sábado, 2 de julho de 2022
domingo, 26 de junho de 2022
E o outro meia leca la foi à vida dele e ela corre como se as pernas tivessem vontade própria. E é bom de ver. A vida assim. Tão simples e ela tão contente. Eu mal acabe este registo de mais uma manhã de domingo, e antes de continuarmos a caminhada, deito-me na pedra e conto os tons de azul do céu, e descubro tudo o que está escondido nas nuvens e só eu vejo.
sábado, 25 de junho de 2022
Ainda não sei dizer, ainda não tenho dentro da boca as palavras. Ainda não consigo dar as respostas que gostaria, e quero, dar. Nem sei se vou ter, ou conseguir, não sei e não tenho certezas. Quase todas as minhas certezas morreram de desilusão, mas sei que há coisas que não se fabricam, não se forçam e é tolice pensar que podem ser exigidas: o amor, a paixão, a ternura, o afecto. Por muito que se faça e procure, ou tentem provocar, não surgem mais depressa nem por decreto, têm o seu tempo para nos assomar à boca e fazerem de nós uma casa onde sabem que moram, uma certeza que se sente, que nos fazem sentir. Tudo o resto são erros, com ou sem engano, com ou sem agenda própria, com ou sem ou maldade, mas são. Se me faltam ainda as respostas, não respondo, não manipulo, não engano, mas também não sei disfarçar, nem quero. Quando for, é inteiro. É verdadeiro. Não sei, nem quero doutra maneira.
[numa outra vida lembro-me de dizer (ou escrever, já não sei exactamente, provavelmente escrever, porque há coisas que digo melhor a escrever) a alguém, que percebia as represas que lhe guardavam as palavras. Por isso nunca pedi, nunca perguntei, nunca quis algo que não me quisessem dar, dizer com espontaneidade, com vontade. Pensei que se algum dia a necessidade de dize-las fosse maior, por já não caberem dentro, por a força de sentir e dizer ser maior que a necessidade de as prender, de as recolher em segurança, então eu saberia, então eu ouviria. Então só poderia ser verdade. Só assim poderiam significar alguma coisa, tocar-me, chegar a mim. E chegaram, sem pedir, sem perguntar, sem alguma vez exigir, chegaram livremente, espontaneamente, e disseram tudo. Tanto. Demais até, mais do que certamente a verdade permitiria, do que permitiu. Desse pecado não sou pecadora, mas sofri penitências demais. É pena que nem todos saibam o peso das palavras inteiras, o que dizem se não querem dizer. O que acrescentam quando a tal ponto nos dizem que o estão a afirmar, ali naquele momento (lembro-me tão bem ainda, perfeitamente), nunca antes nos disseram, como se essa novidade fosse carimbo de verdade. E não foi. Noutra vida. As vidas estão todas ligadas, somos nós, por muito que deixemos para trás essas outras vidas, que já não são os nossos dias, elas estão em nós, plenas de sombras e de raios de sol de que nos abrigamos. ]
quinta-feira, 16 de junho de 2022
Sou muito de sofá, e de filmes e de ler. De varanda no verão. De música a cantar a disposição das manhãs de fim de semana, de cães pela casa toda e em cima dos meus pés, às vezes até ao colo, poucas a passear ou a correr. Sou daquele feitio de ser demasiado directa, de dizer o que penso, sem dar tempo para pensar em como o dizer, e por isso o chamarem de mau. Nunca conheci nenhum manipulador a quem chamassem mau feitio, esses arranjam forma de não desagradar a ninguém, ainda que a poucos agradem verdadeiramente. Sou de intensidades desreguladas, e de voos sem rede e sem pensar. De dar tudo sem pensar no que fica. Sou de amar devagar e às vezes em urgências que queimam. Sou? Ou penso que sou, porque fui? Já não sei como sou ou o que sou, não sei de mim o que restou depois do que me roubaram, e eu entreguei sem pedirem. Sei, ou acredito, que a nossa essência não morre, e o que formos virá à tona dos dias, da vida, tantas vezes com uma força que já não reconhecemos, nem suspeitaríamos... assim aconteçam os amanheceres que a despertem, assim nos descubramos uma e outra vez, na mesma mas diferentes. Será?
Hoje é noite de dormir com as janelas abertas, é dia de beber esta escuridão com as estrelas a tilintar nos olhos fechados, como pedras de gelo num copo de fim de tarde a derreter o calor sem cerimónias enquanto nos despedimos do sol, e sem saber, de toda a vida até aquele momento. Da praça sobe um murmúrio de vozes que me chega como uma especiaria de silêncio, apimenta a imaginação por outras vidas, tantas conversas, risos espontâneos e vivos, que não se contam, e onde nada se desconta. Como se a vida fosse inteira, sem gomos nem dias, só agora. Só agoras. A brisa de seda que me escorre pela pele lembra o despertar do verão e o calor que as noites devem ter, onde as almas se abrem de par em par, como as janelas fechadas da minha varanda. Às vezes o verão tem de entrar devagarinho e tomar conta da casa, ainda com os agasalhos espalhados pelo chão. Ainda com o pó de Outonos pelos cantos. Gosto quando o verão entra pelo lado da noite. Hoje é noite de abrir as janelas, mas a escuridão não dorme. Talvez eu também não, só a vida parece ter adormecido por meros instantes.
domingo, 12 de junho de 2022
Nina Simone a passear pelo ar da casa domingueira (“do what you gotta do”)…e a assentar-lhe maravilhosamente. Fazer um mini brunch sem a mini pequenitates - cada vez menos Mini -cá de casa tem alguma estranheza entranhada, agora acabam sempre mais caprichados (e esquisitos) quando ela está, mas apeteceu-me. Não sei se o sol pela janela já trazia a Simone no silêncio quente da luz que nos invade, ou se a Nina é que trouxe a vontade do brunch porque apetece mais com sol que se pode dançar. E olho para este meu velhote mimado enquanto como, a cobiçar a minha torrada e gosto da vida que tenho. Gosto, nem sempre é assim, ou nem sempre o vejo, ou esqueço-me vezes de mais de o sentir (o trabalho e aquela gente doida mete-se muito no caminho disso) mas estou aqui e estou a pensar noutro brunch a acontecer agora em Lisboa, dum miúdo que adoro, que quero que seja muito feliz. Com tudo a que tem direito, sem meias tintas ou meias felicidades, que meia felicidade é metade duma infelicidade inteira, Como desejo a todos que gosto realmente. Estranhamente, duma forma ou de outra, tenho sentido muito carinho (as vezes de formas estranhas que se calhar só eu vejo, mas sinto-o) das minhas pessoas, das que escolhi para serem também a minha vida. Das que me ouvem, das que me procuram. Mesmo os doidos varridos, e os inconvenientes. E o miúdo, que no meio do seu carrossel de vida ultimamente, a caminho quer saber se estou bem. Estou. Melhor assim.
sábado, 11 de junho de 2022
domingo, 5 de junho de 2022
segunda-feira, 23 de maio de 2022
quarta-feira, 18 de maio de 2022
quarta-feira, 11 de maio de 2022
Aqui o céu ainda não acordou, está sonolento e sem cor, mas o dia promete calor nas previsões do telefone esperto. Paro no semáforo e reparo que estão a vestir com a coleção da nova estação aquele canteiro onde há tempos presenciei a paixão em movimento. Um mocinho apaixonado, sai do carro a correr para ir arrancar uma flor amarela como o sol que agora falta no céu, e correr outra vez para o carro. Não lhe vi a cara, mas sempre que penso nele acho que teria um sorriso sem tamanho que o rosto pudesse comportar. Será que ainda sorri? E sorrio eu a pensar em tudo isto. E o semáforo vira verde. Bom dia! Temos de acordar o céu :)
segunda-feira, 9 de maio de 2022
O antes e o depois.
Ohh mãe estas cores no meu quarto já são muito infantis... e então, tal como há alguns anos atrás, com uma cómoda, uma caminha de grades e uns espelhos em madeira em bruto que resolvi pintar com as próprias mãos - manias de querer coisas “com alma” e gostar de as fazer... - resolvi tirar uma semana de férias para lhe tratar do quarto. Regressadas do fim‑de‑semana estrelado no Alentejo, pus mãos à obra. Comprei abat-jours e tapetes, empoleirei-me em cima dum banco em cima da cama para passar de dois candeeiros a um, e não morri: nem de queda, nem de choque (desliguei o quadro geral, pois)... e olhem que não foi fácil voltar a ligar os fios, mas ficou feito, com a minha filha a agarrar-me as pernas para cairmos mais aconchegadinhas caso fosse dar-se essa eventualidade macaca... findo a parte “fácil” do processo foi pegar na nova companheira de guerra comprada para o efeito e ficar lixadinha da vida a lixar a cómoda para acomodar cores “mais adultas”. Uma dor no polegar e pulso depois, temos tudo lixado - o que convenhamos não é novidade, só não costuma deixar-me a mão direita meio inutilizada para a vida... - então começa a parte mais gira de pintar. Ainda por cima ia experimentar uma técnica que nunca tinha experimentado nestas lides - stencil. As primeiras saíram uma cagada, nos espelhos - cobaias - que dantes eram de cores alegres e vivas, mas que foram mais rápidos de lixar... há casos assim... é a vida! No último espelho a técnica maravilha, combinação das várias que tinha pesquisado, estava descoberta :) ! Portanto hoje depois duma caminhada com a tracção às quatro que me soube pela vida - e ainda tive um carro a parar ao meu lado e a afirmar muito convictamente: “que belo animal” e eu agradecer mas não saber bem se tinha sido um elogio para a bela cadela, ou um insulto velado para mim... fica a dúvida - lá consegui terminar a empreitada!! E gostei do resultado. Gostei. Adoro fazer estas coisas. Estou com as mãos numa lástima, é certo, mas gosto. Embrenho-me nisto, ponho música ou as vezes até me esqueço, e ponho-me a fazer coisas que me saem das mãos, mas me nascem muito mais dentro. Gosto e gostei que depois do trabalho de uma semana de férias, e todas as horas livres da semana de trabalho seguinte, tudo estivesse pronto na véspera de aniversário. Que por acaso - ou não tanto, há coisas que a razão apenas desconhece...- é dia de aniversário do meu pai. Sim, a minha vida é uma tourada, muitos touros na arena, eu sei... e então foi todo um outro corrupio, mas tudo se fez. E agora estou aqui, em frente ao último copo deste vinho que adoro, a fazer um resumo do dia, das emoções e da trabalheira das duas últimas semanas, com as mãos a precisar de creme e as unhas de verniz e eu... eu de acabar o copo de vinho, de que bebi toda a garrafa... menos um copo e meio que bebeu o aniversariante. E ele deu conta. Que eu bebi o resto tudo, quer isto dizer... vou dormir bem é o que é, mas eu mereço! :) e amanhã, amanhã tenho uma filha com 16 anos. Não me acordem, por favor.
sábado, 7 de maio de 2022
quarta-feira, 4 de maio de 2022
quarta-feira, 27 de abril de 2022
quarta-feira, 20 de abril de 2022
Paro o carro e procuro no silêncio as palavras que perdi pelos dias. As que não disse, as que me roubaram momentos e me reduziram o silêncio a uma densidade admissível. Tenho agora poucos momentos que dêem tempo para as palavras me aconchegarem, procuro-os pouco e talvez procure não os procurar, não os precisar. Mas depois, depois penso onde fico eu no meio destes dias assim, onde não tenho tempo para me falar, para navegar a densidade dos silêncios onde repousa a nossa essência. Os dias são paradoxalmente demasiado leves por rasparem apenas a superfície, e demasiado carregados de trabalho que não deixa os pensamentos respirarem fundo, como se além do fazer não houvesse mais horizonte. E agora, aqui sentada, acho que tento recuperar os horizontes, e o silêncio que alimenta essências.
sábado, 16 de abril de 2022
sábado, 9 de abril de 2022
domingo, 3 de abril de 2022
(pelo menos riu-se, para isso contou...)















