sexta-feira, 14 de dezembro de 2018
quarta-feira, 12 de dezembro de 2018
[ foto @jessicaleedoran]
Mas o que querias?? Quando se abandona, nunca se regressa para o que se deixou. As casas também se magoam, deixam-nas fechadas, trancadas, ao frio, à chuva, ao vento que arrasta tudo, às vezes começam a pingar por dentro, as paredes começam a ter rugas por fora que nasceram de dentro, e ninguém cuida, ninguém quer saber. Quando se abandona não se quer saber. Mesmo que se regresse. A morada será a mesma, a casa não. A solidão por abandono não é adubo de felicidade, tal como a seca não faz florescer.
Mas o que querias? Quando se abandona nunca se regressa para o que se deixou. - ouvia repetidamente, sem saber se o ouvia por dizê-lo, se por mo dizerem. E a angústia seria por não o sabendo, perceber tão bem o que ouvia, ou por sentir que não o entendiam? Não sei, que angústia.
[será que sinto que estou a abandonar aquela gente, como tanta gente, tantas vezes, me abandonou? será isso?]
[será que sinto que estou a abandonar aquela gente, como tanta gente, tantas vezes, me abandonou? será isso?]
quinta-feira, 6 de dezembro de 2018
Dezembro chegou.
Espreguiça-se de manhãzinha na paisagem preguiçosa,
paira numa neblina sonolenta que demora a acordar o dia.
Serpenteio os campos, fico-me a olhar e gosto.
Mesmo que a vista seja mais curta e tudo nos pareça desfocado.
O horizonte faz-se perto e o tempo tem os tons duma melancolia doce e lenta.
Gosto. Sinto tudo isto muito meu, muito eu.
É o meu mês. E gosto dele assim.
O mês das mantas, da lareira, das camisolas grossas,
do calor junto ao corpo a contrastar com a ponta do nariz frio.
A gratidão pelo calor que se sente por se sentir o frio do lado de fora,
e o cheiro a lareiras que passeia pelo ar. Fazem-me voar, sem querer,
pequenos e ariscos sorrisos.
Gosto. Gosto muito.
Só tenho de ter cuidado para uma manhã destas, a
inda sonolenta e com metade da alma ainda debaixo de cobertores,
não atropelar um qualquer D. Sebastião saído do nevoeiro...
quarta-feira, 5 de dezembro de 2018
terça-feira, 4 de dezembro de 2018
[foto @seeavton]
Nos dias de neblina parda
surgem por vezes,
com uma nitidez desconcertante,
palavras com boca de beijo,
que mordiscam atrevimentos imaginários
e acordam a alma.
Há quem lhes chame poesia,
outros chamam-lhes sonhos.
A mim dão-me vontade de ter vontade
de beijar com palavras
a poesia da pele,
que acorda sem querer,
num corpo que só deseja continuar um sono dormente.
Há acordares que custam como partos.
Palavras com boca de beijo,
promessas sempre por cumprir.
Realidades por acordar.
sexta-feira, 30 de novembro de 2018
[foto de Bernhard Luettmer]
Vim no comboio em contramão, de frente para a origem que me vai fugindo dos olhos e de costas para o destino. Percebi que há pessoas assim também na vida - eu. Vejo primeiro passar a imagem que já passou, em vez de ver a imagem que me irá passar - vejo depois o antes e não antes o que depois será. Ponho o olhar no que foi, o que me deixou, o que deixei, e não no que me espera, o que espero. Vejo afastar-se de onde venho, de costas voltadas para onde vou.
Difícil seria chegar se não tivesse embarcado no destino certo. Vim no comboio certo, cheguei.
Onde consultamos as linhas e os horários da vida?
quarta-feira, 28 de novembro de 2018
e na palma da tua mão
busco ternura
sem contar meses,
anos, dias,
sem saber dizer
se já te chorei
por inteiro
o suficiente
para não voltar
a perder-te
Vasco Gato
[perder por inteiro para nada ter a perder.
para nada mais restar para abrir mão,
para buscar, para chorar.
para buscar, para chorar.
em tempo algum,
por tempo nenhum.]
por tempo nenhum.]
domingo, 25 de novembro de 2018
Sunday. Sun-day.
(Domingo não parece dizer tanto, nem será o mesmo, ainda que sendo... )
(Domingo não parece dizer tanto, nem será o mesmo, ainda que sendo... )
Quando o sol tem barba de preguiça e o dia é lareira de cama.
Quando o abraço é o quarto donde não queremos sair.
A chuva lá fora, miudinha, não cresce em nós, mas ouvi-la faz dançarem os beijos na boca, pela pele.
Quando o tempo aconchega os olhos fechados e os sorrisos calados num calor sem ruído.
Mas quando a realidade não encaixa no calendário,
a preguiça não tem barba, a lareira não arde em lençóis,
o abraço é do vento e do relento,
a chuva adulta só molha os tolos,
o ruído cinzento ensurdece-nos
e não há tempo que seja o nosso tempo.
quarta-feira, 21 de novembro de 2018
[foto de Mikael Sundberg]
Há tempestades que nos extinguem. Primeiro o fogo, depois a vida. Duram demais duras demais, sobrevivem à vida que nasceu connosco, mas que morre antes de nós. Uma só gota transborda o copo. A voz de certas palavras como que, outra vez, nos puxa pelos colarinhos, arrasta-nos além do limiar da sobrevivência funcional. Deixamos de funcionar. Quebram-nos a ilusão duma possibilidade mecânica de realidade, onde nos movemos disfarçando normalidades que não nos cabem. Não funcionamos, o botão não liga, não obedecemos aos comandos, desligaram-se os fios que nos desligavam de nós, que nos mantinham distantes dos sítios onde nos sentimos - onde se sente a dor e a felicidade.
"Tens de fazer pela vida"... e os fios desligam-se.
Há anos - já lhes perdi a conta - que faço pela vida, por a continuar a manter, por acordar, por me forçar a funcionar, trabalhar e pagar as minhas contas. Por não me entregar à falta que me faz a vida. Mas não chega, tenho de fazer mais pela vida pelos vistos, é pouco. E tenho de concordar, porque vida isto não é. E as palavras, com voz e mote próprio voltam sempre, e sempre sem licença, vão tocando em pontos que vão doendo. Somos atirados para o abismo da solidão profunda, aquela que não se escolhe, mas se quer - cada vez mais -, onde o silêncio é bálsamo, é a armadura que nos defende, que nos protege de nos tocarem por dentro das feridas e nos rasgarem os finos fios que nos prendem às rodas do mundo. Aquela frase, não sei porquê (ou talvez sim) trouxe-me a história do burro, que quando finalmente estava habituado à fome, a lidar bem com não ter o que o alimentasse... curiosamente, morreu. De fome.
O copo transbordou. Abri mão, algo se partiu em mim, menos a vontade de partir. Tudo se inunda de água. E ninguém para apanhar os cacos.
segunda-feira, 19 de novembro de 2018
... quando não há vontade, quando não se quer, inventa-se tudo para não chegar, ou chegar o mais tarde possível. Adia-se de todas as formas e feitios, sob todas as desculpas e justificações disfarçadas de coisa nenhuma. Quem não quer inventa desculpas, quem quer combate todas as desculpas e obstáculos, com impulso na vontade, com os olhos no objectivo e as mãos sedentas do futuro que querem agarrar.
Quem quer faz, quem não quer empaleia até ao esquecimento.
Leio e reconheço isto, sou assim em algumas coisas, reconheço-o à distância, tal como reconheço o seu contrário - quando tenho vontade real, daquela que não se amorna, nem esbate, nem duvida. Houve muita coisa que adiei na vida porque, apesar de saber ser o melhor para mim, não tinha em mim a vontade. Nessas alturas inventamos caminho que não tem se ser percorrido, damos voltas e voltas para prolongar o caminho que leva ao fazer do que dizemos ser o melhor para nós... pode ser o melhor...mas não nos apetece, dá-nos preguiça nas vontades. Porque ser o melhor para nós, a razão aconselhar-nos e bem, não nos faz ter vontade de ir a correr.... como largar velhos rituais a que me acomodei, como alterar rotinas e horários, como ser mais arrumada e organizada, como passear a cadela todos os dias sem excepção ou desculpas, como a velha história entre mim e o ginásio... mas hoje vou. Isto tudo porque hoje vou! Temos de começar por algum lado, eu vou começar(-me) por aqui se calhar. Os pequenos passos fazem-nos perceber e sentir que podemos sair do sítio onde estamos, que podemos caminhar. Mas talvez não perceber isto (ou não querer perceber, percebendo) seja também tomar o caminho mais longo... e eu faço isso muitas - tantas - vezes.
Quando não me apetece chegar.
Ou quando não me apetece partir para outra chegada.
Quando sabemos que a chegada será boa para nós, mas não nos puxa...
domingo, 18 de novembro de 2018
... nós somos tanto as nossas perdas, como as mastigamos, como as engolimos ou cuspimos.
Como nos levantamos, e o tempo em que, derrubados e arrasados, nem nos mexemos, esperamos só. Ou desesperamos.
Ou desesperados, esperamos forças como chuva.
Ou desesperados, esperamos forças como chuva.
Nós somos tanto, mas tanto, do que já perdemos, do que já não temos, e já não somos.
Do que nos fica do que nos foi levado, do que está perdido, mas guardado nas sombras do nosso olhar sobre tudo.
E como vivemos depois de tudo, como respiramos, sabendo que é tão pouco viver. Como nos mentimos e enganamos, enfeitiçamos com sorrisos a esperança para a trazermos no bolso do avesso dos dias, como quem doira a pílula que nos agoniza.
Como acordamos sabendo que este tempo não é nosso, como se o nosso tempo tivesse morrido noutra vida.
[talvez seja do tempo, deste que vejo do lado de fora das janelas mas onde pareço afundar-me como se fôssemos um só, talvez seja da chuva pequenina a pedir lareira para crescerem rios em nós, que lavem e alimentem a terra dos frutos por vir, ou talvez seja só o cansaço cansado de ser, ou talvez nada, não sei, mas este tempo caiu-me assim em palavras. Ou saiu-me. E a papoila, que gosto tanto - selvagem, duma fragilidade cheia de força, de sobrevivência que agarra a terra, é como uma beleza, mas triste - tão ao jeito das coisas que se ajeitam tão bem no por dentro de mim... e ao escrever isto acabo de me lembrar que sonhei que tinha tido outra filha... e com ela nos braços, acabada de ser, assim pequenina, com um calor imenso e doce, eu estava, ao mesmo tempo, apavorada, porque não sabia que nome lhe dar, não sabia o que lhe chamar. Não tinha nome para ela, como se fosse uma existência em branco que me criava pânico. Como se não soubesse quem ela era, mesmo sendo minha, talvez mais minha ainda por isso. Lembrei-me por causa da papoila, mas não sei porquê. Coisas doidas como eu...]
[talvez seja do tempo, deste que vejo do lado de fora das janelas mas onde pareço afundar-me como se fôssemos um só, talvez seja da chuva pequenina a pedir lareira para crescerem rios em nós, que lavem e alimentem a terra dos frutos por vir, ou talvez seja só o cansaço cansado de ser, ou talvez nada, não sei, mas este tempo caiu-me assim em palavras. Ou saiu-me. E a papoila, que gosto tanto - selvagem, duma fragilidade cheia de força, de sobrevivência que agarra a terra, é como uma beleza, mas triste - tão ao jeito das coisas que se ajeitam tão bem no por dentro de mim... e ao escrever isto acabo de me lembrar que sonhei que tinha tido outra filha... e com ela nos braços, acabada de ser, assim pequenina, com um calor imenso e doce, eu estava, ao mesmo tempo, apavorada, porque não sabia que nome lhe dar, não sabia o que lhe chamar. Não tinha nome para ela, como se fosse uma existência em branco que me criava pânico. Como se não soubesse quem ela era, mesmo sendo minha, talvez mais minha ainda por isso. Lembrei-me por causa da papoila, mas não sei porquê. Coisas doidas como eu...]
quarta-feira, 14 de novembro de 2018
[foto @ranbeneli]
Tenho fome de azul no céu da boca,
Alguém me arranja uma fatia?
Não quero nuvens, mas pode ter pássaros a riscar o céu de mil caminhos, ou riscado a giz pelas mãos duma criança que ri. Quero um azul donde chovam beijos límpidos e em cada manhã da língua orvalhada se colha uma alvorada de palavras que amanheçam sorrisos - assim como quem sabe ao que sabe o céu.
Tenho fome de azul no céu da boca,
Alguém me dá uma colher de azul?
Quero um azul que se respire e que nos molhe, por dentro e por fora, quero o azul onde se navegam sonhos em barcos a remos e onde somos pescados à linha por almas que nos enredam para sempre - assim, como quem sabe ao que sabe a liberdade de partir, escolhendo ficar.
[acordei com a primeira frase deste texto, acordei no momento em que a dizia num sonho. acordei com a sensação de ter de a escrever, porque como que me aguava a boca. tenho sonhado muito nos últimos tempos - já largos, meses talvez, o que é cansativo -, não sei o que anda o meu subconsciente a tramar, mas cansa-me o sono. Não me lembro dos sonhos, nem das sessões de cinema que me parecem durar toda a noite dentro de mim, mas às vezes acordo com frases, como esta que aqui ficou e deu nisto. fico com a sensação que as escrevo porque alguém me manda, me impele, me sussurra, depois fico a pensar que parece plágio, como se não fossem frases minhas... ainda que saiam duma qualquer parte da minha cabeça com quem nem sempre falo... é muito esquisito, a sério. como se fosse eu noutra versão, uma versão distante de mim mesma, mas tão próxima como o avesso que me forra os pensamentos que não me lembro de ter, nocturna, talvez.]
terça-feira, 13 de novembro de 2018
Quando as palavras já não dizem nada, não servem de nada, não são nada
...o que fazemos com elas?
Silêncio?
E se as calamos não é uma forma de falar? de gritar?
...como nos sonhos em que gritamos em aflição sem que som algum risque o silêncio,
como raios de luz que nem beliscam a escuridão.
...e quando as palavras se dissolvem nas lágrimas dum grito
que ficou por nascer, não falam? não gritam?
Se as palavras já não dizem nada, não servem de nada, não são nada
...dirá o silêncio mais?
Será o silêncio a cristalização perfeita dum discurso que disse tudo,
porque tudo ficou por dizer?
porque já não vale a pena as palavras, ou o que elas quereriam dizer.
E se as calamos não é uma forma de falar? de gritar?
...como nos sonhos em que gritamos em aflição sem que som algum risque o silêncio,
como raios de luz que nem beliscam a escuridão.
...e quando as palavras se dissolvem nas lágrimas dum grito
que ficou por nascer, não falam? não gritam?
Se as palavras já não dizem nada, não servem de nada, não são nada
...dirá o silêncio mais?
Será o silêncio a cristalização perfeita dum discurso que disse tudo,
porque tudo ficou por dizer?
porque já não vale a pena as palavras, ou o que elas quereriam dizer.
sábado, 10 de novembro de 2018
[foto @yilmaz_photography]
E no meio dum cinzento como os outros, as mãos tropeçam num qualquer gesto de sempre, param, caem da superfície do estar, os olhos fecham-se, mergulham por trás do que foi, o olhar acorda para o adormecido, e sem razão que se destrince a alma chove pela pele, e as mãos, essas, sem tropeços, apagam a alma da pele, num gesto que atravessa do ser ao estar. Sem tropeços. E voltamos à superfície dum cinzento feito cimento de quotidiano.
sexta-feira, 9 de novembro de 2018
terça-feira, 6 de novembro de 2018
[foto @paeulini]
Olhei o espelho e apeteceu-me fechar-lhe os olhos,
mas os olhos são meus
e o espelho deles.
e o espelho deles.
Não me apetece ver, ver-me, vê-los.
Dias há que parecem semeados na névoa dos olhos;
que só apetecem fechar.
Não me apetece ver.
Quero um espelho de olhos desenevoados,
claros, desentorpecidos
para poder olhar sem me ver.
Para não querer fechar-lhe os olhos,
que são meus.
Quero um espelho de olhos desenevoados,
claros, desentorpecidos
para poder olhar sem me ver.
Para não querer fechar-lhe os olhos,
que são meus.
domingo, 4 de novembro de 2018
Ahahahah...
aventuras de sábado à noite na manhã de domingo, titulo talvez assim:
Marido procura dona, ou possível adoptante
(mas se calhar só quer mesmo cama, até parece clichê...)
ou então, em busca da mulher perdida,
ou melhor, da casa, não me parece que seja bem da mulher que quer saber...
Bom dia!
sábado, 3 de novembro de 2018
sexta-feira, 2 de novembro de 2018
[apaixonei-me por esta foto há tempos, nem vos digo quanto, estive para pô-la aqui no header, optei por não a pôr aqui, mas adoro tudo na foto, tudo - e de certa forma, agora depois de ler o post, acho que encaixa bem aqui]
Manuel A. Domingos
às vezes perde-se a vida por delicadeza para com outros, ou por medo de confrontos, ou até por vergonha de lutar (de uma forma que poderá ser entendida como egoísta) por aquilo que queremos,
como se estivéssemos com isso a ferir alguém, a roubar algo nosso de alguém.
... e essa perda de vida - da nossa própria vida, ainda que às vezes tão pouco nossa e própria - da única que temos, ainda que seja uma perda muitíssimo delicada, nunca é delicadamente perdida,
...é brutal, brutal como quem arranha as paredes com as unhas, como quem esgaça a própria pele com os dentes, exibindo um sorriso rasgado que esconde uma dor de que não se regressa.
A vida que se perdeu não volta nem se recupera, talvez apenas se recupere do medo de a perder depois de estar perdida e passada. Talvez aí se possa viver delicadamente, mas não por delicadeza.
Não esperemos que alguém venha limpar as nossas conclusões, ou apagá-las como quem nos apaga um cigarro que fumámos até à exaustão, porque a alma não esquece, mesmo que emudeça.
Não esperemos que alguém venha limpar as nossas conclusões, ou apagá-las como quem nos apaga um cigarro que fumámos até à exaustão, porque a alma não esquece, mesmo que emudeça.
quarta-feira, 31 de outubro de 2018
[foto @snake72]
Há quem diga que só ama verdadeiramente quem amadureceu. Que o verdadeiro amor é coisa de gente madura. Eu dou por mim a pensar que só amadurece quem tiver capacidade de amar. De sair de si. O que nos amadurece é doer-nos a tristeza de quem amamos, é rirmos a alegria dos que chamamos nossos, é a todo custo evitar-lhes sofrimentos e semear-lhes o que colherá felicidade, é tremermos de medo quando o risco não é nosso. É crescermos para fora de nós, é sairmos do nosso umbigo, alargarmos o mundo para além da pele que forra o nosso. Enquanto não amarmos não amadureceremos, podemos até fazer o que de nós é esperado ou não fazer nada do que esperam, mas será feito por obrigação ou mero prazer, por vontade ou preguiça, por culpa ou insensatez. Talvez amadurecer seja a aprendizagem de fazer-se por amor, por amar.
[e não sei, mas parece-me que anda por aí muita muita criança fora do tamanho. Será amar uma coisa rara? Ou caiu em desuso? Ou não dá jeito? ]
[e não sei, mas parece-me que anda por aí muita muita criança fora do tamanho. Será amar uma coisa rara? Ou caiu em desuso? Ou não dá jeito? ]
sábado, 27 de outubro de 2018
[imagem via @ourclickdays]
Sábado. Dia bom para pôr a escrita em dia. A escrita de dentro que não se dá a ler, a escrita que se esconde no silêncio das frases que não dizemos, que calamos, que guardamos para escrever quando o por dentro, sozinho, se põe a falar com os sonhos que morreram, com os medos que todos os dias acordam, com o futuro que vê no horizonte a arder e que já queima por dentro. Conversas com a dor que está para vir e já chegou, conversas que queremos acalentar com uma alegria que o sol aquece porque faz florir a alegria nos corpos, como nas flores. Vamos ajeitando os dias, compondo as horas, com aquela ideia essência dos girassóis e procuramos o nosso sol longe do horizonte que preferimos não ver, mas que vai chegar - sabemo-lo como a inevitavilidade do sentir, mesmo o estúpido, ou principalmente esse -, que nos apanhe com um girassol numa mão e tantas palavras guardadas por dentro da outra.
segunda-feira, 22 de outubro de 2018
ahahhaha...
Muito bom!!
...quem se lembra destas coisas deve ser muito interessante de conhecer...
Já me ri, já valeu a pena!!
Bom dia.
[acho que hoje vou finalmente inscrever-me no ginásio, temos de nos dar a volta, não é mesmo? neste caso também tenho de dar a volta à minha preguiça... mas vai daí talvez se vejam por lá pessoas interessantes, duvido, mas nunca se sabe...]
[foto (espectacular) de Arno Rafael Minkkinen]
Não existem no mundo palavras que falando de mim não sejam minhas.
É talvez uma forma de solidão.
Talvez não das piores, ou se calhar sim... afinal, palavras
não não só letras, são pensamentos, são lembranças, são expressão de sentires.
[a semana que passou foi-me tão dura por tantas, tantas, razões,
ferida duma solidão aguda que deixa marcas, tanto que só quero estar sozinha quieta calada,
não estou preparada para que comece mais outra, não estou, não quero.
O tempo parece só um coador de desilusões.]
domingo, 21 de outubro de 2018
Era bom uma noite de sono a escuridão, como esta que vejo no céu, aqui sentada nas minhas palettes a ouvir e a ver a chuva cair, uma escuridão fechada, um sono sem pesadelos de que se quer acordar, e sem sonhos que fazem do acordar para a realidade um pesadelo. Há dias, tal como me acontece de vez em quando, acordei a chorar - tenho essa coisa de o subconsciente me fazer chorar a sonhar, castigando-me por recusar-me a chorar acordada - , e quando comentei que não tinha dormido bem, que tinha tido sonhos esquisitos, disseram-me que devia tentar programar os sonhos, antes de adormecer pensar só nas coisas com que queria sonhar, coisas boas, e que se pensasse com muita força (como é que se pensaria com muita força?) talvez sonhasse com essas coisas.
Fiquei a pensar que se quiser muito que o coração pare, se pensar nisso com muita força e vontade, se ele parará... ou se ele só faz o que lhe apetece. Como os sonhos, ou os sonhos como ele. Fazem o que querem, como querem, o resto não interessa, os outros não interessam, eu não interesso. Mesmo que o sonho seja meu, ou o coração. Talvez nalguns casos a propriedade não dê direito à disposição e pleno usufruto. Não sei.
sábado, 20 de outubro de 2018
[foto @ryanmuirhead]
Tenho coisas a bailarem-me na cabeça, coisas para escrever que não me apetece escrever. Tenho preguiça de seguir as palavras para um sentido. Com um sentido, um fim. Sinto-as e basta, baralho-as para que não me baralhem, sei o que dizem, sinto-o, mas não o digo. Nem o quero guardar, quero que se desfaçam, que se gastem, que me desapareçam, que se percam, não as escrevo, não quero. Não me apetece, tenho pensamentos a esvoaçar-me por todo o canto de cada hora, mas não quero ouvi-los, nem sabê-los. Quero esquecer-me que sei. Tanta coisa. Quero esquecer tudo sem saber ter esquecido o que quer que fosse. Como se nunca nada, nunca nada de coisa nenhuma. Apetecem-me distâncias de dentro para para fora, mas não sei caminhar sem mim. Ainda que me sinta despida pelo avesso, nua por dentro dos olhos, descalça de alma. Mas ainda assim, estar vazia de mim, não é não ser eu. Antes fosse.
sábado, 13 de outubro de 2018
[foto @moniblanco]
Há uma vontade avassaladora de sair de mim mesma. De me deixar para trás, com a certeza de que não quero nada do que fica sem mim e que mais inteira me sou se me desfizer dos pedaços que lembram o que fui. Sem alguma vez ter sido alguma coisa, alguém. Ninguém quer em si a certeza de nunca ter sido. Mas há sempre alguém que no-la dá.
sexta-feira, 12 de outubro de 2018
Houve um amigo que há uns anos me dizia que eu devia ter sido muito maltratada, e isto foi coisa que nunca esqueci - o notar-se, o ver-se através de mim as mágoas que acumulei, por deixar alguém maltratar-me enquanto dava tudo de mim. Não gostei e não queria ser vista assim.
Hoje em dia não sou maltratada, nem bem, não sou tratada... só sei que acordei com a sensação que preciso é dum bom trato e o resto que se trate (para não dizer outra coisa...)
Há soluções tão fáceis, fôssemos todos fáceis. Fôssemos todos pessoas de fáceis soluções, de optimismos inconscientes, superficialidades saborosas, imunes à dor de magoar os outros e que se lixe, e haveria tantos dias melhores.... porque cada um trata de si, essa é que é essa, e o resto que se fod@... quando puder. Se não for com um, é com outro, pouco importa.
Bom dia.
segunda-feira, 8 de outubro de 2018
Acabei Os Enamoramentos (Javier Marias) - que não me fez fechar o livro para pensar o que li vez nenhuma, lê-se bem, mas nada demais - e comecei este. Gosto do tom deste livro, os outros que li dele (Mario Benedetti) não tinham este tom tão cândido e ao mesmo tempo com humor, talvez porque neste o personagem é a criança, pelo menos por enquanto, mas já me ri com ele. Com ele, aqui sozinha.
Gosto sempre muito dos livros dele, a poesia, então, nem se fala. Tão doce e tão humano, por paradoxal que pareça, nos dias de hoje um humano ser doce e parecer ser gente...
De regresso ao trabalho, custa tanto mas tem de ser... mas vontade nem um tico.
sábado, 6 de outubro de 2018
...quem diz vodka
(e eu até sou uma moça adepta de vodka),
diz vinho, branco no caso.
Não é a resposta, talvez não,
mas tem dias que mudam as respostas...
já eu tenho mais perguntas que respostas,
não sei se muda alguma coisa...
o céu parece-me o mesmo,
não deu por falta da estrela que ontem lhe caiu...
Ontem fiquei a olhar este céu imenso à espera de ver uma estrela cadente, uma que fosse. Como um sinal ou uma prova de Alentejo (sempre que aqui estou deixo os olhos vaguear pelo céu já noite mais que cerrada ) e nada. Nada mesmo, não vi nem uma. Hoje sentei-me aqui outra vez, debaixo deste céu cheio de pontinhos tremeluzentes, que não sei unir nem deslindar, e de nariz no ar e mão no copo de vinho agarrei uma a escapar-se, a cair céu adentro. Hoje, hoje que não pedi nenhum desejo. Talvez também isso seja um sinal... mas de quê?
Sei que estou aqui oiço cães ao longe e cigarras e o silêncio das estrelas. Mais nada. E de repente, apetecia-me conversar, acho até que me apeteciam coisas que nunca tive... mas com quem?
Só tenho perguntas assim, sem resposta, talvez seja da garrafa de vinho mais de metade vazia, ou da escuridão inteira que não me adormece, ou da vida que sempre me fica por acontecer... mas porquê?
sexta-feira, 5 de outubro de 2018
Este lusco-fusco, estas cores quentes que me aceleram o passo do coração, estas estradas serpenteadas que me fazem curvar com prazer, num misto de vontade da vagareza do deleite e a tendência de carregar no pedal... se houvesse razões para uma pessoa se apaixonar por lugares, talvez estas fossem as minhas pelo Alentejo. Fujo para aqui e descanso-me do mundo. Quase não falo, e ouvir só a música no carro e pouco mais. Desde ontem o mundo desacelerou, começa na viagem como se se fosse acomodando à pele, a colá-la, quase a absorvê-la, hoje ganhou outras cores, ontem sossego hoje passeio. Não me canso disto. Pode ser perigoso.
quinta-feira, 4 de outubro de 2018
quarta-feira, 3 de outubro de 2018
[foto @cela65]
“Quero fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão.
Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado.
Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido... Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.
Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem.
A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas.
Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje.
Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá tudo bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?
O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental". Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar. O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto.
O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe.
dá para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem.
Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir.
A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira.
E valê-la também.”
Elogio ao Amor, por Miguel Esteves Cardoso
Este é um texto que deve ser lido e relido, para nos lembrar do fundamental, para nos apontar o óbvio, que fica soterrado no lixo dos dias, nas acomodações, nos afectos pequeninos e convenientes, na falta de gestos carregados de emoção e intenção, vontade. Para nos lembrar que é possível, ainda que raro. E que há quem valorize, quem não aceite menos que um sentir sentido, mesmo que difícil, e quem ache que qualquer coisa serve desde que pareça ser uma relação onde há afecto, mesmo que só pareça para quem vir de fora.
Convém elogiar o amor puro, aquele que não é alinhadinho e penteadinho, todo organizado, planeado e mais-que-justificado, que quase podia ter a imagem cotada em bolsa. O amor puro é despenteado, é louco às vezes, destravado, não se sabe justificar nem por que leva a fazer coisas autenticamente e perigosamente estúpidas, é aquele que enche o peito de coragem sem sabermos como ou porquê, que nos faz ir sem perguntar como, ou por onde. Que nos faz fazer e pensar depois. É aquele que consegue arrancar cabelos a um careca. Porque é capaz disso. Não perguntem como. E se sabem do que o MEC fala, não perguntam, lêem e sorriem, o sorriso dos que sabem. Alguns nunca saberão. O amor assim não é para todos. Talvez bem.
[às vezes temos de (re)ler coisas assim para remetermos os números e a vida ao seu lugar, para nos recentrarmos, para saber quem não somos e o que não queremos, para distinguirmos a vida dos dias e para percebermos também porque, ainda assim, nos sabe tão bem estar sozinhos - “viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir. A vida é uma coisa, o amor é outra.” .]
terça-feira, 2 de outubro de 2018
[foto @ryanandray]
Ansiedade pelo desconhecido, medo de mim mesma, do que não sou, de não ser capaz, de não saber o que e como fazer. Vergonha por dever saber, dever ser melhor. Muito melhor.
As pernas prendem-se e entravam-me na cama todo o dia, mesmo depois de me levantar e andar, não me mexo, não me quero mexer, não quero que dêem conta da minha existência. Nem eu. Conto as horas para comer kms para longe daqui, como se isso me livrasse dos dias por vir, dos problemas para resolver tão maiores que eu.
Há dias em que o desespero me cai das mãos, vertido em cada um dos minutos do dia - não o agarro e não me foge.
segunda-feira, 1 de outubro de 2018
sábado, 29 de setembro de 2018
[foto @langlent]
A única solidão mal resolvida é a solidão acompanhada, de alguém ou de uma ausência. Não sei qual é a pior, mas sei qual seria a minha escolha.
Tudo o resto, eu diria que é estar sozinho sem estar só, ou estar com alguém como se está sozinho, perfeitamente. Talvez se possa chamar a isso solidão bem resolvida, ainda que não lhe chamasse solidão.
Estarmos sozinhos ou sentirmo-nos sozinhos, sós, não é, para mim, o mesmo. Como se a solidão precisasse dum sentimento de falta, até de nós mesmos, uma qualquer parte de nós que alguém traz na algibeira da alma sem saber e sem cuidado.
sexta-feira, 28 de setembro de 2018
Milan Kundera, in A brincadeira
... uma imagem de nós mais real que nós próprios, uma imagem que não é a nossa sombra, mas sim nós a sua sombra.
O que será então mais real? Ou o que será real? A imagem que passamos ou o que não deixamos transparecer nessa imagem?
Tenho sempre, e sempre tive, a ideia de que o que somos é muitas vezes - a maior parte, provavelmente - o que não mostramos, não para enganar ou para parecer ter o que não temos ou somos - porque isso seria um projectar duma imagem demasiado arquitectada -, mas para nos protegermos.
Acho que se nos habituarmos a viver só a imagem que damos quase esquecemos o que somos, tornamo-nos uma sombra do que se quer parecer e às vezes convencemo-nos de que somos assim. Porque achamos que o devíamos ser.
Eu achei durante muito tempo que para gostarem de mim, para não desiludir ninguém, eu tinha de tentar ser uma mulher modelo, aquela que tem uma casa impecável, que dá, ou tenta, dar tudo de si para que a pessoa que tem ao lado seja feliz e viva como gostaria, tentar ser uma boa mãe, e parecer que tudo isso me fazia, também a mim, feliz. Não fazia. Não fez. Nunca fui uma mulher modelo ou o modelo de boa mãe, mais do que ter a casa aprovisionada e arrumada, eu gostava de ler, de pensar, de conversar, de passear-me quieta. E de escrever, o que deixei de fazer uns tempos antes de casar. Porque havia coisas mais importantes, achei. Mas somos o que somos, e tudo o que sou veio ao cimo de tudo isso. Preciso de escrever, tenho fome de conversar o que me faz pensar, sou desarrumada, e terrível dona de casa. Adoro mimo e sofá e silêncio com quem me sinto una e nua - sem medos nem vergonhas. Sou desorganizada mas preciso de lógica e de entender, de percorrer o fio entre a causa e o efeito. Mas sou também o que me fez viver como se fosse a imagem do que queria ser, sou a sua causa - e sou muito, muito disso. Talvez ainda, ainda que muito menos. E agora, ao menos, sei que há coisas que não me conseguem fazer feliz. Mesmo que tente.... e agora acho que felicidade não é tentarmos, a todo o custo, moldar-nos a ela, fazê-la, é ela moldar-se a nós, colar-se a nós sem que sequer notemos a tempo, é uma coisa que simplesmente acontece. Talvez depois do acaso de conhecê-la, só nos caiba o caso de mantê-la.
Hoje não sei que imagem passo de mim, não faço ideia. A imagem que se passa talvez mude, eu estou igual, na essência, no fundamental. No que sou e serei. Até no que fui.
[resgatado dos rascunhos, ainda do Kundera na sua Brincadeira...apeteceu-me depois do Impontual o "Nobelizar", aliás, Impontualizar, e bem, parece-me :) ]
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