inferno, e o gps e eu discutimos muito, ele pensa que eu ando de burro e não de carro (ainda por cima sou eu que pago os arranjos e coiso não posso dar cabo dele nem ficar atascada, ou enrascada mesmo, no meio do mato...), então discutimos muito. Mas eu sou gaja, ou seja tenho zero de sentido de orientação... o que complicou as coisas. Mas chegámos, de discussão em discussão, duas horas depois de fazer um caminho que, em sendo o certo, demoraria vinte minutos. Há muitas coisas assim na vida. Se calhar encontrar o paraíso na Terra, ao virar duma esquina improvável, por exemplo. 

(mas passada passada fiquei quando o carro no meio de sei lá de onde, só com árvores à volta, e sem vivalma que se avistasse, acendeu a luz do motor... Valhamedeus, quase reaprendi a rezar... e acho que rezei, mas sem protocolos...)

sábado, 21 de outubro de 2017


E um dia o sossego vem. Não vem para ficar, só para dar umas tréguas à loucura dos últimos tempos. No ar paira o perfume a alfazema, à minha volta só campos de alfazema, oiço insectos a voar por aí e um badalar contínuo vindo do monte, e ainda, nesse longe, consigo adivinhar um cão dum lado para o outro, preto, ou escuro, pelo menos... de resto não se ouve mais nada. Olho este céu azul e penso que há dias, durante muito tempo, o dia não chegou a acordar no céu e as cores eram todas feitas de cinza. Agora as nuvens são brancas e compõem o azul claro do céu. Dizemos que tudo volta ao normal, que o tempo trata de tudo, mas na verdade só nos dá oportunidade de começar de novo noutro tempo, que nunca é igual - traz dentro todo o tempo que foi e já não é.