quinta-feira, 14 de junho de 2018

Os únicos que se salvam são os que não esperam por ser salvos.
Os que não pensam numa salvação, mas em passar o dia. Hoje, depois amanhã, talvez depois também. Os que inventam uma vida quando não a têm, os que a esquecem se a tiveram, pondo os olhos no amanhã e as mãos a tapar as feridas abertas até que sequem, porque sabem que nunca fecham. Mas não olham para não saber, tapam com as mãos dos dias e com a escuridão tranquila das noites. Nunca esperam ser salvos, sabem que têm de se salvar sozinhos, que não há nada, dia algum na vida, em que deixemos de estar sozinhos - nascemos sozinhos, morremos sozinhos, às vezes, entre uma e outra, distraímo-nos e pensamos que temos alguém ao lado, esperamos que esteja ao nosso lado... Mas os únicos que se salvam são os que não esperam. Nada. Ninguém. E tudo de si.
Não sei se me salvo, e tu?

quarta-feira, 13 de junho de 2018


Esbardalhei-me. 
Perdi a contagem dos degraus que desci com o "monumento" (como alguém, por piada e com piada, além de bastante imaginação, o costumava apelidar) prestes a tornar-se meras ruínas. Foi um tralho vintage, que é como quem diz, à antiga, completamente estatelada e distribuída por vários degraus das escadas exteriores do prédio. Eu que, quando vou ao chão, costumo desatar a rir-me desta vez fiquei à espera que o corpo se esquecesse do valente tralho a que se tinha acabado de submeter, ou que simplesmente eu tivesse coragem de me mexer e me doerem coisas que nem eu sabia que tinha - é frequente, acreditem. A minha filha, em pânico, só perguntava tipo disco riscado " mãe, estás bem? mãe, estás bem?", e eu ainda a tentar processar o que me doeria... enfim, nada como começar o dia a contar peças para ver se perdemos alguma pelo caminho. Além dos parafusos, que já nem contam para a contagem...
Ainda me dói tudo, e vou ficar às cores... mas nada como uma corzinha, né? 
Pronto, era só isto para parvoeira do dia, um bom dia para vocês, e cuidado com as escadas, sim?

sábado, 9 de junho de 2018

Ahahah... muito boa!!
Mas agora podem parar com a brincadeira, sim? Só hoje, vá... 
pronto, não chover já serve, certo? Combinado? 
Inverno, hoje entretém-te no spa ou assim, 
ou fica a jogar cartas em casa, sei lá... nada de sair à rua.
Agradecida. :)

sexta-feira, 8 de junho de 2018

...na antecipação.
:))
[foto @nicoladavisonreed]

Fui levar a miúda, cheguei, tirei um café e sentei-me a tomar o café na mesa da cozinha. Pego nisto não sei porquê, não tenho nada para escrever nem me apetece, mas talvez seja um misto entre uma companhia e o ter-me lembrado de quando fazia deste primeiro café um ritual e tinha sempre alguma coisa que escrever, porque me surgia, porque me fervilhava por dentro, porque na altura ainda parecia sentir, talvez ainda não estivesse morta. Doía-me, sofria, mas não estava morta, amorfa, dormente. Agora escrevo não sei porquê, por companhia, para falar falar sozinha e ter a sensação de despejar o assunto, pôr para fora e ganhar espaço dentro. Depois dou-me a pensar que também já é um hábito, uma coisa que uso como solenes actas dos meus rafeiros monólogos interiores. É estranho. Piora quando ando numa fase que não consigo encontrar grande sentido na minha vida, no que ando cá fazer e para quê. E é assim que ando de há uns dias para cá, desde que deixei o Alentejo para trás. Se eu não retirar prazer da vida, a vida, a minha, serve-me para quê? Não tenho mais nenhuma e só a minha me pode servir para ser feliz, para me sentir bem, para ter pelo que valer a pena todas as partes menos boas que fazem parte, para ter pelo que acordar de manhã. Se não o tiver não é a minha vida que vivo, é outra qualquer, da minha filha, dos meus pais, das pessoas que a empresa sustenta, mas para mim não vivo. E isto não me serve, nunca serviu. Agora sinto-o mais ainda. Nada disto me faz sentido. Eu não sou assim. Por que é que não podemos ser só uma pequena parte de nós? Perfeitamente recortado num espelho que nos devolve o que podemos ver, o que podemos arranjar, tratar, cuidar? O que podemos ser sem nos sentirmos pequenos, ou demasiado vastos, sem procurarmos em vão um espelho onde caibamos. Um espelho onde todas as dimensões se espalmam à superfície e se reduzem em duas. Era tão bom poder ser só uma parte de mim, com as dimensões exactas do mundo onde acontece eu respirar. Talvez assim achasse que vivia e nem sabia, não o pensava. 

quinta-feira, 7 de junho de 2018

[foto via @latenightinparis]

Amo o que és pelo que sou
Como deixar de te amar
Sem deixar de me ser?

Amo o que és por tudo que sou
Por tudo o que te fez e desfez
E nos refaz

Sussurra-me o tempo...
Que ou te desfazes de ti
Ou não me refaço de ti

Se me desfaço, ficas-me
Se me guardas, fico-me em ti
E não me acabo em mim.

Se não me contenho, não me completo
Desinteiro-me inteira
Não me recomeço se me acabas.

Ou deixas de ser tu
Ou não deixo de ser tua
Sem deixar de ser eu.

ahahahaha
pois claro!! 
...nem há dúvidas!!

Ora a'tão quase bonôte... 
com a falta de luz que reina nos céus, quase que já podia ser...

terça-feira, 5 de junho de 2018


eu e tu:
as bocas fazem do beijo
a palavra não dita,
que nos refaz num só proibido
silenciado.

segunda-feira, 4 de junho de 2018

Today's mood.

Estou a ponderar pôr o seguinte aviso na porta do meu escritório:
"Favor não incomodar, caso apareça sem ser esperado 
poderá ser recebido como não espera.
Aviso à navegação feito."

Será que resultaria?
Ou não entravam, ou se entrassem eu podia, qual panela de pressão, 
justificadamente, e avisadamente diga-se, 
libertar alguma pressão, parece-me uma jogada win-win, não?

... Ainda não me habituei às pessoas outra vez, é o que é... 
eu estava tão bem pah, parece que foi ontem... bom, e foi...

domingo, 3 de junho de 2018

...parecia uma criança numa loja de brinquedos, numa enorme loja de brinquedos... 
... como se me faltassem livros para ler, mas é um vício, ou alguma coisa parecida com vício, não sei. Sei que o único que não consegui mesmo mesmo resistir foi a Campânula de Vidro, o único que custou mais de dez euros. Os outros foram pechinchas de valor seguro, os autores pelo menos, assim o fazem crer. Javier Marias estou curiosa, foi um autor que ouvi falar a primeira vez aqui na blogosfera e depois li umas coisas sobre ele, já ofereci um livro dele ao meu pai e hoje comprei este -  por menos de metade do preço do que aquele que lhe ofereci, é que assim é difícil resistir, só vos digo. Agora falta-me ir buscar um à feira do livro, mas esta aqui do burgo, que encomendei a um amigo - o Papalagui. Depois tenho de me prometer não comprar mais livros para mim até ao fim do ano (gosto de oferecer livros, mas é um perigo, normalmente acabo sempre a comprar dois, o que ofereço e aquele que estive indecisa se devia oferecer ou não... assim leio os dois normalmente ;) ). Pronto, foi uma bela maneira de acabar estes dias que me souberam a ginjas...  até me deu mais ânimo para abandonar o meu Alentejo, parar a meio caminho para me abastecer de vidas enroladas em páginas. Foi uma espécie de batota, uma paragem num apeadeiro desejado, para depois já só faltar meio caminho para a realidade... pronto, eu sei, pareço uma miúda. Isto amanhã já passou, garanto-vos.

[ahhh e os dois livros que me sugeriram o Patife e o Paper em comentários aqui no Blog também já os arranjei, o Moderato Cantabile li-o nestes dias de férias,  o Fisico Prodigioso,  que não foi fácil de arranjar, ficará para depois, entretanto comecei outro...]

Às vezes uma pessoa demora muito tempo a ver e perceber as coisas mais simples. Sem complicar, sem teorizar demais, sem tentar justificar o que não tem outras justificações, senão a óbvia. O mais difícil de ver são as dolorosas verdades óbvias. Não há falta de tempo, ou trabalho a mais, ou obrigações demais, há falta de interesse e vontade de menos, de quase nada; ou não. O tempo dura demais nas mentiras, descansa nelas, às vezes adormece. Quando se acorda com a verdade, todo esse tempo como que nos é roubado, como se tivesse sido tão curto que parece não ter existido, porque não deixou nada...  mas não raras vezes percebemos depois o tanto que levou. Receamos não recuperar a crença, o sonho, a inocência.

sábado, 2 de junho de 2018





Terra cor de fogo
Incendeia-me o coração
pelos olhos,
Enterrado em ti
Como terra tua
Semeada de
Futuros estéreis

Despertador avistado e em fuga!!...
Agarrem-me senão eu tiro-lhe as pilhas!!!...
... ou as penas, sei lá... O que quer que funcione 
para ele deixar de funcionar, tão cedo pelo menos...

Bom dia!!




Caramba... como é que estaria se não estivessem nuvens?? A luz é tal que inunda o chão. E está menos frio que há bocado. Está-se bem aqui, às quatro da manhã, de pijama já , e enrolada numa manta, a ver esta luz almofadada espectacular e a fumar um cigarro. Depois de ver um filme e ter acabado um livro.
Depois de muito tempo na escuridão os olhos habituam-se, vê-se como ao raiar da manhã, torna-se confortável, doce até, íntima. Depois o que pode ferir é a luz.

Às vezes pergunto-me se não estivesse sozinha se gozaria assim estes dias. Qual seria a probabilidade de estar aqui neste preciso momento?

sexta-feira, 1 de junho de 2018

O primeiro café do dia... é tão bom não haver horas, 
ou haver horas mas não haver horários, 
havendo tempo em vez de tudo isso.
Café...
com massagem ou sem massagem, eis a questão...
:))

quinta-feira, 31 de maio de 2018


A estrada muda, serpenteia a terra na frescura próxima do mar, e ali na cortada de Porto Covo o sorriso cola-se aos lábios, ao ritmo da música abanam-se os ombros, o corpo, rimo-nos à ideia dos moinhos de Quixote a rodopiar ventos à nossa esquerda, que não queremos combater, abrem-se as janelas ao azul estendido no céu e há qualquer coisa que me faz sentir abençoada, sortuda afinal de contas. Há dias em que me regresso, reconheço-me nos caminhos, percorro-os como quem volta ao que nunca deixou de ser. 
E porque sim, porque me apetece, porque maior parte dos desejos são fáceis de satisfazer, resolvo ir sacar umas amêijoas na companhia dum copo de vinho branco, em frente ao mar, numa esplanada deserta, só para mim. Aprecio a brisa e o marulhar... a vida como ela pode ser. 
...Chega um esperto e redesenha a paisagem com uma caravana... a sério. Não há forma de acautelar a nossa sorte da estupidez alheia... mas ele ficou com a melhor vista. A estupidez é relativa... se calhar até a sorte. 



[foto via @cuddleupnow]

Um bom correio da manhã  :))
Gosto deste.

Bom dia!