sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Não precisas de ver o caminho, o teu caminho sou eu... 'tás a olhar p'ra onde pahhh??
[...se nos estamparmos a culpa é tua, claro :))))) ]

... é mesmo isto...
(... e só me encontra quem vai comigo - espero eu...  ;))

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

[foto @davidbenolielphotography]

O amor comeu a minha paz e a minha guerra,
o meu dia e a minha noite, o meu inverno e o meu verão.
Comeu o meu silêncio,
a minha dor de cabeça,o meu medo da morte.


João Cabral de Melo Neto


[Depois de se sobreviver a um amor que morreu, percebemos que morreu também a diferença do dia para a noite, que se resolve num interruptor, que a paz e a guerra é uma diferença de ruídos, o inverno difere do verão só em camadas para despir, o silêncio esvazia-se e a cabeça, como o resto, não se sente. Percebemos que o amor levou tudo, até a morte.
Depois de nos comerem a vida e o depois roer os ossos, já não se sente a morte.]

quarta-feira, 6 de setembro de 2017


"Lembro-me bem do filme, mas não me lembro daquele limão ali..."

 - é do carteiro não é????

 - não. esse só tocava duas vezes... Ou estava a falar do limão ser do carteiro? Isso já não sei, não conheço nenhum carteiro com limões... eheheh

- é para a limonada depois, sede sabe?

- pois deve ser... não tinha pensado nisso...

[há sentidos de humor que encaixam tão perfeitamente em nós, que às vezes tocam-nos - não como o carteiro, sempre duas vezes, seria uma sorte serem tão poucas -, à porta da existência sobrevivente, vezes sem conta. 
Volta-se sempre aos sítios onde fomos felizes, mesmo que não queiramos, mesmo que não saiamos do lugar, amarrados que estamos ao que nos falta (sem perceber que a falta é uma coisa nossa, que só temos se a aceitarmos assim).]

... as noites de varanda e janela aberta não durarão muito mais. Noites amenas em que a brisa lava o cansaço dos corpos, e as estrelas desfazem os nós dos dias. Venham as lareiras crepitantes e o fogo que arde em sombras lânguidas que dançam nas paredes nuas. 
As noites boas só têm de despir o frio da alma que chega a casa.

terça-feira, 5 de setembro de 2017


[ foto @_georgemayer]

despimo-nos inteiros 
quando entregamos as nossas sombras 
à luz de alguém

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Reconheci aquele gesto... Numa fila interminável de trânsito a caminho do mar, o retrovisor trouxe-me à flor da pele o passado que não sei se existiu. 
Reconheci aquele gesto que vi acontecer dentro do carro atrás do meu, repetiram-mo tantas vezes, repeti-o tantas e tão menos do que gostaria. Repeti-o na memória, ali, sem tempo conjugado, entre um nada e outro, como quem cai no abismo do tudo. Reconheci naquele gesto um carinho, uma festa na cara do outro, que encontra aconchego entre o ombro e a face, moldando-se como quem quer guardar o carinho e devolvê-lo no beijo que deixa naquela mão. Enterneceu-me... a doçura, o saber dar e receber, a naturalidade de tudo - sempre estes pequenos nadas me deixaram o por dentro em turbilhão, no meio de tudo que me faz o todo. Repeti aquele gesto tantas vezes e ainda tão poucas, num lado ou outro da mão, num lado ou outro do beijo... Dei por mim a perguntar se também estes gestos, estes nadas, pedaços inteiros de tudo, se também estes não resistirão à hipocrisia... se ele mais logo vai dizer que não a suporta, que já não a pode ouvir, que até os barulhos que faz a dormir o irritam, ou se já se empurraram alguma vez no calor da raiva, se a acha ridícula quando ela se acha sensual, se se odeiam a maior parte do tempo longe dos olhos do mundo, fechando entre quatro paredes, aquilo de que as paredes os deveriam proteger. Será? Será que não há gestos resistentes à hipocrisia? À prova de hipocrisia, que só surgem genuinamente doces, ternos, naturais, sentidos, aconchegados nos momentos em que sentimos perfeitamente o avesso da pele quando paramos para recordá-los. Na altura não os pensamos, desenrolam-se ao sabor do que se sente, só - pensá-los é já o começo duma hipocrisia, duma intenção de razão calculada. 
Reconheci o gesto, seria o mesmo?
... e não há óculos para isto!!
... há quem, por isso, prefira ir apalpando o terreno... 
e vai daí, há desculpas piores  ;)
(para quem precisa de desculpas, isto é...)

Bom dia!

domingo, 3 de setembro de 2017


... de vez em quando o meu sol põe-se a norte. E a luz, a luz não é tão mansa na despedida, mas parece saber-me igualmente doce. Talvez esta doçura menos mansa, duma graça menos delicada, tenha um encanto doutra força. E eu gosto. E gosto de ouvir as conversas com pronúncia, de muitas expressões, do assobio de alguém para chamar o homem dos chapéus porque ouviu a conversa de quem não sabia assobiar alto e bom som, das pessoas sempre cheias de coração na boca, e normalmente com o coração a bater no sítio certo. 
Às vezes o sol põe-se a norte. E às vezes é o sítio certo.

sábado, 2 de setembro de 2017



'Tá bem. Combinado!
 É só questão de te arranjar uma fotografia e pores na mesinha de cabeceira...
ihihih ;))


Bom dia!!

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

[foto @stevemccurryofficial]

A casa inteira deu conta, minha filha chegou, e de repente a casa deixou de ter cantos. O silêncio subiu paredes ou rastejou pelas frestas, sumiu. Suponho só o voltar a avistar lá para a noite, se o o meu sono resistir ao dela e a tanto... já tinha saudades... (mesmo que goste e precise do meu tempo sozinha, dos meus cantos e do silêncio)

quinta-feira, 31 de agosto de 2017





pobres
dos que nenhuma vez olharam
ou foram olhados
assim.

gil t. sousa
falso lugar, 2004

[pobres dos que ainda não sabem que há olhares que permanecem depois de se fechar os olhos, e até que se olha melhor de olhos fechados, que se vê mais profundamente, melhor, verdadeiramente quem amamos. Que depois de se olhar de certa forma alguém, essa forma não desenforma, e sempre que poisamos os olhos, ou a ponta dos dedos, ou os lábios, ou a vida toda nesse alguém, vemos o mesmo. Mesmo de olhos fechados.]

quarta-feira, 30 de agosto de 2017



Toca "she" na rádio e esta luz, depois do sol se aninhar atrás do horizonte à procura doutro dia, é deliciosa. A luz desta música é esta, se tivesse de a pintar, e soubesse, era esta. "She is the reason I survive"... ora bolas, lindo.
E não há como os planos para seremm furados, telefonema, passar noutro lado... Não me apetece e aqui também já tarda, daqui a nada os últimos fiapos de luz cosem-se à noite, restam só as luzes da cidade a compor a paisagem e o tempo. E é nestas alturas que só mais um cigarro se torna a desculpa perfeita para a imobilidade. Desculpas...
[imagem @jesuso_ortiz]

Porque o dia acordou em mim quando ouvi esta música.
Porque me fez o olhar em flor de bem-me-quer e a pele em paixão de agarrar 
...e o corpo, o corpo, ondula-se e sorri, porque esta música tem esse efeito em mim. Ainda, apesar dos anos e de eu ser miúda das primeiras vezes que a ouvi. Ou talvez por isso mesmo.


Bom Dia

terça-feira, 29 de agosto de 2017


Começar o dia na esplanada costumeira, o que não é costume. Uma prenda que tinha de ser comprada, a iniciação para os mais pequenos de um autor que não é dos meus preferidos, mas que é larga e profundamente apreciado. O próximo será, espero, de alguém que gosto. Temos de deixar que os outros tenham opinião e devemos ajudar a que se forme, dando acesso à variedade e deixando-os depois ter as suas preferências, as suas escolhas. Que podem não ser as minhas. A liberdade é isso, poder escolher - respeitar a liberdade (que enche tantas bocas...) é respeitar as escolhas e, acima de tudo, deixar escolher. E eu, que não tenho no conceito de liberdade uma bandeira indiscutível sem fronteiras, como pareço perceber em tanta gente (que depois até nem sabe respeitar as escolhas dos outros ou o direito a elas...),  tenho este princípio por fundamental, que muitas vezes me tem saído caro.
Hoje o dia começou de maneira diferente, e é bom quando os dias iguais começam assim, no meio dos livros e com um café diferente que dá os bons dias a quem já escapou por um triz... e eu acrescento desde que não seja da vida. Dessa convém não escapar, e por larga medida ;)

Bom dia.

domingo, 27 de agosto de 2017


... cheira a mar.
Cheiro o mar
Mas não cheiro a mar
Ondas ondulam beijos na areia
Enrolam e desenrolam à minha frente
Embrulho-me de pés secos 
Entro no mar 
Esqueço onde deixei os pés.
Verdade.
As pessoas ficam-nos pelo que nos fizeram sentir, bom ou mau. Quando é bom, muito bom, viciamo-nos nessa sensação e procuramo-la depois nos cantos onde já não estamos, e depois disso onde gostaríamos, ou pensamos, que poderíamos vir a estar, mesmo sem sabermos onde ficam.

sexta-feira, 25 de agosto de 2017


Ahahahah

Depois de ler isto, dizer à tracção às quatro lá de casa, em volume sonoro generoso, que asneiras fez e que não pode voltar a fazer, e as caras que ela faz, tudo ganhou uma nova dimensão... :D

Bom Dia!

quinta-feira, 24 de agosto de 2017


[foto @tarasovm]

Às vezes acho que os homens preferem ficar com criaturas que precisam deles para mudar lâmpadas do que simplesmente para conseguirem ser mais felizes. É mais fácil saber quando a lâmpada está fundida e é preciso mudar, do que manter acesa (sem se saber como) a felicidade no olhar de alguém.

Bom conselho, autêntico ouro sobre azul. 
Resta conseguir, e saber, como fazer tal proeza a todas as horas, nas horas que as coisas boas nos vêm misturadas nas memórias que acordam sem razão, nas horas que sem querer um sorriso se lembra de voltar a sorrir quando ouve uma música, quando passa naquela curva que tem aquele beijo de berma de estrada a meio duma viagem, quando se ouvem expressões (as vezes silenciosamente, só com a cabeça a brincar connosco), que eram a nossa língua e isso me inquieta e nem deus, qualquer que seja, me vale... Nas horas em que a tristeza aperta, ou a incompreensão rasga horas a fio, ou a noção clara da desconsideração gritante, aí é fácil, aí nada-se nesse azul a braçadas longas e vigorosas. Até nos sentimos renascer. O pior é conseguir sequer molhar o pezinho quando o que foi bom, por artes de memórias e outras magias, nos inunda, nos afoga a razão e nos traz ancorado o coração. Estúpido.

quarta-feira, 23 de agosto de 2017


[ foto @tarasovm]

Já não me lembro da última vez que almocei sozinha, e faz-me falta o tempo sozinha. O tempo de ter longas conversas comigo, com as minhas palavras. Tenho-me agora demasiado sem palavras, sinto-me falta nisso, disso, e fico pior quando leio coisas antigas, onde parecia que as palavras me encontravam, me diziam exactamente na correcta e desmedida medida em que não me sei conter, como uma veia da alma que me alimentava e, ao mesmo tempo, me purgava . Agora é como se não achasse a ponta do novelo, como se ele me fugisse a cada tentativa, como se as palavras me escorressem do olhar sem as ver, e com isso o novelo se intrincasse cada vez mais. Cada vez mais em dias cada vez mais planos e lisos.
Ponho-me a pensar no que tenho a fazer, no lado pragmático da vida, nos afazeres das mãos que prendem a cabeça, e parece que isso me leva sempre à encosta sombria da vida, onde a vida é mais escassa, ainda que a frescura da sombra se possa desfrutar melhor, falta-lhe muita coisa. Falto-me demais e gosto-me menos assim.
Hoje há empresa, e depois supermercado e depois casa e varanda. Ontem adormeci na varanda, pela brisa da noite com o dia cansado esgotado no corpo. Acordei, despi-me e assim me enfiei nos lençóis, só eu e o calor que o corpo tranca sem deixar que outras mãos o respirem, o transpirem. A pele nua, só vestida de mim, de alma desabrigada em solidão. Este corpo que sinto cada vez mais meu, cada vez mais eu. 
Onde ando eu que me perdi de mim onde agora me acho mais eu?

segunda-feira, 21 de agosto de 2017




"Non! Rien de rien,
Non! Je ne regrette rien.
Ni le bien, qu'on m'a fait,
Ni le mal, tout ça m'est bien égal!

Non! Rien de rien,
Non! Je ne regrette rien.
Car ma vie, car mes joies,
Aujourd'hui, ça commence avec toi!"

Não, não sou moça de arrependimentos. Tenho muita dificuldade em olhar para trás e identificar algo de que me arrependa. Não costumo fazer nada importante assim tão irreflectido, por puro impulso, por isso tudo o que fiz sei porque o fiz, e sei exactamente qual a razão que me levou a fazê-lo, mesmo aquelas coisas em que terei chegado à conclusão estarem erradas, mas essa conclusão é posterior, é estando depois em posse de mais informações, que não tinha quando decidi, quando fiz o que fiz a cada momento. Por isso não há como me arrepender, não há como criticar as minhas decisões à luz do momento em que foram tomadas, ou melhor, eu não as critico, certamente haverá muito quem critique e fizesse diferente de mim, mas eu, eu fazendo o meu balanço, não me arrependo; e a única crítica que geralmente me faço é de acreditar demasiado nas pessoas e de me dar inteira quando me entrego a alguma coisa - sem me proteger, como me dizia alguém há dias. 
Não me arrependo. As coisas mais estúpidas que fiz na vida foi por amar e acreditar que se pode amar sem razão, sem esperar troco contado ou por contar - até sem esperança. Dar, porque nada mais nos faz sentido senão sentir, sentir mesmo sem rótulos, sem querer, ou sem ter por onde fazer caminho que nos leve a algum lado. Amar só por poder amar, poder entregar o amor imenso que nos cresce por dentro quando olhamos alguém. Sentir só, e acreditar que também sentem, e isso ser a única coisa que faz sentido, e a única de que não é possível alguém se arrepender. Ou pelo menos eu. Por muito que tudo para trás tenha doído, por tudo o que terá sido, e ficado, incompreendido. Por muito que tenha matado em mim tanta coisa e tornado amores possíveis em impossíveis por insuficiências várias. Ainda assim, fui sempre eu, disso não há como me arrepender. O que sobrou fui também eu - este eu. Desfeito, refeito, demasiado imperfeito. Mas eu. Para o bem e para o mal. Da próxima vez serei eu também, mas espero que desta vez para o bem...


[foto @omomarts]

Bom dia!
(é tão bom quando o nosso dia começa à hora que se quer, em que os lençóis navegam a pele até que ela acorde, quando finalmente o sono nos larga o corpo, quando a ronha já se esgotou devagar e docemente como quem se espreguiça de vida... e o dia se emaranha no olhar sem pressas.... Há um sorriso que nasce na pele e se reflecte no olhar... podia ser sempre assim, não?)

sábado, 19 de agosto de 2017


Eheheh...
A constatação do óbvio... com muita piada. 
Haja sentido de humor.

quinta-feira, 17 de agosto de 2017


... é tão bom estar longe, dizer muitos disparates, discutir ideias e rir e fazer (muitas) tontices... faz-nos sentir mais o que somos e quem somos. É bom conhecer gente diferente, alguns que podem ficar para a frente, outros que pertencerão sempre a estes momentos. 
Noites boas, tropicais, exóticas, do calor que se cola a pele e escorre gargalhadas e conversas que nos depuram a essência. As essências. O tempo que pára sem nunca deixar de correr (demais).

terça-feira, 15 de agosto de 2017


Pausa para café, descanso e galhofa. 
Depois lê-se isto:
"Coffe and love are best when they are hot" 
True.
;)

domingo, 13 de agosto de 2017

 Banho tomado... cabelo molhado, e um cigarro a sós... há dias que não tenho este luxo...um bocadinho de mim para mim.
... Estou cansada e o calor aqui é de desfazer ossos, acabei o cigarro, o cabelo está quase seco, e esta deusa continua a olhar para mim tanto como olho para ela, mas não há comunicação. Às vezes há olhares que não se entendem, se calhar são só vazios e não têm nada para dizer, mesmo que pareça que sim. Não são feitos no mesmo mundo.

sexta-feira, 11 de agosto de 2017


... fazer das feridas 
cicatrizes com estilo... 
... e (ainda) ganhar espinha!!   ;)

Bom Dia!

quinta-feira, 10 de agosto de 2017


... e é isto.
Como típica tuga...

Bom dia!
Deito-me na minha varanda, embrulhada numa manta quente de histórias, 
e ponho-me a contar as estrelas que não vejo.

(E talvez a vida sejam apenas diferentes versões disto)

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

segunda-feira, 7 de agosto de 2017


As nuvens vão-se desfiando enquanto dançam a música do vento. Parecem fumegar nesse desfiar de movimentos sobre o azul onde as estrelas, agora adormecidas, se escondem na luz.



... às vezes acontece-me surpreender-me num espelho inesperado e não me reconhecer logo, como se a imagem que os outros vêem de mim - quando a vejo -não pareço eu. 
Eu, que me vejo só no avesso da pele, em pensamentos que se falam para dentro, em coisas que não saem desta caixinha que é o corpo, que guarda a alma e a expande com todos os sentidos da pele, tudo aquilo que nos identifica como pessoas e, principalmente, para nós mesmos - aquilo que não se vê. 
É como com a voz, quando ouvimos a nossa voz gravada nunca parecemos nós - ou melhor, nunca nos parece a voz que temos por nossa. A mim, com o corpo, com a aparência, acontece-me o mesmo. Acontece-me olhar para um espelho fora da órbita normal, ou fora da órbita da minha atenção, e, quase em sobressalto, dou conta que sou eu. Muitas das vezes a surpresa não é boa, mas essas vezes curiosamente não me chocam muito, já as outras sim. E hoje aconteceu isso, com a luz rasa de fim de dia, com o sol já a abraçar o horizonte, com aquela luz dourada que acalma o meu próprio horizonte, dei pelo reflexo de mim no retrovisor do carro. E gostei. Gostei da cor, gostei do cabelo caído em desarranjo, gostei da simplicidade do fio que tem a esfera precisamente numa covinha que gosto - havia um filme que me marcou, um dos filmes da minha vida, que falava precisamente nessa covinha, não naquilo que alguém chamava de saboneteiras, também elegantes, entre o pescoço e os ombros, não, era aquela covinha singela de que ele não sabia o nome e não sabia como seria possível um lugar tão bonito de feminilidade não ter nome, e que no filme ele reclamava para ele. Nunca me esqueci da covinha do filme do paciente inglês.
...Gostei de ver a imagem do espelho e afinal era eu. Curiosamente era eu, estranhamente era eu. Não que fosse uma imagem muito bonita, ou marcante, ou de assinalar, só me surpreendeu ser eu. Havia qualquer coisa que eu gostava ali, e que depois, analisando mais atentamente, era algo tremendamente meu, e melhor que isso, eu gostei dela... a simplicidade, a pele nua, as orelhas despidas, o cabelo despreocupadamente caído com a espontaneidade do momento. Muito eu, e incrivelmente, era mesmo eu, acabei por registar o mais próximo da imagem que vi no retrovisor, porque me passou tudo isto pela cabeça. Porque às vezes não me pareço o meu corpo e não me reconheço nele. Outras sim, outras ainda, depois de o reconhecer meu, gosto, pelos motivos mais estranhos, nas alturas mais improváveis, como ir há dias de jipe (sim, acho que sou mesmo mocinha de jipe, ando a pensar cada vez mais nisso e na quantidade de coisas que eu não tinha descoberto de mim), com o meu irmão, acabado de chegar, ao supermercado da vila a uns Kms de distância. 
Gostei. Estranho, hum?

Bom dia!

sexta-feira, 4 de agosto de 2017


-Quem és tu Zé Gato??
-.....

(Mas o que é a criatura está a fazer à minha cauda?... estou tramada...)

...olha também eu. Está visto. Não me safei. E agora estou o protótipo da cota-encalhadinha-mor... filha, cadela e gata. Sim... tudo meninas, parece que esta casa não aceita machos... parece o destino a falar alto.

Bom dia!

quinta-feira, 3 de agosto de 2017


Ahhhhhh já tenho saudades...
Dolce fare niente...
E sabem que mais? Não me safei. Estou metida em sarilhos... eu não bato bem, cada vez tenho mais provas disso... valhamedeus e a minha santa estupidez...

terça-feira, 1 de agosto de 2017

segunda-feira, 31 de julho de 2017



Deixa de fora da janela o azul - o pintado e o do céu que todos falam, pintam, olham e gastam sem provar -, vê-me, deixemos a luz fria lá fora e deixa-me iluminar pelo teu olhar.
Deixemos as grades trancar do lado de fora - só agora, mas para sempre agora - o mundo que não somos, para livres nos sermos inteiros por dentro e por fora.
Deixa, que o mundo de fora se for nosso, se for uma forma de nós, vem parar cá dentro. Não te inquietes, que o dentro é o que nos faz parte.
Deixemos que a nossa pele mate a fome dos sentidos e a alma a sede de vida que transborda o real. Deixemos o azul lá fora para quem quer agarrar o céu e se habituou a mãos vazias. Dá-me a tua mão, que as minhas são tuas, e o nosso céu é este chão onde nos deitamos a amar-nos em todas as cores que os olhos ainda não conhecem.
Poisa todas as tuas cores na minha boca, deixa-as entrar em mim, fazerem casa, serem casa. Desfia uma nuvem de algodão doce e cose a tua boca à minha, só assim, agora, em fio de sonho...
Agora, e para sempre agora.


[mas agora, agora, já mesmo, é mergulhar ali em baixo que o calor coze-nos por dentro em lume brando... Quero fresco. Quero esquecer tudo o resto. Deixá-lo aqui a repousar em palavras. ]

domingo, 30 de julho de 2017




... e o paraíso é não raras vezes no fim do mundo, ou depois, onde começam outros mundos...
Seja como for há lugares a que se regressa, sabores que ficam, memórias que se colam à pele como o sol.
Sacas que há coisas que se tornam rituais de Verão, como as amêijoas que lambem os dedos? ;)

sexta-feira, 28 de julho de 2017


... das noites alentejanas, dos céus rede-de-estrelas apanhadas na escuridão do vazio, céus abertos até ao horizonte suavemente distante. Da lua minimalista, relegado para papel secundário num espectacular manto negro picado de brilhantes. 
O fim do mundo às vezes parece o lugar onde sempre me (re)começo, onde parece que me deixei num tempo imemorial que ainda não era tempo, e tem sempre um cenário despovoado e idílico. Dos sítios para ficar que não se contam (mas devia estar tão melhor tratado, arranjado, dá-me vontades e ideias...).

quinta-feira, 20 de julho de 2017

... estava.
Posso voltar? posso? posso?... 
mas já, não daqui a umas 14 horas... que isso não vale.
...eu gosto de dormir é de manhã, é quando se dorme melhor, à noite há sempre muita coisa para pensar e entreter os sonhos, que não dormir...de manhã o sol ainda está em testes, ainda é muito criança, parece que até no sol prefiro a maturidade, e nunca tinha pensado nisso... eheh

Bom dia

quarta-feira, 19 de julho de 2017


[Manuel António Pina]

Anúncio da solução 
para uma vida 
à sua altura (a certa)
 sem incógnitas.

Bom dia!



[ imagem de une femme mariée, Jean-Luc Godard]


se o meu amor o pagas com indiferença,
é indiferente as saudades que sinto,
e se as sinto calo-as.

troco-as por cubos de gelo nas pálpebras,
onde poisavas os teus beijos,
portas da minha alma,
por onde entras sem pedir licença.

dizem que o frio do gelo,
faz esquecer a dor, ou a dor esquecer
que não me pagas com o teu amor o meu,

então,
amor com amor se paga
indiferença troca-se por indiferença
saudades mentem-se com saudades caladas
e o frio que me dás ofereço-to ao cubo


(Tantos anos depois de o ter escrito como se fosse ontem, encontrei-lhe o encaixe perfeito... fosse tudo assim na vida...)

terça-feira, 18 de julho de 2017

[foto @kat_at_nyc]

Vivo na trágica constância
do meu esquecimento contornar cada memória de ti... 
como se houvesse imunidade ao tempo,
como se a vontade não passasse de ironia.

Como aquele olhar que a escuridão não cega.
Como aquele silêncio que as palavras não calam.

...uma luz que me cega de gritos.

segunda-feira, 17 de julho de 2017

....ahhhhhh não há nada como começar a semana com boas notícias!!!
ehehehhehe
...também devia haver destas notícias de estudos que se debruçassem sobre a temática do café, conjugando as duas, a  probabilidade de uma pessoa ficar cá para semente devia aumentar consideravelmente.... 
(talvez eu assim deixasse de fumar, se há coisa que me assusta é viver para além da conta razoável...)

Bom dia!

domingo, 16 de julho de 2017



[foto @tarasovm]


Chocalhos de azul
Trocos do mar
Que guarda nos bolsos
O mar que me dá o troco
Das lágrimas a mais que lhe entreguei

Chega de sal... então
Dá-me o troco em sussurros
guardados baixinho dentro de búzios
Que se ouvem sempre
Para lembrar os segredos
Que entregámos ao mar 
para nos trazer o que foi, o que fomos
... E ele esqueceu, 
Para não nos lembrar.

Trocos de lágrimas que já não choramos.
Chocalhos de ondas
Que nos lembram
O que vai
E o que há-de vir
Molhar-nos os pés de azul


... dos domingos de luz que entra branda pela janela, 
que nos desperta devagar, 
que nos faz aconchegar sorrisos entre sombras e ajeitar a pele entre os lençóis, 
como quem recorda a frescura da água e o marulhar bom do mar que nos espera...

Bom dia 

sábado, 15 de julho de 2017


Aqui à espera do café (sem açúcar, como diz o Xilre, é coisa de que nunca mais se regressa...) pus-me a olhar para o vestido cortinado... não é propriamente coisa que normalmente combine comigo, mas não sei porquê (talvez vontade de mudar, sei lá...) resolvi comprá-lo. Ainda guardado no saco, numa noite de saída com irmão e amigos, vi uma mocinha vestida com um igual. Aproveitei para fazer uma sondagem... olha lá mano que achas tu daquele vestido? É muito tipo cortinado? Vira-se uma amiga e avisa-o " cuidado com o que respondes, isto é pergunta com armadilha... o meu irmão responde acho que nem para cortinado da casa de banho pah... depois mais outras respostas dentro do género, até que pronto, confessei: comprei um igual... a melhor reviravolta de tentativa de resposta foi "ahh para cortinado é horrível mas para vestido até fica bem..." ahahajahah bom, foi risada total. 
Não o troquei e já o vesti duas ou três vezes, talvez continue a não combinar muito comigo, mas combina com um dia de sol quente de fim de semana. Tipo hoje. Talvez combine com aquilo que eu gostava de combinar.

(Outra memorável foi do meu irmão: "...vê lá se alguém se engana na janela e tenta abrir o cortinado errado... vê lá, vê lá...")

... e nunca mais alguém o viu...
Puffff

Bom dia!

sexta-feira, 14 de julho de 2017

[Foto @projetoamoramora]

(coisa mai'linda de se ler... do Eros)

[...dois corações: 
um era teu inteiro e perdeste-o;
o outro era teu mas nunca o tiveste no sítio,
 (como tanta coisa...)]


Era bom que tudo na vida viesse assim: com um roadbook e cerejas frescas para refrescar os lábios e sumos para morder por dentro da boca. Tudo isto em dias de céu azul e cenários dourados a passarem à velocidade de nos fazerem bater o coração um pouco mais além, ao lado de quem nos aconchega a meninice um pouco mais perto.
Gosto de cerejas como de conversas, da velocidade que arrepia a pele e do vagar que embala o olhar, do sol como do frio que pede lareira. Gosto de gostar de coisas e às vezes acho que já não gosto a sério de nada. 
É possível desacreditarmo-nos da beleza? Das coisas, das pessoas, dos sorrisos francos, do que se sente sem querer sentir?

Bom dia!