segunda-feira, 22 de outubro de 2018

ahahhaha... 
Muito bom!!
...quem se lembra destas coisas deve ser muito interessante de conhecer...
Já me ri, já valeu a pena!!

Bom dia.

[acho que hoje vou finalmente inscrever-me no ginásio, temos de nos dar a volta, não é mesmo? neste caso também tenho de dar a volta à minha preguiça... mas vai daí talvez se vejam por lá pessoas interessantes, duvido, mas nunca se sabe...]


[foto (espectacular) de Arno Rafael Minkkinen]

Não existem no mundo palavras que falando de mim não sejam minhas.
É talvez uma forma de solidão.
 Talvez não das piores, ou se calhar sim... afinal, palavras 
não não só letras, são pensamentos, são lembranças, são expressão de sentires.



[a semana que passou foi-me tão dura por tantas, tantas, razões, 
ferida duma solidão aguda que deixa marcas, tanto que só quero estar sozinha quieta calada,
 não estou preparada para que comece mais outra, não estou, não quero. 
O tempo parece só um coador de desilusões.]

domingo, 21 de outubro de 2018

Domingos. 
Ia dizer domingos de manhã, mas não, não estaria certo porque poderia ser a qualquer hora do dia. Domingo é dia de ronha preguiçosa, de respirar a vida devagar, de acelerar o coração a sorrisos com mãos. De viver. Ia dizer domingos de manhã, mas não, estes são domingos perfeitos.

Era bom uma noite de sono a escuridão, como esta que vejo no céu, aqui sentada nas minhas palettes a ouvir e a ver a chuva cair, uma escuridão fechada, um sono sem pesadelos de que se quer acordar,  e sem sonhos que fazem do acordar para a realidade um pesadelo. Há dias, tal como me acontece de vez em quando, acordei a chorar  - tenho essa coisa de o subconsciente me fazer chorar a sonhar, castigando-me por recusar-me a chorar acordada - , e quando comentei que não tinha dormido bem, que tinha tido sonhos esquisitos, disseram-me que devia tentar programar os sonhos, antes de adormecer pensar só nas coisas com que queria sonhar, coisas boas, e que se pensasse com  muita força (como é que se pensaria com muita força?) talvez sonhasse com essas coisas. 
Fiquei a pensar que se quiser muito que o coração pare, se pensar nisso com muita força e vontade, se ele parará... ou se ele só faz o que lhe apetece. Como os sonhos, ou os sonhos como ele. Fazem o que querem, como querem, o resto não interessa, os outros não interessam, eu não interesso. Mesmo que o sonho seja meu, ou o coração. Talvez nalguns casos a propriedade não dê direito à disposição e pleno usufruto. Não sei. 

sábado, 20 de outubro de 2018

[foto @ryanmuirhead]

Tenho coisas a bailarem-me na cabeça, coisas para escrever que não me apetece escrever. Tenho preguiça de seguir as palavras para um sentido. Com um sentido, um fim. Sinto-as e basta, baralho-as para que não me baralhem, sei o que dizem, sinto-o, mas não o digo. Nem o quero guardar, quero que se desfaçam, que se gastem, que me desapareçam, que se percam, não as escrevo, não quero. Não me apetece, tenho pensamentos a esvoaçar-me por todo o canto de cada hora, mas não quero ouvi-los, nem sabê-los. Quero esquecer-me que sei. Tanta coisa. Quero esquecer tudo sem saber ter esquecido o que quer que fosse. Como se nunca nada, nunca nada de coisa nenhuma. Apetecem-me distâncias de dentro para para fora, mas não sei caminhar sem mim. Ainda que me sinta despida pelo avesso, nua por dentro dos olhos, descalça de alma. Mas ainda assim, estar vazia de mim, não é não ser eu. Antes fosse.
[via @cuddleupnow]

Às vezes uma imagem diz(nos) tanto que só o silêncio compreende.

sábado, 13 de outubro de 2018

[foto @moniblanco]

Há uma vontade avassaladora de sair de mim mesma. De me deixar para trás, com a certeza de que não quero nada do que fica sem mim e que mais inteira me sou se me desfizer dos pedaços que lembram o que fui. Sem alguma vez ter sido alguma coisa, alguém. Ninguém quer em si a certeza de nunca ter sido. Mas há sempre alguém que no-la dá.
...but I like the way you think...
Bom dia!!

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

Houve um amigo que há uns anos me dizia que eu devia ter sido muito maltratada, e isto foi coisa que nunca esqueci - o notar-se, o ver-se através de mim as mágoas que acumulei, por deixar alguém maltratar-me enquanto dava tudo de mim. Não gostei e não queria ser vista assim.
Hoje em dia não sou maltratada, nem bem, não sou tratada... só sei que acordei com a sensação que preciso é dum bom trato e o resto que se trate (para não dizer outra coisa...)

Há soluções tão fáceis, fôssemos todos fáceis. Fôssemos todos pessoas de fáceis soluções, de optimismos inconscientes, superficialidades saborosas, imunes à dor de magoar os outros e que se lixe,  e haveria tantos dias melhores.... porque cada um trata de si, essa é que é essa, e o resto que se fod@... quando puder. Se não for com um, é com outro, pouco importa.

Bom dia.
[foto de Chema Madoz]

Tentei medir o tempo
passando-o pelo buraco duma agulha.
 Não coseu nada. 
Passou sem deixar fio. 
Ninguém sabe quanto andou, 
mas a agulha era fina e afiada, 
isso sabe-se.

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Acabei Os Enamoramentos (Javier Marias) - que não me fez fechar o livro para pensar o que li vez nenhuma, lê-se bem, mas nada demais - e comecei este. Gosto do tom deste livro, os outros que li dele (Mario Benedetti) não tinham este tom tão cândido e ao mesmo tempo com humor, talvez porque neste o personagem é a criança, pelo menos por enquanto, mas já me ri com ele. Com ele, aqui sozinha. 
Gosto sempre muito dos livros dele, a poesia, então, nem se fala. Tão doce e tão humano, por paradoxal que pareça, nos dias de hoje um humano ser doce e parecer ser gente...
De regresso ao trabalho, custa tanto mas tem de ser... mas vontade nem um tico. 

sábado, 6 de outubro de 2018

...quem diz vodka 
(e eu até sou uma moça adepta de vodka), 
diz vinho, branco no caso. 
Não é a resposta, talvez não, 
mas tem dias que mudam as respostas... 
já eu tenho mais perguntas que respostas, 
não sei se muda alguma coisa...
o céu parece-me o mesmo, 
não deu por falta da estrela que ontem lhe caiu...
Ontem fiquei a olhar este céu imenso à espera de ver uma estrela cadente, uma que fosse. Como um sinal ou uma prova de Alentejo (sempre que aqui estou deixo os olhos vaguear pelo céu já noite mais que cerrada ) e nada. Nada mesmo, não vi nem uma. Hoje sentei-me aqui outra vez, debaixo deste céu cheio de pontinhos tremeluzentes, que não sei unir nem deslindar, e de nariz no ar e mão no copo de vinho agarrei uma a escapar-se, a cair céu adentro. Hoje, hoje que não pedi nenhum desejo. Talvez também isso seja um sinal... mas de quê?
Sei que estou aqui oiço cães ao longe e cigarras e o silêncio das estrelas. Mais nada. E de repente, apetecia-me conversar, acho até que me apeteciam coisas que nunca tive... mas com quem? 
Só tenho perguntas assim, sem resposta, talvez seja da garrafa de vinho mais de metade vazia, ou da escuridão inteira que não me adormece, ou da vida que sempre me fica por acontecer... mas porquê?

sexta-feira, 5 de outubro de 2018



Este lusco-fusco, estas cores quentes que me aceleram o passo do coração, estas estradas serpenteadas que me fazem curvar com prazer, num misto de vontade da vagareza do deleite e a tendência de carregar no pedal... se houvesse razões para uma pessoa se apaixonar por lugares, talvez estas fossem as minhas pelo Alentejo. Fujo para aqui e descanso-me do mundo. Quase não falo, e ouvir só a música no carro e pouco mais. Desde ontem o mundo desacelerou, começa na viagem  como se se fosse acomodando à pele, a colá-la, quase a absorvê-la, hoje ganhou outras cores, ontem sossego hoje passeio. Não me canso disto. Pode ser perigoso.

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

[foto @jordanioo]

...vontade de um sítio assim. 
A vista a baloiçar nas ondas e o corpo no baloiço. Apetecia.
À vista, só a alma do lugar.

[foto @nicoladavisonreed]

“Pousei as minhas mãos num rosto e retirei-as feridas pelo amor.
Agora,
o esquecimento acaricia as minhas mãos.”

António Gamoneda

[sem olvido restam as mãos vazias a prender ausências]

quarta-feira, 3 de outubro de 2018


[foto @cela65]

“Quero fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão.
Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado.
Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido... Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.
Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem.
A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas.
Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje.
Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá tudo bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?
O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental". Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar. O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto.
O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. 
dá para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem.
Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir.
A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira.
E valê-la também.”

Elogio ao Amor, por Miguel Esteves Cardoso

Este é um texto que deve ser lido e relido, para nos lembrar do fundamental, para nos apontar o óbvio, que fica soterrado no lixo dos dias, nas acomodações, nos afectos pequeninos e convenientes, na falta de gestos carregados de emoção e intenção, vontade. Para nos lembrar que é possível, ainda que raro. E que há quem valorize, quem não aceite menos que um sentir sentido, mesmo que difícil, e quem ache que qualquer coisa serve desde que pareça ser uma relação onde há afecto, mesmo que só pareça para quem vir de fora.
Convém elogiar o amor puro, aquele que não é alinhadinho e penteadinho, todo organizado, planeado e mais-que-justificado, que quase podia ter a imagem cotada em bolsa. O amor puro é despenteado, é louco às vezes, destravado, não se sabe justificar nem por que leva a fazer coisas autenticamente e perigosamente estúpidas, é aquele que enche o peito de coragem sem sabermos como ou porquê, que nos faz ir sem perguntar como, ou por onde. Que nos faz fazer e pensar depois. É aquele que consegue arrancar cabelos a um careca. Porque é capaz disso. Não perguntem como. E se sabem do que o MEC fala, não perguntam, lêem e sorriem, o sorriso dos que sabem. Alguns nunca saberão. O amor assim não é para todos. Talvez bem. 

[às vezes temos de (re)ler coisas assim para remetermos os números e a vida ao seu lugar, para nos recentrarmos, para saber quem não somos e o que não queremos, para distinguirmos a vida dos dias e para percebermos também porque, ainda assim, nos sabe tão bem estar sozinhos - “viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir. A vida é uma coisa, o amor é outra.” .]

terça-feira, 2 de outubro de 2018

[foto @ryanandray]

Ansiedade pelo desconhecido, medo de mim mesma, do que não sou, de não ser capaz, de não saber o que e como fazer. Vergonha por dever saber, dever ser melhor. Muito melhor. 
As pernas prendem-se e entravam-me na cama todo o dia, mesmo depois de me levantar e andar, não me mexo, não me quero mexer, não quero que dêem conta da minha existência. Nem eu. Conto as horas para comer kms para longe daqui, como se isso me livrasse dos dias por vir, dos problemas para resolver tão maiores que eu.
Há dias em que o desespero me cai das mãos, vertido em cada um dos minutos do dia - não o agarro e não me foge.
[foto @raywychin]

O meu olhar só vê a superfície do que não conhece, 
se conhecer, atravessa a superfície como se não existisse, 
só olha o que vê por dentro. 
Só vê o que olha de dentro. 
Só vê como conhece. 
Há outra maneira de ver? 
Haverá outra maneira de não ver?

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

...hummm então é isso... 
eu não assusto ninguém, está explicado... bahhh

sábado, 29 de setembro de 2018


Uma espécie de ronha.
Sábado de manhã, tarde, até quando for... era bom, fora dos sonhos. 

(não me apetece sair da cama, vou saltitando entre dormitar em sonhos bons e ler um livro, não me apetece sair daqui, mas o estômago está a dar uma de ditador... o sacana)
[foto @langlent]

A única solidão mal resolvida é a solidão acompanhada, de alguém ou de uma ausência. Não sei qual é a pior, mas sei qual seria a minha escolha. 
Tudo o resto, eu diria que é estar sozinho sem estar só, ou estar com alguém como se está sozinho, perfeitamente. Talvez se possa chamar a isso solidão bem resolvida, ainda que não lhe chamasse solidão. 
Estarmos sozinhos ou sentirmo-nos sozinhos, sós, não é, para mim, o mesmo. Como se a solidão precisasse dum sentimento de falta, até de nós mesmos, uma qualquer parte de nós que alguém traz na algibeira da alma sem saber e sem cuidado.

sexta-feira, 28 de setembro de 2018

Milan Kundera, in A brincadeira

... uma imagem de nós mais real que nós próprios, uma imagem que não é a nossa sombra, mas sim nós a sua sombra. 
O que será então mais real? Ou o que será real? A imagem que passamos ou o que não deixamos transparecer nessa imagem? 
Tenho sempre, e sempre tive, a ideia de que o que somos é muitas vezes - a maior parte, provavelmente - o que não mostramos, não para enganar ou para parecer ter o que não temos ou somos - porque isso seria um projectar duma imagem demasiado arquitectada -, mas para nos protegermos. 
Acho que se nos habituarmos a viver só a imagem que damos quase esquecemos o que somos, tornamo-nos uma sombra do que se quer parecer e às vezes convencemo-nos de que somos assim. Porque achamos que o devíamos ser. 
Eu achei durante muito tempo que para gostarem de mim, para não desiludir ninguém, eu tinha de tentar ser uma mulher modelo, aquela que tem uma casa impecável, que dá, ou tenta, dar tudo de si para que a pessoa que tem ao lado seja feliz e viva como gostaria, tentar ser uma boa mãe, e parecer que tudo isso me fazia, também a mim, feliz. Não fazia. Não fez. Nunca fui uma mulher modelo ou o modelo de boa mãe, mais do que ter a casa aprovisionada e arrumada, eu gostava de ler, de pensar, de conversar, de passear-me quieta. E de escrever, o que deixei de fazer uns tempos antes de casar. Porque havia coisas mais importantes, achei. Mas somos o que somos, e tudo o que sou veio ao cimo de tudo isso. Preciso de escrever, tenho fome de conversar o que me faz pensar, sou desarrumada, e terrível dona de casa. Adoro mimo e sofá e silêncio com quem me sinto una e nua - sem medos nem vergonhas. Sou desorganizada mas preciso de lógica e de entender, de percorrer o fio entre a causa e o efeito. Mas sou também o que me fez viver como se fosse a imagem do que queria ser, sou a sua causa - e sou muito, muito disso. Talvez ainda, ainda que muito menos. E agora, ao menos, sei que há coisas que não me conseguem fazer feliz. Mesmo que tente.... e agora acho que felicidade não é tentarmos, a todo o custo, moldar-nos a ela, fazê-la, é ela moldar-se a nós, colar-se a nós sem que  sequer notemos a tempo,  é uma coisa que simplesmente acontece. Talvez depois do acaso de conhecê-la, só nos caiba o caso de mantê-la.
Hoje não sei que imagem passo de mim, não faço ideia. A imagem que se passa talvez mude, eu estou igual, na essência, no fundamental. No que sou e serei. Até no que fui.

[resgatado dos rascunhos, ainda do Kundera na sua Brincadeira...apeteceu-me depois do Impontual o "Nobelizar", aliás, Impontualizar, e bem, parece-me :) ]

quinta-feira, 27 de setembro de 2018

...mas só se for mesmo uma consulta, e não demasiado prolongada... 
não vá eu passar a precisar de internamento...

[ a brincar, a brincar já deram hoje comigo a falar sozinha mais de uma vez... 
ainda que só coisas mui acertadas...]






quarta-feira, 26 de setembro de 2018

[via @iheartintelligence]

Eiaaaa... tantas notícias boas!!
Parece feito (quase) à minha medida...
Pode ser que haja esperança para mim... ;))

Bom dia!

domingo, 23 de setembro de 2018

O acaso da linha dum ombro acompanhar, um instante, a linha do tempo na pedra, uma ruga, um sulco - como o tempo a abordar a pele num acaso mal despercebido. Ou a pedra perfeita para o acaso de um ombro esquecido à beira-rio. 
Há linhas que se cruzam, outras que se cosem à força de não se soltarem, e há as que se alinham num acaso da sabedoria do caos. Apanham-se sem se saberem apanhadas, alinham-se sem arte ou ofício. Acontece. 
“Conhecia as regras do escrever, sem suspeitar as do amar; 
tinha orgias de latim e era virgem de mulheres.”

Machado de Assis, in Dom Casmurro 

Há gente assim, tanta, cheia de grandes orgias, lábia e lata, ou erudição e conhecimentos, mas tão virgem no amar. Nas pessoas, homens e mulheres, no darem-se, no entregar o que se é. No simplesmente ser e viver.
As pessoas que só sabem foder acabam fodidas. Normalmente com a vida, com elas, com tudo. A dúvida é se as que sabem, e querem, amar, acabam amadas. Gostava de acreditar que sim. Gostava.

[acabei com o Casmurro, venha o próximo]

“Assim, apanhados pela mãe, éramos dois e contrários, 
ela encobrindo com a palavra o que eu publicava pelo silêncio”

Machado de Assis, in Dom Casmurro

Há quem use as palavras, as frases, até os factos, para não dizer nada, para esconder debaixo de tudo, e cada coisa, a verdade; e há quem diga tudo, se revele, se confesse, se traia até, calando todas as palavras, na vã esperança de o silêncio nada dizer.

sábado, 22 de setembro de 2018

 
... a beber a noite.
 Copo a copo, lentamente,
como para enganar o tempo, que nunca é enganado...

“- Há letras inúteis e letras dispensáveis - dizia ele. - Que serviço diverso prestam o “d” e o “t” ? Têm quase o mesmo som. (...) Veja os algarismos: não há dois que façam o mesmo ofício; 4 é 4, e 7 é 7. E admite a beleza com que um 4 e um 7 formam esta coisa que se exprime por 11. Agora dobre 11 e terá 22; multiplique por igual número, dá 484, e assim por diante. Mas onde a perfeição é maior é no emprego do zero. O valor do zero é, em si mesmo, nada; mas o ofício deste sinal negativo é justamente aumentar. Um 5 sozinho é um 5; ponha-lhe dois 00, é 500”

Machado de Assis, in Dom Casmurro

Às vezes coisas sem grande nexo ou sentido aparente, entram na minha cabeça de outra maneira, como se atrás do que não diz nada se dissesse alguma coisa, alguma coisa tão clara que se deveria ver. Mas nem sempre vê. Nem sempre vemos o que temos à frente, ou ao lado. Podemos olhar, ou ler, mas ver mesmo, nem sempre vemos. 
Não sei se vi todas as pessoas que por mim passaram, vi algumas, sei que poucas ou nenhuma me viram. 
Mas o que fiquei a pensar, e  me fez fechar o livro, é como é triste viver (ou apenas conviver, ou até só trabalhar) com alguém que nos vê como zero, e não perceber que ao lado de quem (realmente) valha alguma coisa, juntos, se podia valer tanto, ser tanto... é que olharem e verem um zero é nada, mas verem o quanto juntos se pode ser, é também acharem-se no outro. Valerem com o outro num ganho que só fazem juntos.
Há muita gente a achar-se um zero porque são tratadas como valendo nada, um dia percebem que podem servir (ou que têm servido sem perceber) para aumentar os outros, e quando crescem só o aceitam se forem vistos como par. Não como ferramenta ou utilidade.

O zero pode ser nada, mas pode ser aquele pequeno nada que torna um num milhão.

[e agora vou ali ao rio refrescar a alma que o sol ferve no corpo... adorei aquele spot. Não gosto de repetir sítios onde fiquei, mas este sou capaz de um dia abrir uma excepção...]

sexta-feira, 21 de setembro de 2018



Balanço da tarde ;)))




De chávena na mão - que diz "Some fox loves you", prefiro Wolves, mas estas descoincidências são a história da minha vida... - empoleirada, depois do pequeno-almoço a servir de almoço, a beber o café que ontem demorei vinte minutos a ir buscar e duas horas para trazer. O sítio é paradisíaco mas chegar cá é uma espécie de inferno, e o gps e eu discutimos muito, ele pensa que eu ando de burro e não de carro (ainda por cima sou eu que pago os arranjos e coiso não posso dar cabo dele nem ficar atascada, ou enrascada mesmo, no meio do mato...), então discutimos muito. Mas eu sou gaja, ou seja tenho zero de sentido de orientação... o que complicou as coisas. Mas chegámos, de discussão em discussão, duas horas depois de fazer um caminho que, em sendo o certo, demoraria vinte minutos. Há muitas coisas assim na vida. Se calhar encontrar o paraíso na Terra, ao virar duma esquina improvável, por exemplo. 

(mas passada passada fiquei quando o carro no meio de sei lá de onde, só com árvores à volta, e sem vivalma que se avistasse, acendeu a luz do motor... Valhamedeus, quase reaprendi a rezar... e acho que rezei, mas sem protocolos...)

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Às vezes à noite há um grilo que se manifesta, durante o dia os pássaros conversam entre o silêncio do rio, que nunca se cala.
O som é sempre o mesmo, contínuo, o rio corre como se corresse sempre da mesma maneira. Como se tudo fosse o mesmo tempo, ou não houvesse tempo, não houvesse tempos. Não aqui. A manhã como a tarde como a noite. Como se por trás de tudo o que se vê estivesse algo imutável, sempre, que segura e acolhe todas as mudanças, sem mudar. Ainda que nada se repita. Nem o tempo. Nem o rio.

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Eheheh
... de tacha arreganhada...
Quase eu...
...finalmente é sábado, bora lá... ;)))

segunda-feira, 17 de setembro de 2018


[foto @tarasovm]

Fugir para o longe que nos aconchega
Fugir para onde sozinhos estamos menos sós.
Fugir para onde a solidão não tem espelhos que devolvem o que nos falta
Fugir para onde o silêncio nos mima e a escuridão nos dá a mão
Fugir para um sítio onde ninguém nos tira as dores, mas não nos afia as feridas.
Fugir para onde nos chegamos regressados.

[em contagem decrescente... quero pirar-me daqui. tanto. parece que os kms a percorrer já me fazem cócegas na pele]

sábado, 15 de setembro de 2018

Deve ser impossível acordar mal com a vida num cenário destes.
... e o tanto que me apetece isto... 
quanto menos tempo falta mais longe me parece,  
 a vontade aumenta mais e mais rápido do que o tempo passa...
Aguentar mais um bocadinho... 
e depois lá vou eu para dias de paradeiro desconhecido... 
ahhh coisa tão boa, já sinto tanta falta do silêncio em sossego.

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

[via @33thirdmedia]

As cicatrizes fazem-nos a espinha. 
Não tem de ser feio, não temos de ficar pessoas feias ou vazias ou amargas. Não temos, e não devemos deixar, mas podemos mudar de águas e continuar a nadar, corrente acima, corrente abaixo. Deixarmo-nos só boiar, às vezes, também é bom... 

Bom dia!

quarta-feira, 12 de setembro de 2018


Estou tão preguiçosa de escrever. Não me apetece, penso nisso e deixo esse pensamento pousado nalgum sítio a ganhar pó, há coisas em que penso, outras que sinto, e que noutras alturas dariam coisas escritas. Agora não me apetece, as palavras são demasiado líquidas para as tentar agarrar, seria preciso muita paciência, muita vontade de pôr preto no branco, ou branco no preto - de me desfiar e discernir. Mas não sinto essa necessidade, como se sentisse que não tenho em mim já nada para discernir, compreender ou dizer.  Como se eu estivesse concluída. Feita, resolvida. Não sei, qualquer coisa com uma sensação fechada, de escuridão cerrada que já nem se fere com a luz, ou de luz que sabe das sombras e as aconchega. Estou meia apática e quase paralisada, não sinto grande coisa e não me mexo para lado algum. E parece uma benção. Estranhamente abençoada é como me sinto. Tenho a sensação de estar a conseguir viver a vida só em partes de mim, plenas em si mas esquartejadas dum todo, como se algum fecho estanque tivesse descido e produzido um clique. Como um fecho de segurança (realmente, por segurança, talvez, agora que penso nisso). Era isso ou enlouquecer. Mais ainda.
E comecei a escrever, aqui, hoje, porque dei por mim a pensar no último livro que li, e a esplanada onde o li nalgumas manhãs, e faltaram-me as palavras onde soletrar essa tranquilidade dos barquinhos que me navegavam o olhar parado. E o livro, tanto que me fez pensar, na importância dos erros, ou melhor, na total irrelevância dos erros. Porque não há justiça, não há o reparar erros, não há significados implícitos ou truncados nas asneiras que fazemos, mesmo que as façamos de coração. Não, nada disso, tal como não há castigos. Há vida e os erros são meros passos, tal como todos aqueles que não são. Têm consequências relevantes uns, outros não - sendo erros ou não. Justiça não há, a lógica é totalmente inexistente, não nos prendamos a isso, e não entendamos o que nos acontece como castigo ou como significante, porque não há justiça, logo, não há castigos nem um qualquer equilíbrio devido ou por devir. Há vida. Mais nada. Há vivê-la, se tanto conseguirmos. Mesmo que só em partes de nós. Como eu. Agora. Porque isto é tudo uma brincadeira, e tão bem Kundera mo mostrou. 

terça-feira, 11 de setembro de 2018


Duas garrafas de vinho tinto, do bom, depois aterro na cama e resumo a noite como a viragem entre o chegar a casa com a sensação que a vida não tem grande sentido, e achar que uma pessoa que conheci há oito anos numa situação engraçada é hoje um bom amigo com quem partilho valores e princípios, ( e garrafas de bom vinho que traz debaixo do braço, quando passa aqui pelo burgo, e às vezes um jantar como há umas noites atrás) uma pessoa que admiro e acompanho, de quem gosto, e que de repente faz parecer com que acasos muitas vezes sejam casos de muito sentido. Ou de se tornarem com muito sentido, só temos de deixar o tempo fazer a sua magia, e as pessoas serem quem são. Ouvi coisas que gostei, que me tocaram verdadeiramente, coisas em grande, que não sei onde as desenterrou ou  pensa que as foi buscar, mas eu registei, e tocou-me. Não tinha como não. Dizer-me que só não sou namorada dele porque não quero e ele entende porque sou trabalho para tempo inteiro e ele está longe, não me toca ou diz nem metade do que deixou escapar.
Deixa-me uma sensação boa, que não sei explicar, saber que há no mundo meia dúzia de pessoas (não mais e talvez nem tantos) que se eu morresse amanhã tentaria dizer, contar, explicar à minha filha a mulher que eu tentei ser, que eu gostaria de ser. Mesmo que não tenha chegado a ser, a não ser aos olhos de meia dúzia de pessoas (não mais e talvez nem tantos). Não sei o que faço para algumas pessoas me dizerem sobre mim coisas que não só me surpreendem como não sei onde as vão fundamentar. Mas essa era a mulher que eu realmente gostava de conseguir ser. Sempre. Em tudo. Mas sei que não sou. Sei, isso sei, que pelo menos há pessoas que têm a certeza que podem contar comigo e que confiam em mim, em como sou. E isso é tão bom e reconfortante. No meio do caos da minha vida de repente há um desnorte que ganha uma bússola. Um sentido. Um qualquer porquê. E eu sou uma pessoa de porquês... acabo a noite melhor do que a comecei. E isso é bom. E o vinho também era. Muito.

sexta-feira, 7 de setembro de 2018


- o que é que te falta?
- tudo o que está aí dentro...

E ela ficou a pensar naquela resposta. Tão clara. Tão verdadeira.
Realmente deve ser isso, ela percebeu que ele verdadeiramente tinha toda a razão, sem sequer saber... Ele sente a falta dele. Dele inteiro, da alma dele que ela trazia entranhada, emaranhada na sua.
Percebeu ali, naquele instante de meio sorriso, que ela não estaria alguma vez entranhada nele, era apenas a sua droga, o seu vício, o seu porto de abrigo em épocas de tempestade, o calor nos tempos frios, era o seu alimento de ego e auto estima. E o sarcasmo, a ironia daquilo de que se apercebia, deu-lhe o outro meio sorriso quando lhe veio à ideia e à boca pelo lado de dentro, que sabia também haver disso em comprimidos...

quarta-feira, 5 de setembro de 2018


Há títulos que se puxam sozinhos da prateleira, ou assim me pareceu. Isso e “as memórias das pancadas do coração naquele instante”, a emoção de cada primeiro amor (ainda assim espero, não sempre, mas às vezes). Todos são o primeiro amor para sempre, não é? Talvez o verdadeiro seja o último, e por isso, verdadeiramente o primeiro. 
Vamos lá ser casmurros juntos durante uns tempos...

terça-feira, 4 de setembro de 2018

Milan Kundera, A Brincadeira
Parece, às vezes, para algumas pessoas, que apesar de tudo hão-de ser compreendidas e por isso perdoadas. E muitas vezes assim é, mas não sempre, não para sempre. E muitas dessas vezes estas pessoas não tentam compreender quem querem que os compreenda, como se só eles existissem ou importassem ou sentissem. Um dia, que às vezes chega, as pessoas que sempre tentam compreender e perdoar tudo, mudam de morada. Outras vezes fingem não saber ou perdoar porque não sabem mudar, e perdoar ou fingir é só um evitar tomar consciência que existem abaixo da linha de água do viver. Debaixo de uma mão, de que não se libertam,  que os empurra e mantém lá.
A Brincadeira acabou.
Venha o próximo.

domingo, 2 de setembro de 2018

sexta-feira, 31 de agosto de 2018

Os rituais de que vamos tecendo os nossos momentos sustentam-nos na trama dos dias pardos. São como um apoio onde nos descansamos e nos vemos de longe em longe no dia que tende a perder-nos.
Mudamos de sítio e há rituais que se perdem, mesmo que momentaneamente, mas a necessidade de algo que nos agarre ao dia ao mesmo tempo que nos distancia dele, ressente-se. Ou ressinto-me. Os meus fins de tarde aplanaram-se, não tenho aqueles momentos de pausa em que atravesso a ponte entre o dia de trabalho e a noite com o vagar do pôr-do-sol, com a doçura do lusco-fusco que se derrama sobre tudo o que se vê, e, aos meus olhos, mais ainda do que não se vê. Por isso agora arranjei um compasso de espera, de suspensão do relógio antes de ir trabalhar. Talvez agora seja para arranjar forças e coragem para começar a labuta, ou só porque me falta um tempo para parar o tempo. Mesmo que ele não pare, mesmo que estes minutos sejam só um capricho de quem gosta de pequenos rituais onde me tento lembrar de não me esquecer quem sou e de que sou feita.

Bom dia.

quinta-feira, 30 de agosto de 2018

A minha companhia para o café. Tiro os olhos dos barquinhos adormecidos e vejo este pequeno magrinho e irrequieto. Penso no conceito de liberdade, penso que ele é livre, ando por onde quer quando quer, tem só as fronteiras da fome para lhe moldar os movimentos. Eu, bem vistas as coisas, também poderia ir aonde as minhas pernas me pudessem levar, fazer o que quisesse, mas claro, também tenho de comer e dar de comer, e isso vem embrulhado em regras e normas que se têm de acatar. Então acatamos. Livremente. Bem vistas as coisas, tanto a minha vida como a desta minha companhia para café, são vidas neutras, se fizermos zoom-out, todas as vidas, ou quase, são neutras. É meramente uma sobrevivência, mais ou menos articulada, mais ou menos livre, que nos mantém vivos. Depois há momentos, momentos que parecem mais do que são, que parecem capazes de sair da neutralidade da ordem natural das coisas, que parecem valer mais, que parecem além-sobrevivência, mas o tempo repõe tudo no seu lugar. Talvez bem.

quarta-feira, 29 de agosto de 2018


“(...) concupiscência e ternura, dor e gosto furioso de viver, fome violenta de vulgaridade bem como de carinho, sede de um segundo de prazer, bem como de eterna posse.”

Milan Kundera, in A Brincadeira 

Fecho o livro, ou fecha-se-me aos meus olhos sem dar por isso, por causa daquilo - fica-me a navegar as ideias sem razões, em total ausência de razão, só fica. Não me lembro de ler resumo tão perfeito do que seria amar com toda a pele uma alma. Porque é isto - para mim pelo menos - a ternura que não desfaz o desejo, o amar a alma através do corpo, desejar a pele, mais além do desejo, pelo que guarda no seu por dentro. E a força selvagem - furiosa, como diz Kundera - do querer, do querer a pessoa inteira. Quase como um engolirmo-nos  e fazermo-nos parte do que não tem partes. Assim não tem.