[o que eu gosto desta moça... e deste serão a rever poemas e coisas que fui e vou guardando. Deu-me para aqui hoje, e escolho este para fechar o dia. A perfeição de dizer tudo, de saber fazer caber um sentir inteiro e profundo, na leveza duma dúzia de palavras, em duas linhas.
E ao lê-las submergirmo-nos nesse sentir, sentindo na perfeição, o que soçobrou da perfeição das palavras - é poesia sentir assim e fazer sentir assim, fazendo das palavras a travessia.]
quinta-feira, 21 de março de 2019
Rui Costa, Mike Tyson para principiantes
“Com os dedos todos sobre a mesa”, mostram tudo o que têm e o que perderam, dão tudo o que têm e até o que sabem que vão perder. São o que são, e ainda o que foram, não sabem mais que isso, nem querem; não escondem, não mascaram, mas escudam-se; vão embora mas ficam, ao contrário dos que sempre ficaram mas nunca chegaram a estar, a ser chão. Sim, chão, pisado muitas vezes, mas também o que dá frutos e sustento e caminho, e onde podemos sempre poisar. Sempre.
Antonio Orihuela
Vamos arder-nos em poesia
Consumar-nos sem métrica nem rima
Na pureza natural do fogo
Que é a vida
No silêncio dum verso
Que a pele guarda por abrir
Como um beijo por incendiar
[Porque é o dia dela.
Porque hoje me apetece.
Porque sim.
Por todas as melhores razões
sem razão.]
[foto @annan.jasko]
"(...) Sou uma impudência a mesa posta de um verso onde o possa escrever ó subalimentados do sonho! a poesia é para comer."
Natália Correia
A poesia é para comer, e os dias têm sempre fome.
Mesmo quando a razão está de barriga cheia.
Apanhei este poema numa série que deu sobre a Natália, a Vera Lagoa e a Snu Abecassis. Sobre a época em que as três se cruzaram, gostei bastante. Comecei a ver principalmente por curiosidade pela Natália, descobri, entre outras coisas engraçadas e que não fazia ideia, que aquela aparente fortaleza tinha medo do escuro, ainda que de pouco mais.
Entre outros poemas que lhe iam saindo no decorrer dos episódios, apanhei este pelo verso que me prendeu, ali mesmo naqueles “subalimentados do sonho!”. Ficou-me, achei magnífico. E, fui logo, a partir dele, pesquisar para melhor o ler inteiro e mastigar devagar, guardei-o e deixo aqui, agora, a parte final, mas que vale a pena ler e comer na íntegra neste dia da poesia. Lambuzem-se.
terça-feira, 19 de março de 2019
Ontem vi um filme (é o que dá estar de molho, estou a ben-u-ron, pastilhas para a garganta, xarope, livro e filmes... tem de haver algum alado bom, né?) sobre um psicólogo que me fez lembrar algumas questões que volta e meia me põem a pensar. Milgram é o nome do psicólogo, e dedicou-se ao estudo do ser humano como ser social, ou seja a influência da sociedade - ou melhor ainda -, do grupo, no indivíduo, e nesta perspectiva o poder da autoridade e da obediência. Através duma experiência chegou à conclusão que 65% dos indivíduos aceitaram inflingir choques (supostamente, ninguém estava a ser sujeito a choques eléctricos, mas os indivíduos da experiência não sabiam) noutra pessoa porque lhes era dito que a experiência era assim, e que a responsabilidade, caso algo corresse mal, não seria deles. E com esta informação as pessoas (65% delas) continuavam a inflingir choques de voltagem crescente até atingir os 450 volts (voltagem que lhes era no início informado de que era perigosa), de forma consciente, ainda que visivelmente a contragosto, mas continuando a obedecer às regras duma experiência voluntária. Ou seja, não eram patrões, nem superiores, nem havia efectivamente nada que os obrigasse, a não ser repetirem-lhes que eram as regras da experiência e que eles não seriam responsabilizados. Só 35% das pessoas recusaram tais regras, levantaram-se e negaram-se a continuar a submeter choques a outro indivíduo, sem qualquer custo, risco ou castigo.
Quando pensamos nisto à luz do Holocausto muito é explicado - aliás Milgram é judeu e a escolha do seu tema fulcral de investigação não é alheio ao que se passou na II Guerra. Também já Hannah Arendt falava na banalidade do mal, mas ali, ali vemos gente como toda a gentes sem qualquer tipo de coerção ou risco, fazer a uma escala menor o que foi perpetrado durante a guerra a milhões. E, como se leva a concluir, basicamente com as mesmas justificações. Afinal cumpriam ordens, obedeciam a uma autoridade, até poderiam ser castigados caso não o fizessem (o que na experiência não acontecia). Na verdade nós deixamos de lado a moral e até o que pensamos e os princípios que seguimos face a algo que se apresente como autoridade, e como normalidade, como regra. E isto é tremendo. Onde fica a nossa cabeça? onde é que pensamos por nós? Onde é que deixamos de seguir os outros porque é suposto, porque é a norma vigente, ou porque representam autoridade, ou simplesmente porque "é a lei"?
Se algumas vezes dei comigo a pensar algumas destas coisas, verdade seja dita, não tanto relativamente ao holocausto, ainda que não saiba dizer porquê, talvez porque todo o mundo, à excepção dos nazistas, concordava que era uma atrocidade. Ser contra não era ter de ir contra nada, era estar de um dos lados. Ser contra e ir contra tudo só sendo militar alemão e negar-se, opor-se, lutar contra, dizer "eu não faço". Mas recorrentemente penso, se tivesse vivido na época da escravatura, o que pensaria eu? Quando ainda não se falava ou pensava em abolir a escravatura, como veria eu a questão? Como pensaria eu, com tudo o que me rodearia na altura? Teria coragem de pensar por mim? E pensaria bem?
Como será que eu teria reagido à experiência? tinha ido até ao fim ou tinha-me recusado a continuar a certo ponto?
Sei que não sou cobarde ao ponto de culpar tudo e mais o que apareça por não conseguir o que quero, ou não fazer pelo que quero, não invento mil razões que me desresponsabilizem, não digo que fiz mal ou que deixei de fazer isto ou aquilo por causa do outro, ou porque a vida foi contra e eu nem tentei, isso acho que não faço, não me desresponsabilizo inventando desculpas, justificações para as minhas fraquezas. Mas quem serei eu na verdade numa questão destas? O que faria eu? O que pensaria eu? O que defenderia?
Só a mim é que inquietam estas questões?
Estaria eu nos 35%?
segunda-feira, 18 de março de 2019
[David Mourão-Ferreira, Obra Poética]
Mesmo de molho, sem sair de casa, chegam-me novidades, notícias, factos surpreendentes do escritório. Fico aqui a pensar entre um ataque de tosse e o próximo, que a quantidade de gente imbecil a coexistir connosco sem sabermos é assustadora, avassaladora... há dias em que estar fechada em casa doente é muito saudável. A sério... Valhamedeus e todos os santinhos...
Estamos perdidos. Completamente.
quinta-feira, 14 de março de 2019
[foto via @urbanreport]
O que eu quero? O que eu quero é o sol como recompensa de quem dá calor. O que eu quero é o sol para quem se encharca até aos ossos em busca dum só fio de cabelo de luz que faça acreditar - acreditar em alguma coisa além. Não o merecem os que ficam debaixo de telha à espera que a chuva passe ou se canse, ou os que descansam enquanto outros escalam as sombras até às nuvens para as reparar, para que deixem passar a luz. Nem os que ficam à espera que o sol rompa a parede por uma janela feita à (sua) medida. Não, eu quero o sol para quem arrisca correr a tempestade, quero prémio por vontade, por ganas, por paixão feita movimento e força, não que seja bónus de quem nada nunca fez, mas aconteceu acontecer-lhe o sol nascer perto. Quero que cada um tenha tal e qual como escolhe querer. Se se fica pelo menos mau, se se quer só se der, então que dê só nessa medida do seu querer, mas se quer com tudo e mesmo debaixo de intempéries, com os ossos a escorrer e a exaustão a marear as pernas, nada lhe lembra demover-se do querer, que o tenha nessa exacta medida. quando tiver, se tiver - sabe-se bem que nunca se sabe.
Que o sol não nasça igual para todos, porque não são todos iguais.
Esperança e optimismo qualquer um arranja de mãos nos bolsos, já a felicidade tem mesmo de ser corajosa.
terça-feira, 12 de março de 2019
-... então, o que me dizes?
- ... vamos devagar... para o tempo não nos apanhar.
-... mas, mais devagar ainda, não será perder tempo?
- o único tempo que se perde é o errado, do tempo certo ninguém dá conta, nem pede contas.
sábado, 9 de março de 2019
Quanto vale um beijo?
(Lembra-me a música do Jorge Palma... que adoro)
... e pensando numa resposta, podia ser a sorte grande,
ou o teu maior pesadelo.
Se calhar depende da tua sorte.
É por isso que agora o café é sem açúcar, é mais seguro...
sexta-feira, 8 de março de 2019
... e no meio de dias loucos sem tempo e de desastres à espera de me tropeçar e de tanta coisa a passar-me pela cabeça, de querer acabar com tudo e mais alguma coisa, recebo isto... e sei que cada vez me faz menos sentido escrever aqui, e que cada vez menos a Olvido me veste (ou me despe) mas depois recebo isto, e percebo que, pelo que às vezes aqui escrevo, chego a algumas pessoas que me recebem duma maneira tão bonita. Que há pessoas bonitas, afinal. Espanto-me ainda com as pessoas, mas raramente pela positiva, e surpreende-me sempre saber que o que vou escrevendo toca algumas pessoas, neste caso ao ponto de escreverem pelo próprio punhoum poema que uma noite me trouxe nos dedos e que serve de marcador de livro - e atentem no trecho do texto que deliciosamente juntam... é coisa para me ter feito ganhar o dia, aliás vários dias. Talvez este espaço ainda faça sentido. Ou melhor, eu continuar a escrever para que outros leiam, faça sentido. Talvez só precise de mudar de ares. Talvez as mudanças aconteçam todas ao mesmo tempo, ou talvez devamos aproveitar umas para, com o embalo, mudar muitas que já deviam ter mudado há muito. Talvez como um novo caderno, sem olvido, uma folha branca no topo de muitas, com cheiro a novo resplandecente e uma lisura de futuro, e sedenta de letras que me emudeçam o por dentro, secando-me do que quero calar. Talvez, afinal, outra de mim, que já não é Olvido por já não querer esquecer tudo que foi esquecido. Sou já outra, noutro porto ancorada, com outro olhar para dentro de mim, cada vez mais dentro, cada vez mais meu - mais eu.
sexta-feira, 1 de março de 2019
Boa pergunta... de muitas e variadas respostas.
Algumas muito giras de dar, e boas, de boa disposição e a convidar a risos e cumplicidades,
outras de fazerem implorar que não se tivesse perguntado...
sim, às vezes é melhor não perguntar, a surpresa pode não ser boa - se a moça for má...
(há dias em que gostava mesmo de ser má, muito má, há muito quem o mereça, e quem o tenha merecido bastante, mas fico-me pela raiva que passa de braços cruzados)
[foto @minimalha]
Sob este céu escuro, quando o dia já não queima e o tempo não fervilha cada segundo no sangue, agradeço os muros que me erguem e me impõem, que me prendem na segurança inerte duma imobilidade inofensiva que impede a dor. Mas faz pensar que arrasados os muros não aprendemos a querer ou a não querer, a escolher ficar ou ir, porque os muros escolhem por nós. Talvez bem, de certeza bem algumas das vezes, mas enquanto não for escolha não aprendemos a não nos magoar, a escolher o que não nos magoará.
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019
Nunca foi o meu forte, com o tempo, a idade e a vida, não tem melhorado, é uma falta cada vez mais apurada. Quanto mais valorizamos o tempo, quanto mais percebemos que é limitado, menos paciência se tem para o que afinal se revela pouco importante ou pouco verdadeiro. Talvez a paciência seja só o nosso nível de tolerância ao não essencial, ao não verdadeiro, ao que não fica.
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019
Sonhei com um primeiro beijo.
Acordei com uma pergunta.
Agora pus-me a pensar se os sonhos sabem mais do que nós queremos saber (ou ver),
se nos tentam acordar para sonhos que nos acompanham como sombras silenciosas.
Às vezes as sombras dizem mais de nós, de tudo, que toda a realidade à luz da ilusão.
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019
[foto @bird.ee]
E quando a vida nos despoja de nós mesmos? Quando toda a dor e todo o sofrimento nos fazem abrir mão de tudo, quando deixamos de ter força para fechar as mãos connosco dentro - aguentando-nos enquanto podemos e temos de aguentar, e depois deixamos ir tudo porque achamos que já ninguém precisa de nós? Que somos um estorvo que não queremos ser, quando já não queremos ser nada? Quando nos falam de coisas que foram conversadas, ontem, a semana passada ou há vinte minutos, que foram ditas, que percebemos que quem nos fala sabe do que fala, e em nós apenas se abre um imenso buraco negro... de vazio e confusão e vergonha? Não fazemos ideia do que falam, estamos perdidos, sem caminhos. Quando de repente acordamos longe de tudo ou de nada, fora de nós, e não sabemos onde estamos. Todas as ruas levam a um qualquer desconhecido e não sabemos qual a direcção para vir à tona, para nos regressarmos, para nos voltarmos a ser e a sentir, para encontrarmos o caminho para casa? Donde cada vez menos queremos sair? Lá ainda não nos perdemos.
Como fazemos quando a vida despoja a vida em vida das pessoas que amamos? Como fazemos? Como dizemos que percebemos tudo, que percebemos o medo, o pânico, a vergonha até, no buraco negro que se desenha no rosto quando se cai no desconhecido que devia ser conhecido, mas que queremos só que tenha vontade de melhorar, de viver? Que sabemos que esta vida se agarra a quem nos agarra a ela? Que a vida não é obrigação de cumprir tempo, nem o tempo nos liberta dela - a vida é o tempo.
domingo, 24 de fevereiro de 2019
Ahahahah
Muito bom!!
... ainda hei-de usar esta :D
Bom Dia!!
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019
[foto @niravphotography]
E no precipício de luz,
o problema nunca é o abismo,
mas a vertigem.
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019
...pussy cat...
...só agora é que me dei conta que ontem era o dia do bichano - vulgo gato...
Há mesmo dias mundiais de tudo e para tudo, valhamedeus...
...qualquer dia até há o dia de... de... de...
...de sei-lá-o-quê!!
Não sou nada de gatos, diga-se, com aquela mania que têm sete vidas e que caem sempre de pé, que têm de ser conquistados e tratados como realeza. São elegantes, bonitos até alguns, altivos às vezes, mas de certa forma parecem-me pouco reais, de pouca verdade, de demasiadas pelagens.
Gosto de cães, da inevitabilidade daqueles afectos sem razão nem fronteiras, dos pulos quando se chega a casa de que reclamamos, da alegria espontânea que não se esconde. Gosta-se e mostra-se, não se anda aqui com joguinhos de poder e afins. E não não caem de pé, sofrem, choram, pedem mimo e vivem a vida como se só tivessem uma. e isso conquista-me sem me querer conquistar, gosta-se porque se é assim, se respira a vida assim, e só.
Bom dia!
domingo, 17 de fevereiro de 2019
[foto @dmitrygrechin]
Dos domingos.
... cada um com o seu.
O meu tem dormir até não apetecer fechar os olhos
e ronha até à luz quente nos fazer cócegas nos pés.
Vontade de andar, de passear o sol pela trela da esperança.
Bom dia!
sábado, 16 de fevereiro de 2019
"Um sol branco e desapaixonado brilhou lá no alto, no céu. Na altura, desejei afiar-me nele até me tornar santa e esguia como a lâmina duma faca."
Sylvia Plath, in A Campânula de Vidro
Comprei este livro na Feira do livro em Lisboa, quando lá passei durante o ano passado, vi-o e não hesitei, tinha há muito curiosidade pelo livro, e curiosamente, algum receio. Sabia pelo que havia lido que era autobiográfico e pelo que sei da vida dela, seria por isso um livro, não só pesado e denso, mas com muitas probabilidades de me tocarem de formas e em sítios que prefiro deixar quietos não desbravar. Quando comecei a lê-lo surpreendeu-me, era leve, fácil, corrido. A única página que foi dobrada foi aquela onde esta frase estava, porque li-a e vi, transparente, o suicídio onde ele, na história, ainda não se apresentava. Mas li, claro como água, expresso duma forma extraordinária, que descreve tão bem, tão nitidamente, uma dor que não deixa respirar, como um punhal de lâmina fina na alma da carne, o mesmo que matará o inferno de não conseguir, nem querer viver, assim.
O livro parece, de repente, mais à frente, descambar por completo, sem que consigamos identificar exactamente o porquê (ou eu não consegui, isto é) o que aconteceu, para de repente, duma vida assente numa relativa normalidade, se cai num carrossel onde é o suicídio - ou a ideia dele - a única força motora. Fiquei a pensar se a vida será assim, tudo normal até um ponto, a partir do qual tudo se precipita num abismo que não sabemos navegar, nem queremos. A falta de vontade de tudo, a falta de um objectivo ou sentido para o que quer que seja, a necessidade de não se querer sentir mais o que se sente - ou de não se querer sentir mais, ponto. O que me impressionou foi esta clivagem, como se aparentemente não tivesse sido um processo, como se tivesse havido ali uma disrupção que alterou e impossibilitou o status quo, o ir levando. E esta frase, no entanto, mostrava já que algo latente se cozinhava no dia-a-dia que se pretendia normal e suportável, que se fazia normal, que se disfarçava sem se saber que se estava a disfarçar, que doía sem ainda se saber como ou porquê, onde de repente e sem aviso, parece que se vive o mundo dentro duma campânula de vidro que não vimos crescer à nossa volta, e que nos isola de tudo, que não deixa respirar o mundo, ser como as outras pessoas.
[foto @gabrielerigon]
Modo fim‑de‑semana.
Versão interior, para a versão exterior juntam-se umas calças de ganga à receita
e vai-se passear a pintarolas ao sol, que já apetece...
Apetece muito, até, e uma esplanada para um café e umas leituras...
bem sei que isto é uma primavera de faz-de-conta que ainda andam a brincar connosco, mas o sol que apanharmos, já ninguém nos tira ;)) e eu está-me a apetecer sol, a melancolia já teve a sua estação, o seu tempo, as suas lareiras. Apetece pele agora, senti-la através do calor do sol e da brisa que corre fresca a caminho do futuro.
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019
Realmente!!... onde é que este mundo vai parar!!...
está tudo doido!!... francamente, não se percebe!...
...já a tradição não é o que era... Pffff
(ihihihihiih)
Boa sexta-feira, e assim sendo frequentem menos os bares ;))
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019
A escuridão fechada na noite
Abre um incêndio ao fundo
Abismo de cada horizonte
Onde o ser se separa da pele
Onde a noite dá o salto
Onde o amor se rebela e revela
Onde tudo é uma incerteza
Tão certa que queima
Se debaixo da pele
não estivermos sós
Ahahahah
Almôndegas, portanto... também podia ser carne picadinha...
Mas é quinta, é dia de almôndegas, ‘tá certo.
Não importa o que que comem - tudo menos menos restos, isso nao (nem comer nem ser...) - desde que gostem da companhia, da conversa, do silêncio também ... e da sobremesa... ou entrada!! (também há essa modalidade, é muito apreciada e previne tampas épicas do género... ah e tal acabámos de comer vamos esperar um tico... ahahahah)...
Bom dia, e boas almôndegas ;))
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019
[inagem @jesuso_ortiz]
E que bem que anda a saber-me este cheiro a primavera, esta amostra de sol e prelúdio de cor... a viagem para o trabalho torna-se mais quente, com o olhar atrás dos óculos de sol e a luz a puxar o sorriso para fora da toca de inverno... como um dia doce à sombra duma amora :)
(ou framboesa, mas gosto mais da palavra amora, crucifiquem-me )
terça-feira, 12 de fevereiro de 2019
[foto de Chema Madoz]
"A tua extinção é ainda um fogo."
Vasco Gato
[Queima, mas não mata.
Arde, mas não cura.]
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019
Um bom exemplo do porquê de eu gostar tanto do que este senhor escreve...
é bem verdade. Depois, se calhar, procura-se, sem sequer nos apercebermos,
sempre o mesmo em todos os lugares diferentes. Talvez no meio disso se encontre algo que surpreenda, e esse seja um novo paradigma, um novo ciclo,
tudo comece de novo - até o procurar o mesmo depois de o ter encontrado.
O mesmo - o que nos faz sentir querer sempre esse mesmo, mesmo que diferente do anterior.
sábado, 9 de fevereiro de 2019
E enquanto faço tempo, o tempo faz-se sal e luz filtrada de cores suaves e pensamentos que não agarro debaixo das conversas voadoras das gaivotas. Há um frio que se abeira mas as ondas levam-no para mar alto, onde não me encontra. Quero que a esperança se me entranhe como as areias finas que ainda se encontram, coladas em algum recôndito canto esquecido, passados vários invernos de se terem cruzado connosco.
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019
" (...) Mas para mim, à altura da tua morte nada releva mais quando olhas para trás do que saber da qualidade da tua intimidade com quem amaste. Conseguiste criar, desenvolver, manter, cultivar, acarinhar e aproveitar o máximo de momentos da tua intimidade com quem amaste, ou não? Deitaste-te e acordaste com quem gostavas? Tentaste chegar a uma pessoa improvável (para os outros) mas que dentro de ti sabias que tinhas que tentar?"
"Foder é essencial mas dormir com quem se gosta é decisivo, sem isso não há felicidade. Claro que para lá chegar é preciso introduzir um conjunto de variáveis na nossa vida - como sorte, experiências anteriores, estarmos nós próprios preparados para fazer alguém feliz (e vice-versa), paciência, persistência, todas essas cartadas incertas - mas dá para ser feliz nesta vida com mais alguém, não acreditem no contrário. Apenas não esperem Walt Disney. Um amor sacana é muito melhor aposta, docemente viciado por conspirações, desencontros, sentido de humor negro e corrosivo, bitch para aqui e para ali, mas em todas as circunstâncias um amor muito pegajoso, solidário, trancadas contra as paredes, broches de fazer esquecer o ano em que se está, ou pelo menos boa companhia, com arte e gosto, e sinceridade. Mais vale ser verdadeiro do que perfeito."
Talvez, realmente o que levamos sejam as memórias de intimidade, os amores sacanas, todos os momentos onde fomos verdadeiros - e isso se tornou perfeito, porque assumir que se gosta do que é imperfeito, sabendo-o imperfeito mas onde nos sentimos bem, é talvez a melhor versão do que pode ser perfeito para nós - onde fomos mais transparentes, onde nos entregámos mais indefesos mas confiantes que não nos magoaríamos ( e nem sempre assim é), quem e como amámos, quem e com que vontade os encostámos à parede, com quem rimos cheios de cumplicidade e como nos sentimos amados. Sim , isso deve ser o que fica, o que permanece tudo o resto o peso do tempo esmaga. E ainda bem.
[foto de Ed Feingersh]
Está frio.
Aquece-me por dentro de ti.
Está frio dentro de ti?
Se está, dá-me só um casaco,
que umas boas botas eu já tenho...
[these boots are made for walking...]
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019
[foto @karelchladek]
Dá-me canções monossilábicas
e músicas de silêncio inteiro
Vou cobrir os meus lábios de noite
e descobrir, na tua, a boca da lua
Quero morder a vida na tua pele
e lamber o gemido da seiva
a escorrer pela minha
Deixa-me comer a tua fome
que a poesia não me sacia a pele.
terça-feira, 5 de fevereiro de 2019
[Charles Bukowski]
Cautelosos o suficiente
para não arriscarem a vida
Seguro o bastante
para que vivê-la não os mate.
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019
[foto @heinipaavola]
A natureza também “píxeliza”...
olho para esta maravilha e é o que me ocorre,
em vez do seu inverso, que seria o mais natural.
Gosto da imagem, fico-me a olhar o frio a tomar forma aos olhos.
O frio toma-nos em pequenas partículas, devagar, invade-nos e conquista-nos o corpo. Às vezes arrepia-nos, outras encolhe-nos de dentro para fora.
Às vezes instala-se nas almas, tornam-se frias,
reduzem-se a operações aritméticas de sobrevivência - o frio entranha-se de tal modo que talvez nunca mais voltem a aquecer, e provavelmente nunca foram capazes de aquecer ninguém pelo lado grande.
O frio precisa de sítio propício para se acomodar e reinar.
Está um frio do caraças!!...
e enquanto eu sentir frio, sei que estou quente,
e enquanto acreditar que há olhares que nos aquecem por dentro,
e sorrisos que nos chegam dentro,
nunca me abandonarei ao frio que gela abaixo da epiderme.
Talvez seja uma questão de fé. Ou só de estupidez.
O frio nem sempre conserva a razão em bom estado...
... só a memória de nos sentirmos quentes.
quarta-feira, 30 de janeiro de 2019
Ahahahah... óptima resposta.
Da próxima vez que me começarem com estas tangas,
e a perguntar se os homens por estas bandas são estupidos e cegos,
acho que vou adoptar esta réplica e ver as reacções :D
Muito bom!
Bom dia!
terça-feira, 29 de janeiro de 2019
MADRUGADA podes querer e podes não querer podes fugir. ficar ou não ficar assim, quieto. esse travo na boca por dizer. esse gozo secreto das coisas a gemer lá para o fim. Rui Costa
A campainha toca, duas facadas profundas no silêncio da casa, detesto. Uma encomenda para mim, como uma surpresa que (nos) pedimos, numa manhã atrasada como tantas outras. Os minutos ao acaso trazem à manhã já alta, e (des)composta, uma madrugada assim. Que dura o dia todo.
Há tanto na senda de esquecer madrugadas, que quero uma nova, inteira, que não seja para esquecer, que dure sempre até à próxima. Só quero noites a acabar em madrugadas que não ficam por dizer, mesmo que em manhãs atrasadas e corridas, gemam até ao fim.
E fico-me para aqui a pensar, com a boca a saber a café, que estas manhãs estão para mudar, tudo está para mudar, e dói-me como a claridade fria da manhã na pele quente da memória dos lençóis. Olho a chávena vazia e confessa-me que a vida deve ser uma dança provocante que dançamos com as oportunidades, obstáculos e vontades... talvez as madrugadas certas aconteçam quando ouvimos em cada um a mesma música. O meu tipo de música.
Bom dia.
sábado, 26 de janeiro de 2019
...These are a few of my favorite things...
(ao jeito Von Trapp...)
Bom dia!
sexta-feira, 25 de janeiro de 2019
Claro... não há cá taradices...
...é tudo muito decente de todas as maneiras que a imaginação servir
e apeteça ao momento e a quem o aproveita.
A única indecência é a falta de vontade recíproca,
a obrigação ou a violência,
as conversas porcas do favorzinho e condescendência,
essas porcarias aqui não são admitidas.
Isto é uma casa muito decente. Claro.
[foto @paeulini, modificada para p&b]
Estou estranhamente triste, uma tristeza seca, uma solidão de antípodas. Só tenho vontade de fugir de tudo, de ir para longe de tudo. E no entanto, é quando a solidão nos afoga de dias, que já estamos nesse sítio onde tudo nos é distante, em que todos os fios que nos fazem mundo já se desfizeram. Pairamos sozinhos no vazio, pesados como cada dia que nos afunda. Queremos fugir, mas já estamos tão longe donde alguma vez nos sentimos perto. De algo, de alguém. E no fundo talvez só se queira fugir disto, desta distância, desta segunda pele que nos fecha a alma. esta solidão que não deixa a alma respirar. Cada respiração é uma troca. E a alma tenho-a vedada, asfixiada. Quero fugir de tudo para onde me sinta. Se ainda for um dia possível voltar a sentir, a sentir-me. Trocar impressões de alma, respirar proximidade, sentir intimidade de pele - até pelo seu avesso.
quarta-feira, 23 de janeiro de 2019
[imagem @picame]
Gente fala-barato com palavras caras. Gente que não diz nada, mas ocupa o silêncio. Não há uma ideia, já nem digo original que é pedir muito e imitar, copiar ou adaptar ligeiramente é muito mais simples, rápido e a única modalidade para quem não tem inteligência ou criatividade para mais... só sabem trocar, em vez de ser por miúdos, por palavras graúdas para parecerem melhores, mais inteligentes, eruditos, quase-(pseudo)intelectuais... essas pessoas cansam-me e de certa forma repugnam-me neste seu modo de se quererem fazer parecer qualquer coisa que gostariam de ser mas só se esforçam por parecer, e mal. Se calhar devia só sentir pena delas, mas não. É pena.
terça-feira, 22 de janeiro de 2019
É mesmo isto. Esta.
A esta não falto, nem tenho de me mentalizar que tenho de ir, que me faz bem e tal... nesta pelo go a estadia, há dias que só me apetece correr para lá (devagarinho, que isto correr também não é comigo...) e depois ficar por muito tempo a dedicar-me a este exercício... isto sim é um exercício que não me cansa, que me dá prazer e sim, deste saio revigorado e não de rastos... ao outro tenho andado a esquivar-me... mas num mundo eficiente não devia cada um dedicar-se aquilo que faz melhor? Eu sou muito eficaz a dormir, mais que no ioga, só vos digo...
domingo, 20 de janeiro de 2019
“(...)’Que importância tem o cérebro’, disse Lady Rosseter, levantando-se, ‘comparado com o coração?’
‘Também vou’, disse Peter, mas deixou-se ficar sentado mais um pouco. Que terror é este? que exaltação é esta? pensou ele para consigo mesmo. O que é isto, que me enche de uma incrível emoção?
É Clarissa, disse ele.
Pois ela estava ali. “
Virgínia Wolf, in Mrs Dalloway
E fecha-se o livro com uma sensação de vazio, em que tudo está dito mas nada se desenrolou. Ou talvez sim. Porque há coisas que vão além da explicação, da razão, da acção. Como este simples facto: não somos donos de nós mesmos, podemos, quanto muito, comandar o cérebro - e nem sempre, e nem sempre é fácil - discernir a razão, ou até perdê-la, endoidecermos. Talvez haja loucuras por deixar o coração ao volante da vida, ou porque a razão deixou de servir para explicar o inconcebível.
Mas a verdade é que o que nos controla nós não controlamos, não somos sequer fomos de nós mesmos. Como se habitássemos algo ferido de vontade própria, que somos nós, o mais profundo de nós, mas que não somos ou não sabemos ser.
Nuno Júdice, in A Pura Inscrição do Amor
Comprei este livro algures durante o ano passado e passou a fazer parte da minha mesinha de cabeceira, como outros que lá ganharam raízes ou fazem parte da mobília - ainda que a mobília mude, como os sonetos da Florbela, que passaram da mesa de cabeceira de casa dos meus pais para todas as que se seguiram. Também este está sempre ali à mão de semear a noite, e as vezes abro-o, numa qualquer página, quando chego à cama. Há coisas que não têm ordem designada ou hora marcada, para mim a poesia é assim. Ou tropeço nela em qualquer sítio pelos caminhos por onde os dias me levam, ou a procuro no acaso duma página que o destino sorteia numa noite menos escura.
Hoje, aqui ainda meia na ronha, vestida de domingo, assim lhe peguei, e encontrei-me, ou a poesia encontrou-me, sorriu-me à alma em afinidades secretas. Talvez amanhã já não fosse assim. Ninguém sabe o amanhã e a poesia não é coisa com que se conte, acontece acontecer simplesmente - ainda que as promessas não se cumpram.
Bom dia!
sábado, 19 de janeiro de 2019
[foto @nicoladavisonreed]
Hoje era dia de passeio a várias patas,
mas com esta água a cair por todo lado só se fossemos num passeio a vários patos...
a alternativa é a bicha a aquecer-me os pés,
um livro e alguma coisa que aqueça a pele por dentro.
Lareira também seria bom,
não fosse a preguiça de ir buscar a lenha cá para dentro...
tenho definitivamente de arranjar alguém que me carregue algumas coisas,
que me carregue (aguente seria mais o termo) a mim também, já agora...
sexta-feira, 18 de janeiro de 2019
[foto @niravphotography]
Tenho um raio de luz atravessado na espinha
Tenho uma réstia de vida presa na pele
Há luzes que não se extinguem
E só a liberdade escolhe a pele da sua prisão.
Há sonhos que iluminam
Mesmo quando se apagam.
Ficam-nos na espinha, debaixo da pele,
onde só se chega por dentro das mãos.
quinta-feira, 17 de janeiro de 2019
eheheh...
...espero que não, porque senão habilitamo-nos a que a casa venha a baixo...
quando os pilares começam a ruir segurar com fita cola é só estupidez...
como alguns tipos de suposto optimismo.
Eu nunca fui muito optimista, talvez por isso nunca tentei
remendar superficialmente coisas fundamentais em ruínas...
quarta-feira, 16 de janeiro de 2019
[imagem @jesuso_ortiz]
Para largar ou comer.
Para rebentar ou engolir saboreando.
Balões ou bolinhas...
Amoras ou framboesas,
Framoresas, quem sabe?
Não interessa o nome que damos,
interessa que sejam colhidos nossos e doces.
Que nos façam doces.
(há uma sensação reconfortante em perceber que não amarguei,que apesar de tudo e de toda a tristeza, do muito que passei, e me fizeram passar, não amarguei. Entristeci talvez, mas não amarguei. Perdi o brilho mas não ganhei indignidade, nem maldade - e não me faltou vontade, várias vezes, de ser má, porque não é falta de saber como fazer as coisas, é simplesmente escolher não as fazer. Não ser assim, nem querer ser.
Entristecer, talvez, desacreditar, muito em tanto, mas não amargar. A minha única vitória perante a vida, provavelmente.
Mas boa.)
A estranheza de um silêncio inteiro
dividido em duas palavras:
uma tua, outra minha.
Silêncio que grita
entre sílabas de nada.
Página riscada sem escritos.
Entrelinhas duma folha em branco.
A vida toda por dizer.
Todas as mortes por gritar.
Calemos o silêncio
sem palavras.
terça-feira, 15 de janeiro de 2019
Ahahahah
Muito boa!!
E é verdade, por isso eu devo ser muuuuuito linda
(eu e toda a gente que vai ao centro comercial e não encrava as portas...)
Bela maneira de começar o dia... constatando como somos lindos!!
:)))))
Bom dia, lind@s!
segunda-feira, 14 de janeiro de 2019
[foto @spellelephant]
Vai um mergulho fresquinho??
:)))
Não sei porquê, mas este calorzinho siberiano
não convida a sair da cama...
(também é verdade que eu sou suspeita,
nunca me apetece sair da cama... de manhã,
porque à noite também nunca me apetece ir para lá.