sexta-feira, 28 de junho de 2019

Vamos embora,
 escapamo-nos sem ninguém dar conta.
E se derem, nós nem damos.
Não interessa.
Quero-nos só nós.
Com lua ou sem, mas com mel a escorrer do tempo.

terça-feira, 25 de junho de 2019

... realmente merecem, e é libertador...
As pessoas não mudam. Por muita esperança que às vezes tenhamos
de que isto não seja verdade, é.
Se a facada depender disso, prepara-te para sangrar...
(a esperança sai quase sempre muito cara...)

domingo, 23 de junho de 2019




Às vezes ainda sinto o abraço como se estivesse lá dentro. Quase sinto o calor, os braços à minha volta, aquela força que é segurança boa, a cabeça encostada ao peito onde quis fazer casa, o cheiro da pele, a tranquilidade de estar no momento, ser tanto o momento que é como se toda a vida fosse minha. Como se o tempo acabasse ali, e começasse. E, afinal, não houvesse essa coisa a que chamam tempo, que traça fronteiras e faz contas, até cobra taxas. Às vezes parece que quase sinto debaixo do nariz a pele que afinal nunca teve o cheiro que lhe dei. Dizem que há coisas de pele, de cheiro, de química, de paixão. E que têm um tempo. Há momentos sem tempo, isso eu sei. Ficam nas fotografias que tiramos sem máquina, e que as que tiramos com máquina, tempos depois, nos lembram e nos roubam por nada nos tirarem, pelo contrário, quais tiranas, amarram-nos ao tempo aprisionado no tempo que passa.
Talvez as coisas tenham um tempo, sim. E talvez esse tempo acabe.
Para eles ainda não acabou. E eu acho lindo. Nada dessa beleza se me amargou. E quero. Quero o abraço pelo lado de dentro, não quero quase memória. Não quero quases. Quase nunca. Quase sempre... quase.
Os pensamentos trespassam-me, mas o comboio não pára. Só as palavras encontram apeadeiro, quase perdidas, recupero-as no último relance duma fotografia que podia ser minha, se a minha vida tivesse sido real.
Aqui chegámos.
Na pele o vapor da história a fuligem no ar,
 o peso da paisagem pendurada na janela dos olhos pelo lado de dentro.
Daqui parto para mais um regresso, a hoje a amanhã, 
a um futuro que espero que me espere. A mim.

sábado, 22 de junho de 2019

[imagem @diego_cusano]

Dizem que já chegou.
Eu digo que vem de caracol...
...ou até que o perdeu...

sexta-feira, 21 de junho de 2019

[foto via @nightydrunklovers ... esbarrei nela e fica aqui catita... tipo memorando e coiso]

Andam-me a apetecer coisas doces. Todos os dias. Tenho fases assim.
Há quem diga que são carências, há quem diga que é uma compensação (...mas de quê senhores, de quê?... não sei...) ou a busca do seu efeito placebo, há quem diga que é só porque apetece e que se $%#&...... Eu! E 
Quero lá saber das razões!?... Como se fosse possível responder a todas as perguntas, ou saber tudo o que tem razões, ou saber o que não as tem, ou porquê!... Como se tudo não pudesse ser outra coisa e as metáforas e outras coisas que tais, não fossem interpretações nossas, cosidas à realidade com o silêncio das nossas entrelinhas, do que somos nos interstícios das palavras, dos instantes e das noites, e as teorias alheias uma justificação ali à mão que servem só a quem não suporta mãos vazias. E vontade de doces, vá (ainda que o café o continue a querer café, como se adoçado já não seja o que é).
Pode ser que passe com a chegada do Verão. Era capaz de dar jeito.

quinta-feira, 20 de junho de 2019

quarta-feira, 19 de junho de 2019

[foto @peterwyss]

...caramba, o nosso maior, melhor, bem é a saúde dos nossos filhos, de todos os que amamos sem questões. Daqueles que precisamos para que os dias sejam inteiros. O resto nao é nada, é só paisagem que muda de janela.
Tudo pode mudar do dia para a noite, o espaço vazio à nossa volta cresce, como ervas daninhas alimentadas pela morte. Pelas várias mortes. A que nos toma uns, e os outros que morrem para nós, oferecemo-los a outras vidas onde a nossa não vive. É devastador o efeito da maturidade, do tempo e da vida na negociação dos espaços, os que mantemos ocupados, os que vagamos e os que a morte nos arranca, em que o vazio nunca se ocupa e ocupa-nos tanto.

domingo, 16 de junho de 2019



Passeio a Pintarolas a cheiros e o silêncio pensa-me, tem uma batuta que me orquestra os pensamentos, ainda que nem sempre os afine ou os musique... Olho para trás e percebo que tive pessoas fracas na minha vida. Talvez seja um padrão, talvez elas me escolham, talvez eu me tenha deixado escolher para tentar de todas as maneiras que sabia, fortalecê-las, fazê-las olhar para dentro e verem mais do que julgavam encontrar, e ver o que eu via além daquela insegurança. E com isso fazer-me amar, será? ( e talvez isto diga muito das minhas inseguranças, da minha própria fraqueza)... Mas acho que se fortaleceram, que se viram melhor do que até aí conseguiam. Sei-o. Que lhes dei isso de mim, arrancado, rasgado de mim, talvez. Só não sei se me enfraqueceram. Talvez o nosso inconsciente nos diga que as pessoas fracas não nos esmagam, que não nos magoarão (e isto é certamente insegurança, medo, mais uma vez, fraquezas minhas). O inconsciente está errado. Magoam. E eu tenho de, e vou, mudar o padrão. 

[já alguém da blogosfera, há uns anos, me dizia, tu precisas dum gajo que não tenha medo de te pôr os pontos nos i’s, de tos apontar, que te olhe de igual, não de cima, mas certamente não de baixo, alguém que te veja e te mostre - alguém que faça por mim o que fiz por outros.]
Vi isto e achei que me servia. 
De certeza.
A bicha até é parecida. E tem as mesmas manias.
Zelar pela nossa companhia e segurança ou supervisionar se estamos a fazer tudo bem... 
em qualquer lado!! :D

E hoje é dia de passeio ;)

Bom dia!

quinta-feira, 13 de junho de 2019

A minha vida não está para cardíacos, só vos digo.
Ponho-me a pensar se tudo o que se está a passar agora tivesse acontecido há seis ou nove meses, se as coisas não teriam sido diferentes... mais ao meu jeito, à minha maneira, do que foi, mas que abracei. Que agora é a minha. Tem de ser. Ainda que agora, como dantes, não me identifique... é estranho. Mas depois dos ovos partidos é cozinhá-los o melhor que o fogo deixar e eu souber. E tentar não me queimar.
E agora fechar isto, sussurrar ao coração que ele aguenta, acaricia-locom o cheiro dum café e pôr-me a trabalhar, que isto hoje vai ser o fim do mundo em cuecas... rezemos para que ao menos sejam giras.

quarta-feira, 12 de junho de 2019

[foto @zynp]

Esguias,
empoleiradas na jarra.
A luz a cair do dia,
inclina-se-lhes,
aconchega-se quando lhes chega
quente e lânguida,
a escorrer das paredes, quase anoitecidas
É esta a hora apetecida
que tantas vezes me esquece apetecer
Em que sou
o tempo que me foge
para poder estar
Sabendo ser(me).


[a hora mais melancólica do dia, a cor mais lânguida, a inquietação mais vagarosa, o tempo para preencher de mim, e o espaço enche-se de palavras para me deixar a boca vazia, cheia de alma. Sabe-me bem o tempo às vezes.]

terça-feira, 11 de junho de 2019

A caminho. Entre semáforos. A vontade não parece ter luz verde. Pergunto-me se será daltônica ou se simplesmente não tem semáforos mas as suas próprias prioridades... Se calhar a esta altura já devia estar doutra maneira, com outro espírito, com outras ganas. Mas não. Cada vez menos. Não sei porquê. Talvez um certo compasso de espera me tenha feito perder o passo. Não sei. Já estive mais entusiasmada, agora estou só meio apática. Um pouco à deriva, sem vontade de me agarrar. Ou de nadar. Deixo-me a boiar e a contar os tons azuis do céu que não vejo, escondidos por trás das nuvens que trago nos olhos. É uma sensação estranha. Como não querer nada de olhos abertos. Ou por tê-los aberto. 
Ou só porque a pachorra já não me assiste. Se calhar é isso. 

Bom dia.

domingo, 9 de junho de 2019

Ontem houve festa. Coisas do Oriente, olhos em bico e afins. Arranjei vestimenta de acordo, e fui com vontade, dancei, ri-me, voltei cedo. Ouvi que seria muito mais feliz se fosse menos inteligente, que sou um desperdício e não me sei aproveitar da vida e do que ela me deu, por um lado, e por outro que tenho uma cara que alguém gosta muito de olhar. Achei piada, não aprofundei... Fugi como sempre faço, não sou boa com elogios. Observei espécimes de relance que me levantaram questões, e responderam a outras. Realmente, apesar de metade da cidade ter sabido de determinada história e o facto de, curiosamente, pouca gente ter acreditado responde-se olhando para a criatura - para as duas criaturas, na verdade, mas ontem só estava lá uma -ninguém acreditou que ele fosse "comer aquilo", ainda por cima "tinha melhor em casa" (ouvi-o várias vezes, e de mais do que uma boca) que só podia ser invenção, boato, má-língua. É engraçado este fenómeno - fiquei a pensar nisso - porque, acaso achassem que afinal o que tinha em casa era pior, todos acreditariam à primeira, nem precisavam das ditas provas, aliás, até acrescentavam várias histórias à história, enfim, o costume... Concluo que as aparências realmente podem ser um bom alibi (o que também explica muita coisa...). Neste caso, maior parte das pessoas que soube ilibaram-no por estas razões, os que sabiam efectivamente a verdade, espantaram-se de tal modo que nem queriam acreditar. Pareciam sedentos de algo que os deixasse acreditar no contrário, qualquer coisa que fosse, o que não aconteceu: era verdade, verdadinha. E não foram os supostos altos padrões morais apregoados por certas criaturas envolvidas que levaram a que não acreditassem, não, isso nem foi tido em conta (talvez nesses ninguém acredite mesmo, lhes pareçam tão falsos como o resto, não sei) foi mesmo a incredulidade de ceder a tal criatura, só podia estar em desespero... Parece que ele se revelou um moço que não sabe dizer que não a borlas, sejam elas quais forem - se lhe aparecem à frente, sem dar trabalho, ele aproveita. Há gente assim. Dessa ideia ele não saiu ilibado, mas condenado, sendo culpado ou não. Talvez também sirva de publicidade, agora qualquer uma acha que tem hipótese... e parece que tem mesmo... mas ainda me ri para dentro a pensar nisto tudo, e lá andava uma avezinha à volta da criatura, não sei quem era, nem se tem história por trás, nem quero saber, só concluo que o moço tem sucesso. Parece o outro: só precisa de se encostar ao balcão que elas aparecem e caem que nem tordos... o que ainda me fez rir mais, na verdade. A vida tem as suas ironias, ao menos que nos dêem para rir... No meio disto tudo e de copos sempre atestados o cansaço, mesmo depois de dormir tão bem na noite anterior apareceu para me levar, e eu fui. A cama soube-me a mil e uma noites, soube-me bem.

sábado, 8 de junho de 2019

... e hoje foi o dia. Melhor, a noite. 
Não chegou a doze horas, mas por pouco.
E foi interrompida com o transbordo do sofá para a cama...
Mas soube-me a ginjas... foi uma fantasia fantasticamente realizada!! :)
Não é para todos, não  ;)))

Bom dia.

Oh Valhamedeus...
E os 40 serão os novos trinta em que horário???
Bahhh... o cansaço acumulado apanhou-me.
E eu continuo a querer fugir.

sexta-feira, 7 de junho de 2019



E depois do som das ventosas a saltar o médico diz “não tem nada no coração, o coração está bom”.
Não pode ser, o meu coração tem de tudo, mas pouco do que gosta muito, é por isso que não está bom. Está só conformado. O que não é bom. O médico não deve ser bom da cabeça. Nem do coração. Mas temos de esperar o relatório, para ter certeza. Não sei de quê.


[ acho que o coração e eu estamos sem pachorra para esta minha vida... muda tanta coisa menos esta minha falta de pachorra para o que não me faz o coração bater ligeiramente selvagem - falhar a certeza dum compasso bem orquestrado e penteadinho. 
...E as pessoas... estou um bocado farta de pessoas. Daqui a nada vou mesmo dar em eremita num monte no Alentejo, despentear searas com o vento que trago no olhar... ahhhh já faltou mais!]

quinta-feira, 6 de junho de 2019





Vejam onde põem os pés, cuidado com o que pisam.

[... e depois fico a olhar para o que escrevi. Gostava de ser assim, gostava que fosse assim. Com uma justiça implícita. Cuidado com o que pisas, com quem pisas, porque podes ir ao chão. O mais certo é ires ao chão. Mas não. Depende. Não há justiça, há é, às vezes, pessoas que dão troco. E bem, se merecido. Depois há outras que não lhes assenta na pele o papel de caixa tesoureiro. Não dão troco, ficam a dever. E bem sabemos que ficar a dever é muito feio. E até injusto. Mas há pessoas assim. E as vezes têm pena de não ser mais mercantilistas com essa coisa dos trocos, mais contas certas, não ficar a dever nada a ninguém.
E depois fico a olhar para o que escrevi, enquanto tomo o pequeno almoço fico a pensar em tudo... estou preocupada, ansiosa, com muita gente e o que lhes acontecerá; sinto-me responsável mesmo que eles mesmo me desmintam, mas sinto. E a pessoa que eu sei, pelo nosso histórico, que mais depressa me apunhalaria (pode ter mudado, aprendido até, mas a essência das pessoas não muda, ou eu não acredito), é aquela que está em maior risco, ou assim me parece pelo que oiço. E ainda assim dou comigo a pensar que mais vale apunhalar-me outra vez do que eu pensar que não tentei tudo para lhe dar essa oportunidade (ou melhor ainda para ela não a aceitar e fazer-me acreditar que há coisas que podem mudar). Para ter a certeza que nunca lhe fiz o mesmo. 
E depois fico a olhar para tudo isto. Há certa estupidez que de tão entranhada deve estragar a espinha. Ou assim, não sei. Talvez não seja preciso sempre dar troco, mas às vezes podemos tentar não evitar que a vida o dê a quem merece... mas depois há a estupidez essencial de cada um (que não tenho provas que mude, mas que de certa forma tenho sempre esperança que os outros deixem de se aproveitar dela). Vê bem onde pões os pés, vê bem quem pisas. Podes ter sorte. ]

terça-feira, 4 de junho de 2019



Adoçar a boca dos amigos que nos fazem 
rir com as doidices que (às vezes) não nos desesperam, 
e no caminho engordar um tico de felicidade 
juntamente com o resto... :)))

(é bom ter alguém para mimar de quem gostamos, 
mesmo que as vezes sejam umas pestes, e nós também, pronto)

segunda-feira, 3 de junho de 2019

[foto @marcuscederberg]

Há dias em que nos sentimos o lastro que alguém deixa para trás, noutros somos inteiros  a própria mão que larga o lastro para poder continuar o caminho. 
Hoje não sei o que sinto porque sinto as duas coisas sem partes ou distinção aparente, num novelo que me aperta e me liberta. Deslaça e prende. Mata e alimenta. 
[foto @lenadunaeva]


Quando a saudade é penedo
com nome de impossível,
contornamo-nos, fugimo-nos,
esquivamo-nos das balas da memória,
qual placebo possível
com nome de futuro.

[há passeios que têm palavras como frutos que trazemos nos bolsos, quais rascunhos à espera de amadurecerem com a noite. O que amadurece com a noite é doce sem açúcar, tem sabor de sombra e de luar. De silêncio medido em palavras.]

domingo, 2 de junho de 2019

[foto @lunaa80]

Do tempo sem pressa,
Quase como quem não tem onde chegar,
Ou onde cada passo é destino.

Às vezes tenho a certeza que não preciso de ti, 
bastam-me as memórias do que sempre não foste.

sábado, 1 de junho de 2019

Das coisas que mais gosto na minha casa é ter um pôr-do-sol só dela, só nosso. Não, não é a fita de cor a deitar-se sobre o horizonte, não é a paisagem que todos da zona verão a mesma, é como tudo isso nos invade o olhar de fim de tarde ao som do chilrear que corre os céus dum lado para o outro e deixa a cadela maluca, é a delicadeza de como as cores entram em casa sem licença e se colam às paredes da sala como se fossem de cá. Como se finalmente chegassem a casa, e então pudessem descansar do dia, fechando devagar os olhos.
Das coisas que mais gosto na minha casa é ela saber coisas só minhas. Ter maluquices só nossas.

...já que é selfie,
que seja com estilo...
;))))
Bom dia!!

[uma selfie de bom dia destas podia ter a sua piada...
... e a piada obviamente não está na selfie, mas em poder mandá-la...
e na certeza que o dia iria ser bom ;)) ]


Sinto que não me sentes.
Não te sinto.
E o que mais sinto,
é esse não sentir
teu, que é meu.

E nele aconchegada,
aninho-me,
sonho sozinha.


sexta-feira, 31 de maio de 2019

...e é isto.
...o belo do optimismo.
...uma macacada.
Ou a minha ideia dele.
O meu dia de hoje começou ontem às onze da noite,
adiantou-se para chegar tudo atrasado...
e depois da m#%$@ feita... é dar a cara e esperar a pancada.
Já ter argumentos preparados, as armas limpas e preparadas.
Há coisas que começam mesmo bem!!
... cambada de macacos...

quinta-feira, 30 de maio de 2019

[ foto @stevemccurryofficial, modificado para preto&branco]

Aquela maneira que ela tinha de se apoiar na própria sombra. De fechar os olhos embalada pela respiração da terra, como sua, como o balançar do colo duma mãe que ela já não lembra. De rir com o canto dos olhos e pelas rugas traquinas do nariz empinado. De comer os doces com as mãos que os faziam. De amar sem mãos, nos silêncios das distâncias nunca ausentes. De falar como se todas as histórias fossem contos rematados de alma. Mesmo quando são de encantar, ou principalmente essas, que a vida tem sempre como desencantar de vida. De realidade.

(.... e como está a vida encantada de noite, agora na minha varanda. como se está bem, e a noite quente, deitada aqui. )

quarta-feira, 29 de maio de 2019

[imagem @iwitchalice]

Há sítios donde só se sai pelo próprio pé.
Há sítios em que o mais difícil é sair pelo próprio pé.
Ficamos sem pé, e sabemos. 

Como ter vertigens e um abismo para aprender a voar.
Só o medo de nunca voar nos empurra.


(Hoje o despertar foi assim, com frases a colarem-se ao lado de dentro da pele ainda por acordar.)

domingo, 26 de maio de 2019

[foto @zynp]

Só me apetece ronha, na cama invadida de sol, de vários sóis - ou nas palettes na minha varanda que servem ainda melhor para o efeito nestes dias que correm, cheios de sol e brisa que aquece os arrepiados sentidos da pele -, apetece-me tempo para acabar de ler a Agustina, e uma gargalhada para rimar com a minha quando partilho algumas expressões do norte que o livro serve a frio e dá-me  largos risos a quente (há dias tive de fechar o livro a rir-me, depois de ler a pérola de descrição duma criatura que melhor se resume por apenas “caga baixinho” - é do melhor, fartei-me de rir... daqueles que têm a mania, mas depois, depois, a altura a que estão do chão diz tudo e resume-os bem...) e pensamentos semeados, como quem lança descuidados segredos de sabedoria, pequenas eternidades, que temos de deixar poisar vagarosamente como as sombras do dia anoitecendo.
Hoje devia trabalhar, tenho coisas para fazer. Não me apetece. E agora?

sábado, 25 de maio de 2019

Even better if both...
Ihihih

[... but the best is if it’s done together... ;))) ]




Estou cá desconfiada - já com um elevado grau de confiança, diga-se - que a minha cadela, já parte dos meus dias e noites, da casa, da família, não pele da minha pele, mas pelo de toda a minha roupa, que a moça anda a largar pelo que não é brincadeira, mas dizia eu, este bicho enganou-se na casa, só pode... parece que tem alergia a massa!! Cá em casa!!... como é possível?... Deve ser alérgica a glúten: além de moderna a bicha é fina, lá do alto do seu aristocrático porte atlético de caçadora. E dito isto, assim de repente parece-me, que por este lado até era bom dizer que afinal não se enganou na casa, que há qualquer coisa de pedigree que me agrada... hummm vou repensar o assunto...

(ainda que daqui ela já não arrede pé, claro, já é parte da família, duma ramificação com mais um par de patas e bastante mais pêlo ;) e só ligeiramente sui generis nas preferências culinárias, acho que lhe perdoo porque além de ser um orgulho de espertalhona e vivaça, é a moça mais lindona da avenida, sem dúvidas e por larga diferença, claro... e a única que me faz levantar bem disposta, ainda que a refilar por me acordar, focinho com focinho, como hoje. E hoje até sonhei com ela, tinha tido uma ninhada de três lindezas, duas moças castanhas como ela e um de pinta negra como o namorado... fiquei a pensar o que quereria dizer. Nascimento? renovações? vidas novas? coisas lindas?... não sei. sei que gosto dela, muito. mais que isso também não interessa, pois não? não. )

sexta-feira, 24 de maio de 2019


[foto @diego_durden]

"— Garçon, que dose de mentira você tem?
— Temos: Eu te amo, nunca vou te deixar, eu quero você comigo, sinto saudades e também temos uma que anda saindo bastante: “Pode confiar em mim”.
— Ah… Manda todas que hoje eu quero me iludir."

[apanhado na página facebook: sometimes less is more]

É p'ró menino e p'rá menina.... para quem quiser acreditar e confiar e ser estúpido... mas  também serve para quem não tiver alternativa... há para muitos gostos e feitios, sempre com a mesma receita.
E é sempre uma boa dose, com certeza!...

quarta-feira, 22 de maio de 2019

[foto @sixnfive]

O anoitecer desce primeiro os ombros nus das casas,
entra nos olhos pela vida espremida do dia,
escorre liso pelas paredes em sombras,
alaga o chão até me molhar os pés de tempo,
beber toda a pele e galgar a alma como um touro cansado,
para ir cair na escuridão cerrada do céu
só salpicada por grãos de açúcar que derretem a noite
e não (me) deixam dormir.

[foto @nicoladavidson]

Uma mesa atravessa as discussões, é percorrida por argumentos que nem poisam os pés na travessia. Do outro lado, uma mulher feia, mas que podia ter algum encanto, como em tudo para mim, não é o cabelo palha-de-aço que a desfeia, nem o ar meio sem gosto que apresenta e que poderia passar quase despercebido, é todo um estar que não sabe ser, e não fosse a aparência de falta da vacina anti-raiva, ou um ou dois xanax matinais, poderia ter alguma graça, um sentido de humor inteligente, um discurso acutilante, uma ironia fina que sabe dizer o que quer, e como todos os feios poderia ser extremamente interessante ainda, mas não, nada disso.
Por cima da mesa olham-me como se me soubessem sem nada saber de mim, vêem-me como se tivesse tudo e não me conhecem o tempo rasgado por baixo da pele, a luz que me roubaram dos olhos os anos que me esqueci que passaram, nem as feridas que não se vêem, os golpes e remendos que trago camuflados em palavras assertivas e aparentemente nada incertas. Trago-me guardada por baixo de camadas de mim mesma que poucos conhecem. Ou vêem.
Olham para mim e pensam que tenho tudo.
Dá-me uma tremenda vontade de rir, mas não os desminto, excepto numa coisa que não tenho: pachorra para gente pequenina mas prepotente; estúpida mas com poder. 
É uma combinação que não me combina. Nem dantes, nem agora, desenganem-se. Eu não mudei.

terça-feira, 21 de maio de 2019

[foto @jeanphilippepiterphotography]

Vamos espreitar outros mundos,
Mergulhar noutras janelas, 
Descobrir outros céus.
E outras vidas.

Vamos escancarar a esperança em sorrisos
E descobrir vivas vontades nas mãos quase mortas.
Vamos seguir sozinhos agarrados ao que somos, 
E aos sonhos feitos areia que se agarram aos pés. 


[visto da minha janela parece um dia igual aos outros, que curioso... Sinto-o tão diferente. Mas não é ele, sou eu. Essa bela frase, tão usada noutros meandros...]





segunda-feira, 20 de maio de 2019

Fico aqui a olhar olhar-me e penso se volto aqui, a esta sala, a esta parede riscada de luz, a tanta coisa que largo, que deixo, ainda que não deixando. Mesmo que seja para aqui que volte depois de amanhã, voltarei mesmo? Ou venho de novo? Acho que venho de novo, doutra maneira. Continuo com medo, sim, para quê negá-lo, mas sei que é o que tem de ser, tenho de enfrentar o bicho, e todos os bichos que trará com ele. Acho que são eles que me vão dizer quem sou, como sou, se sou. 
Espero que o backup acabe enquanto penso nisto tudo, em como se fosse optimista estaria a pensar em tudo novo que vai acontecer, em todas as janelas que se abrem, em vez da porta que fecho, pelo lado de fora, deixando parte de mim dentro. E dói. Mas tudo dói, não é? Eu sei, é. Dói como as lágrimas que se embrulham nos olhos sozinhos do mundo, mas que nunca queremos desatar. Quase fingimos que não dói, que não são nossas, são emprestadas à espera de devolução. Como a mim, devolveram-me mas não sei a quem.

Das estratégias. 
Coisas que se fazem para evitar maiores “estragos”

Bom dia

domingo, 19 de maio de 2019

... bahhh 
Tarde demais para sábado, a tempo para o domingo ;)

sábado, 18 de maio de 2019

Dos (meus) sábados perfeitos: 
mesmo que feios por fora, 
deliciosos por dentro de cada hora.

Bom dia.

quinta-feira, 16 de maio de 2019

[foto via @bnwsouls]


É como se tivesses morrido.
Com a diferença de ter sido eu a matar-te. Em mim, para mim, por mim. 
Um luto em legítima defesa pela sobrevivência dum futuro
que ainda quero apanhar, espremer com mãos, pele e boca de amor - viver.
Tempo que mataste durante demasiado tempo. 
Que luto para que não tenha morrido contigo. Comigo.


quarta-feira, 15 de maio de 2019





... se não festejarmos a vida sem razão alguma, 
nunca saberemos festejá-la cheios de razões.

[dou por mim a pensar que talvez o segredo esteja em escolher o que temos, 
mais do que ter o que escolheríamos... 
mas que há uma parte importante que é também escolher algo por que lutar, 
algo que se queira com a força do que vem de dentro, com alma, com a crença numa felicidade por que nos queremos bater. 
Às vezes a felicidade também passa por batermo-nos por alguma coisa, por acreditar em algo, por nos arriscarmos, sabendo que podemos perder o que nunca chegámos a ter, 
deixando cair sonhos entre as passadas do caminho que vamos trilhando, 
mas, sabendo que escolheríamos sempre o que temos, o que não nos falha,
o que nos permite ir semeando sonhos perdidos pelo caminho e levantarmo-nos com a possibilidade de um sorriso, que são as mãos que temos na nossa. Sempre. E os dias que ainda não vivemos, mas são nossos. Ainda.]



segunda-feira, 13 de maio de 2019

Reza a história que chegados à torre, 
abeiraram-se da janela e disseram:
"que bel'de-ver".
E foi o que ficou, até hoje.
... e ainda é belo de ver.

Será que a beleza se gasta nos nossos olhos?
Se virmos todos os dias a mesma paisagem, 
que achámos bonita - que achamos ainda, que até escolhemos-,
vamos deixar de vê-la?... ainda que a olhemos?



quinta-feira, 9 de maio de 2019


Treze anos, e não são de azar, pelo contrário, ainda que me façam perder a paciência numa base diária... Está quase do meu tamanho, mas maior que eu. Mesmo que lhe veja tudo, ou quase, o que eu tenho de pior, a resposta aguçada, o temperamento algo inquieto, a doçura demasiado reservada e a franqueza demasiado dura. Alguma coisa de bom também terá herdado, espero. Espero principalmente que lhe tenha conseguido transmitir o que para mim é mais importante no carácter dum ser humano: a honestidade, a lealdade e a noção de justiça, cimentados num pensamento crítico. Só me pergunto se isto não será contraproducente para a sua felicidade. E se não é isso o mais importante de tudo. Mãe há treze anos e tenho mais perguntas que respostas. Ela merecia melhor, ainda que de mim tenha tudo o que consigo ser de melhor.
[Jorge Roque, in Nu Contra Nu]

Tudo e nada.
Não esperar nada e saber que tudo pode acontecer.
O bom, o pior mal, e até o que nem se dá conta que já foi.

Talvez continue à espera de esperar alguma coisa
Dizem-me que isso ainda é esperar
Mas esperar o quê?

A esperança?
que veio no comboio das  nove
que não partiu?

Há vezes que parece que a alma volta a ter a forma do corpo.
Não sobra, nem transborda.
Está justamente medida em si, em mim.

Pareço, em pequenas gotas de tempo que escorrem dias, anos, outras vidas inteiras, voltar a sentir a alma cheia, onde o vazio já não é tanto ausência, mas o espaço que guarda o futuro, o porvir,
talvez uma réstia de esperança por ocupar no tempo. Talvez.

Talvez não seja nada
Pode ser tudo

O comboio não partiu
Mas partirá?


terça-feira, 7 de maio de 2019

[imagem @jesuso_ortiz]

... outra vez.
Ao menos que chova a sério e o suficiente, 
Precisamos de chuva, muito, eu sei, mas em vez de se arrastar em dias cinzentos e de chuvinha fofa,  lenta e tola, já que está fora de tempo não pode fazer a coisa duma vez? 
Concentradinha e eficiente? Hum?
Duas ou três semanas a sério e deixávamo-nos de brincadeiras, 
do toca e foge da roupa de verão, e do esconde-esconde das gabardines ... hum? Que tal?
Ainda que hoje o tempo me vista tão bem, quero tirar esta farda de há demasiado tempo. Quero vestir a pele de sol e o coração de primaveras. Já é tempo. 
Que chova tudo agora, já quero sol.

... mas quando deixam de o conseguir, 
quando já não lhes aparam o jogo, 
é como uma ofensa, quase uma traição.
Como se os únicos que pudessem ter e impor limites fossem eles. 
Ainda que nunca os tenham em relação aos outros, 
aqueles a quem acham que podem fazer tudo e desfazer tudo.
Às vezes, deixar de ser bonzinho e aguentar tudo, não é ser mau,
é virar costas a quem nunca nos soube apreciar e dar a mão.


segunda-feira, 6 de maio de 2019

ahahahhah

...realmente, com tanta prática...
mas as mudanças têm esse efeito, mesmo quando são esperadas há meses. Desde o final de 2018 que estou suspensa por decisões que não me cabem, e é pior  assim, quando não está nas nossas mãos. Para mim é, pelo menos. As que me cabiam decidir e fazer, estão feitas e encerradas, falta-me só concretizar uma mudança que já estava decidida, mas ainda não tinha data de ocorrência. 
Agora já a defini. Vai-me custar, vai, mas tem de ser. 
Aproveitar o embalo para mudar tudo. Tudo, menos eu.
Há um reset que me devo. 



sexta-feira, 3 de maio de 2019

[foto @seeavton]

se eu estava bem, se já havia notícias, se estou menos ansiosa, como foi o dia.
que a ser será um desafio, que eu tenho o que é preciso, 
e deixa escapar entre coisas não ditas, que eu faço por não ouvir,  
que se por acaso não conseguir, em nada serei menos, nem a admiração que parece ter sairá beliscada.
algumas brincadeiras à mistura, sentido de humor e aqueles "só tu" que sabem bem.
pequenos e tímidos gestos de quem quer saber(-me), de cuidado, de alguma protecção.
sorrio e penso devagar em tudo, revejo por fora, perscruto por dentro.
Parece perfeito para mim, e será talvez esse o seu único defeito.




quinta-feira, 2 de maio de 2019


Como um paradoxo.
Há um alívio no desígnio cumprido 
que não leva o peso de o ter cumprido. 
Deixa o peso do que nos levou.