sábado, 9 de setembro de 2017


...acordar já com olho na preguiça do alpendre. 
... tomar o pequeno almoço e comer com os olhos. Pensar em um dia mudar de vida e lambuzar-me assim todos os dias, sem cerimónias, sem tempo regateado, sem ânsia por horizontes largos. Talvez um dia, talvez qualquer dia, talvez num onde qualquer, um lugar que se torne o meu sítio. E esta palavra continua a balancear-me por trás do olhar, a dançar-me entre pensamentos, fintando instantes vazios, à procura da medida certa da sua definição. Sítio, o lugar certo para alguma coisa ou alguém, não tem coordenadas, porque não é das geografias mas dos afectos, pode ser gente, pode ser parentesco de coração ou de sangue, pode ser a história que vestimos de um lugar que se torna parte de nós, pode ser qualquer coisa onde nos sintamos pertencer, onde nos sintamos em casa, em que percebemos sentir a nossa inteireza. Só nos apercebemos da importância da inteireza quando nos vimos partidos sem saber o que (re)fazer dos cacos. Talvez o nosso sítio seja onde formos capazes de curar e renascer. Esquecer quem nos despedaçou e lembrar só que podemos quebrar. Preservarmo-nos, conservando o olhar, de dentro e de fora, em sítios onde sentimos beleza, agora e nos agoras que já foram.

4 comentários:

  1. Talvez o nosso sítio seja onde pousamos o coração, onde de alguma forma nos reconstruímos.
    Bom fim de semana, Vi.
    Beijo
    Nanda

    ResponderEliminar
  2. Onde podemos pousar o nosso coração acolhido, querido, acho que só daí vem a reconstrução possível...
    Beijo, Nanda

    ResponderEliminar
  3. "Talvez o nosso sítio seja onde formos capazes de curar e renascer."

    Temos de ter sempre esse sitio, para bem da nossa existência.
    Bom dia, Vi:)

    ResponderEliminar
  4. Às vezes o difícil é conhecê-lo (ou reconhecê-lo) :)
    (Já tinha respondido de manhã... e acho que não carreguei no botão... ooops)
    Bom domingo, Legionário

    ResponderEliminar