segunda-feira, 13 de agosto de 2018

[foto @nicoladavisonreed]

Quero-te. 
Quero - tanto - isto, acompanhado de um bom livro, uma garrafa de vinho branco fresquinho e uma brisa que arrepie a pele levemente, entre um salpico e outro de água salgada. 
Só isso, e a música do mar quase a fazer-me cócegas nos pés, mais nada. 
Não preciso de muito, mas o que quero, quero sempre tanto.
Agora só queria isto, e há um conforto imenso em pensar isso, que isto, agora, chegava-me, que não queria mais nada nem mais ninguém. Mesmo.
As pessoas são tão pouco face a uma solidão que se deseja,
e que as desilusões alimentaram à exaustão.
 Só o mar e a sua paz inquieta, sem fim, parecem aquietar uma alma
à beira do precipício de si mesma.

Bom dia!

[foto @tarasovm]

“Em todos os poderes humanos existe um ligeiro, delicado e quase imperceptível desprezo por aqueles que dominamos. Só podemos dominar inteiramente almas humanas, se conhecemos, compreendemos e desprezamos muito discretamente aqueles que são forçados a render-se.”

Sándor Márai, in As velas ardem até ao fim

Se dominam desprezam como consequência da superioridade, da superioridade que leva os outros a renderem-se a esse domínio. É assim que vêem. Sentem-se superiores ao outro, porque ele se deixa dominar por eles. É verdade, e essa superioridade leva a um certo desprezo mesquinho e fino - ténue, aparentemente; mas feroz e cruel se acontece entre pessoas próximas (e parece-me que é talvez das situações mais frequentes),  que supostamente se gostam. O problema é que não se pode gostar verdadeiramente de quem se despreza, a quem nos achamos superiores, não se pode amar alguém sem que haja admiração por essa pessoa, apesar de todos os defeitos que tem, e lhe conhecemos -porque o balanço final é sempre de admiração, mesmo que às vezes misturada com exasperação. Depois há ainda outro problema, é que parece que nunca chegam a entender que não são eles que são superiores, são os dominados que lhes dão, ou permitem, essa suposta superioridade, é uma concessão, é fruto duma devoção, dum afecto, dum lado do amor, esse subjugarmo-nos. Não por serem superiores mas pelo afecto, o amor, a amizade, ser superior. Nunca percebem isso, fazem disso uma coisa de ego, quando o outro, o dominado, faz o contrário, em reverência à relação, preserva-a.  Ou tenta. Quando se acha tratado como dominado, não pela natureza e necessidade das realidades a cada momento, mas fruto dum consistente e mascarado desprezo, tudo pode desmoronar. O dominado não é inferior (ou não tem necessariamente de ser apenas por se deixar, até certo ponto, dominar), ele só decide conceder superioridade ao outro - decide, escolhe, não é coisa de nascimento ou natureza, não é resultado dum combate de forças, é optar sempre por não lutar, submetendo-se em nome da relação que valoriza... 
... muitas vezes até ao dia em que percebe que está sozinho na relação, que apenas ele valoriza e tenta preservar a relação, submetendo-se, concedendo uma sensação de superioridade ao outro, de que ele abusa, menosprezando-o.

domingo, 12 de agosto de 2018

[foto @juliansell.fotografie]

“(...) tal como o desejo surge entre pessoas de uma forma inconsciente e desfigurada, quando alguém, pela primeira vez, quer separar do mundo o corpo e a alma de outra pessoa, para a possuir de uma maneira exclusiva. É esse o sentido do amor e da amizade. A amizade deles era tão séria e silenciosa, como todos os grandes sentimentos que duram uma vida inteira. E tal como todos os grandes sentimentos, continha também um certo pudor e sentimento de culpa. Uma pessoa não pode apropriar-se impunemente de outra, separando-a das restantes.”

Sándor Márai, in As velas ardem até ao fim

Há pessoas que separamos do mundo, que separamos de todas as restantes, a essas damos mais, damos tudo, mas por serem tão diferentes, aos nossos olhos, de tudo, para nós tão melhores que todos os outros, que acho que também exigimos mais, muito mais. 
E não, não nos apropriamos de alguém impunemente, de alguma forma fica-nos para sempre, paradoxalmente porque nos demos, porque demos tudo. Até nos sobrar apenas vazio.

sábado, 11 de agosto de 2018

sexta-feira, 10 de agosto de 2018

[foto @terra.xoxo]

Procura-se criatura (habilitada e com as mais altas recomendações, que doutra maneira já não arrisco..) que vá benzer os electrodomésticos lá de casa. A máquina de lavar loiça já estava avariada há muito, mas agora a da roupa deu a alma ao criador e o congelador entrou em greve... a minha alma teme pelo fogão e pela companheira/amiga de todos os dias, a fiel torradeira. Hoje quase perdi a fé quando tomei banho de água fria e pensei (com todos os impropérios como música de fundo...) que também a caldeira tinha abandonado o reino (terreno) de deus - e o seu funcionamento saudável na minha morada, que, no caso, é o que mais me interessa e toca - tal têm sido os últimos desenvolvimentos das maquinetas lá de casa... no fim do banho fresquinho tomado - que faz muito bem à pele, dizem -, fui ver o que se passava, ainda eu pingava e vociferava, com os cães à minha volta... mas afinal, por alguma razão, o bicho desligou-se. Só isso, não sei porquê, mas desligou-se. Estava cansada, ou assim. Eu também fiquei a pensar em desligar-me, ou assim.
Se conhecerem alguém que benza ou exorcise os electrodomésticos ao domicilio, avisem por favor (mas só se forem habilitados e devidamente encartados, há muita gente por aí a tentar enganar o pessoal e brincar com a fé das pessoas).
[foto @hier_ist_oben]

“E um dia as coisas param de mudar, porque a casa está comprada, o carro ainda anda, o emprego não é mau, os miúdos já crescem mais devagar, e percebes que a tua vida está igual ao ano anterior, e a pessoa com quem vives está igual ou que era no ano anterior. E tens de perceber que isso é normal, que não é isso que realmente importa, que a mudança é pouco mais que uma máscara, uma distracção. As coisas não têm de ficar melhores, só têm é de ser boas.A verdadeira pergunta é: “se tudo fosse continuar exactamente como é, serias feliz?”E outra, diferente mas importante: “se todos os dias da tua vida fossem ser exactamente como hoje, que terias feito hoje de diferente?” – pensa nisto, e faz isso amanhã.”

... as perguntas certas. As respostas todas erradas. As minhas. Se todos os dias fossem como hoje morreria a saber que vivi um dia e que a vida tinha acabado muito antes de ter podido realmente começar. Só não sei onde estão os botões para mudar as coisas certas. Só temos de mudar o que não é bom, o que não chega para ser bom. Quando se tem algo bom, não é preciso mudar, não é imprescindível melhorar. Basta que continuem a ser boas, que gostemos de como são. Que as queiramos (continuar a) viver. Quando não, então temos de mudar. Alguma coisa. Ou tudo... Mas como?

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Da falta de colaboração... 
Muito pior que a afamada falta de comunicação... 
Tão difícil arranjar bons colaboradores hoje em dia... 

domingo, 5 de agosto de 2018

Apetece-me... só de olhar já parece fazer fresquinho na pele...
Refresquem-se :))
Bom domingo 


(...) “a aproximação, do que quer que seja, se faz gradualmente e penosamente - atravessando inclusive o oposto daquilo e que se vai aproximar.”
Do prefácio de A Paixão segundo G.H., Clarice Lispector

Como o que poderia, ou deveria, unir afastou mais, atravessar o seu oposto - leio estas linhas e é o que percebo, o que penso e retiro, constato, afinal. As pessoas de alma já formada são as que sabem que tudo chega devagar e às vezes pelo lado oposto. A minha será formada? E qual é o meu lado oposto? Por onde me chego pelo meu avesso? Por onde me vejo pelo que não sou?


(Clarice Lispector, in A paixão segundo G.H.)

“A insistência é o nosso esforço, a desistência é o prémio.” - suponho que é verdade, a desistência é prémio quando se fez tudo, quando se construiu, quando se chegou lá e depois de tudo isso, de saber que fizemos tudo, desistimos, não porque fomos vencidos, mas por escolha. Por poder escolher desistir, por ter ganho o direito de desistir. Por ter construído, feito tudo e, também, exactamente por sabê-lo. O prémio é talvez desistir sem (ter de) desconstruir. Talvez. Saber que se conseguiu e deixar ir, qualquer outra forma será sempre o reconhecimento de um falhanço, de uma derrota, se calhar, de termos simplesmente sido vencidos, ou de não termos, sequer, verdadeiramente tentado. Talvez.
Esta não era a página do fim, mas é muito melhor que a do fim. Acabei.

Nao percebo como dizem ser o melhor livro dela... ou se calhar percebo, porque acho que muitas vezes quando não se percebem as coisas dizem que elas são muito boas, como que insinuando que só os muito elevados as podem compreender e, logo, gostar... então muita gente diz adorar e ser muito bom - à laia do que acontece com muita “arte moderna” -,  e eu queria mesmo era perceber como, e se, o entenderam - e já agora, se mo podiam explicar, dizer o que concluíram. Porque há partes boas sim, muito boas, passagens extraordinárias, não nego, mas o melhor livro dela? Há partes que me são incompreensíveis (o problema é  meu certamente, também não o nego, não terei capacidades suficientes) e outras onde acho que se vai contradizendo ao longo do livro. Talvez seja propositado porque é a descrição duma epifania tão longa como uma viagem de várias fases, talvez se vá contradizendo, aprendendo, mudando de ideias... mas torna as coisas confusas e sem lógica ou fio condutor. E eu sem lógica sinto-me perdida, talvez. Há partes do livro em que dei comigo a pensar que ela estava numa trip só dela... e das duras.

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

[foto via @cuddleupnow]

... para se aguentar as subidas de temperatura quando se chega a casa. 
Parece-me bem. 
Ser fresco assim ‘tá bem
Ehehe 
[imagem @taxcollection]

Parece-me que estamos assim... até a loiça derrete...

Bom dia!


quinta-feira, 2 de agosto de 2018


Facing reality is often hard to do when it seems happiness is gone
You've got to learn to hide your tears and tell your heart life must go on
You've got to learn to leave the table when love's no longer being served
To show everybody that you're able to leave without saying a word

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

[foto @hana_photographer11]

Tenho uma paz podre a enraizar-se-me no peito
E uma mão cheia de vivas ironias a morder-me as entranhas.
Respiro fundo como quem dá de beber ao poço 
Sento-me no sofá com os meus demónios 
Penso num chá a frio ou em cicuta a quente
Fico-me pelo vinho, tinto.
Oiço as sarcásticas gargalhadas dos dias
E o silêncio histérico das noites claras 
Bebo um trago de olhos fechados,
Como quem engole o destino que desconhece
Falta-me dar asas aos demónios, 
Falta-me uma sede que me beba,
E uma fome que me consuma.

terça-feira, 31 de julho de 2018



... achei que ficavam bem juntas. Que se complementam, que trazem à tona o melhor uma da outra, que se completam, assim como se diz dum grande amor. E acredito nas duas, não, na verdade acredito alguma coisa na primeira, não exactamente naqueles termos, já da segunda tenho a certeza.
... tudo acontece por uma razão, no meu caso deve ser sempre pela razão errada, na altura errada.

Bom dia!

domingo, 29 de julho de 2018


[foto @annan.jasko]
Há pessoas que têm gula de vida, mas depois, na mesa servido apenas uma mistela de água com farinha, sem sal. Há quem escolha fazer disso vida, chamá-lo de vida, há até quem o coma e faça parecer que se banqueteia com gosto, e há quem se levante da mesa porque não consegue conceber uma vida passada com fome de gula e dias mal alimentados. Alguns morrem à fome, outros comem o prato sem sal que lhe derem a cada dia, e outros, os afortunados, ou os muito doidos, ou os estúpidos, às vezes conseguem satisfazer a gula e sentirem-se vivos. Às vezes isso dura a vida inteira. Outras não.
Bem sei que a gula é pecado, chamem-me pecaminosa, já mo chamaram muitas vezes... e eu nunca desgostei. E a minha gula, quando aparece, com pouco, mas sempre bom, com o que me é essência, se apazigua, ainda que não se sacie. Espero que assim continue.

Bom dia.

sábado, 28 de julho de 2018

You are what you keep no matter what and everything you try to let go.
[foto @stephtee]

Sabem por que é que a lua corou hoje? Acho que foi porque ouviu tudo o que eu queria que me sussurrassem ao ouvido, com os lábios quentes a roçarem-me a orelha... Corou. De tão púdica se calhar, será? E eu escondi-me na sombra da noite, longe do eclipse, para não me lembrar dos sussurros silenciados, espelhados na melancolia do eclipse.  Eclipse lunar do século. Mas não, ainda neste século a lua vai ser a única testemunha do que me segredarão ao ouvido. E não vamos corar, nem esconder-nos. Vamos viver e saborear lentamente o momento. Ninguém vai saber, só nós...Shhhh

sexta-feira, 27 de julho de 2018

[foto @_georgemayer]

Que todo o tempo já perdido não seja desculpa
para apelidar de tarde o medo dum futuro que ainda não se perdeu.
Que tudo o que perdi de mim por o ter entregue sem o guardarem, sem o quererem, 
não esgote em mim o dar-me, o querer, o crer.
Que a vida não me roube o que sou para me tornar no que nunca fui.
Que a desilusão não assente arraiais com raízes ávidas.
Que a luz passe pelas portas que fechámos.

quarta-feira, 25 de julho de 2018

Vamos começar o dia ao contrário, a acabar na ronha com que não começou. 
Vamos começar o dia quando estiver a acabar. 
Vamos trocar a cama pela varanda, os lençóis que fogem da pele pela luz que a inunda.
Vamos aproveitar o pôr-do-sol, como se o dia só nascesse quando as nossas pernas se entrelaçam e não sabemos onde a pele de um termina e a alma do outro começa, 
de tudo tão estar tão cosido em nós. 
Nós que não amarram, mas que desapertam o dia assim que nos estamos. 
Em nós.
Vamos fazer do fim de dia o amanhecer 
do nosso dia, de noite. 
De nós.

[será ingenuidade ou estupidez da mais pura querer, às vezes, continuar a acreditar que pode haver amores que arrasam utopias e tornam-nas possíveis, palpáveis? Se calhar, há acreditares que são só teimosias, recusas da realidade tão morna que nos esfria.]


terça-feira, 24 de julho de 2018

[foto @gabrielerigon]

Ensombra-me. 
Assombra-me.
Atreve-te.
Tento-te.
Tenta.
Consegue-me.
Faz-nos.

segunda-feira, 23 de julho de 2018

Bahhhh....
Não é verdade, mas se calhar deveria ser, porque realmente a motivação não se avista e não faço ideia de onde pára, ou o que lhe aconteceu... o mais certo é ter falecido, ou talvez desfalecido, pelo menos...

domingo, 22 de julho de 2018

E com o marulhar como fundo, um peixe ao sal com o pôr-do-sol... 
mar nos olhos e na mesa. 
Do melhor para retemperar forças, e temperar a vida, a esperança.
Cool Sun-day ;))

(Por que será que em inglês os domingos são sempre dias de sol? 
Terão algum acordo com S.Pedro?)
Bom dia!
Olha-se o negro do céu... e a alturas tantas, parece ver-se uma estrela cair num instante tão rápido que se duvida se foi realmente a queda duma estrela, um ponto de luz que desaparece num pequeno clarão que logo devolve a escuridão imensa do céu. E fico a perguntar-me que desejo faria por aquela estrela cadente... e, de repente, não respondo, não sei responder. Fico-me a vaguear pelos pensamentos do que poderá isso dizer-me, querer dizer-me. Não ter a certeza instantânea do desejo a que teria direito. Talvez não fosse uma estrela cadente. Ou talvez o desejar me tenha caído na escuridão.

sábado, 21 de julho de 2018

sexta-feira, 20 de julho de 2018

Dos pares que ficaram para a história 
com uma história gira. 

Bom dia!

quinta-feira, 19 de julho de 2018

[foto via @33thirdmedia]

É mais ou menos isto, mas sem a noitada de borga... a sensação de ressaca é a mesma, a dor de cabeça tal e qual, só a boca não me sabe a papiro... 
Dizem-me que hoje é quinta e eu ando desde sexta, todos os dias, a achar que é sexta, que amanhã é dia de ronha de manhã, de sono de rédea solta... mas nunca mais é sábado. Desde sexta passada que espero o sábado e não há quem lhe saiba o paradeiro...
...ahhh antes fosse ressaca duma noitada para ficar para a história... 

Bom dia!

quinta-feira, 12 de julho de 2018

Talvez queira dizer que há criaturas que simplesmente não dão e não estão para fantochadas... há coisas que não trocam, fingem ou condescendem (detesto esta palavra...), independentemente do lugar que ocupam ou que gostariam de ocupar. Raramente chegam longe, parece-me, mas onde chegam, chegam inteiros do que são, mesmo que o caminho os tenha  quebrado vezes sem conta.

quarta-feira, 11 de julho de 2018



... and I’m absolutely sure mine does. A lot.


[imagem via @rebelcircus]

Uivemos.
Não, não vamos esperar pela lua cheia.
Ilumina-nos cada  luar que a janela, de braços abertos, roubou ao céu, noite após noite - um infinito a cada finito.
O luar que a minha pele agora reclama é luz de alma que não se apouca, não foge e não me abandona, agiganta-se para me fazer mundo entre os seus braços, aninha-se fazendo-se ninho, toma-me como o mais pequeno raio de luz quebra toda a escuridão. 
Cada lobo sabe o que a lua lhe sussurra e lhe desperta.
Cada noite é diferente e a lua sempre a mesma, mas a janela fechou os braços. Eu não deixei de querer o mundo.
Uivo-te-me.

terça-feira, 10 de julho de 2018

Gente desta estirpe, não se acanhe, chegue-se à frente...
 estou precisada dum “reboot”. 
...se bem que hoje acho que passava o dia a dormir... 
Mas podemos marcar para amanhã...

segunda-feira, 9 de julho de 2018


[foto @evapictory]

O meu olhar só vê a superfície do que não conhece, se conhecer, atravessa a superfície como se não existisse, se não a visse - só olha o que vê por dentro. Só vê como conhece. Ou como se conhecesse. Muitas vezes não vê a diferença. Às vezes há.

[foto hier_ist_oben]

Se tens um balão que não combina com o lugar onde estás, muda de casa, muda de sala, pinta as paredes. Nao largues o balão se ele te alonga os braços para lá de onde não chegas, mas queres. Não largues o balão se o que te faz agarrá-lo é guardares lá muitos sorrisos, futuros ou só imaginados. Não largues o balão se não te agarras a ele por medo, por medo de vários medos. Não largues o balão se com ele há uma parte de ti se eleva, voa e brinca de ter asas. Não largues o balão se às vezes ele te lembra o que gostarias de ser... Muda de sala, pinta as paredes, rasga janelas em portas, arranca céus dos telhados, mas não te amputes do que queres, do que gostarias, do que te faz - de ti mesmo. Não te amputes das cores que sentes só porque te pintam em tons de cinza e te servem o mundo inteiro a preto e branco - e sentes que estás fora do lugar, sem lugar. Procura o teu sítio, e de lá faz mundo com lugar para tudo o que o teu balão leva.

[ os sítios onde uma fotografia nos leva... e a coincidência destas cores hoje serem as minhas. Só não trago o balão (que se veja...)]

domingo, 8 de julho de 2018

[foto @cam_myy]
Dos domingos... vamos comê-lo pétala a pétala, deixando o sol no meio para nos cheirar a tempo lento e a cor que a pele pede. Vamos pegar num livro, sentar numa esplanada, filtrar o mundo pelos óculos de sol e encerrá-lo para as nossas obras - brincar de observar e imaginar. Imaginar do que observamos e observar o que imaginamos. Pouco dirá mais de nós. Se ao menos alguém ouvisse.
Dos domingos... dos domingos que temos de florir. 

quinta-feira, 5 de julho de 2018

Das pequenas grandes diferenças que mudam tudo. Precisar e querer - poucos parecem perceber esta nuance, que transforma a criatura à vossa frente, mas, parece-me, que raro aos vossos olhos. Precisam muito que precisem, como se querer fosse um capricho e isso fosse mau, fosse menor. Como se sentirem-se um bem de primeira necessidade fosse uma qualquer cláusula de seguro de vida contraído. Como se tudo o que não é necessário e utilitários não fossem  as únicas coisas a tocarem-nos, a fazerem-nos felizes. A fazerem a vida fazer sentido.
Sempre ficaram magoados comigo por eu dizer que não precisava deles, mas que os queria para ser mais feliz. Preferem quem se descabela a dizer que não consegue viver sem eles, que precisa deles para viver... eu a essas criaturas chamo mulherzinhas e miúdos. 
Falta-me ainda ser realmente feliz sozinha, sem me faltar algo que vou procurando nos cantos dos dias sem encontrar... mas às vezes há um por-do-Sol com cores que se esqueceram de inventar, ou uma gargalhada que não se chega a pensar, ou um gesto tão bonito que nos imobiliza, uma frase num livro como um raio de luz que adoça a pele, ou um sorriso que chama pela alma para lhe lembrar que é possível.

Bom dia

quarta-feira, 4 de julho de 2018

Não. 
É mesmo porque tem de ser, uma pessoa tem de trabalhar... 
bahhh mas estou com uma neura... o primeiro dia só mesmo arrancado a ferros, irra!

segunda-feira, 2 de julho de 2018



Lugar é um espaço ocupado ou por ocupar, 
é um conjunto de coordenadas de possíveis  geografias.
É definido, pode ser temporário ou definitivo.

Não-lugar é sítio de alguém, é pertença que não se ocupa ou desocupa,
é a nossa geografia inerente, dentro e fora de nós.
É onde nos guardam, onde estamos sem estar.
É onde guardamos quem está sempre.

Lugar comum pode ser tudo e nada, 
é onde estão todos,
e tantas vezes não se encontra ninguém.

[esta estalagem tem alguma coisa que combina comigo,
gosto da vastidão do olhar, do reduzido ruído para os olhos.]

domingo, 1 de julho de 2018



Passo a língua pelos lábios,
o Atlântico aqui é mais salgado
Lambo o sal da pele
e engulo lágrimas antigas,
como uma prece 
a um deus só meu.
Como se os dias de sol 
fossem em sal embalsamados,
guardo o sal de ti
debaixo da língua,
do lado quente do sangue,
como se não soubesse
ao que sabe o destino,
mesmo à minha frente,
e não sendo doce,
falta-lhe o teu sal.
Mas o oceano é grande
e delicioso o sal
onde a pele
o queira lamber.

sábado, 30 de junho de 2018

Começar o dia a medir azuis com metros de olhar...
Respirar fundo e longe, deixar o coração desacelerar, 
sorrir levemente como a brisa que percorre a pele.
Sentir que a alma ainda se eriça, 
que ainda temos alma. 
Talvez azul e líquida.
Talvez ponte e caminho.

Há vidas piores, há...
Bom dia!

sexta-feira, 29 de junho de 2018



Gosto de levantar voo, não de aterrar. Gosto de sentir a aceleração que nos encosta ao banco, a urgência da pressão a que não se foge. Gosto de sentir a turbina acelerar, o som e a força, e gosto da trepidação nas pernas, o chão a tentar fugir-nos, e depois a ponta levantar e sentirmos como que um formigueiro que nos invade, nos sobe pelas pernas, que nos conquista os sentidos, e então deixamos de sentir o chão debaixo dos pés. E depois, depois navegar a espuma dos céus, com uma outra linha de horizonte. Entre o branco e o azul há uma linha que não separa, junta duas espécies de céu, duas matérias de céu. Aqui não há terra, ou não se vê, o que sendo o mesmo não é a mesma coisa para quem sabe mais do que vê. 
Gosto de levantar voo. Gosto que a aceleração me leve, sem apelo nem agravo. Mas só porque eu escolho assim. E as vezes eu escolho assim.
... Hum?
E com um ar peludo, esgazeado, bem disposto e giro destes? 

quinta-feira, 28 de junho de 2018

... não estava não. Não tenho pachorra.
 Filas só se nao puder contornar,
 como a das matrículas dos miúdos para o ano seguinte... 
bahhhh não há pachorra. 
Quase há uma hora nisto... tirem-me deste filme....

quarta-feira, 27 de junho de 2018

[imagem @hey.luisa]

Escrevo coisas estranhas, frases que me aparecem por dentro, imagens que me nascem na cabeça, coisas que nem gosto, mas que me são fortes e se desfiam quando as escrevo, quando as repito silenciosamente depois de me surgirem do nada. Como que para as entender, as dissecar. Vou puxando o fio e outras imagens surgem, outras frases se desenrolam de mim pelo que sinto. Depois é o ritmo ou o som das palavras que brincam entre si e se enredam umas às outras - como cerejas, talvez seja a cabeça que é de cereja, não os lábios, não a boca, como alguém dizia. E agora saem coisas que não gosto, mas que escrevo para quase me livrar delas, não tanto porque me transbordem mas porque quase me incomodam, porque não sou assim, ou não quero ser. Sou sombria talvez, mas não sou negra. Sombria sempre fui, mas havia uma doçura, acho, uma pureza que não me deixava cerrar as sombras ao ponto da escuridão absoluta. Sombra é luz algures, sem luz não há sombras; escuridão é ausência completa de luz. É diferente. Estou diferente, mas sinto que não sou assim. Tenho esta sensação duma tranquilidade que nada espera, dum alívio que me pesa nos ossos e os verga, esta sensação de quase paz podre que me vai, que me pode, apodrecer de dentro para fora, como quem me come o corpo pelo avesso, como quem alastra, conquistando terreno sobre mim. Que se alimenta dos fantasmas que se recusam a morrer e doem como membros amputados, sem razão - que não a memória - de terem existido, num paradoxo temporal que dá um nó num passado que nunca foi presente. E eu disseco tudo isto na minha cabeça, analiso para entender, mas entender não me faz esperançosa de luz, apenas organizada nas gavetas mentais. E tenho muitas desarrumadas. Há coisas que ainda não entendi. Lembrei-me de me dizerem que a cabeça às vezes tem truques, que prega partidas que nem o próprio percebe, e que muitas vezes o auto-sabotam. Não sei se a minha cabeça não me faz também umas partidas, uns truques que não percebo. Não sei. Sei que escrevo coisas porque os meus botões malucos mas sussurram mas não ando a gostar de as ler. Escondo-as da luz, mas saem, e eu escrevo para as poder apagar de algum sítio. Talvez de mim. Talvez da luz.
Gostava de escrever coisas luminosas, coloridas como a imaginação duma criança, com cheiros a nascentes frescas e o som salgado do marulhar do mar. Mas quando sinto alguma dessas coisas guardo-as, não as escrevo, para que não mas possam apagar. 

[foto @gregbionde]

Como se não tivesse mais nada para falar
Como se todas as palavras se emudecessem de mim

Como se eu tivesse desaparecido com o sentido 
E matado com o vácuo, o vazio
Assim, como quem vomita a própria fome

segunda-feira, 25 de junho de 2018


Alegações finais. Às vezes a vida também tem disso. Aqui, no fim dos processos, há um juiz que decide de acordo com as regras e as leis, e supostamente, com justiça. Na vida não é assim, as regras mudam de cabeça para cabeça, as leis tendem a obedecer à moral não (d)escrita de cada um, invoca-se amiúde a justiça divina mas -  ainda que muitos sejam os que julguem - não há um juiz a decidir, só as partes. E acontece muito o único acordo a que se chega seja o de não chegar a acordo nenhum. Na vida não sei quando acaba o processo, quando passa o prazo para requerimentos e junções ao processo, quando é que se sabe ter chegado a altura das alegações finais? Onde é que se sabem os prazos da vida? 
Acabou o cigarro e as divagações, comecem as alegações. Que a justiça dos homens seja servida, que os deuses sempre estiveram mortos e fora de qualquer processo.

domingo, 24 de junho de 2018

sábado, 23 de junho de 2018

[foto @jeanphilippepiterphotography]

Se eu escolhesse ser diferente do que sou,
deixaria de ser eu, posto que a escolha seria minha?
Se eu desejar ser alguém que nunca poderei ser,
não o sou já um pouco por verdadeiramente o desejar?
Nós não somos, e estamos, tanto nos nossos desejos e escolhas?

O que não somos, sendo como que o negativo do nosso ser, não nos revela? E não revela mais ainda do que somos - nessa revelação do negativo - o que desejaríamos ser mas para que nos faltam braços, mãos e olhos para agarrar?
Então, afinal, somos o que somos, ou somos a vastidão do que genuinamente desejaríamos ser? 
Ou somos só o que vamos imaginando?

sexta-feira, 22 de junho de 2018

Tenho muitos dias destes. 
É sempre sopa.
E eu estou com a Mafaldinha...
Não quero sopa.

Bom dia!

quinta-feira, 21 de junho de 2018

[foto via @cuddleupnow]

De cada beijo regressamos diferentes
ou não regressamos.

Maria Gabriela Rosas
(rapinado no sítio do xilre, não deu para resistir...)

Duvido que haja algum momento vívido
De que se tenha caminho de regresso depois de vivido.