Vamos começar o dia ao contrário, a acabar na ronha com que não começou.
Vamos começar o dia quando estiver a acabar.
Vamos trocar a cama pela varanda, os lençóis que fogem da pele pela luz que a inunda.
Vamos aproveitar o pôr-do-sol, como se o dia só nascesse quando as nossas pernas se entrelaçam e não sabemos onde a pele de um termina e a alma do outro começa,
de tudo tão estar tão cosido em nós.
Nós que não amarram, mas que desapertam o dia assim que nos estamos.
Em nós.
Vamos fazer do fim de dia o amanhecer
do nosso dia, de noite.
De nós.
[será ingenuidade ou estupidez da mais pura querer, às vezes, continuar a acreditar que pode haver amores que arrasam utopias e tornam-nas possíveis, palpáveis? Se calhar, há acreditares que são só teimosias, recusas da realidade tão morna que nos esfria.]
[será ingenuidade ou estupidez da mais pura querer, às vezes, continuar a acreditar que pode haver amores que arrasam utopias e tornam-nas possíveis, palpáveis? Se calhar, há acreditares que são só teimosias, recusas da realidade tão morna que nos esfria.]