sexta-feira, 12 de maio de 2017


...Há deslizes e deslizes...
e depois há quem tropece. Irremediavelmente. 
É uma chatice, não se sai do chão...
mas pode-se aproveitar para deslizar na mesma

[@bertrandlivreiros]

... mas há noites em que os fecho
 como se já fosse demasiado tarde, 
e as asas já não saibam voar para longe, lá, 
onde me deixo para sonhar sossegos.

quinta-feira, 11 de maio de 2017


E já há algum tempo que não... qualquer dia faz-me falta...
uma asneira ou outra...

(hoje apetece-me acabar o dia assim com disparates bem dispostos... há qualquer coisa a saber-me bem no dia... acho que é a sensação de me testarem e darem com as trombinhas na própria estupidez, fazerem braço de ferro, armados em homenzinhos, e partirem... ladram muito mas mordem pouco e só onde eu deixo... e agora vou-me pirar que realmente é uma boa deixa para deixar no ar...)

True Love Waits - Radiohead (A Moon Shaped Pool) from Finn Callan on Vimeo.


Talvez se embalarmos baixinho o passado ele adormeça e nós possamos acordar-nos o presente do agora - pensava eu, e procurei música com os dedos para me acalmar por dentro dos ouvidos, talvez para embalar... mudei para o cd sem saber qual estava lá dentro, saiu-me isto:


"I'm not living, I'm just killing time
Your tiny hands, your crazy-kitten smile

Just don't leave
Don't leave

And true love waits
In haunted attics
And true love lives
On lollipops and crisps"



Tirei-o para comprovar: está escrito a marcador preto, pela mão dum passado que ainda me treme e contrai, nalguns instantes, diversas eternidades ("alguns", penso que dizer agora "alguns" é uma vitória arrancada a muitas noites e dias em que me arranquei de mim para sobreviver-me... e ecoa-me a música... "I'm not living, I'm just killing time" ) .
Tive vontade de o atirar janela fora, mas mudei só para rádio outra vez, não sou moça para isso - para atirar coisas pela janela do carro, entenda-se...

(e se calhar para o resto também não... mas há dias em que as ganas me assomam as atitudes...)

Começou a chover, ouvia-se do sofá, vim para a varanda. Estou aqui enrolada na manta e sentada no degrau... oiço a chuva a refilar, ela a dizer mata o vento a dizer esfola, e as goteiras assustadas parecem tinir o medo dos inocentes. Sento-me mais para trás, mais dentro de casa, porque há gotas mais atrevidas e querem chegar a todo lado, e já me chegaram ao nariz e à maquineta que trago nas mãos a escrever. Gosto destes sons, gosto de ver a cortina de gotas gordas e frias a contraluz no candeeiro de luz quente da rua, gosto da chuva a cair, a lavar os dias do chão, a cair pesada, a arrastar o que já caiu. Devia haver uma chuvada assim na minha vida. Devia. Mas provavelmente só apanhava uma pneumonia, como os desgraçados que andarem por aí ao sabor da música da noite... 
Vou acender um cigarro, apertar-me mais dentro do calor da manta e apreciar a sinfonia... e o calor de encontro ao frio, como um privilégio; o seco em vez de ensopado como uma benção, os sons sem arranharem o silêncio como um sorriso que não precisa de rir. Coisas assim, que temos sem saber, que se sentem sem pensar. Coisas boas.

quarta-feira, 10 de maio de 2017

[foto @fran_dominguez]


Há olhares que nos despem 
e olhares que nos fazem despir.
E destes, há os que nos deixam confortavelmente nus. 
Só quero esses.

terça-feira, 9 de maio de 2017

[...este também é importante...]


Que toda a tua refilice se transforme em ganas para defender os que amas e te amam
Que aprendas a questionar sempre e a valorizar a verdade
Que a tua teimosia se transforme em convicção que sustente a luta pelo que acreditas e queres
Que não sucumbas aos muros que se erguerem aos teus olhos e nunca duvides de ti
Que saibas, sem ter que pensar, que é importante chegar, mas nunca mais importante de como se chega, porque há vitórias que podem ser derrotas e derrotas a que só se sobrevive com a dignidade de ser.
Que nunca te esqueças que a beleza que encanta os olhos dura apenas um instante que se esquece, mas que os instantes bonitos por dentro são eternos e tornam-se raízes.
Que todas as desilusões não te transformem os sonhos em ilusões
Que os teus passos mais doridos não absorvam a vida que irradias
Que as perdas não te derrotem a alegria
Que a vida nunca te amargue o brilho desse olhar doce
Que saibas crescer como um ser humano digno, justo e sensível
... e que nunca largues a minha mão.
Que cresças, mas não deixes de ser a minha pequenitates, que há anos me fez mãe e passou a noite de olhos esbugalhados, a olhar para mim espantada com o mundo.
Palavras sábias do Menino.


Conta, mais que tudo, os que ficam, os que nos são, sempre e apesar de tudo.
Tudo o resto desconta-se da vida que um dia contaremos.
Espero.

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Das homenagens singelas que não se escapam por entre as palavras não ditas, e me adoçam a existência dos dias. Bolachas de manteiga ou uns quaisquer biscoitos. Importa é que cheirem a mãe, que nos lembrem a sensação de casa, carinho, protecção: o último sítio seguro e o primeiro que lembramos quando precisamos de fugir do mundo e de colo. Andamos a vida toda a procurar outro onde nos sintamos, assim, acarinhados e seguros. De que façamos parte sem estranheza alguma.
Recordamos sempre os pequenos pormenores que fazem as histórias grandes, ou os afectos, que é quase o mesmo. 

sábado, 6 de maio de 2017

... Depois fica ali, a esvair-se em oportunidades perdidas, 
numa sobrevivência vã.

sexta-feira, 5 de maio de 2017


roubado à ana 

...roubado há vários dias e guardado até hoje nos rascunhos... não, não sei porquê hoje, mas foi hoje que em deambulações vim parar à distância pela mão da ana.
Lembro-me de a dada altura na minha vida chegar à conclusão que a distância não se mede em Kms, mas em saudades. Agora dou por mim a pensar que dizer isto não diz tudo. À primeira vista, depois de dizer-se isto, parece entender-se que quanto maior a distância, maiores as saudades.
E é agora, é este o ponto da minha vida, em que acho que isso não só não diz tudo, como pode dar uma explicação torta. Este é o ponto onde eu me debato sozinha com as minhas próprias definições e maluquices solitárias, onde vejo as ideias tão emaranhadas como uma meada de lã por endireitar redondinha num novelo com ponta por onde se pegue.
Dou por mim a pensar que na verdade saudades sentem-se quando duas coisas não se conjugam na mesma distância. Sendo essas duas coisinhas o estar perto do coração e da pele. Se estiver perto do coração e da pele não há saudades nem distância. Se não estiver perto do coração nem da pele, também nem nos lembramos de ter saudades, e se não lembramos, então não existem. Só nos lembramos, só emerge do nada o que nos existe por dentro. Quando os dois estão perto não há saudades, quando os dois estão longe, não há por que ter saudades... estão de acordo... Depois temos as dissonâncias, os desatinos, as desafinações de vida, e isso dá-se quando estando perto do coração, a pele não se consegue tocar senão em pensamento, ou quando a pele está ao alcance fácil do toque, mas no coração nada toca aquando esse toque. Aqui há lugar a saudades, saudades de alguém, ou saudades de sentir alguém que nos faça sentir.
Isto tudo porque o título que precede a frase da ana é "distância" e isso fez-me navegar entre as minhas distâncias e as minhas saudades e todos os caminhos entre elas.
Quando a distância é um caminho que se pode percorrer então é de espaço entre corpos que se fala, mas não de almas; quando a distância são caminhos de alma sem volta, é de espaço entre almas que se trata, e este não se consegue percorrer encurtando o espaço entre corpos.

...fiquei a pensar que distância seria aquela da frase da ana... mas sei que eu queria aquela. 

Digam o que disserem, não me apetece levantar. Quero ficar aqui. Está quente, está confortável, está longe do mundo. Quero dormir até não poder mais, porque só assim a cabeça, de vez em quando, consegue descansar de si mesma, ainda que nem sempre. Pouca coisa no mundo lá fora me puxa, me dá vontade de sair daqui. Ontem e hoje está pior, não sei porquê, ou talvez saiba mas se penso nisso apetece-me adormecer outra vez, fechar os olhos como quem não ouve chamar. Se um dia ficar sem o que fazer ainda vou ficar pior, não sei o que me arrancará da cama e dos confortáveis e fortes braços de Morfeu, que apagam a memória, que nos deixam num sítio sem passado e sem futuro - onde o tempo não é eixo, e eu um excêntrico sem-fim.
Tenho de me levantar e não me apetece. Nada. Nem percebo para quê... O mundo é sempre tão injusto, para quê tentar alguma coisa? Para quê se nunca me choverá felicidade na pele? Para quê se estou melhor aqui longe da existência, onde não existir é seguro e confortável. Não me apetece nada de coisa nenhuma. Levantei-me cedo para levar a miúda à escola, agora não tenho razão suficiente para contrariar todas as forças da natureza que me derrotaram e deixaram aqui, deitada, exangue de vontades, preguiçosa de sobreviver.
Olho para a janela e gosto da luz, da maneira como a luz direita se torna ondulante, insinuante do que esconde mostrando, da cor que o cortinado lhe dá, da transparência que deixa ver mas domestica a luz... gosto disso tudo, mas nem isso me apetece escrever, e tudo o que me ponho a pensar, só por olhar, dava um texto, mas não tenho vontade, escrever já não é uma ponte, é onde fica cada uma das minhas coisas não ditas. Não me apetece escrever a beleza das coisas, como se não tivessem onde chegar as palavras, e não é suficientemente avassaladora para precisar escrevê-la porque me extravasa, porque me compromete as costuras do quotidiano mediano, porque simplesmente não me cabe. Então olho só e penso. Mais ou menos como a vida: sobrevivo só, e respiro. Como se isso chegasse.

quinta-feira, 4 de maio de 2017

["Não me canso a negar-te, canso-me a esquecer-te. Brotas-me até do esquecimento, como se nunca te tivesse esquecido ainda." - kms feitos e as palavras a perseguirem-me as mãos. Condescendo. Desta vez. E como detesto a palavra condescendência e todas as da família... Mas condescendo e paro o carro antes de ir para casa, como não fazia há tempos, depois de voltas à cidade a entreter as mãos como se as mãos me contivessem inteira, e se fosse assim eu estava nas minhas mãos. E talvez esteja. Só me parece que não.]

Não tenho mais palavras
Gastei-as a negar-te...
(Só a negar-te eu pude combater
O terror de te ver
Em toda parte)
Fosse qual fosse o chão da caminhada,
Era certa a meu lado
A divina presença impertinente
Do teu vulto calado
E paciente...
E lutei, como luta um solitário
Quando alguém lhe perturba a solidão,
Fechado num ouriço de recusas,
Soltei a voz, arma que tu não usas,
Sempre silencioso na agressão.
Mas o tempo moeu na sua mó
O joio amargo que te dizia...
Agora, somos dois obstinados,
Mudos e malogrados,
Que apenas vão a paz na teimosia.

Miguel Torga

Gastei as palavras, gastei, mas nunca a negar-te. Não me gasto a negar-te, seria negar-me.
Tento que as minhas palavras sejam sempre filhas da minha verdade e a minha verdade nunca foi mentir-te em mim, porque mentir-me seria. Nunca. Gastei as palavras, verdade que gastei, gastei-as a amar-te, gastei-as a entender-te, gastei-as para que entendesses as minhas verdades em ti. Agora estão gastas, as verdades e as palavras, faltam-me, rolam-me para dentro da boca, caem no vazio que me tornei, caem para dentro de mim, onde tudo se perde e eu tudo guardo. Resvalam como pedras lisas e macias que a água amaciou e agora escorregam quando não as agarramos firmes, com vontade de as ter nas mãos. Nunca as oiço bater no chão, nunca, não sei onde páram, mas oiço-as ainda, às vezes, quando o silêncio me invade... Estranho não é? ouvir palavras no silêncio? e não deixar de ser silêncio?... Como uma companhia que não nos afasta da solidão. 
Agora não quero as palavras fora de mim, não essas, as gastas, as tuas, as que me chamam com o teu nome. Quero-as engolidas pelo vazio com que fiquei. Percebo que então as palavras somem, fogem-me de debaixo da língua para a escuridão da asfixia sem mãos - sem passar pelas mãos, sem passar por as dizer. E sem as desdizer. Gastas apenas. Cansadas de ti. Ainda não aprenderam outro caminho até às minhas mãos, estas mãos que as negam vezes sem conta.

Nas costas da minha cozinha há uma janela onde escorrem pela vista deliciada os cabelos de uma laranjeira. 
Bebo a minha chávena de café com leite e penso como invejo aquelas flores, esse florir a cada primavera, e a cada vez, e sempre, com uma beleza virgem, pura, inocente, como se o tempo não passasse e aquela fosse a primeira primavera. O olhar fixa-se nas flores que enfeitam os ramos verdes num proliferar fresco e simples, de gaiata sorridente. Gosto daquela simplicidade despretensiosa e penso que para cada flor aquela primavera é única, é a única. Dará fruto e morrerá a seu tempo - cada ciclo é um tempo a que não sobrevive, onde se morre apenas uma vez. Na próxima primavera outras flores, outros frutos. Por isso a primavera é sempre tão fresca, tão cheia de vida, feita de flores novas, imaculadas, e cores espantadas de existir. A árvore... A árvore sobrevive, vê nascer e morrer, alimenta e deixa cair, a pele é dura e a cor é escura, como a cara da sobrevivência, como as camadas de tempo que acumula sem esperar uma primavera diferente. Mas a cada primavera nos seus braços nascem com a mesma força, com a mesma beleza, com a mesma pureza, flores que darão fruto, como se aquela primavera fosse a primeira, a única. 
A chávena está vazia e o olhar, por florir, mais invejoso.


espelhos
circuitos fechados
em si mesmos

Desabridos ao mundo

não quero que me espelhes
quero um espelho do meu amor
fechado, completo

eu e tu
amor fechado
aberto ao mundo
os meus olhos nos teus
o teu corpo no meu
as bocas na palavra não dita
dum beijo
que nos desfaz num só 
simétrico de afectos.
não quero que me espelhes
quero que espelhes amor
percebes?

Se conseguisses perceber
Percebias que não se explica
O que saberias sem entender

quarta-feira, 3 de maio de 2017

[@iheartintelligence]

...e mostram, principalmente mostram-me. 
Ainda me denunciam, escancarada, no fundo negro dos olhos escuros que me despem da pele, tudo o que tranco a sete segredos dentro destas paredes do ser. 
Ainda gritam na escuridão desse negro fundo sem fundo, o que não posso sequer sussurrar. Vestem-se os olhos para que não me dispam das máscaras de sobrevivência ao mundo... Essa pele que virou carapaça de selvagem acossado de razão.
Há bocado a lua estava linda no vidro da janela, parecia sorrir de esguelha. Dei por mim a inclinar a cabeça para ficar direita e a rir-me com a estupidez da cena, pensei escrever alguma coisa mas não me apeteceu ir buscar os ferros para desenterrar palavras do luar que me ficou no sorriso, fiquei-me pelo sorriso que me arrancou. E agora, aqui sentada no degrau da varanda, queria arrancar daqui e nao me apetece.. E amanhã o dia vai ser corrido, e eu sem vontade nenhuma de correr. Gostei das caminhadas destes dias vagos, fazem-me bem e ando a precisar de andar, de me mexer. A patudinha faz sucesso por onde passa, acabo sempre por trocar meia dúzia de vezes meia dúzia de palavras e alguns sorrisos com desconhecidos, e gosto disso. Talvez esteja menos bicho do mato. Talvez. Mas certeza tenho do sono que vou ter amanha, isso tenho, entre outras que já não discuto. Talvez precise mesmo de me dar paz, de discutir menos comigo. Escrevi isto e percebo que devo parecer esquizofrénica... Valhamedeus...

terça-feira, 2 de maio de 2017

Vi e lembrei-me dos corações apelidados de desguarnecidos pelo Impontual... 
... muito a propósito...
O cheio é limitado, 
o vazio por preencher pode ser infinito.

Tenho de voltar a ler o livro*. Há qualquer coisa naquele livro de inacessível na primeira leitura, algo á que não cheguei, não consegui ir ao fundo de todos os pensamentos, é intrincado e tão interior. Tive de me levantar e vir fumar um cigarro, alguma coisa mexeu comigo. Sei que tenho de voltar a lê-lo, daqui a uns anos, terei de voltar a lê-lo. É o segundo livro que leio e que me deixa esta sensação, o outro li três vezes e arrumei-o no Verão passado - está a fazer um ano, curiosamente, como outras coisas aliás - depois de o ler três vezes, e até achar que o li todo. Também neste fiquei com a ideia de que há camadas a que não fui, apenas as vislumbrei sem consciência nos olhos, e esta sensação inquietante e aterradora de que muito ali me é familiar. Reconheco, reconheço-me. Há coisas que ela descreve que eu sinto às vezes, ou que senti, ou que penso, sem saber que estou a pensar. Como ela diz, há coisas que nos vêm como resultado intuitivo do que já pensámos muito racionalmente. E isso acontece-me. Muito. Depois tenho de parar e escalpelizar cirurgicamente cada ideia dessas, cada pensamento, cada ideia que me sai baralhada por nao saber identificar donde veio, ou como me chegou, para poder entendê-la, cosê-la com uma linha que se consiga prender, seguir, ler, entender. As últimas páginas são absorventes, o culminar do acordar para a existência consciente, para a vida, para o eu. E como tudo se mistura. Só chegamos a nós mesmos através do amor, mas só atingimos o amor sendo nós mesmos; é um espelho de aproximações ao mesmo objecto em sentidos trocados, porque se trocam, porque há uma troca, um dar e receber. Quanto mais for eu mais amo, mais tenho capacidade de amar e ver o outro, e sou cada vez mais eu quanto mais amar. É como chegarmos a nós através duma porta que só podemos abrir do lado de lá. Mas abrimos. Se do lado de lá estiver uma parte de nós no outro. E é essa parte que nos acorda em nós o que não sabíamos ter, o desabrochar como ela escreve, e assim há uma plenitude de parte a parte...Talvez seja por isso a frase "nós somos amor". Porque só assim, pelo amor, chegamos a conhecer inteiro o verdadeiro eu, a ter consciência de nós, do que somos e do que podemos ser. Só quando não temos medo do outro, do que ele veja - só aí os nossos olhos abrem para tudo o que temos dentro. E depois de nos vermos assim, não temos mais medo que os outros nos vejam ou como vejam. 
Tenho de voltar a ler o livro, não tenho dúvidas. Agora tenho de fumar um cigarro. Alguma coisa neste livro me alvoroçou. Me fez sentido. Me encontrou num desencontro qualquer.

* Uma aprendizagem ou o Livro dos Prazeres, Clarice Lispector