[foto @viktorkosticphotograph]
Nunca se consegue fazer o caminho de volta, as curvas mudaram de sítio, há portas que desapareceram, doutras perdemos a chave. Nunca é para trás que se encontra o destino, porque a vida é caminho que só se faz para a frente, mesmo que às vezes não pareça. Mesmo que haja curvas parecidas, sensações idênticas, portas iguais. O que encerram já não é o mesmo, o tempo passou por tudo, e se é possível voltarmos a sentir o mesmo ou parecido, há a certeza que nunca será igual. O que queremos reviver, recuperar, o que queremos replicar, é algo que recordamos com aquela intensidade porque foi espontâneo, aconteceu, apareceu-nos no caminho e vivêmo-lo bem, intensamente, e tornou-se memorável, inesquecível até - o momento viveu-nos e ficou, mas nunca por algo recuperado, imitado, copiado.
Parece-me que ao querer-se reviver se procura o impossível - replicar a espontaneidade. Nunca será igual enquanto quisermos voltar ao sítio onde, pela primeira vez, nos sentimos de uma forma que nos marcou para sempre. Só me parece haver uma maneira de continuar a viver momentos intensos e plenos, que ficam sempre, é senti-los hoje com a espontaneidade do agora, sem o segundo prato da balança que desequilibra comparações e tempos. É guardar o que tivemos e não deixar que isso nos tolha os movimentos para, espontaneamente, agora e pela primeira vez, vivermos coisas boas, sem arrastar passados nem deixar rastro, sem rastejarmos felicidades passadas.