sexta-feira, 25 de agosto de 2017


Ahahahah

Depois de ler isto, dizer à tracção às quatro lá de casa, em volume sonoro generoso, que asneiras fez e que não pode voltar a fazer, e as caras que ela faz, tudo ganhou uma nova dimensão... :D

Bom Dia!

quinta-feira, 24 de agosto de 2017


[foto @tarasovm]

Às vezes acho que os homens preferem ficar com criaturas que precisam deles para mudar lâmpadas do que simplesmente para conseguirem ser mais felizes. É mais fácil saber quando a lâmpada está fundida e é preciso mudar, do que manter acesa (sem se saber como) a felicidade no olhar de alguém.

Bom conselho, autêntico ouro sobre azul. 
Resta conseguir, e saber, como fazer tal proeza a todas as horas, nas horas que as coisas boas nos vêm misturadas nas memórias que acordam sem razão, nas horas que sem querer um sorriso se lembra de voltar a sorrir quando ouve uma música, quando passa naquela curva que tem aquele beijo de berma de estrada a meio duma viagem, quando se ouvem expressões (as vezes silenciosamente, só com a cabeça a brincar connosco), que eram a nossa língua e isso me inquieta e nem deus, qualquer que seja, me vale... Nas horas em que a tristeza aperta, ou a incompreensão rasga horas a fio, ou a noção clara da desconsideração gritante, aí é fácil, aí nada-se nesse azul a braçadas longas e vigorosas. Até nos sentimos renascer. O pior é conseguir sequer molhar o pezinho quando o que foi bom, por artes de memórias e outras magias, nos inunda, nos afoga a razão e nos traz ancorado o coração. Estúpido.

quarta-feira, 23 de agosto de 2017


[ foto @tarasovm]

Já não me lembro da última vez que almocei sozinha, e faz-me falta o tempo sozinha. O tempo de ter longas conversas comigo, com as minhas palavras. Tenho-me agora demasiado sem palavras, sinto-me falta nisso, disso, e fico pior quando leio coisas antigas, onde parecia que as palavras me encontravam, me diziam exactamente na correcta e desmedida medida em que não me sei conter, como uma veia da alma que me alimentava e, ao mesmo tempo, me purgava . Agora é como se não achasse a ponta do novelo, como se ele me fugisse a cada tentativa, como se as palavras me escorressem do olhar sem as ver, e com isso o novelo se intrincasse cada vez mais. Cada vez mais em dias cada vez mais planos e lisos.
Ponho-me a pensar no que tenho a fazer, no lado pragmático da vida, nos afazeres das mãos que prendem a cabeça, e parece que isso me leva sempre à encosta sombria da vida, onde a vida é mais escassa, ainda que a frescura da sombra se possa desfrutar melhor, falta-lhe muita coisa. Falto-me demais e gosto-me menos assim.
Hoje há empresa, e depois supermercado e depois casa e varanda. Ontem adormeci na varanda, pela brisa da noite com o dia cansado esgotado no corpo. Acordei, despi-me e assim me enfiei nos lençóis, só eu e o calor que o corpo tranca sem deixar que outras mãos o respirem, o transpirem. A pele nua, só vestida de mim, de alma desabrigada em solidão. Este corpo que sinto cada vez mais meu, cada vez mais eu. 
Onde ando eu que me perdi de mim onde agora me acho mais eu?

segunda-feira, 21 de agosto de 2017




"Non! Rien de rien,
Non! Je ne regrette rien.
Ni le bien, qu'on m'a fait,
Ni le mal, tout ça m'est bien égal!

Non! Rien de rien,
Non! Je ne regrette rien.
Car ma vie, car mes joies,
Aujourd'hui, ça commence avec toi!"

Não, não sou moça de arrependimentos. Tenho muita dificuldade em olhar para trás e identificar algo de que me arrependa. Não costumo fazer nada importante assim tão irreflectido, por puro impulso, por isso tudo o que fiz sei porque o fiz, e sei exactamente qual a razão que me levou a fazê-lo, mesmo aquelas coisas em que terei chegado à conclusão estarem erradas, mas essa conclusão é posterior, é estando depois em posse de mais informações, que não tinha quando decidi, quando fiz o que fiz a cada momento. Por isso não há como me arrepender, não há como criticar as minhas decisões à luz do momento em que foram tomadas, ou melhor, eu não as critico, certamente haverá muito quem critique e fizesse diferente de mim, mas eu, eu fazendo o meu balanço, não me arrependo; e a única crítica que geralmente me faço é de acreditar demasiado nas pessoas e de me dar inteira quando me entrego a alguma coisa - sem me proteger, como me dizia alguém há dias. 
Não me arrependo. As coisas mais estúpidas que fiz na vida foi por amar e acreditar que se pode amar sem razão, sem esperar troco contado ou por contar - até sem esperança. Dar, porque nada mais nos faz sentido senão sentir, sentir mesmo sem rótulos, sem querer, ou sem ter por onde fazer caminho que nos leve a algum lado. Amar só por poder amar, poder entregar o amor imenso que nos cresce por dentro quando olhamos alguém. Sentir só, e acreditar que também sentem, e isso ser a única coisa que faz sentido, e a única de que não é possível alguém se arrepender. Ou pelo menos eu. Por muito que tudo para trás tenha doído, por tudo o que terá sido, e ficado, incompreendido. Por muito que tenha matado em mim tanta coisa e tornado amores possíveis em impossíveis por insuficiências várias. Ainda assim, fui sempre eu, disso não há como me arrepender. O que sobrou fui também eu - este eu. Desfeito, refeito, demasiado imperfeito. Mas eu. Para o bem e para o mal. Da próxima vez serei eu também, mas espero que desta vez para o bem...


[foto @omomarts]

Bom dia!
(é tão bom quando o nosso dia começa à hora que se quer, em que os lençóis navegam a pele até que ela acorde, quando finalmente o sono nos larga o corpo, quando a ronha já se esgotou devagar e docemente como quem se espreguiça de vida... e o dia se emaranha no olhar sem pressas.... Há um sorriso que nasce na pele e se reflecte no olhar... podia ser sempre assim, não?)

sábado, 19 de agosto de 2017


Eheheh...
A constatação do óbvio... com muita piada. 
Haja sentido de humor.

quinta-feira, 17 de agosto de 2017


... é tão bom estar longe, dizer muitos disparates, discutir ideias e rir e fazer (muitas) tontices... faz-nos sentir mais o que somos e quem somos. É bom conhecer gente diferente, alguns que podem ficar para a frente, outros que pertencerão sempre a estes momentos. 
Noites boas, tropicais, exóticas, do calor que se cola a pele e escorre gargalhadas e conversas que nos depuram a essência. As essências. O tempo que pára sem nunca deixar de correr (demais).

terça-feira, 15 de agosto de 2017


Pausa para café, descanso e galhofa. 
Depois lê-se isto:
"Coffe and love are best when they are hot" 
True.
;)

domingo, 13 de agosto de 2017

 Banho tomado... cabelo molhado, e um cigarro a sós... há dias que não tenho este luxo...um bocadinho de mim para mim.
... Estou cansada e o calor aqui é de desfazer ossos, acabei o cigarro, o cabelo está quase seco, e esta deusa continua a olhar para mim tanto como olho para ela, mas não há comunicação. Às vezes há olhares que não se entendem, se calhar são só vazios e não têm nada para dizer, mesmo que pareça que sim. Não são feitos no mesmo mundo.

sexta-feira, 11 de agosto de 2017


... fazer das feridas 
cicatrizes com estilo... 
... e (ainda) ganhar espinha!!   ;)

Bom Dia!

quinta-feira, 10 de agosto de 2017


... e é isto.
Como típica tuga...

Bom dia!
Deito-me na minha varanda, embrulhada numa manta quente de histórias, 
e ponho-me a contar as estrelas que não vejo.

(E talvez a vida sejam apenas diferentes versões disto)

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

segunda-feira, 7 de agosto de 2017


As nuvens vão-se desfiando enquanto dançam a música do vento. Parecem fumegar nesse desfiar de movimentos sobre o azul onde as estrelas, agora adormecidas, se escondem na luz.



... às vezes acontece-me surpreender-me num espelho inesperado e não me reconhecer logo, como se a imagem que os outros vêem de mim - quando a vejo -não pareço eu. 
Eu, que me vejo só no avesso da pele, em pensamentos que se falam para dentro, em coisas que não saem desta caixinha que é o corpo, que guarda a alma e a expande com todos os sentidos da pele, tudo aquilo que nos identifica como pessoas e, principalmente, para nós mesmos - aquilo que não se vê. 
É como com a voz, quando ouvimos a nossa voz gravada nunca parecemos nós - ou melhor, nunca nos parece a voz que temos por nossa. A mim, com o corpo, com a aparência, acontece-me o mesmo. Acontece-me olhar para um espelho fora da órbita normal, ou fora da órbita da minha atenção, e, quase em sobressalto, dou conta que sou eu. Muitas das vezes a surpresa não é boa, mas essas vezes curiosamente não me chocam muito, já as outras sim. E hoje aconteceu isso, com a luz rasa de fim de dia, com o sol já a abraçar o horizonte, com aquela luz dourada que acalma o meu próprio horizonte, dei pelo reflexo de mim no retrovisor do carro. E gostei. Gostei da cor, gostei do cabelo caído em desarranjo, gostei da simplicidade do fio que tem a esfera precisamente numa covinha que gosto - havia um filme que me marcou, um dos filmes da minha vida, que falava precisamente nessa covinha, não naquilo que alguém chamava de saboneteiras, também elegantes, entre o pescoço e os ombros, não, era aquela covinha singela de que ele não sabia o nome e não sabia como seria possível um lugar tão bonito de feminilidade não ter nome, e que no filme ele reclamava para ele. Nunca me esqueci da covinha do filme do paciente inglês.
...Gostei de ver a imagem do espelho e afinal era eu. Curiosamente era eu, estranhamente era eu. Não que fosse uma imagem muito bonita, ou marcante, ou de assinalar, só me surpreendeu ser eu. Havia qualquer coisa que eu gostava ali, e que depois, analisando mais atentamente, era algo tremendamente meu, e melhor que isso, eu gostei dela... a simplicidade, a pele nua, as orelhas despidas, o cabelo despreocupadamente caído com a espontaneidade do momento. Muito eu, e incrivelmente, era mesmo eu, acabei por registar o mais próximo da imagem que vi no retrovisor, porque me passou tudo isto pela cabeça. Porque às vezes não me pareço o meu corpo e não me reconheço nele. Outras sim, outras ainda, depois de o reconhecer meu, gosto, pelos motivos mais estranhos, nas alturas mais improváveis, como ir há dias de jipe (sim, acho que sou mesmo mocinha de jipe, ando a pensar cada vez mais nisso e na quantidade de coisas que eu não tinha descoberto de mim), com o meu irmão, acabado de chegar, ao supermercado da vila a uns Kms de distância. 
Gostei. Estranho, hum?

Bom dia!

sexta-feira, 4 de agosto de 2017


-Quem és tu Zé Gato??
-.....

(Mas o que é a criatura está a fazer à minha cauda?... estou tramada...)

...olha também eu. Está visto. Não me safei. E agora estou o protótipo da cota-encalhadinha-mor... filha, cadela e gata. Sim... tudo meninas, parece que esta casa não aceita machos... parece o destino a falar alto.

Bom dia!

quinta-feira, 3 de agosto de 2017


Ahhhhhh já tenho saudades...
Dolce fare niente...
E sabem que mais? Não me safei. Estou metida em sarilhos... eu não bato bem, cada vez tenho mais provas disso... valhamedeus e a minha santa estupidez...

terça-feira, 1 de agosto de 2017

segunda-feira, 31 de julho de 2017



Deixa de fora da janela o azul - o pintado e o do céu que todos falam, pintam, olham e gastam sem provar -, vê-me, deixemos a luz fria lá fora e deixa-me iluminar pelo teu olhar.
Deixemos as grades trancar do lado de fora - só agora, mas para sempre agora - o mundo que não somos, para livres nos sermos inteiros por dentro e por fora.
Deixa, que o mundo de fora se for nosso, se for uma forma de nós, vem parar cá dentro. Não te inquietes, que o dentro é o que nos faz parte.
Deixemos que a nossa pele mate a fome dos sentidos e a alma a sede de vida que transborda o real. Deixemos o azul lá fora para quem quer agarrar o céu e se habituou a mãos vazias. Dá-me a tua mão, que as minhas são tuas, e o nosso céu é este chão onde nos deitamos a amar-nos em todas as cores que os olhos ainda não conhecem.
Poisa todas as tuas cores na minha boca, deixa-as entrar em mim, fazerem casa, serem casa. Desfia uma nuvem de algodão doce e cose a tua boca à minha, só assim, agora, em fio de sonho...
Agora, e para sempre agora.


[mas agora, agora, já mesmo, é mergulhar ali em baixo que o calor coze-nos por dentro em lume brando... Quero fresco. Quero esquecer tudo o resto. Deixá-lo aqui a repousar em palavras. ]

domingo, 30 de julho de 2017




... e o paraíso é não raras vezes no fim do mundo, ou depois, onde começam outros mundos...
Seja como for há lugares a que se regressa, sabores que ficam, memórias que se colam à pele como o sol.
Sacas que há coisas que se tornam rituais de Verão, como as amêijoas que lambem os dedos? ;)

sexta-feira, 28 de julho de 2017


... das noites alentejanas, dos céus rede-de-estrelas apanhadas na escuridão do vazio, céus abertos até ao horizonte suavemente distante. Da lua minimalista, relegado para papel secundário num espectacular manto negro picado de brilhantes. 
O fim do mundo às vezes parece o lugar onde sempre me (re)começo, onde parece que me deixei num tempo imemorial que ainda não era tempo, e tem sempre um cenário despovoado e idílico. Dos sítios para ficar que não se contam (mas devia estar tão melhor tratado, arranjado, dá-me vontades e ideias...).

quinta-feira, 20 de julho de 2017

... estava.
Posso voltar? posso? posso?... 
mas já, não daqui a umas 14 horas... que isso não vale.
...eu gosto de dormir é de manhã, é quando se dorme melhor, à noite há sempre muita coisa para pensar e entreter os sonhos, que não dormir...de manhã o sol ainda está em testes, ainda é muito criança, parece que até no sol prefiro a maturidade, e nunca tinha pensado nisso... eheh

Bom dia

quarta-feira, 19 de julho de 2017


[Manuel António Pina]

Anúncio da solução 
para uma vida 
à sua altura (a certa)
 sem incógnitas.

Bom dia!



[ imagem de une femme mariée, Jean-Luc Godard]


se o meu amor o pagas com indiferença,
é indiferente as saudades que sinto,
e se as sinto calo-as.

troco-as por cubos de gelo nas pálpebras,
onde poisavas os teus beijos,
portas da minha alma,
por onde entras sem pedir licença.

dizem que o frio do gelo,
faz esquecer a dor, ou a dor esquecer
que não me pagas com o teu amor o meu,

então,
amor com amor se paga
indiferença troca-se por indiferença
saudades mentem-se com saudades caladas
e o frio que me dás ofereço-to ao cubo


(Tantos anos depois de o ter escrito como se fosse ontem, encontrei-lhe o encaixe perfeito... fosse tudo assim na vida...)

terça-feira, 18 de julho de 2017

[foto @kat_at_nyc]

Vivo na trágica constância
do meu esquecimento contornar cada memória de ti... 
como se houvesse imunidade ao tempo,
como se a vontade não passasse de ironia.

Como aquele olhar que a escuridão não cega.
Como aquele silêncio que as palavras não calam.

...uma luz que me cega de gritos.

segunda-feira, 17 de julho de 2017

....ahhhhhh não há nada como começar a semana com boas notícias!!!
ehehehhehe
...também devia haver destas notícias de estudos que se debruçassem sobre a temática do café, conjugando as duas, a  probabilidade de uma pessoa ficar cá para semente devia aumentar consideravelmente.... 
(talvez eu assim deixasse de fumar, se há coisa que me assusta é viver para além da conta razoável...)

Bom dia!

domingo, 16 de julho de 2017



[foto @tarasovm]


Chocalhos de azul
Trocos do mar
Que guarda nos bolsos
O mar que me dá o troco
Das lágrimas a mais que lhe entreguei

Chega de sal... então
Dá-me o troco em sussurros
guardados baixinho dentro de búzios
Que se ouvem sempre
Para lembrar os segredos
Que entregámos ao mar 
para nos trazer o que foi, o que fomos
... E ele esqueceu, 
Para não nos lembrar.

Trocos de lágrimas que já não choramos.
Chocalhos de ondas
Que nos lembram
O que vai
E o que há-de vir
Molhar-nos os pés de azul


... dos domingos de luz que entra branda pela janela, 
que nos desperta devagar, 
que nos faz aconchegar sorrisos entre sombras e ajeitar a pele entre os lençóis, 
como quem recorda a frescura da água e o marulhar bom do mar que nos espera...

Bom dia 

sábado, 15 de julho de 2017


Aqui à espera do café (sem açúcar, como diz o Xilre, é coisa de que nunca mais se regressa...) pus-me a olhar para o vestido cortinado... não é propriamente coisa que normalmente combine comigo, mas não sei porquê (talvez vontade de mudar, sei lá...) resolvi comprá-lo. Ainda guardado no saco, numa noite de saída com irmão e amigos, vi uma mocinha vestida com um igual. Aproveitei para fazer uma sondagem... olha lá mano que achas tu daquele vestido? É muito tipo cortinado? Vira-se uma amiga e avisa-o " cuidado com o que respondes, isto é pergunta com armadilha... o meu irmão responde acho que nem para cortinado da casa de banho pah... depois mais outras respostas dentro do género, até que pronto, confessei: comprei um igual... a melhor reviravolta de tentativa de resposta foi "ahh para cortinado é horrível mas para vestido até fica bem..." ahahajahah bom, foi risada total. 
Não o troquei e já o vesti duas ou três vezes, talvez continue a não combinar muito comigo, mas combina com um dia de sol quente de fim de semana. Tipo hoje. Talvez combine com aquilo que eu gostava de combinar.

(Outra memorável foi do meu irmão: "...vê lá se alguém se engana na janela e tenta abrir o cortinado errado... vê lá, vê lá...")

... e nunca mais alguém o viu...
Puffff

Bom dia!

sexta-feira, 14 de julho de 2017

[Foto @projetoamoramora]

(coisa mai'linda de se ler... do Eros)

[...dois corações: 
um era teu inteiro e perdeste-o;
o outro era teu mas nunca o tiveste no sítio,
 (como tanta coisa...)]


Era bom que tudo na vida viesse assim: com um roadbook e cerejas frescas para refrescar os lábios e sumos para morder por dentro da boca. Tudo isto em dias de céu azul e cenários dourados a passarem à velocidade de nos fazerem bater o coração um pouco mais além, ao lado de quem nos aconchega a meninice um pouco mais perto.
Gosto de cerejas como de conversas, da velocidade que arrepia a pele e do vagar que embala o olhar, do sol como do frio que pede lareira. Gosto de gostar de coisas e às vezes acho que já não gosto a sério de nada. 
É possível desacreditarmo-nos da beleza? Das coisas, das pessoas, dos sorrisos francos, do que se sente sem querer sentir?

Bom dia!

quarta-feira, 12 de julho de 2017


Há moças que por muito que façam, por muito que frequentem semanalmente cabeleireiros e afins, não têm como disfarçar... pronto... aquela falta de qualquer coisa... Mas não faz mal, compensam noutras. Algumas vê-se claramente poderem ter sido casos de sucesso a fazer carreira na publicidade: há dias em que parecem uma esfregona, noutros têm um ar mais levezinho... parecem um espanador vaporoso e bastante despenteado (é com certeza do pó que têm de espanar, mas dizem que é do vento que apanham com a velocidade dos dias...), noutros parecem sobreviventes dum choque com um aspirador (provável choque frontal a velocidade moderada, vá)... é isso, há pessoal que nitidamente passou ao lado duma carreira de sucesso em publicidade de artigos auxiliares de limpeza, mas de luxo, claro - sempre tudo de luxo e de primeira qualidade - a erudição em matéria de limpeza... O cabeleireiro semanal, as unhas sempre bem encomendadas, as mãos e os pézinhos, sempre com o esfreganço em dia, estão lá para o atestar...

tssss tssss, Olvido aiiii
(há dias em que também me dá para isto, chega a todos ou quase... esta saiu-me agora por ver esta imagem, sempre dá para rir... enfim, podia ser pior... ou não...)



Será que os olhos esgotam a beleza? Como se a sorvessem do prato estendido na paisagem? 
Será que depois de muito saborearem aquela beleza, todos os dias ali à mão do olhar, enjoam? Deixam de se nutrir dela? Deixa de ser bela? 
Será que um dia, se esta beleza me inundar os olhos todos os dias, eu vou deixar de sentir o dourado das searas a pentear-me os sentidos?... e as sombras das árvores já não vão parecer fugir-lhes dos pés, esticando-se lânguidas e vagarosas - como duram os momentos saborosos -, rastejando-se, sempre rasas ao horizonte, no final do dia como quem se abandona devagar para mergulhar na essência da noite, tão absorvente?
Será que o olhar se habitua à beleza como à luz ou à escuridão?... até mal dar por ela, até já não saber que é bela? 
Será que estamos condenados ao cansaço de tudo o que gostamos? Será que um dia olhamos e já não vemos nada que nos acorde a alma, que nos desperte vida, como um dia se sentiu olhando exactamente a mesma paisagem?
Não quero. Quero apaixonar-me por alguma coisa a vida inteira. Alguma coisa que na minha vida possa ser paixão inteira.

sexta-feira, 7 de julho de 2017


Cerro os olhos e cai morto o mundo inteiro
Ergo as pálpebras e tudo volta a renascer
(Acho que te criei no interior da minha mente)

Saem valsando as estrelas, vermelhas e azuis,
Entra a galope a arbitrária escuridão:
Cerro os olhos e cai morto o mundo inteiro.

Enfeitiçaste-me, em sonhos, para a cama,
Cantaste-me para a loucura; beijaste-me para a insanidade.
(Acho que te criei no interior de minha mente)

Tomba Deus das alturas; abranda-se o fogo do inferno:
Retiram-se os serafins e os homens de Satã:
Cerro os olhos e cai morto o mundo inteiro.

Imaginei que voltarias como prometeste
Envelheço, porém, e esqueço-me do teu nome.
(Acho que te criei no interior de minha mente)

Deveria, em teu lugar, ter amado um falcão
Pelo menos, com a primavera, retornam com estrondo
Cerro os olhos e cai morto o mundo inteiro:
(Acho que te criei no interior de minha mente.)


Sylvia Plath
Tradução de Maria Luíza Nogueira

[cerro os olhos... e queria morto o meu mundo inteiro - o que criei a partir de ti, contigo dentro da minha mente. nenhum existe, mas a mente persiste. mente.]

quinta-feira, 6 de julho de 2017


(...)
Excuse me for a while,
Turn a blind eye
With a stare caught right in the middle


Have you wondered for a while
I have a feeling deep down?
You're caught in the middle

If a lion, a lion roars would you not listen?
If a child, a child cries would you not forgive them?

(...)

[...das heranças boas que algumas pessoas deixam sem deixarem  com a partida mágoa ou dor ou nada de muito fundo, talvez o segredo seja mantermo-nos apenas à tona dos afectos, onde nunca pode faltar o ar, ou então, então poderemos precisar de ser fortes porque há coisas bem fundo em nós que custam a partir muito depois da partida de quem as começou e cultivou e cativou. Depois é preciso aprender a viver nas profundezas de nós, e a profundidade é sempre solitária. Ou quase sempre.]
ahahahhahahaha...
oh pah desatei-me a rir...
... se bem que com a qualidade "que assiste" (como dizia o outro) a muitos dos nossos jornalistas, ainda iam conseguir estragar o título. Há um exemplo caricato cá no jornal do burgo onde se lia "faltou a luz na rua Visconde da mesma"... 
Bom dia!

(há que rir, que eu já não me lembro da última vez que me ri com vontade de dentro mesmo... e temos de começar por algum lado) 

quarta-feira, 5 de julho de 2017


[foto @kat_in_nyc]


A lua está grande e meia amarelada, baixa, quase a bater nas luzes quentes da cidade alta. Ouve-se uma mota ruidosa ao fundo da avenida e pessoas na conversa no Avenida. Aqui, vejo e oiço o que os olhos e ouvidos me dão e, como com tudo o resto, nada faço com isso, sou um corpo condutor de coisas do mundo - passam por mim e não ficam  (ainda que algumas me fiquem... dou por mim a sussurrar-me entre os dedos das palavras que aqui calo). 
Onde está a minha voz e o meu grito no meio do ruíudo surdo do mundo? Onde está o grito se a alma já não fala nem cala, se desaprendeu a respirar na asfixia das noites trémulas de luar? Onde está a luz, se os olhos já não vêem e a lua não grita na pele?... Até o cigarro já se calou.


terça-feira, 4 de julho de 2017

[foto @olheosmuros]

... nope.
 Foi.
 Já não é. 
Há que manter a dieta.

segunda-feira, 3 de julho de 2017


[foto @parkwaydrive9]

Procuro-me nos postais de paisagens óbvias de desertos que já foram oceanos, perco-me na névoa dos dias claros como quem entra num labirinto à procura dum mapa. Sei onde quero ir, não sei por onde chegar. E não chegando não me sei. Sei que o mapa sou eu e o labirinto sou eu, mas não sabem um do outro e eu não sei onde pus a chave dos dias que trazem no horizonte os versos que os sobrepõem e me destrancam para o que sempre fui. O reverso do verso é a poesia dos dias que me escorre por entre os dedos.
Onde é que está aquela camada de instantes que nos contém e estende ao mundo? Que é pele que sente o por fora e fala por dentro? 

domingo, 2 de julho de 2017


Do mood que se quer domingueiro, com cores assim, tranquilas, leves... ainda que nem sempre seja assim, só de olhar para isto sossega-me o olhar.
(Não encontrei autoria)
Bom dia :)

... depois, às vezes, uma pessoa até fica tentada a acreditar que realmente deus existe... ... valhamedeus... e se existir que se manifeste (também) assim. Amén.

sábado, 1 de julho de 2017



"Mas como é que uma pessoa pode abrir os olhos quando os olhos já estão abertos?"
Paul Auster, Homem na escuridão 

[... Sim, como? Disseram-me muitas vezes que depois de ter aberto os olhos era muito difícil voltar a fecha-los para a realidade que se viu, como se nada se tivesse sabido e visto (mas até isso foi, também, mentira), mas e como despertar o espírito quando já vimos o que havia para ver, mas isso não parece fazer-nos acordar para essa realidade como realidade?]


...isto deve ser para me lembrar que devia ter ido trabalhar hoje à tarde, mas deu-me a inevitabilidade da preguiça aliada à susceptibilidade da procrastinação... a modos que peguei na tracção às quatro e viemos tomar café à esplanada das leituras... dois kms para cá, daqui a bocado mais dois para lá. Entretanto, entre a vinda e a ida, o café continua sem açúcar. Não há nada como as decisões não serem decididas, aparecerem-nos por dentro, simplesmente como evidências. Assim são tão naturais que não custam. Às vezes parece incrível... porque não é com tudo assim? Com todos os açúcares?

sexta-feira, 30 de junho de 2017


Lua

Habita o sonho
Desabita a vida

Habituada a ver
Desabituada de tocar

Tão dentro da alma
Tão longe da pele


quinta-feira, 29 de junho de 2017


... acredito pois... às vezes a razão é sermos estúpidos...
Há fases más e outras não... pior é quando já estamos no ponto de não distinguir umas de outras... algo vai mal, já não é uma fase é o quadro todo...
[foto @me_and_orla]

Chegou a casa com o sol a debruçar-se sobre o horizonte, poisa as chaves, a carteira e a pasta carregada de papéis, desce dos saltos - primeiro um, dois passos à frente o outro. Descalça encaminhou-se para a porta de vidro que lhe pareceu mais pesada que em qualquer outro dia. Lentamente correu-a e a brisa logo caminhou pela sala levando parte do peso que lhe curvavam os ombros desde manhã. A madeira do alpendre, debaixo dos pés, ligeiramente aquecida pelo sol que insistiu em embrenhar-se durante todo o dia, criava um conforto mono a cada passo. Sentou-se no cadeirão e poisou o olhar no horizonte, procurando deixar-se lá. Fechou os olhos, tentando abandonar-se, evadir-se de pensamentos, esvaziar-se de quotidiano, e vazia deixou-se ficar na escuridão das pálpebras descidas, ouvindo apenas a sua respiração e o chilrear dos pássaros que não via. Deixou-se estar, tentando saborear uma paz que lhe era sempre fugidia de tão ilusória. Lembrou-se da frase que lhe surgira durante o dia enquanto os saltos calcorreavam a calçada na correria a que ultimamente se dedicava, "pensas logo existes", e ela, num curto circuito de palavras, apanhou um pequeno choque quando o contrário se iluminou: quem pensa não tem tempo para existir: existe menos. As existências não pensadas existem melhor, e mais. E agora, ali descalça, de olhos fechados, queria apenas existir não pensando. Reduzir a existência apenas à essência de ser, se pudesse ser. Um sorriso pareceu assomar-lhe os lábios, como a brisa que levemente remexeu as folhas da árvore que lhe invadia o alpendre todas as primaveras, mas de que mal se dava conta. A respiração pareceu distrair-se, já não dava por ela, e nesta distracção surpreendeu-a o pulsar do coração fora do sítio... sentia o coração nas mãos, aliás, na ponta dos dedos, algo lhe palpitava por dentro e sentia-o nos dedos que terminavam as mãos vazias. Houve um enrugar da testa que alguém se teria apercebido se a observasse. Depois o coração sentiu-o nos joelhos, numa espécie de formigueira ritmado que parecia um coração, algum coração perdido de si, seguiu-se o pescoço e o colo, e foi então que instintivamente levou a mão ao coração, para lhe tomar o pulso, e não, não estava lá, não sentia nada. O coração havia desaparecido, não batia no sítio, espalhou-se pelo corpo, perdeu-se. Sentiu chegar-lhe uma ansiedade sem razão, como um pressentimento de algo que estaria para chegar sem ser anunciado, ou algo essencial que fugiu sem razão conhecida. Só se lembrava de se sentir assim de todas as vezes que àquela mesma hora fazia tempo para esperar pelo amor que não seria nunca da sua vida, mas que foi. Aí ainda tinha o coração no sítio, agora parecia ter desaparecido e sentia-o apenas ao longe, espalhado pelo corpo, a palpitar à ressonância de um coração que ela não trazia no peito. Abriu os olhos, viu à sua frente, muito parado, um pequeno pássaro a olhar para ela. Ficaram assim não sabem quanto tempo, num instante que parou o relógio, a perscrutarem-se pelo olhar, até que ele bateu asas rumo ao anoitecer que já se instalava. Deixou de sentir aquela ansiedade, o coração a palpitar onde lhe faltava colada outra pele que lhe levou o coração do peito havia muito tempo... respira fundo, pesado, e de entre os lábios houve um sussurro que ficou por ouvir "Existe melhor quem não pensa, vive melhor quem não sente. Viver é aprender a bater asas."

segunda-feira, 26 de junho de 2017


Recado ao próximo amor.
Nós fazemos - fabrico próprio, receita caseira.
Cumprimentos,
A Gerência