quinta-feira, 1 de julho de 2021

 

… ainda hoje, acerca dos meus medos,
 e de tanta coisa que me anda a passar pela cabeça,  me disseram o mesmo,
mas por outras palavras.
Sei que têm razão, e já tantas vezes o repeti a outras pessoas, mas os medos quando são nossos, custam mais a ser vencidos e a largarmos a realidade, onde, apesar de todo o mal, já estamos moldados, não será de conforto como lhe chamam, mas já quase não dói. E às vezes isso parece quase o paraíso, se ao menos não nos lembrássemos ao que sabe realmente o paraíso… talvez pudesse parecer que chega. Só que não.

terça-feira, 29 de junho de 2021

Amor...

Não, ou é amor ou não é amor, e ponto final.

Não há reticências.
 

segunda-feira, 28 de junho de 2021

Parar para pensar, tentar sossegar o espírito que parece que não se aquieta de não saber o que o inquieta. Procurar caminhos onde não há trilhos, pensar o que não deve ser pensado, deixar-me ir e talvez cair… Nada de novo, mas talvez tudo diferente, ou na mesma, de outra maneira. Tudo, menos esta vontade de querer esticar o tempo antes de voltar a casa. Menos esta vontade de trincar a vida sem lhe encontrar o fruto. Esta vontade que me escorre pelos lábios e já é chão.

domingo, 27 de junho de 2021

 


Na cozinha tenho umas colunas para ipod que há pouco pus a tocar enquanto preparava o meu brunch. Ao fim de semana há sempre mais música. A música vem com tempo para nós ou nem a ouvimos, ou melhor, não valerá muito a pena ouvir porque não nos chega dentro. Estava eu entre arranjar a fruta, bater os ovos, tropeçar nos cães, torrar o pão e oiço esta música que me faz lembrar dum sonho que tive há uns dias e que ainda não me largou. Acho que me quer dizer alguma coisa, mas ainda não sei o quê. Estava ao balcão dum café, dum bar, não sei, o sol entrava pela porta e janelas atrás de mim, o ambiente era claro, primaveril talvez. Eu estaria à espera de ser atendida, à espera de alguma coisa, não havia ninguém do lado de lá do balcão. Aliás, não havia mais ninguém em lado nenhum, aparentemente. Ao meu lado esquerdo surge alguém, eu olho e fico uns segundos sem reacção. Então eu faço a coisa mais espantosa - ou que me pareceu, ao acordar - encosto-me e aninho-me no peito dele, o meu ouvido encostado ao seu coração, a minha mão pousada, eu a pensar no meio disto, (ou talvez quando acordei??) naquele meu sítio naquele peito, e se  existiu, mas acho que só ouvi o meu próprio coração. Mas senti-me em casa, como se aquilo fosse suficiente, não, como se aquilo fosse tudo. Tudo o que eu precisava. Não disse nada, ele também não, o silêncio deixou-se ficar uns momentos, sem pressa ou constrangimentos. Era só o tempo a passar, sem ruídos, comodamente, não entre nós, mas connosco. E então afastei-me, sorri, não havia raiva, nem cobrança, havia como que uma aceitação do que me era incompreensível, uma aceitação de não haver respostas, uma aceitação da injustiça que sempre me dedicou, estiquei-me e dei um beijo nos seus olhos fechados, enquanto emoldurava o rosto com as minhas mãos. Olhei-o, e curiosamente, eu não deixava de sorrir, virei-me e vim-me embora. 
Este sonho mexeu comigo, e talvez por isso me tenha lembrado dele várias vezes nos últimos dias. Há, para mim, três pontos no sonho incontornáveis: a sensação de casa, de pertença de protecção, de segurança, de ninho; o vir-me embora, e com um sorriso na alma, sem necessidade de dizer nada; e a total ausência de emoções do outro lado, não sei se para mostrar que sempre foi assim, ou que não é realmente importante?? não sei. Sei que contei este sonho ao Miúdo e ele saiu-se com uma resposta que até hoje ando a dar a volta, pegou na parte onde lhe disse que me sentia só bem, e em casa, que aquilo era tudo e: " amor é isso. estás tramada... o que descreveste nesse sonho é amor. Em estado puro. É a mais bonita capacidade que mostras ao mundo". E eu discordo dele, acho que para ser amor não basta um amar, é preciso sentir-se amado, senão é amor fraternal, o que lhe quiserem chamar, mas não é o amor de uma vida. Que eu acredito que não existe um, tem de existir mais, é preciso é sorte para tropeçar nele duas vezes... o que sim é difícil. Mas bom se fosse fácil não era para mim, já se sabe. 
Hoje pus-me também a pensar se este sonho não surge numa altura que me quer mostrar que eu quero sentir-me em casa, e porque estou com medo de o querer. De arriscar com alguém, de acreditar, sei lá. Porque querer alguma coisa é poder ter de lidar com depois não a poder ter, com a recusa, conscientemente. E não sei se o quero, e não sei se vale a pena o risco... mas acho que há muito que não tenho esta vontade, que não estou neste ponto. E depois o sonho. Talvez queira aninhar-me e sentir-me outra vez em casa, sentir-me bem, só isso.

sábado, 26 de junho de 2021

 
[foto @adolfovalente]

Fim‑de‑semana, daqui a nada sozinha em casa, só eu e os quatro patas. O tempo está bom para palmilhar o sol derramado no chão, antes disso o meu exercício de fim‑de‑semana (que esta semana baldei-me todas as manhãs…) talvez ler, talvez dormitar na varanda, talvez nada. Logo à noite filmes no sofá, talvez uma série nova, ou talvez combinar jantar (não me parece que me apeteça, mas nunca se sabe). É tão bom não ter planos pregados a horas que constranjam o correr do dia… gosto tanto desta sensação de folha em branco que será escrita ao correr da pena. Com a liberdade de, se for caso disso, nada se escrever ou nada se fazer… ou nada. E como isso pode ser tanto. Para mim é.

sexta-feira, 25 de junho de 2021


 [André Domingues]

As maiores emergências são ferozes, íntimas, 
resguardadas do mundo que não as guarda, 
olha-as com desdém e meio dedo de loucura por reconhecer. 
 E cada emergência que não emerge, 
que não queima nem explode,
 que apenas agoniza até ao desespero,
 deixa de ser um desastre para ser uma convicção.
É um milagre.

quinta-feira, 24 de junho de 2021

 

[@zackmagiezi]

Há dias em que precisamos que torçam por nós, que desejem uma vitória nossa, com ou sem garras de metal. Há dias em que precisamos dum colo para sentar, dum futuro para abraçar, dum peito para encostar a cabeça e ouvir bater um coração, o nosso. Há dias em que precisamos dum hipopótamo rosa, ou de alguém que à quarta tentativa o queira conseguir para nós, para ficar feliz com o nosso sorriso. Mas aqui é longe do supermercado, é longe de quase tudo, perto de coisas longínquas.

terça-feira, 22 de junho de 2021

Talvez sim,
Talvez seja isso
Talvez queira
Ou talvez seja
querer confirmar o contrário 
no sentido inverso
Porque aqui está vazio
E eu talvez não 
Ou talvez não
O que será o contrário de vazio?
Não o sentir?
Ou o inverso?

 
… só bons prognósticos. :))))

Ou então sou eu cheia de esperança e fé na humanidade, sei lá. Ou então é o cachorro que me derrete, ou a cor do enorme ramo onde cabe tudo. Não sei, e hoje não me apetece saber.

Bom dia!

 
[alejandra Pizarnik (nada melhor para rematar um dia de sede)]

… se te atreves a ver podes encontrar.
Mas, e depois?
Fechas os olhos 
e finges que não conheces a sede
 que já soubeste beber?

segunda-feira, 21 de junho de 2021

 E quando a cabeça não tem folga durante o dia para divagar por caminhos errantes, vinga-se à noite, em sonhos. Acordamos com os lábios ardentes de beijos que não demos, beijos que nos dizem que nada está igual, que o feitiço se quebrou, mas sonhamo-los. Ou sonhamos o feitiço ter-se quebrado. E a sensação que fica é do beijo. Até agora. E a sensação leva-nos no tempo e no espaço a sítios que já não são nossos, mas que ainda habitamos, e onde vamos parar em caminhos errantes, quando a cabeça acaba o dia e arruma as botas. Vagueamos de alma descalça por aí, onde deixámos a alma em crepúsculos infinitos que se tornaram uma vida que às vezes (ainda) nos assombra.

quinta-feira, 17 de junho de 2021

 Outra vez a mesma coisa, algo se passa e não sei o quê, venho aqui parar depois de desligar a máquina e ainda a tentar desligar-me. Mais exausta que ontem e mais chateada também. Com outro cigarro na mão, penso que o quarto desde ontem aqui. A única coisa boa e também má destes dias, é que não dá para pensar em mais nada. Até agora.

quarta-feira, 16 de junho de 2021

 Já não basta os dias que saio de casa às sete e meia, nos dias em que saio às nove fico a trabalhar até agora. Acabada de fechar o maldito portátil venho para a varanda… ao tempo que não faço isto… sabe Deus porquê, bem eu também sei mas para o caso não interessa nada. O certo é que aqui estou, sentada no degrau da varanda, a sentir a humidade do ar recém lavada, o brilho das ruas acabadas de luzir, e agora mesmo um flash enorme sem sítio certo no céu. E outro. Agora aquele rosnar dos deuses em teatro de fúria quase amansada. E fumo um cigarro enquanto penso para quê… não faria melhor ir direitinha para a cama? Amanhã de manhã responderei prontamente que claro que sim, minha estupida… agora digo só que há preços que se pagam, e dez minutos de silêncio acompanhado de relâmpagos enquanto queimo um cigarro e penso parvoíces só minhas valem a pena. Hoje acho que será o único tempo meu, e faz-me falta. Ou eu gosto. Haverá diferença? Ou sentimos sempre falta do que gostamos? Ou gostamos mais daquilo que nos falta, porque andamos distraídos? Olha outro. 

segunda-feira, 14 de junho de 2021

 
[foto de Dimpy Bhalotia]

Não percas a cabeça! Bem sei se é que segunda -feira e coiso… mas há boas segundas-feiras, a sério, vão por mim, e depois há as segundas- feiras melhores que outras (por exemplo, hoje tenho outra vez o escritório só para mim e estou perto de casa, não me levantei de madrugada), e há as piores que isso, e até as que não queremos sequer lembrar… 
Há que não ter preconceitos com a coitada da segunda, e curiosamente -  e se calhar em mais coisas vida - tem nome de segunda, mas na verdade é a primeira, primeiríssima. Inicia a semana, é o começo de um novo ciclo. Certo é que há ciclos que uma pessoa maldiz começarem… mas enquanto assim for estamos aqui para dizer disparates acerca disso e encontrar fotos espectaculares ;)

domingo, 13 de junho de 2021


 … e de repente o futuro ovo mexido trouxe-me o palhacito do Domingo :)) 

O meu tio deu esta taça à minha filha há anos, é ela que a costuma usar, eu uso-a menos, mas com essa lembrança quase sempre. Hoje apareceu-me o palhacito. Não sei se sempre lá esteve, mas eu nunca o tinha visto. Será que ele já me tinha descoberto?

sábado, 12 de junho de 2021


Sozinhas, avistadas do carro, enquanto fumo um cigarro antes de regressar a casa. Dantes aqui havia mais, lembro-me. Agora houve uma razia, aparentemente, mas estas permanecem, sobreviventes. No céu rufam tambores desordenados e loucos. Flashes iluminam a seco os céus, e elas ali à espera da chuva ou do sol. Ou de nada. Que é tudo.

sexta-feira, 11 de junho de 2021

:)))) 
... e perder a confiança de alguém que gostamos é pecado capital, não deveria poder ser!

 Custou-me horrores hoje, sair da cama, abandonar os lençóis, o conforto daquele calor do abandono ao sono… uma relação doce e sensual entre a realidade, o desejo de fazer o dia mais longe, sonhar uma vida mais além. Enfim, não sei porque achei que seria inteligente começar a trabalhar hoje, e ir jantar com um amigo que só acredita em jantares que acabam depois da uma da matina, mas ao menos o escritório está só para mim… e amanhã é sábado ;))

quinta-feira, 10 de junho de 2021


 A seguir ao meu “Workout” (como diz a moderna da minha filha), a arranjar-me para ir almoçar no jardim de uns amigos que não vejo, já me parece, há anos, recebo uma mensagem em relação ao jantar: “vai sexy”… WTF??? irra... que raio de coisa para se dizer… das duas uma, ou ando sempre um trambolho de que se sente vergonha de levar a qualquer lado, ou devem achar que estou sob encomenda…. Por muito que goste deste meu amigo, e saiba que ele é doido, tive de responder! "Vou como sou, não estou sob encomenda!"… claro chamou-me mau feitio e mais não sei o quê…. Bahhhh serei eu a esquisita? Apeteceu-me dizer-lhe também para ele ir sexy, mas achei que era demasiado, quase ofensivo e completamente do reino das maravilhas… é que nem sob encomenda. E não faz mal, que gosto dele na mesma. Será muito pedir o mesmo?

quarta-feira, 9 de junho de 2021


 [foto @hana_photphrapher11]

Último dia de férias e não fiz nadinha... e não, não é desse doce nada com tom doce e prazeroso, é só nada. Ontem passei a tarde a trabalhar urgências em frente ao computador, hoje é urgente que me dedique a outras lides. Começar com uma massagem daqui a pouco,  tratar de mim um tico, depois tratar de mais umas coisas para a casa, a seguir talvez ir sonhar com o meu pai e mostrar-lhe a cartografia do sossego que me vai dar uma trabalheira, e me dá medo também... Ontem à noite cansei os olhos de tanto sonhar, horas a procurar um pedaço de Alentejo onde eu faça parte do meu caminho. Nada. Encontrei no Algarve, uma coisa muito a minha cara, aliás duas, que serviam para se viver de sonhos, paisagem e água, verde azul e sol, não horizontes dourados a perder de vista, e muito longe para o que queria... mas ainda assim muito a minha cara. Hoje vou continuar a procurar. Algum dia tenho de decidir se quero realmente viver do olhar, da paz e do sossego, mas longe das gentes, algumas que gosto, algumas que gosto mesmo muito. Talvez haja um meio termo, ainda não descobri, e não descobri se me assiste esse modo do “meio termo” de qualquer coisa... e no caso de não assistir, a distância não importa não é? Até porque a única distância maior e mais difícil mede-se em saudades, não em quilómetros, e não sei se será possível ter saudades inundada de beleza e paz e sossego. E uma solidão que não fere. As verdadeiras saudades são aquelas onde não há estradas a percorrer para as matar. E nos entretantos é de um projecto destes que o meu pai precisa, sugeri-lhe fisioterapia para as dores que tem sentido, destroçam-me as respostas que me dá, a que não sei o que dizer - eu que me acusam de ter sempre, sempre, resposta - sinto que o que mais lhe doi não é o corpo, é o sentir que ele lhe foge, que a vida se esgota sem encontrar razão para a contrariar.  E isso não é dele. Um projecto destes talvez lhe traga mais uns anos de vida, e às vezes penso que se não trouxer, sem ele, nunca começarei essa viagem, onde espero aguardar-me no fim da linha, com esboços riscados, corrigidos, escritos em margens imaginadas, gatafunhos sem sentido pelo caminho daquilo que será a perfeita cartografia do sonho que se debate com a vida, com os medos e com a inércia. É o companheiro perfeito para cartas de marear terrenos e lavrar sonhos. Não terei outro. Escrevo isto, e ferem-me saudades que ainda não chegaram , mas que já sinto.

domingo, 6 de junho de 2021

 
... estou a desesperar por um café!!! Maldita hora em que a máquina pifou, habituei-me a beber um café logo a seguir a comer qualquer coisa, ainda em casa. E agora nada, népia... e ainda tenho umas tantas coisas para fazer antes de poder sair de casa, em modos decentes pelo menos... estou quase a ir roubar café a algum distraído nas imediações como aqui a amiga girafa tão bem exemplifica... mas hoje tenho de comprar uma máquina, esta tragédia tem de acabar. E eu que nunca fui de tomar café em casa e por isso não ter esta necessidade do café pouco depois de me levantar, agora é isto. Este meu eu pós-pandémico é um ser com muita coisa nova, só não sei se melhor. Nunca me tinha ocorrido roubar um café a algum distraído, e agora.... olha pareceu uma ideia altamente catita.

sábado, 5 de junho de 2021

 

 :))))

verdade!

... mas não ando sozinha na rua de máscara (ponho-a quando percebo que me vou cruzar com alguém), ou no carro se for sozinha, a não ser que entre e me esqueça, de resto ao ar livre e quando não há ninguém por perto, não. Não sou fundamentalista, nem com uma coisa nem com outra, e espero que com nada... e talvez devesse ser com algumas coisas, mas não gosto de regras fixas, indiscutíveis, obrigatórias. Verdade que não gosto, mas também não gosto de estupidez e falta de senso ou respeito pelo outro... enfim, lá está cada coisa é uma coisa, é muito subjectivo... O que não é subjectiva é a sessão de exercício que está à minha espera há um bocado sem a minha comparência... estou preguiçosa, não me apetece... mas sei que tenho de aproveitar os dias em que tenho mais tempo para esticar o tempo de exercício, durante a semana não é mais que 10 minutos e só nos dias que não tenho de acordar de madrugada... aiiiiiii preciso de motivação, tenho de ir pesquisar mais umas fotos de destinos (e chegadas, aiii) paradisíacos, de mocinhos aparentados de deuses (esperemos que não gregos...) cheios de saúde e muito exercício, claro :)))) Depois pegar na trafulha da minha filha e convencê-la a ir habitar uma esplanada um bocado, em troca de um bocado de shopping para ir ver não sei o quê, não sei onde, que quer comprar... valhamedeus ninguém merece, mas temos de negociar sempre tudo, credo!!! Só não consigo negociar o achar que sou completamente do século passado... 
... bom, e na verdade sou...

sexta-feira, 4 de junho de 2021


True...

Para mim, pelo menos... mas fico a pensar em que categoria cairia... porque sei bem por qual caio... e me estatelo, podia só tropeçar, só que não...

 Um café com meia hora de leitura de esplanada, umas voltas pela cidade antes de fazer férias das férias com uma reunião desnecessária... mas não interessa, obriguei-me a sair de casa, até porque a máquina de café pifou... e café é um bem essencial. Tenho de desconfinar também fora do trabalho, o verão já anda a vestir as almas por aí, é tentar aproveitar a onda... ou tentar. Depois redimir-me de há um ano me ter passado o dia de aniversário dum amigo que me cobrou o esquecimento, com razão. É estranho ainda não podemos dar um beijo e um abraço de parabéns... 

quarta-feira, 2 de junho de 2021

terça-feira, 1 de junho de 2021


 ... já almoçava...

Estou com uma certa larica, e hoje não deu para almoçar... já ia para casa, já... ou dar uma volta, sair daqui... estou fartinha disto, para me alegrar só não ter hora e meia de caminho e estar quase de férias para lado nenhum provavelmente, mas sem fazer nenhum, certamente. O que já é alguma coisa.

domingo, 30 de maio de 2021

 

[in A louca da casa, Rosa Montero]

Talvez o envelhecimento também chegue às leituras, talvez. A capacidade de acreditar noutros mundos, outras irrealidades, sonhos fabricados por medida e desilusões à la carte espalhadas em histórias alheias que fazemos nossas com cada vez mais dificuldade. Grandes amores em que deixamos de acreditar ou queremos acreditar que só cabem em livros e na imaginação de alguém. Talvez porque chegue a hora de acomodar a realidade e chamar à gravidade os sonhos como o corpo obedientemente ao tempo. Torna-se a leitura um utilitário, uma ferramenta do dia a dia para compreender a realidade do mundo, e não mais. Sim, talvez seja isso, deixar crescer a criança que sonha dentro de nós, decrescendo a capacidade de acreditar em algo mais que o quotidiano. Leio isto e dou comigo a pensar que percebo agora se outra forma por que há alturas em que os livros me puxam menos. O mundo real pesa tanto por vezes que esquecemos o nosso mundo, aquele onde certas irrealidades fazem a nossa realidade por momentos.

sábado, 29 de maio de 2021

"Ontem sorriste, 
sorriste quando te tomei nos meus braços e te aconcheguei, 
quando as tuas costas respiraram o meu peito e
os meus braços te enrolaram e apertaram dizendo que te querem..."

Ia à procura doutra coisa, e o baú, no meio daquilo tudo, trouxe-me isto. O baú, mais que a minha memória, resiste ao tempo, e eu olho para o que lá está e agradeço que assim seja. 
Já não tenho medo. E a poeira que as coisas ganham, cria um véu de imunidade, algo que nos afasta até do já adormecido epicentro dum passado que nunca chegou a ser futuro. Sinto com surpresa que há coisas que já não se lembram de doer aquela dor que queima. Como um calor sem chama, mas também sem luz, o olhar sem dor é diferente,  tão diferente, ou indiferente. 
Como me encantou ler estas linhas a primeira vez que as li. E agora só consigo ler palavras, e pensar que são só palavras, que se podem dizer ou escrever sempre, e a qualquer pessoa. Concluo que as palavras também murcham. Murcharão os corações?
Só não sei se alguma vez estas encantaram tanto alguém, como eu na altura me encantei quando mas mandaram. Arrisco dizer que não, mas é indiferente. 

sexta-feira, 28 de maio de 2021



Pequena caminhada para fazer os olhos passear, deixar a brisa passar por nós, desembaraçar pensamentos e alisar o dia. Uma esplanada de copos enfeitados de cores para comer e boa música a embalar o lento marulhar ao fundo. Formigas lavram o mar aqui e ali com as suas pranchas, e a atenção foge enquanto um cão escava, sem procurar tesouros, a areia que fantasmas deixaram penteada de ondas. 

terça-feira, 25 de maio de 2021

 
[imagem @marinaadiim]

Estava morta, mas não estava. Falava com alguém, mas estava sozinha. Queria chamar alguém, mas o telefone sumira. Tinha guinado de repente, para evitar alguma coisa, por alguma razão, e perdeu a direcção. Deu cambalhotas até um poste a amparar. Estava morta, mas não estava. Não podia estar, senão isso mataria alguém de desgosto, e não podia, não podia fazer isso, tão pouca vida já lhe resta não pode roubar assim o que falta. Doía-lhe tudo, mas não sentia nada. Não podia morrer, mas também não podia ficar estropiada, senão desgraçava ainda mais o peso da vida de alguém, e não podia, não podia fazer isso, ele não merecia. Queria chamar alguém, mas o telefone sumira, as palavras não chegavam a lado nenhum. Falava com alguém, mas estava sozinha. Alguma vez não esteve? Não sabe. Não sabe nada, não sabe porque guinou de repente, ou porque chovera naquela manhã, mais uma, ou porque o poste a amparou, ou onde está o telefone. Só sabe que não pode morrer, nem ficar estropiada porque os outros não aguentam, e então ela não pode deixar. Não sabe como, mas não pode deixar. E chamar quem e como? Ajuda de quem? Fala com alguém mas está sozinha. E o dia todo com esta sensação, como quem passeia pela trela uma nuvem negra. Assim, desde acordei desta cena. Fui e vim, qual io-io que se livrou das cambalhotas. E hoje as palavras saíram, mas continuo a falar sozinha como se falasse com alguém, sem perceber o que me assustou ou por que os outros importam sempre mais que eu. Até nos sonhos.

domingo, 23 de maio de 2021


[ in "O Vício dos Livros", Afonso Cruz]

 ... afoga dias inteiros em sonhos, também.
(sei eu e acrescento sem dar conta, e depois aqui)

Por vezes quero só esquecer-me da vida, suspendê-la, pendurá-la num prego onde o meu tempo não passa. Nas últimas semanas começa sexta feira, a sair do Porto, começo a desligar. Não me quero lembrar da vida, vou respirando como quem não pede tempo emprestado, como se o tempo não medisse nada e nada me fosse. Como se não me visse, ou eu a ele - mas eu vejo-o, e bem, quando olho a minha filha e o espelho, onde não sorrio e os olhos não me aparecem. Não pego no computador da empresa a não ser que haja uma emergência, ou algum trabalho demasiado urgente - e tenho classificado cada vez menos coisas como urgentes. O fim de semana passou a ser o meu tempo suspenso - que passa, bem sei -, mas onde o mundo é uma coisa qualquer lá fora que quero pouco. Resume-se às idas ao supermercado e a casa dos meus pais. Já nem café tenho ido tomar como sempre foi meu ritual de fim de semana, para ver gente, para respirar um tico de mundo, para ler numa esplanada ou só olhar o que imagino estar lá. Desde que me separei que o fazia sozinha, ao início ia com a miúda, que adormecia no carrinho ou ao meu colo enquanto tomava café e observava o mundo. Observava o mundo que não era meu, e na altura acho que o pressentia, mas ainda não o sentia. Agora não sei se é a preguiça que me vence, se foi o confinamento que me ganhou e se entranhou, não sei, não tem apetecido. Tomo café em casa, às vezes com um livro, às vezes na varanda, quase sempre com um canídeo por perto, muitas vezes com todos. Desta vez, a pequena "ninja" parece querer saber de livros, ou de poesia, e espreita-me, com o pai esticado um pouco atrás, a mãe aconchegada perto dela, e eu num mundo meu, que cada vez mais me custa deixar segunda de manhã, onde pareço largada e abandonada à minha sorte (que é pouca, digamos), cercada por gente que não é minha, armadilhada em teias que não teci. Nunca fui boa a separar as áreas pessoal e trabalho, aliás como tantas outras áreas que as pessoas conseguem separar, e eu não, tenho muita dificuldade, sou só uma, e acho estranho que consigam tão bem dividir as águas. Se eu sou o que sou, sou-o sempre em todos os lados, não tenho botões que me desligam partes, se gosto de alguém gosto, se não gosto não consigo gostar, posso trabalhar com ela, reconhecer-lhe até competências, mas não gostar., e isso é tratá-la de modo diferente de se gostasse. Não consigo separar as águas e é por isso que prefiro esquecer a existência dos dias da semana, desse outro mundo onde eu inteira tenho de morar mas onde me recuso viver. O pior de tudo isto é que o recomeço, o reabrir a porta, custa mais. É o preço que se paga por suspender momentaneamente a realidade por não saber recortá-la à medida das minhas necessidades.

sábado, 22 de maio de 2021

 

[Alejandra Pizarnik]

Porque ontem, já na cama, a navegar o cansaço entre cá e lá, o xilre trouxe-me da prateleira a visita desta Alejandra. Não resisti. Hoje continuo a folhear Pizarnik, como direito a esses pequenos prazeres que não têm tamanho nos dias, nesses pequenos nadas que me devolvem, me relembram o que ainda sou, quase já sem saber. Ou sem querer saber.
... tão longe o que sou, tão perto o que já fui, mendiga-me a voz ao som de Pizarnik...

quinta-feira, 20 de maio de 2021


Estas vagas pouco vagas, cheias de concretas coisas por dizer, 
como um espinho atravessado na garganta da vida. 
Este estrondo que tem casa por dentro do silêncio... 
A letra a mais de um nome, lido com cinco letras, que sempre escrevi com quatro. 
E podem ser tantos, sei agora.

quarta-feira, 19 de maio de 2021


Agora tudo me parece perda de tempo, perda de vida. E eu já tenho tão pouca para dar.
Talvez só a paz estrondosa do mar me conseguisse livrar desta onda que me arrasta. Talvez só a imensidão me impedisse de afogar o que não sinto.

terça-feira, 18 de maio de 2021


 Umas voltas na cidade, as rédeas soltas de quem não está, e vim aqui parar sem saber porquê. Talvez a luz do fim de dia, talvez o sol ainda limpo e os olhos a pedirem mais. As flores crescem sim licença no meio das ervas e as folhas abanam-se à passagem do vento ou do tempo, sacodem sombras. Cresce uma casa também, novidade para os meus olhos. Coisas que surgem onde outras desaparecem. Um ladrar ao fundo, e eu aqui, a falar, sem dizer palavra. Uma conversa de silêncios.

segunda-feira, 17 de maio de 2021

 [foto @hash.photografy]

 E já começou mais uma. Ainda assim, esta começou melhor, mais perto, apesar da carantonha representativa... acho que isto é mais ou menos assim (ou tem sido nos últimos tempos): fechar os olhos e ir em frente. Pelo menos enquanto não se mudar de direcção...

Boa semana!

domingo, 16 de maio de 2021


 [ foto @therealdanaleigh]

Tantas vezes, a única coisa que se precisa é de uma certa luz a dar na alma. Não deixa de haver sombras, mas sabemos que são sombras da luz que se sente. 
A luz dos dias molhados de chuva miudinha e teimosa parece-me sempre a melhor para isso. A luz suave, doce e quase sorrateira, não fere, e atenua as sombras.

sábado, 15 de maio de 2021

 
Noto que me afasto de mim quando falo, e sinto, as coisas de que realmente gosto como que de amores antigos, distantes e arrefecidos. Pouco meus, como coisas que (nos) foram. Também aí o amor paixão está distante, acamado e consumido pelo tempo costurado dia a dia, dia após dia, desilusão ferida de desilusão. Ontem, ao fim do dia, cheguei a casa com dois livros novos. O primeiro, que foi “plantado” na minha secretária de trabalho logo pela manhã (o que me fez arrumá-lo discretamente e ficar muito sem jeito), pega nesta ideia que os livros são um refúgio e um gosto, talvez uma mania. Não lhe chamaria vício porque não lhe encontro contra-indicações. Talvez eu fale muito de livros, ou do que me fica deles (mesmo com a minha memória de galinha para citações fidedignas). O outro estava guardado desde os meus anos, e foi-me entregue ontem no primeiro jantar depois de sei lá quantos jantares perdidos para os tempos virulentos. Um jantar de risos à distância segura de matar distâncias outras, de petiscar a mesa e abraçar com os olhos à despedida, como à entrada tarde e a más horas depois de hora e meia de viagem. O terceiro - A louca da casa - é o livro que comecei, e que já não pego talvez há umas duas semanas, ou mais, não sei. E gostei do que já li, ainda que haja naquele livro demasiados pensamentos e sensações que me são familiares, em que ao mesmo tempo que acho piada a isso, não me faz questionar ou parar para pensar, pelo menos até agora. Diz coisas que já pensei ou senti, nesta coisa do escrever. Do sentir as palavras, ou o que raio é isto que nos leva a despejar-nos em símbolos descodificáveis. As frases com que se acorda, ou que surgem dalgum recanto nosso que não conhecemos ou reconhecemos, em qualquer altura e sem aviso, de sonhos a semáforos vermelhos, e que não nos largam até as escrevermos. Até dissolvermos o feitiço em palavras que nascem e crescem dessa semente. Dessa pequena loucura em que mergulhamos, como um submundo instantâneo da normalidade. Mas teve o efeito curioso de perceber que é coisa que afinal acontece a muita gente, sou menos louca do que me pensava, ou a casa que nos alberga é bastante maior que julgava. Afinal loucos assim há muitos. Dos outros também.

[por incrível que possa parecer, estão 3 canídeos não foto. As patas de um, parte da cabeça da caçula e um tiquinho, quase imperceptível, das pintarolas da mãe... tudo na preguiça ainda ]

quarta-feira, 12 de maio de 2021

 

[imagem @iuliastration]

... a sério que é nisso que estou a pensar. No fim-de-semana. E é mau sinal, muito mau sinal, quando eu almejo pelo fim da semana de trabalho tão cedo. Acho que comecei a pensar na sexta feira, logo na segunda de manhã. E não é normal em mim. Gosto de trabalhar, gosto de estar e trabalhar com outras pessoas, e agora não gosto das pessoas, nem do modo de funcionamento, (des)organização e afins. Não gosto. E não gosto de não gostar porque gosto do trabalho, do que faço. Mas sinto-me cercada e apanhada numa armadilha. Nunca quis estar onde não me queiram com real vontade, indiscutivelmente. E para uma sagitariana  não é coisa que aguente muito tempo.  Manda tudo pelos ares, mas vai... o meu único problema é que se ficar sem trabalhar vou dar em doida. Mais doida, isto é.

domingo, 9 de maio de 2021

 

E um dia acordo e sou mãe há quinze anos. Tenho um bebé de quinze anos. Acho que terei sempre um bebé, não importa os anos, mesmo que já não tenha tratamento de bebé, nem mo deixassem ter... Acabei de fazer um bolo.. quer dizer não sei se lhe chamaria bolo, é mais uma mixórdia, porque para quem é tinha de ser um bolo saudável (valhamedeus, um bolo e não pode ser declaradamente doce de açucar e com tudo que se tem direito... ao menos uma vez de vez em quando.. mas enfim, hoje as vontades são do bebé..)... então é substituir uns ingredientes, procurar receitas na net, e eu e a minha incapacidade de seguir receitas dá numa mixórdia que combina coisas de várias receitas, depois de perceber a correlação de quantidades... portanto não faço ideia se está comestível ou intragável. Se estiver bom, por outro lado, não a saberei repetir... paciência, inventa-se outra na altura. Mas na verdade acho que na cobertura vou furar o esquema da coisa... só um bocadinho, vá. Chocolate preto é antioxidante, né?

E hoje lembrei-me duma frase que lhe ouvi há dias, curiosamente na véspera do dia da mãe... depois duma conversa que começou com o espanto dela e a frase... "mas que mulher não é feminista? não existe!"... e eu respondi... "bom, existe, a tua mãe pelo menos" O que muito a espantou, porque como lhe disse as coisas não são lineares e devemos ter pensamento crítico e analítico - pensar sobre o que se ouve e lê, e depois concluir. Não concluir, apenas para fazer parte. Carneirada não é argumento e não devia ser opinião. Não lhe impus ideias, fiz perguntas, muitas das quais de que não sabia resposta, dei-lhe a minha opinião, que igualdade é ninguém ser melhor ou pior que ninguém, mas não aproveitar uma condição natural para ter benefícios injustos alegando que se está a combater desigualdades. E igualdade de coisas diferentes é só uma forma deturpada de emendar, errando. Igualdade e equidade são coisas diferentes. Eu não quero igualdade, quero justiça. E essa não depende do género, mas da condição humana. Falámos de aborto, do direito ao próprio corpo, da resposta evidente da decisão ser da mulher, não há igualdade aqui pois não? e da decisão de ter ou não um filho ser independente da vontade do pai, mas ainda assim ele ser responsável numa decisão em que nada garante sequer a sua participação (já que a decisão, porque de facto as coisas não são iguais e a natureza assim o determina, não é dele nem poderia ser, mas as consequências à partida são responsabilidade sua)... é justo? e as quotas? é justo? ou só uma humilhação em nome dum objectivo? uma injustiça em nome da mesma injustiça, do género garantir lugar. Então mas não era isso que se queria combater? Falámos de muita coisa, pus muitas questões, não para lhe dar a resposta, mas para que ela a pensasse e procurasse. Lembrei-me de noites inteiras em que fazia o mesmo exercício sobre outras coisas, com outras pessoas. Fazer perguntas, sem tentar obter respostas mas fazendo com que quem as ouve as pense mesmo que não dê conta. Nunca quis que pensassem ou pensem como eu, mas quero que a minha filha pense e defenda o que pensa sustentada em argumentos. Só pensando sobre as coisas e com uma análise critica penso que se pode lá chegar. No fim disse-me 

- adorei esta conversa, mãe, temos de ter mais conversas destas, há coisas que não sabia, outras não tinha pensado assim
- estou sempre aqui, filha. Sempre que quiseres.

E agora ver se o bolo já queimou...

sábado, 8 de maio de 2021


"Porque desta vez falei-lhe com toda a franqueza; o tema casamento foi discutido até à exaustão. «Antes de virmos para aqui, para o apartamento, eu apercebi-me de que, para ti, era penoso pronunciar essa palavra. Um dia, disseste-a, à entrada de minha casa, e tens toda a minha gratidão pelo facto de a teres dito. Serviu para que eu me decidisse a acreditar em ti, no teu carinho. Mas não podia aceitá-la, porque teria sido uma base falsa para este presente, que nessa altura era futuro. Ao aceitá-la também teria tido de aceitar que tu te submetesses, que te obrigasses a uma decisão para a qual ainda não estavas preparado. Em contrapartida, submeti-me eu, mas como é lógico, posso estar mais segura das minhas reacções do que das tuas. Eu sabia que, mesmo submetendo-me, não te guardaria rancor. (...) Por isso te digo que agora não tenho a certeza de que o casamento seja a nossa melhor solução. O que é importante é que exista algo que nos una; esse algo existe, não é verdade? Ora bem, não te parece mais poderoso, mais forte, mais bonito que aquilo que nos une seja isso que existe verdadeiramente e não uma simples formalidade (...) E, finalmente há o teu medo do tempo, de envelheceres e eu olhar noutra direcção. Não sejas tão melindroso. Aquilo de que eu mais gosto em ti é algo que o tempo não será capaz de te tirar.»"

Mario Benedetti, in A Trégua


"(...) ao aceitá-la também teria tido de aceitar que tu te submetesses, que te obrigasses a uma decisão para a qual ainda não estavas preparado. Em contrapartida, submeti-me eu, (...)" - esta frase foi talvez das que mais me marcou neste livro. Li, sorri, fechei o livro, percebi a sensibilidade do homem que o escreveu e o entendeu: o gesto de amor, dos mais belos e mais imperceptíveis. Acho que este pequeno grande pormenor passa ao lado de tanta, tanta gente; e este pequeno grande pormenor é amar, amar verdadeiramente. É incrível como isso passa tão despercebido, como não entendem, como quem vê de fora não percebe, que às vezes nos submetemos ao inimaginável para não submetermos, não obrigarmos, quem amamos ao que imaginamos não estarem preparados para fazer, para que, no fundo, afinal, não se submetam. Simplesmente não se submetam. E ao fazê-lo ser opção consciente, sem mágoa, sem exigência alguma, apenas por não querer provocar, ou de alguma forma forçar, uma reacção no outro que queremos que seja livre e espontânea: verdadeira. Só assim o admitimos - verdadeira -, seja qual for o tempo que precise para que nasçam em si certezas, porque só queremos alguém com a certeza genuína, que nasce por dentro, selvagem e livre, cheia de força. Só assim terá força, a força da vida que pulsa no sangue que o coração faz correr - que faz viver realmente. Provocar uma resposta não é responderem-nos, é reproduzirem o que queremos ouvir, não nos responde a nada, é uma espécie de monólogo estéril, que só contenta a quem gosta de se ouvir: quem não ama, não sabe amar. Porque quem ama só quer amar e ser amado - sentindo que ama e que é amado -, e isso nunca pode implicar submissão, a não ser ao próprio amor ("em contrapartida, submeti-me eu"...). Não se força, não se provoca, não se faz, surge, e quando surge tem a força que dá a certeza de ninguém ser obrigado a submeter-se - a não ser ao amor que os dois sentem, ou não vale de nada, não vale nada. E isto, isto que se sente assim, é uma coisa que o tempo não pode tirar, o que pode tirar - e tira certamente - é a certeza de que o outro nos deixa sempre submeter, sem nunca chegar o tempo, dentro do nosso tempo, de querer realmente ficar junto, e que "importante é que exista algo que nos una". E isso seja vivido.

[dei por mim a reler coisas antigas. fui à procura de registos de livros já lidos e deparei-me com isto. incrível, impressionante, continuo a pensar exactamente assim. não aprendi nada, poderá dizer-se. ou ainda não mudei de ideias. continuo a achar certas as ideias, estas ideias. há coisas que não podem ser de outra forma, ou serão da forma errada, e dessa forma continuo a não as querer. há coisas que só têm valor se escolhidas, se fruto da vontade, e não forçadas, obrigadas ou obtidas por insistências, como vitórias por exaustão. se isso é amor eu nunca amei.]

Dia de spa caseiro, preguiça lenta e sol no na leveza do azul céu. Mimar a solidão da casa em silêncio, só povoada pelos cães e pelas minhas conversas (parvas) com eles. Pensar em mergulhar num livro à tarde e nuns filmes afundados no sofá, à noite. Dia de voltar devagarinho aos quarenta minutos de ioga, de preferência sem dar cabo das costas, porque as costas definitivamente deram cabo do ioga (e não só) da última vez, por várias semanas, e eu nem sei como ou porquê, mas é capaz ser melhor ter cuidado, pelo sim, pelo não. 
Mas, nada, mesmo nada, começa antes dum café, não há ritual que se dê por iniciado sem um café. Talvez o próprio começo de dia seja uma ode ao café :)) ... como será possível o dia começar sem aqueles cinco minutos de pausa, inundados pela música que o cheiro a café toca na nossa cabeça? Quando o mundo pára, a nossa cabeça pode tocar músicas incríveis. 
Eu não sei de vocês, mas eu estou desconfiada que continuo meio (ou ainda completamente) confinada, sem grande euforia de desconfinamento... dantes o café era sempre fora de casa, numa esplanada e gente a entrar pelo olhar. Agora nem sei se quero sair de casa... acho que confinei a alma e não encontrei decreto que a desconfine, ou lhe acorde essa vontade.
 

sexta-feira, 7 de maio de 2021

 Tiraram-me as folhas douradas do outro lado da rua, mudaram-me as vistas e o poiso. Mudaram os escritórios, mas não mudaram as pessoas e as pessoas não mudaram. E eu acho que também não. E começo a pensar que algo vai ter de mudar. Prometi-me que não deixaria esta empresa mudar-me, multinacional ou não, grande grupo ou pequeno grupo. Prometi que não me ia tornar o que não gosto de ver, não gosto de hipocrisia e detesto joguinhos de bastidores, políticas e odiozinhos de estimação bem guardados por trás de sorrisos e pancadas nas costas. Oferecem ajuda para ficar por dentro das coisas, já percebi, já agradeço e dispenso. E dispenso também é por enquanto manda-los à merd@, mas não sei por quanto tempo. Voltando aos escritórios volta a sensação agudizada que as pessoas não trabalham umas com as outras, mas umas contra as outras. Nunca trabalhei assim, e prometi-me não deixar esta empresa entrar-me no sangue, por muito sangue que me ande a custar. Mas como em tudo, quando disser basta, é basta. Terá chegado a hora?

quarta-feira, 5 de maio de 2021


 “Siga as indicações” - e é o que fazemos sempre, né? Escolhendo as indicações que vão para onde queremos chegar... e na verdade é assim que tem de ser.
(bem se vê pelas indicações...)

Bom dia!

terça-feira, 4 de maio de 2021


 Hoje estou capaz de mandar tudo à.... sim aquela parte. Já acordei com esta disposição assassina, a manhã só a transformou em vontades de assassina psicopata. Não sei bem o que foi, mas sei que é tudo, esta gente com que lido todos os dias, esta confusão de que fazem profissão, esta parvoíce exarcebada e o descartar de tudo para quem vier. Isto e voltar daqui a nada ao modo iô-iô está-me a dar ganas de mandar tudo p’ro raio que os parta e ir rumo ao alentejo à procura do meu monte e doutra vida, com outras gentes. Irra no que me vim meter. O meu grau de falta de paciência e tolerância à estupidez não dá para isto. Apetece-me gritar mas a única coisa que sinto é tudo atafulhado por dentro e reduzido ao tamanho duma ervilha, pressionado sob o peso do grito que não dei, e de não os mandar para onde mandam toda a gente lá por aquelas bandas... isto hoje não está bom, pronto. Nada bom. 

sábado, 1 de maio de 2021

 


Nunca há uma altura certa. Ainda que se planeie, ainda que se pense e repense, ainda que se marque num calendário que não chega a ser tempo, mas só pensamento. Nunca se sabe o momento certo, então esperamos um dia sentir, ter a certeza, algo acontecer e tornar-se claro. Nem sempre acontece, ou quase nunca, e então espera-se, espera-se por alguma coisa que não se sabe o quê, e depois já não sabemos por que esperamos, até que continuamos à espera sabendo já nada esperar. Mas esperamos, ou deixamos o tempo passar sem calendário. O extraordinário que ansiamos acontecer, é dar um passo de fé, sem razão ou com ela, mas com vontade de chegar a algum lado pelo próprio pé, é fazer acontecer. Uma vontade que vença a inércia de ser, de continuar sendo. Mesmo que se revele ser o fundo do abismo, ou, com sorte, onde queríamos chegar. A alternativa é esperar até ao desespero, e depois, depois continuar, e desesperar por querer alguma coisa que nos faça acordar, dar passos, querer. Acordar é sempre um abismo. No tempo.

quinta-feira, 29 de abril de 2021


Dia de dançar. 
Eu dou-te música, e tu danças-me.
Tu dás-me música e eu danço-te.
Dançamos. Às vezes.

Nem todos dançam ao teu ritmo, nem todos ouvem a tua música, 
nem todos sabem dançar contigo. 
Nem todos te dão música que tu queiras dançar, 
nem todos (te) sabem dançar, 

mas alguns sim. 
Então ouve, e dança, e aproveita.


I put one hand on your round ripe heart
And the other down your panties
Everything is falling, dear
Everything is wrong
It’s just history repeating itself
And babe, you turn me on

Like a light bulb
Like a song
...

Like an idea
Like an atom bomb

BUMM!
[adoro o BUMM no fim]

quarta-feira, 28 de abril de 2021

 E a meio da tarde de trabalho, já com fome e cheia de vontade de mandar tudo para o sumiço, apareceu-me com um prato de panquecas, empilhadas com banana e chocolate quente. E eu fiquei quase sem reacção, sem saber bem o que dizer, sabendo bem o que me queria dizer.  E ali, ali mesmo, naquele momento, senti-a minha, tão minha, como às vezes sinto, raras mas como raios que me atingem até à espinha do ser. E é uma sensação estranha, misto de tantas coisas. Lembrou-me alguém que conheci, parece-me agora que já há muito tempo, quase irreconhecível, quase de outra vida, de tão longínquo me parecer.  E estranhamente tive medo, medo por ela, talvez pela maneira como sente as coisas, como gosta, como mostra, os gestos doces e ternos que tem, sem ter ainda de mergulhar fundo em si, sem ter de atravessar camadas e camadas, tão à flor da pele lhe estão. Tão desprotegidos ainda. É arisca, é, tenho de a obrigar a, às vezes, deixar-me dar-lhe mimo, mas depois tem estas coisas, que não são ditas e que me deixam sem palavras, porque me sentiu triste, zangada com a vida, desalentada, deu-me um abraço inteiro, tão inteiro que só se podem dar por dentro de um gesto, como certas palavras só se dizem no silêncio de alguns olhares. 

[O único problema foi mesmo que comi o prato todo, e agora que não ando a fazer o meu exercício diário à conta das minhas cruzes não deixarem e só me apetecer - também por isso -  vociferar como gente destravada, está a pesar-me na consciência e não só... aparte disso, foi das coisas mais bonitas que me aconteceu nos últimos tempos.]

terça-feira, 27 de abril de 2021

segunda-feira, 26 de abril de 2021

domingo, 25 de abril de 2021

 

[imagem @virgola_ ]

Há uns anos,  não sei quantos, lembro-me de  - também num dia murcho como este, de luz baça, fina e sem força - receber estas palavras "hoje é dia para uma revolução". Lembro-me de achar piada à frase, à alusão oportuna, e de responder qualquer coisa como "qualquer dia é um bom dia para uma revolução que se precisa e quer, é preciso é querer", o que eu acho que é verdade, e mostrava, também,  que na verdade não acreditava na frase recebida, ainda que não me tenha esquecido da frase, nem do dia - pelos vistos e pelo menos - até hoje. O dia de alguma forma ficou, mas apenas como mais um marco de nada mudar, e de sabermos tanta coisa, ainda antes de termos a certeza de que as sabemos há muito.
Cruzei-me com esta imagem, este dia é também celebrado em Itália, como o dia da liberdade, da libertação (no caso, em 1945 do fascismo nazista), e se para nós no ouvido ficou a vila morena e os cravos vermelhos nos mancham, hoje ainda, os olhos, em Itália é o Bella, ciao (que o pessoal agora conhece aparentemente - não sei que nunca vi - por causa da La Casa de Papel) e as papoilas, como o sangue derramado pelos campos numa flor selvagem que inunda esta época (e a que a canção alude), e que deixou tanta gente, por tanto tempo ainda, nos braços daqueles que por lá morreram. Há coisas assim, abraços que não se desfazem com o vazio; guerras que não terminam com o baixar das armas, com o silêncio da paz. Tenho a dizer que entre cravos e papoilas nem tenho de pensar, mas fico a pensar que a revolução não é só num dia, nem um dia só, é o que depois se faz com ela, o que se atinge, o que nasce, o que cresce, o que morreu e como acarinhamos o que ganhámos. E acho que há muito a pensar e repensar do ponto a que chegámos e de quantas revoluções ainda precisamos, enquanto pessoas e enquanto cidadãos. Eu precisarei de muitas, mas não hoje, hoje o dia não está para revoluções (também este ano, afinal).

sábado, 24 de abril de 2021

Hum. Inverno outra vez... 
... isto de nos darem um cheirinho de alguma coisa para nos lembrar da falta que faz, e depois pimba.... puxarem-nos o tapete e servir-nos de bandeja essa falta que nem nos lembrávamos que tínhamos, tem muito que se lhe diga... este S. Pedro é fresco, é... sabe-a toda, o danadinho! hum! 
Uns vestidinhos leves, novos, e tudo e coiso, e nada de os poder estrear, como quem começa uma estação nova de vida, nada. Toma lá outra vez chuva, mas sem fazer sentido um camisolão quente e grosso ou acender a lareira, pois. Hum. 'Tá certo... Se pegasses nessas teorias psicológicas todas, e as enfiasses onde decerto não há verão, é que fazias bem, e eu, hoje pelo menos agradecia. Parece qu'é parvo!
Hum.

 

sexta-feira, 23 de abril de 2021

O corredor mede dez passos. Há dias, ao percorre-lo a caminho do quarto, de luzes apagadas só com a luz do visor deste bicho, como em todas e tantas outras noites... mas dessa vez, não sei porquê, ou de onde, um pensamento atravessou-me e tem insistido comigo: se eu acabasse naquela instante, o que pensaria eu?... e dei por mim a pensar, não sou pela ideia de viver cada dia como se fosse o último, não, mas cada dia tem de valer alguma coisa, e como que ser parte dum caminho para o que queremos... e no entanto, que ando eu a fazer dos meus dias nos últimos tempos? Nos últimos meses? No último ano? Valeria a pena se tivesse de fazer as minhas contas amanhã? Qual o saldo? O balanço? O resultado, a soma ou o que for e lhe quiserem chamar?... E não, acho que não valia. E apesar de todos os memorandos que os dias me têm deixado de que devo já ter passado o terceiro prazo de validade (o meu irmão já me informou que já passei dois), de o espelho mo devolver sem reclamar, de ter passado a última semana empenada, sem aguentar-me em pé mais de dez minutos sem que me passasse de dores, sentada todo o santo dia como se tivesse engolido um garfo que não pedi, não... apesar dessa pequena questão dos lembretes de que o tempo passa com um registo próprio e natural no corpo, não ando mal (agora até já consigo andar normalmente! upa upa!!... valhamedeus ao que isto (já) chegou...) ou triste ou revoltada ou deprimida, não, mas também nada do que poderia ser o seu contrário. E isso, isso é já de si um prejuízo enorme, não? Eu acho que sim.

E o corredor continua, e sempre foi um caminho de dez passos, mas desta vez trouxe-me isto: uma vida que não sendo exactamente o que quero, não deixa de ser o que quero, uma vida que podia ser tão boa, sem para isso ser o contrário do que é hoje, naquele dia, agora. 
 Há pensamentos estranhos na escuridão que percorre um corredor à noite, e no entanto nunca acendo a luz... eu sei o caminho.

segunda-feira, 19 de abril de 2021



 Ahahahah 

Não me posso esquecer desta, para usar sem moderação sempre que aplicável :D

domingo, 18 de abril de 2021



 Ahahah muito bom, até o olhar de comprometido dele :)))

Cá em casa só se fosse amiga :DD, o único moçoilo mora uns andares acima, ainda que, obviamente, seja visita diária, parte da casa mesmo, e adore colo mas não tenha a noção do próprio tamanho... de qualquer maneira, aqui os canídeos não entram na cama... pelo menos enquanto não me trouxerem o respectivo pequeno-almoço (meu, claro), depois poderei ponderar ;)

Bom Domingo :)

sábado, 17 de abril de 2021

 E demorou o dobro do tempo, porque o dobro da plateia com vontade participativa é um problema... até que se desiste e se expulsa a plateia, pois. Tudo lá para fora.
Agora, comer qualquer coisa ao sol, depois depois um banho lento, com música e olhos fechados. Estou a precisar daquele clima Zen que às vezes me apetece, agora até mais frequentemente. É a falta da dose normal de Alentejo que me falta, deve ser isso. Se não escurecer e entristecer o tempo, uma passeata boa mais ao fim da tarde. Um dia à medida do que me apetecia. Às vezes penso que já não conseguia viver sem este tempo para mim, dias inteiros só eu e o que a disposição me for pedindo... é uma sensação divinal, a sério. Não sendo sozinha, só com alguém com quem estivesse tão bem como estou sozinha, o que não é fácil (acontece com a minha filha e sei que pode acontecer fora das teias do sangue), e isso responde a muita coisa. Suponho que é a grande diferença entre partilha e comunhão. Entre saber o que de mim partilho contigo e o que tu partilhas comigo, e saber, ou sentir, o que somos juntos, sem deixarmos de o ser quando separados. E não, não é perder a identidade, nem a personalidade, é não as sentir ameaçadas. É um estar com alguém que é como estar só connosco. 

É querer muito, mas menos valerá a pena?

sexta-feira, 16 de abril de 2021



 Bom princípio, este :) concordo. 

(ainda que nem sempre com um bom fim, mas pelo menos terá dado para aquecer da maneira certa :) )

quinta-feira, 15 de abril de 2021


 [foto @alongruber]


- Começou tudo mal... se tentássemos não iríamos durar nada.

- Como sabes? Porque dizes isso? Do que oiço nada é mau, gostas da pessoa, das ideias que tem e defende, admira-la: a sua forma de ser, de agir, de pensar. E há ternura, além de paixão. Amizade, querer bem... se isso é um mau começo, não faço ideia como possa ser um bom!

- Não percebes, não ia dar certo, não podia durar muito. 

- Numa coisa dou-te razão, se achares que não vai dar certo, não dá mesmo. É escusado. E acho que é mesmo isso que estás a fazer, a assegurar-te que não dá, matando antes até de poder viver. É mais fácil ter medo de ser feliz, de que dê certo, porque ser feliz é também o risco enorme de deixar de o ser...  É muito mais fácil desistir e não pensar mais nisso - ou tentar, e garanto-te que vai ser difícil esqueceres depois todos os "ses"- do que desistir sabendo que podia estar ali a tua felicidade.  Por isso convences-te que afinal não ia dar nada, afinal desistir dum fracasso é fácil. E é isso que estás a fazer, a contrariar tudo de bom que vês, tens e sentes!, para te convenceres dum fracasso. Porque só assim consegues desistir sem dor. Auto-sabotagem, um clássico no seu melhor (ou pior). Acredita em mim, pelo que dizes, o começo não é mau, pode é não ser fácil, mas esse fim, apesar de fácil, é o pior. Não fujas de ser feliz, pondo as culpas na vida e nas circunstâncias. Há piores e mais difíceis distâncias que as físicas, e se fores por esse caminho vais acabar por descobri-las. Vais um dia estar ao lado de alguém, e entre vocês caberiam todos os oceanos. Não escolhas isso.

[é engraçado como há conversas que não sendo iguais, são as mesmas. Como tudo é diferente, mas como tudo se repete, de uma forma ou de outra, com uns ou outros contornos. Os contextos variam, as essências não. E a auto-sabotagem, o não acreditar em algo bom, o estar-se tão comodamente instalado no mau ou medíocre, que se prefere o conhecido à audácia de esperar mais, merecer mais, acreditar em mais, e principalmente arriscar ser feliz ou mais feliz e poder perde-lo. Afinal desistindo não se chega a perder nada, porque não se tem nada que doa muito perder. A covardia tem muitos contornos, mas a essência é a mesma, e todos se calhar lá caímos, de uma forma ou de outra. Ou o tempo assim nos convença a fazer, por nos fazer crer que já não há mais. O medo destrói mais que a dor.]