domingo, 16 de maio de 2021


 [ foto @therealdanaleigh]

Tantas vezes, a única coisa que se precisa é de uma certa luz a dar na alma. Não deixa de haver sombras, mas sabemos que são sombras da luz que se sente. 
A luz dos dias molhados de chuva miudinha e teimosa parece-me sempre a melhor para isso. A luz suave, doce e quase sorrateira, não fere, e atenua as sombras.

sábado, 15 de maio de 2021

 
Noto que me afasto de mim quando falo, e sinto, as coisas de que realmente gosto como que de amores antigos, distantes e arrefecidos. Pouco meus, como coisas que (nos) foram. Também aí o amor paixão está distante, acamado e consumido pelo tempo costurado dia a dia, dia após dia, desilusão ferida de desilusão. Ontem, ao fim do dia, cheguei a casa com dois livros novos. O primeiro, que foi “plantado” na minha secretária de trabalho logo pela manhã (o que me fez arrumá-lo discretamente e ficar muito sem jeito), pega nesta ideia que os livros são um refúgio e um gosto, talvez uma mania. Não lhe chamaria vício porque não lhe encontro contra-indicações. Talvez eu fale muito de livros, ou do que me fica deles (mesmo com a minha memória de galinha para citações fidedignas). O outro estava guardado desde os meus anos, e foi-me entregue ontem no primeiro jantar depois de sei lá quantos jantares perdidos para os tempos virulentos. Um jantar de risos à distância segura de matar distâncias outras, de petiscar a mesa e abraçar com os olhos à despedida, como à entrada tarde e a más horas depois de hora e meia de viagem. O terceiro - A louca da casa - é o livro que comecei, e que já não pego talvez há umas duas semanas, ou mais, não sei. E gostei do que já li, ainda que haja naquele livro demasiados pensamentos e sensações que me são familiares, em que ao mesmo tempo que acho piada a isso, não me faz questionar ou parar para pensar, pelo menos até agora. Diz coisas que já pensei ou senti, nesta coisa do escrever. Do sentir as palavras, ou o que raio é isto que nos leva a despejar-nos em símbolos descodificáveis. As frases com que se acorda, ou que surgem dalgum recanto nosso que não conhecemos ou reconhecemos, em qualquer altura e sem aviso, de sonhos a semáforos vermelhos, e que não nos largam até as escrevermos. Até dissolvermos o feitiço em palavras que nascem e crescem dessa semente. Dessa pequena loucura em que mergulhamos, como um submundo instantâneo da normalidade. Mas teve o efeito curioso de perceber que é coisa que afinal acontece a muita gente, sou menos louca do que me pensava, ou a casa que nos alberga é bastante maior que julgava. Afinal loucos assim há muitos. Dos outros também.

[por incrível que possa parecer, estão 3 canídeos não foto. As patas de um, parte da cabeça da caçula e um tiquinho, quase imperceptível, das pintarolas da mãe... tudo na preguiça ainda ]

quarta-feira, 12 de maio de 2021

 

[imagem @iuliastration]

... a sério que é nisso que estou a pensar. No fim-de-semana. E é mau sinal, muito mau sinal, quando eu almejo pelo fim da semana de trabalho tão cedo. Acho que comecei a pensar na sexta feira, logo na segunda de manhã. E não é normal em mim. Gosto de trabalhar, gosto de estar e trabalhar com outras pessoas, e agora não gosto das pessoas, nem do modo de funcionamento, (des)organização e afins. Não gosto. E não gosto de não gostar porque gosto do trabalho, do que faço. Mas sinto-me cercada e apanhada numa armadilha. Nunca quis estar onde não me queiram com real vontade, indiscutivelmente. E para uma sagitariana  não é coisa que aguente muito tempo.  Manda tudo pelos ares, mas vai... o meu único problema é que se ficar sem trabalhar vou dar em doida. Mais doida, isto é.

domingo, 9 de maio de 2021

 

E um dia acordo e sou mãe há quinze anos. Tenho um bebé de quinze anos. Acho que terei sempre um bebé, não importa os anos, mesmo que já não tenha tratamento de bebé, nem mo deixassem ter... Acabei de fazer um bolo.. quer dizer não sei se lhe chamaria bolo, é mais uma mixórdia, porque para quem é tinha de ser um bolo saudável (valhamedeus, um bolo e não pode ser declaradamente doce de açucar e com tudo que se tem direito... ao menos uma vez de vez em quando.. mas enfim, hoje as vontades são do bebé..)... então é substituir uns ingredientes, procurar receitas na net, e eu e a minha incapacidade de seguir receitas dá numa mixórdia que combina coisas de várias receitas, depois de perceber a correlação de quantidades... portanto não faço ideia se está comestível ou intragável. Se estiver bom, por outro lado, não a saberei repetir... paciência, inventa-se outra na altura. Mas na verdade acho que na cobertura vou furar o esquema da coisa... só um bocadinho, vá. Chocolate preto é antioxidante, né?

E hoje lembrei-me duma frase que lhe ouvi há dias, curiosamente na véspera do dia da mãe... depois duma conversa que começou com o espanto dela e a frase... "mas que mulher não é feminista? não existe!"... e eu respondi... "bom, existe, a tua mãe pelo menos" O que muito a espantou, porque como lhe disse as coisas não são lineares e devemos ter pensamento crítico e analítico - pensar sobre o que se ouve e lê, e depois concluir. Não concluir, apenas para fazer parte. Carneirada não é argumento e não devia ser opinião. Não lhe impus ideias, fiz perguntas, muitas das quais de que não sabia resposta, dei-lhe a minha opinião, que igualdade é ninguém ser melhor ou pior que ninguém, mas não aproveitar uma condição natural para ter benefícios injustos alegando que se está a combater desigualdades. E igualdade de coisas diferentes é só uma forma deturpada de emendar, errando. Igualdade e equidade são coisas diferentes. Eu não quero igualdade, quero justiça. E essa não depende do género, mas da condição humana. Falámos de aborto, do direito ao próprio corpo, da resposta evidente da decisão ser da mulher, não há igualdade aqui pois não? e da decisão de ter ou não um filho ser independente da vontade do pai, mas ainda assim ele ser responsável numa decisão em que nada garante sequer a sua participação (já que a decisão, porque de facto as coisas não são iguais e a natureza assim o determina, não é dele nem poderia ser, mas as consequências à partida são responsabilidade sua)... é justo? e as quotas? é justo? ou só uma humilhação em nome dum objectivo? uma injustiça em nome da mesma injustiça, do género garantir lugar. Então mas não era isso que se queria combater? Falámos de muita coisa, pus muitas questões, não para lhe dar a resposta, mas para que ela a pensasse e procurasse. Lembrei-me de noites inteiras em que fazia o mesmo exercício sobre outras coisas, com outras pessoas. Fazer perguntas, sem tentar obter respostas mas fazendo com que quem as ouve as pense mesmo que não dê conta. Nunca quis que pensassem ou pensem como eu, mas quero que a minha filha pense e defenda o que pensa sustentada em argumentos. Só pensando sobre as coisas e com uma análise critica penso que se pode lá chegar. No fim disse-me 

- adorei esta conversa, mãe, temos de ter mais conversas destas, há coisas que não sabia, outras não tinha pensado assim
- estou sempre aqui, filha. Sempre que quiseres.

E agora ver se o bolo já queimou...

sábado, 8 de maio de 2021


"Porque desta vez falei-lhe com toda a franqueza; o tema casamento foi discutido até à exaustão. «Antes de virmos para aqui, para o apartamento, eu apercebi-me de que, para ti, era penoso pronunciar essa palavra. Um dia, disseste-a, à entrada de minha casa, e tens toda a minha gratidão pelo facto de a teres dito. Serviu para que eu me decidisse a acreditar em ti, no teu carinho. Mas não podia aceitá-la, porque teria sido uma base falsa para este presente, que nessa altura era futuro. Ao aceitá-la também teria tido de aceitar que tu te submetesses, que te obrigasses a uma decisão para a qual ainda não estavas preparado. Em contrapartida, submeti-me eu, mas como é lógico, posso estar mais segura das minhas reacções do que das tuas. Eu sabia que, mesmo submetendo-me, não te guardaria rancor. (...) Por isso te digo que agora não tenho a certeza de que o casamento seja a nossa melhor solução. O que é importante é que exista algo que nos una; esse algo existe, não é verdade? Ora bem, não te parece mais poderoso, mais forte, mais bonito que aquilo que nos une seja isso que existe verdadeiramente e não uma simples formalidade (...) E, finalmente há o teu medo do tempo, de envelheceres e eu olhar noutra direcção. Não sejas tão melindroso. Aquilo de que eu mais gosto em ti é algo que o tempo não será capaz de te tirar.»"

Mario Benedetti, in A Trégua


"(...) ao aceitá-la também teria tido de aceitar que tu te submetesses, que te obrigasses a uma decisão para a qual ainda não estavas preparado. Em contrapartida, submeti-me eu, (...)" - esta frase foi talvez das que mais me marcou neste livro. Li, sorri, fechei o livro, percebi a sensibilidade do homem que o escreveu e o entendeu: o gesto de amor, dos mais belos e mais imperceptíveis. Acho que este pequeno grande pormenor passa ao lado de tanta, tanta gente; e este pequeno grande pormenor é amar, amar verdadeiramente. É incrível como isso passa tão despercebido, como não entendem, como quem vê de fora não percebe, que às vezes nos submetemos ao inimaginável para não submetermos, não obrigarmos, quem amamos ao que imaginamos não estarem preparados para fazer, para que, no fundo, afinal, não se submetam. Simplesmente não se submetam. E ao fazê-lo ser opção consciente, sem mágoa, sem exigência alguma, apenas por não querer provocar, ou de alguma forma forçar, uma reacção no outro que queremos que seja livre e espontânea: verdadeira. Só assim o admitimos - verdadeira -, seja qual for o tempo que precise para que nasçam em si certezas, porque só queremos alguém com a certeza genuína, que nasce por dentro, selvagem e livre, cheia de força. Só assim terá força, a força da vida que pulsa no sangue que o coração faz correr - que faz viver realmente. Provocar uma resposta não é responderem-nos, é reproduzirem o que queremos ouvir, não nos responde a nada, é uma espécie de monólogo estéril, que só contenta a quem gosta de se ouvir: quem não ama, não sabe amar. Porque quem ama só quer amar e ser amado - sentindo que ama e que é amado -, e isso nunca pode implicar submissão, a não ser ao próprio amor ("em contrapartida, submeti-me eu"...). Não se força, não se provoca, não se faz, surge, e quando surge tem a força que dá a certeza de ninguém ser obrigado a submeter-se - a não ser ao amor que os dois sentem, ou não vale de nada, não vale nada. E isto, isto que se sente assim, é uma coisa que o tempo não pode tirar, o que pode tirar - e tira certamente - é a certeza de que o outro nos deixa sempre submeter, sem nunca chegar o tempo, dentro do nosso tempo, de querer realmente ficar junto, e que "importante é que exista algo que nos una". E isso seja vivido.

[dei por mim a reler coisas antigas. fui à procura de registos de livros já lidos e deparei-me com isto. incrível, impressionante, continuo a pensar exactamente assim. não aprendi nada, poderá dizer-se. ou ainda não mudei de ideias. continuo a achar certas as ideias, estas ideias. há coisas que não podem ser de outra forma, ou serão da forma errada, e dessa forma continuo a não as querer. há coisas que só têm valor se escolhidas, se fruto da vontade, e não forçadas, obrigadas ou obtidas por insistências, como vitórias por exaustão. se isso é amor eu nunca amei.]

Dia de spa caseiro, preguiça lenta e sol no na leveza do azul céu. Mimar a solidão da casa em silêncio, só povoada pelos cães e pelas minhas conversas (parvas) com eles. Pensar em mergulhar num livro à tarde e nuns filmes afundados no sofá, à noite. Dia de voltar devagarinho aos quarenta minutos de ioga, de preferência sem dar cabo das costas, porque as costas definitivamente deram cabo do ioga (e não só) da última vez, por várias semanas, e eu nem sei como ou porquê, mas é capaz ser melhor ter cuidado, pelo sim, pelo não. 
Mas, nada, mesmo nada, começa antes dum café, não há ritual que se dê por iniciado sem um café. Talvez o próprio começo de dia seja uma ode ao café :)) ... como será possível o dia começar sem aqueles cinco minutos de pausa, inundados pela música que o cheiro a café toca na nossa cabeça? Quando o mundo pára, a nossa cabeça pode tocar músicas incríveis. 
Eu não sei de vocês, mas eu estou desconfiada que continuo meio (ou ainda completamente) confinada, sem grande euforia de desconfinamento... dantes o café era sempre fora de casa, numa esplanada e gente a entrar pelo olhar. Agora nem sei se quero sair de casa... acho que confinei a alma e não encontrei decreto que a desconfine, ou lhe acorde essa vontade.
 

sexta-feira, 7 de maio de 2021

 Tiraram-me as folhas douradas do outro lado da rua, mudaram-me as vistas e o poiso. Mudaram os escritórios, mas não mudaram as pessoas e as pessoas não mudaram. E eu acho que também não. E começo a pensar que algo vai ter de mudar. Prometi-me que não deixaria esta empresa mudar-me, multinacional ou não, grande grupo ou pequeno grupo. Prometi que não me ia tornar o que não gosto de ver, não gosto de hipocrisia e detesto joguinhos de bastidores, políticas e odiozinhos de estimação bem guardados por trás de sorrisos e pancadas nas costas. Oferecem ajuda para ficar por dentro das coisas, já percebi, já agradeço e dispenso. E dispenso também é por enquanto manda-los à merd@, mas não sei por quanto tempo. Voltando aos escritórios volta a sensação agudizada que as pessoas não trabalham umas com as outras, mas umas contra as outras. Nunca trabalhei assim, e prometi-me não deixar esta empresa entrar-me no sangue, por muito sangue que me ande a custar. Mas como em tudo, quando disser basta, é basta. Terá chegado a hora?

quarta-feira, 5 de maio de 2021


 “Siga as indicações” - e é o que fazemos sempre, né? Escolhendo as indicações que vão para onde queremos chegar... e na verdade é assim que tem de ser.
(bem se vê pelas indicações...)

Bom dia!

terça-feira, 4 de maio de 2021


 Hoje estou capaz de mandar tudo à.... sim aquela parte. Já acordei com esta disposição assassina, a manhã só a transformou em vontades de assassina psicopata. Não sei bem o que foi, mas sei que é tudo, esta gente com que lido todos os dias, esta confusão de que fazem profissão, esta parvoíce exarcebada e o descartar de tudo para quem vier. Isto e voltar daqui a nada ao modo iô-iô está-me a dar ganas de mandar tudo p’ro raio que os parta e ir rumo ao alentejo à procura do meu monte e doutra vida, com outras gentes. Irra no que me vim meter. O meu grau de falta de paciência e tolerância à estupidez não dá para isto. Apetece-me gritar mas a única coisa que sinto é tudo atafulhado por dentro e reduzido ao tamanho duma ervilha, pressionado sob o peso do grito que não dei, e de não os mandar para onde mandam toda a gente lá por aquelas bandas... isto hoje não está bom, pronto. Nada bom. 

sábado, 1 de maio de 2021

 


Nunca há uma altura certa. Ainda que se planeie, ainda que se pense e repense, ainda que se marque num calendário que não chega a ser tempo, mas só pensamento. Nunca se sabe o momento certo, então esperamos um dia sentir, ter a certeza, algo acontecer e tornar-se claro. Nem sempre acontece, ou quase nunca, e então espera-se, espera-se por alguma coisa que não se sabe o quê, e depois já não sabemos por que esperamos, até que continuamos à espera sabendo já nada esperar. Mas esperamos, ou deixamos o tempo passar sem calendário. O extraordinário que ansiamos acontecer, é dar um passo de fé, sem razão ou com ela, mas com vontade de chegar a algum lado pelo próprio pé, é fazer acontecer. Uma vontade que vença a inércia de ser, de continuar sendo. Mesmo que se revele ser o fundo do abismo, ou, com sorte, onde queríamos chegar. A alternativa é esperar até ao desespero, e depois, depois continuar, e desesperar por querer alguma coisa que nos faça acordar, dar passos, querer. Acordar é sempre um abismo. No tempo.

quinta-feira, 29 de abril de 2021


Dia de dançar. 
Eu dou-te música, e tu danças-me.
Tu dás-me música e eu danço-te.
Dançamos. Às vezes.

Nem todos dançam ao teu ritmo, nem todos ouvem a tua música, 
nem todos sabem dançar contigo. 
Nem todos te dão música que tu queiras dançar, 
nem todos (te) sabem dançar, 

mas alguns sim. 
Então ouve, e dança, e aproveita.


I put one hand on your round ripe heart
And the other down your panties
Everything is falling, dear
Everything is wrong
It’s just history repeating itself
And babe, you turn me on

Like a light bulb
Like a song
...

Like an idea
Like an atom bomb

BUMM!
[adoro o BUMM no fim]

quarta-feira, 28 de abril de 2021

 E a meio da tarde de trabalho, já com fome e cheia de vontade de mandar tudo para o sumiço, apareceu-me com um prato de panquecas, empilhadas com banana e chocolate quente. E eu fiquei quase sem reacção, sem saber bem o que dizer, sabendo bem o que me queria dizer.  E ali, ali mesmo, naquele momento, senti-a minha, tão minha, como às vezes sinto, raras mas como raios que me atingem até à espinha do ser. E é uma sensação estranha, misto de tantas coisas. Lembrou-me alguém que conheci, parece-me agora que já há muito tempo, quase irreconhecível, quase de outra vida, de tão longínquo me parecer.  E estranhamente tive medo, medo por ela, talvez pela maneira como sente as coisas, como gosta, como mostra, os gestos doces e ternos que tem, sem ter ainda de mergulhar fundo em si, sem ter de atravessar camadas e camadas, tão à flor da pele lhe estão. Tão desprotegidos ainda. É arisca, é, tenho de a obrigar a, às vezes, deixar-me dar-lhe mimo, mas depois tem estas coisas, que não são ditas e que me deixam sem palavras, porque me sentiu triste, zangada com a vida, desalentada, deu-me um abraço inteiro, tão inteiro que só se podem dar por dentro de um gesto, como certas palavras só se dizem no silêncio de alguns olhares. 

[O único problema foi mesmo que comi o prato todo, e agora que não ando a fazer o meu exercício diário à conta das minhas cruzes não deixarem e só me apetecer - também por isso -  vociferar como gente destravada, está a pesar-me na consciência e não só... aparte disso, foi das coisas mais bonitas que me aconteceu nos últimos tempos.]

terça-feira, 27 de abril de 2021

segunda-feira, 26 de abril de 2021

domingo, 25 de abril de 2021

 

[imagem @virgola_ ]

Há uns anos,  não sei quantos, lembro-me de  - também num dia murcho como este, de luz baça, fina e sem força - receber estas palavras "hoje é dia para uma revolução". Lembro-me de achar piada à frase, à alusão oportuna, e de responder qualquer coisa como "qualquer dia é um bom dia para uma revolução que se precisa e quer, é preciso é querer", o que eu acho que é verdade, e mostrava, também,  que na verdade não acreditava na frase recebida, ainda que não me tenha esquecido da frase, nem do dia - pelos vistos e pelo menos - até hoje. O dia de alguma forma ficou, mas apenas como mais um marco de nada mudar, e de sabermos tanta coisa, ainda antes de termos a certeza de que as sabemos há muito.
Cruzei-me com esta imagem, este dia é também celebrado em Itália, como o dia da liberdade, da libertação (no caso, em 1945 do fascismo nazista), e se para nós no ouvido ficou a vila morena e os cravos vermelhos nos mancham, hoje ainda, os olhos, em Itália é o Bella, ciao (que o pessoal agora conhece aparentemente - não sei que nunca vi - por causa da La Casa de Papel) e as papoilas, como o sangue derramado pelos campos numa flor selvagem que inunda esta época (e a que a canção alude), e que deixou tanta gente, por tanto tempo ainda, nos braços daqueles que por lá morreram. Há coisas assim, abraços que não se desfazem com o vazio; guerras que não terminam com o baixar das armas, com o silêncio da paz. Tenho a dizer que entre cravos e papoilas nem tenho de pensar, mas fico a pensar que a revolução não é só num dia, nem um dia só, é o que depois se faz com ela, o que se atinge, o que nasce, o que cresce, o que morreu e como acarinhamos o que ganhámos. E acho que há muito a pensar e repensar do ponto a que chegámos e de quantas revoluções ainda precisamos, enquanto pessoas e enquanto cidadãos. Eu precisarei de muitas, mas não hoje, hoje o dia não está para revoluções (também este ano, afinal).

sábado, 24 de abril de 2021

Hum. Inverno outra vez... 
... isto de nos darem um cheirinho de alguma coisa para nos lembrar da falta que faz, e depois pimba.... puxarem-nos o tapete e servir-nos de bandeja essa falta que nem nos lembrávamos que tínhamos, tem muito que se lhe diga... este S. Pedro é fresco, é... sabe-a toda, o danadinho! hum! 
Uns vestidinhos leves, novos, e tudo e coiso, e nada de os poder estrear, como quem começa uma estação nova de vida, nada. Toma lá outra vez chuva, mas sem fazer sentido um camisolão quente e grosso ou acender a lareira, pois. Hum. 'Tá certo... Se pegasses nessas teorias psicológicas todas, e as enfiasses onde decerto não há verão, é que fazias bem, e eu, hoje pelo menos agradecia. Parece qu'é parvo!
Hum.

 

sexta-feira, 23 de abril de 2021

O corredor mede dez passos. Há dias, ao percorre-lo a caminho do quarto, de luzes apagadas só com a luz do visor deste bicho, como em todas e tantas outras noites... mas dessa vez, não sei porquê, ou de onde, um pensamento atravessou-me e tem insistido comigo: se eu acabasse naquela instante, o que pensaria eu?... e dei por mim a pensar, não sou pela ideia de viver cada dia como se fosse o último, não, mas cada dia tem de valer alguma coisa, e como que ser parte dum caminho para o que queremos... e no entanto, que ando eu a fazer dos meus dias nos últimos tempos? Nos últimos meses? No último ano? Valeria a pena se tivesse de fazer as minhas contas amanhã? Qual o saldo? O balanço? O resultado, a soma ou o que for e lhe quiserem chamar?... E não, acho que não valia. E apesar de todos os memorandos que os dias me têm deixado de que devo já ter passado o terceiro prazo de validade (o meu irmão já me informou que já passei dois), de o espelho mo devolver sem reclamar, de ter passado a última semana empenada, sem aguentar-me em pé mais de dez minutos sem que me passasse de dores, sentada todo o santo dia como se tivesse engolido um garfo que não pedi, não... apesar dessa pequena questão dos lembretes de que o tempo passa com um registo próprio e natural no corpo, não ando mal (agora até já consigo andar normalmente! upa upa!!... valhamedeus ao que isto (já) chegou...) ou triste ou revoltada ou deprimida, não, mas também nada do que poderia ser o seu contrário. E isso, isso é já de si um prejuízo enorme, não? Eu acho que sim.

E o corredor continua, e sempre foi um caminho de dez passos, mas desta vez trouxe-me isto: uma vida que não sendo exactamente o que quero, não deixa de ser o que quero, uma vida que podia ser tão boa, sem para isso ser o contrário do que é hoje, naquele dia, agora. 
 Há pensamentos estranhos na escuridão que percorre um corredor à noite, e no entanto nunca acendo a luz... eu sei o caminho.

segunda-feira, 19 de abril de 2021



 Ahahahah 

Não me posso esquecer desta, para usar sem moderação sempre que aplicável :D

domingo, 18 de abril de 2021



 Ahahah muito bom, até o olhar de comprometido dele :)))

Cá em casa só se fosse amiga :DD, o único moçoilo mora uns andares acima, ainda que, obviamente, seja visita diária, parte da casa mesmo, e adore colo mas não tenha a noção do próprio tamanho... de qualquer maneira, aqui os canídeos não entram na cama... pelo menos enquanto não me trouxerem o respectivo pequeno-almoço (meu, claro), depois poderei ponderar ;)

Bom Domingo :)

sábado, 17 de abril de 2021

 E demorou o dobro do tempo, porque o dobro da plateia com vontade participativa é um problema... até que se desiste e se expulsa a plateia, pois. Tudo lá para fora.
Agora, comer qualquer coisa ao sol, depois depois um banho lento, com música e olhos fechados. Estou a precisar daquele clima Zen que às vezes me apetece, agora até mais frequentemente. É a falta da dose normal de Alentejo que me falta, deve ser isso. Se não escurecer e entristecer o tempo, uma passeata boa mais ao fim da tarde. Um dia à medida do que me apetecia. Às vezes penso que já não conseguia viver sem este tempo para mim, dias inteiros só eu e o que a disposição me for pedindo... é uma sensação divinal, a sério. Não sendo sozinha, só com alguém com quem estivesse tão bem como estou sozinha, o que não é fácil (acontece com a minha filha e sei que pode acontecer fora das teias do sangue), e isso responde a muita coisa. Suponho que é a grande diferença entre partilha e comunhão. Entre saber o que de mim partilho contigo e o que tu partilhas comigo, e saber, ou sentir, o que somos juntos, sem deixarmos de o ser quando separados. E não, não é perder a identidade, nem a personalidade, é não as sentir ameaçadas. É um estar com alguém que é como estar só connosco. 

É querer muito, mas menos valerá a pena?

sexta-feira, 16 de abril de 2021



 Bom princípio, este :) concordo. 

(ainda que nem sempre com um bom fim, mas pelo menos terá dado para aquecer da maneira certa :) )

quinta-feira, 15 de abril de 2021


 [foto @alongruber]


- Começou tudo mal... se tentássemos não iríamos durar nada.

- Como sabes? Porque dizes isso? Do que oiço nada é mau, gostas da pessoa, das ideias que tem e defende, admira-la: a sua forma de ser, de agir, de pensar. E há ternura, além de paixão. Amizade, querer bem... se isso é um mau começo, não faço ideia como possa ser um bom!

- Não percebes, não ia dar certo, não podia durar muito. 

- Numa coisa dou-te razão, se achares que não vai dar certo, não dá mesmo. É escusado. E acho que é mesmo isso que estás a fazer, a assegurar-te que não dá, matando antes até de poder viver. É mais fácil ter medo de ser feliz, de que dê certo, porque ser feliz é também o risco enorme de deixar de o ser...  É muito mais fácil desistir e não pensar mais nisso - ou tentar, e garanto-te que vai ser difícil esqueceres depois todos os "ses"- do que desistir sabendo que podia estar ali a tua felicidade.  Por isso convences-te que afinal não ia dar nada, afinal desistir dum fracasso é fácil. E é isso que estás a fazer, a contrariar tudo de bom que vês, tens e sentes!, para te convenceres dum fracasso. Porque só assim consegues desistir sem dor. Auto-sabotagem, um clássico no seu melhor (ou pior). Acredita em mim, pelo que dizes, o começo não é mau, pode é não ser fácil, mas esse fim, apesar de fácil, é o pior. Não fujas de ser feliz, pondo as culpas na vida e nas circunstâncias. Há piores e mais difíceis distâncias que as físicas, e se fores por esse caminho vais acabar por descobri-las. Vais um dia estar ao lado de alguém, e entre vocês caberiam todos os oceanos. Não escolhas isso.

[é engraçado como há conversas que não sendo iguais, são as mesmas. Como tudo é diferente, mas como tudo se repete, de uma forma ou de outra, com uns ou outros contornos. Os contextos variam, as essências não. E a auto-sabotagem, o não acreditar em algo bom, o estar-se tão comodamente instalado no mau ou medíocre, que se prefere o conhecido à audácia de esperar mais, merecer mais, acreditar em mais, e principalmente arriscar ser feliz ou mais feliz e poder perde-lo. Afinal desistindo não se chega a perder nada, porque não se tem nada que doa muito perder. A covardia tem muitos contornos, mas a essência é a mesma, e todos se calhar lá caímos, de uma forma ou de outra. Ou o tempo assim nos convença a fazer, por nos fazer crer que já não há mais. O medo destrói mais que a dor.]

quarta-feira, 14 de abril de 2021

[foto @seeavton]

 Está uma noite óptima, oiço aqui e ali pingos a caírem atrasados da chuva, de resto só silêncio e noite e palavras por desenovelar. Nem sempre estamos para nos desenovelar, às vezes parece confortável deixar  novelo como está, não se mexe não se apertam nós sem sabermos. Também é certo que não os desfazemos, mas se estiverem quietos e sossegados no seu novelo, imóvel num qualquer canto, não damos por eles, não os vemos não os sentimos não nos lembramos que estão lá para um dia os tratarmos, se quisermos fazer alguma coisa da linha. E aqui, penso que queremos sempre, mas não a qualquer custo. E é por isso que há cantos escondidos com emaranhados escancarados. Hoje não quero tratar dos meus, mas não sei porquê estão escancarados à beira da alma que se esconde atrás deste silêncio. 

[e antes de vir para o degrau da varanda estava a ouvir isto:

...e encaixa]

terça-feira, 13 de abril de 2021

 


Primeiro café fora de casa há muito tempo, já não sei quanto. Mas tive de sair de casa e aproveitei para fazer algumas coisas que precisava, uma delas passou por, nos entretantos, pagar sententa cêntimos por um café. E sabe-me bem, mas não sei se me sabe melhor do que o que eu tomo na minha varanda, e sai mais barato. Só não vejo gente, falo com pessoas a quem vejo (apenas) os olhos, e troco sorrisos só porque sim, porque as pessoas parecem gratas por poderem servir um café, e nós por podermos pedi-lo e pagá-lo. 

domingo, 11 de abril de 2021



[imagem @iuliastration]

 Começar o dia, sem saber como começar, ou por onde... café ou ioga? Há quem ache que não tem de ser uma escolha :)) 

... não é o meu caso, aqui café vem depois. Primeiro tem é de aparecer a vontade de sair da cama... essa ainda não compareceu. Aguardamos pacientemente. Tentamos impacientar a espera pondo em filinha indiana tudo o que queremos fazer hoje. Mas verdade seja dita, não sei se está a ajudar ou desajudar, há uma vontade imensa de fechar os olhos e não querer saber de nada, esconder o dia debaixo dos cobertores, dentro do conforto quente. Mas sei que quanto mais jogar este jogo mais rápido terá de ser o dia, com tanta coisa dentro... e não apetece. 

terça-feira, 6 de abril de 2021

 


You live your life, you go in shadows
You'll come apart and you'll go black
Some kind of night into your darkness
Colors your eyes with what's not there

Fade into you
Strange you never knew
Fade into you
I think it's strange you never knew

(eu e a mania das letras das músicas...)

Não é a maneira mais enérgica de começar o dia, mas foi o que me apareceu enquanto me preparava para começar o dia de trabalho, e soube-me bem o ritmo que me apareceu no shuffle do espotifas, e que eu não conhecia... estou a ficar uma fã do espotifas... só o acho ligeiramente esquizofrénico quando passa a vida a insistir em eu voltar para o premium... nunca lá estive! Nunca! O gajo quer enganar-me para eu voltar para onde eu nunca estive... o chico esperto, pensa que a esquizofrénica sou eu... só pode. Mas enquanto vamos tendo estas conversas parvas e doidas logo pela manhã é porque tudo vai bem no reino da Dinamarca... ou seja, por aqui :)

Pouco depois foi isto, e bom, é só para quem se atrever, que o lado selvagem não é para todos, 
e ainda bem, suponho, há dias em que também não é para mim ;)

 

ahahahah... muito boa!

... apanhei isto agora e não resisti, até me fez lembrar uma conversa que começou há dias aqui, na caixa de comentários... anda por aí muita vontade dos festivais, anda anda... Até eu, que até acho que não me dou mal com o confinamento e o recato do lar, a primeira vez que olhei, pareceu-me um concerto daqueles que já me apeteciam numa noite boa de Verão, boa música, boa companhia, qualquer coisa para beber.... e acho que até acomodava o choque do excesso de multidão. Mas pronto, são só máquinas ceifeiras... enfim, cada um com os seus festivais :))

segunda-feira, 5 de abril de 2021



 [imagem @jesuso_ortiz]

... o que me apetecia hoje é a sensação que esta imagem me deu quando me apareceu à frente. Apetecia-me uma coisa simples, um tempo simples, sem ponteiros ou pressas, ou obrigações, ou stresses ou.. ou... sei lá, se calhar apetecia-me ser pequenitates outra vez, e ter colo, e sorriso de flor e leveza de azul-céu... apetecia-me achar os dias de sol doces e livres como campos de papoilas para os olhos... apeteciam-me coisas esquisitas. E margaridas. Adoro margaridas, já vos tinha dito? Hoje não ;))

domingo, 4 de abril de 2021




 Trouxe-os para aqui com um propósito, rever as páginas dobradas e escolher algumas passagens para deixar o registo histórico que tantas vezes gosto de rever... mas acho que não estou com pachorra. Do primeiro, o que me ficou essencialmente foi uma cena relatada ao inicio de que senti vontade até aos ossos... descobrir um lugar qualquer, num fim de mundo improvável, sítio pequeno a contrapor a beleza e tranquilidade do lugar, tirar três meses ao quotidiano para os acrescentar à vida, alugar uma casa com vistas e uma varanda generosa, e levar na bagagem só tempo, música, livros e um computador para escrever. Assentou-me tão bem a ideia que se me gravou na alma como uma memória futura. De resto, é de leitura cómoda e leve, exactamente o que eu estava a precisar e queria ler nesta altura. O título - Não se encontra o que se procura - arrastou-me logo ali na livraria quando lhe bati o olhar, porque é uma frase cujo sentido eu repito há muito, e sinto-o muito como o meu sentido. Este livro do Sousa Tavares, curiosamente remeteu-me para o que comecei a ler há dias - A Louca da Casa, da Rosa Montero - ele refere o livro e a autora, assim como inúmeros livros e autores. Como que em conversa com o leitor, vai partilhando ideias e livros, faz também uma leitura à direita de alguma história do nosso país. E é um tipo de diálogo que gosto, não impõe, mas apresenta, comenta, talvez por isso tenha gostado do livro, como uma espécie de tira-gosto, algo para limpar o paladar entre livros de outra estirpe. Não sabia que tipo de livro seria, comprei, não pela capa, mas pelo título :) e não me arrependi. Seguiu-se o do Machado Vaz. Gosto de o ouvir e gostei razoavelmente do seu romance "Muros", que li há anos. Também não sabia o que esperar deste livro - à Escuta dos Amantes -, soava-me à partilha da vasta experiência que tem em ouvir pessoas e as suas histórias no seu consultório: as relações, o amor, a desilusão, a vida afinal. E ainda que num formato completamente desformatado cativa, porque é isso tudo, é mais que isso, mas não chega a ser isso... ou seja, é uma amálgama de tudo. Aqui não o descreveria como diálogo, mas como monólogo sobre várias facetas da vida partilhado com o leitor, e sei de muita gente que fazia bem em lê-lo e pensá-lo em várias vertentes, também me fez pensar nalgumas coisas e tem várias páginas marcadas. Gosto de algumas coisas neste homem, uma delas é chamar amantes a quem ama, quem pratica o amor, quem o sente, quem o dá, quem o sabe receber. Não, amantes aqui não são relações paralelas, ainda que possam ser, porque pode tomar muitos formatos, desde que a essência seja essa, até podem ser casados (vejam lá o escândalo ;) ), assim como classifica a Amizade como uma forma de amor, uma das suas facetas. Os amantes têm de ser amigos, mas os amigos não precisam ser amantes, são coisas diferentes mas que se tocam em muitos pontos.

[agora não me apetece escolher e transcrever aqui um ou dois trechos, daqui a bocado pode ser que a vontade assente, gosto de fazer esse exercício de deixar aqui partes que gostei, ou que me fizeram pensar, dos livros que vou lendo... há que vencer a maldita preguiça bahhhh]


 [foto @hash.photografy]

Bem sei que não se parecerá muito com o habitual coelhinh@ da Páscoa, também é certo que não se avistam ovos, mas também, ao que sei, é suposto estarem escondidos, e a bem da verdade, o raio do coelho nunca combinou com os ovos, convenhamos... 
 E, apesar da falta de semelhança, atrevo-me a arriscar que poucas casas devolveriam este coelhinho da páscoa, aparecesse a criatura por lá... mas pronto, eu não percebo nada disto, já sabemos.

Boa Páscoa, pois :)

 

É este mocinho que me tem feito companhia todas as noites nos últimos tempos até adormecer. É um bocado parvo muitas vezes, é atrevido q.b. (um bocadinho mais não se perdia, mas o equilíbrio nestas coisas é ténue, e arriscado..) como manda o figurino, e bom... tem um figurino, que deixa qualquer uma bem disposta das vistinhas, e quando se ri ninguém resiste ( mas ri-se mais nas temporadas finais)... e por ninguém quero dizer eu, ou quem como eu, claro... Harvey Specter é o nome da personagem que representa na série Suits, que alguém há uns tempos me disse para ver, que ia gostar, e acertou (também disse que havia coisas em que eu lhe fazia lembrar uma mocinha da série, mas caramba aí não pode ter acertado, devia estar a treler, só pode). Gosto das piadas inteligentes entre eles, do sarcasmo, da cena de andarem sempre a trocar citações de cenas de filme (muitas não sabia, algumas procurei), gosto de algumas das jogadas que usam para ganhar processos, embora goste menos do exagero de manipulação e  estratégias manhosas em que às vezes caem (eu e a manipulação não nos damos muito bem) e que cansam um tico, mas, em resumo, diverte-me e em cada episódio devo dar duas ou três gargalhadas bem dadas (sim, as bem dadas são diferentes, não se enganem) às custas deste menino e companhia... pelo que tem valido a pena. Já estou a meio da última temporada, e assim de repente é como se tivesses saudades. E ainda não acabou. Saber que vai acabar, que o fim está próximo, certo e seguro, também dá saudades... há coisas estranhas, não há?... se calhar não.

sábado, 3 de abril de 2021


 Uma tarde para as meninas esticarem as pernas... a mãe sempre de focinho no chão, a filha sempre com as orelhas no ar...  as duas doidas. Não consigo levar as duas ao mesmo tempo, foi uma de cada vez, o que deu trabalho a dobrar às minhas pernas... mas o tempo estava a convidar e estávamos as três a precisar de sair de casa. Não fomos muito longe, mas fomos onde quisemos, quer dizer eu, porque elas de certeza tinham ido mais longe e mais tempo :) agora ler um tico, enquanto se aproveita o sol que resta, que segunda feira está quase aí... 

 

... se ele existe, é um gajo de vodka, sem dúvida... 
... por vocação ou - coitado, não deve ser fácil nem lhe gabo a sorte - necessidade profissional...
mas ao menos que não a bebesse sozinho, 
dividíamos a meias... 
...a garrafa e o faz-de-conta, já agora.

sexta-feira, 2 de abril de 2021

 

[foto @lagiachin]

A esta hora a preguiça está no auge, e só penso que segunda está tão perto, e que não me apetece. Também os dias de trabalho deviam manter a devida distância... como, aparentemente, a "normalidade" continua a manter. Mas o normal é só uma perspectiva, um hábito, um dar por certo ou garantido, é um ritmo que se institui, uma forma de viver que se aceitou como boa, é uma regra por suposta maioria, talvez... nunca gostei da palavra normal, como sempre embirrei com a  palavra especial (esta quando aplicada a pessoas), pela mesma razão, e que me foi sempre tão próxima. O especial é raro, o normal é estatística, é uma espécie de maioria registada. O ser especial não é sempre bom, é só diferente, com tudo o que isso traz; o ser normal é não se distinguir e isso não é sempre mau, muitas vezes não é. Tantas vezes ao crescer quis apenas ser normal, sentir-me igual, muitas vezes me irritei quando achavam que chamar-me "especial" era elogio (até porque soava a prémio de consolação antes de um qualquer mas... e isso não mudou). E estas questões sempre foram em mim um jogo de espelhos, onde me vejo e vejo outros, onde penso por mim e por outros.
O normal tem sempre companhia, o raro caminha sempre mais só. Mas tudo, tudo é sempre uma questão de contexto, de enquadramento, de perspectiva. Peguem no mundo e virem-no ao contrário - é o mesmo mundo, mas nada é igual (como os dias que vivemos, impensáveis há dois anos). Peguem numa foto normalíssima,  e ponham-na de pernas para o ar, e já olhamos duas vezes, já nos prende mais. e é só uma diferença de angulo, neste caso de rotação. Não é nada de especial.



 E, então, quando assim é, o que distingue as atitudes é a esperança e a coragem. E parece-me que não há uma sem a outra. Para ter esperança há que ter coragem de pelo menos arriscar sem ter porquê... ou quando o porquê é só não estarmos bem,  por querer-se mais ou diferente, esperando melhor. Coragem só tem quem tem esperança de ser possível, de por poucas que sejam as hipóteses, a mera possibilidade nos agigantar. A possibilidade e a vontade de a concretizar. No fundo, em quase tudo, o que distingue as pessoas é o que fazem, sem terem de o fazer, e por que o fazem. 

quinta-feira, 1 de abril de 2021

 Às vezes o pior que nos fazemos é boicotarmo-nos sem dar conta, é termos um medo curioso e paradoxal do sucesso,  da felicidade... como se duvidássemos se o merecemos ou não, e de tão habituados à sua falta, a ideia torna-se quase uma mudança que não saberíamos gerir, incómoda. Uma ideia que assusta mais que encanta, e de que fugimos pelas sombras do inconsciente, dizendo correr atrás.  

Acho que é um bom mote [ a frase do Bukowski, isto é] para um novo mês. E até acho que não é mentira :) cuidado com as que vos contam... e ainda mais com as que contamos a nós mesmos, e essas não têm dia marcado... 

bom dia!

 


[ e a acabar a noite, de temperatura tão boa que não apetece sair dela, apareceu-me isto no shuffle... gosto. há casos de bons acasos ]

 Verdade.

Para ler de novo, e outra vez, e não (me) esquecer.

segunda-feira, 29 de março de 2021

 Ahahahah 

Fartei-me de rir quando me mandaram isto... 

bom dia!

 Tu e eu, finalmente. Na varanda, na primeira noite em que o frio não encurta o tempo de olhar o luar pousado em cada coisa. Daqui não vejo a lua, mas distingo a luz prateada que inunda as sombras, vejo o clarão quase por cima de mim, em que o céu deixa antever o que os olhos não encontram, mas sabem. Há muita coisa que é assim, não? Se calhar não, e estou enganada. Quem sabe? E quem quer saber? Eu não. Não importa. Agora o que importa é que vou estar os próximos dez minutos a fumar o meu último cigarro do dia, que é também o segundo, mas guardado até agora. Guardamos o que queremos aproveitar totalmente, quando tivermos dez minutos para fazer deles os melhores que poderíamos. Aquilo que se pode guardar, pelo menos...  porque nem tudo pode ser guardado, infelizmente. Ou felizmente. E hoje precisava deste ritual de encerramento, de fecho, de qualquer coisa que me fechasse em mim sob a primeira noite deste ano onde, à noite e a estas horas, não tenho frio, mesmo sentada no degrau da varanda, como tantas vezes, a olhar o céu e a gozar o ultimo (e não fosse por outro, o único - o que também acontecerá curiosamente em muita coisa... ser quase único) cigarro do dia.

domingo, 28 de março de 2021

 [foto @hana_photographer11]

Eu a olhar para ele, e ele - juro que parece - a olhar para mim. A pensar em consumirmo-nos, e só esta ideia é já um prazer, e por isso se prolonga. A ideia de um prazer é já prazerosa, por isso às vezes adiamos o prazer, aquela hora em que, derradeiramente, nos entregamos e largamos as rédeas - balançamo-nos livremente na sela ao sabor do galope. E eu olho e - juro que parece - ele olha-me também, com o mesmo desejo, quase volúpia. E assim ficamos, neste adiar do prazer para que nunca se extinga - o destino de todos os prazeres. Mas que se renova, felizmente ou não. 

E tudo isto porque afinal ao fim‑de‑semana - e eu já não me lembrava - só vendem tabaco até à uma da tarde.... Grrrr que seca pahhhhh vai uma pessoa ao supermercado e depois toda lampeira às bombas para reabastecer os 4 maços de tabaco para a semana... e é isto! A modos que estou aqui a olhar o último moicano no maço e a poupa-lo, porque até amanhã não há mais... isto porque a última remessa durou mais e descalculou-me o período de stock... Fonix!, se ao menos me safasse com pastilhas elásticas... mas não... amanhã além de cigarros terei de reabastecer o stock de chocolate preto cá de casa... raios!!

sábado, 27 de março de 2021


 Tem resultado, não sei bem o quê, mas tem resultado... até agora em Março só me baldei um dia - um único dia! Estou espantada comigo, essa é que é essa! Não sei se as fotos destes meninos a olharem para mim têm ajudado a manter o espírito e a vontade... mas, enfim, mal não fez de certeza. Aos olhos pelo menos faz bem :) agora é tentar manter o ritmo e ficar mais desempenada e menos crocante ao levantar :D  hoje é dia de yoguiiii mais prolongado... estou a ver se o sofá me expulsa para ir dar conta desse recado... entretanto vejo este mocinho - que, digamos, não apanharia chuva no meu quintal, nem preguiça no meu sofá... - tão cheio de saúde, e regalo os olhos a adiar a minha... Ahh a ronha de fim‑de‑semana, coisa tão boa!

sexta-feira, 26 de março de 2021

 - ... têm aí uma cadeira vazia.

- nós sabemos.

[das coisas que algumas pessoas não entendem... e são tantas e tão diferentes! Algumas não sei se mesmo perguntando e respondendo lá chegarão...]

quarta-feira, 24 de março de 2021

 A memória já não tem o cheiro a tinta fresca. E não me lembro de me aperceber disso antes de agora, cheirava sempre como quem tinha acabado de ser pintada, cheiro a novo, hoje, ontem, há anos, sempre. Não agora, não este hoje. O luto parece que já as faz descascar e despir da sensação do agora, espalham-se os restos pelo chão que se arrasta já debaixo dos pés. Quase dois anos afinal - para muitos, mais que suficiente para deixar morrer gente que não queremos deixar viva em nós, e aquela cena, quase banal, da série das últimas noites, fez-me disparar entredentes e sem dar conta... “já não sei o que isto é”... e não, já não sei, e já nem consigo lembrar com as cores todas, com tudo, com o agora na pele, com o ainda aqui, com o já da urgência que já se viveu. Não, já não cheira a tinta fresca a memória, tão cheia de memórias que se perdem em momentos perdidos. Já nao cheira a vida viva. É o luto, é o luto que já não luta, aceita e entrega-se ao desfiar do tempo, das cores, dos sentidos, ao já não saber o que é sentir no agora, um agora que ficou sem passar durante tanto tempo, e que afinal nunca foi. Já não sei o que é viver, estar, mergulhar, naquela sensação. Navegá-la, mergulhando a alma inteira. Se tiver sorte, nunca soube, e quando o souber, não quero sabê-lo sozinha. Para o saber realmente, não poderá ser.  

terça-feira, 23 de março de 2021

 E seria uma boa noite, uma óptima noite.

Algumas viagens podem fazer-se sem sair do sofá. Como algumas das melhores voltas ao mundo.

segunda-feira, 22 de março de 2021

 


Ontem na nossa passeata a várias patas, reparei nisto. E não é que concorde, discordar também não será bem o termo... todos teremos alguma coisa de pedra, uns o coração, outros têm uma cabeça dura como pedra, alguns a certeza de certas convicções, outros ainda uma armadura granítica, mas não, não seremos todos pedra... Já calhaus, é diferente, haverá vários géneros e famílias, e graus... mas fiquei a pensar qual será o assumido grau de calhau de quem o escreveu na parede...

domingo, 21 de março de 2021

 

Ronha, preguicite, disposição para dolce fare niente... mas até já fiz muita coisa hoje. Obriguei-me a dormir mais quando a Pintatolas me foi acordar às nove da matina. Negociei com ela (só eu e ela em casa)  prolongar o sossego, acarinhar o domingo desde que nascemos para ele... e adiar esse nascimento... e concordou, ficámos até às onze. Depois, saltar da cama dar-lhe de comer e aos outros, dar um tratamento ao trombil, dedicar-me a uma sessão prolongada de ioga que ainda sinto nos músculos, fazer as famigeradas limpezas de fim‑de‑semana devidas (agora muito aliviadas, graças a deus a senhora que limpa e passa já regressou... a falta que ela me faz valhamedeus, é o luxo mais necessário que tenho), e finalmente, saborear na varanda a minha omelete e salada, com chá e agora um café, com sol. Só ainda estou porquicha, ainda não fui ao chuveiro... vou aproveitar um tico de sol, acabar o meu café, ler um bocadinho se calhar, pintar as garras talvez... e depois vou. Não há pressa hoje. Nem pressa para ter pressa. E nisso ando a pensar muito... quando isto voltar mais ao "normal" lá vou eu acordar duas vezes por semana às seis e meia da matina, sair às sete e meia para chegar às nove onde tenho de estar... dormir por lá, andar de mala atrás, faltarem-me as minhas coisas e as minhas pessoas também... não me apetece voltar ao normal, consigo trabalhar em casa muito bem, ir lá de vez em quando, aconchegar a minha cama todas as noites... enfim, essas coisas. Mas não faltará muito para todo esse carrossel me dar a volta à cabeça... mas foi o que aceitei e gosto do que faço. Tudo tem um preço, pelo menos comigo parece assim, nada vem sem exigências, sem ter de dar de mim coisas que gostaria de manter. Mas é a vida, dizem; e apesar de tudo gosto dela, escolhi-a, essa é a verdade. Escolhemos para nós o que, feitos todos os balanços, preços e valores, gostamos.

sábado, 20 de março de 2021

 Ontem foi dia do Pai. E tomei café com ele na varanda cá de casa. Há mais de um ano que não vinham cá a casa. Ontem aconteceu. Passaram de carro nas suas (poucas) voltas fora de casa, e viram-me. Pararam e subiram, o meu pai tinha levado pilhas novas (como ele diz) na consulta do dia anterior e lá subiram, ainda sem elevador. O meu pergunta-se se ainda o estreará. Eu sei que sim porque não sei saber outra voisa, nem quero. Tirei dois cafés e fomos para a varanda, longe mas à distância do olhar. Estava sol, mas frio, mas lá fora é melhor que cá dentro, e lá ficamos um bocadinho, eles os dois e eu, a miúda um tico ainda antes da aula. Não fossem as máscaras depois do café, quase parecia normal. Ou melhor, quase parecia que não temos de andar a fugir do vírus, normal há muito que não é. Antes de saírem disse-lhe: 

- amanhã vou fazer um bolo e levo-o para comermos no jardim, que hoje é dia do pai.

- Ahh é? Então devia ser hoje, ora!!

- Pois, mas não foi, hoje foi a notificação para amanhã, e café...

Ele riu-se, sei que prefere a uma qualquer prenda, prenda só talvez vinho, para o bebermos juntos, o que agora não acontece... e prefere porque é guloso, sim, mas principalmente porque sabe que é um mimo especial. Sabe que só me enfio na cozinha por pessoas que gosto, que quero mimar, pessoas que quero que saibam que gostar de as mimar faz-me gostar de me enfiar na cozinha e ver o que sai... e se irão gostar (vulgo se estará comestível, ou pelo menos não-intragável...)

Estou aqui à espera que o forno acabe a sua magia, para lho levar e dizer que quero muito para o ano fazer-lhe outro, quero muito, mesmo muito. E acho que ele sabe, mas não dizemos nada. Somos esquisitos, dizemos coisas sem falarmos. Somos uma família estranha, e isso é normal. Sempre foi.

sexta-feira, 19 de março de 2021

 


As mulheres há dias em que acordam e precisam de se sentir bonitas, desejadas. Outros dias querem sentir que são ouvidas, consideradas. Dias há em que precisam de saber da sua competência, seja o que for a que se dediquem. Depois há aqueles dias em que não querem saber de nada, só querem o seu mundo e a sua dimensão, e que não as chateiem no seu sossego. Não querem saber de mais nada. No meu caso, hoje, e é bom, o sol chega-me, trazer a Pintarolas ao jardim e deixar-me baloiçar entre um minuto e outro de não fazer nada...

Os homens acordam e acho que a única coisa que querem e precisam é de não terem problemas que não saibam resolver, e alguém ao lado que não lhes recuse o toque. Têm menos botões, serão mais simples, mas se calhar nem sempre. Mas o que não admira é que a felicidade conjunta esteja pelas ruas da amargura na maior parte dos dias... mas talvez hoje seja um dia bom, sexta-feira e tudo...

quinta-feira, 18 de março de 2021

 


Ando para falar desta moça há tempos, mas adio por preguiça, ou qualquer outra coisa que me faz não querer seguir o fio à meada. Porque tenho sentimentos muito diversos em relação à bicha. Tem muita coisa que me irrita até à medula... nunca me passei tanto com um bicho. E acho que nunca admirei tanto uma ternura assim, um coração que só deve vir em tamanho de cão e este mesmo nessa categoria é enorme, incomensurável. A mãe conquistou-me e é muito mais minha, esta é um caso à parte, outra categoria, ou talvez, sem categoria que lhe caiba. Já levou umas tareias, que não lhe doem mas me deixam as mãos feitas num oito, ela é dura como ferro, só músculo. E inconsciência, completa. É uma criatura com um jeito muito próprio, ou muita falta de jeito. Tem focinho de patetona, nunca conheci focinho com ar tão pateta, e ela está à altura do focinho, só vos digo. Se fosse gente devia ser daqueles super optimistas, cheios de teorias positivas e muito inconsciente. Nada a faz parar, ou pensar. Faz uma asneira agora, fica de castigo, mas durante o castigo já não se lembra (ou melhor não quer saber), já passou, já está feliz e pateta outra vez. Não aprende. O que pode ser giro às vezes. E é. Mas faz-me pensar coisas que não gosto. Que há criaturas que não aprendem, que foram feitas assim, e pronto. Estupidas basicamente, e sem conserto à vista. Nem todas optimistas e sempre felizes e inconscientes. Não, algumas nada disso, mas sempre a especializar-se em erros diferentes da mesma estupidez. Portanto esta criatura ao mesmo tempo que me irrita solenemente e me lembra coisas que não me apetecem, enternece-me duma maneira que me desconcerta. Que não cabe ou sabe de moldes. É duma meiguice e duma doçura bruta que é impossível resistir, só não sendo estupida talvez se possa resistir e racionalizar, ou assim... Não é o meu caso, obviamente. 

E é isto, foi-se chegando e achou por bem contribuir com o seu ioga, esticando-se ao meu lado no tapete. Gosta de me sentir à altura do seu focinho. Gosta do focinho a focinho como quem gosta de um tête-a-tête. Eu deixei-a ficar, esticada ao lado do tapete, a olhar para mim com aquela patetice inata em que o seu olhar está mergulhado, e nos abalroa em misericórdia. Depois, no fim, na posição de chinês - eu, isto é, não ela - achou por bem sentar-se entre os meus joelhos. O que rapidamente passou ao deitar-se, e em menos de um fósforo adormeceu. Tem uma vida muito agitada e cansativa, pois... Tive de registar, porque me ri verdadeiramente hoje com ela, e sorri e lhe dei mimo e gostei da companhia no ioga, e na sua maneira parva de mimar os outros. Esta criatura tem qualquer coisa, mas uma qualquer coisa que nao entendo. E ora me leva ao inferno, ora nos mimamos em momentos divinos. Como hoje.

quarta-feira, 17 de março de 2021

 


Agora. Ao final do dia, já noite, tendo falhado miseravelmente a obra prima de cores do aceno de despedida do sol, que espreitei pela janela, mas enfiada no computador. Belas férias, estas. E não se avistam mudanças para amanhã... mas agora, agora carreguemos no botão. Pause. 

 Ela enrola-se nele por toda a pele que consegue, abraça-o com o corpo todo, até não haver fronteiras, nem vazios, um corpo começa onde o outro não acaba, tudo se mistura, se confunde, se funde, mas não se baralha. Se ele se levantasse ela iria com ele colada na pele, nos cheiros de tudo em nada, em todos os sorrisos, na alma que teimava em estar presente, mesmo no esquecimento, sem fronteiras nem misericórdia. Se ele fosse, ela não ficaria. Mas ele não se levanta, respira devagar e com prazer a eternidade que soube desde o primeiro beijo, que sentiu. E a eternidade nunca larga a sua presa. Quem brinca com a eternidade ganha o resto da vida toda para se arrepender. 

domingo, 14 de março de 2021

 


Das regras fundamentais. Tão básica que não sei como tantas vezes nos esforçamos por fechar os olhos e fingir que não sabemos, que não vemos. É impossível não saber, mas é possível, e terrivelmente provável, que neguemos vê-lo. E negarmo-nos ver o que quer que seja, é já tê-lo visto, mas não querer sofrer. Agora que ninguém está com ninguém, será que se torna mais fácil ver? A atenção que não se tinha? Ou será isso ver que não se tinha?