... quando não há vontade, quando não se quer, inventa-se tudo para não chegar, ou chegar o mais tarde possível. Adia-se de todas as formas e feitios, sob todas as desculpas e justificações disfarçadas de coisa nenhuma. Quem não quer inventa desculpas, quem quer combate todas as desculpas e obstáculos, com impulso na vontade, com os olhos no objectivo e as mãos sedentas do futuro que querem agarrar.
Quem quer faz, quem não quer empaleia até ao esquecimento.
Leio e reconheço isto, sou assim em algumas coisas, reconheço-o à distância, tal como reconheço o seu contrário - quando tenho vontade real, daquela que não se amorna, nem esbate, nem duvida. Houve muita coisa que adiei na vida porque, apesar de saber ser o melhor para mim, não tinha em mim a vontade. Nessas alturas inventamos caminho que não tem se ser percorrido, damos voltas e voltas para prolongar o caminho que leva ao fazer do que dizemos ser o melhor para nós... pode ser o melhor...mas não nos apetece, dá-nos preguiça nas vontades. Porque ser o melhor para nós, a razão aconselhar-nos e bem, não nos faz ter vontade de ir a correr.... como largar velhos rituais a que me acomodei, como alterar rotinas e horários, como ser mais arrumada e organizada, como passear a cadela todos os dias sem excepção ou desculpas, como a velha história entre mim e o ginásio... mas hoje vou. Isto tudo porque hoje vou! Temos de começar por algum lado, eu vou começar(-me) por aqui se calhar. Os pequenos passos fazem-nos perceber e sentir que podemos sair do sítio onde estamos, que podemos caminhar. Mas talvez não perceber isto (ou não querer perceber, percebendo) seja também tomar o caminho mais longo... e eu faço isso muitas - tantas - vezes.
Quando não me apetece chegar.
Ou quando não me apetece partir para outra chegada.
Quando sabemos que a chegada será boa para nós, mas não nos puxa...







