quinta-feira, 18 de janeiro de 2018


Beijos divagando-nos devagar,
 tão vagarosamente leves, 
que o amor deixa de bater asas 
para nos pousar nos lábios 
momentos que nos falam amor 
eternamente.

terça-feira, 16 de janeiro de 2018


[foto @tarasovm]

Havia alguma coisa que queria muito dizer-lhe, ou perguntar-lhe, mas não sei sequer o quê. Havia só, quando vim embora, uma sensação de urgência que queimava. Perguntei-me o que lhe quereria dizer ou perguntar, e não achei resposta, só aquela sensação me corroía o por dentro. Como uma ferida que se quer pressionar ou uma impressão que se quer arranhar violentamente, quase de raiva, sei lá. Como se quisesse tirar qualquer coisa de dentro de mim, arrancá-la, mas não soubesse o quê, e nada me saísse - como um grito que a garganta não me cedeu, nem a voz condescendeu. Vim assim o caminho até casa, nesta loucura incógnita a que se procura o nome, a cara, o corpo para agarrar, mas onde se encontram apenas fantasmas. Talvez eu quisesse uma resposta qualquer, mas a que pergunta? Que resposta importante, verdadeiramente importante, me falta? Nenhuma. Talvez o meu desespero tenha sido esse. Não me falta saber nada. Falta-me dizê-lo. Gritá-lo.

gostar é estar junto
até quando não.

gostar é estar junto
nem que seja no passado,
o passado presente,
escondido debaixo da pele,
onde o sol não desbota
e a chuva não lava,
onde o fora não chega
e tu não sais.

gostar não é precisar,
é não precisar de gostar,
porque se gosta
sem saber precisar como
precisar é subserviente,
é utilidade.
gostar é selvagem,
serve-se a si próprio
e não serve para nada,
não é escravo de nada
senão de si mesmo

estar junto é gostar
sempre que sim.

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

...está explicado, então...
... mas as perspectivas, assim sendo, não são nada animadoras para a "je" aqui...
bahhhhh...



O nevoeiro lá fora já tapa a torre. Cá dentro, só a luz de fora. 
Não há barulho, nem dentro nem fora, só um carro passa de quando em vez. E eu aqui, agora, sem saber se fumo mais um cigarro ou se deixo o silêncio arder na penumbra. Gosto desta luz, gosto desta sala, gosto deste cadeirão em frente à lareira apagada, ainda que goste mais quando está acesa, crepitante e ardente, ou depois, quando as chamas adormecem para nos oferecer o doce calor do braseiro, que se alonga noite dentro. A rua acomoda a luz alta dos candeeiros, logo aqui ao lado, do outro, as sombras nas paredes. As pernas esticadas apoiadas na parede como tantas vezes estiveram. O cansaço assoma-me o corpo mas não me adormece o espírito, que não se cala, no silêncio desta sala. Há tanta coisa por dizer, talvez por isso o silêncio seja tão precioso, para o manter por dizer, para o manter falado para dentro. Talvez o mau silêncio seja aquele que temos connosco. Quando nada temos a falar-nos por dentro não temos nada para guardar, nada ficou por dizer. Talvez o por dizer faça parte do nascimento do porvir que podemos gerar.
O nevoeiro lá fora tapa a torre, e a árvore do vizinho mal a vejo, adivinho-a só porque a sei, e ela aqui tão perto. Há coisas que só se vêem se se souberem, e depois de as saber vêem-se sempre, mesmo com nevoeiro - apesar do nevoeiro.

sábado, 13 de janeiro de 2018


A páginas tantas:
-mas eles têm de esforçar-se, dizer, mostrar que querem conhecer a pessoa!! - diz ela... pela décima vez, mas doutra maneira...
- mas o que é que tu queres? Que caia um moçoilo de pára-quedas na varanda e diga: olá, eu sou o Zé Carlos e estou aqui para te conhecer na intenção de bons compromissos futuros? - digo eu, já em desespero de causa...
...
Mais umas páginas folheadas de conversa e:

- quando dois tímidos se encontram (nestes termos em apreço) normalmente acabam os dois a olhar um para o outro de mãos nos bolsos, cheios de vontade de as tirar... - digo eu depois de uma conversa com uma garrafa quase vazia entre nós.
- é nessa altura que tem de entrar em acção a testosterona pahh!!! - diz ela em sua defesa e em defesa da iniciativa masculina.
- ... pois, mas ele é tímido e a testosterona também...

E assim se passa o tempo de tertúlia pós-jantar... valhamedeus para as conversas de gajas, a nós vale-nos (ao menos) umas boas e sonoras gargalhas como banda sonora para tanta parvoeira...

...
...meu doce vampiro.
Agora sim... o fim de dia a começar no sofá...

[desenho @virgola_ ]

Dias que me apetecem assim: de mim para mim, num dentro e fora dum livro, nas entrelinhas do acinzentado do dia, a desfiar calores ausentes. Com a bicha aos pés depois dum passeio pelos silêncios.
Apetece, mas primeiro trincar qualquer coisa que não palavras... mesmo que não apeteça.

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018


[foto @nurukimondo1]

Hoje era daqueles dias, ou noites, que ficaria aqui a desenrolar pensamentos e palavras que não tenho tempo de pensar ou escrever. Apetecia-me conversar devagar, divagar com um copo de vinho a quatro mãos, uma conversa sem rumo traçado. Tenho a bicha aos pés a dormir, e a mim o sono ainda não me beliscou mesmo tendo dormido tão pouco, e estou aqui, no sofá, às escuras, só a luz do computador ilumina além da luz que entra pelas janelas, vinda do outro lado do mundo - o lado de fora. Estou cansada, mas hoje não estou derreada e apetecia-me descansar os dias numa conversa lenta, daquelas que se desenrolam bem à lareira e combinam com frio do lado de fora do vidro. 
Tenho tantas perguntas, tantas respostas guardadas no tempo e tanto tempo guardado por dentro. E esse para onde irá?
Vou continuar sempre assim, ou haverá um qualquer acaso na minha vida que me fará encontrar-me noutro olhar? E isso dar-me um novo mundo para olhar com os mesmos olhos? Não faço ideia do que me espera, tenho curiosidade e medo, sei que o tempo me dará as respostas que tiver, e as que não tiver far-me-à mudar as perguntas, ou matar-me antes. Depois penso no agora, no que penso, no que sinto, no que não quero sentir, no que não compreendo e nessas respostas que não tenho. Sei que me ponho a divagar e a rodar sobre mim mesma e o que vivi e o que me faltou viver - ou não faltou, só não vivi. Sei que me apetecia conversar e sentir um conforto qualquer, sei que me apeteciam uns olhos que me ouvissem com atenção e umas mãos que me falassem com carinho da doçura que lembro. Da ternura, do desejo inteiro, do sentir completo. Sei que me falta tudo, mas que tenho tudo o que preciso porque vivo, estou viva, mas não sinto. E penso que o que não se sente não existe, não para nós, não cá dentro. É como a luz que me entra na janela, vem de fora, se não a visse, se não a sentisse entrar-me nos olhos, para mim não existiria. Como não existe para um cego. E eu - agora, neste momento - existo para alguém? Agora, talvez só para esta bicha que tenho aos pés, ela sente-me porque se aninha no meu calor. Eu aninho-me ao ela precisar de mim. Preciso sempre que precisem de mim, senão parece que não me sinto existir. Como hoje. Como ontem, como há tanto tempo, e por quanto tempo? Só o tempo responderá... E o tempo que perguntas terá? E o sono quando me apagará as palavras que não saem do sítio, à volta sobre si mesmas e ao meu redor? Quero dormir, apagar a cabeça e esquecer. Esquecer que penso, esquecer que me apetecia conversar e que o vazio, às vezes, ainda me arranha a alma por dentro. Ela sente, mas já não grita. Só quer conversar, e que o passado corte rente as unhas e fale baixinho dos seus ruídos ensurdecedores. Quero descanso de mim e do tempo que me ignora, mas a que o mundo obedece cego, sem o ver passar. E eu, eu só o queria ver passar ao ritmo intemporal duma conversa sem tempo.

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018


No idea...
... with lots of ideas to do in bed...
Dormir, ler, sonhar, fechar os olhos no calor do corpo, ronhar, ouvir a chuva da madrugada de ontem como se fosse agora, recordar palavras e sinfonias, escrever, deixar o tempo passar no sorriso que se enraíza e não se desfaz no matinal até ao fim do dia, e mais umas coisitas a inventar a gosto...
E eu aqui... Bahhhhhh...

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018


[vi este video há tempos e fiquei a pensar em como a tinta se dissolve sem haver volta, como inunda tudo, depois, com os pensamentos a vaguearem soltos por outras paragens, as imagens regressaram a mim e tudo se conjugou nisto que se segue]

Duas ou três gotas de tinta conseguem dar cor a um jarro inteiro de água, dissolvendo-se, alteram toda a água, espalham-se até não se separarem mais, num caminho sem volta. Tudo ganha a mesma tonalidade - dissolvem-se, rarefazem-se, mas tomam conta. Como algumas memórias se dissolvem nalguns dos meus dias, que de repente deixam de ser meus, são tomados de passados presentes.
O mesmo momento são vários momentos, conforme o bater de cada coração, conforme o respirar de cada alma. 
Para uns serão de pouco querer, de nenhuma vontade, resume-se tudo a sonhos de suposição, de brincar de faz-de-conta. Separam o tempo e o espaço e a vida, estanques, nunca chegaram a tingir o resto do tempo. 
Para outros, é aquilo que acontece, duas ou três gotas de amor tingem litros de sangue e tantos momentos, dissolvem-se, invadem-nos, não nos largam mais, não se volta atrás, não se tira essa tinta tonta do sangue, passa a fazer parte de nós. Basta que seja amor para tudo se alterar. Para sempre. Mas é preciso que seja amor, uma reacção que altere os dois elementos, por se integrarem, por se entregarem.
Depois há as purgas, as sangrias, as transfusões rápidas ou a suposta recuperação tão lenta que até o tempo parece esquecer de entregar... 

terça-feira, 9 de janeiro de 2018


... hoje pelo menos não digo asneiras nenhumas.
Estou afónica.
Espero que seja o fim da constipação, o acenar do adeus, silencioso.

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018


Deixemos.
Os outros, os imaginativos, os criativos,
 interessantes já agora, se não for pedir demais (é que só mentirosos não vale): 
...aqui, aprocheguem-se faxafavor!!... podem fazer fila!!

Bom Dia!

domingo, 7 de janeiro de 2018



Acordo enrolada nos lençóis do amor que não tens, do amor que é teu, do amor que se te enroscava nas pernas enquanto o sono nos agarrava juntos, entrelaçados, da mão que deixavas poisada na minha pele, numa qualquer curva em que se aninhava o calor ou uma beleza que só tu vias, do amor que ouvias nos golfinhos em que o meu adormecer mergulhava e tu atentavas, dizias-me. acordo com a cabeça encaixada no teu peito, desencaixada do tempo que já não existe, dum amor que é teu e não tens, dum amor que se me alojou cá dentro e te desalojou a ti e aos vindouros. tu já não és o meu amor nem o meu amor és tu, mas o meu amor é teu e tu não o tens, respira mas não existe. como esse pedaço de peito que é meu, que me deste, que amo e não reclamo. esse peito que não guarda o meu amor que guardo no meu, num domingo de ronha que me acorda contigo dentro do nosso cheiro, enroscado na minha pele. e eu rio-me dentro dum sonho que não acorda.  nunca foi teu.

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018




"Esse papo já tá qualquer coisa
Você já tá pra lá de Marraquexe 
Mexe qualquer coisa dentro, doida 
Já qualquer coisa doida dentro mexe"


... adoro este começo, acho delicioso, e as últimas linhas acabam como se recomeça... " 'pra lá de Teerã" numa conversa doida

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018


['Icarus had a sister' @cjmunn_artist]

A maior liberdade talvez seja a de não querer ninguém, não gostar ao ponto de o querer para um nós que queremos ser.
A melhor é talvez a que se vive presa a um amor que ama correspondido, que se escolhe amar sentindo não ter escolha. 

Penso e escrevo isto, e percebo que anseio pela primeira mas desejo a segunda....
Parece-me que há muito pouca gente livre neste mundo quotidiano de reflexos e miragens, de enganos e enganados.

Só é livre quem enfrenta o medo, ou por não ter nada a perder, ou por poder perder tudo.
E é aqui que me baralho, onde o fio lógico se embrulha sem lógica, onde o fim e o começo se embrulham no meio: eu tenho medo de perder tudo o que não tenho para perder. 

terça-feira, 2 de janeiro de 2018


... pois... 
Bom, talvez sejam menos de três meses... 
estamos no início do ano,
 ainda temos as esperanças e os optimismos estupidamente intactos... ;)

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

[foto @evapictory]

... já a ver 2017 por um canudo, 
ou a avistar 2018??
Humm?

Bom dia!

domingo, 31 de dezembro de 2017


[imagem @in_somnia_]

Bom Ano de 2018.

O meu desejo talvez seja apenas o de viver um ano que pudesse depois resumir nestas cores. Esta paz, esta doçura leve, esta simplicidade que alimenta o estar bem, o sentir bem.
Duvido, tenho mesmo a certeza, que não será assim, e talvez por isso estas imagens se tenham colado na retina dos desejos. Vai ser um ano duro, difícil, com decisões muito importantes, com consequências de grande mudança, o fantasma da incerteza a rondar todos os gestos, a responsabilidade se falhar, o ter de me confrontar comigo e com as capacidades que não tenho, o imenso trabalho para desbravar além de fazer. O sentir-me perdida e sozinha no meio de tudo. E preferir não ter a lucidez de antever tudo isto psra vivê-lo depois como uma segunda vez do que ainda não aconteceu. Enfim, tudo menos estas cores de harmonia com a vida, que se respiram profundas e descansadas, de bem com os dias... e amanhã, amanhã, bem vistas as coisas, é só mais um novo dia, como todos os outros que vivemos antes dele. Dividir o tempo não o renova, nem sequer verdadeiramente o diferencia, mas talvez dê a esperança que nasce quando algo muda... nem que seja um algarismo que conta o que não pára...

A todos um 2018 cheio de bons momentos, 
dos que fazem valer a pena tudo o resto. :))




É estúpido conseguir ver tanta beleza numa coisa sem beleza nenhuma... Chuva que escorre do lado de lá do vidro, e parecem-me, assim de repente, aos olhos desentendidos que uso para ver o mundo, luzes brilhantes a estalar a escuridão numa noite de fogo de artifício - como quem seduz o céu vestida de brilhantes, a entregar-se em movimentos lânguidos.
...e o meu olhar, de pensamento perdido na magia que se dá quando a luz, a tiritar de frio e bebida por uma mísera gota de chuva, se transforma em festa luzes. É magia, não? 
É mais importante o que reflectimos ou o que somos? 
O que reflectimos não é o que somos? 
E conseguiremos reflectir o que não somos? Assim, à transparência pura duma gota de água? 
A gota é só uma gota, ou uma festa de luzes por acontecer no acaso conjugado no futuro mais-que-perfeito duma noite escura?
Depois penso naquele verso dos campos de flores... que eu imaginava os meus próprios campos de flores. Lembrei-me de quando insinuavam, ou diziam mesmo, que eu era cega, que não via o que havia para ver. Talvez tivessem razão. Alguém mais vê fogo de artifício numa chuva de estrelas a escorrer pelo vidro da janela? Só porque chove, porque há luzes que os postes da rua expiram, porque se ouve a sinfonia da chuva que toca lá fora, sob a batuta agitada do vento tão inspirado? Só porque agora tudo me parece uma festa que se dá por dentro do meu silêncio de fora... Têm razão, vejo o que não há. Sinto belezas que não nasceram senão no meu olhar de silêncio. Olho para dentro do por fora despido, visto-o com o que vejo.

É por isso que o teu sítio é sozinha. Não cabem dois na tua maluqueira esquisita.