quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Eheheh
... de tacha arreganhada...
Quase eu...
...finalmente é sábado, bora lá... ;)))

segunda-feira, 17 de setembro de 2018


[foto @tarasovm]

Fugir para o longe que nos aconchega
Fugir para onde sozinhos estamos menos sós.
Fugir para onde a solidão não tem espelhos que devolvem o que nos falta
Fugir para onde o silêncio nos mima e a escuridão nos dá a mão
Fugir para um sítio onde ninguém nos tira as dores, mas não nos afia as feridas.
Fugir para onde nos chegamos regressados.

[em contagem decrescente... quero pirar-me daqui. tanto. parece que os kms a percorrer já me fazem cócegas na pele]

sábado, 15 de setembro de 2018

Deve ser impossível acordar mal com a vida num cenário destes.
... e o tanto que me apetece isto... 
quanto menos tempo falta mais longe me parece,  
 a vontade aumenta mais e mais rápido do que o tempo passa...
Aguentar mais um bocadinho... 
e depois lá vou eu para dias de paradeiro desconhecido... 
ahhh coisa tão boa, já sinto tanta falta do silêncio em sossego.

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

[via @33thirdmedia]

As cicatrizes fazem-nos a espinha. 
Não tem de ser feio, não temos de ficar pessoas feias ou vazias ou amargas. Não temos, e não devemos deixar, mas podemos mudar de águas e continuar a nadar, corrente acima, corrente abaixo. Deixarmo-nos só boiar, às vezes, também é bom... 

Bom dia!

quarta-feira, 12 de setembro de 2018


Estou tão preguiçosa de escrever. Não me apetece, penso nisso e deixo esse pensamento pousado nalgum sítio a ganhar pó, há coisas em que penso, outras que sinto, e que noutras alturas dariam coisas escritas. Agora não me apetece, as palavras são demasiado líquidas para as tentar agarrar, seria preciso muita paciência, muita vontade de pôr preto no branco, ou branco no preto - de me desfiar e discernir. Mas não sinto essa necessidade, como se sentisse que não tenho em mim já nada para discernir, compreender ou dizer.  Como se eu estivesse concluída. Feita, resolvida. Não sei, qualquer coisa com uma sensação fechada, de escuridão cerrada que já nem se fere com a luz, ou de luz que sabe das sombras e as aconchega. Estou meia apática e quase paralisada, não sinto grande coisa e não me mexo para lado algum. E parece uma benção. Estranhamente abençoada é como me sinto. Tenho a sensação de estar a conseguir viver a vida só em partes de mim, plenas em si mas esquartejadas dum todo, como se algum fecho estanque tivesse descido e produzido um clique. Como um fecho de segurança (realmente, por segurança, talvez, agora que penso nisso). Era isso ou enlouquecer. Mais ainda.
E comecei a escrever, aqui, hoje, porque dei por mim a pensar no último livro que li, e a esplanada onde o li nalgumas manhãs, e faltaram-me as palavras onde soletrar essa tranquilidade dos barquinhos que me navegavam o olhar parado. E o livro, tanto que me fez pensar, na importância dos erros, ou melhor, na total irrelevância dos erros. Porque não há justiça, não há o reparar erros, não há significados implícitos ou truncados nas asneiras que fazemos, mesmo que as façamos de coração. Não, nada disso, tal como não há castigos. Há vida e os erros são meros passos, tal como todos aqueles que não são. Têm consequências relevantes uns, outros não - sendo erros ou não. Justiça não há, a lógica é totalmente inexistente, não nos prendamos a isso, e não entendamos o que nos acontece como castigo ou como significante, porque não há justiça, logo, não há castigos nem um qualquer equilíbrio devido ou por devir. Há vida. Mais nada. Há vivê-la, se tanto conseguirmos. Mesmo que só em partes de nós. Como eu. Agora. Porque isto é tudo uma brincadeira, e tão bem Kundera mo mostrou. 

terça-feira, 11 de setembro de 2018


Duas garrafas de vinho tinto, do bom, depois aterro na cama e resumo a noite como a viragem entre o chegar a casa com a sensação que a vida não tem grande sentido, e achar que uma pessoa que conheci há oito anos numa situação engraçada é hoje um bom amigo com quem partilho valores e princípios, ( e garrafas de bom vinho que traz debaixo do braço, quando passa aqui pelo burgo, e às vezes um jantar como há umas noites atrás) uma pessoa que admiro e acompanho, de quem gosto, e que de repente faz parecer com que acasos muitas vezes sejam casos de muito sentido. Ou de se tornarem com muito sentido, só temos de deixar o tempo fazer a sua magia, e as pessoas serem quem são. Ouvi coisas que gostei, que me tocaram verdadeiramente, coisas em grande, que não sei onde as desenterrou ou  pensa que as foi buscar, mas eu registei, e tocou-me. Não tinha como não. Dizer-me que só não sou namorada dele porque não quero e ele entende porque sou trabalho para tempo inteiro e ele está longe, não me toca ou diz nem metade do que deixou escapar.
Deixa-me uma sensação boa, que não sei explicar, saber que há no mundo meia dúzia de pessoas (não mais e talvez nem tantos) que se eu morresse amanhã tentaria dizer, contar, explicar à minha filha a mulher que eu tentei ser, que eu gostaria de ser. Mesmo que não tenha chegado a ser, a não ser aos olhos de meia dúzia de pessoas (não mais e talvez nem tantos). Não sei o que faço para algumas pessoas me dizerem sobre mim coisas que não só me surpreendem como não sei onde as vão fundamentar. Mas essa era a mulher que eu realmente gostava de conseguir ser. Sempre. Em tudo. Mas sei que não sou. Sei, isso sei, que pelo menos há pessoas que têm a certeza que podem contar comigo e que confiam em mim, em como sou. E isso é tão bom e reconfortante. No meio do caos da minha vida de repente há um desnorte que ganha uma bússola. Um sentido. Um qualquer porquê. E eu sou uma pessoa de porquês... acabo a noite melhor do que a comecei. E isso é bom. E o vinho também era. Muito.

sexta-feira, 7 de setembro de 2018


- o que é que te falta?
- tudo o que está aí dentro...

E ela ficou a pensar naquela resposta. Tão clara. Tão verdadeira.
Realmente deve ser isso, ela percebeu que ele verdadeiramente tinha toda a razão, sem sequer saber... Ele sente a falta dele. Dele inteiro, da alma dele que ela trazia entranhada, emaranhada na sua.
Percebeu ali, naquele instante de meio sorriso, que ela não estaria alguma vez entranhada nele, era apenas a sua droga, o seu vício, o seu porto de abrigo em épocas de tempestade, o calor nos tempos frios, era o seu alimento de ego e auto estima. E o sarcasmo, a ironia daquilo de que se apercebia, deu-lhe o outro meio sorriso quando lhe veio à ideia e à boca pelo lado de dentro, que sabia também haver disso em comprimidos...

quarta-feira, 5 de setembro de 2018


Há títulos que se puxam sozinhos da prateleira, ou assim me pareceu. Isso e “as memórias das pancadas do coração naquele instante”, a emoção de cada primeiro amor (ainda assim espero, não sempre, mas às vezes). Todos são o primeiro amor para sempre, não é? Talvez o verdadeiro seja o último, e por isso, verdadeiramente o primeiro. 
Vamos lá ser casmurros juntos durante uns tempos...

terça-feira, 4 de setembro de 2018

Milan Kundera, A Brincadeira
Parece, às vezes, para algumas pessoas, que apesar de tudo hão-de ser compreendidas e por isso perdoadas. E muitas vezes assim é, mas não sempre, não para sempre. E muitas dessas vezes estas pessoas não tentam compreender quem querem que os compreenda, como se só eles existissem ou importassem ou sentissem. Um dia, que às vezes chega, as pessoas que sempre tentam compreender e perdoar tudo, mudam de morada. Outras vezes fingem não saber ou perdoar porque não sabem mudar, e perdoar ou fingir é só um evitar tomar consciência que existem abaixo da linha de água do viver. Debaixo de uma mão, de que não se libertam,  que os empurra e mantém lá.
A Brincadeira acabou.
Venha o próximo.

domingo, 2 de setembro de 2018

sexta-feira, 31 de agosto de 2018

Os rituais de que vamos tecendo os nossos momentos sustentam-nos na trama dos dias pardos. São como um apoio onde nos descansamos e nos vemos de longe em longe no dia que tende a perder-nos.
Mudamos de sítio e há rituais que se perdem, mesmo que momentaneamente, mas a necessidade de algo que nos agarre ao dia ao mesmo tempo que nos distancia dele, ressente-se. Ou ressinto-me. Os meus fins de tarde aplanaram-se, não tenho aqueles momentos de pausa em que atravesso a ponte entre o dia de trabalho e a noite com o vagar do pôr-do-sol, com a doçura do lusco-fusco que se derrama sobre tudo o que se vê, e, aos meus olhos, mais ainda do que não se vê. Por isso agora arranjei um compasso de espera, de suspensão do relógio antes de ir trabalhar. Talvez agora seja para arranjar forças e coragem para começar a labuta, ou só porque me falta um tempo para parar o tempo. Mesmo que ele não pare, mesmo que estes minutos sejam só um capricho de quem gosta de pequenos rituais onde me tento lembrar de não me esquecer quem sou e de que sou feita.

Bom dia.

quinta-feira, 30 de agosto de 2018

A minha companhia para o café. Tiro os olhos dos barquinhos adormecidos e vejo este pequeno magrinho e irrequieto. Penso no conceito de liberdade, penso que ele é livre, ando por onde quer quando quer, tem só as fronteiras da fome para lhe moldar os movimentos. Eu, bem vistas as coisas, também poderia ir aonde as minhas pernas me pudessem levar, fazer o que quisesse, mas claro, também tenho de comer e dar de comer, e isso vem embrulhado em regras e normas que se têm de acatar. Então acatamos. Livremente. Bem vistas as coisas, tanto a minha vida como a desta minha companhia para café, são vidas neutras, se fizermos zoom-out, todas as vidas, ou quase, são neutras. É meramente uma sobrevivência, mais ou menos articulada, mais ou menos livre, que nos mantém vivos. Depois há momentos, momentos que parecem mais do que são, que parecem capazes de sair da neutralidade da ordem natural das coisas, que parecem valer mais, que parecem além-sobrevivência, mas o tempo repõe tudo no seu lugar. Talvez bem.

quarta-feira, 29 de agosto de 2018


“(...) concupiscência e ternura, dor e gosto furioso de viver, fome violenta de vulgaridade bem como de carinho, sede de um segundo de prazer, bem como de eterna posse.”

Milan Kundera, in A Brincadeira 

Fecho o livro, ou fecha-se-me aos meus olhos sem dar por isso, por causa daquilo - fica-me a navegar as ideias sem razões, em total ausência de razão, só fica. Não me lembro de ler resumo tão perfeito do que seria amar com toda a pele uma alma. Porque é isto - para mim pelo menos - a ternura que não desfaz o desejo, o amar a alma através do corpo, desejar a pele, mais além do desejo, pelo que guarda no seu por dentro. E a força selvagem - furiosa, como diz Kundera - do querer, do querer a pessoa inteira. Quase como um engolirmo-nos  e fazermo-nos parte do que não tem partes. Assim não tem.

terça-feira, 28 de agosto de 2018

[foto @zynp - gosto de girassóis, gosto do ar alegre e da eterna vocação. Desde miúda que penso que devia haver também giraluas, e talvez haja, só não vêm num pé, vêm com dois e uns olhos semeados no céu escuro da noite. E também gosto desses.]

Good morning, sunshine :))

... E finalmente, quando tiro um dia para mim, não há vestígios de sol. As nuvens querem o sol todo para elas... não deixam passar nada. Não há direito. Mas, mesmo do avesso, depois de dias de turbilhão sem conseguir parar os ossos nem a cabeça, o dia é meu, e ninguém mo tira... 
e depois, às vezes, uma pessoa põe-se, sem notar, a soletrar expressões, e acaba a interrogar-se como se tira um dia? Donde vem a expressão? Tirar um dia? De onde? Tirá-lo para mim? Para onde? Ponho-o no bolso? Ou escondo-me no bolso dele, aninhara e enroscada, para ninguém me ver? 
Como se tira tempo ao tempo? 
Seja como for, tirado ou não, este dia é para mim... e caramba estou tão precisadinha dele!!

Bom dia!

domingo, 26 de agosto de 2018


Da perspectiva e da realidade. 
A realidade é a verdade, a verdade é a realidade?
Uma perspectiva é uma verdade?
A nossa verdade é como vemos as coisas? como as vemos genuínamente?
...como ensinaram o nosso cérebro a vê-las e entendê-las, mas e depois? quando percepcionamos as coisas diferentes, quando o mundo ou a vida  nos enfia olhos adentro o que não sabíamos, mudamos toda a perspectiva, temos de reeducar o cérebro. 
Se soubermos como. 
Se não soubermos, às vezes fingimos que não vemos e pensamos que resulta. 
Não resulta. 
Depois de se ver nunca mais se pode nunca ter visto.
Depois de realmente se abrir os olhos, continuamos a ver mesmo quando os queremos fechados.

(às vezes acordo cheia de vontade de fechar os olhos, de nunca ter visto)

sexta-feira, 24 de agosto de 2018



Lembro-me de vir para esta varanda desde miúda, quinze, dezasseis anos, e de sempre ver este tecto almofadado. É raro ver o manto negro da noite aqui, há sempre um tecto de algodão doce a cobrir a escuridão, a escondê-la, talvez a protegê-la. Se calhar dos olhares, se calhar da vida faz-de-conta que se entretem aqui em baixo. É uma vista recortada entre paredes de casas que se amontoam, como quem se junta à conversa. E há esta casa pequenina, que, daqui donde se recostam os meus olhos, agora me parece quase de bonecas, e que tem uma janela iluminada aberta para um véu de noite que não é escuridão, nem noite. Quantas coisas vemos que são o que são?
Fico aqui dentro do meu casaco, olho para istoe  não sei que idade tem o meu olhar, mesmo que saiba quantos anos contam que vêem o mundo, mas quantos dos que viram contam? Se calhar todos, todos contam sempre, e contam alguma coisa, mas às vezes, muitas, não sei o quê.

quinta-feira, 23 de agosto de 2018

ahhhh... era o que estava a precisar. 
Escapar daqui. 
Num cruzeiro.
Para as ilhas gregas, por exemplo.
Eu, o sol e o mar, deixo que vão comigo música e livros.
Só.
 (por que é que a vida não é como podia ser? e  se calhar até podia ter uma vida (mais) assim, com mais férias e passeio, mas escolho ser parva... por que é que há pessoas que nascem parvas? ou tornam-se, sei lá...)


sábado, 18 de agosto de 2018

Verdade.
Fico admirada com este mundo, a cada dia, ainda que este mundo não seja admirável , e muito menos novo. E lógica é coisa que não entra na malha que o tece, nada tem outro propósito senão existir. Só. 

sexta-feira, 17 de agosto de 2018

Às vezes o mundo faz muito mais sentido de pernas para o ar. Outras temos a certeza, sabemos, que é quem temos ao lado que lhe dá sentido, seja a fazer o pino ou virado do avesso, e o único sentido é sentir. Depois a vida ensina-nos que onde quer que esteja o Norte temos de o encontrar nós, sozinhos, por dentro dos nossos caminhos, de mãos dadas com o nosso olhar sobre o mundo, e que o sentido não pode estar em nada que não sejamos nós, que não seja nosso, ou o chão deixa de ser chão. E o sentido pode fugir-nos numa esquina dum qualquer segundo mal dobrado.
Hoje, o meu mundo parece ter acordado a fazer o pino, e ainda assim o céu não parece chão.

quarta-feira, 15 de agosto de 2018

Do sexting, em bom!
Bom dia!

[foto @nurukimondo1]

“-Perguntar o quê?... - diz em voz baixa, com uma ênfase depreciativa, como se fizesse troça de si mesmo. - O que é que se pode perguntar das pessoas com palavras? O que vale a resposta que uma pessoa dá com palavras e não com a realidade da sua vida?... vale pouco - diz com determinação. “

Sándor Márai, in As velas ardem até ao fim

A realidade, a verdade das pessoas está no modo como vivem, como fazem a sua vida e as suas escolhas. A vida que levam é a resposta do que são, do que valorizam, do que realmente acarinham. Da pessoa que são. Não é o que dizem. As palavras são tão maleáveis como ar, que tanto cabe numa garrafa redonda como numa caixa quadrada. As palavras, na maior parte das bocas, nada valem, há uma facilidade de dissociação entre as palavras que se dizem e o que se pensa, sente ou faz. Entre o que se critica ou defende com veemência, e as atitudes que se têm. A única coisa que se pode ler do outro sem erro, é o que ele faz. E se estivermos atentos, e quisermos mesmo ouvir, por vezes grita, mas o nosso medo muitas vezes não nos deixa ouvir. Durante muito tempo ensurdece-nos. Até que percebemos que enquanto não escolhermos ouvir, nunca vamos deixar de ter medo, nem nunca vamos assustar-nos com razão da verdadeira realidade - evitamos tanto o susto como a vida.

terça-feira, 14 de agosto de 2018


"As pessoas modificavam-se porque os acidentes as modificavam, ou apenas os acidentes permitiam que elas procedessem como realmente eram, mas antes não podiam ter sido? (...)
(...) Eu tivera a Mercedes e perdera-a. Mas perdera-a por tê-la tido, ou tivera-a porque, já antes ela estava perdida para mim? Pensara eu, alguma vez, e autenticamente em casar com ela? Desejava possui-la por amor e por sentir o seu amor por mim, ou porque a vira, com todos os preconceitos do mundo em que vivia, como acessível? E ela, entregando-se-me, amara-me de facto, ou quisera destruir em si mesma o próprio amor que me tinha e não sabia que tinha? Ou sabia?"
Jorge de Sena, in Sinais de Fogo

As pessoas revelam-se aos nossos olhos tanto quanto os portugueses descobriram o Brasil. Já lá estava tudo, nós é que não sabíamos e por isso não víamos. O mundo mudou aos nossos olhos, ganhámos terra que não conhecíamos, mas nada (na morfologia do mundo) efectivamente mudou, a não ser a nossa perspectiva, e os mapas para nos orientarmos. A vida surge-nos e descobre-nos, vai-nos revelando, faz vir à tona, o que não sendo usado, pensávamos não existir. Descobrimos quando algo em nós é despertado e reage. Umas vezes é bom, descobrimos termos coisas boas, descobrimos até como podemos e conseguimos ser felizes, como a vida pode ser maravilhosa, outras vezes descobrimos facetas nossas que estavam camufladas e preferíamos continuar a pensar não as ter. 
As pessoas não mudam, não na essência, não nos seus pilares fundamentais, nós é que demoramos para descobrir toda a extensão dessa essência e as suas pequenas grandes nuances. Há pessoas que por muito que quisessem nunca conseguiriam fazer certas coisas, e outras que perante algumas situações nem chegam a pensar fazê-las, simplesmente as fazem, saem-lhes naturalmente. Às vezes é maravilhoso, outras é uma miséria humana. 
Os acidentes, os imprevistos, as contrariedades, só permitem que as pessoas surjam como são, mas antes não tiveram razão para ser.
Dos mal-entendidos...

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

[foto @nicoladavisonreed]

Quero-te. 
Quero - tanto - isto, acompanhado de um bom livro, uma garrafa de vinho branco fresquinho e uma brisa que arrepie a pele levemente, entre um salpico e outro de água salgada. 
Só isso, e a música do mar quase a fazer-me cócegas nos pés, mais nada. 
Não preciso de muito, mas o que quero, quero sempre tanto.
Agora só queria isto, e há um conforto imenso em pensar isso, que isto, agora, chegava-me, que não queria mais nada nem mais ninguém. Mesmo.
As pessoas são tão pouco face a uma solidão que se deseja,
e que as desilusões alimentaram à exaustão.
 Só o mar e a sua paz inquieta, sem fim, parecem aquietar uma alma
à beira do precipício de si mesma.

Bom dia!

[foto @tarasovm]

“Em todos os poderes humanos existe um ligeiro, delicado e quase imperceptível desprezo por aqueles que dominamos. Só podemos dominar inteiramente almas humanas, se conhecemos, compreendemos e desprezamos muito discretamente aqueles que são forçados a render-se.”

Sándor Márai, in As velas ardem até ao fim

Se dominam desprezam como consequência da superioridade, da superioridade que leva os outros a renderem-se a esse domínio. É assim que vêem. Sentem-se superiores ao outro, porque ele se deixa dominar por eles. É verdade, e essa superioridade leva a um certo desprezo mesquinho e fino - ténue, aparentemente; mas feroz e cruel se acontece entre pessoas próximas (e parece-me que é talvez das situações mais frequentes),  que supostamente se gostam. O problema é que não se pode gostar verdadeiramente de quem se despreza, a quem nos achamos superiores, não se pode amar alguém sem que haja admiração por essa pessoa, apesar de todos os defeitos que tem, e lhe conhecemos -porque o balanço final é sempre de admiração, mesmo que às vezes misturada com exasperação. Depois há ainda outro problema, é que parece que nunca chegam a entender que não são eles que são superiores, são os dominados que lhes dão, ou permitem, essa suposta superioridade, é uma concessão, é fruto duma devoção, dum afecto, dum lado do amor, esse subjugarmo-nos. Não por serem superiores mas pelo afecto, o amor, a amizade, ser superior. Nunca percebem isso, fazem disso uma coisa de ego, quando o outro, o dominado, faz o contrário, em reverência à relação, preserva-a.  Ou tenta. Quando se acha tratado como dominado, não pela natureza e necessidade das realidades a cada momento, mas fruto dum consistente e mascarado desprezo, tudo pode desmoronar. O dominado não é inferior (ou não tem necessariamente de ser apenas por se deixar, até certo ponto, dominar), ele só decide conceder superioridade ao outro - decide, escolhe, não é coisa de nascimento ou natureza, não é resultado dum combate de forças, é optar sempre por não lutar, submetendo-se em nome da relação que valoriza... 
... muitas vezes até ao dia em que percebe que está sozinho na relação, que apenas ele valoriza e tenta preservar a relação, submetendo-se, concedendo uma sensação de superioridade ao outro, de que ele abusa, menosprezando-o.

domingo, 12 de agosto de 2018

[foto @juliansell.fotografie]

“(...) tal como o desejo surge entre pessoas de uma forma inconsciente e desfigurada, quando alguém, pela primeira vez, quer separar do mundo o corpo e a alma de outra pessoa, para a possuir de uma maneira exclusiva. É esse o sentido do amor e da amizade. A amizade deles era tão séria e silenciosa, como todos os grandes sentimentos que duram uma vida inteira. E tal como todos os grandes sentimentos, continha também um certo pudor e sentimento de culpa. Uma pessoa não pode apropriar-se impunemente de outra, separando-a das restantes.”

Sándor Márai, in As velas ardem até ao fim

Há pessoas que separamos do mundo, que separamos de todas as restantes, a essas damos mais, damos tudo, mas por serem tão diferentes, aos nossos olhos, de tudo, para nós tão melhores que todos os outros, que acho que também exigimos mais, muito mais. 
E não, não nos apropriamos de alguém impunemente, de alguma forma fica-nos para sempre, paradoxalmente porque nos demos, porque demos tudo. Até nos sobrar apenas vazio.

sábado, 11 de agosto de 2018

sexta-feira, 10 de agosto de 2018

[foto @terra.xoxo]

Procura-se criatura (habilitada e com as mais altas recomendações, que doutra maneira já não arrisco..) que vá benzer os electrodomésticos lá de casa. A máquina de lavar loiça já estava avariada há muito, mas agora a da roupa deu a alma ao criador e o congelador entrou em greve... a minha alma teme pelo fogão e pela companheira/amiga de todos os dias, a fiel torradeira. Hoje quase perdi a fé quando tomei banho de água fria e pensei (com todos os impropérios como música de fundo...) que também a caldeira tinha abandonado o reino (terreno) de deus - e o seu funcionamento saudável na minha morada, que, no caso, é o que mais me interessa e toca - tal têm sido os últimos desenvolvimentos das maquinetas lá de casa... no fim do banho fresquinho tomado - que faz muito bem à pele, dizem -, fui ver o que se passava, ainda eu pingava e vociferava, com os cães à minha volta... mas afinal, por alguma razão, o bicho desligou-se. Só isso, não sei porquê, mas desligou-se. Estava cansada, ou assim. Eu também fiquei a pensar em desligar-me, ou assim.
Se conhecerem alguém que benza ou exorcise os electrodomésticos ao domicilio, avisem por favor (mas só se forem habilitados e devidamente encartados, há muita gente por aí a tentar enganar o pessoal e brincar com a fé das pessoas).
[foto @hier_ist_oben]

“E um dia as coisas param de mudar, porque a casa está comprada, o carro ainda anda, o emprego não é mau, os miúdos já crescem mais devagar, e percebes que a tua vida está igual ao ano anterior, e a pessoa com quem vives está igual ou que era no ano anterior. E tens de perceber que isso é normal, que não é isso que realmente importa, que a mudança é pouco mais que uma máscara, uma distracção. As coisas não têm de ficar melhores, só têm é de ser boas.A verdadeira pergunta é: “se tudo fosse continuar exactamente como é, serias feliz?”E outra, diferente mas importante: “se todos os dias da tua vida fossem ser exactamente como hoje, que terias feito hoje de diferente?” – pensa nisto, e faz isso amanhã.”

... as perguntas certas. As respostas todas erradas. As minhas. Se todos os dias fossem como hoje morreria a saber que vivi um dia e que a vida tinha acabado muito antes de ter podido realmente começar. Só não sei onde estão os botões para mudar as coisas certas. Só temos de mudar o que não é bom, o que não chega para ser bom. Quando se tem algo bom, não é preciso mudar, não é imprescindível melhorar. Basta que continuem a ser boas, que gostemos de como são. Que as queiramos (continuar a) viver. Quando não, então temos de mudar. Alguma coisa. Ou tudo... Mas como?

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Da falta de colaboração... 
Muito pior que a afamada falta de comunicação... 
Tão difícil arranjar bons colaboradores hoje em dia... 

domingo, 5 de agosto de 2018

Apetece-me... só de olhar já parece fazer fresquinho na pele...
Refresquem-se :))
Bom domingo 


(...) “a aproximação, do que quer que seja, se faz gradualmente e penosamente - atravessando inclusive o oposto daquilo e que se vai aproximar.”
Do prefácio de A Paixão segundo G.H., Clarice Lispector

Como o que poderia, ou deveria, unir afastou mais, atravessar o seu oposto - leio estas linhas e é o que percebo, o que penso e retiro, constato, afinal. As pessoas de alma já formada são as que sabem que tudo chega devagar e às vezes pelo lado oposto. A minha será formada? E qual é o meu lado oposto? Por onde me chego pelo meu avesso? Por onde me vejo pelo que não sou?


(Clarice Lispector, in A paixão segundo G.H.)

“A insistência é o nosso esforço, a desistência é o prémio.” - suponho que é verdade, a desistência é prémio quando se fez tudo, quando se construiu, quando se chegou lá e depois de tudo isso, de saber que fizemos tudo, desistimos, não porque fomos vencidos, mas por escolha. Por poder escolher desistir, por ter ganho o direito de desistir. Por ter construído, feito tudo e, também, exactamente por sabê-lo. O prémio é talvez desistir sem (ter de) desconstruir. Talvez. Saber que se conseguiu e deixar ir, qualquer outra forma será sempre o reconhecimento de um falhanço, de uma derrota, se calhar, de termos simplesmente sido vencidos, ou de não termos, sequer, verdadeiramente tentado. Talvez.
Esta não era a página do fim, mas é muito melhor que a do fim. Acabei.

Nao percebo como dizem ser o melhor livro dela... ou se calhar percebo, porque acho que muitas vezes quando não se percebem as coisas dizem que elas são muito boas, como que insinuando que só os muito elevados as podem compreender e, logo, gostar... então muita gente diz adorar e ser muito bom - à laia do que acontece com muita “arte moderna” -,  e eu queria mesmo era perceber como, e se, o entenderam - e já agora, se mo podiam explicar, dizer o que concluíram. Porque há partes boas sim, muito boas, passagens extraordinárias, não nego, mas o melhor livro dela? Há partes que me são incompreensíveis (o problema é  meu certamente, também não o nego, não terei capacidades suficientes) e outras onde acho que se vai contradizendo ao longo do livro. Talvez seja propositado porque é a descrição duma epifania tão longa como uma viagem de várias fases, talvez se vá contradizendo, aprendendo, mudando de ideias... mas torna as coisas confusas e sem lógica ou fio condutor. E eu sem lógica sinto-me perdida, talvez. Há partes do livro em que dei comigo a pensar que ela estava numa trip só dela... e das duras.

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

[foto via @cuddleupnow]

... para se aguentar as subidas de temperatura quando se chega a casa. 
Parece-me bem. 
Ser fresco assim ‘tá bem
Ehehe 
[imagem @taxcollection]

Parece-me que estamos assim... até a loiça derrete...

Bom dia!


quinta-feira, 2 de agosto de 2018


Facing reality is often hard to do when it seems happiness is gone
You've got to learn to hide your tears and tell your heart life must go on
You've got to learn to leave the table when love's no longer being served
To show everybody that you're able to leave without saying a word

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

[foto @hana_photographer11]

Tenho uma paz podre a enraizar-se-me no peito
E uma mão cheia de vivas ironias a morder-me as entranhas.
Respiro fundo como quem dá de beber ao poço 
Sento-me no sofá com os meus demónios 
Penso num chá a frio ou em cicuta a quente
Fico-me pelo vinho, tinto.
Oiço as sarcásticas gargalhadas dos dias
E o silêncio histérico das noites claras 
Bebo um trago de olhos fechados,
Como quem engole o destino que desconhece
Falta-me dar asas aos demónios, 
Falta-me uma sede que me beba,
E uma fome que me consuma.

terça-feira, 31 de julho de 2018



... achei que ficavam bem juntas. Que se complementam, que trazem à tona o melhor uma da outra, que se completam, assim como se diz dum grande amor. E acredito nas duas, não, na verdade acredito alguma coisa na primeira, não exactamente naqueles termos, já da segunda tenho a certeza.
... tudo acontece por uma razão, no meu caso deve ser sempre pela razão errada, na altura errada.

Bom dia!

domingo, 29 de julho de 2018


[foto @annan.jasko]
Há pessoas que têm gula de vida, mas depois, na mesa servido apenas uma mistela de água com farinha, sem sal. Há quem escolha fazer disso vida, chamá-lo de vida, há até quem o coma e faça parecer que se banqueteia com gosto, e há quem se levante da mesa porque não consegue conceber uma vida passada com fome de gula e dias mal alimentados. Alguns morrem à fome, outros comem o prato sem sal que lhe derem a cada dia, e outros, os afortunados, ou os muito doidos, ou os estúpidos, às vezes conseguem satisfazer a gula e sentirem-se vivos. Às vezes isso dura a vida inteira. Outras não.
Bem sei que a gula é pecado, chamem-me pecaminosa, já mo chamaram muitas vezes... e eu nunca desgostei. E a minha gula, quando aparece, com pouco, mas sempre bom, com o que me é essência, se apazigua, ainda que não se sacie. Espero que assim continue.

Bom dia.

sábado, 28 de julho de 2018

You are what you keep no matter what and everything you try to let go.
[foto @stephtee]

Sabem por que é que a lua corou hoje? Acho que foi porque ouviu tudo o que eu queria que me sussurrassem ao ouvido, com os lábios quentes a roçarem-me a orelha... Corou. De tão púdica se calhar, será? E eu escondi-me na sombra da noite, longe do eclipse, para não me lembrar dos sussurros silenciados, espelhados na melancolia do eclipse.  Eclipse lunar do século. Mas não, ainda neste século a lua vai ser a única testemunha do que me segredarão ao ouvido. E não vamos corar, nem esconder-nos. Vamos viver e saborear lentamente o momento. Ninguém vai saber, só nós...Shhhh

sexta-feira, 27 de julho de 2018

[foto @_georgemayer]

Que todo o tempo já perdido não seja desculpa
para apelidar de tarde o medo dum futuro que ainda não se perdeu.
Que tudo o que perdi de mim por o ter entregue sem o guardarem, sem o quererem, 
não esgote em mim o dar-me, o querer, o crer.
Que a vida não me roube o que sou para me tornar no que nunca fui.
Que a desilusão não assente arraiais com raízes ávidas.
Que a luz passe pelas portas que fechámos.

quarta-feira, 25 de julho de 2018

Vamos começar o dia ao contrário, a acabar na ronha com que não começou. 
Vamos começar o dia quando estiver a acabar. 
Vamos trocar a cama pela varanda, os lençóis que fogem da pele pela luz que a inunda.
Vamos aproveitar o pôr-do-sol, como se o dia só nascesse quando as nossas pernas se entrelaçam e não sabemos onde a pele de um termina e a alma do outro começa, 
de tudo tão estar tão cosido em nós. 
Nós que não amarram, mas que desapertam o dia assim que nos estamos. 
Em nós.
Vamos fazer do fim de dia o amanhecer 
do nosso dia, de noite. 
De nós.

[será ingenuidade ou estupidez da mais pura querer, às vezes, continuar a acreditar que pode haver amores que arrasam utopias e tornam-nas possíveis, palpáveis? Se calhar, há acreditares que são só teimosias, recusas da realidade tão morna que nos esfria.]


terça-feira, 24 de julho de 2018

[foto @gabrielerigon]

Ensombra-me. 
Assombra-me.
Atreve-te.
Tento-te.
Tenta.
Consegue-me.
Faz-nos.

segunda-feira, 23 de julho de 2018

Bahhhh....
Não é verdade, mas se calhar deveria ser, porque realmente a motivação não se avista e não faço ideia de onde pára, ou o que lhe aconteceu... o mais certo é ter falecido, ou talvez desfalecido, pelo menos...

domingo, 22 de julho de 2018

E com o marulhar como fundo, um peixe ao sal com o pôr-do-sol... 
mar nos olhos e na mesa. 
Do melhor para retemperar forças, e temperar a vida, a esperança.
Cool Sun-day ;))

(Por que será que em inglês os domingos são sempre dias de sol? 
Terão algum acordo com S.Pedro?)
Bom dia!
Olha-se o negro do céu... e a alturas tantas, parece ver-se uma estrela cair num instante tão rápido que se duvida se foi realmente a queda duma estrela, um ponto de luz que desaparece num pequeno clarão que logo devolve a escuridão imensa do céu. E fico a perguntar-me que desejo faria por aquela estrela cadente... e, de repente, não respondo, não sei responder. Fico-me a vaguear pelos pensamentos do que poderá isso dizer-me, querer dizer-me. Não ter a certeza instantânea do desejo a que teria direito. Talvez não fosse uma estrela cadente. Ou talvez o desejar me tenha caído na escuridão.