sábado, 13 de abril de 2019



O tempo nada me diz, existo sem tempo, para além dele. Não lhe obedeço, não me contém. 
O tempo só existe quando a sua passagem nos altera. O tempo não me altera. Mas com tempo altero muita coisa. Com muito tempo altero tudo, ou quase. 
Intemporal, olha, sorri e diz: dêem-lhe tempo e será meu.
Tudo será meu, tudo será mar.

sexta-feira, 12 de abril de 2019




E se quiseres escolher, 
escolhe um azul que seja verde que seja teu.

Escolhe a vida que tens, não tens mais nenhuma,
mas pinta-a, em cada dia, com cores que sejas tu.

Bom dia!

quinta-feira, 11 de abril de 2019

...então e se forem palitos?... é amor... que não dá pica nenhuma, mas pica!

E quando duas pessoas ficam juntas sendo a segunda (ou única, ao que parece, de parte a parte, neste momento) opção de cada uma delas - isso será economia de meios, uma certa justiça perversa, ou só uma pragmática pobreza - uma tristeza prática? Uma miséria que passa por elegância?... Impulse não é de certeza, até porque ali não se oferecem flores, só enfeites.... ahhh... espera, já sei... é amor forte e profundo, daquele com cenas que não deixam o outro partir, quase de faca na liga - ou, para quem não usa tal apetrecho, também se pode dizer de faca e alguidar; em alguns casos será bastante mais apropriado - em que alguém se descabela e humilha (muito), a dizer que não é capaz de viver sem o outro... e parece que é verdade, mas por falta de alternativa, não de tentativa.
Eu cá não sei, mas preferia estar sozinha... bom, vai daí, é mesmo por estas e por outras que estou. E antes assim que assim-assim, a fazer número, ou compasso de espera até aparecer alguma coisa mais interessante ou... até não ter medo de enfrentar a vida só com o que sou e tenho, sei lá.

[enquanto escrevia isto lembrei-me desta publicidade... há coisas que ficam sem sabermos porquê...]

quarta-feira, 10 de abril de 2019


[imagem @diego_cusano]


O seu canto cheira a maresia, acorda-nos os dias como espuma 
que refresca o olhar, que nos beija a pele, como quem, traquina, 
nos molha os pés da alma pelos ouvidos. Desperta o sentir
ao compasso de cada maré que anoitece o sonho.

[o mar, o mar, preciso tanto às vezes...
Traz novos dias dentro do dia]
Bom dia

terça-feira, 9 de abril de 2019

O teu riso rir-se na minha boca:
a definição de alegria tangente à felicidade.
A tua vida estremecer no meu corpo:
a indefinição de amor.


segunda-feira, 8 de abril de 2019

[foto @jeanphilippelebee]


A noite nua tem pele de desejo eriçado 
Vestimos a noite para confessar 
o pecado que não cometemos

domingo, 7 de abril de 2019

...há que ser justa.
Isso e arranjar umas galochas para o dia seguinte,
que água, aqui, já tínhamos bastante, 
há que alternar com álcool e ajudar um tico à festa metendo água...
(...e ainda bem, porque precisamos muito de água.
Disso e de dar um habitat condigno a tanto pat@ por aí...)

Bom dia!

sábado, 6 de abril de 2019

Devagar, como uma sombra de fogo,
o horizonte incendeia-se, abre-se à noite,
sequioso, esfaimado,
com dentes cheios de mãos,
numa paixão sempre por saciar.
Como uma nudez 
à míngua de pele.


quarta-feira, 3 de abril de 2019

[imagem @diego_cusano]

... olhamos as nuvens no céu e vemos animais.
Uns mais raros outros menos, depende da imaginação de cada um, provavelmente.

Então pensamos, percebemos, - tal qual epifania emprestada de qualquer coisa que já lemos, ou vimos, em qualquer lado - que há muitas pessoas que devem ser nuvens... só pode.
... E não precisamos de imaginação nenhuma, curiosamente.

terça-feira, 2 de abril de 2019


[imagem @sixnfive]



não me chegam
as migalhas do sonho
que roí sem comer

entretenho
talvez outro sonho,
ou o vazio da esperança

segunda-feira, 1 de abril de 2019

... das mentiras: cada um escolhe a sua ;)

[e algumas são tão boas, têm quase tanto charme entranhado como os artistas que as dizem, como verdades espantadas de tão sentidas, nem acreditam quando deixamos de acreditar, quando já não queremos, obrigada... pensam que é mentira! verdade, a sério!]

domingo, 31 de março de 2019


Um domingo lavadinho para todos!!
... e não se esqueçam de poupar água, tomem banho aos pares ;))))

sexta-feira, 29 de março de 2019

quinta-feira, 28 de março de 2019




Das coisas que me enojam, agora não é só um caso de se roubarem frases para pôr nas páginas do facebook, como tanta gente faz, sem aspas nem autoria nem links (como certas criaturas fazem sem qualquer vergonha na cara),  como se roubar uma frasezinha aqui ou ali passasse despercebido e nada tivesse de mal - será isso que pensam?  Assim ficam a parecer bem a quem lê... ah e tal que bonito, que bem que escreve...

Mas este caso (ver aqui e aqui) é mesmo um caso de corta e cola frases de vários poemas de vários autores e juntar tudo como se fosse alguma coisa, e alguma coisa de autoria da própria... para, imagine-se, publicar!! Realmente a avaliação crítica do que deve, ou merece, ser publicado talvez já tenha tido melhores dias, e o carácter das pessoas também ( então se esta desconfiança se revelar pelo pior, nem se fala)... às vezes parece que a falta de honestidade é requisito necessário para quem quer que se queira dar bem na vida. E não lhes faz mossa, é como se lhes fosse devido, não lhes pesa tudo e mais a consciência? Entristece-me. Entristece-me muito tudo isto. Mas admiro a perseverança da Cristina Fernandes que gastou o seu tempo a desmascarar uma coisa sórdida destas, verso a verso, apenas (pelo que me parece) para repôr a verdade. Talvez ainda possa haver esperança na humanidade.

quarta-feira, 27 de março de 2019

Resultado de imagem para damage movie

Isto é, se eu não tiver chegado demasiado tarde, mas avisar da sessão da meia-noite às 23:59 parece a desculpa perfeita para... bom, para ter uma desculpa ;))
Mas, seja como for, é filme que agora terei que ver, pois claro.

Resultado de imagem para damage movie
Gostei do título, e esta frase traduz o que lhe associei.

Ainda que o estrago que procura identificar, aparentemente, venha da obsessão, não do risco de amar ( e amar não é coisa avençada :)  ).

terça-feira, 26 de março de 2019


Depois de três semanas avariada, quase uma semana fechada num pavilhão a trabalhar para melhor acomodar o vírus, outra a tossi-lo como se não houvesse amanhã, depois, achar que estava melhor  e resolver ir trabalhar à tarde uns dias da semana passada, ficar muito pior e voltar a enclausurar-me, eis que parece que o vírus desistiu de mim, quatro dias após de clausura total parece que percebeu que não ia mais passear comigo e parece que se foi. A tosse quase que já foi. E é então que faço aqui este balanço, antes de ir à tarde para a labuta. Percebo que nestes dias só liguei a televisão já noite avançada e mesmo antes de resolver acobertar os ossos e dormir, o que é bom, dediquei-me a outras coisas, lembrou-me tempos antigos, onde não precisava de a ligar para não ouvir o cérebro, para não pensar muito, para deixar o tempo passar sem que me moesse. Passou e não me moeu, pelo contrário, acho que ficava bem mais uma semaninha em casa, mesmo enclausurada, bastava-me o sol na varanda, os livros, o computador e música ( que faltou nestes dias).
A doença (se for uma coisa de trazer por casa, assim ligeira, convenhamos, claro) só dá jeito para nos dar tempo se o conseguimos aproveitar, entre ataques de tosse ou afins, e eu consegui aproveitar. Nos dias que me fechei em casa acabei um livro; li poesia que tinha guardada e pesquisei mais, guardei, e adorei; por causa disso andei a passar os olhos por este blog desde os seus primórdios, comecei por procurar só poesia e acabei a ler-me sem etiqueta. Percebi que faltavam muitas etiquetas e etiquetei bastante. Perguntei-me até se faria sentido o trabalho, com as intenções e projectos que me andam a rondar as atitudes. Achei que fazia, fica tudo mais arrumado, mais fácil para eu procurar o que quiser. Surpreendi-me por gostar de me ler algumas coisas, algumas coisas parece que se safam ainda assim, e quando começo a ler, lembro-me de as escrever a todas (algumas sei até onde as escrevi e o que pensava e do que falavam atrás das letras), ainda que às vezes me custe a crer que fui eu que as escrevi, não sei onde as vou buscar, assim palavras acabadas - aparecem-me, é o que é, e é um fenómeno estranho, como se se escrevessem sozinhas e eu fosse só a mão. Comecei outro livro, escolhi-o por causa duma entrevista que li, e que fez saltar da calha dos livros por ler para o agora, um que lá tinha da Agustina. Fiz uma pequena lista de livros que quero, encomendei um por impulso, por ser um livro antigo e com história, que me apareceu no feed dum livreiro amigo, que devo receber hoje. O que eu não fiz foi escrever. Estou mesmo sem vontade, tenho já dois livros lidos (acabei o Fio da Navalha e gostei, bastante até, mas continuo a achar o Servidão Humana melhor), com páginas marcadas à espera que pegue neles e registe aqui ou noutro lado essas passagens, mas não me apetece, apetece-me ler e pensar baixinho, às vezes até conversar, mas ando com os dedos preguiçosos de me pescar fundo as letras para deixar escrito alguma coisa que me saia de dentro. Se calhar não me quero remexer no fundo, onde o depósito dorme e está assente. Se calhar estou numa de aforro, guardo tudo. Ou ando só preguiçosa e invento desculpas. É capaz de ser isso.
Hoje a deambular por aí deparei-me com esta nova versão do Ironic, que sempre gostei muito, e agora teve um upgrade ;)) até a ironia da vida tem novas versões... mas está giro e deu para rir, deixo-vos aqui.

Bom dia! 

sexta-feira, 22 de março de 2019

Alejandra Pizarnik

[o que eu gosto desta moça... e deste serão a rever poemas e coisas que fui e vou guardando. Deu-me para aqui hoje, e escolho este para fechar o dia. A perfeição de dizer tudo, de saber fazer caber um sentir inteiro e profundo, na leveza duma dúzia de palavras, em duas linhas. 
E ao lê-las submergirmo-nos nesse sentir, sentindo na perfeição, o que soçobrou da perfeição das palavras - é poesia sentir assim e fazer sentir assim, fazendo das palavras a travessia.]

quinta-feira, 21 de março de 2019

Rui Costa, Mike Tyson para principiantes

“Com os dedos todos sobre a mesa”, mostram tudo o que têm e o que perderam, dão tudo o que têm e até o que sabem que vão perder. São o que são, e ainda o que foram, não sabem mais que isso, nem querem; não escondem, não mascaram, mas escudam-se; vão embora mas ficam, ao contrário dos que sempre ficaram mas nunca chegaram a estar,  a ser chão. Sim, chão, pisado muitas vezes, mas também o que dá frutos e sustento e caminho, e onde podemos sempre poisar. Sempre.

Antonio Orihuela


Vamos arder-nos em poesia
Consumar-nos sem métrica nem rima
Na pureza natural do fogo
Que é a vida
No silêncio dum verso
Que a pele guarda por abrir
Como um beijo por incendiar


[Porque é o dia dela.
Porque hoje me apetece.
Porque sim.
Por todas as melhores razões
sem razão.]
[foto @annan.jasko]

"(...)
Sou uma impudência a mesa posta
de um verso onde o possa escrever
ó subalimentados do sonho!
a poesia é para comer."

Natália Correia


A poesia é para comer, e os dias têm sempre fome.
Mesmo quando a razão está de barriga cheia.
Apanhei este poema numa série que deu sobre a Natália, a Vera Lagoa e a Snu Abecassis. Sobre a época em que as três se cruzaram, gostei bastante. Comecei a ver principalmente por curiosidade pela Natália, descobri, entre outras coisas engraçadas e que não fazia ideia, que aquela aparente fortaleza tinha medo do escuro, ainda que de pouco mais.
Entre outros poemas que lhe iam saindo no decorrer dos episódios, apanhei este pelo verso que me prendeu, ali mesmo naqueles “subalimentados do sonho!”. Ficou-me, achei magnífico. E, fui logo, a partir dele, pesquisar para melhor o ler inteiro e mastigar devagar, guardei-o e deixo aqui, agora, a parte final, mas que vale a pena ler e comer na íntegra neste dia da poesia. Lambuzem-se.

terça-feira, 19 de março de 2019


Ontem vi um filme (é o que dá estar de molho, estou a ben-u-ron, pastilhas para a garganta, xarope, livro e filmes... tem de haver algum alado bom, né?) sobre um psicólogo que me fez lembrar algumas questões que volta e meia me põem a pensar. Milgram é o nome do psicólogo, e dedicou-se ao estudo do ser humano como ser social, ou seja a influência da sociedade - ou melhor ainda -, do grupo, no indivíduo, e nesta perspectiva o poder da autoridade e da obediência. Através duma experiência chegou à conclusão que 65% dos indivíduos aceitaram inflingir choques (supostamente, ninguém estava a ser sujeito a choques eléctricos, mas os indivíduos da experiência não sabiam) noutra pessoa porque lhes era dito que a experiência era assim, e que a responsabilidade, caso algo corresse mal, não seria deles. E com esta informação as pessoas (65% delas) continuavam a inflingir choques de voltagem crescente até atingir os 450 volts (voltagem que lhes era no início informado de que era perigosa), de forma consciente, ainda que visivelmente a contragosto, mas continuando a obedecer às regras duma experiência voluntária. Ou seja, não eram patrões, nem superiores, nem havia efectivamente nada que os obrigasse, a não ser repetirem-lhes que eram as regras da experiência e que eles não seriam responsabilizados. Só 35% das pessoas recusaram tais regras, levantaram-se e negaram-se a continuar a submeter choques a outro indivíduo, sem qualquer custo, risco ou castigo.
Quando pensamos nisto à luz do Holocausto muito é explicado - aliás Milgram é judeu e a escolha do seu tema fulcral de investigação não é alheio ao que se passou na II Guerra. Também já Hannah Arendt falava na banalidade do mal, mas ali, ali vemos gente como toda a gentes sem qualquer tipo de coerção ou risco, fazer a uma escala menor o que foi perpetrado durante a guerra a milhões. E, como se leva a concluir, basicamente com as mesmas justificações. Afinal cumpriam ordens, obedeciam a uma autoridade, até poderiam ser castigados caso não o fizessem (o que na experiência não acontecia). Na verdade nós deixamos de lado a moral e até o que pensamos e os princípios que seguimos face a algo que se apresente como autoridade, e como normalidade, como regra. E isto é tremendo. Onde fica a nossa cabeça? onde é que pensamos por nós? Onde é que deixamos de seguir os outros porque é suposto, porque é a norma vigente, ou porque representam autoridade, ou simplesmente porque "é a lei"? 
Se algumas vezes dei comigo a pensar algumas destas coisas, verdade seja dita, não tanto relativamente ao holocausto, ainda que não saiba dizer porquê, talvez porque todo o mundo, à excepção dos nazistas, concordava que era uma atrocidade. Ser contra não era ter de ir contra nada, era estar de um dos lados. Ser contra e ir contra tudo só sendo militar alemão e negar-se, opor-se, lutar contra, dizer "eu não faço". Mas recorrentemente penso, se tivesse vivido na época da escravatura, o que pensaria eu? Quando ainda não se falava ou pensava em abolir a escravatura, como veria eu a questão? Como pensaria eu, com tudo o que me rodearia na altura? Teria coragem de pensar por mim? E pensaria bem? 
Como será que eu teria reagido à experiência? tinha ido até ao fim ou tinha-me recusado a continuar a certo ponto? 
Sei que não sou cobarde ao ponto de culpar tudo e mais o que apareça por não conseguir o que quero, ou não fazer pelo que quero, não invento mil razões que me desresponsabilizem, não digo que fiz mal ou que deixei de fazer isto ou aquilo por causa do outro, ou porque a vida foi contra e eu nem tentei, isso acho que não faço, não me desresponsabilizo inventando desculpas, justificações para as minhas fraquezas. Mas quem serei eu na verdade numa questão destas? O que faria eu? O que pensaria eu? O que defenderia?
Só a mim é que inquietam estas questões?
Estaria eu nos 35%?

segunda-feira, 18 de março de 2019

[David Mourão-Ferreira, Obra Poética]

Mesmo de molho, sem sair de casa, chegam-me novidades, notícias, factos surpreendentes do escritório. Fico aqui a pensar entre um ataque de tosse e o próximo, que a quantidade de gente imbecil a coexistir connosco sem sabermos é assustadora, avassaladora... há dias em que estar fechada em casa doente é muito saudável. A sério... Valhamedeus e todos os santinhos...
Estamos perdidos. Completamente.

quinta-feira, 14 de março de 2019



[foto via @urbanreport]

O que eu quero? O que eu quero é o sol como recompensa de quem dá calor. O que eu quero é o sol para quem se encharca até aos ossos em busca dum só fio de cabelo de luz que faça acreditar - acreditar em alguma coisa além. Não o merecem os que ficam debaixo de telha à espera que a chuva passe ou se canse, ou os que descansam enquanto outros escalam as sombras até às nuvens para as reparar, para que deixem passar a luz. Nem os que ficam à espera que o sol rompa a parede por uma janela feita à (sua) medida. Não, eu quero o sol para quem arrisca correr a tempestade, quero prémio por vontade, por ganas, por paixão feita movimento e força, não que seja bónus de quem nada nunca fez, mas aconteceu acontecer-lhe o sol nascer perto. Quero que cada um tenha tal e qual como escolhe querer. Se se fica pelo menos mau, se se quer só se der, então que dê só nessa medida do seu querer, mas se quer com tudo e mesmo debaixo de intempéries, com os ossos a escorrer e a exaustão a marear as pernas, nada lhe lembra demover-se do querer, que o tenha nessa exacta medida. quando tiver, se tiver  -  sabe-se bem que nunca se sabe.
Que o sol não nasça igual para todos, porque não são todos iguais. 
Esperança e optimismo qualquer um arranja de mãos nos bolsos, já a felicidade tem mesmo de ser corajosa.

terça-feira, 12 de março de 2019

-... então, o que me dizes?
- ... vamos devagar... para o tempo não nos apanhar.
-... mas, mais devagar ainda, não será perder tempo?
- o único tempo que se perde é o errado, do tempo certo ninguém dá conta, nem pede contas.

sábado, 9 de março de 2019


Quanto vale um beijo?
(Lembra-me a música do Jorge Palma... que adoro)

... e pensando numa resposta, podia ser a sorte grande, 
ou o teu maior pesadelo. 
Se calhar depende da tua sorte.
É por isso que agora o café é sem açúcar, é mais seguro...

sexta-feira, 8 de março de 2019

... e no meio de dias loucos sem tempo e de desastres à espera de me tropeçar e de tanta coisa a passar-me pela cabeça, de querer acabar com tudo e mais alguma coisa, recebo isto... e sei que cada vez me faz menos sentido escrever aqui, e que cada vez menos a Olvido me veste (ou me despe) mas depois recebo isto, e percebo que, pelo que às vezes aqui escrevo, chego a algumas pessoas que me recebem duma maneira tão bonita. Que há pessoas bonitas, afinal. Espanto-me ainda com as pessoas, mas raramente pela positiva, e surpreende-me sempre saber que o que vou escrevendo toca algumas pessoas, neste caso ao ponto de escreverem pelo próprio punho um poema que uma noite me trouxe nos dedos e que serve de marcador de livro - e atentem no trecho do texto que deliciosamente juntam... é coisa para me ter feito ganhar o dia, aliás vários dias. Talvez este espaço ainda faça sentido. Ou melhor, eu continuar a escrever para que outros leiam, faça sentido. Talvez só precise de mudar de ares. Talvez as mudanças aconteçam todas ao mesmo tempo, ou talvez devamos aproveitar umas para, com o embalo, mudar muitas que já deviam ter mudado há muito. Talvez como um novo caderno, sem olvido, uma folha branca no topo de muitas, com cheiro a novo resplandecente e uma lisura de futuro, e sedenta de letras que me emudeçam o por dentro, secando-me do que quero calar. Talvez, afinal, outra de mim, que já não é Olvido por já não querer esquecer tudo que foi esquecido. Sou já outra, noutro porto ancorada, com outro olhar para dentro de mim, cada vez mais dentro, cada vez mais meu - mais eu.


sexta-feira, 1 de março de 2019

Boa pergunta... de muitas e variadas respostas.
Algumas muito giras de dar, e boas, de boa disposição e a convidar a risos e cumplicidades,
outras de fazerem implorar que não se tivesse perguntado...
sim, às vezes é melhor não perguntar, a surpresa pode não ser boa - se a moça for má...
(há dias em que gostava mesmo de ser má, muito má, há muito quem o mereça, e quem o tenha merecido bastante, mas fico-me pela raiva que passa de braços cruzados)
[foto @minimalha]

Sob este céu escuro, quando o dia já não queima e o tempo não fervilha cada segundo no sangue, agradeço os muros que me erguem e me impõem, que me prendem na segurança inerte duma imobilidade inofensiva que impede a dor. Mas faz pensar que arrasados os muros não aprendemos a querer ou a não querer, a escolher ficar ou ir, porque os muros escolhem por nós. Talvez bem, de certeza bem algumas das vezes, mas enquanto não for escolha não aprendemos a não nos magoar, a escolher o que não nos magoará.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

Nunca foi o meu forte, com o tempo, a idade e a vida, não tem melhorado, é uma falta cada vez mais apurada. Quanto mais valorizamos o tempo, quanto mais percebemos que é limitado, menos paciência se tem para o que afinal se revela pouco importante ou pouco verdadeiro. Talvez a paciência seja só o nosso nível de tolerância ao não essencial, ao não verdadeiro, ao que não fica.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

Sonhei com um primeiro beijo. 
Acordei com uma pergunta.
Agora pus-me a pensar se os sonhos sabem mais do que nós queremos saber (ou ver),
se nos tentam acordar para sonhos que nos acompanham como sombras silenciosas. 
Às vezes as sombras dizem mais de nós, de tudo, que toda a realidade à luz da ilusão.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

[foto @bird.ee]

E quando a vida nos despoja de nós mesmos? Quando toda a dor e todo o sofrimento nos fazem abrir mão de tudo, quando deixamos de ter força para fechar as mãos connosco dentro - aguentando-nos enquanto podemos e temos de aguentar, e depois deixamos ir tudo porque achamos que já ninguém precisa de nós? Que somos um estorvo que não queremos ser, quando já não queremos ser nada? Quando nos falam de coisas que foram conversadas, ontem, a semana passada ou há vinte minutos, que foram ditas, que percebemos que quem nos fala sabe do que fala, e em nós apenas se abre um  imenso buraco negro... de vazio e confusão e vergonha? Não fazemos ideia do que falam, estamos perdidos, sem caminhos. Quando de repente acordamos longe de tudo ou de nada, fora de nós, e não sabemos onde estamos. Todas as ruas levam a um qualquer desconhecido e não sabemos qual a direcção para vir à tona, para nos regressarmos, para nos voltarmos a ser e a sentir, para encontrarmos o caminho para casa? Donde cada vez menos queremos sair? Lá ainda não nos perdemos.
Como fazemos quando a vida despoja a vida em vida das pessoas que amamos? Como fazemos? Como dizemos que percebemos tudo, que percebemos o medo, o pânico, a vergonha até, no buraco negro que se desenha no rosto quando se cai no desconhecido que devia ser conhecido, mas que queremos só que tenha vontade de melhorar, de viver? Que sabemos que esta vida se agarra a quem nos agarra a ela? Que a vida não é obrigação de cumprir tempo, nem o tempo nos liberta dela - a vida é o tempo. 

domingo, 24 de fevereiro de 2019

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

[foto @niravphotography]

E no precipício de luz, 
o problema nunca é o abismo, 
mas a vertigem.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

...pussy cat...

...só agora é que me dei conta que ontem era o dia do bichano - vulgo gato...
Há mesmo dias mundiais de tudo e para tudo, valhamedeus... 
...qualquer dia até há o dia de... de... de... 
...de sei-lá-o-quê!!

Não sou nada de gatos, diga-se, com aquela mania que têm sete vidas e que caem sempre de pé, que têm de ser conquistados e tratados como realeza. São elegantes, bonitos até alguns, altivos às vezes, mas de certa forma parecem-me pouco reais, de pouca verdade, de demasiadas pelagens.
Gosto de cães, da inevitabilidade daqueles afectos sem razão nem fronteiras, dos pulos quando se chega a casa de que reclamamos, da alegria espontânea que não se esconde. Gosta-se e mostra-se, não se anda aqui com joguinhos de poder e afins. E não não caem de pé, sofrem, choram, pedem mimo e vivem a vida como se só tivessem uma. e isso conquista-me sem me querer conquistar, gosta-se porque se é assim, se respira a vida assim, e só.
Bom dia!

domingo, 17 de fevereiro de 2019

[foto @dmitrygrechin]

Dos domingos.
... cada um com o seu.
O meu tem dormir até não apetecer fechar os olhos
e ronha até à luz quente nos fazer cócegas nos pés.
Vontade de andar, de passear o sol pela trela da esperança.

Bom dia!

sábado, 16 de fevereiro de 2019

"Um sol branco e desapaixonado brilhou lá no alto, no céu. Na altura, desejei afiar-me nele até me tornar santa e esguia como a lâmina duma faca."

Sylvia Plath, in A Campânula de Vidro

Comprei este livro na Feira do livro em Lisboa, quando lá passei durante o ano passado, vi-o e não hesitei, tinha há muito curiosidade pelo livro, e curiosamente, algum receio. Sabia pelo que havia lido que era autobiográfico e pelo que sei da vida dela, seria por isso um livro, não só pesado e denso, mas com muitas probabilidades de me tocarem de formas e em sítios que prefiro deixar quietos não desbravar. Quando comecei a lê-lo surpreendeu-me, era leve, fácil, corrido. A única página que foi dobrada foi aquela onde esta frase estava, porque li-a e vi, transparente, o suicídio onde ele, na história, ainda não se apresentava. Mas li, claro como água, expresso duma forma extraordinária, que descreve tão bem, tão nitidamente, uma dor que não deixa respirar, como um punhal de lâmina fina na alma da carne, o mesmo que matará o inferno de não conseguir, nem querer viver, assim.
O livro parece, de repente, mais à frente, descambar por completo, sem que consigamos identificar exactamente o porquê (ou eu não consegui, isto é)  o que aconteceu, para de repente, duma vida assente numa relativa normalidade, se cai num carrossel onde é o suicídio - ou a ideia dele - a única força motora. Fiquei a pensar se a vida será assim, tudo normal até um ponto, a partir do qual tudo se precipita num abismo que não sabemos navegar, nem queremos. A falta de vontade de tudo, a falta de um objectivo ou sentido para o que quer que seja, a necessidade de não se querer sentir mais o que se sente - ou de não se querer sentir mais, ponto. O que me impressionou foi esta clivagem, como se aparentemente não tivesse sido um processo, como se tivesse havido ali uma disrupção que alterou e impossibilitou o status quo, o ir levando. E esta frase, no entanto, mostrava já que algo latente se cozinhava no dia-a-dia que se pretendia normal e suportável, que se fazia normal, que se disfarçava sem se saber que se estava a disfarçar, que doía sem ainda se saber como ou porquê, onde de repente e sem aviso, parece que se vive o mundo dentro duma campânula de vidro que não vimos crescer à nossa volta, e que nos isola de tudo, que não deixa respirar o mundo, ser como as outras pessoas.

[foto @gabrielerigon]

Modo fim‑de‑semana. 
Versão interior, para a versão exterior juntam-se umas calças de ganga à receita 
e vai-se passear a pintarolas ao sol, que já apetece...
Apetece muito, até, e uma esplanada para um café e umas leituras... 
bem sei que isto é uma primavera de faz-de-conta que ainda andam a brincar connosco, mas o sol que apanharmos, já ninguém nos tira ;)) e eu está-me a apetecer sol, a melancolia já teve a sua estação, o seu tempo, as suas lareiras. Apetece pele agora, senti-la através do calor do sol e da brisa que corre fresca a caminho do futuro.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Realmente!!... onde é que este mundo vai parar!!... 
está tudo doido!!... francamente, não se percebe!...
...já a tradição não é o que era... Pffff
(ihihihihiih)

Boa sexta-feira, e assim sendo frequentem menos os bares  ;))

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019


A escuridão fechada na noite
Abre um incêndio ao fundo
Abismo de cada horizonte
Onde o ser se separa da pele
Onde a noite dá o salto
Onde o amor se rebela e revela
Onde tudo é uma incerteza
Tão certa que queima
Se debaixo da pele
não estivermos sós
Ahahahah
Almôndegas, portanto... também podia ser carne picadinha...
Mas é quinta, é dia de almôndegas, ‘tá certo.

Não importa o que que comem - tudo menos menos restos, isso nao (nem comer nem ser...) - desde que gostem da companhia, da conversa, do silêncio também ... e da sobremesa... ou entrada!! (também há essa modalidade, é muito apreciada e previne tampas épicas do género... ah e tal acabámos de comer vamos esperar um tico... ahahahah)...

Bom dia, e boas almôndegas ;))

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

[inagem @jesuso_ortiz]

E que bem que anda a saber-me este cheiro a primavera, esta amostra de sol e prelúdio de cor... a viagem para o trabalho torna-se mais quente,  com o olhar atrás dos óculos de sol e a luz a puxar o sorriso para fora da toca de inverno... como um dia doce à sombra duma amora :)
(ou framboesa, mas gosto mais da palavra amora, crucifiquem-me )

terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

[foto de Chema Madoz]

"A tua extinção é ainda um fogo."
Vasco Gato

[Queima, mas não mata.
Arde, mas não cura.]


segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

Um bom exemplo do porquê de eu gostar tanto do que este senhor escreve...
é bem verdade. Depois, se calhar, procura-se, sem sequer nos apercebermos,
sempre o mesmo em todos os lugares diferentes. Talvez no meio disso se encontre algo que surpreenda, e esse seja um novo paradigma, um novo ciclo,
tudo comece de novo - até o procurar o mesmo depois de o ter encontrado.
 O mesmo - o que nos faz sentir querer sempre esse mesmo, mesmo que diferente do anterior.

sábado, 9 de fevereiro de 2019

E enquanto faço tempo, o tempo faz-se sal e luz filtrada de cores suaves e pensamentos que não agarro debaixo das conversas voadoras das gaivotas. Há um frio que se abeira mas as ondas levam-no para mar alto, onde não me encontra. Quero que a esperança se me entranhe como as  areias finas que ainda se encontram, coladas em algum recôndito canto esquecido, passados vários invernos de se terem cruzado connosco.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019






" (...) Mas para mim, à altura da tua morte nada releva mais quando olhas para trás do que saber da qualidade da tua intimidade com quem amaste. Conseguiste criar, desenvolver, manter, cultivar, acarinhar e aproveitar o máximo de momentos da tua intimidade com quem amaste, ou não? Deitaste-te e acordaste com quem gostavas? Tentaste chegar a uma pessoa improvável (para os outros) mas que dentro de ti sabias que tinhas que tentar?"

Roubado ao (romântico do) Bom Sacana

"Foder é essencial mas dormir com quem se gosta é decisivo, sem isso não há felicidade. Claro que para lá chegar é preciso introduzir um conjunto de variáveis na nossa vida - como sorte, experiências anteriores, estarmos nós próprios preparados para fazer alguém feliz (e vice-versa), paciência, persistência, todas essas cartadas incertas - mas dá para ser feliz nesta vida com mais alguém, não acreditem no contrário. Apenas não esperem Walt Disney. Um amor sacana é muito melhor aposta, docemente viciado por conspirações, desencontros, sentido de humor negro e corrosivo, bitch para aqui e para ali, mas em todas as circunstâncias um amor muito pegajoso, solidário, trancadas contra as paredes, broches de fazer esquecer o ano em que se está, ou pelo menos boa companhia, com arte e gosto, e sinceridade. Mais vale ser verdadeiro do que perfeito."


Talvez, realmente o que levamos sejam as memórias de intimidade, os amores sacanas, todos os momentos onde fomos verdadeiros - e isso se tornou perfeito, porque assumir que se gosta do que é imperfeito, sabendo-o imperfeito mas onde nos sentimos bem, é talvez a melhor versão do que pode ser perfeito para nós - onde fomos mais transparentes, onde nos entregámos  mais indefesos mas confiantes que não nos magoaríamos ( e nem sempre assim é), quem e como amámos, quem e com que vontade os encostámos à parede,  com quem rimos cheios de cumplicidade e como nos sentimos amados. Sim , isso deve ser o que fica, o que permanece tudo o resto o peso do tempo esmaga. E ainda bem.
[foto de Ed Feingersh]

Está frio. 
Aquece-me por dentro de ti.
Está frio dentro de ti?

Se está, dá-me só um casaco,
 que umas boas botas eu já tenho... 

[these boots are made for walking...]

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019


[foto @karelchladek]

Dá-me canções monossilábicas
e músicas de silêncio inteiro
Vou cobrir os meus lábios de noite
e descobrir, na tua, a boca da lua
Quero morder a vida na tua pele
e lamber o gemido da seiva
a escorrer pela minha
Deixa-me comer a tua fome
que a poesia não me sacia a pele.



terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

[Charles Bukowski]

Cautelosos o suficiente 
para não arriscarem a vida
Seguro o bastante 
para que vivê-la não os mate.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

[foto @heinipaavola]

A natureza também “píxeliza”... 
olho para esta maravilha e é o que me ocorre, 
em vez do seu inverso, que seria o mais natural.
Gosto da imagem, fico-me a olhar o frio a tomar forma aos olhos.
O frio toma-nos em pequenas partículas, devagar, invade-nos e conquista-nos o corpo. Às vezes arrepia-nos, outras encolhe-nos de dentro para fora.
Às vezes instala-se nas almas, tornam-se frias, 
reduzem-se a operações aritméticas de sobrevivência - o frio entranha-se de tal modo que talvez nunca mais voltem a aquecer, e provavelmente nunca foram capazes de aquecer ninguém pelo lado grande.
O frio precisa de sítio propício para se acomodar e reinar. 

Está um frio do caraças!!... 
e enquanto eu sentir frio, sei que estou quente, 
e enquanto acreditar que há olhares que nos aquecem por dentro, 
 e sorrisos que nos chegam dentro,
nunca me abandonarei ao frio que gela abaixo da epiderme.
Talvez seja uma questão de fé. Ou só de estupidez. 
O frio nem sempre conserva a razão em bom estado...
... só a memória de nos sentirmos quentes.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

Ahahahah... óptima resposta.
Da próxima vez que me começarem com estas  tangas,
e a perguntar se os homens por estas bandas são estupidos e cegos, 
 acho que vou adoptar esta réplica e ver as reacções :D
Muito bom!

Bom dia!