segunda-feira, 30 de outubro de 2017


[imagem @virgola_]

Segunda de manhã... o ouriço da semana, de chinelos e a rezar por um café que nos mande para (pelo menos) quarta feira... ;))

Bom dia!

domingo, 29 de outubro de 2017

[foto @projetoamoramora]

Se a minha pele for o horizonte da tua alma,
a fronteira entre o sonho e a realidade,
limite divino do profano,
é lá que nos encontramos, 
que (nos) somos,
à margem de todas as leis,
contrabandistas de amor que não se troca.

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

[colourfall by Ian Davenport]
Viver sem paixão é (vi)ver o mundo a preto e branco. Ter sido apaixonada, conseguindo ver tons e cores que não se pintam nem explicam, e deixar de o ser, é como ficar cega - é toda uma luz que nos morre nos olhos pela pele. Será adivinhar, inventar, mentir na escuridão as cores que já não temos. Mendiga-se vida entre escalas de cinza, cinzas de paixões queimadas, cores ardidas. Cegueira fria.
Estar com alguém sem paixão é um clássico, a preto e branco, e talvez até mudo. E eu, tão fã de clássicos, clássica em tanta coisa (apelidada tanta vez de quadrada) dispensaria este, neste caso prefiro ser de modas (apaixonadas, arrebatadas, quentes), mas os clássicos são-no porque duram, resistem ao tempo, não têm cor para perder.
Talvez me renda. Mas nunca deixará de ser isso: uma rendição.

quinta-feira, 26 de outubro de 2017


..."eu sentia uma atracção por todas as coisas erradas (...). Estava instalado no nada: uma espécie de não-ser, e aceitava-o. O que não configurava uma pessoa interessante. Eu não queria ser uma pessoa interessante, era demasiado difícil" , Bukowski, in Mulheres

É engraçado quando nos identificamos com personagens que sendo tão diametralmente opostas a nós, há coisas que simplesmente são absolutamente coincidentes. Eu também me acho instalada no nada e com atracção por o que não me faz bem, acrescendo a tudo isto a certeza de que sempre achei demasiado difícil ser interessante, e talvez por isso sempre desisti muito antes de o tentar. O difícil é quem nos aceite assim, com as particularidades comuns das pessoas que não são, nem se fazem (das que se fazem há aos pontapés, mas vai-se as ver e...), interessantes, e goste, por alguma razão inexplicável, de nós. Em que a única coisa verdadeiramente interessante é esse gostar sem razão, esse gostar terrivelmente genuíno, sentido quase como uma praga ou um destino inquestionável. Talvez o que é genuíno seja interessante duma forma diferente, um interessante em parâmetros não normalizados pela maioria. Uma coisa meia sem rede, sem segurança prevista e revista pelas normas vigentes. Como o personagem, as observações que faz, o que pensa, tornam-no interessante mas completamente fora do interessante da malha social. O problema é que só alguém interessante e diferente o poderá notar: "it takes one to know one"... como uma vez apanhei numa fala do Hank do Californication (uma serie que adorava ver..), que -  parece-me -  foi baseado, em algumas coisas, neste personagem. Aliás no livro alguns amigos chamam-no Hank...

[do livro que andei a ler há uns meses e ficou-me esta nota, entre outras, nos rascunhos...]

domingo, 22 de outubro de 2017

..."o amor nos faz aproximar as coisas, habitá-las, que pelo amor as reconhecemos e que, depois de lhe recebermos a revelação, nada mais é preciso para nos sentirmos vivos."
Fernando Namora, in Domingo à tarde

... pois não, e nada mais parece faltar-nos para estarmos mortos que perdê-lo.
E não ressuscitamos, antes marinamos pelos dias como mortos vivos, umas vezes mais mortos que vivos, outras mais vivos que mortos, mas sempre numa condição em que a vida se sente como um leve murmúrio ao fundo dum túnel escavado em escuridão, que não sabemos se ouvimos ou se sonhamos

[na verdade a etiqueta está errada, não é o livro que ando a ler, já acabei outro depois deste... dias de sossego dão (também) para isso, pôr leituras e pensamentos em dia...]

sábado, 21 de outubro de 2017


E um dia o sossego vem. Não vem para ficar, só para dar umas tréguas à loucura dos últimos tempos. No ar paira o perfume a alfazema, à minha volta só campos de alfazema, oiço insectos a voar por aí e um badalar contínuo vindo do monte, e ainda, nesse longe, consigo adivinhar um cão dum lado para o outro, preto, ou escuro, pelo menos... de resto não se ouve mais nada. Olho este céu azul e penso que há dias, durante muito tempo, o dia não chegou a acordar no céu e as cores eram todas feitas de cinza. Agora as nuvens são brancas e compõem o azul claro do céu. Dizemos que tudo volta ao normal, que o tempo trata de tudo, mas na verdade só nos dá oportunidade de começar de novo noutro tempo, que nunca é igual - traz dentro todo o tempo que foi e já não é.