sexta-feira, 2 de abril de 2021

 

[foto @lagiachin]

A esta hora a preguiça está no auge, e só penso que segunda está tão perto, e que não me apetece. Também os dias de trabalho deviam manter a devida distância... como, aparentemente, a "normalidade" continua a manter. Mas o normal é só uma perspectiva, um hábito, um dar por certo ou garantido, é um ritmo que se institui, uma forma de viver que se aceitou como boa, é uma regra por suposta maioria, talvez... nunca gostei da palavra normal, como sempre embirrei com a  palavra especial (esta quando aplicada a pessoas), pela mesma razão, e que me foi sempre tão próxima. O especial é raro, o normal é estatística, é uma espécie de maioria registada. O ser especial não é sempre bom, é só diferente, com tudo o que isso traz; o ser normal é não se distinguir e isso não é sempre mau, muitas vezes não é. Tantas vezes ao crescer quis apenas ser normal, sentir-me igual, muitas vezes me irritei quando achavam que chamar-me "especial" era elogio (até porque soava a prémio de consolação antes de um qualquer mas... e isso não mudou). E estas questões sempre foram em mim um jogo de espelhos, onde me vejo e vejo outros, onde penso por mim e por outros.
O normal tem sempre companhia, o raro caminha sempre mais só. Mas tudo, tudo é sempre uma questão de contexto, de enquadramento, de perspectiva. Peguem no mundo e virem-no ao contrário - é o mesmo mundo, mas nada é igual (como os dias que vivemos, impensáveis há dois anos). Peguem numa foto normalíssima,  e ponham-na de pernas para o ar, e já olhamos duas vezes, já nos prende mais. e é só uma diferença de angulo, neste caso de rotação. Não é nada de especial.

Sem comentários:

Enviar um comentário