sexta-feira, 2 de julho de 2021
quinta-feira, 1 de julho de 2021
segunda-feira, 28 de junho de 2021
Parar para pensar, tentar sossegar o espírito que parece que não se aquieta de não saber o que o inquieta. Procurar caminhos onde não há trilhos, pensar o que não deve ser pensado, deixar-me ir e talvez cair… Nada de novo, mas talvez tudo diferente, ou na mesma, de outra maneira. Tudo, menos esta vontade de querer esticar o tempo antes de voltar a casa. Menos esta vontade de trincar a vida sem lhe encontrar o fruto. Esta vontade que me escorre pelos lábios e já é chão.
domingo, 27 de junho de 2021
sábado, 26 de junho de 2021
Fim‑de‑semana, daqui a nada sozinha em casa, só eu e os quatro patas. O tempo está bom para palmilhar o sol derramado no chão, antes disso o meu exercício de fim‑de‑semana (que esta semana baldei-me todas as manhãs…) talvez ler, talvez dormitar na varanda, talvez nada. Logo à noite filmes no sofá, talvez uma série nova, ou talvez combinar jantar (não me parece que me apeteça, mas nunca se sabe). É tão bom não ter planos pregados a horas que constranjam o correr do dia… gosto tanto desta sensação de folha em branco que será escrita ao correr da pena. Com a liberdade de, se for caso disso, nada se escrever ou nada se fazer… ou nada. E como isso pode ser tanto. Para mim é.
sexta-feira, 25 de junho de 2021
quinta-feira, 24 de junho de 2021
Há dias em que precisamos que torçam por nós, que desejem uma vitória nossa, com ou sem garras de metal. Há dias em que precisamos dum colo para sentar, dum futuro para abraçar, dum peito para encostar a cabeça e ouvir bater um coração, o nosso. Há dias em que precisamos dum hipopótamo rosa, ou de alguém que à quarta tentativa o queira conseguir para nós, para ficar feliz com o nosso sorriso. Mas aqui é longe do supermercado, é longe de quase tudo, perto de coisas longínquas.
terça-feira, 22 de junho de 2021
segunda-feira, 21 de junho de 2021
E quando a cabeça não tem folga durante o dia para divagar por caminhos errantes, vinga-se à noite, em sonhos. Acordamos com os lábios ardentes de beijos que não demos, beijos que nos dizem que nada está igual, que o feitiço se quebrou, mas sonhamo-los. Ou sonhamos o feitiço ter-se quebrado. E a sensação que fica é do beijo. Até agora. E a sensação leva-nos no tempo e no espaço a sítios que já não são nossos, mas que ainda habitamos, e onde vamos parar em caminhos errantes, quando a cabeça acaba o dia e arruma as botas. Vagueamos de alma descalça por aí, onde deixámos a alma em crepúsculos infinitos que se tornaram uma vida que às vezes (ainda) nos assombra.
quinta-feira, 17 de junho de 2021
Outra vez a mesma coisa, algo se passa e não sei o quê, venho aqui parar depois de desligar a máquina e ainda a tentar desligar-me. Mais exausta que ontem e mais chateada também. Com outro cigarro na mão, penso que o quarto desde ontem aqui. A única coisa boa e também má destes dias, é que não dá para pensar em mais nada. Até agora.
quarta-feira, 16 de junho de 2021
Já não basta os dias que saio de casa às sete e meia, nos dias em que saio às nove fico a trabalhar até agora. Acabada de fechar o maldito portátil venho para a varanda… ao tempo que não faço isto… sabe Deus porquê, bem eu também sei mas para o caso não interessa nada. O certo é que aqui estou, sentada no degrau da varanda, a sentir a humidade do ar recém lavada, o brilho das ruas acabadas de luzir, e agora mesmo um flash enorme sem sítio certo no céu. E outro. Agora aquele rosnar dos deuses em teatro de fúria quase amansada. E fumo um cigarro enquanto penso para quê… não faria melhor ir direitinha para a cama? Amanhã de manhã responderei prontamente que claro que sim, minha estupida… agora digo só que há preços que se pagam, e dez minutos de silêncio acompanhado de relâmpagos enquanto queimo um cigarro e penso parvoíces só minhas valem a pena. Hoje acho que será o único tempo meu, e faz-me falta. Ou eu gosto. Haverá diferença? Ou sentimos sempre falta do que gostamos? Ou gostamos mais daquilo que nos falta, porque andamos distraídos? Olha outro.
segunda-feira, 14 de junho de 2021
domingo, 13 de junho de 2021
O meu tio deu esta taça à minha filha há anos, é ela que a costuma usar, eu uso-a menos, mas com essa lembrança quase sempre. Hoje apareceu-me o palhacito. Não sei se sempre lá esteve, mas eu nunca o tinha visto. Será que ele já me tinha descoberto?
sábado, 12 de junho de 2021
sexta-feira, 11 de junho de 2021
quinta-feira, 10 de junho de 2021
quarta-feira, 9 de junho de 2021
Último dia de férias e não fiz nadinha... e não, não é desse doce nada com tom doce e prazeroso, é só nada. Ontem passei a tarde a trabalhar urgências em frente ao computador, hoje é urgente que me dedique a outras lides. Começar com uma massagem daqui a pouco, tratar de mim um tico, depois tratar de mais umas coisas para a casa, a seguir talvez ir sonhar com o meu pai e mostrar-lhe a cartografia do sossego que me vai dar uma trabalheira, e me dá medo também... Ontem à noite cansei os olhos de tanto sonhar, horas a procurar um pedaço de Alentejo onde eu faça parte do meu caminho. Nada. Encontrei no Algarve, uma coisa muito a minha cara, aliás duas, que serviam para se viver de sonhos, paisagem e água, verde azul e sol, não horizontes dourados a perder de vista, e muito longe para o que queria... mas ainda assim muito a minha cara. Hoje vou continuar a procurar. Algum dia tenho de decidir se quero realmente viver do olhar, da paz e do sossego, mas longe das gentes, algumas que gosto, algumas que gosto mesmo muito. Talvez haja um meio termo, ainda não descobri, e não descobri se me assiste esse modo do “meio termo” de qualquer coisa... e no caso de não assistir, a distância não importa não é? Até porque a única distância maior e mais difícil mede-se em saudades, não em quilómetros, e não sei se será possível ter saudades inundada de beleza e paz e sossego. E uma solidão que não fere. As verdadeiras saudades são aquelas onde não há estradas a percorrer para as matar. E nos entretantos é de um projecto destes que o meu pai precisa, sugeri-lhe fisioterapia para as dores que tem sentido, destroçam-me as respostas que me dá, a que não sei o que dizer - eu que me acusam de ter sempre, sempre, resposta - sinto que o que mais lhe doi não é o corpo, é o sentir que ele lhe foge, que a vida se esgota sem encontrar razão para a contrariar. E isso não é dele. Um projecto destes talvez lhe traga mais uns anos de vida, e às vezes penso que se não trouxer, sem ele, nunca começarei essa viagem, onde espero aguardar-me no fim da linha, com esboços riscados, corrigidos, escritos em margens imaginadas, gatafunhos sem sentido pelo caminho daquilo que será a perfeita cartografia do sonho que se debate com a vida, com os medos e com a inércia. É o companheiro perfeito para cartas de marear terrenos e lavrar sonhos. Não terei outro. Escrevo isto, e ferem-me saudades que ainda não chegaram , mas que já sinto.
domingo, 6 de junho de 2021
sábado, 5 de junho de 2021
sexta-feira, 4 de junho de 2021
Um café com meia hora de leitura de esplanada, umas voltas pela cidade antes de fazer férias das férias com uma reunião desnecessária... mas não interessa, obriguei-me a sair de casa, até porque a máquina de café pifou... e café é um bem essencial. Tenho de desconfinar também fora do trabalho, o verão já anda a vestir as almas por aí, é tentar aproveitar a onda... ou tentar. Depois redimir-me de há um ano me ter passado o dia de aniversário dum amigo que me cobrou o esquecimento, com razão. É estranho ainda não podemos dar um beijo e um abraço de parabéns...
terça-feira, 1 de junho de 2021
Estou com uma certa larica, e hoje não deu para almoçar... já ia para casa, já... ou dar uma volta, sair daqui... estou fartinha disto, para me alegrar só não ter hora e meia de caminho e estar quase de férias para lado nenhum provavelmente, mas sem fazer nenhum, certamente. O que já é alguma coisa.
domingo, 30 de maio de 2021
sábado, 29 de maio de 2021
sexta-feira, 28 de maio de 2021
terça-feira, 25 de maio de 2021
domingo, 23 de maio de 2021
sábado, 22 de maio de 2021
quinta-feira, 20 de maio de 2021
quarta-feira, 19 de maio de 2021
terça-feira, 18 de maio de 2021
Umas voltas na cidade, as rédeas soltas de quem não está, e vim aqui parar sem saber porquê. Talvez a luz do fim de dia, talvez o sol ainda limpo e os olhos a pedirem mais. As flores crescem sim licença no meio das ervas e as folhas abanam-se à passagem do vento ou do tempo, sacodem sombras. Cresce uma casa também, novidade para os meus olhos. Coisas que surgem onde outras desaparecem. Um ladrar ao fundo, e eu aqui, a falar, sem dizer palavra. Uma conversa de silêncios.
segunda-feira, 17 de maio de 2021
domingo, 16 de maio de 2021
sábado, 15 de maio de 2021
quarta-feira, 12 de maio de 2021
domingo, 9 de maio de 2021
E um dia acordo e sou mãe há quinze anos. Tenho um bebé de quinze anos. Acho que terei sempre um bebé, não importa os anos, mesmo que já não tenha tratamento de bebé, nem mo deixassem ter... Acabei de fazer um bolo.. quer dizer não sei se lhe chamaria bolo, é mais uma mixórdia, porque para quem é tinha de ser um bolo saudável (valhamedeus, um bolo e não pode ser declaradamente doce de açucar e com tudo que se tem direito... ao menos uma vez de vez em quando.. mas enfim, hoje as vontades são do bebé..)... então é substituir uns ingredientes, procurar receitas na net, e eu e a minha incapacidade de seguir receitas dá numa mixórdia que combina coisas de várias receitas, depois de perceber a correlação de quantidades... portanto não faço ideia se está comestível ou intragável. Se estiver bom, por outro lado, não a saberei repetir... paciência, inventa-se outra na altura. Mas na verdade acho que na cobertura vou furar o esquema da coisa... só um bocadinho, vá. Chocolate preto é antioxidante, né?
E hoje lembrei-me duma frase que lhe ouvi há dias, curiosamente na véspera do dia da mãe... depois duma conversa que começou com o espanto dela e a frase... "mas que mulher não é feminista? não existe!"... e eu respondi... "bom, existe, a tua mãe pelo menos" O que muito a espantou, porque como lhe disse as coisas não são lineares e devemos ter pensamento crítico e analítico - pensar sobre o que se ouve e lê, e depois concluir. Não concluir, apenas para fazer parte. Carneirada não é argumento e não devia ser opinião. Não lhe impus ideias, fiz perguntas, muitas das quais de que não sabia resposta, dei-lhe a minha opinião, que igualdade é ninguém ser melhor ou pior que ninguém, mas não aproveitar uma condição natural para ter benefícios injustos alegando que se está a combater desigualdades. E igualdade de coisas diferentes é só uma forma deturpada de emendar, errando. Igualdade e equidade são coisas diferentes. Eu não quero igualdade, quero justiça. E essa não depende do género, mas da condição humana. Falámos de aborto, do direito ao próprio corpo, da resposta evidente da decisão ser da mulher, não há igualdade aqui pois não? e da decisão de ter ou não um filho ser independente da vontade do pai, mas ainda assim ele ser responsável numa decisão em que nada garante sequer a sua participação (já que a decisão, porque de facto as coisas não são iguais e a natureza assim o determina, não é dele nem poderia ser, mas as consequências à partida são responsabilidade sua)... é justo? e as quotas? é justo? ou só uma humilhação em nome dum objectivo? uma injustiça em nome da mesma injustiça, do género garantir lugar. Então mas não era isso que se queria combater? Falámos de muita coisa, pus muitas questões, não para lhe dar a resposta, mas para que ela a pensasse e procurasse. Lembrei-me de noites inteiras em que fazia o mesmo exercício sobre outras coisas, com outras pessoas. Fazer perguntas, sem tentar obter respostas mas fazendo com que quem as ouve as pense mesmo que não dê conta. Nunca quis que pensassem ou pensem como eu, mas quero que a minha filha pense e defenda o que pensa sustentada em argumentos. Só pensando sobre as coisas e com uma análise critica penso que se pode lá chegar. No fim disse-me
- estou sempre aqui, filha. Sempre que quiseres.
E agora ver se o bolo já queimou...
sábado, 8 de maio de 2021
sexta-feira, 7 de maio de 2021
Tiraram-me as folhas douradas do outro lado da rua, mudaram-me as vistas e o poiso. Mudaram os escritórios, mas não mudaram as pessoas e as pessoas não mudaram. E eu acho que também não. E começo a pensar que algo vai ter de mudar. Prometi-me que não deixaria esta empresa mudar-me, multinacional ou não, grande grupo ou pequeno grupo. Prometi que não me ia tornar o que não gosto de ver, não gosto de hipocrisia e detesto joguinhos de bastidores, políticas e odiozinhos de estimação bem guardados por trás de sorrisos e pancadas nas costas. Oferecem ajuda para ficar por dentro das coisas, já percebi, já agradeço e dispenso. E dispenso também é por enquanto manda-los à merd@, mas não sei por quanto tempo. Voltando aos escritórios volta a sensação agudizada que as pessoas não trabalham umas com as outras, mas umas contra as outras. Nunca trabalhei assim, e prometi-me não deixar esta empresa entrar-me no sangue, por muito sangue que me ande a custar. Mas como em tudo, quando disser basta, é basta. Terá chegado a hora?
quarta-feira, 5 de maio de 2021
terça-feira, 4 de maio de 2021
sábado, 1 de maio de 2021
Nunca há uma altura certa. Ainda que se planeie, ainda que se pense e repense, ainda que se marque num calendário que não chega a ser tempo, mas só pensamento. Nunca se sabe o momento certo, então esperamos um dia sentir, ter a certeza, algo acontecer e tornar-se claro. Nem sempre acontece, ou quase nunca, e então espera-se, espera-se por alguma coisa que não se sabe o quê, e depois já não sabemos por que esperamos, até que continuamos à espera sabendo já nada esperar. Mas esperamos, ou deixamos o tempo passar sem calendário. O extraordinário que ansiamos acontecer, é dar um passo de fé, sem razão ou com ela, mas com vontade de chegar a algum lado pelo próprio pé, é fazer acontecer. Uma vontade que vença a inércia de ser, de continuar sendo. Mesmo que se revele ser o fundo do abismo, ou, com sorte, onde queríamos chegar. A alternativa é esperar até ao desespero, e depois, depois continuar, e desesperar por querer alguma coisa que nos faça acordar, dar passos, querer. Acordar é sempre um abismo. No tempo.
quinta-feira, 29 de abril de 2021
quarta-feira, 28 de abril de 2021
E a meio da tarde de trabalho, já com fome e cheia de vontade de mandar tudo para o sumiço, apareceu-me com um prato de panquecas, empilhadas com banana e chocolate quente. E eu fiquei quase sem reacção, sem saber bem o que dizer, sabendo bem o que me queria dizer. E ali, ali mesmo, naquele momento, senti-a minha, tão minha, como às vezes sinto, raras mas como raios que me atingem até à espinha do ser. E é uma sensação estranha, misto de tantas coisas. Lembrou-me alguém que conheci, parece-me agora que já há muito tempo, quase irreconhecível, quase de outra vida, de tão longínquo me parecer. E estranhamente tive medo, medo por ela, talvez pela maneira como sente as coisas, como gosta, como mostra, os gestos doces e ternos que tem, sem ter ainda de mergulhar fundo em si, sem ter de atravessar camadas e camadas, tão à flor da pele lhe estão. Tão desprotegidos ainda. É arisca, é, tenho de a obrigar a, às vezes, deixar-me dar-lhe mimo, mas depois tem estas coisas, que não são ditas e que me deixam sem palavras, porque me sentiu triste, zangada com a vida, desalentada, deu-me um abraço inteiro, tão inteiro que só se podem dar por dentro de um gesto, como certas palavras só se dizem no silêncio de alguns olhares.
[O único problema foi mesmo que comi o prato todo, e agora que não ando a fazer o meu exercício diário à conta das minhas cruzes não deixarem e só me apetecer - também por isso - vociferar como gente destravada, está a pesar-me na consciência e não só... aparte disso, foi das coisas mais bonitas que me aconteceu nos últimos tempos.]
domingo, 25 de abril de 2021
sábado, 24 de abril de 2021
sexta-feira, 23 de abril de 2021
domingo, 18 de abril de 2021
Ahahah muito bom, até o olhar de comprometido dele :)))
Cá em casa só se fosse amiga :DD, o único moçoilo mora uns andares acima, ainda que, obviamente, seja visita diária, parte da casa mesmo, e adore colo mas não tenha a noção do próprio tamanho... de qualquer maneira, aqui os canídeos não entram na cama... pelo menos enquanto não me trouxerem o respectivo pequeno-almoço (meu, claro), depois poderei ponderar ;)
Bom Domingo :)
sábado, 17 de abril de 2021
Agora, comer qualquer coisa ao sol, depois depois um banho lento, com música e olhos fechados. Estou a precisar daquele clima Zen que às vezes me apetece, agora até mais frequentemente. É a falta da dose normal de Alentejo que me falta, deve ser isso. Se não escurecer e entristecer o tempo, uma passeata boa mais ao fim da tarde. Um dia à medida do que me apetecia. Às vezes penso que já não conseguia viver sem este tempo para mim, dias inteiros só eu e o que a disposição me for pedindo... é uma sensação divinal, a sério. Não sendo sozinha, só com alguém com quem estivesse tão bem como estou sozinha, o que não é fácil (acontece com a minha filha e sei que pode acontecer fora das teias do sangue), e isso responde a muita coisa. Suponho que é a grande diferença entre partilha e comunhão. Entre saber o que de mim partilho contigo e o que tu partilhas comigo, e saber, ou sentir, o que somos juntos, sem deixarmos de o ser quando separados. E não, não é perder a identidade, nem a personalidade, é não as sentir ameaçadas. É um estar com alguém que é como estar só connosco.
É querer muito, mas menos valerá a pena?












































