sexta-feira, 3 de agosto de 2018

[imagem @taxcollection]

Parece-me que estamos assim... até a loiça derrete...

Bom dia!


quinta-feira, 2 de agosto de 2018


Facing reality is often hard to do when it seems happiness is gone
You've got to learn to hide your tears and tell your heart life must go on
You've got to learn to leave the table when love's no longer being served
To show everybody that you're able to leave without saying a word

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

[foto @hana_photographer11]

Tenho uma paz podre a enraizar-se-me no peito
E uma mão cheia de vivas ironias a morder-me as entranhas.
Respiro fundo como quem dá de beber ao poço 
Sento-me no sofá com os meus demónios 
Penso num chá a frio ou em cicuta a quente
Fico-me pelo vinho, tinto.
Oiço as sarcásticas gargalhadas dos dias
E o silêncio histérico das noites claras 
Bebo um trago de olhos fechados,
Como quem engole o destino que desconhece
Falta-me dar asas aos demónios, 
Falta-me uma sede que me beba,
E uma fome que me consuma.

terça-feira, 31 de julho de 2018



... achei que ficavam bem juntas. Que se complementam, que trazem à tona o melhor uma da outra, que se completam, assim como se diz dum grande amor. E acredito nas duas, não, na verdade acredito alguma coisa na primeira, não exactamente naqueles termos, já da segunda tenho a certeza.
... tudo acontece por uma razão, no meu caso deve ser sempre pela razão errada, na altura errada.

Bom dia!

domingo, 29 de julho de 2018


[foto @annan.jasko]
Há pessoas que têm gula de vida, mas depois, na mesa servido apenas uma mistela de água com farinha, sem sal. Há quem escolha fazer disso vida, chamá-lo de vida, há até quem o coma e faça parecer que se banqueteia com gosto, e há quem se levante da mesa porque não consegue conceber uma vida passada com fome de gula e dias mal alimentados. Alguns morrem à fome, outros comem o prato sem sal que lhe derem a cada dia, e outros, os afortunados, ou os muito doidos, ou os estúpidos, às vezes conseguem satisfazer a gula e sentirem-se vivos. Às vezes isso dura a vida inteira. Outras não.
Bem sei que a gula é pecado, chamem-me pecaminosa, já mo chamaram muitas vezes... e eu nunca desgostei. E a minha gula, quando aparece, com pouco, mas sempre bom, com o que me é essência, se apazigua, ainda que não se sacie. Espero que assim continue.

Bom dia.

sábado, 28 de julho de 2018

You are what you keep no matter what and everything you try to let go.
[foto @stephtee]

Sabem por que é que a lua corou hoje? Acho que foi porque ouviu tudo o que eu queria que me sussurrassem ao ouvido, com os lábios quentes a roçarem-me a orelha... Corou. De tão púdica se calhar, será? E eu escondi-me na sombra da noite, longe do eclipse, para não me lembrar dos sussurros silenciados, espelhados na melancolia do eclipse.  Eclipse lunar do século. Mas não, ainda neste século a lua vai ser a única testemunha do que me segredarão ao ouvido. E não vamos corar, nem esconder-nos. Vamos viver e saborear lentamente o momento. Ninguém vai saber, só nós...Shhhh

sexta-feira, 27 de julho de 2018

[foto @_georgemayer]

Que todo o tempo já perdido não seja desculpa
para apelidar de tarde o medo dum futuro que ainda não se perdeu.
Que tudo o que perdi de mim por o ter entregue sem o guardarem, sem o quererem, 
não esgote em mim o dar-me, o querer, o crer.
Que a vida não me roube o que sou para me tornar no que nunca fui.
Que a desilusão não assente arraiais com raízes ávidas.
Que a luz passe pelas portas que fechámos.

quarta-feira, 25 de julho de 2018

Vamos começar o dia ao contrário, a acabar na ronha com que não começou. 
Vamos começar o dia quando estiver a acabar. 
Vamos trocar a cama pela varanda, os lençóis que fogem da pele pela luz que a inunda.
Vamos aproveitar o pôr-do-sol, como se o dia só nascesse quando as nossas pernas se entrelaçam e não sabemos onde a pele de um termina e a alma do outro começa, 
de tudo tão estar tão cosido em nós. 
Nós que não amarram, mas que desapertam o dia assim que nos estamos. 
Em nós.
Vamos fazer do fim de dia o amanhecer 
do nosso dia, de noite. 
De nós.

[será ingenuidade ou estupidez da mais pura querer, às vezes, continuar a acreditar que pode haver amores que arrasam utopias e tornam-nas possíveis, palpáveis? Se calhar, há acreditares que são só teimosias, recusas da realidade tão morna que nos esfria.]


terça-feira, 24 de julho de 2018

[foto @gabrielerigon]

Ensombra-me. 
Assombra-me.
Atreve-te.
Tento-te.
Tenta.
Consegue-me.
Faz-nos.

segunda-feira, 23 de julho de 2018

Bahhhh....
Não é verdade, mas se calhar deveria ser, porque realmente a motivação não se avista e não faço ideia de onde pára, ou o que lhe aconteceu... o mais certo é ter falecido, ou talvez desfalecido, pelo menos...

domingo, 22 de julho de 2018

E com o marulhar como fundo, um peixe ao sal com o pôr-do-sol... 
mar nos olhos e na mesa. 
Do melhor para retemperar forças, e temperar a vida, a esperança.
Cool Sun-day ;))

(Por que será que em inglês os domingos são sempre dias de sol? 
Terão algum acordo com S.Pedro?)
Bom dia!
Olha-se o negro do céu... e a alturas tantas, parece ver-se uma estrela cair num instante tão rápido que se duvida se foi realmente a queda duma estrela, um ponto de luz que desaparece num pequeno clarão que logo devolve a escuridão imensa do céu. E fico a perguntar-me que desejo faria por aquela estrela cadente... e, de repente, não respondo, não sei responder. Fico-me a vaguear pelos pensamentos do que poderá isso dizer-me, querer dizer-me. Não ter a certeza instantânea do desejo a que teria direito. Talvez não fosse uma estrela cadente. Ou talvez o desejar me tenha caído na escuridão.

sábado, 21 de julho de 2018

sexta-feira, 20 de julho de 2018

Dos pares que ficaram para a história 
com uma história gira. 

Bom dia!

quinta-feira, 19 de julho de 2018

[foto via @33thirdmedia]

É mais ou menos isto, mas sem a noitada de borga... a sensação de ressaca é a mesma, a dor de cabeça tal e qual, só a boca não me sabe a papiro... 
Dizem-me que hoje é quinta e eu ando desde sexta, todos os dias, a achar que é sexta, que amanhã é dia de ronha de manhã, de sono de rédea solta... mas nunca mais é sábado. Desde sexta passada que espero o sábado e não há quem lhe saiba o paradeiro...
...ahhh antes fosse ressaca duma noitada para ficar para a história... 

Bom dia!

quinta-feira, 12 de julho de 2018

Talvez queira dizer que há criaturas que simplesmente não dão e não estão para fantochadas... há coisas que não trocam, fingem ou condescendem (detesto esta palavra...), independentemente do lugar que ocupam ou que gostariam de ocupar. Raramente chegam longe, parece-me, mas onde chegam, chegam inteiros do que são, mesmo que o caminho os tenha  quebrado vezes sem conta.

quarta-feira, 11 de julho de 2018



... and I’m absolutely sure mine does. A lot.


[imagem via @rebelcircus]

Uivemos.
Não, não vamos esperar pela lua cheia.
Ilumina-nos cada  luar que a janela, de braços abertos, roubou ao céu, noite após noite - um infinito a cada finito.
O luar que a minha pele agora reclama é luz de alma que não se apouca, não foge e não me abandona, agiganta-se para me fazer mundo entre os seus braços, aninha-se fazendo-se ninho, toma-me como o mais pequeno raio de luz quebra toda a escuridão. 
Cada lobo sabe o que a lua lhe sussurra e lhe desperta.
Cada noite é diferente e a lua sempre a mesma, mas a janela fechou os braços. Eu não deixei de querer o mundo.
Uivo-te-me.

terça-feira, 10 de julho de 2018

Gente desta estirpe, não se acanhe, chegue-se à frente...
 estou precisada dum “reboot”. 
...se bem que hoje acho que passava o dia a dormir... 
Mas podemos marcar para amanhã...

segunda-feira, 9 de julho de 2018


[foto @evapictory]

O meu olhar só vê a superfície do que não conhece, se conhecer, atravessa a superfície como se não existisse, se não a visse - só olha o que vê por dentro. Só vê como conhece. Ou como se conhecesse. Muitas vezes não vê a diferença. Às vezes há.

[foto hier_ist_oben]

Se tens um balão que não combina com o lugar onde estás, muda de casa, muda de sala, pinta as paredes. Nao largues o balão se ele te alonga os braços para lá de onde não chegas, mas queres. Não largues o balão se o que te faz agarrá-lo é guardares lá muitos sorrisos, futuros ou só imaginados. Não largues o balão se não te agarras a ele por medo, por medo de vários medos. Não largues o balão se com ele há uma parte de ti se eleva, voa e brinca de ter asas. Não largues o balão se às vezes ele te lembra o que gostarias de ser... Muda de sala, pinta as paredes, rasga janelas em portas, arranca céus dos telhados, mas não te amputes do que queres, do que gostarias, do que te faz - de ti mesmo. Não te amputes das cores que sentes só porque te pintam em tons de cinza e te servem o mundo inteiro a preto e branco - e sentes que estás fora do lugar, sem lugar. Procura o teu sítio, e de lá faz mundo com lugar para tudo o que o teu balão leva.

[ os sítios onde uma fotografia nos leva... e a coincidência destas cores hoje serem as minhas. Só não trago o balão (que se veja...)]

domingo, 8 de julho de 2018

[foto @cam_myy]
Dos domingos... vamos comê-lo pétala a pétala, deixando o sol no meio para nos cheirar a tempo lento e a cor que a pele pede. Vamos pegar num livro, sentar numa esplanada, filtrar o mundo pelos óculos de sol e encerrá-lo para as nossas obras - brincar de observar e imaginar. Imaginar do que observamos e observar o que imaginamos. Pouco dirá mais de nós. Se ao menos alguém ouvisse.
Dos domingos... dos domingos que temos de florir. 

quinta-feira, 5 de julho de 2018

Das pequenas grandes diferenças que mudam tudo. Precisar e querer - poucos parecem perceber esta nuance, que transforma a criatura à vossa frente, mas, parece-me, que raro aos vossos olhos. Precisam muito que precisem, como se querer fosse um capricho e isso fosse mau, fosse menor. Como se sentirem-se um bem de primeira necessidade fosse uma qualquer cláusula de seguro de vida contraído. Como se tudo o que não é necessário e utilitários não fossem  as únicas coisas a tocarem-nos, a fazerem-nos felizes. A fazerem a vida fazer sentido.
Sempre ficaram magoados comigo por eu dizer que não precisava deles, mas que os queria para ser mais feliz. Preferem quem se descabela a dizer que não consegue viver sem eles, que precisa deles para viver... eu a essas criaturas chamo mulherzinhas e miúdos. 
Falta-me ainda ser realmente feliz sozinha, sem me faltar algo que vou procurando nos cantos dos dias sem encontrar... mas às vezes há um por-do-Sol com cores que se esqueceram de inventar, ou uma gargalhada que não se chega a pensar, ou um gesto tão bonito que nos imobiliza, uma frase num livro como um raio de luz que adoça a pele, ou um sorriso que chama pela alma para lhe lembrar que é possível.

Bom dia

quarta-feira, 4 de julho de 2018

Não. 
É mesmo porque tem de ser, uma pessoa tem de trabalhar... 
bahhh mas estou com uma neura... o primeiro dia só mesmo arrancado a ferros, irra!

segunda-feira, 2 de julho de 2018



Lugar é um espaço ocupado ou por ocupar, 
é um conjunto de coordenadas de possíveis  geografias.
É definido, pode ser temporário ou definitivo.

Não-lugar é sítio de alguém, é pertença que não se ocupa ou desocupa,
é a nossa geografia inerente, dentro e fora de nós.
É onde nos guardam, onde estamos sem estar.
É onde guardamos quem está sempre.

Lugar comum pode ser tudo e nada, 
é onde estão todos,
e tantas vezes não se encontra ninguém.

[esta estalagem tem alguma coisa que combina comigo,
gosto da vastidão do olhar, do reduzido ruído para os olhos.]

domingo, 1 de julho de 2018



Passo a língua pelos lábios,
o Atlântico aqui é mais salgado
Lambo o sal da pele
e engulo lágrimas antigas,
como uma prece 
a um deus só meu.
Como se os dias de sol 
fossem em sal embalsamados,
guardo o sal de ti
debaixo da língua,
do lado quente do sangue,
como se não soubesse
ao que sabe o destino,
mesmo à minha frente,
e não sendo doce,
falta-lhe o teu sal.
Mas o oceano é grande
e delicioso o sal
onde a pele
o queira lamber.

sábado, 30 de junho de 2018

Começar o dia a medir azuis com metros de olhar...
Respirar fundo e longe, deixar o coração desacelerar, 
sorrir levemente como a brisa que percorre a pele.
Sentir que a alma ainda se eriça, 
que ainda temos alma. 
Talvez azul e líquida.
Talvez ponte e caminho.

Há vidas piores, há...
Bom dia!

sexta-feira, 29 de junho de 2018



Gosto de levantar voo, não de aterrar. Gosto de sentir a aceleração que nos encosta ao banco, a urgência da pressão a que não se foge. Gosto de sentir a turbina acelerar, o som e a força, e gosto da trepidação nas pernas, o chão a tentar fugir-nos, e depois a ponta levantar e sentirmos como que um formigueiro que nos invade, nos sobe pelas pernas, que nos conquista os sentidos, e então deixamos de sentir o chão debaixo dos pés. E depois, depois navegar a espuma dos céus, com uma outra linha de horizonte. Entre o branco e o azul há uma linha que não separa, junta duas espécies de céu, duas matérias de céu. Aqui não há terra, ou não se vê, o que sendo o mesmo não é a mesma coisa para quem sabe mais do que vê. 
Gosto de levantar voo. Gosto que a aceleração me leve, sem apelo nem agravo. Mas só porque eu escolho assim. E as vezes eu escolho assim.
... Hum?
E com um ar peludo, esgazeado, bem disposto e giro destes? 

quinta-feira, 28 de junho de 2018

... não estava não. Não tenho pachorra.
 Filas só se nao puder contornar,
 como a das matrículas dos miúdos para o ano seguinte... 
bahhhh não há pachorra. 
Quase há uma hora nisto... tirem-me deste filme....

quarta-feira, 27 de junho de 2018

[imagem @hey.luisa]

Escrevo coisas estranhas, frases que me aparecem por dentro, imagens que me nascem na cabeça, coisas que nem gosto, mas que me são fortes e se desfiam quando as escrevo, quando as repito silenciosamente depois de me surgirem do nada. Como que para as entender, as dissecar. Vou puxando o fio e outras imagens surgem, outras frases se desenrolam de mim pelo que sinto. Depois é o ritmo ou o som das palavras que brincam entre si e se enredam umas às outras - como cerejas, talvez seja a cabeça que é de cereja, não os lábios, não a boca, como alguém dizia. E agora saem coisas que não gosto, mas que escrevo para quase me livrar delas, não tanto porque me transbordem mas porque quase me incomodam, porque não sou assim, ou não quero ser. Sou sombria talvez, mas não sou negra. Sombria sempre fui, mas havia uma doçura, acho, uma pureza que não me deixava cerrar as sombras ao ponto da escuridão absoluta. Sombra é luz algures, sem luz não há sombras; escuridão é ausência completa de luz. É diferente. Estou diferente, mas sinto que não sou assim. Tenho esta sensação duma tranquilidade que nada espera, dum alívio que me pesa nos ossos e os verga, esta sensação de quase paz podre que me vai, que me pode, apodrecer de dentro para fora, como quem me come o corpo pelo avesso, como quem alastra, conquistando terreno sobre mim. Que se alimenta dos fantasmas que se recusam a morrer e doem como membros amputados, sem razão - que não a memória - de terem existido, num paradoxo temporal que dá um nó num passado que nunca foi presente. E eu disseco tudo isto na minha cabeça, analiso para entender, mas entender não me faz esperançosa de luz, apenas organizada nas gavetas mentais. E tenho muitas desarrumadas. Há coisas que ainda não entendi. Lembrei-me de me dizerem que a cabeça às vezes tem truques, que prega partidas que nem o próprio percebe, e que muitas vezes o auto-sabotam. Não sei se a minha cabeça não me faz também umas partidas, uns truques que não percebo. Não sei. Sei que escrevo coisas porque os meus botões malucos mas sussurram mas não ando a gostar de as ler. Escondo-as da luz, mas saem, e eu escrevo para as poder apagar de algum sítio. Talvez de mim. Talvez da luz.
Gostava de escrever coisas luminosas, coloridas como a imaginação duma criança, com cheiros a nascentes frescas e o som salgado do marulhar do mar. Mas quando sinto alguma dessas coisas guardo-as, não as escrevo, para que não mas possam apagar. 

[foto @gregbionde]

Como se não tivesse mais nada para falar
Como se todas as palavras se emudecessem de mim

Como se eu tivesse desaparecido com o sentido 
E matado com o vácuo, o vazio
Assim, como quem vomita a própria fome

segunda-feira, 25 de junho de 2018


Alegações finais. Às vezes a vida também tem disso. Aqui, no fim dos processos, há um juiz que decide de acordo com as regras e as leis, e supostamente, com justiça. Na vida não é assim, as regras mudam de cabeça para cabeça, as leis tendem a obedecer à moral não (d)escrita de cada um, invoca-se amiúde a justiça divina mas -  ainda que muitos sejam os que julguem - não há um juiz a decidir, só as partes. E acontece muito o único acordo a que se chega seja o de não chegar a acordo nenhum. Na vida não sei quando acaba o processo, quando passa o prazo para requerimentos e junções ao processo, quando é que se sabe ter chegado a altura das alegações finais? Onde é que se sabem os prazos da vida? 
Acabou o cigarro e as divagações, comecem as alegações. Que a justiça dos homens seja servida, que os deuses sempre estiveram mortos e fora de qualquer processo.

domingo, 24 de junho de 2018

sábado, 23 de junho de 2018

[foto @jeanphilippepiterphotography]

Se eu escolhesse ser diferente do que sou,
deixaria de ser eu, posto que a escolha seria minha?
Se eu desejar ser alguém que nunca poderei ser,
não o sou já um pouco por verdadeiramente o desejar?
Nós não somos, e estamos, tanto nos nossos desejos e escolhas?

O que não somos, sendo como que o negativo do nosso ser, não nos revela? E não revela mais ainda do que somos - nessa revelação do negativo - o que desejaríamos ser mas para que nos faltam braços, mãos e olhos para agarrar?
Então, afinal, somos o que somos, ou somos a vastidão do que genuinamente desejaríamos ser? 
Ou somos só o que vamos imaginando?

sexta-feira, 22 de junho de 2018

Tenho muitos dias destes. 
É sempre sopa.
E eu estou com a Mafaldinha...
Não quero sopa.

Bom dia!

quinta-feira, 21 de junho de 2018

[foto via @cuddleupnow]

De cada beijo regressamos diferentes
ou não regressamos.

Maria Gabriela Rosas
(rapinado no sítio do xilre, não deu para resistir...)

Duvido que haja algum momento vívido
De que se tenha caminho de regresso depois de vivido.

quarta-feira, 20 de junho de 2018


Não sei qual a conclusão a tirar, ponho-me a pensar em toda a história do filme e não consigo perceber se o erro fatal é ter alguém por garantido, se o problema é que há um ponto a partir do qual não se consegue perdoar quem se amou por ter tido outra prioridade que nos relega para segundo ou terceiro plano. Depois, nada, nunca mais, apaga o facto de alguém ter preferido arriscar perder o nosso amor por outra qualquer coisa que considerou mais importante (dinheiro, estabilidade, estatuto, carreira, o que for)- , ou se afinal a conclusão é que afinal há homens que não são adeptos da máxima "cada um luta com as armas que tem" (seja elas quais forem), porque vêem nesses comportamentos um carácter que depois não conseguem amar, pela mesquinhez, pela falta de grandeza de espírito (e são poucos estes seres - homens ou mulheres - parece-me). Quando ela percebe que ele se pode apaixonar pela rica e inocente e boa moribunda, já o arriscou, e ele já se sentiu secundário, já sentiu que era mais importante o dinheiro, o estatuto, tudo isso, do que ficarem os dois, era mais importante o dinheiro do que o risco de atirá-lo para os braços de outra mulher. Já percebeu e sentiu que a prioridade daquela mulher não era o que sentia por ele. Depois, quando ela percebe e tenta desfazer tudo, afastá-los, com as armas que tem, faz alguém, já às portas da morte, sofrer muito, e é aí que ele percebe que gosta dessa mulher que sofre e detesta o sofrimento que lhe estão a provocar e para o qual ele contribuiu (engraçado perceber que é pelo sofrimento que causa que percebe que gosta dela, parece uma conversa que tive há tempos...). E ainda que com a morte no corpo não lhe morreu a dignidade, nem a grandeza de espírito, tão diferente da mulher que ele sempre amou, afinal. Ela morre e deixa-lhes parte da sua fortuna, aos dois, fortuna que ele recusa terminantemente, e ela, tentando desfazer tudo o que fez, dispõe-se também a dispensá-la se ele ficar com ela (ainda) por amor. E ele já não consegue, de alguma forma já não a ama, ama aquela que morreu. Aquela que perdeu. Aquela para quem ele era a prioridade, para quem ele era tudo o que importava, que o amou assim, dessa forma, e que tentou que ele a amasse, simplesmente. E parece que no fim aconteceu. Apaixonou-se pela mulher que conheceu e que lutou por ele só com o amor por arma e a dignidade por escudo, que o conquistou com a sua inocência, e que morreu. 
Talvez a conclusão não seja nenhuma destas, talvez seja que há coisas que não se conseguem desfazer depois de feitas, não se conseguem reverter depois de subvertidas. Tomou-o por garantido, arriscou-o achando que não o fazia, ou achando que havia coisas mais importantes, mostrou nas atitudes o fundo do seu carácter, depois percebeu o erro, a inversão de prioridades, o risco, tentou desfazer tudo, mas há coisas que depois de mostradas, sentidas, deixam um travo no olhar que talvez não se dissipe facilmente. Já não a olhava nem via da mesma maneira. 
Ela perdeu tudo. Ele ganhou dois amores mortos.
E isto é coisa que me dá para pensar e pôr a cabeça em remoinho, tanto que tive de o escrever, para assentar o turbilhão, e por causa disso lembrei-me de alguém me dizer que devia ser das poucas pessoas que conhecia que quando lia alguma coisa era capaz de, logo a seguir, escrever sobre o que tinha lido e o que me ficava disso, ou via nisso. Em filmes parece que também, este chamava-se "Nas asas do amor" - o amor não tem gaiolas, não se controla, nem se pode ter preso, suponho que só podemos tentar sempre que queira, a cada dia, voar para nós. De resto não controlamos nada, nem temos ninguém, nunca, garantido. 

[tinha este texto escrito nos rascunhos há uns tempos, mas por causa dum comentário ontem lembrei-me dele - há coisas que depois de subvertidas não se podem reverter. quando sabemos que não fomos a prioridade de alguém, e quando o sabemos repetidamente por várias vezes sem margem para dúvidas das tantas dúvidas que têm, há um ponto em que deixamos de querer. É talvez a diferença entre sentir falta de algo, e ainda assim já não o querer. Porque sabemos que queremos mais. Queremos que não nos arrisquem e que não nos tomem por garantidos. O que tomamos por garantido não valorizamos. Há uma altura em que os desvalorizados percebem. ]
Adoro!
Começar assim o dia é carregar-me sempre duma energia boa... 
era melhor se fosse a caminho de férias, mas é bom de qualquer maneira 

Bom dia!

terça-feira, 19 de junho de 2018

Sobre os encontros impontuais
e a pontualidade dos desencontros.

Acontece, às vezes, 
acontecerem  impontualmente 
encontros pontuais.
Quando os adiamentos e os atrasos 
se embrulham na elasticidade do tempo à hora certa.

[Sem ricochete no elástico sff  ;) ]





[Pierre Lefebure]

Não sei onde guardas a tua essência,
se no canto esquerdo ou recanto direito,
superior ou inferior, 
se guardas no bolso de fora ou de dentro, 
ou se no avesso da luz.
Sei que da essência não se foge,
dista-se para se regressar.
Sei que a essência é epicentro
Resta saber se és terramoto 
ou mera réplica duma ausência
que já não abala.

segunda-feira, 18 de junho de 2018


Os sentimentos são paisagens áridas, imprecisas, tremeluzentes, desconfortáveis.
Dito isto, poderia fechar a porta, correr as grades, trancar o cadeado, dar a loja por encerrada, sem previsões de reabertura.
Fechados lá dentro, os sentimentos, bem, seria como se não existissem.
Talvez morressem, se desidratassem, se pulverizassem, talvez deles restasse apenas uma mancha de gordura no chão.
Em qualquer caso, emudeceriam. Ou não seriam escutados, o que vem a dar ao mesmo.
Nunca contemplei esta hipótese por mais de cinco minutos – certamente, nem tanto.
Não consigo. Não sei. Julgo que, no fundo, é o que menos quero. E que essa é a raiz da minha resistência. Crónica e aguda.
Os sentimentos são onde sei viver, onde me sinto menos morto.
Os sentimentos sou eu.
Os melhores.
Os piores.
O beijo.
A bala.
(Ou vice-versa).

Todos os nomes da intranquilidade.


Miguel Martins
[sentir será sempre uma intranquilidade, amar será sempre um risco.
Faltar-nos um afecto, um sorriso, um toque, como quem asfixia e enlouquece. Faltar-nos o amanhã pela ausência de futuro. E nessa prisão que a falta se torna, que nos tolhe, que nos reduz, que nos paralisa o de dentro, respiramos de fora, falamos por fora, vivemos fora. Mas não gritamos senão para dentro dessa prisão onde tudo se emudece e nunca se cala.
e é esse silêncio que cada um é. 
o que guardas no teu? 
sabes do que falo? 
sequer?]



[foto via @rebelcircus, não sou mocinha de coraçõezinhos...
...a não ser que sejam deste género...]

Apeteces-me.
Demoras?
Quero lamber a vida na tua pele 
Quero beber-te a vontade
Até toda a tua vontade ser minha

domingo, 17 de junho de 2018

[imagem via @33thirdmedia]
Domingos descascados sábado à noite em urgência. 
De manhã o vagar da ronha, o sorriso abananado... 
:))

Bom dia!

sábado, 16 de junho de 2018

[foto @jeanphilippepiterphotography]

Anda, vamos fazer da vida uma brincadeira.
Só hoje. Depois passa, esquecemos.
Só agora, só um tico, senão acabamos a brincar com a vida,
num faz-de-conta que vivemos... que vivemos tudo,
 e isso, depois,  não conseguimos esquecer.

Bom dia!

sexta-feira, 15 de junho de 2018

...hum hum.

[ainda que não goste muito das bolhinhas do champanhe...
...aliás em lado nenhum, por isso também não bebo cerveja, o que escandaliza muita gente.
 Talvez eu seja realmente uma moça de café ou de um bom vinho, ou até de um copinho de água - que para matar a sede não há melhor, temos de convir... champanhe é que nem por isso. Só uma tacinha para comemorar qualquer coisa... 
Mas há que variar. Mudar e assim...]

quinta-feira, 14 de junho de 2018

Os únicos que se salvam são os que não esperam por ser salvos.
Os que não pensam numa salvação, mas em passar o dia. Hoje, depois amanhã, talvez depois também. Os que inventam uma vida quando não a têm, os que a esquecem se a tiveram, pondo os olhos no amanhã e as mãos a tapar as feridas abertas até que sequem, porque sabem que nunca fecham. Mas não olham para não saber, tapam com as mãos dos dias e com a escuridão tranquila das noites. Nunca esperam ser salvos, sabem que têm de se salvar sozinhos, que não há nada, dia algum na vida, em que deixemos de estar sozinhos - nascemos sozinhos, morremos sozinhos, às vezes, entre uma e outra, distraímo-nos e pensamos que temos alguém ao lado, esperamos que esteja ao nosso lado... Mas os únicos que se salvam são os que não esperam. Nada. Ninguém. E tudo de si.
Não sei se me salvo, e tu?

quarta-feira, 13 de junho de 2018


Esbardalhei-me. 
Perdi a contagem dos degraus que desci com o "monumento" (como alguém, por piada e com piada, além de bastante imaginação, o costumava apelidar) prestes a tornar-se meras ruínas. Foi um tralho vintage, que é como quem diz, à antiga, completamente estatelada e distribuída por vários degraus das escadas exteriores do prédio. Eu que, quando vou ao chão, costumo desatar a rir-me desta vez fiquei à espera que o corpo se esquecesse do valente tralho a que se tinha acabado de submeter, ou que simplesmente eu tivesse coragem de me mexer e me doerem coisas que nem eu sabia que tinha - é frequente, acreditem. A minha filha, em pânico, só perguntava tipo disco riscado " mãe, estás bem? mãe, estás bem?", e eu ainda a tentar processar o que me doeria... enfim, nada como começar o dia a contar peças para ver se perdemos alguma pelo caminho. Além dos parafusos, que já nem contam para a contagem...
Ainda me dói tudo, e vou ficar às cores... mas nada como uma corzinha, né? 
Pronto, era só isto para parvoeira do dia, um bom dia para vocês, e cuidado com as escadas, sim?