domingo, 21 de abril de 2019

[foto @cyrilledruart]

Domingo santo... que maravilha...
A porta da varanda aberta, os bichos por perto 
e o sol a entrar com canto de pássaros... 
e eu, assim, aqui, a pensar que há coisas boas sem muito.

sábado, 20 de abril de 2019

[Manuel Bandeira, 50 poemas escolhidos]

Dei-me agora conta que não dei conta que aqui há dias fez dez anos do dia em que percebi que o meu casamento estava acabado sem eu saber. Até aí ponderava apenas se estaria a ruir, a afundar-se lentamente, a perder-me aos poucos. Mas não, nesse dia percebi que já me tinha perdido, ou esse dia não me teria ficado na memória. Separámo-nos oito meses depois, mas não acho que tenha sido um nascimento prematuro, ou uma morte. Talvez apenas o reconhecimento dessa morte tenha demorado demasiado, como tantas demoram se as negarmos e nos formos deixando morrer também. O que aconteceu naquele dia fez-me perceber: tinha chegado o ponto de dizer basta. Fui honesta e disse-o, tomei a decisão e separei-me. Também me lembro da data em que saiu de casa, há datas que me ficam gravadas, é normal, suponho. E recordá-las também. O que não achei normal foi só uns dias depois me aperceber que já tinha passado aquele dia - dez anos sobre esse dia. O dia em que me caiu a ficha, o dia que me obrigou a olhar para dentro e assumir o que via. Foi também o dia em que me roubaram os dez anos seguintes. E eu deixei. Por muito pouco não chegou aos 10 anos completos, para voltar a cair a ficha, outra. Das duas vezes disse basta, não quero mais isto, cada um à sua vida - frase que ouvi muitas vezes, e desta vez, não a tendo dito exactamente assim, senti-a. Talvez seja importante sermos nós a tomar a decisão, ser uma escolha nossa fechar a porta. Enquanto não foi, a porta esteve sempre aberta se voltassem, e nestes dez anos voltaram sempre, sempre, até que a fechei. Foi preciso ser eu a fechá-la. Nunca fui atrás de ninguém, mas de cada vez que voltaram não encontraram a porta fechada, mas os braços abertos de saudades. Até que não, já não. Chega, chegou. Esta ficha demorou mais a cair, é verdade. 10 anos é muito tempo, não me ter dado logo conta desse marco talvez seja um sinal de que o tempo perdido já se perdeu. Para mim. É bom sinal.

[os nomes talvez nunca cheguem a ser como os outros, talvez tragam sempre agarrados um sorriso, ou  um esgar, não sei, o tempo sobre tudo o decidirá.]

sexta-feira, 19 de abril de 2019

[imagem @virgola_ ]


Que a vida que é vida
nos mate e nos ressuscite.
O crucificar dispensa-se ao comum dos mortais :)

Boa Páscoa.

quinta-feira, 18 de abril de 2019

[foto @in_somnia_ ]

Saber escrever pouco
Poucas linhas
Não mais que três palavras
Arrumadas por linha
Para ser bonito
Ser clara e concisa

Mas não sei

Uma coisa
É tanta coisa
Na minha cabeça
Até o nada
É uma espécie
De quase tudo

E eu não tenho nada para dizer.

Para ficar bonito.




[... hoje almocei sozinha. Nota-se. Deu nisto.]

I’m over, basically... :D

[I remember there was also this over one ;)))...]

Bom Dia!!

quarta-feira, 17 de abril de 2019

Viver num país onde o despacho relativo a serviços mínimos, supostamente para assegurar à população portuguesa um nível  serviços mínimos, refere “abastecimento de postos da grande Lisboa e Porto”... é que nem todos somos igualmente portugueses, e há mínimos para Lisboa e Porto que para o resto do país, são, não sei, talvez desperdício??? será?...  e que tal na loucura sei lá, garantirem abastecimentos as empresas de transporte público, para pelo menos dar uma alternativa para toda a gente ir trabalhar... sei lá se calhar é uma ideia idiota lá para a cabeça desta cambada de imbecis que nos governa... e tão ecológicos e coiso que eles querem parecer... no país todo. Ou talvez não. 

[foto @diego_durden]

Como o eco dum passado perdido
a meio caminho do esquecimento
a noite estremece-me do desejo
que há muito foi prazer
pele, língua e cheiro

Mordo o querer enraivecido,
rasgo o arfar adormecido,
cravo as unhas na escuridão
por tudo sentir esculpido
na sombra da pele
a estocadas cruas, cruéis,
de vontades que não envelhecem
de tanto enterrarem
nos intervalos das noites
as rugas do tempo
que não se vive

mas mata

segunda-feira, 15 de abril de 2019

Resultado de imagem para elegia filme

Fim de semana de filmes, de passear por casa, de habitar o sofá, de chá e bicharada. E mesmo na despedida do fim‑de‑semana, este filme. Até uma certa parte havia um certo reconhecimento duma antiga perplexidade por perceber certa cobardia, uma incompreensão de certas perspectivas, da mentira até. Depois, a uma qualquer altura, instantes talvez, chegar a reduzir a intrincada (i)lógica de alguns homens (que se tropeçam em justificações injustificáveis e se estatelam em verdades que lhes doerão mais), a uma clareza tal que se resume a uma simplicidade que não se coabita, a simplicidade da solidão (e há-a sob tantas formas...) por medo de ser abandonado, que acaba por ser estupidez apenas, simplificando. Mais à frente, por outro lado - ou do outro lado -, aquilo que muitas vezes não parece óbvio, o medo de afinal nunca se ter sido amada, mas apenas à beleza e à juventude que diziam gostar de ver ( ou de certa forma possuir, como um qualquer antídoto do envelhecimento dele), o medo do desejo perdido com a perfeição do corpo. O medo de nunca ter deixado de ser invisível, da beleza que dizem ver impermeabilizar o ser, de nunca ter sido vista além, de não lhe ter chegado a ser alguém. De parecer tão facilmente poder ser substituída por outra beleza que surgisse, pois nada lhe era mais além de beleza e juventude - exactamente o que, afinal, apavorava o outro de medo. E fica-se a pensar nos medos cruzados de cada um, e no tanto que isso altera decisões e vidas, no tanto que nos marcam as saudades do que não se fez, por medo de depois, se calhar, ter de viver com perdê-lo - ter de sobrevivê-lo. Como se assim a certeza de o perder não fosse mais segura, palpável até, e o idílio de o viver algo eterno nunca vivido, mas a única realidade.
E quando uma pessoa trinta anos mais velha, subitamente, tem provavelmente mais vida pela frente, toda a perspectiva muda, e de repente o tempo que não se queria perder para a frente, ficou perdido para trás, irrecuperável. E assim, curiosamente, não é (aparentemente) tão assustador arriscar o tempo que resta, que sendo menos o torna aceitável... Só se fica, só se tenta, quando já não há nada a perder?
E acabo o filme a pensar como é estranho tudo isto, porque é que se aceita aproveitar, viver, quando se sabe que vai acabar, ou que já nada, ou quase, resta; e não se arrisca quando não há esse perigo no horizonte? 
O tempo... sempre o tempo (lembro-me agora e aqui do post que escrevi ontem, esta coisa do tempo toma-me muito tempo de pensamento...), a nossa perspectiva da vida é a nossa perspectiva do tempo, do tempo que temos, do tempo que já perdemos, do tempo que não poderemos aproveitar, e daquele que pensamos que nos resta... isto e todas as desculpas que usamos com o seu apelido, quando são apenas filhas bastardas da estupidez. Mas uma coisa parece-me verdade, há um tempo certo para agarrar a oportunidade, para ficar, para tentar.. Depois disso já não há tempo, mesmo que tempo não falte, falta o resto tudo que o tempo foi levando da altura certa.
[é por isso, ou melhor, por isto, que digo sempre não concordar com o que se costuma ouvir “mais vale tarde que nunca”. Não, quando, para algo, é tarde, já passou, já não vale a pena, que se refastele no nunca... o que às vezes é difícil é reconhecer quando se tornou tarde. ]

domingo, 14 de abril de 2019

sábado, 13 de abril de 2019



O tempo nada me diz, existo sem tempo, para além dele. Não lhe obedeço, não me contém. 
O tempo só existe quando a sua passagem nos altera. O tempo não me altera. Mas com tempo altero muita coisa. Com muito tempo altero tudo, ou quase. 
Intemporal, olha, sorri e diz: dêem-lhe tempo e será meu.
Tudo será meu, tudo será mar.

sexta-feira, 12 de abril de 2019




E se quiseres escolher, 
escolhe um azul que seja verde que seja teu.

Escolhe a vida que tens, não tens mais nenhuma,
mas pinta-a, em cada dia, com cores que sejas tu.

Bom dia!

quinta-feira, 11 de abril de 2019

...então e se forem palitos?... é amor... que não dá pica nenhuma, mas pica!

E quando duas pessoas ficam juntas sendo a segunda (ou única, ao que parece, de parte a parte, neste momento) opção de cada uma delas - isso será economia de meios, uma certa justiça perversa, ou só uma pragmática pobreza - uma tristeza prática? Uma miséria que passa por elegância?... Impulse não é de certeza, até porque ali não se oferecem flores, só enfeites.... ahhh... espera, já sei... é amor forte e profundo, daquele com cenas que não deixam o outro partir, quase de faca na liga - ou, para quem não usa tal apetrecho, também se pode dizer de faca e alguidar; em alguns casos será bastante mais apropriado - em que alguém se descabela e humilha (muito), a dizer que não é capaz de viver sem o outro... e parece que é verdade, mas por falta de alternativa, não de tentativa.
Eu cá não sei, mas preferia estar sozinha... bom, vai daí, é mesmo por estas e por outras que estou. E antes assim que assim-assim, a fazer número, ou compasso de espera até aparecer alguma coisa mais interessante ou... até não ter medo de enfrentar a vida só com o que sou e tenho, sei lá.

[enquanto escrevia isto lembrei-me desta publicidade... há coisas que ficam sem sabermos porquê...]

quarta-feira, 10 de abril de 2019


[imagem @diego_cusano]


O seu canto cheira a maresia, acorda-nos os dias como espuma 
que refresca o olhar, que nos beija a pele, como quem, traquina, 
nos molha os pés da alma pelos ouvidos. Desperta o sentir
ao compasso de cada maré que anoitece o sonho.

[o mar, o mar, preciso tanto às vezes...
Traz novos dias dentro do dia]
Bom dia

terça-feira, 9 de abril de 2019

O teu riso rir-se na minha boca:
a definição de alegria tangente à felicidade.
A tua vida estremecer no meu corpo:
a indefinição de amor.


segunda-feira, 8 de abril de 2019

[foto @jeanphilippelebee]


A noite nua tem pele de desejo eriçado 
Vestimos a noite para confessar 
o pecado que não cometemos

domingo, 7 de abril de 2019

...há que ser justa.
Isso e arranjar umas galochas para o dia seguinte,
que água, aqui, já tínhamos bastante, 
há que alternar com álcool e ajudar um tico à festa metendo água...
(...e ainda bem, porque precisamos muito de água.
Disso e de dar um habitat condigno a tanto pat@ por aí...)

Bom dia!

sábado, 6 de abril de 2019

Devagar, como uma sombra de fogo,
o horizonte incendeia-se, abre-se à noite,
sequioso, esfaimado,
com dentes cheios de mãos,
numa paixão sempre por saciar.
Como uma nudez 
à míngua de pele.


quarta-feira, 3 de abril de 2019

[imagem @diego_cusano]

... olhamos as nuvens no céu e vemos animais.
Uns mais raros outros menos, depende da imaginação de cada um, provavelmente.

Então pensamos, percebemos, - tal qual epifania emprestada de qualquer coisa que já lemos, ou vimos, em qualquer lado - que há muitas pessoas que devem ser nuvens... só pode.
... E não precisamos de imaginação nenhuma, curiosamente.

terça-feira, 2 de abril de 2019


[imagem @sixnfive]



não me chegam
as migalhas do sonho
que roí sem comer

entretenho
talvez outro sonho,
ou o vazio da esperança

segunda-feira, 1 de abril de 2019

... das mentiras: cada um escolhe a sua ;)

[e algumas são tão boas, têm quase tanto charme entranhado como os artistas que as dizem, como verdades espantadas de tão sentidas, nem acreditam quando deixamos de acreditar, quando já não queremos, obrigada... pensam que é mentira! verdade, a sério!]