quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

Ahahahah
Almôndegas, portanto... também podia ser carne picadinha...
Mas é quinta, é dia de almôndegas, ‘tá certo.

Não importa o que que comem - tudo menos menos restos, isso nao (nem comer nem ser...) - desde que gostem da companhia, da conversa, do silêncio também ... e da sobremesa... ou entrada!! (também há essa modalidade, é muito apreciada e previne tampas épicas do género... ah e tal acabámos de comer vamos esperar um tico... ahahahah)...

Bom dia, e boas almôndegas ;))

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

[inagem @jesuso_ortiz]

E que bem que anda a saber-me este cheiro a primavera, esta amostra de sol e prelúdio de cor... a viagem para o trabalho torna-se mais quente,  com o olhar atrás dos óculos de sol e a luz a puxar o sorriso para fora da toca de inverno... como um dia doce à sombra duma amora :)
(ou framboesa, mas gosto mais da palavra amora, crucifiquem-me )

terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

[foto de Chema Madoz]

"A tua extinção é ainda um fogo."
Vasco Gato

[Queima, mas não mata.
Arde, mas não cura.]


segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

Um bom exemplo do porquê de eu gostar tanto do que este senhor escreve...
é bem verdade. Depois, se calhar, procura-se, sem sequer nos apercebermos,
sempre o mesmo em todos os lugares diferentes. Talvez no meio disso se encontre algo que surpreenda, e esse seja um novo paradigma, um novo ciclo,
tudo comece de novo - até o procurar o mesmo depois de o ter encontrado.
 O mesmo - o que nos faz sentir querer sempre esse mesmo, mesmo que diferente do anterior.

sábado, 9 de fevereiro de 2019

E enquanto faço tempo, o tempo faz-se sal e luz filtrada de cores suaves e pensamentos que não agarro debaixo das conversas voadoras das gaivotas. Há um frio que se abeira mas as ondas levam-no para mar alto, onde não me encontra. Quero que a esperança se me entranhe como as  areias finas que ainda se encontram, coladas em algum recôndito canto esquecido, passados vários invernos de se terem cruzado connosco.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019






" (...) Mas para mim, à altura da tua morte nada releva mais quando olhas para trás do que saber da qualidade da tua intimidade com quem amaste. Conseguiste criar, desenvolver, manter, cultivar, acarinhar e aproveitar o máximo de momentos da tua intimidade com quem amaste, ou não? Deitaste-te e acordaste com quem gostavas? Tentaste chegar a uma pessoa improvável (para os outros) mas que dentro de ti sabias que tinhas que tentar?"

Roubado ao (romântico do) Bom Sacana

"Foder é essencial mas dormir com quem se gosta é decisivo, sem isso não há felicidade. Claro que para lá chegar é preciso introduzir um conjunto de variáveis na nossa vida - como sorte, experiências anteriores, estarmos nós próprios preparados para fazer alguém feliz (e vice-versa), paciência, persistência, todas essas cartadas incertas - mas dá para ser feliz nesta vida com mais alguém, não acreditem no contrário. Apenas não esperem Walt Disney. Um amor sacana é muito melhor aposta, docemente viciado por conspirações, desencontros, sentido de humor negro e corrosivo, bitch para aqui e para ali, mas em todas as circunstâncias um amor muito pegajoso, solidário, trancadas contra as paredes, broches de fazer esquecer o ano em que se está, ou pelo menos boa companhia, com arte e gosto, e sinceridade. Mais vale ser verdadeiro do que perfeito."


Talvez, realmente o que levamos sejam as memórias de intimidade, os amores sacanas, todos os momentos onde fomos verdadeiros - e isso se tornou perfeito, porque assumir que se gosta do que é imperfeito, sabendo-o imperfeito mas onde nos sentimos bem, é talvez a melhor versão do que pode ser perfeito para nós - onde fomos mais transparentes, onde nos entregámos  mais indefesos mas confiantes que não nos magoaríamos ( e nem sempre assim é), quem e como amámos, quem e com que vontade os encostámos à parede,  com quem rimos cheios de cumplicidade e como nos sentimos amados. Sim , isso deve ser o que fica, o que permanece tudo o resto o peso do tempo esmaga. E ainda bem.
[foto de Ed Feingersh]

Está frio. 
Aquece-me por dentro de ti.
Está frio dentro de ti?

Se está, dá-me só um casaco,
 que umas boas botas eu já tenho... 

[these boots are made for walking...]

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019


[foto @karelchladek]

Dá-me canções monossilábicas
e músicas de silêncio inteiro
Vou cobrir os meus lábios de noite
e descobrir, na tua, a boca da lua
Quero morder a vida na tua pele
e lamber o gemido da seiva
a escorrer pela minha
Deixa-me comer a tua fome
que a poesia não me sacia a pele.



terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

[Charles Bukowski]

Cautelosos o suficiente 
para não arriscarem a vida
Seguro o bastante 
para que vivê-la não os mate.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

[foto @heinipaavola]

A natureza também “píxeliza”... 
olho para esta maravilha e é o que me ocorre, 
em vez do seu inverso, que seria o mais natural.
Gosto da imagem, fico-me a olhar o frio a tomar forma aos olhos.
O frio toma-nos em pequenas partículas, devagar, invade-nos e conquista-nos o corpo. Às vezes arrepia-nos, outras encolhe-nos de dentro para fora.
Às vezes instala-se nas almas, tornam-se frias, 
reduzem-se a operações aritméticas de sobrevivência - o frio entranha-se de tal modo que talvez nunca mais voltem a aquecer, e provavelmente nunca foram capazes de aquecer ninguém pelo lado grande.
O frio precisa de sítio propício para se acomodar e reinar. 

Está um frio do caraças!!... 
e enquanto eu sentir frio, sei que estou quente, 
e enquanto acreditar que há olhares que nos aquecem por dentro, 
 e sorrisos que nos chegam dentro,
nunca me abandonarei ao frio que gela abaixo da epiderme.
Talvez seja uma questão de fé. Ou só de estupidez. 
O frio nem sempre conserva a razão em bom estado...
... só a memória de nos sentirmos quentes.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

Ahahahah... óptima resposta.
Da próxima vez que me começarem com estas  tangas,
e a perguntar se os homens por estas bandas são estupidos e cegos, 
 acho que vou adoptar esta réplica e ver as reacções :D
Muito bom!

Bom dia!

terça-feira, 29 de janeiro de 2019

MADRUGADA
podes querer e podes não querer
podes fugir. ficar ou não ficar
assim, quieto. esse travo na boca
por dizer.  esse gozo secreto
das coisas a gemer lá para o fim.

Rui Costa

A campainha toca, duas facadas profundas no silêncio da casa, detesto. Uma encomenda para mim, como uma surpresa que (nos) pedimos, numa manhã atrasada como tantas outras. Os minutos ao acaso trazem à manhã já alta, e (des)composta, uma madrugada assim. Que dura o dia todo.
Há tanto na senda de esquecer madrugadas, que quero uma nova, inteira, que não seja para esquecer, que dure sempre até à próxima. Só quero noites a acabar em madrugadas que não ficam por dizer, mesmo que em manhãs atrasadas e corridas, gemam até ao fim.
E fico-me para aqui a pensar, com a boca a saber a café, que estas manhãs estão para mudar, tudo está para mudar, e dói-me como a claridade fria da manhã na pele quente da memória dos lençóis. Olho a chávena vazia e confessa-me que a vida deve ser uma dança provocante que dançamos com as oportunidades, obstáculos e vontades... talvez as madrugadas certas aconteçam quando ouvimos em cada um a mesma música. O meu tipo de música. 

Bom dia.

sábado, 26 de janeiro de 2019



...These are a few of my favorite things...

(ao jeito Von Trapp...)
Bom dia!

sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

Claro... não há cá taradices...
...é tudo muito decente de todas as maneiras que a imaginação servir
e apeteça ao momento e a quem o aproveita.
A única indecência é a falta de vontade recíproca,
 a obrigação ou a violência, 
as conversas porcas do favorzinho e condescendência, 
essas porcarias aqui não são admitidas. 
Isto é uma casa muito decente. Claro.


[foto @paeulini, modificada para p&b]

Estou estranhamente triste, uma tristeza seca, uma solidão de antípodas. Só tenho vontade de fugir de tudo, de ir para longe de tudo. E no entanto, é quando a solidão nos afoga de dias, que já estamos nesse sítio onde tudo nos é distante, em que todos os fios que nos fazem mundo já se desfizeram. Pairamos sozinhos no vazio, pesados como cada dia que nos afunda. Queremos fugir, mas já estamos tão longe donde alguma vez nos sentimos perto. De algo, de alguém. E no fundo talvez só se queira fugir disto, desta distância, desta segunda pele que nos fecha a alma. esta solidão que não deixa a alma respirar. Cada respiração é uma troca. E a alma tenho-a vedada, asfixiada. Quero fugir de tudo para onde me sinta. Se ainda for um dia possível voltar a sentir, a sentir-me. Trocar impressões de alma, respirar proximidade, sentir intimidade de pele - até pelo seu avesso.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

[imagem @picame]

Gente fala-barato com palavras caras. Gente que não diz nada, mas ocupa o silêncio. Não há uma ideia, já nem digo original que é pedir muito e imitar, copiar ou adaptar ligeiramente é muito mais simples, rápido e a única modalidade para quem não tem inteligência ou criatividade para mais... só sabem trocar, em vez de ser por miúdos, por palavras graúdas para parecerem melhores, mais inteligentes, eruditos, quase-(pseudo)intelectuais... essas pessoas cansam-me e de certa forma repugnam-me neste seu modo de se quererem fazer parecer qualquer coisa que gostariam de ser mas só se esforçam por parecer, e mal. Se calhar devia só sentir pena delas, mas não. É pena.

terça-feira, 22 de janeiro de 2019

É mesmo isto. Esta.
A esta não falto, nem tenho de me mentalizar que tenho de ir, que me faz bem e tal... nesta pelo go a estadia, há dias que só me apetece correr para lá (devagarinho, que isto correr também não é comigo...) e depois ficar por muito tempo a dedicar-me a este exercício... isto sim é um exercício que não me cansa, que me dá prazer e sim, deste saio revigorado e não de rastos... ao outro tenho andado a esquivar-me... mas num mundo eficiente não devia cada um dedicar-se aquilo que faz melhor? Eu sou muito eficaz a dormir, mais que no ioga, só vos digo...

domingo, 20 de janeiro de 2019

“(...)’Que importância tem o cérebro’, disse Lady Rosseter, levantando-se, ‘comparado com o coração?’
‘Também vou’, disse Peter, mas deixou-se ficar sentado mais um pouco. Que terror é este? que exaltação é esta? pensou ele para consigo mesmo. O que é isto, que me enche de uma incrível emoção?
É Clarissa, disse ele.
Pois ela estava ali. “

Virgínia Wolf, in Mrs Dalloway

E fecha-se o livro com uma sensação de vazio, em que tudo está dito mas nada se desenrolou. Ou talvez sim. Porque há coisas que vão além da explicação, da razão, da acção. Como este simples facto: não somos donos de nós mesmos, podemos, quanto muito, comandar o cérebro - e nem sempre, e nem sempre é fácil - discernir a razão, ou até perdê-la, endoidecermos. Talvez haja loucuras por deixar o coração ao volante da vida, ou porque a razão deixou de servir para explicar o inconcebível.
Mas a verdade é que o que nos controla nós não controlamos, não somos sequer fomos de nós mesmos. Como se habitássemos algo ferido de vontade própria, que somos nós, o mais profundo de nós, mas que não somos ou não sabemos ser.
Nuno Júdice, in A Pura Inscrição do Amor

Comprei este livro algures durante o ano passado e passou a fazer parte da minha mesinha de cabeceira, como outros que lá ganharam raízes ou fazem parte da mobília - ainda que a mobília mude, como os sonetos da Florbela, que passaram da mesa de cabeceira de casa dos meus pais para todas as que se seguiram. Também este está sempre ali à mão de semear a noite, e as vezes abro-o, numa qualquer página, quando chego à cama. Há coisas que não têm ordem designada ou hora marcada, para mim a poesia é assim. Ou tropeço nela em qualquer sítio pelos caminhos por onde os dias me levam, ou a procuro no acaso duma página que o destino sorteia numa noite menos escura.
Hoje, aqui ainda meia na ronha, vestida de domingo, assim lhe peguei, e encontrei-me, ou a poesia encontrou-me, sorriu-me à alma em afinidades secretas. Talvez amanhã já não fosse assim. Ninguém sabe o amanhã e a poesia não é coisa com que se conte, acontece acontecer simplesmente - ainda que as promessas não se cumpram. 

Bom dia!

sábado, 19 de janeiro de 2019

[foto @nicoladavisonreed]

Hoje era dia de passeio a várias patas, 
mas com esta água a cair por todo lado só se fossemos num passeio a vários patos... 
a alternativa é a bicha a aquecer-me os pés, 
um livro e alguma coisa que aqueça a pele por dentro.
Lareira também seria bom, 
não fosse a preguiça de ir buscar a lenha cá para dentro... 
tenho definitivamente de arranjar alguém que me carregue algumas coisas, 
que me carregue (aguente seria mais o termo)  a mim também, já agora...

sexta-feira, 18 de janeiro de 2019


[foto @niravphotography]

Tenho um raio de luz atravessado na espinha
Tenho uma réstia de vida presa na pele

Há luzes que não se extinguem
E só a liberdade escolhe a pele da sua prisão.

Há sonhos que iluminam
Mesmo quando se apagam.

Ficam-nos na espinha, debaixo da pele,
onde só se chega por dentro das mãos.


quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

eheheh...
...espero que não, porque senão habilitamo-nos a que a casa venha a baixo...
quando os pilares começam a ruir segurar com fita cola é só estupidez...
como alguns tipos de suposto optimismo.
Eu nunca fui muito optimista, talvez por isso nunca tentei 
remendar superficialmente coisas fundamentais em ruínas...

quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

[imagem @jesuso_ortiz]

Para largar ou comer.
Para rebentar ou engolir saboreando.
Balões ou bolinhas...
Amoras ou framboesas,
Framoresas, quem sabe?
Não interessa o nome que damos, 
interessa que sejam colhidos nossos e doces.
Que nos façam doces.

(há uma sensação reconfortante em perceber que não amarguei,que apesar de tudo e de toda a tristeza, do muito que passei, e me fizeram passar, não amarguei. Entristeci talvez, mas não amarguei. Perdi o brilho mas não ganhei indignidade, nem maldade - e não me faltou vontade, várias vezes, de ser má, porque não é falta de saber como fazer as coisas, é simplesmente escolher não as fazer. Não ser assim, nem querer ser. 
Entristecer, talvez, desacreditar, muito em tanto, mas não amargar. A minha única vitória perante a vida, provavelmente.
Mas boa.)
A estranheza de um silêncio inteiro
dividido em duas palavras:
uma tua, outra minha.

Silêncio que grita
entre sílabas de nada.
Página riscada sem escritos.
Entrelinhas duma folha em branco.
A vida toda por dizer.
Todas as mortes por gritar.

Calemos o silêncio
sem palavras.

terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Ahahahah
Muito boa!!
E é verdade, por isso eu devo ser muuuuuito linda
 (eu e toda a gente que vai ao centro comercial e não encrava as portas...)
Bela maneira de começar o dia... constatando como somos lindos!!
:)))))
Bom dia, lind@s!

segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

[foto @spellelephant]

Vai um mergulho fresquinho??
:)))
Não sei porquê, mas este calorzinho siberiano
 não convida a sair da cama...

(também é verdade que eu sou suspeita, 
nunca me apetece sair da cama... de manhã, 
porque à noite também nunca me apetece ir para lá. 
Esquisitices, pois.)
Bom dia!

domingo, 13 de janeiro de 2019

[imagem @virgola_ ]

Domingo vestido de ronha, 
com tempo sem horas e o calor dum roupão vagaroso... 
a música espalha-se pelo quarto e canta-se pelo corpo,
enquanto se plantam planos de passeios nos pés.

Bom dia!

sábado, 12 de janeiro de 2019

Costumo ir pondo numa prateleira, por ordem os livros que vou lendo durante o ano. Esta é a prateleira de 2018. Ou foi. Depois arrumo-os por outra ordem, ainda que deixá-los assim por cronologia de leitura, ocorre-me agora, seria também uma organização gira, com outro significado, onde poderia identificar a altura da vida em que os tinha lido. Talvez não fosse tão fácil para procurar depois um qualquer livro... mas era uma ideia gira que do agora me lembrei, ao escrever isto, mas de qualquer forma este foi o meu ano em livros, falta aqui o que pernoitou para 2019 em fase de leitura: Mrs Dalloway.
Tenho por hábito copiar as passagens dos livros que vou lendo e me fazer parar para pensar para os blogues que vou tendo. Gosto de, de vez em quando, procurá-los, relê-los, outras vezes lembro-me dum qualquer trecho sem quê nem para quê, e sei que escrevi alguma coisa sobre isso e vou ler. É a forma de registo do que me marcou, ou do que gostei, ou do que me fez questionar. Afinal, como tudo o que vou deixando por aqui. E percebo que este ano foram poucos os excertos que copiei para aqui, e que de todos aqueles livros, olho e vejo uns quatro... o Jorge de Sena, o Kundera, o Sándor Marai e o Casmurro. Só depois me ocorrem o Benedetti, de que tanto gosto da escrita e poesia, o diferente Cortazar em oito contos e a Clarice que fez estranhar tanto este livro, e talvez por isso me tenha também marcado mas não me ocorra entre os que mais gostei. Olho e vejo um livro que gostei de ler, escrito por médicos ( uma iniciativa privada e que um amigo do meio me ofereceu por saber que gosto de ler), cada um uma história de um transplante, uma vida que permitiu outra vida de continuar, gostei da humanidade dos relatos e de ficar a perceber mais alguma coisa do que será o processo de um transplante e o modo como as equipas e médicos vivem também estes dramas. 
 Percebo pelos bocadinhos de livros que aqui fui deixando os que gostei mais e acho que este ano gostei (realmente) se calhar de poucos. Pode ser que este ano mude... na prateleira de livros na calha para ler estão uns tantos de boas expectativas e curiosidade de ler. Por enquanto ainda não acabei o da Virgínia Wolf e sendo o primeiro dela que leio não me está a arrebatar, mas há coisas (algumas, só algumas) que vêm com a convivência, que crescem em nós, que elas mesmo crescem e nos conquistam, por isso, quem sabe pode ser o caso. Ou outros casos. Às vezes gostava que isso acontecesse mais vezes e com muito mais coisas.
Bom dia!

sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

Das velhas decisões com ano novo.
Da negação que nos apanhará todos os anos, até deixarmos de negar o óbvio.
Da falsa sensação de estarmos melhor, de tudo estar melhor só porque não piorou e não queremos enfrentar incertezas, nem medos, nem verdades que nos fazem frio por dentro.
As mudanças acontecem, mesmo debaixo do manto da aparente normalidade, ou status quo, encenação não é vida e um dia o pano cai - não é por fecharmos os olhos que elas deixam de acontecer ou ter acontecido. Quanto mais depressa abrirmos os olhos, maior e melhor será o tempo para a verdade.

Eu tenho este ano uma mão cheia de mudanças para as quais não sei se tenho mãos. Tenho tentado esquecer-me que tudo vai mudar porque o vislumbre de pânico surge-me como um formigueiro cada vez que enfrento a ideia e a tento concretizar na minha cabeça. Mas aos poucos vou conseguindo. Tento que a negação seja apenas um placebo de uso conhecido e controlado. Há quem faça disso uma droga diária e talvez um dia acordem e tenham de perceber que à custa de algumas negações negaram-se o direito a viver. Realmente.

terça-feira, 8 de janeiro de 2019

... só pode.
Está na altura deles, dizem.
Tenho a vida engripada, deve ser isso...

segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

Mesmo não querendo,
 às vezes enfiam-nos o cházinho pela goela abaixo
 que é um mimo...

sábado, 5 de janeiro de 2019

“A vantagem de envelhecermos, pensava Peter Walsh, saindo de Regent’s Park, com o chapéu na mão, era simplesmente esta: que as paixões permaneciam tão fortes como sempre, mas nós adquiríamos - por fim! - esse poder que transmite à vida o seu supremo sabor - a capacidade de nos apoderarmos da experiência e rodá-la, devagar, diante da luz.
Era terrível confessa-lo (tinha voltado a pôr o chapéu), mas agora, aos cinquenta e três anos, já quase dispensamos as pessoas. A própria vida, cada momento seu, cada gota, aqui, neste instante, agora, ao sol de Regent’s Park, era o suficiente. Demasiado, até. Uma vida inteira era demasiado curta, agora que alcançamos esse poder, para dela retirarmos o pleno sabor, para dela extrairmos cada grama de prazer, cada cambiante de sentido; agora, que prazer e sentido se tornavam muito mais sólidos, e mais impessoais, do que haviam sido até então. Era impossível que ele voltasse a sofrer como Clarissa o tinha feito sofrer.”

Virgínia Wolf, in Mrs. Dalloway

Rodarmos a experiência nas nossas mãos - como algo nosso, mas que cabe fora de nós o suficiente para a rodar à luz, para lhe ver as rugas, os defeitos e as intemporalidades perfeitas. Para, apesar disso, o relativizar no tempo, e do tempo. Para com isso todo o tempo saber melhor, saborear-se melhor, ser tempo melhor. Quase não precisar de pessoas - para isso, para ir ao tutano de cada instante. Para isso ser suficiente, para parecer até demasiado, às vezes; para sabermos como não voltar a sofrer como já sofremos, para sabermos segurar cada experiência nas mãos com um olhar honesto mas acutilante, justo mas egoista, que temos sem o esforço de o procurar... para uma alma bastar e ser a nossa, inteira. Queria isto tudo, mas antes dos cinquenta três se faz favor... se bem que se essa for a idade para os homens, pode ser que haja esperança... dizem que as mulheres costumam entender a vida mais rápido que os homens. Se calhar. Nao sei. Sei que esta clarividência me dava um jeitão na prática da vida. Só vos digo. E se lhe reconheço os contornos, falta-me segurá-la nas mãos. Ou a luz.

(mas na verdade, agora que penso nisto, depois de escrever o que escrevi, o que eu gostaria era da oportunidade de poder vir a ser tão magoada como já fui. só da possibilidade disso, obviamente. porque então estaria intacta a minha capacidade de entrega e de amar. de sofrer também. só se aprende a não sofrer demais depois de ter sofrido demasiado)

[foto @ifitwags]

Pela primeira vez acordo com um gajo ao meu lado. Moço que, lá pelas contas dele, deve ser um recente cinquentão, grisalho e carregado de charme (às vezes, garanto-vos, até faz parar o trânsito)... O único que me entra em casa sem pedir licença, a casa é dele, ou ele assim a toma, como a mim me toma por ser dele, mas só quando lhe dá jeito, pois. Gajos. Acordo quase nariz com nariz. Não abro logo os olhos, finjo-me de mula, ele não quer saber de mulas, espeta-me o nariz na cara,sem apelo, agravo ou réstia de misericórdia... Estava frio, muito frio, rai'sparta o gajo e o nariz gelado, mas abri os olhos e desatei-me a rir... não há como não. Agarrei-me a ele, numa espécie de abraço muito desiquilibrado e desengonçado, pois. Ele fica todo contente, não pára quieto, mal me deixa sair da cama, entorpecilha-me as pernas nas dele, e percebo que tem mesmo de cortar as unhas... mas a felicidade dele só por me ter acordado é coisa para me fazer levantar a sorrir - começar bem o dia às vezes parece que não custa nada. Está constipado, farta-se de espirrar no caminho para a cozinha... espero que não me tenha pegado nada, o danado do peludo com nome de rio. E como eu dizia, hoje pela primeira vez este ano, fui acordada por um moço com nome de rio, peludo grisalho, constipado, muito mimento e ciumento, a precisar de cortar as unhas e que há não muito tempo queria afinfar a teenager (lá pelas contas deles) pintarolas patuda residente neste domicílio.... e tem um nariz verdadeiramente gelado. Mas fez-me rir...

Bom dia!... hoje é dia de deixar o tempo correr devagar entre o que se quer e o que se tem... e é dia de passeio a várias patas, mas sou só eu ou está um frio do caraças?.... acho que vou ter de arranjar um casaquinho assim para a bicha ... senão constipa-se como o outro...

terça-feira, 1 de janeiro de 2019

... dos espertinhos engraçadinhos

(que eu gosto, gosto quando nos batem com inteligência e perspicácia... há que lhes tirar o chapéu - e às vezes até mais que isso, conforme seja... - e admirar ;) eu pelo menos, gosto, acho piada, não resisto)

Comecemos o ano com sorrisos, mesmo que parvos :)


segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

E é isto. Tão isto.
(a parte do adorável depende da perspectiva, claro...)
Por muitos anos que passem, por muitas promessas e objectivos que se tentem alcançar a cada virada de calendário, a essência de cada um não muda, adaptamo-nos muitas vezes, isso sim. Mudam os contextos, podem mudar alguns comportamentos (pelo menos durante uns tempos e para servir um qualquer objectivo... e tudo o que é feito assim, é temporário), podemos até mudar de emprego, de companhia, de vida, mas não mudamos aquilo de que somos, ou não, feitos. E é por isso que muitas vezes precisamos de mudar o que está à nossa volta para podermos continuar a ser quem somos, o que acreditamos e mais queremos, mesmo que não o cheguemos a ter. A nossa vida, melhor ou pior, em melhores ou piores alturas, de alguma forma, não pode destoar de nós, de como vemos as coisas, como as sentimos e entendemos, ou a vida parecerá que não é a nossa vida, algo parece errado e terrivelmente deslocado. Como tempo perdido, vida desperdiçada.
Tenho grandes mudanças à porta, quase mal passe a ombreira do 2019. Não sei se boas se más, não sei se vou conseguir responder-lhes como me será pedido, não sei se me conseguirei adaptar, não sei,  sei que muita ansiedade e angústia e medo me esperam, mas uma coisa eu sei, eu para o bem e para o mal (muitas vezes para o mal, porque queria tanto ser diferente...) continuarei a ser eu, centrada na minha essência - construída, destruída e reconstruída sempre a partir daí. 
Bom ano a todos os que por aqui passam,
que eu agora vou para uma esplanada aproveitar o sol e saborear aquele que será, provavelmente, o ultimo café de 2018...
Vemo-nos (ou lemo-nos) em 2019!!

sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

Os olhos ardem e a cabeça estala como se não me coubesse, acabo por adormecer no sofá por volta da meia noite, sem dar por isso, mudo de poiso e não há maneira de poisar. Desacordada mas sem dormir dou voltas ao que não sei dar a volta, não consigo, desisto. E queria tanto desistir, de tudo, sem me saber desistir de nada, sem pensar. A cabeça, essa martela-me por dentro, outra vez, não me cabe, não lhe caibo, uma de nós está mal e tem de se mudar. Está tudo mudado e eu na mesma, e a cabeça.
Fumo mais um cigarro conto os carros que ainda passam para não pensar no que não sei como será. Para não pensar que não sei, e pensar como se soubesse, enganando-me, não o pensando. Nunca nos conseguimos enganar. É como jogar xadrez contra nós.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

[imagem @jean_jullien]

“You are here”
E hoje pode mudar todo o meu próximo ano. Ou não.
Não sei o que será melhor, saberemos, de certeza, alguma vez?
Dois caminhos que vemos, tantos outros que existem e ainda não sabemos.
Tenho as pernas a tremer por dentro mas a andar com a força de quem aparentemente não treme.
Mas tremo.


quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

segunda-feira, 24 de dezembro de 2018

[imagem @jesuso_ortiz]
Feliz Natal a todos, aos que merecem e aos que ainda terão de fazer por merecer. 
Estamos sempre todos a tempo, dizem :)
Que seja doce a mesa e quente o olhar da lareira. 
Que estejam perto até os que estão longe, e presentes os que já não podem estar, 
mas guardam sorrisos nossos que o tempo vai desembrulhando na falta que nos fazem.
E de prendas? Bom, comam as uvas antes que virem passas, 
depois só servem para fazer desejos, não para concretizá-los... 
talvez aprender e perceber isto até fazer parte de nós, seja o melhor presente como prenda ;) 
... isso e partilhar esse presente com todos os que gostamos e queremos bem.

Bom Natal, blogosfeéricos ;))
usem e abusem dos doces, dos abraços e dos sorrisos

domingo, 23 de dezembro de 2018

[imagem @virgola_ ]

Easy sweet lazy sundays...
Os meus preferidos. 
Só interromper a ronha para um café invernoso de nariz frio.

(mas não tenho cabelo feito de espinhos, nem que pareça palha de aço graças a todos os santinhos... mesmo que acabada de sair da cama... mas achei a imagem muito gira :)) )

sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

[foto via @bnwsouls]

A noite absorve os gestos, os casacões esbatem os movimentos de quem passa - são vultos sem gente. Caímos nas garras da noite, onde todos os gatos são pardos. Gatos que dizem cair sempre de pé, e que morrem seis vezes antes da morte derradeira... e nunca por queda, por que será então? Se há isso do amor duma vida, eles terão sete, se calhar vem daí terem de saber cair sempre de pé, e se não morrem da queda, talvez morram de amor(es), afinal. Sete vidas, sete amores, sete mares para navegar sete dias de cada vez, com sete noites para confundirem quem os vê passar. Vi agora, enquanto fumava o último cigarro, um a atravessar a rua aqui em frente, não sei se estava de volta para cá ou de regresso para lá, nem qual vida caminhava.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

Das contradições que não o são.
Idiossincrasias de quem não se disfarça, cada um tem de acordo com o que dá. 
Ou deveria ser assim, nem sempre é.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2018


Do que eu tenho mesmo saudades, do que sinto mais falta, de quando eu era viva, é da vontade. Aquela vontade inteira e premente, urgente e permanente de alguém que queremos e iremos ter. Uma vontade que se acalenta devagar, até o poder encostar à parede e fazer-me engolir-me inteira pela boca dele. Ter-me inteira pelas mãos dele, pela pele, pela boca, e assim saber-me de cada canto que sou, sentindo-o, vibrando. Deixar a vontade correr a rédea solta, matando a fome de sede, enganando a sede com mais fome - que assim nenhuma nos mata, e nenhuma nunca se sacia, nos sacia, de nós, da vida, da vontade. Da vontade que corre nas veias, que é motor do coração, que o faz bater e ser, sem tempo, sem conjugação, sem passado e sem futuro, sempre, no infinito do agora que é presente de vida. 
O que me faz falta é uma vontade assim para acalentar, vontade para respirar e viver até tudo sucumbir à minha volta e o mundo se desmoronar na inexistência do que não é feito dessa vontade, desse querer, desse ter daqui a pouco esse muito, esse tudo que se consome todo sem cerimónia e não se gasta, porque a fome não se mata de sede, e a sede de fome não se engana com dias cinzentos, bebe-se da pele com pele. 
As paredes estão vazias. Deram-me como morta. 
O que sinto falta de quando eu era viva é da vontade de querer viver, que não cabendo em mim, era a minha medida perfeita. Vontade de respirar sem estar ligada à máquina duma vida mecânica, respirar por obrigação e não por convicção. Não ter por que respirar agora, se daqui a pouco não vou perder o fôlego nem descompassar o doido do coração a galope doutro coração.
Do que eu tenho mesmo saudades, do que sinto mais falta, de quando eu era viva, é de me sentir viva, sentir como se a vida valesse a pena - essa maluca impossibilidade, fé dos loucos.
... pode ser que chegues mais depressa...
Eheheh... muito BOM!
(a hipocrisia que se sublima nestas alturas do ano dá vontade de dizer umas coisas assim... há pessoas para quem a hipocrisia, a fachada, o que os outros pensam, é tudo, e fazem do politicamente correcto a oração encomendada e paga de cada dia... enfim é Natal, é isso - paz e amor como prescrição da época, que felizes que somos todos, não é?)

terça-feira, 18 de dezembro de 2018

Dos dias de balanço, do que se passou num ano, do que nos passou nesse ano, o que vimos, o que não quisemos ver e o que não vimos até não conseguirmos ver outra coisa, não voltarmos a conseguir ver doutra maneira, e tudo ganha outra realidade. Percebemos o que não queremos, o que nunca sequer merecemos, e as cores transmutam-se no nosso olhar pelo lado de dentro. Como quando lemos alguma coisa pela segunda ou terceira, ou décima vez e só dessa vimos nitidamente o que não tínhamos lido no que está escrito, mas sempre esteve lá. Como uma revelação. Às vezes com a vida é o mesmo. Há um momento de revelação, uma epifania. Que podemos negar, e depois até desprezar, ignorar, voltar atrás, repisar a antiga surdez, mas a vida apanha-nos sempre. E então acontece  percebermos que entre as coisas teimosas que vamos contrariando vamos escoando o que de grande a vida pode ter. 
Hoje ligou-me um amigo que me disse que tudo o que eu lhe disse que achava ir acontecer, está a acontecer. E eu tenho pena que assim seja, porque não foram coisas boas as que lhe disse e porque esta minha apontada lucidez nunca me serviu, ou melhor, tendo-a nunca consegui agir segundo o que me fazia ver. O que me exigia. Nunca. Até eu sentir no vermelho quente do sangue o mesmo que a fria lucidez sempre me repetiu. Como ele hoje o dizia, está a passar-se o que da lucidez ele não quis ouvir. Só quando realmente se sente o que se pensa, é que deixamos de contrariar a simples correnteza natural das coisas. Negá-la não faz com que deixemos de ser arrastados, só nos cansamos mais... até querermos ver em vez de negar o que (vendo) não queremos ver, ou acreditar. 
Este ano, bem vistas as vistas, não mudou nada a não ser o meu olhar sobre tanta coisa que se passou tanto antes. Como se de repente o coração tenha compassado com a razão. E isso, não parecendo, é tanto, se escolhermos não o negar, não inventar desculpas nem justificações. Vendo, simplesmente, sem “mas”, sem “ses”, sem “um dia”, enquanto passam todos os dias.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

Euzinha... sagitariana me confesso.
“Cuidado: criatura meio animal, meio humana, 
e a parte humana ainda vem armada de arco e flecha...”
Das melhores definições que li algures...
... a felicidade não costuma bater à porta, nem anunciar-se, parece-me, mas se por acaso acontecer, duvido que insista, é abrir logo e deixar entrar porque não é como o carteiro...
... ou como diz o provérbio o burro só passa duas vezes à tua porta e à segunda já tem dono...