domingo, 16 de maio de 2021
sábado, 15 de maio de 2021
quarta-feira, 12 de maio de 2021
domingo, 9 de maio de 2021
E um dia acordo e sou mãe há quinze anos. Tenho um bebé de quinze anos. Acho que terei sempre um bebé, não importa os anos, mesmo que já não tenha tratamento de bebé, nem mo deixassem ter... Acabei de fazer um bolo.. quer dizer não sei se lhe chamaria bolo, é mais uma mixórdia, porque para quem é tinha de ser um bolo saudável (valhamedeus, um bolo e não pode ser declaradamente doce de açucar e com tudo que se tem direito... ao menos uma vez de vez em quando.. mas enfim, hoje as vontades são do bebé..)... então é substituir uns ingredientes, procurar receitas na net, e eu e a minha incapacidade de seguir receitas dá numa mixórdia que combina coisas de várias receitas, depois de perceber a correlação de quantidades... portanto não faço ideia se está comestível ou intragável. Se estiver bom, por outro lado, não a saberei repetir... paciência, inventa-se outra na altura. Mas na verdade acho que na cobertura vou furar o esquema da coisa... só um bocadinho, vá. Chocolate preto é antioxidante, né?
E hoje lembrei-me duma frase que lhe ouvi há dias, curiosamente na véspera do dia da mãe... depois duma conversa que começou com o espanto dela e a frase... "mas que mulher não é feminista? não existe!"... e eu respondi... "bom, existe, a tua mãe pelo menos" O que muito a espantou, porque como lhe disse as coisas não são lineares e devemos ter pensamento crítico e analítico - pensar sobre o que se ouve e lê, e depois concluir. Não concluir, apenas para fazer parte. Carneirada não é argumento e não devia ser opinião. Não lhe impus ideias, fiz perguntas, muitas das quais de que não sabia resposta, dei-lhe a minha opinião, que igualdade é ninguém ser melhor ou pior que ninguém, mas não aproveitar uma condição natural para ter benefícios injustos alegando que se está a combater desigualdades. E igualdade de coisas diferentes é só uma forma deturpada de emendar, errando. Igualdade e equidade são coisas diferentes. Eu não quero igualdade, quero justiça. E essa não depende do género, mas da condição humana. Falámos de aborto, do direito ao próprio corpo, da resposta evidente da decisão ser da mulher, não há igualdade aqui pois não? e da decisão de ter ou não um filho ser independente da vontade do pai, mas ainda assim ele ser responsável numa decisão em que nada garante sequer a sua participação (já que a decisão, porque de facto as coisas não são iguais e a natureza assim o determina, não é dele nem poderia ser, mas as consequências à partida são responsabilidade sua)... é justo? e as quotas? é justo? ou só uma humilhação em nome dum objectivo? uma injustiça em nome da mesma injustiça, do género garantir lugar. Então mas não era isso que se queria combater? Falámos de muita coisa, pus muitas questões, não para lhe dar a resposta, mas para que ela a pensasse e procurasse. Lembrei-me de noites inteiras em que fazia o mesmo exercício sobre outras coisas, com outras pessoas. Fazer perguntas, sem tentar obter respostas mas fazendo com que quem as ouve as pense mesmo que não dê conta. Nunca quis que pensassem ou pensem como eu, mas quero que a minha filha pense e defenda o que pensa sustentada em argumentos. Só pensando sobre as coisas e com uma análise critica penso que se pode lá chegar. No fim disse-me
- estou sempre aqui, filha. Sempre que quiseres.
E agora ver se o bolo já queimou...
sábado, 8 de maio de 2021
sexta-feira, 7 de maio de 2021
Tiraram-me as folhas douradas do outro lado da rua, mudaram-me as vistas e o poiso. Mudaram os escritórios, mas não mudaram as pessoas e as pessoas não mudaram. E eu acho que também não. E começo a pensar que algo vai ter de mudar. Prometi-me que não deixaria esta empresa mudar-me, multinacional ou não, grande grupo ou pequeno grupo. Prometi que não me ia tornar o que não gosto de ver, não gosto de hipocrisia e detesto joguinhos de bastidores, políticas e odiozinhos de estimação bem guardados por trás de sorrisos e pancadas nas costas. Oferecem ajuda para ficar por dentro das coisas, já percebi, já agradeço e dispenso. E dispenso também é por enquanto manda-los à merd@, mas não sei por quanto tempo. Voltando aos escritórios volta a sensação agudizada que as pessoas não trabalham umas com as outras, mas umas contra as outras. Nunca trabalhei assim, e prometi-me não deixar esta empresa entrar-me no sangue, por muito sangue que me ande a custar. Mas como em tudo, quando disser basta, é basta. Terá chegado a hora?
quarta-feira, 5 de maio de 2021
terça-feira, 4 de maio de 2021
sábado, 1 de maio de 2021
Nunca há uma altura certa. Ainda que se planeie, ainda que se pense e repense, ainda que se marque num calendário que não chega a ser tempo, mas só pensamento. Nunca se sabe o momento certo, então esperamos um dia sentir, ter a certeza, algo acontecer e tornar-se claro. Nem sempre acontece, ou quase nunca, e então espera-se, espera-se por alguma coisa que não se sabe o quê, e depois já não sabemos por que esperamos, até que continuamos à espera sabendo já nada esperar. Mas esperamos, ou deixamos o tempo passar sem calendário. O extraordinário que ansiamos acontecer, é dar um passo de fé, sem razão ou com ela, mas com vontade de chegar a algum lado pelo próprio pé, é fazer acontecer. Uma vontade que vença a inércia de ser, de continuar sendo. Mesmo que se revele ser o fundo do abismo, ou, com sorte, onde queríamos chegar. A alternativa é esperar até ao desespero, e depois, depois continuar, e desesperar por querer alguma coisa que nos faça acordar, dar passos, querer. Acordar é sempre um abismo. No tempo.
quinta-feira, 29 de abril de 2021
quarta-feira, 28 de abril de 2021
E a meio da tarde de trabalho, já com fome e cheia de vontade de mandar tudo para o sumiço, apareceu-me com um prato de panquecas, empilhadas com banana e chocolate quente. E eu fiquei quase sem reacção, sem saber bem o que dizer, sabendo bem o que me queria dizer. E ali, ali mesmo, naquele momento, senti-a minha, tão minha, como às vezes sinto, raras mas como raios que me atingem até à espinha do ser. E é uma sensação estranha, misto de tantas coisas. Lembrou-me alguém que conheci, parece-me agora que já há muito tempo, quase irreconhecível, quase de outra vida, de tão longínquo me parecer. E estranhamente tive medo, medo por ela, talvez pela maneira como sente as coisas, como gosta, como mostra, os gestos doces e ternos que tem, sem ter ainda de mergulhar fundo em si, sem ter de atravessar camadas e camadas, tão à flor da pele lhe estão. Tão desprotegidos ainda. É arisca, é, tenho de a obrigar a, às vezes, deixar-me dar-lhe mimo, mas depois tem estas coisas, que não são ditas e que me deixam sem palavras, porque me sentiu triste, zangada com a vida, desalentada, deu-me um abraço inteiro, tão inteiro que só se podem dar por dentro de um gesto, como certas palavras só se dizem no silêncio de alguns olhares.
[O único problema foi mesmo que comi o prato todo, e agora que não ando a fazer o meu exercício diário à conta das minhas cruzes não deixarem e só me apetecer - também por isso - vociferar como gente destravada, está a pesar-me na consciência e não só... aparte disso, foi das coisas mais bonitas que me aconteceu nos últimos tempos.]
domingo, 25 de abril de 2021
sábado, 24 de abril de 2021
sexta-feira, 23 de abril de 2021
domingo, 18 de abril de 2021
Ahahah muito bom, até o olhar de comprometido dele :)))
Cá em casa só se fosse amiga :DD, o único moçoilo mora uns andares acima, ainda que, obviamente, seja visita diária, parte da casa mesmo, e adore colo mas não tenha a noção do próprio tamanho... de qualquer maneira, aqui os canídeos não entram na cama... pelo menos enquanto não me trouxerem o respectivo pequeno-almoço (meu, claro), depois poderei ponderar ;)
Bom Domingo :)
sábado, 17 de abril de 2021
Agora, comer qualquer coisa ao sol, depois depois um banho lento, com música e olhos fechados. Estou a precisar daquele clima Zen que às vezes me apetece, agora até mais frequentemente. É a falta da dose normal de Alentejo que me falta, deve ser isso. Se não escurecer e entristecer o tempo, uma passeata boa mais ao fim da tarde. Um dia à medida do que me apetecia. Às vezes penso que já não conseguia viver sem este tempo para mim, dias inteiros só eu e o que a disposição me for pedindo... é uma sensação divinal, a sério. Não sendo sozinha, só com alguém com quem estivesse tão bem como estou sozinha, o que não é fácil (acontece com a minha filha e sei que pode acontecer fora das teias do sangue), e isso responde a muita coisa. Suponho que é a grande diferença entre partilha e comunhão. Entre saber o que de mim partilho contigo e o que tu partilhas comigo, e saber, ou sentir, o que somos juntos, sem deixarmos de o ser quando separados. E não, não é perder a identidade, nem a personalidade, é não as sentir ameaçadas. É um estar com alguém que é como estar só connosco.
É querer muito, mas menos valerá a pena?
sexta-feira, 16 de abril de 2021
quinta-feira, 15 de abril de 2021
quarta-feira, 14 de abril de 2021
Está uma noite óptima, oiço aqui e ali pingos a caírem atrasados da chuva, de resto só silêncio e noite e palavras por desenovelar. Nem sempre estamos para nos desenovelar, às vezes parece confortável deixar novelo como está, não se mexe não se apertam nós sem sabermos. Também é certo que não os desfazemos, mas se estiverem quietos e sossegados no seu novelo, imóvel num qualquer canto, não damos por eles, não os vemos não os sentimos não nos lembramos que estão lá para um dia os tratarmos, se quisermos fazer alguma coisa da linha. E aqui, penso que queremos sempre, mas não a qualquer custo. E é por isso que há cantos escondidos com emaranhados escancarados. Hoje não quero tratar dos meus, mas não sei porquê estão escancarados à beira da alma que se esconde atrás deste silêncio.
[e antes de vir para o degrau da varanda estava a ouvir isto:
terça-feira, 13 de abril de 2021
Primeiro café fora de casa há muito tempo, já não sei quanto. Mas tive de sair de casa e aproveitei para fazer algumas coisas que precisava, uma delas passou por, nos entretantos, pagar sententa cêntimos por um café. E sabe-me bem, mas não sei se me sabe melhor do que o que eu tomo na minha varanda, e sai mais barato. Só não vejo gente, falo com pessoas a quem vejo (apenas) os olhos, e troco sorrisos só porque sim, porque as pessoas parecem gratas por poderem servir um café, e nós por podermos pedi-lo e pagá-lo.
domingo, 11 de abril de 2021
[imagem @iuliastration]
Começar o dia, sem saber como começar, ou por onde... café ou ioga? Há quem ache que não tem de ser uma escolha :))
... não é o meu caso, aqui café vem depois. Primeiro tem é de aparecer a vontade de sair da cama... essa ainda não compareceu. Aguardamos pacientemente. Tentamos impacientar a espera pondo em filinha indiana tudo o que queremos fazer hoje. Mas verdade seja dita, não sei se está a ajudar ou desajudar, há uma vontade imensa de fechar os olhos e não querer saber de nada, esconder o dia debaixo dos cobertores, dentro do conforto quente. Mas sei que quanto mais jogar este jogo mais rápido terá de ser o dia, com tanta coisa dentro... e não apetece.
terça-feira, 6 de abril de 2021
segunda-feira, 5 de abril de 2021
[imagem @jesuso_ortiz]
... o que me apetecia hoje é a sensação que esta imagem me deu quando me apareceu à frente. Apetecia-me uma coisa simples, um tempo simples, sem ponteiros ou pressas, ou obrigações, ou stresses ou.. ou... sei lá, se calhar apetecia-me ser pequenitates outra vez, e ter colo, e sorriso de flor e leveza de azul-céu... apetecia-me achar os dias de sol doces e livres como campos de papoilas para os olhos... apeteciam-me coisas esquisitas. E margaridas. Adoro margaridas, já vos tinha dito? Hoje não ;))
domingo, 4 de abril de 2021
sábado, 3 de abril de 2021
sexta-feira, 2 de abril de 2021
E, então, quando assim é, o que distingue as atitudes é a esperança e a coragem. E parece-me que não há uma sem a outra. Para ter esperança há que ter coragem de pelo menos arriscar sem ter porquê... ou quando o porquê é só não estarmos bem, por querer-se mais ou diferente, esperando melhor. Coragem só tem quem tem esperança de ser possível, de por poucas que sejam as hipóteses, a mera possibilidade nos agigantar. A possibilidade e a vontade de a concretizar. No fundo, em quase tudo, o que distingue as pessoas é o que fazem, sem terem de o fazer, e por que o fazem.
quinta-feira, 1 de abril de 2021
Às vezes o pior que nos fazemos é boicotarmo-nos sem dar conta, é termos um medo curioso e paradoxal do sucesso, da felicidade... como se duvidássemos se o merecemos ou não, e de tão habituados à sua falta, a ideia torna-se quase uma mudança que não saberíamos gerir, incómoda. Uma ideia que assusta mais que encanta, e de que fugimos pelas sombras do inconsciente, dizendo correr atrás.
Acho que é um bom mote [ a frase do Bukowski, isto é] para um novo mês. E até acho que não é mentira :) cuidado com as que vos contam... e ainda mais com as que contamos a nós mesmos, e essas não têm dia marcado...
bom dia!
segunda-feira, 29 de março de 2021
Tu e eu, finalmente. Na varanda, na primeira noite em que o frio não encurta o tempo de olhar o luar pousado em cada coisa. Daqui não vejo a lua, mas distingo a luz prateada que inunda as sombras, vejo o clarão quase por cima de mim, em que o céu deixa antever o que os olhos não encontram, mas sabem. Há muita coisa que é assim, não? Se calhar não, e estou enganada. Quem sabe? E quem quer saber? Eu não. Não importa. Agora o que importa é que vou estar os próximos dez minutos a fumar o meu último cigarro do dia, que é também o segundo, mas guardado até agora. Guardamos o que queremos aproveitar totalmente, quando tivermos dez minutos para fazer deles os melhores que poderíamos. Aquilo que se pode guardar, pelo menos... porque nem tudo pode ser guardado, infelizmente. Ou felizmente. E hoje precisava deste ritual de encerramento, de fecho, de qualquer coisa que me fechasse em mim sob a primeira noite deste ano onde, à noite e a estas horas, não tenho frio, mesmo sentada no degrau da varanda, como tantas vezes, a olhar o céu e a gozar o ultimo (e não fosse por outro, o único - o que também acontecerá curiosamente em muita coisa... ser quase único) cigarro do dia.
domingo, 28 de março de 2021
Eu a olhar para ele, e ele - juro que parece - a olhar para mim. A pensar em consumirmo-nos, e só esta ideia é já um prazer, e por isso se prolonga. A ideia de um prazer é já prazerosa, por isso às vezes adiamos o prazer, aquela hora em que, derradeiramente, nos entregamos e largamos as rédeas - balançamo-nos livremente na sela ao sabor do galope. E eu olho e - juro que parece - ele olha-me também, com o mesmo desejo, quase volúpia. E assim ficamos, neste adiar do prazer para que nunca se extinga - o destino de todos os prazeres. Mas que se renova, felizmente ou não.
E tudo isto porque afinal ao fim‑de‑semana - e eu já não me lembrava - só vendem tabaco até à uma da tarde.... Grrrr que seca pahhhhh vai uma pessoa ao supermercado e depois toda lampeira às bombas para reabastecer os 4 maços de tabaco para a semana... e é isto! A modos que estou aqui a olhar o último moicano no maço e a poupa-lo, porque até amanhã não há mais... isto porque a última remessa durou mais e descalculou-me o período de stock... Fonix!, se ao menos me safasse com pastilhas elásticas... mas não... amanhã além de cigarros terei de reabastecer o stock de chocolate preto cá de casa... raios!!
sábado, 27 de março de 2021
sexta-feira, 26 de março de 2021
quarta-feira, 24 de março de 2021
A memória já não tem o cheiro a tinta fresca. E não me lembro de me aperceber disso antes de agora, cheirava sempre como quem tinha acabado de ser pintada, cheiro a novo, hoje, ontem, há anos, sempre. Não agora, não este hoje. O luto parece que já as faz descascar e despir da sensação do agora, espalham-se os restos pelo chão que se arrasta já debaixo dos pés. Quase dois anos afinal - para muitos, mais que suficiente para deixar morrer gente que não queremos deixar viva em nós, e aquela cena, quase banal, da série das últimas noites, fez-me disparar entredentes e sem dar conta... “já não sei o que isto é”... e não, já não sei, e já nem consigo lembrar com as cores todas, com tudo, com o agora na pele, com o ainda aqui, com o já da urgência que já se viveu. Não, já não cheira a tinta fresca a memória, tão cheia de memórias que se perdem em momentos perdidos. Já nao cheira a vida viva. É o luto, é o luto que já não luta, aceita e entrega-se ao desfiar do tempo, das cores, dos sentidos, ao já não saber o que é sentir no agora, um agora que ficou sem passar durante tanto tempo, e que afinal nunca foi. Já não sei o que é viver, estar, mergulhar, naquela sensação. Navegá-la, mergulhando a alma inteira. Se tiver sorte, nunca soube, e quando o souber, não quero sabê-lo sozinha. Para o saber realmente, não poderá ser.
terça-feira, 23 de março de 2021
segunda-feira, 22 de março de 2021
Ontem na nossa passeata a várias patas, reparei nisto. E não é que concorde, discordar também não será bem o termo... todos teremos alguma coisa de pedra, uns o coração, outros têm uma cabeça dura como pedra, alguns a certeza de certas convicções, outros ainda uma armadura granítica, mas não, não seremos todos pedra... Já calhaus, é diferente, haverá vários géneros e famílias, e graus... mas fiquei a pensar qual será o assumido grau de calhau de quem o escreveu na parede...
domingo, 21 de março de 2021
Ronha, preguicite, disposição para dolce fare niente... mas até já fiz muita coisa hoje. Obriguei-me a dormir mais quando a Pintatolas me foi acordar às nove da matina. Negociei com ela (só eu e ela em casa) prolongar o sossego, acarinhar o domingo desde que nascemos para ele... e adiar esse nascimento... e concordou, ficámos até às onze. Depois, saltar da cama dar-lhe de comer e aos outros, dar um tratamento ao trombil, dedicar-me a uma sessão prolongada de ioga que ainda sinto nos músculos, fazer as famigeradas limpezas de fim‑de‑semana devidas (agora muito aliviadas, graças a deus a senhora que limpa e passa já regressou... a falta que ela me faz valhamedeus, é o luxo mais necessário que tenho), e finalmente, saborear na varanda a minha omelete e salada, com chá e agora um café, com sol. Só ainda estou porquicha, ainda não fui ao chuveiro... vou aproveitar um tico de sol, acabar o meu café, ler um bocadinho se calhar, pintar as garras talvez... e depois vou. Não há pressa hoje. Nem pressa para ter pressa. E nisso ando a pensar muito... quando isto voltar mais ao "normal" lá vou eu acordar duas vezes por semana às seis e meia da matina, sair às sete e meia para chegar às nove onde tenho de estar... dormir por lá, andar de mala atrás, faltarem-me as minhas coisas e as minhas pessoas também... não me apetece voltar ao normal, consigo trabalhar em casa muito bem, ir lá de vez em quando, aconchegar a minha cama todas as noites... enfim, essas coisas. Mas não faltará muito para todo esse carrossel me dar a volta à cabeça... mas foi o que aceitei e gosto do que faço. Tudo tem um preço, pelo menos comigo parece assim, nada vem sem exigências, sem ter de dar de mim coisas que gostaria de manter. Mas é a vida, dizem; e apesar de tudo gosto dela, escolhi-a, essa é a verdade. Escolhemos para nós o que, feitos todos os balanços, preços e valores, gostamos.
sábado, 20 de março de 2021
Ontem foi dia do Pai. E tomei café com ele na varanda cá de casa. Há mais de um ano que não vinham cá a casa. Ontem aconteceu. Passaram de carro nas suas (poucas) voltas fora de casa, e viram-me. Pararam e subiram, o meu pai tinha levado pilhas novas (como ele diz) na consulta do dia anterior e lá subiram, ainda sem elevador. O meu pergunta-se se ainda o estreará. Eu sei que sim porque não sei saber outra voisa, nem quero. Tirei dois cafés e fomos para a varanda, longe mas à distância do olhar. Estava sol, mas frio, mas lá fora é melhor que cá dentro, e lá ficamos um bocadinho, eles os dois e eu, a miúda um tico ainda antes da aula. Não fossem as máscaras depois do café, quase parecia normal. Ou melhor, quase parecia que não temos de andar a fugir do vírus, normal há muito que não é. Antes de saírem disse-lhe:
- amanhã vou fazer um bolo e levo-o para comermos no jardim, que hoje é dia do pai.
- Ahh é? Então devia ser hoje, ora!!
- Pois, mas não foi, hoje foi a notificação para amanhã, e café...
Ele riu-se, sei que prefere a uma qualquer prenda, prenda só talvez vinho, para o bebermos juntos, o que agora não acontece... e prefere porque é guloso, sim, mas principalmente porque sabe que é um mimo especial. Sabe que só me enfio na cozinha por pessoas que gosto, que quero mimar, pessoas que quero que saibam que gostar de as mimar faz-me gostar de me enfiar na cozinha e ver o que sai... e se irão gostar (vulgo se estará comestível, ou pelo menos não-intragável...)
Estou aqui à espera que o forno acabe a sua magia, para lho levar e dizer que quero muito para o ano fazer-lhe outro, quero muito, mesmo muito. E acho que ele sabe, mas não dizemos nada. Somos esquisitos, dizemos coisas sem falarmos. Somos uma família estranha, e isso é normal. Sempre foi.
sexta-feira, 19 de março de 2021
As mulheres há dias em que acordam e precisam de se sentir bonitas, desejadas. Outros dias querem sentir que são ouvidas, consideradas. Dias há em que precisam de saber da sua competência, seja o que for a que se dediquem. Depois há aqueles dias em que não querem saber de nada, só querem o seu mundo e a sua dimensão, e que não as chateiem no seu sossego. Não querem saber de mais nada. No meu caso, hoje, e é bom, o sol chega-me, trazer a Pintarolas ao jardim e deixar-me baloiçar entre um minuto e outro de não fazer nada...
Os homens acordam e acho que a única coisa que querem e precisam é de não terem problemas que não saibam resolver, e alguém ao lado que não lhes recuse o toque. Têm menos botões, serão mais simples, mas se calhar nem sempre. Mas o que não admira é que a felicidade conjunta esteja pelas ruas da amargura na maior parte dos dias... mas talvez hoje seja um dia bom, sexta-feira e tudo...
quinta-feira, 18 de março de 2021
Ando para falar desta moça há tempos, mas adio por preguiça, ou qualquer outra coisa que me faz não querer seguir o fio à meada. Porque tenho sentimentos muito diversos em relação à bicha. Tem muita coisa que me irrita até à medula... nunca me passei tanto com um bicho. E acho que nunca admirei tanto uma ternura assim, um coração que só deve vir em tamanho de cão e este mesmo nessa categoria é enorme, incomensurável. A mãe conquistou-me e é muito mais minha, esta é um caso à parte, outra categoria, ou talvez, sem categoria que lhe caiba. Já levou umas tareias, que não lhe doem mas me deixam as mãos feitas num oito, ela é dura como ferro, só músculo. E inconsciência, completa. É uma criatura com um jeito muito próprio, ou muita falta de jeito. Tem focinho de patetona, nunca conheci focinho com ar tão pateta, e ela está à altura do focinho, só vos digo. Se fosse gente devia ser daqueles super optimistas, cheios de teorias positivas e muito inconsciente. Nada a faz parar, ou pensar. Faz uma asneira agora, fica de castigo, mas durante o castigo já não se lembra (ou melhor não quer saber), já passou, já está feliz e pateta outra vez. Não aprende. O que pode ser giro às vezes. E é. Mas faz-me pensar coisas que não gosto. Que há criaturas que não aprendem, que foram feitas assim, e pronto. Estupidas basicamente, e sem conserto à vista. Nem todas optimistas e sempre felizes e inconscientes. Não, algumas nada disso, mas sempre a especializar-se em erros diferentes da mesma estupidez. Portanto esta criatura ao mesmo tempo que me irrita solenemente e me lembra coisas que não me apetecem, enternece-me duma maneira que me desconcerta. Que não cabe ou sabe de moldes. É duma meiguice e duma doçura bruta que é impossível resistir, só não sendo estupida talvez se possa resistir e racionalizar, ou assim... Não é o meu caso, obviamente.
E é isto, foi-se chegando e achou por bem contribuir com o seu ioga, esticando-se ao meu lado no tapete. Gosta de me sentir à altura do seu focinho. Gosta do focinho a focinho como quem gosta de um tête-a-tête. Eu deixei-a ficar, esticada ao lado do tapete, a olhar para mim com aquela patetice inata em que o seu olhar está mergulhado, e nos abalroa em misericórdia. Depois, no fim, na posição de chinês - eu, isto é, não ela - achou por bem sentar-se entre os meus joelhos. O que rapidamente passou ao deitar-se, e em menos de um fósforo adormeceu. Tem uma vida muito agitada e cansativa, pois... Tive de registar, porque me ri verdadeiramente hoje com ela, e sorri e lhe dei mimo e gostei da companhia no ioga, e na sua maneira parva de mimar os outros. Esta criatura tem qualquer coisa, mas uma qualquer coisa que nao entendo. E ora me leva ao inferno, ora nos mimamos em momentos divinos. Como hoje.
quarta-feira, 17 de março de 2021
Ela enrola-se nele por toda a pele que consegue, abraça-o com o corpo todo, até não haver fronteiras, nem vazios, um corpo começa onde o outro não acaba, tudo se mistura, se confunde, se funde, mas não se baralha. Se ele se levantasse ela iria com ele colada na pele, nos cheiros de tudo em nada, em todos os sorrisos, na alma que teimava em estar presente, mesmo no esquecimento, sem fronteiras nem misericórdia. Se ele fosse, ela não ficaria. Mas ele não se levanta, respira devagar e com prazer a eternidade que soube desde o primeiro beijo, que sentiu. E a eternidade nunca larga a sua presa. Quem brinca com a eternidade ganha o resto da vida toda para se arrepender.
domingo, 14 de março de 2021
Das regras fundamentais. Tão básica que não sei como tantas vezes nos esforçamos por fechar os olhos e fingir que não sabemos, que não vemos. É impossível não saber, mas é possível, e terrivelmente provável, que neguemos vê-lo. E negarmo-nos ver o que quer que seja, é já tê-lo visto, mas não querer sofrer. Agora que ninguém está com ninguém, será que se torna mais fácil ver? A atenção que não se tinha? Ou será isso ver que não se tinha?













































