quarta-feira, 14 de abril de 2021

[foto @seeavton]

 Está uma noite óptima, oiço aqui e ali pingos a caírem atrasados da chuva, de resto só silêncio e noite e palavras por desenovelar. Nem sempre estamos para nos desenovelar, às vezes parece confortável deixar  novelo como está, não se mexe não se apertam nós sem sabermos. Também é certo que não os desfazemos, mas se estiverem quietos e sossegados no seu novelo, imóvel num qualquer canto, não damos por eles, não os vemos não os sentimos não nos lembramos que estão lá para um dia os tratarmos, se quisermos fazer alguma coisa da linha. E aqui, penso que queremos sempre, mas não a qualquer custo. E é por isso que há cantos escondidos com emaranhados escancarados. Hoje não quero tratar dos meus, mas não sei porquê estão escancarados à beira da alma que se esconde atrás deste silêncio. 

[e antes de vir para o degrau da varanda estava a ouvir isto:

...e encaixa]

terça-feira, 13 de abril de 2021

 


Primeiro café fora de casa há muito tempo, já não sei quanto. Mas tive de sair de casa e aproveitei para fazer algumas coisas que precisava, uma delas passou por, nos entretantos, pagar sententa cêntimos por um café. E sabe-me bem, mas não sei se me sabe melhor do que o que eu tomo na minha varanda, e sai mais barato. Só não vejo gente, falo com pessoas a quem vejo (apenas) os olhos, e troco sorrisos só porque sim, porque as pessoas parecem gratas por poderem servir um café, e nós por podermos pedi-lo e pagá-lo. 

domingo, 11 de abril de 2021



[imagem @iuliastration]

 Começar o dia, sem saber como começar, ou por onde... café ou ioga? Há quem ache que não tem de ser uma escolha :)) 

... não é o meu caso, aqui café vem depois. Primeiro tem é de aparecer a vontade de sair da cama... essa ainda não compareceu. Aguardamos pacientemente. Tentamos impacientar a espera pondo em filinha indiana tudo o que queremos fazer hoje. Mas verdade seja dita, não sei se está a ajudar ou desajudar, há uma vontade imensa de fechar os olhos e não querer saber de nada, esconder o dia debaixo dos cobertores, dentro do conforto quente. Mas sei que quanto mais jogar este jogo mais rápido terá de ser o dia, com tanta coisa dentro... e não apetece. 

terça-feira, 6 de abril de 2021

 


You live your life, you go in shadows
You'll come apart and you'll go black
Some kind of night into your darkness
Colors your eyes with what's not there

Fade into you
Strange you never knew
Fade into you
I think it's strange you never knew

(eu e a mania das letras das músicas...)

Não é a maneira mais enérgica de começar o dia, mas foi o que me apareceu enquanto me preparava para começar o dia de trabalho, e soube-me bem o ritmo que me apareceu no shuffle do espotifas, e que eu não conhecia... estou a ficar uma fã do espotifas... só o acho ligeiramente esquizofrénico quando passa a vida a insistir em eu voltar para o premium... nunca lá estive! Nunca! O gajo quer enganar-me para eu voltar para onde eu nunca estive... o chico esperto, pensa que a esquizofrénica sou eu... só pode. Mas enquanto vamos tendo estas conversas parvas e doidas logo pela manhã é porque tudo vai bem no reino da Dinamarca... ou seja, por aqui :)

Pouco depois foi isto, e bom, é só para quem se atrever, que o lado selvagem não é para todos, 
e ainda bem, suponho, há dias em que também não é para mim ;)

 

ahahahah... muito boa!

... apanhei isto agora e não resisti, até me fez lembrar uma conversa que começou há dias aqui, na caixa de comentários... anda por aí muita vontade dos festivais, anda anda... Até eu, que até acho que não me dou mal com o confinamento e o recato do lar, a primeira vez que olhei, pareceu-me um concerto daqueles que já me apeteciam numa noite boa de Verão, boa música, boa companhia, qualquer coisa para beber.... e acho que até acomodava o choque do excesso de multidão. Mas pronto, são só máquinas ceifeiras... enfim, cada um com os seus festivais :))

segunda-feira, 5 de abril de 2021



 [imagem @jesuso_ortiz]

... o que me apetecia hoje é a sensação que esta imagem me deu quando me apareceu à frente. Apetecia-me uma coisa simples, um tempo simples, sem ponteiros ou pressas, ou obrigações, ou stresses ou.. ou... sei lá, se calhar apetecia-me ser pequenitates outra vez, e ter colo, e sorriso de flor e leveza de azul-céu... apetecia-me achar os dias de sol doces e livres como campos de papoilas para os olhos... apeteciam-me coisas esquisitas. E margaridas. Adoro margaridas, já vos tinha dito? Hoje não ;))

domingo, 4 de abril de 2021




 Trouxe-os para aqui com um propósito, rever as páginas dobradas e escolher algumas passagens para deixar o registo histórico que tantas vezes gosto de rever... mas acho que não estou com pachorra. Do primeiro, o que me ficou essencialmente foi uma cena relatada ao inicio de que senti vontade até aos ossos... descobrir um lugar qualquer, num fim de mundo improvável, sítio pequeno a contrapor a beleza e tranquilidade do lugar, tirar três meses ao quotidiano para os acrescentar à vida, alugar uma casa com vistas e uma varanda generosa, e levar na bagagem só tempo, música, livros e um computador para escrever. Assentou-me tão bem a ideia que se me gravou na alma como uma memória futura. De resto, é de leitura cómoda e leve, exactamente o que eu estava a precisar e queria ler nesta altura. O título - Não se encontra o que se procura - arrastou-me logo ali na livraria quando lhe bati o olhar, porque é uma frase cujo sentido eu repito há muito, e sinto-o muito como o meu sentido. Este livro do Sousa Tavares, curiosamente remeteu-me para o que comecei a ler há dias - A Louca da Casa, da Rosa Montero - ele refere o livro e a autora, assim como inúmeros livros e autores. Como que em conversa com o leitor, vai partilhando ideias e livros, faz também uma leitura à direita de alguma história do nosso país. E é um tipo de diálogo que gosto, não impõe, mas apresenta, comenta, talvez por isso tenha gostado do livro, como uma espécie de tira-gosto, algo para limpar o paladar entre livros de outra estirpe. Não sabia que tipo de livro seria, comprei, não pela capa, mas pelo título :) e não me arrependi. Seguiu-se o do Machado Vaz. Gosto de o ouvir e gostei razoavelmente do seu romance "Muros", que li há anos. Também não sabia o que esperar deste livro - à Escuta dos Amantes -, soava-me à partilha da vasta experiência que tem em ouvir pessoas e as suas histórias no seu consultório: as relações, o amor, a desilusão, a vida afinal. E ainda que num formato completamente desformatado cativa, porque é isso tudo, é mais que isso, mas não chega a ser isso... ou seja, é uma amálgama de tudo. Aqui não o descreveria como diálogo, mas como monólogo sobre várias facetas da vida partilhado com o leitor, e sei de muita gente que fazia bem em lê-lo e pensá-lo em várias vertentes, também me fez pensar nalgumas coisas e tem várias páginas marcadas. Gosto de algumas coisas neste homem, uma delas é chamar amantes a quem ama, quem pratica o amor, quem o sente, quem o dá, quem o sabe receber. Não, amantes aqui não são relações paralelas, ainda que possam ser, porque pode tomar muitos formatos, desde que a essência seja essa, até podem ser casados (vejam lá o escândalo ;) ), assim como classifica a Amizade como uma forma de amor, uma das suas facetas. Os amantes têm de ser amigos, mas os amigos não precisam ser amantes, são coisas diferentes mas que se tocam em muitos pontos.

[agora não me apetece escolher e transcrever aqui um ou dois trechos, daqui a bocado pode ser que a vontade assente, gosto de fazer esse exercício de deixar aqui partes que gostei, ou que me fizeram pensar, dos livros que vou lendo... há que vencer a maldita preguiça bahhhh]


 [foto @hash.photografy]

Bem sei que não se parecerá muito com o habitual coelhinh@ da Páscoa, também é certo que não se avistam ovos, mas também, ao que sei, é suposto estarem escondidos, e a bem da verdade, o raio do coelho nunca combinou com os ovos, convenhamos... 
 E, apesar da falta de semelhança, atrevo-me a arriscar que poucas casas devolveriam este coelhinho da páscoa, aparecesse a criatura por lá... mas pronto, eu não percebo nada disto, já sabemos.

Boa Páscoa, pois :)

 

É este mocinho que me tem feito companhia todas as noites nos últimos tempos até adormecer. É um bocado parvo muitas vezes, é atrevido q.b. (um bocadinho mais não se perdia, mas o equilíbrio nestas coisas é ténue, e arriscado..) como manda o figurino, e bom... tem um figurino, que deixa qualquer uma bem disposta das vistinhas, e quando se ri ninguém resiste ( mas ri-se mais nas temporadas finais)... e por ninguém quero dizer eu, ou quem como eu, claro... Harvey Specter é o nome da personagem que representa na série Suits, que alguém há uns tempos me disse para ver, que ia gostar, e acertou (também disse que havia coisas em que eu lhe fazia lembrar uma mocinha da série, mas caramba aí não pode ter acertado, devia estar a treler, só pode). Gosto das piadas inteligentes entre eles, do sarcasmo, da cena de andarem sempre a trocar citações de cenas de filme (muitas não sabia, algumas procurei), gosto de algumas das jogadas que usam para ganhar processos, embora goste menos do exagero de manipulação e  estratégias manhosas em que às vezes caem (eu e a manipulação não nos damos muito bem) e que cansam um tico, mas, em resumo, diverte-me e em cada episódio devo dar duas ou três gargalhadas bem dadas (sim, as bem dadas são diferentes, não se enganem) às custas deste menino e companhia... pelo que tem valido a pena. Já estou a meio da última temporada, e assim de repente é como se tivesses saudades. E ainda não acabou. Saber que vai acabar, que o fim está próximo, certo e seguro, também dá saudades... há coisas estranhas, não há?... se calhar não.

sábado, 3 de abril de 2021


 Uma tarde para as meninas esticarem as pernas... a mãe sempre de focinho no chão, a filha sempre com as orelhas no ar...  as duas doidas. Não consigo levar as duas ao mesmo tempo, foi uma de cada vez, o que deu trabalho a dobrar às minhas pernas... mas o tempo estava a convidar e estávamos as três a precisar de sair de casa. Não fomos muito longe, mas fomos onde quisemos, quer dizer eu, porque elas de certeza tinham ido mais longe e mais tempo :) agora ler um tico, enquanto se aproveita o sol que resta, que segunda feira está quase aí... 

 

... se ele existe, é um gajo de vodka, sem dúvida... 
... por vocação ou - coitado, não deve ser fácil nem lhe gabo a sorte - necessidade profissional...
mas ao menos que não a bebesse sozinho, 
dividíamos a meias... 
...a garrafa e o faz-de-conta, já agora.

sexta-feira, 2 de abril de 2021

 

[foto @lagiachin]

A esta hora a preguiça está no auge, e só penso que segunda está tão perto, e que não me apetece. Também os dias de trabalho deviam manter a devida distância... como, aparentemente, a "normalidade" continua a manter. Mas o normal é só uma perspectiva, um hábito, um dar por certo ou garantido, é um ritmo que se institui, uma forma de viver que se aceitou como boa, é uma regra por suposta maioria, talvez... nunca gostei da palavra normal, como sempre embirrei com a  palavra especial (esta quando aplicada a pessoas), pela mesma razão, e que me foi sempre tão próxima. O especial é raro, o normal é estatística, é uma espécie de maioria registada. O ser especial não é sempre bom, é só diferente, com tudo o que isso traz; o ser normal é não se distinguir e isso não é sempre mau, muitas vezes não é. Tantas vezes ao crescer quis apenas ser normal, sentir-me igual, muitas vezes me irritei quando achavam que chamar-me "especial" era elogio (até porque soava a prémio de consolação antes de um qualquer mas... e isso não mudou). E estas questões sempre foram em mim um jogo de espelhos, onde me vejo e vejo outros, onde penso por mim e por outros.
O normal tem sempre companhia, o raro caminha sempre mais só. Mas tudo, tudo é sempre uma questão de contexto, de enquadramento, de perspectiva. Peguem no mundo e virem-no ao contrário - é o mesmo mundo, mas nada é igual (como os dias que vivemos, impensáveis há dois anos). Peguem numa foto normalíssima,  e ponham-na de pernas para o ar, e já olhamos duas vezes, já nos prende mais. e é só uma diferença de angulo, neste caso de rotação. Não é nada de especial.



 E, então, quando assim é, o que distingue as atitudes é a esperança e a coragem. E parece-me que não há uma sem a outra. Para ter esperança há que ter coragem de pelo menos arriscar sem ter porquê... ou quando o porquê é só não estarmos bem,  por querer-se mais ou diferente, esperando melhor. Coragem só tem quem tem esperança de ser possível, de por poucas que sejam as hipóteses, a mera possibilidade nos agigantar. A possibilidade e a vontade de a concretizar. No fundo, em quase tudo, o que distingue as pessoas é o que fazem, sem terem de o fazer, e por que o fazem. 

quinta-feira, 1 de abril de 2021

 Às vezes o pior que nos fazemos é boicotarmo-nos sem dar conta, é termos um medo curioso e paradoxal do sucesso,  da felicidade... como se duvidássemos se o merecemos ou não, e de tão habituados à sua falta, a ideia torna-se quase uma mudança que não saberíamos gerir, incómoda. Uma ideia que assusta mais que encanta, e de que fugimos pelas sombras do inconsciente, dizendo correr atrás.  

Acho que é um bom mote [ a frase do Bukowski, isto é] para um novo mês. E até acho que não é mentira :) cuidado com as que vos contam... e ainda mais com as que contamos a nós mesmos, e essas não têm dia marcado... 

bom dia!

 


[ e a acabar a noite, de temperatura tão boa que não apetece sair dela, apareceu-me isto no shuffle... gosto. há casos de bons acasos ]

 Verdade.

Para ler de novo, e outra vez, e não (me) esquecer.

segunda-feira, 29 de março de 2021

 Ahahahah 

Fartei-me de rir quando me mandaram isto... 

bom dia!

 Tu e eu, finalmente. Na varanda, na primeira noite em que o frio não encurta o tempo de olhar o luar pousado em cada coisa. Daqui não vejo a lua, mas distingo a luz prateada que inunda as sombras, vejo o clarão quase por cima de mim, em que o céu deixa antever o que os olhos não encontram, mas sabem. Há muita coisa que é assim, não? Se calhar não, e estou enganada. Quem sabe? E quem quer saber? Eu não. Não importa. Agora o que importa é que vou estar os próximos dez minutos a fumar o meu último cigarro do dia, que é também o segundo, mas guardado até agora. Guardamos o que queremos aproveitar totalmente, quando tivermos dez minutos para fazer deles os melhores que poderíamos. Aquilo que se pode guardar, pelo menos...  porque nem tudo pode ser guardado, infelizmente. Ou felizmente. E hoje precisava deste ritual de encerramento, de fecho, de qualquer coisa que me fechasse em mim sob a primeira noite deste ano onde, à noite e a estas horas, não tenho frio, mesmo sentada no degrau da varanda, como tantas vezes, a olhar o céu e a gozar o ultimo (e não fosse por outro, o único - o que também acontecerá curiosamente em muita coisa... ser quase único) cigarro do dia.

domingo, 28 de março de 2021

 [foto @hana_photographer11]

Eu a olhar para ele, e ele - juro que parece - a olhar para mim. A pensar em consumirmo-nos, e só esta ideia é já um prazer, e por isso se prolonga. A ideia de um prazer é já prazerosa, por isso às vezes adiamos o prazer, aquela hora em que, derradeiramente, nos entregamos e largamos as rédeas - balançamo-nos livremente na sela ao sabor do galope. E eu olho e - juro que parece - ele olha-me também, com o mesmo desejo, quase volúpia. E assim ficamos, neste adiar do prazer para que nunca se extinga - o destino de todos os prazeres. Mas que se renova, felizmente ou não. 

E tudo isto porque afinal ao fim‑de‑semana - e eu já não me lembrava - só vendem tabaco até à uma da tarde.... Grrrr que seca pahhhhh vai uma pessoa ao supermercado e depois toda lampeira às bombas para reabastecer os 4 maços de tabaco para a semana... e é isto! A modos que estou aqui a olhar o último moicano no maço e a poupa-lo, porque até amanhã não há mais... isto porque a última remessa durou mais e descalculou-me o período de stock... Fonix!, se ao menos me safasse com pastilhas elásticas... mas não... amanhã além de cigarros terei de reabastecer o stock de chocolate preto cá de casa... raios!!

sábado, 27 de março de 2021


 Tem resultado, não sei bem o quê, mas tem resultado... até agora em Março só me baldei um dia - um único dia! Estou espantada comigo, essa é que é essa! Não sei se as fotos destes meninos a olharem para mim têm ajudado a manter o espírito e a vontade... mas, enfim, mal não fez de certeza. Aos olhos pelo menos faz bem :) agora é tentar manter o ritmo e ficar mais desempenada e menos crocante ao levantar :D  hoje é dia de yoguiiii mais prolongado... estou a ver se o sofá me expulsa para ir dar conta desse recado... entretanto vejo este mocinho - que, digamos, não apanharia chuva no meu quintal, nem preguiça no meu sofá... - tão cheio de saúde, e regalo os olhos a adiar a minha... Ahh a ronha de fim‑de‑semana, coisa tão boa!

sexta-feira, 26 de março de 2021

 - ... têm aí uma cadeira vazia.

- nós sabemos.

[das coisas que algumas pessoas não entendem... e são tantas e tão diferentes! Algumas não sei se mesmo perguntando e respondendo lá chegarão...]

quarta-feira, 24 de março de 2021

 A memória já não tem o cheiro a tinta fresca. E não me lembro de me aperceber disso antes de agora, cheirava sempre como quem tinha acabado de ser pintada, cheiro a novo, hoje, ontem, há anos, sempre. Não agora, não este hoje. O luto parece que já as faz descascar e despir da sensação do agora, espalham-se os restos pelo chão que se arrasta já debaixo dos pés. Quase dois anos afinal - para muitos, mais que suficiente para deixar morrer gente que não queremos deixar viva em nós, e aquela cena, quase banal, da série das últimas noites, fez-me disparar entredentes e sem dar conta... “já não sei o que isto é”... e não, já não sei, e já nem consigo lembrar com as cores todas, com tudo, com o agora na pele, com o ainda aqui, com o já da urgência que já se viveu. Não, já não cheira a tinta fresca a memória, tão cheia de memórias que se perdem em momentos perdidos. Já nao cheira a vida viva. É o luto, é o luto que já não luta, aceita e entrega-se ao desfiar do tempo, das cores, dos sentidos, ao já não saber o que é sentir no agora, um agora que ficou sem passar durante tanto tempo, e que afinal nunca foi. Já não sei o que é viver, estar, mergulhar, naquela sensação. Navegá-la, mergulhando a alma inteira. Se tiver sorte, nunca soube, e quando o souber, não quero sabê-lo sozinha. Para o saber realmente, não poderá ser.  

terça-feira, 23 de março de 2021

 E seria uma boa noite, uma óptima noite.

Algumas viagens podem fazer-se sem sair do sofá. Como algumas das melhores voltas ao mundo.

segunda-feira, 22 de março de 2021

 


Ontem na nossa passeata a várias patas, reparei nisto. E não é que concorde, discordar também não será bem o termo... todos teremos alguma coisa de pedra, uns o coração, outros têm uma cabeça dura como pedra, alguns a certeza de certas convicções, outros ainda uma armadura granítica, mas não, não seremos todos pedra... Já calhaus, é diferente, haverá vários géneros e famílias, e graus... mas fiquei a pensar qual será o assumido grau de calhau de quem o escreveu na parede...

domingo, 21 de março de 2021

 

Ronha, preguicite, disposição para dolce fare niente... mas até já fiz muita coisa hoje. Obriguei-me a dormir mais quando a Pintatolas me foi acordar às nove da matina. Negociei com ela (só eu e ela em casa)  prolongar o sossego, acarinhar o domingo desde que nascemos para ele... e adiar esse nascimento... e concordou, ficámos até às onze. Depois, saltar da cama dar-lhe de comer e aos outros, dar um tratamento ao trombil, dedicar-me a uma sessão prolongada de ioga que ainda sinto nos músculos, fazer as famigeradas limpezas de fim‑de‑semana devidas (agora muito aliviadas, graças a deus a senhora que limpa e passa já regressou... a falta que ela me faz valhamedeus, é o luxo mais necessário que tenho), e finalmente, saborear na varanda a minha omelete e salada, com chá e agora um café, com sol. Só ainda estou porquicha, ainda não fui ao chuveiro... vou aproveitar um tico de sol, acabar o meu café, ler um bocadinho se calhar, pintar as garras talvez... e depois vou. Não há pressa hoje. Nem pressa para ter pressa. E nisso ando a pensar muito... quando isto voltar mais ao "normal" lá vou eu acordar duas vezes por semana às seis e meia da matina, sair às sete e meia para chegar às nove onde tenho de estar... dormir por lá, andar de mala atrás, faltarem-me as minhas coisas e as minhas pessoas também... não me apetece voltar ao normal, consigo trabalhar em casa muito bem, ir lá de vez em quando, aconchegar a minha cama todas as noites... enfim, essas coisas. Mas não faltará muito para todo esse carrossel me dar a volta à cabeça... mas foi o que aceitei e gosto do que faço. Tudo tem um preço, pelo menos comigo parece assim, nada vem sem exigências, sem ter de dar de mim coisas que gostaria de manter. Mas é a vida, dizem; e apesar de tudo gosto dela, escolhi-a, essa é a verdade. Escolhemos para nós o que, feitos todos os balanços, preços e valores, gostamos.

sábado, 20 de março de 2021

 Ontem foi dia do Pai. E tomei café com ele na varanda cá de casa. Há mais de um ano que não vinham cá a casa. Ontem aconteceu. Passaram de carro nas suas (poucas) voltas fora de casa, e viram-me. Pararam e subiram, o meu pai tinha levado pilhas novas (como ele diz) na consulta do dia anterior e lá subiram, ainda sem elevador. O meu pergunta-se se ainda o estreará. Eu sei que sim porque não sei saber outra voisa, nem quero. Tirei dois cafés e fomos para a varanda, longe mas à distância do olhar. Estava sol, mas frio, mas lá fora é melhor que cá dentro, e lá ficamos um bocadinho, eles os dois e eu, a miúda um tico ainda antes da aula. Não fossem as máscaras depois do café, quase parecia normal. Ou melhor, quase parecia que não temos de andar a fugir do vírus, normal há muito que não é. Antes de saírem disse-lhe: 

- amanhã vou fazer um bolo e levo-o para comermos no jardim, que hoje é dia do pai.

- Ahh é? Então devia ser hoje, ora!!

- Pois, mas não foi, hoje foi a notificação para amanhã, e café...

Ele riu-se, sei que prefere a uma qualquer prenda, prenda só talvez vinho, para o bebermos juntos, o que agora não acontece... e prefere porque é guloso, sim, mas principalmente porque sabe que é um mimo especial. Sabe que só me enfio na cozinha por pessoas que gosto, que quero mimar, pessoas que quero que saibam que gostar de as mimar faz-me gostar de me enfiar na cozinha e ver o que sai... e se irão gostar (vulgo se estará comestível, ou pelo menos não-intragável...)

Estou aqui à espera que o forno acabe a sua magia, para lho levar e dizer que quero muito para o ano fazer-lhe outro, quero muito, mesmo muito. E acho que ele sabe, mas não dizemos nada. Somos esquisitos, dizemos coisas sem falarmos. Somos uma família estranha, e isso é normal. Sempre foi.

sexta-feira, 19 de março de 2021

 


As mulheres há dias em que acordam e precisam de se sentir bonitas, desejadas. Outros dias querem sentir que são ouvidas, consideradas. Dias há em que precisam de saber da sua competência, seja o que for a que se dediquem. Depois há aqueles dias em que não querem saber de nada, só querem o seu mundo e a sua dimensão, e que não as chateiem no seu sossego. Não querem saber de mais nada. No meu caso, hoje, e é bom, o sol chega-me, trazer a Pintarolas ao jardim e deixar-me baloiçar entre um minuto e outro de não fazer nada...

Os homens acordam e acho que a única coisa que querem e precisam é de não terem problemas que não saibam resolver, e alguém ao lado que não lhes recuse o toque. Têm menos botões, serão mais simples, mas se calhar nem sempre. Mas o que não admira é que a felicidade conjunta esteja pelas ruas da amargura na maior parte dos dias... mas talvez hoje seja um dia bom, sexta-feira e tudo...

quinta-feira, 18 de março de 2021

 


Ando para falar desta moça há tempos, mas adio por preguiça, ou qualquer outra coisa que me faz não querer seguir o fio à meada. Porque tenho sentimentos muito diversos em relação à bicha. Tem muita coisa que me irrita até à medula... nunca me passei tanto com um bicho. E acho que nunca admirei tanto uma ternura assim, um coração que só deve vir em tamanho de cão e este mesmo nessa categoria é enorme, incomensurável. A mãe conquistou-me e é muito mais minha, esta é um caso à parte, outra categoria, ou talvez, sem categoria que lhe caiba. Já levou umas tareias, que não lhe doem mas me deixam as mãos feitas num oito, ela é dura como ferro, só músculo. E inconsciência, completa. É uma criatura com um jeito muito próprio, ou muita falta de jeito. Tem focinho de patetona, nunca conheci focinho com ar tão pateta, e ela está à altura do focinho, só vos digo. Se fosse gente devia ser daqueles super optimistas, cheios de teorias positivas e muito inconsciente. Nada a faz parar, ou pensar. Faz uma asneira agora, fica de castigo, mas durante o castigo já não se lembra (ou melhor não quer saber), já passou, já está feliz e pateta outra vez. Não aprende. O que pode ser giro às vezes. E é. Mas faz-me pensar coisas que não gosto. Que há criaturas que não aprendem, que foram feitas assim, e pronto. Estupidas basicamente, e sem conserto à vista. Nem todas optimistas e sempre felizes e inconscientes. Não, algumas nada disso, mas sempre a especializar-se em erros diferentes da mesma estupidez. Portanto esta criatura ao mesmo tempo que me irrita solenemente e me lembra coisas que não me apetecem, enternece-me duma maneira que me desconcerta. Que não cabe ou sabe de moldes. É duma meiguice e duma doçura bruta que é impossível resistir, só não sendo estupida talvez se possa resistir e racionalizar, ou assim... Não é o meu caso, obviamente. 

E é isto, foi-se chegando e achou por bem contribuir com o seu ioga, esticando-se ao meu lado no tapete. Gosta de me sentir à altura do seu focinho. Gosta do focinho a focinho como quem gosta de um tête-a-tête. Eu deixei-a ficar, esticada ao lado do tapete, a olhar para mim com aquela patetice inata em que o seu olhar está mergulhado, e nos abalroa em misericórdia. Depois, no fim, na posição de chinês - eu, isto é, não ela - achou por bem sentar-se entre os meus joelhos. O que rapidamente passou ao deitar-se, e em menos de um fósforo adormeceu. Tem uma vida muito agitada e cansativa, pois... Tive de registar, porque me ri verdadeiramente hoje com ela, e sorri e lhe dei mimo e gostei da companhia no ioga, e na sua maneira parva de mimar os outros. Esta criatura tem qualquer coisa, mas uma qualquer coisa que nao entendo. E ora me leva ao inferno, ora nos mimamos em momentos divinos. Como hoje.

quarta-feira, 17 de março de 2021

 


Agora. Ao final do dia, já noite, tendo falhado miseravelmente a obra prima de cores do aceno de despedida do sol, que espreitei pela janela, mas enfiada no computador. Belas férias, estas. E não se avistam mudanças para amanhã... mas agora, agora carreguemos no botão. Pause. 

 Ela enrola-se nele por toda a pele que consegue, abraça-o com o corpo todo, até não haver fronteiras, nem vazios, um corpo começa onde o outro não acaba, tudo se mistura, se confunde, se funde, mas não se baralha. Se ele se levantasse ela iria com ele colada na pele, nos cheiros de tudo em nada, em todos os sorrisos, na alma que teimava em estar presente, mesmo no esquecimento, sem fronteiras nem misericórdia. Se ele fosse, ela não ficaria. Mas ele não se levanta, respira devagar e com prazer a eternidade que soube desde o primeiro beijo, que sentiu. E a eternidade nunca larga a sua presa. Quem brinca com a eternidade ganha o resto da vida toda para se arrepender. 

domingo, 14 de março de 2021

 


Das regras fundamentais. Tão básica que não sei como tantas vezes nos esforçamos por fechar os olhos e fingir que não sabemos, que não vemos. É impossível não saber, mas é possível, e terrivelmente provável, que neguemos vê-lo. E negarmo-nos ver o que quer que seja, é já tê-lo visto, mas não querer sofrer. Agora que ninguém está com ninguém, será que se torna mais fácil ver? A atenção que não se tinha? Ou será isso ver que não se tinha? 

sábado, 13 de março de 2021

Estou perfeitamente entranhada de confinamento. Saio de casa mais ou menos duas vezes por semana nos últimos dois meses, uma para ir ao supermercado e outra para comprar cigarros, como ontem. Hoje ou amanhã será o dia de supermercado. Fora isso só para ir ao hospital quando é preciso e levar a tracção às quatro ao jardim aqui perto, que para mal dos pecados dela não tem sido muito frequente. A verdade é que sinto cada vez menos falta, e o que me falta mais é tomar café numa esplanada - que substitui pela minha varanda - e os meus retiros para ler e não fazer nada, longe daqui, onde os olhos se lavam noutras paisagens e a alma se aninha num silêncio que aconchega. É o que me faz mais falta, curiosamente. E para a semana estarei de férias e ainda que tenha que trabalhar alguma coisa durante a semana (porque sou parva, mas é defeito de fabrico, já não muda) apetecia-me ir para um daqueles sítios que descubro no meio de nada que têm tudo o que me apetece. Mas não, não vou, vou ficar pela varanda e apostar em caminhadas e leituras na varanda, e adiantar trabalho que deixei atrasar. Mas apetecia-me tanto, mas tanto. Até a viagem até lá, até isso me apetecia. É estranho não é? Quero estar sozinha quando sozinha é o que estou grande parte do tempo, só quero uma solidão que possa verdadeiramente aproveitar. Não são todas iguais, suponho que como as companhias. Nem todas oferecem o mesmo e algumas roubam-nos tanto. Tempo algumas, outras muito mais que tempo.

sexta-feira, 12 de março de 2021

 Muitas vezes é. 

Outras não é terapia, mas sabe bem. A mim sabe-me muito bem.

Umas voltas pela cidade, e um cigarro em qualquer sítio... ao tempo que não fazia isto. Tantas coisas que uma pessoa deixa de fazer nestes tempos esquisitos... e algumas não temos de deixar de fazer.

quinta-feira, 11 de março de 2021

 Asas que não se atrevem a voar

são só penas...

Lastro que não conseguimos descarregar.

E tu, atreves-te? Ou carregas-te?

quarta-feira, 10 de março de 2021

 Ando outra vez a esticar as noites, ou os dias, ou deixando-me ficar, faço as duas... mas fechar o computador já depois das oito dá nisto, precisar dumas horas para esquecer a cabeça. O dia também. Venho fumar o último cigarro à varanda, está frio e silencioso, poucas estrelas a assistir ao espectáculo da cidade adormecida. E eu já devia fazer parte dessa peça, disfarçada de noite, de olhos fechados e a sonhar o que já não consigo acordada, de olhos abertos. E dizem que depois de se abrir os olhos já ninguém os consegue fechar, mas para os sonhos ficam fechados. É preciso muita coragem (ou estupidez) para se sonhar depois de nos abrirem os olhos.

terça-feira, 9 de março de 2021

 [foto @marianovivanco]

Deparei-me com isto. Frase que a minha mente disparou antes que tivesse tempo de dizer ai Jesus: então mas a tua mãezinha não te ensinou que não se limpa aos cortinados??”... e  pronto tive de me rir da minha própria parvoeira... uma pessoa tem de ensinar tudo a estas crianças?? Ou estará ele a coçar as costas, ou assim?... se for isso sempre é melhor dar uma ajudinha que lavar cortinados... a minha filha relativamente à apresentação física do moço diria... txiii olha aquela tablete de chocolate mãe!!! (Sim, a miúda tem umas saídas que tenho de me controlar e dizer para ter mazé juizinho... uma vez acerca dum mocinho, em conversa ao telefone durante as férias de verão, até tive de escrever para me continuar a rir depois... doida como a mãe, é o que é...)

 Nope, I don’t...

Acho que cada um tem de lutar pela sua alma, pela sua felicidade, pelo que quer, e às vezes isso é lutar de todas as maneiras que consegue por estar perto da alma que nos sossega a alma, que a nutre, que a faz mais feliz. Outras não, outras é não desistir, contentando-se com menos que isso... porque o universo não faz acontecer. Vida há só uma, universos não sei, e não creio que sejam curvados, como os que dizem que devolvem o que se dá. São as pessoas que devolvem, se quiserem, e com isso fazem acontecer o que de outra forma não deixariam de ser apenas acasos... fruto do caos, da sorte, do azar, dos desígnios inconsequentes do universo.  

sábado, 6 de março de 2021

 [foto @hana_photographer11]

Fim de semana!!!.... hoje dia de limpezas... que fixe né?? Espectaculo de prograna, limpar o sítio dos cães lá atrás todos os fim‑de‑semana, varrer a casa, depois aspirador, depois esfregona... uma animação, portanto! Depois o meu ioga, depois banho... destes, às meias horas de banheira. Ficar de molho a dissolver a preguiça no tempo, pensar no futuro, no de agora e no que há-de vir, nas saudades do meu Alentejo, do monte que hei-de fazer meu, ou ele fazer-me sua... sim, gosto dessa ideia de pertencer... Agora sete dias sem miúda... a casa mais vazia, enche-se trabalhando um tico mais... hoje à tarde, entre o desejado passeio da pintarolas e acabar o livro, é ao que me vou dedicar, abençoada pelo sol, se assim se mantiver a disposição de S. Pedro... mas para já, para já, limpezas... porra!

quinta-feira, 4 de março de 2021


 nahhh.... não invejo, nem eu o quero fazer de parvo. Muito menos com uma maçã....se fosse com umas bolachas, ou chocolates ou assim, ainda vá, que até o convencia a fazer-se de parvo... agora passar uma maçã por almoço nahhh... só se fosse para trincar os apetites à tentação e servir de pré-sobremesa pouco parva.

quarta-feira, 3 de março de 2021

 

E eu desatei uma gargalhada... há gente com muitas dioptrias, mas há uns que abusam, ou então já tem o nariz tão comprido que lhe retira campo de visão, só pode. Isso e pensar que estas coisas colam... coitado do moço, com todo o respeito, claro. A minha filha ao ver-me desatar a rir veio logo querer ver... "ah pois e depois dizes nao sei o quê, está bem está... a minha mãe é uma MILF, está visto"...  Onde é que aprendeste isso? hum?... e claro começa a danadinha a gozar comigo. Pronto já eram dois a gozar comigo! Rimo-nos as duas, com todo respeito, pois. Respondi ao moço a agradecer, mas que não aceitava, por principio, pessoas que não conhecia de facto. Já recebi outras embora, verdade seja dita, menos respeitosas e alongadas, e muito menos exageradas, mas muito mais parvas.  E não aceito, a não ser que conheça de vista, de já nos termos cruzado pelos caminhos e sítios da cidade, ou de amigos comuns, mas essas nao vêm acompanhadas de mensagens deste género, obviamente... mas com isto fiquei a pensar que se a mensagem fosse gira, com piada, sentido de humor inteligente e com uma pitada de "je ne sais quoi" eu era capaz de ter respondido de outra forma... e se não tivesse fotografia, porque tiraria logo parte da piada. Não sei porquê, talvez porque se o achasse giro, interessante, ia achar que era convencido e parvo, e com a mania que todas caem, e se não fosse talvez fosse melhor descobrir só depois de o poder achar muito interessante, porque isso cria uma atracção muito mais rara e duradoura, melhor. Ou então foi só o sonho do outro dia, de que ainda me lembro com prazer, não sei. Sei que deu para rir... e isso já nao é mau, o pior agora é aturar a minha filha... :DD

segunda-feira, 1 de março de 2021

 


Bem precisava aqui dum alento, duma motivação acrescida, de qualquer coisa que me faça combater a preguiça, e a vontade de sofá... ainda na semana passada, numa reunião, estive quase duas horas a ouvir as teorias positivas e de coaching,  e nós a vermos que nos estão a lixar mas com um sorriso muito positivo no semblante... e eu sim senhor, pois claro, é tudo muito positivo e podemos, e vamos, melhorar muita coisa, mas vamos ser lúcidos e ver também o que está à nossa frente? Porque eu tento fazer isso, de outra maneira, com tanta coisa positiva e tangas e tal ... há a melhorar o quê? Hum? Pois... bom, mas estava eu aqui a pensar que em vez de coaching eu dedicava-me era ao couching com este especialista aqui... hum hum isso é que seriam sessões de couching com resultados muito melhores que horas de coaching.... ai tantas tretas e eu a assobiar para o lado... e a notar-se. Ahhh com um couching com um coucher destes eu seria muito aplicada e nada de assobiar para o lado, aliás nada ao lado, nada. Aiiii mas o que eu estava mesmo a pensar, é que olhar para estas coisas lembra-me as bolachas da semana passada, e aqueles canudinhos de chocolate que são vício e a preguiça de me dedicar aos meus vinte minutos de exercício... baldei-me tanto - aliás, completamente - raios... tenho mesmo de fazer posters de gente assim, com tudo no sítio e que dão vontade de despentear o sítio às coisas, sei lá... olha, vou ali dedicar-me vinte minutos às próximas bolachas e pensar no pessoal que me quer impingir teorias de coaching a que eu só ligarei se me arranjarem um coacher como este coucher aqui esparramado num belo couch :)) aiii que vontade... não me lembrem do sofá...  

domingo, 28 de fevereiro de 2021

 Hoje o dia, depois de dar uma nega a um convite para caminhada comprida que não me apetecia tão cedo, mas ficando a pensar nos convites reiterados a Barcelona... e depois de dormir mais um tico, porque afinal é domingo!... começou assim, com música e com o cruzar-me com uma entrevista antiga do Lobo Antunes, homem que me desconcerta sempre, pela ternura infinita a par com a brutalidade crua de reacções e palavras. Assim, nesta conjugação improvável (será improvável? mesmo?) que me deixa sempre um sorriso e a vontade de pela vigésima vez tentar começar um livro dele onde eu consiga entrar. Adoro as crónicas, como toda a gente, mas os livros, os livros são outra loiça, e nem todos acho que chegamos lá. Eu ainda não, ou talvez eu não seja das que têm essa chave diferente para aqueles livros. Fiquei com vontade de comprar as crónicas para ter dele o que mais gosto, essa ternura que tão bem se absorve nas suas crónicas. Adorei as cartas de guerra "Neste viver aqui neste papel descripto" onde se vê o ser humano, a intimidade, a alma de alguém. Era capaz de me apaixonar por aquele homem, não tenho dúvidas, e o entanto esse seu mundo fechado nos seus livros, não se abriu para mim, e talvez nunca venha a acontecer. Entretanto rebaptiza-se a música "Sometimes never" e dança-se sem saber de nomes, ou de idas ou de voltas, de nuncas ou de sempres, dança-se e pensa-se nos mundos que todos encerramos, nos que nos estão vedados e nos que queremos escancarar, e abanamos a alma mais um pouco, ao som duma música que ouvimos que ninguém garante que seja exactamente a mesma, a minha filha ouviu mas terá ouvido o mesmo? :)

sábado, 27 de fevereiro de 2021

 

Uma tarde inteira de varanda, desde o sol muito quente até agora onde o calor suave, e já distante, vem da cor derramada no céu pelos olhos dentro. Uma tarde de ler, de música, de pintar unhas, estragar e desfazer tudo. De ver cruzarem-se dois casais de gente que já foi nova há muito tempo, de se cumprimentarem e trocarem duas frases, cada casal de mão dada, os únicos que vi assim, a passear unidos pelo compasso do andar que não desfaz o abraço das mãos. Talvez já não se use (ou agora se use só para inglês ver, quem sabe). Talvez eu também esteja fora de moda, talvez também não se deva parar a leitura para ver quem passa de mãos dadas. Talvez. Ou talvez certas coisas façam parte da leitura que gosto, da música e das cores... talvez, não sei, mas também não quero saber.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021

Acordei a correr, e cedo. E quase me esqueci. Lembrei-me agora, de chávena na mão a olhar lá para fora. Não sei porquê. Talvez porque tenha sido na rua, e eu não sabendo onde, todas as ruas se parecem. Ou porque na minha cabeça não me terá parecido longe de casa - e isto poderá ter um qualquer significado oculto, será? Mas, olhando para a rua em frente, que desce, lembrei-me, essa rua onde nos encontrámos não descia. Eu ia sozinha, o passo um pouco acelerado, quase com ar decidido como me dizem ter. Sentia a brisa fria na cara, ou isto já serei eu a romantizar, porque algo me faz lembrar, ou dá a sensação, que não era verão, não era um dia animado de pouca roupa. Não dei por mais ninguém na rua,  não sei de onde aparece ele, ou por que artes, não sei, caiu de pára-quedas duma nuvem, sabe Deus. Só sei que de repente aparece à minha frente e me espeta um beijo. Eu sei, é esquisito, eu também achei, mas só depois de acordar, no sonho foi só inesperado e como que surgido do vazio (curiosas as palavras que me surgem enquanto escrevo isto...). Infelizmente também não foi reconhecível, não sei quem era, nao faço ideia, não o conheceria, não sei se completo desconhecido ou nao - era um personagem sem rosto definido. Uma coisa que ele tinha bem definido era o beijo, de alta definição e bom, tanto, que se calhar demorei mais a reagir por isso mesmo... aquela fracção de segundo que o cérebro pensa... mas que é que eu estou a fazer? E afasto-o a tempo do beijo roubado não me roubar de mim, e bruta “então? mas que é isto???” Ou qualquer coisa do género. E tenho pena, tanta pena, não consigo lembrar-me o que respondeu, não sei a frase que usou... não sei se não me lembro ou se nos sonhos às vezes o que é dito é irrelevante, ou melhor, as palavras são, mas não a mensagem. E nos sonhos, independentemente das palavras a mensagem é entendida, e é aí que os sonhos falam- na maneira como nos fazem sentir no que se passa naquela pequena curta-metragem, por inacreditável ou inverosímil que nos pareça o argumento depois de despertos, porque durante os sonhos nada nos parece impossível. Por isso, talvez a frase que terá sido dita seja irrelevante ou talvez não seja possível a minha própria cabeça fabricá-la ou impediria a minha reacção... o que ele disse surpreendeu-me, e de tal forma, que me desatei numa gargalhada. Achei-lhe genuinamente piada. Tinha tido uma saída fantástica, com piada, inteligente, e eu rendi-me, gostei. E foi com esta sensação que saí a correr da cama, já atrasada. Ele não era giro, ou pelo menos isso não ficou registado, não tinha um rosto definido, não há registo que tivesse olhado para ele e tido qualquer reacção, não. A única reacção foi pelo que disse, pela maneira como o disse, pela audácia de me roubar, assim, um beijo, e aquele ar gaiato e sem idade que certos sorrisos têm, mas carregados com a força intensa de certos gestos, na certeza de alguma coisa. E este conjunto, esta coisa embrulhada num beijo ficou-me até agora, depois da reunião fechada, do pequeno almoço atrasado, e do resto da vida a correr paralela num rio qualquer que chegará ao destino. Eu, agora, estou ali, no sonho de que acordei.

E se, de repente, um desconhecido te roubar um beijo, isso é... um sonho :))

( e se realmente se parecesse com este moço aqui de cima, realmente, teria parecido (ainda) mais um sonho)

terça-feira, 23 de fevereiro de 2021


(...)
És a carne dos deuses,
O sorriso das pedras,
E a candura do instinto.
És aquele alimento
De quem, farto de pão, anda faminto.
(...)

Miguel Torga

és tudo o que não existe,
a não ser quando estás,
quando estás, tudo é possível
impossível, só não estares
e não estando tu, tudo é impossível
as pedras riem como tu,
a pele roga a deus
que lhe mate os instintos
e a fome, de que se quer faminto
contenta-se com pão
como alimento de um sonho
que não existe.
como tu.



segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021

 Ahahahahah

É sempre bom começar o dia com coisas parvas destas!!

(e é muito boa esta!!!...)

 

Acabei o Quarteto (O Quarteto de Alexandria, de Lawrence Durrell). Deixo aqui, para mais tarde recordar e reler, os dois últimos trechos que me mereceram dobrar o canto superior da página. Este último “Clea” tem várias páginas com o mesmo tratamento.

Gostei daquela ideia de se ir mudando o penso à ferida até ela sarar. Talvez haja coisas realmente assim, e têm o seu tempo. Não se encurta, nem se prolonga além da cicatriz. Já a ideia que o futuro arranja maneira de modelar-se, nascer do vazio, acredito nisso, ou talvez não seja tanto crença, mas instinto de sobrevivência. E experiência empírica, até. E a pergunta... será que se pode gostar mais do pensamento de alguém, do que a sua presença física? Será? Que as palavras são mísera consolação, já sabemos, e acrescento outra frase, tão boa, doutra página assinalada, também deste último livro:

“As palavras são apenas os espelhos dos desenganos; 
contém em embrião todos os desgostos do mundo.” 

E eu, que gosto tanto de palavras, da sua dança, das suas imagens, das tantas mensagens que podem descoser as suas linhas, e da beleza disso tudo - de como pode ser sublime essa comunicação, esse código -, serei talvez um alvo privilegiado, facilitado. E, no entanto, curiosamente, hoje dei por mim a olhar para os bichos cá de casa, e a pensar exactamente isso. Sem palavras temos de aprender a conhecer o outro pelos gestos, pelas atitudes, pelas teacções, e através dos silêncios. A observar o outro, a comunicar com menos enganos e ruídos, duma forma mais genuína, mais verdadeira - mais reduzida ao essencial, e o essencial é o mais difícil de verbalizar, mas não de comunicar, não? Mas então à distância... não se pratica, né? O resto são ruídos... ou podem não passar disso.

Gostei mais dos últimos dois quartos do quarteto, sem dúvida nenhuma. Foi em crescendo esta leitura. Venha o próximo! Já me apetece e já sei qual ;)

domingo, 21 de fevereiro de 2021

 E hoje o shuffle trouxe-me isto, precisamente quando o meu olhar se despedia das cores do sol no horizonte, à hora que mais gosto da minha varanda, da minha sala - quando as cores aquecem a alma, tanto quanto o olhar. E gosto da música, da sonoridade, e da envolvência de sensualidade e meio-pecado que a embrulha, nessa confusão que (só) pode ser deliciosa e fatal... tudo tem o seu preço.


 Será?

Será que hoje o sol não se desmente?

Será que hoje vamos conseguir fazer uma passeata até ao jardim? Será?

A pintarolas já está farta de estar em casa, mesmo ao meu colo, quentinha e com mimo,  já anda tristonha. Não gosta de filmes e as frases de livros que às vezes paro para pensar mesmo que lhas leia, é com aquela displicência  no focinho que acolhe as palavras. Não consigo perceber se ela já percebeu tudo há muito tempo, ou se não há nada para entender, porque as coisas não são feitas para entender, mas para viver. E isso é só sentir... e ela sente que precisa é de esticar as pernas e respirar o lá fora, o imenso, o sem portas. Com ou sem sol, mas com sol é mais quentinho e luminoso :) mas antes tomar um banho rápido (mais ou menos, vá) e trincar qualquer coisa. Sol, não desampares já o nosso pedaço, sim?

sábado, 20 de fevereiro de 2021


"And is he dark enough? Enough to see your light?"

adoro.
adoro isto.
a letra - tanto. a música.
a melancolia. 
a angústia, limada, quase desespero a desespero, 
em esperança.

"And is he bold enough to take you on? Do you feel like you belong? And does he drive you wild? Or just mildly free?"

enquanto o tempo corre 
como a chuva cai miúda, mole e fria 
por cada janela, por cada caminho, por cada dia.
cai bem com este tempo. 
fala a mesma língua.
que eu entendo fluentemente

"What about me? What about me?"

 

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2021

 

Acho que vou fazer um poster... assim para, sei lá, me dar alento, inspiração até. Fico aqui a olhar para isto e penso... sim senhor, era mesmo isto... mas não... olho e não, era bom pois, mas nunca vai acontecer... nunca vou ter uns abdominais destes... vá, pronto, também não era preciso tanto, eu não sou moça de exageros... mas há coisas em que é muito melhor ter mais olhos que barriga, né?

... e pronto agora vou ao meu ioga, acalmar a respiração e trabalhar para um corpinho zen. Ou sonhar, pronto, que às vezes é preciso uma ginástica do caraças para isso oh oh...

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021

 De repente senti muito a falta de música. Percebi que andava a ouvir pouca música, sem as viagens já nem rádio oiço. Então nos últimos dias tenho-me desforrado no Spotify para pobres. A minha filha, na sua ironia sarcástica adolescente, até me perguntou se eu tinha descoberto a coisa com este confinamento... é tão engraçadinha a miúda... mas enfim, tenho ouvido música, e incrivelmente tenho feito todos os dias - com custo e combatendo a preguicite aguda que me assiste - uma meia hora de exercício, ou como diz a minha filha uns “Workouts” na aplicação que ela usa, e que sendo para pobres ( há quem alegue forretice), eu também passei a usar. Ora basicamente acho que estes dias de férias, ou pseudo-ditas, deram para isto. Se me distraio e continuar assim, ainda chego ao fim do confinamento, não digo que a tempo da praia, mas a tempo de empurrar muito melhor o andarilho quando isto acabar... na altura não sei se ainda terei ouvido para conseguir ouvir música (ou o que quer que seja)...

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021

 As noites são tão calmas agora, sento-me aqui, enrolada na manta sem frio e sem céu, depois duma tarde acelerada e corrida. Nem tudo correu bem e há uma angústia ansiosa que se instala e teima em não me largar. Olho para a televisão mas é quase ruído de fundo e desisto. Venho fumar um cigarro e dissecar a angústia, o dia, a responsabilidade. Mas não sei tratar isto, nunca soube, talvez por isso procure tanto uma tranquilidade que me é tão cara, que me refunda no mundo. Às vezes parece tudo tão complicado, e normalmente importa tão pouco. Tenho consciência disso. E respiro fundo mas no fundo está tudo igual, ainda não domestiquei a insegurança, a ansiedade, a angústia por coisas pequenas. Ao menos isso a idade, os anos, deviam devolver-nos... uma espécie de que se lixe, fiz o melhor que pude, e uma certa inconsciência apaziguadora que anule os graus assassinos de exigência a que nos submetemos, ou melhor, que nos impomos. 

terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

[Lawrence Durrell, in Clea, O Quarteto de Alexandria ]

 Começar o dia a ler a vida como devia ser pensada. E pensar que vou ter pena de acabar este quarteto, e diria que a segunda metade é a melhor. Espero que com a vida também seja assim. Por já termos mais de tudo o que se passou, por percebermos melhor que todas as verdades são perspectivas sobre factos. E que primeiro é preciso saber e “compreender inteligentemente” o que se quer da vida, e depois tentar encontrá-lo sem o procurar de facto...como os acasos que nos acontecem e que talvez estivéssemos, sem saber, à espera e desejosos que acontecessem. Mas aqui, a magia é o esperar “sem saber”, não consciente ou inteligentemebte, ao contrário do saber o que se quer. Já a sabedoria é a consciência que o maior obstáculo somos nós, como nos boicotamos tantas vezes, curiosamente, da perda de algo de que abdicamos à partida para o evitar. Irónico, não? 

Segundo dia de férias em confinamento. Semi-ferias, porque mandam-nos de férias mas pedem-nos para trabalhar, curioso não é? Inteligentemente não sabem o que querem ou sabem?

 ... Respira fundo no silêncio. 

E o que vês?

O que vês na tua escuridão?

Vês que te ilumina? O que queres, desejas, procuras? Ou o que te ensombra,  que temes, de que queres fugir, esquecer, evitar? ou as duas coisas, que pode ser só uma?

O que quer que seja que vês, é o que mais tens por dentro, e te persegue.

domingo, 14 de fevereiro de 2021

[imagem @virgola_]

 Uma pessoa não sai de casa e nem se apercebe... Depois senta-se aqui sonda as redes sociais e lá compensa o esquecimento... é dia dos namorados. Pois é, portanto aqui deixo esta imagem, que de todas as que vi por aí, foi a que chamou o meu nome por dentro... Realmente esta coisa dos cabelos brancos, dos anos que passam pelo corpo, do navegar calmo da alma que o corpo guarda num mundo diferente, onde o tempo não se mede em dias, ou em anos, mas em dores, em angústias, desilusões, e também saudades, felicidades, alegrias e risos, talvez me esteja a mudar a graduação dos óculos com que vejo o mundo. Mas curiosamente continuo a querer as mesmas coisas, e a acreditar que são as certas, que para mim são as certas. 

Também é curioso ver como as pessoas vão chegando às mesmas conclusões - é tudo tão fácil quando nunca se sentiu a alma penhorada por um sentimento que não controlamos, não é? o pior é depois... - , quando passam por coisas, que se entranham e se plantam na alma de tal forma, que depois se tornam raízes de todo o alimento dos sonhos. É curioso também ver que alguns estão a começar a percorrer um caminho que eu já pisei, descalça e sozinha, e que o reconheço, agora de fora. E sorrio uma tristeza madura, agradecida por já ter os pés cicatrizados, e angustiada por imaginar as dores que os outros de o percorrer, quanto a isso nada haverá a fazer (se for mesmo esse o caso, talvez não, talvez corra bem, às vezes corre não é? e quando corre mal nem todos sofrem no mesmo grau), mas ao menos penso que não terão de o fazer sozinhos. 

...Mas nada disto é para os namorados de hoje, para esses só o desejo de que pratiquem muito :)) namorem - e com vontade -  hoje e todos os dias, mas hoje têm (mais) uma desculpa para fazer uma coisa qualquer gira, uma surpresa, uma brincadeira, uma cumplicidade a dois, que só vocês sabem e guardam no meio das casas agora cheias de gente... vá pode ser giro, a sério. :)) brinquem muito uns com os outros, riam-se, namorem, dêem muitos beijos, aproveitem o colo e o sol, passeiem de mão dada abraçados no silêncio confortável do amor. :)

Sejam namorados felizes, em vez de querer um dia dos namorados feliz à custa de fretes.

sábado, 13 de fevereiro de 2021

 Que cores...

E o sol, meio envergonhado, a esconder-se atrás dos ombros da cidade...




contento-me com coisas
pequenas que de repente se tornam
muito grandes onde nem sei
de mim nem quero

Bénédict Houart


É tão bom não saber de nós, e mais ainda não querer... leio isto, e é o que sinto. Não saber de mim é não me pensar, não me duvidar, não me olhar ou procurar. E isso soa-me a paz, a tranquilidade, a sossego de alma. Uma calma estúpida, sim, por vir de não ver, não me confrontar,  e não de ver que gosta do que se vê - é uma diferença abissal, em tudo, perspectiva de vida, exigência própria, cobardia, carácter.
Mas esta sensação que nos toma de pequenas coisas que nos conquistam inteiros por momentos, nos abarcam e fecham num momento, em que tudo o resto se resume a nada é um oásis no deserto dos dias. E aí, nesses ínfimos momentos de infinitude, não sabemos de nós, mas sentimo-nos inteiros (talvez por isso), e então não pensamos em querer mais nada. Para quê? 
Há coisas em que mais, estraga :) 

... quem nos dera pequenos infinitos todos os dias.

(e ao escrever isto lembrei-me dos pequenos absurdos de O'Neill. é que precisamos todos, e às vezes chega para salvar).