sábado, 25 de março de 2017

É proibido não rir dos problemas
Não lutar pelo o que se quer
Abandonar tudo por medo
Não transformar sonhos em realidade
É proibido não demonstrar amor
...
Ter medo da vida e de seus compromissos
Não viver cada dia como se fosse um último suspiro
...

Alfredo Cuervo Barrero

É proibido não ser
É proibido evitar
É proibido abrir os olhos sem acordar
É proibido adormecer sonhos
É proibido lembrar o que queremos esquecer
É proibido esquecer o que nos sorri lembrando
É proibido esquecer o hoje agora
Só depois
Se a vida hoje não chegar.
É proibido esperar o amanhã.
Se o hoje não nos chegar.
É proibido respirar sem viver

(é proibido multar quem não cumprir...)

sexta-feira, 24 de março de 2017

[foto @guidostazzoni]

Hoje, quando voltei a casa depois de deixar a criança (pré-adolescente, mamã!!...) na escola, a cama olhou para mim, lânguida, quente e cheia de desejo de me ter na pele, e eu, devassa de sono preguiça e frio, saltei-lhe para cima, pois. Com vontade. E foi muito bom. Até às dez e meia, altura em que o telefone me lembrou do mundo com perguntas, coisas por decidir e outras tantas por fazer... Ainda olhei para a cama e ela para mim, mas despedimo-nos na esperança de não ter de voltar a negar fogo uma à outra nos próximos dias... Dois, vá... Negar fogo não se faz quando o desejo é tanto... E bom.

Bom dia à malta da preguiça... e à que espreguiça cedo também!! :))
[foto @alexandramack22]

"cala-te.

olha a fotografia, nela se perdeu o teu sorriso, amarelece uma ilha.
ausência e culpa sobem-te ao espírito, e violência, violência com que rasgas a fotografia, por não poderes suportar a minha ausência e a tua culpa.
não sei o que isto tem, ou teve, de irreparável que me dá vontade de te chorar.
para que servirá contar-te todas estas histórias?
teu corpo de afogado arrefece algures em mim, dentro da minha infinita paciência de veladora.
nunca conheci outra vida que não fosse a de gastar tempo de porto em porto. vida sem sentido.
em todos os portos acordava com alguém a meu lado. tinha medo, medo de saber de que é que tinha medo.
Tento cicatrizar estas chagas de sal reabertas pelo teu naufrágio.
Noite adiante, inclino-me para o teu corpo e velo.
A janela da mente aberta. Debruçado para o sangue inerte das tuas veias, sinto o desejo de te tocar assolar-me.
Tento ouvir-te, mas sei que já não nos pertencemos um ao outro. "

Al Berto, in  Luminoso Afogado


A minha culpa e a tua ausência - duas inexistência para suportar, sem fotografias amarelecidas ou histórias por contar. E a existência perene do medo de ter medo da solidão. Há naufrágios que são tempo inteiro e mar morto, revolto, que flutua à superfície da existência... E silêncio, são aquele silêncio vazio, que separa, que não fala, que não pertence à língua dos amantes.  Dos que se amam em todas as ausências, em que ausente só o vazio.

quinta-feira, 23 de março de 2017


Alguém me explique o fetiche desta bicha por cestos de roupa suja... Que eu não entendo... A primeira vez apanhei um susto, corri a casa toda à procura dela...até que salta do cesto. Agora é todos os dias estes forrobodó enquanto tomo banho... Valhamedeus!!


[foto @guidostazzoni]

Não me tem apetecido parar para desfiar pensamentos, alinhá-los em letras, palavras, tenho preferido as ideias sem consequências, sem provas letradas. E o tempo tem parecido correr, e eu pairar nele sem direcção, a navegar sem vela. E isso assusta-me um pouco, falta-me chão e caminho. Falta-me guerra para travar, ou vontade dela.
Olho o livro ao meu lado e tenho pena que as minhas palavras não sejam assim e que eu ainda não saiba o meu sítio no mundo, mas sei que adoro estes bocadinhos de mim enquanto o mundo ainda parece dormir lá fora, e cá dentro também. É quando estou mais acordada de mim em mim.

quarta-feira, 22 de março de 2017


[foto @aaa.abbi]

Às vezes o abismo são só escadas, caímos para descê-las com a espinha ou caímos para subi-las em joelhos. 
Outras vezes o abismo é só um dia de chuva. Cheio de escadas nos nós dos minutos. É nos nós que o tempo deslaça e outros nós aparecem, que não deslaçam, para que o abismo nos olhe por dentro do tempo, como se não houvesse escadas.
Clarice Lispector, Uma aprendizagem ou o Livro dos prazeres

Não se pode cortar a dor senão sofre-se o tempo todo. Às vezes já só resta a dor, sem ela não resta nada. Perdemo-nos do mundo pelos nossos olhos, abandonamo-nos à deriva da dormência do coração. À demência da razão quotidiana e saudável. Será por isso que não me livro da minha? Porque me salva do nada? Do não ser nada? Do ver sem sentir? Do sentir sem ser por dentro?... Mas como, se me quero vazia para me poder voltar a completar com coisas diferentes, onde nao haja apenas dor ou o nada a que falta vazio?

segunda-feira, 20 de março de 2017




De vez em quando a angústia, presa dentro da pele, cercada pelas costelas feitas grades dum grito que não sai nem esbraceja, arranca pedaços de mim que já foram feitos de açúcar. Ficam-lhe debaixo das garras dos dias afiados, que me esgravatam as paredes como se não fossem carne viva a gritar por viver o que já lhes morreu, mas ainda asfixia. 
A angústia respira o ar que me arranca.
Às vezes, dentro de mim há uma angústia não sei de quê, saudades não sei de quem, que já não quero, mas ainda me falta.
[De Almada Negreiros, no Museu Gulbenkian]

Vês a outra metade de mim no desenho por desenhar?
Vês a metade que se vê,
Ou a metade que esconde o que quer mostrar?
Vês alguma coisa?
Ou olhas desenhos como quem faz contas num papel amarrotado?
Amarrotas a vista,
ou nasceste de coração amarrotado para apontamentos divinos?
Deitas o céu ao lixo,
Ou só amarrotas 
a metade de mim que me faz inteira?

sábado, 18 de março de 2017


É certinho, deve ser a única coisa em que tenho pontaria... E algumas vezes até sou mesmo eu que fecho a porta ( tipo portão mesmo...).
Há dias em que dou graças a deus por ter vinte dedinhos, ainda há lugar para mais portas... Outras acho só uma maldição ainda ter dedos para tantas portas mos partirem... Bahhh
(As pessoas são estranhas não são? Ou então sou eu... Que sou parva, não gosto de situações chatas e então faço-me de parvinha, deixo tudo passar como se nada fosse,  ou melhor, há certas pessoas que deixo conscientemente que me façam de parva e depois sinto-me mesmo parva, por isso - por deixar)
Mas está sol e o rio corre devagar aqui perto, enquanto o café me desce por dentro e me amarga os pensamentos, que não quero sequer condimentar, quero só que o rio os leve para onde for, e que me deixe aqui, de sorriso nos lábios para falar com os outros...
Bom dia.

sexta-feira, 17 de março de 2017


Ahahah... 
(E nem tudo é mentira, hoje há standing mesmo... 
Só não outstanding... Mas pronto...)

Bom dia!!

quinta-feira, 16 de março de 2017


Ahahah... Muito boa!!
Hoje ao pequeno almoço dei por alguém com o mesmo problema enquanto me levantava da mesa... Deu-me vontade de rir - e ri-me mesmo quando fora do alcance - o ar aflito de terem sido apanhados em flagrante delito... 
Devo dizer que aqui para sul as vistinhas são melhores... Mas ainda não perdi os olhos em lado nenhum... Bahhh
Bom dia!!

quarta-feira, 15 de março de 2017


O meu novo recanto.
É engraçado como vamos descobrindo em nós novos recantos, que de novos só  o agora os termos descoberto. 
Descubro, pouco a pouco, que sou muito mais simples do que alguma vez pensei. À medida que crescemos dentro da vida, vamos largando lastro, vamos despindo casacos que não nos tiram o frio nem nos aconchegam o calor, vamos percebendo o essencial e vamos, às vezes sem o notar, cultivando-o. 
Eu descubro-me cada vez mais simples, de gostos menos curvilíneos, mais básicos. Cada vez mais o ruído de fora do que me é casa menos me chega, menos oiço, menos quero saber. Fico-me aqui a pensar que a maturidade nos faz aos poucos uma ilha, onde só cabe quem nos cabe e tem lugar para nós, onde os dias nao passam como queremos, mas donde já vemos como os queremos passar. 
Este é o meu novo recanto - irrequieta, morena quase ruiva, de olhos de doçura profunda, muito choramingas e refilona, teimosa como a família que acolheu, que se me enrola nos pés depois de lhe ralhar, como quem procura casa e mãe, quando a vida parece ser incompreensível e as regras coisas de outro mundo. Voltei a ter noites sem dormir, a ouvir sons de bebé no colo a dormir ou quando acorda, voltei a sentir que algumas coisas fazem sentido quando vemos os que nos tocam o sorriso por dentro também sorrirem, e isso é tão simples como natural. 
São recantos nossos, é a ilha que compomos, que vamos sendo.

Há quem nao dê nada, há quem não tenha nada para dar, então assalta o amor que não sabe amar, leva tudo e disso nada faz, não resta nada. Rouba tudo e continua vazio, não fica com nada quem não sabe amar. Há vazios impenetráveis. À prova de amor. 

terça-feira, 14 de março de 2017

[foto @ezgipolat]

Tenho palavras debaixo da língua, aquietaram-se, acumulam-se, atafulhadas até ao coração, numa greve sem revolução. Como mortos sem guerra. Preciso dum beijo de navegar silêncios para as desprender, mesmo que nunca as diga.

segunda-feira, 13 de março de 2017

[ foto henri cartier-bresson ]

Ora, mais uma moedinha, mais uma voltinha... neste carrossel de dias à volta de si mesmos, numa sucessão de dias e noites, onde não sei onde sonho mais ou onde estou mais desperta dos sentidos que sentem. 
Às vezes pergunto-me sobre que centro rodamos, e porquê, o que é imutável, o que muda e o que nos muda... e se sou só eu que me pergunto, ou se já é só sintoma de estar tonta... 

sábado, 11 de março de 2017


Isto sim, parece-me uma promessa com pés e cabeça... 
E braços e pernas e o resto tudo...muito bem misturado e aplicado.
Isto sim é uma promessa decente,
 que cai sempre bem ao sábado de manhã, com sol ou com chuva,  
ou à noite, com lua ou de céu fechado,  e ao resto da semana e até ao resto dos nossos dias...
Isto sim, soou-me bem, completo, ou então sou eu que estou bem disposta, sei lá. 
Às vezes acontece ;)

sexta-feira, 10 de março de 2017




"Talvez seja preciso teres amado e perdido; talvez seja preciso teres vivido da forma mais intensa, teres tido de escolher entre um maço de cigarros e três quilos de batatas para gastar o teu último dinheiro, e teres escolhido os cigarros, teres dormido em bancos de jardim, teres acordado em sítios sem saber onde estavas, teres vivido com uma mulher que não te queria foder, teres vivido com uma mulher que não querias foder, teres dormido numa cama de solteiro com outro homem uma quinzena inteira, teres ido a uma entrevista de emprego com um fato emprestado, teres fodido separadamente com três mulheres diferentes no mesmo dia, teres passado seis anos apaixonado pela mesma, sem nunca a ter sequer beijado; talvez seja preciso teres tido um filho nos braços, teres corrido com ele ao hospital, ter-te morrido alguém que amavas, teres deixado de amar alguém, que às vezes é uma forma de morrer; talvez seja preciso teres plantado uma árvore, criado um filho, escrito um livro, talvez seja preciso teres plantado uma árvore no lugar errado, teres tido um filho com a pessoa errada, teres escrito um livro sobre a coisa errada; talvez seja preciso; talvez seja preciso bater com o carro num lugar deserto, ganhar uma fortuna e gastá-la, escolher preto quando saiu vermelho. Talvez seja preciso ter errado em tudo para acertar só uma vez. E quando acertas, valeu (tudo) a pena."
Do Menino, aqui.

Falta-me muita coisa, mas a que mais me falta é valer a pena para tudo ter valido a pena... Sem ter pena de nada.
Falta-me ser festa e presente, e futuro que me prenda solta. 
Com futuro presente dentro dos dias o passado passa de pena a pluma.

... e depois percebes que o teu grau de estupidez é de tal modo estratosférico 
que a raiva, que te assola as entranhas e te contorce a alma do avesso,
  dá-te vontade de arrancar a tinta das paredes com os dentes. 
Até se conseguir ver a alma da parede, como se isso me arrancasse a estupidez da alma
que todos os dias se esquece de ser pintada. Protegida. Domesticada. Inteligente. Racional. Normal. 


quinta-feira, 9 de março de 2017





aterrorizado outra vez
de não amar
de amar e não seres tu
de ser amado e não ser por ti
de saber e não saber e fingir

e fingir

eu e todos os outros que te hão-de amar
se te amarem

a não ser que te amem


Samuel Beckett

[e é verdade que isto é mesmo assim. aterroriza não voltar amar, aterroriza pensar em amar e não ser ele, enlouquece pensar ser amada e não ser por ele, como se o amor fosse um artigo com defeito que queremos deixar na prateleira, queremos livrar-nos dos empecilhos que nos enrodilham os dias à volta do coração. e ao livrarmo-nos dele perdermo-nos do coração que nos faz pulsar a cor na respiração dos dias. mas, depois penso, quem esteve - quem está - sempre a enfeitar a prateleira, sou eu. o defeito deve ser meu, o artigo defeituoso sou eu. então finjo que não sei que fingiu que me amou, finjo que a prateleira não é minha. que eu fui dele e serei de alguém - e não a fingir. dá-me vontade de fugir o fingir, mas se ao menos a fingir me tivesses tentado alcançar... se ao menos a fingir eu acreditasse não perder a melhor essência de mim junto com as memórias que quero despejar do coração para a vala comum dos desamores. despejar-me. depois onde me resto? de que me faço?]
A noite traz o céu tapado, as luzes tornam o tecto do horizonte alaranjado, a torre vejo-a ao fundo, como farol num mar por regressar,  e tudo parece imóvel, sem vida, sem destino, como se nunca fosse mudar, como se nunca fosse chegar. Mas amanhã talvez destapem o céu, e as estrelas não se contem, não por estarmos cegos delas, mas apenas por os dedos não nos chegarem para tanto, nem os desejos infantis, de tão poucos. Eu, pelo menos, não tenho muitos, um cantinho desta janela de céu onde me encosto, coisa pequena e bem aproveitada, chegava-me. Hoje de manhã eram beijos, de todos os tamanhos e feitios, com tudo o que se pode viver de bom dentro de cada um, sem amarfanhar afectos, sem amarrotar a ternura com o desejo... Hoje foi assim, amanhã não duvido que também. Sou monótona de desejos e insistente de beijos.
Quando será que as estrelas deixam de ser cegas de mim?

quarta-feira, 8 de março de 2017

[uma das frases inesquecíveis do Rayuela (Julio Cortazar)]

Tenho saudades dos dias que vivia sem saber que iria ter saudades de os ter vivido. 
Tenho saudades do tempo em que não sabia que há momentos, plantados nos acasos dos dias, que colhem eternidades depois de mortos. Depois de mortos. Muito depois de mortos, vivem ainda.
Tenho saudades de não saber que esses momentos nos matam os amanheceres à noite. 
Que nos matam cada renascer.
A morte da inocência traz-nos eternidades.
Haverá eternidade antes da morte?... ou inocência depois dela?
E renascer sem inocência, será possível ou só um acaso?

terça-feira, 7 de março de 2017


A última frase - 
"Vontade é a prova de que quem quer dá um jeito." - podia ser eleita o meu mantra de vida. Sem tirar nem pôr... Se houver vontade.

segunda-feira, 6 de março de 2017

Os dias têm passado num instante, sempre com alguma coisa para fazer ou desfazer, a deixar pouco tempo para entreter as ideias nas mãos, as palavras na cabeça. E isso falta-me como uma parte de mim que se sente meio abandonada, meio negligenciada. Esta coisa de escrever é bom para desanuviar, para extravasar o que não se quer, ou não se consegue, conter, mas leva tempo e quase obedece a rituais, rituais de solidão, de sossego. Outras vezes não é tanto assim, aparece-me uma frase na cabeça, as vezes não se quer ir embora, como quem bate numa parede e faz ricochete para voltar a bater e bater, como frases latejantes que não querem deixar de ser sentidas até que sejam sangradas. Escrever é sangrá-las. Com o carrossel que têm sido estes dias não me surgem nem do nada, nem dos bocadinhos que roubamos ao tempo para nos darmos a pensamentos.... E agora esta frase parou-me, estacou-me... O que (nos) roubamos para dar é o que mais queremos, o que mais valorizamos. E é isso que damos. Se pudermos.

domingo, 5 de março de 2017


[foto @1davidmiranda]


Aqui da minha cama, deitada, vejo a luz da varanda do vizinho. Uma luz ténue, amena, quase gentil. Ontem à noite adormeci com a luz a entrar-me no quarto pela janela, virei-me de costas para ela, a parede parecia iluminada de luar brando. Mas eu sabia que não era da lua, que era só o candeeiro da varanda do vizinho de trás. Gostei na mesma de ver a luz pintada na parede, como que me acalmou e guiou o adormecer, mas eu sabia que não era o prateado da lua que me banhava o quarto. Há quem depois de ver o candeeiro continue a dizer que é a lua, a negar a existência do candeeiro, a fechar os olhos à realidade. Eu não, eu gosto de ver a realidade, de saber as origens e os porquês, e depois gostar ou não. Da realidade. A luz do candeeiro do vizinho também é bonita na maneira como se desenha na minha parede, gosto dela, e gosto mais de saber que gosto dela, mesmo que não seja a mítica e apaixonada lua a entrar-me, perfeita, com os seus véus diáfanos de luz pelo quarto dentro. Gosto de saber que gosto da realidade, tenho um fraco muito forte pela verdade. Gosto de saber a verdade sempre, depois decido se gosto dessa verdade ou não, mas negá-la, disfarçá-la, escamoteá-la, menti-la, para me permitir gostar, não é gostar do que se tem ou vê, é gostar do que não se tem e não existe. É um desperdício vazio. Há quem vendo uma luz goste de saber donde vem, e também há quem goste tanto de dizer que é a luz romântica e doce da lua, que fecha os olhos a saber das suas origens, e se, por acaso, não os fecha a tempo e vê, finge que não. Que não viu, que não é. Dizer que é o luar que nos embala o sono parece muito mais bonito... A mim parece-me que não sabem gostar nem do luar que a lua vaidosa nos derrama, nem da simplicidade duma qualquer luz que nos aconchega o adormecer. Parece-me que misturar tudo, fazer como se tudo fosse o mesmo, enganar, falsear, é não saber gostar de luz nenhuma afinal. É não saber distinguir nem apreciar cada beleza. E não saber isso é não saber nada de beleza. Nem de verdade. Nem de gostar. A beleza é sempre uma verdade, mesmo que nem toda a verdade seja beleza.
E por causa do candeeiro do vizinho e disto tudo lembrei-me duma frase: " depois de se abrir os olhos nunca mais se consegue fechá-los da mesma maneira. Nunca mais é como antes de se ter aberto os olhos." Mas é mentira, há pessoas que depois de os dizerem abertos dizem a seguir que afinal nunca os tiveram fechados, fica tudo como dantes... Afinal o luar é tão bonito a estender-se na parede dos quartos, enquanto nos embala os sonhos que o sono nos cede quando fechamos os olhos. 

quinta-feira, 2 de março de 2017


[foto @atoshh]

Durmo abraçada aos meus ossos para não me fugir a alma que guardam. 
Durmo, fecho os olhos e não sonho. 
Sonhar desenjaula a alma, perdemo-la para histórias de gente de olhos fechados, que dorme até acordada. 
Não quero sonhar, quero a alma abraçada ao que tenho.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017


STOP. 
Deixa o resto. 
O resto tudo, tudo o que for resto... E entregam-te as notícias do mundo ao fundo da rua deserta, porque o mundo não te chega à porta e os dias enevoados não te chegam aos calcanhares...
Deixa.


Os olhos abrem assim, as vistas parecem acordar 
amanheceres guardados durante noites frias de estrelas e de mim.

sábado, 25 de fevereiro de 2017

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Era isto (pelo menos de vez em quando, vá...)
mas ao vivo e a cores 
e em tempo real... Já agora que estamos a sonhar...
... E antes de bater com a cabeça na mesinha de cabeceira.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Talvez não seja o tempo,
Mas as mágoas a indiferença o desamor
Que embaçam o teu rosto 
Nas fotografias, que nunca tirámos,
Que eu guardei
Talvez agora, porque me embaçaste o amor,
no espelho também já não me veja a mesma,
Talvez deseje que algum espelho, desembaçado de mim,
te devolva o que és - mesmo.
Talvez...
Talvez espere que o tempo te dê o que mereces 
Talvez já não te deseje
Talvez já não espere nada

A não ser, talvez, a certeza de não te esperar.





Hoje a alma saiu à rua descalça, só para sentir o chão, só para ter a certeza que tem chão, e que os pés são para pisar o chão dos caminhos, que nuvens não fazem caminho nem têm norte nos pés.
Hoje a alma saiu à rua por trás duns óculos escuros, não porque a luz seja demasiada e lhe engelhe os olhos pitosgas, mas porque as olheiras fundas encovam a vontade depois de ter enterrado o descanso há eternidades. Queria a alma poder dormir e não ter medo de luz, porque só a luz faz ter medo do escuro.

Hoje a alma saiu à rua ainda antes de sair de casa e do dia se me enterrar nos ossos, saiu antes de mim, adiantou-se, fugi-me. 
Há uma sombra de mim no chão que não reconheço. Que não me conheço.

domingo, 19 de fevereiro de 2017


[foto @trithemus]

Não deixes fugir a primavera que te assenta à medida da alma
 ou o tempo nunca mais te assentará perfeito no corpo.

sábado, 18 de fevereiro de 2017

[foto de Robert Doisneau, La douche à Raizeux, 1949]

Dizem que choveu, que ainda é Inverno, 
mas na minha varanda o sol de Verão só fechou os olhos. 
Foram uns instantes.
Há instantes que duram invernos rigorosos e inteiros, 
e eternidades que cabem num fim de tarde de Verão.
 E tu, a que instantes fechas os olhos?

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017


descalço-me de sombras para chegar a ti
as linhas do meu rosto são claríssimas
nelas não vês o velho, a criança, o adulto
vês apenas o traço comum
que é onde eu procuro a tua mão
na transparência da minha palavra inteira.

Vasco Gato

[é onde procuro a tua mão,
nesse vazio frio,
que me deixaste entre os dedos,
que encontro a palavra
desfeita do beijo
que não dei
refaço-a, quente,
numa palavra que beija]

Talvez seja melhor não pôr o tempo dentro do peito.
Talvez seja melhor apagar instantes cirurgicamente.
O peito foi feito para guardar gente
Que não se perde no tempo
Quero um peito sem forro de tempo
Sem franjas de mágoas,
Sem cofre, sem chave
Quero um peito infinito
Onde não há sonhei ou sonharei
Onde não há amei ou amarei
Há sonhar, há amar.

[Laura, fiquei a pensar no teu comentário e afinal encontrei-lhe estas linhas dentro, cosi-as aqui...]

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

[foto @alexandramack22]

Às vezes o tempo embrulha-se-me nos dedos dos instantes
 e eu perco-me de quanto tempo perdi.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Ontem acordei mesmo com aquela história na cabeça, tão vívida, tão real, que só me livrei dela despejando-a em palavras. Depois, ao fim da tarde, fiquei a pensar o que faria ele quando chegasse a casa, se iria mais cedo para preparar alguma brincadeira, se me fazia uma surpresa à saída e íamos um atrás do outro para casa, não sei. Foi essa a conclusão, não sei, não sei o que os homens pensam ou como pensam. Não sei. Nunca nenhum dos que conheci me fez, que me lembre, alguma surpresa assim, alguma maluquice como as que fiz, e gosto de fazer sempre de vez em quando. Gosto de imaginar a cara que farão quando recebem, ou quando vêem, ou quando se apercebem, da surpresa tonta. Gosto de pensar que ficam felizes, ou só a rir, ou com um sorriso na cara. Gosto. Nem sequer sei se é verdade que ficam, mas eu gosto de pensar que sim. Então na ronda de blogs ao almoço o Menino , mais ou menos, respondeu-me ao que é que eles fazem ou pensam fazer, ou melhor, tentam fazer... e ri-me, ri-me com vontade de rir e de que nenhum que venha a conhecer tenha tais ideias fabulásticas!!... 
Há qualquer coisa de paz no frio
Há qualquer coisa de conforto no não sentir
Só confortável depois de se sentir demais,
como uma trégua numa guerra surda e suja
Troca-se a dolência pela indolência,
entrega-se a dor que rasga
pela indiferença que descose 
O frio queima a dor
Talvez tenha de me fazer neve,
ou desfazer.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017


[foto @moniblanco]

O despertador tocou, maldito, como todos os dias que o corpo tinha de obedecer ao carrossel diário. Era o telefone que lhe servia de despertador - hoje em dia serve de tudo -, quando lhe pegou para o calar viu o post-it amarelo "bom dia, dorminhoco noctívago. Levanta-te, seu preguiçosão, mas antes abraça-me com braços de telepatia só um bocadinho bom". Riu-se, ela era assim meia tonta de doce, meia doce de tonta. Talvez fosse por isso que gostava dela, nunca soube porque gostava dela, mas sempre soube que gostava, não havia ponta de dúvida que lhe ensombrasse isso. Gostava e ponto final. Porque sim - a melhor razão do mundo para amar alguém, se não tem uma razão para gostar também nunca a pode perder. A razão é uma coisa que se perde, ou se esquece, ou se arranja melhor... o porque sim, não. Levanta-se, vai para a casa de banho, dá de caras com o espelho cheio de post-its, com frases deles, coisas parvas que se tinham acumulado em risos ao longo dos anos, aquela mania dele de querer parecer que se achava o máximo "eu cá só me encostava ao balcão e esperava, mas pouco", " eu cá sou bom, sou muito bom, sou o maior!!... Vá, canta lá em frente ao espelho". Depois, no meio de tudo isso, leu "muita tontice mas és a minha coisa boa, se aí estivesse ficavas lavadinho que era um mimo, toca a tomar banho, seu porquicho"... e ele a pensar se sorriso malandreco colado aos lábios, onde raio ela ia buscar ideias para fazer tanta parvoeira, mas que as parvoeiras dela sempre o faziam rir, e ao longo destes anos tinha sempre arranjado maluquices diferentes, em dias diferentes que ele não esperava, ou em datas lá deles, ou neste dia. Não sabia onde ia buscar as ideias, ele nunca se lembrava de fazer coisas assim, às vezes começava a pensar mas nunca lhe parecia surgir nada que ele achasse giro fazer... mas ficava sempre cheio de vontade de lhe mostrar que a queria sempre no sempre. Às vezes não sabia se ela sabia. Tomou banho com  sorriso que lavava a alma, vestiu-se, correu para a cozinha, na sua caneca de pequeno almoço, em que pegava todos os dias, estava outro, dizia "bebe-a devagar, alimenta-te, que eu logo como-te mal te apanhe e encho-te de mimo depois. Vem para casa mal te consigas despachar. Beijo. Adoro-te". Ele despachou-se, tinha um dia fora de casa complicado, mas ia na vontade de voltar depressa, de a agarrar, de lhe dizer que sim, que também era assim com ele, dizendo-o sem abrir a boca. E ela entendia, às vezes ele sentia que ela entendia perfeitamente. Agarrava-o na medida certa desse entendimento, os beijos transbordavam de intimidade e cumplicidade só possível a quem está nessa sintonia plena. Antes de fechar a porta olhou de relance o hall de entrada, logo, se entrassem juntos, iriam prender-se ali mesmo, durante um bocado, enquanto os corpos matam saudades um do outro, e de se sentirem completos, plenos, quentes, de conversarem como se sempre tivessem sido mudos, enquanto as bocas se procuram e se encontram em beijos, em pele, em silêncio que geme de prazer e vontade. Fecha a porta, dá a volta à chave, corre ao café por baixo de casa para um café forte, quando o viram entrar já o estavam a tirar. Dá os bons dias, desfolha rápida e despreocupadamente o jornal, bebe o café em pé, pega nos óculos escuros e procura no bolso moedas para pagar, os dedos encontram um papel, tira-o e era um papel pequeno, imprimido com a fotografia que ele mais gostara da brincadeira do ano anterior, as pernas dela. Por trás estava escrito "até paradas correm para ti, para te envolver, para te abraçar, para te prender. Não me fujas" de repente viu uns olhos à sua frente, por cima do bigode, muito abertos a olhar para ele e para a fotografia que ele virara para ler o verso... Pagou e foi-se a rir com a cena até ao carro... Tinha de arranjar uma coisa gira para logo ao fim do dia, não podia ser só ela... Mas o quê? O raça da miúda tinha sempre ideias tão parvas que desaconselhavam competição...
Há pessoas que só são felizes se não tiverem alternativa. Há pessoas que não optam porque não sabem abdicar, não sabem deixar de querer a alternativa, então abdicam da escolha, entregam-na noutras mãos, e só então - pensam - podem ser felizes porque não têm escolha, opção passa a ser obrigatória. A responsabilidade na frustração é-lhes subtraída. O que decidem por eles não lhes oferece alternativa, não têm de, em consciência, abdicar de nada. Nada excepto escolher.
Há pessoas que confundem felicidade com irresponsabilidade na infelicidade.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

... descrente no amor, crente que o amor se resume à poesia que nos cavalga o sangue até ao coração, que fica a correr dentro de nós tempos tão incalculáveis como improváveis, resume-se a romances dentro de livros, de filmes, de músicas que fazem nascer sorrisos de reconhecimento nas letras, que o amor é só uma óptima ficção, mas sonhada, vivida - de forma ímpar - a solo... a solo, não a par. Há um mundo de diferença, um sonho gigante que os separa. O amor, o que todos querem, o que todos apregoam, que é a estrutura de tudo, o que no fim a tudo de resume, aquele elixir de vida que vicia como droga que faz sorrir de felicidade, que faz as cores mais vivas e o coração mais sensível - o que, afinal, todos querem, mas que é apenas um best-seller. Um sucesso de bilheteira. Um produto muitíssimo apetecível, afinal. E há dias em que tenho a certeza que é só um caso de sucesso de marketing, nada mais... Já não acredito no amor, que o amor é a única coisa por que perdemos o medo, por que fazemos o que for preciso se for preciso, que é a única coisa que faz nascer forças das cinzas, que nos faz sermos muito melhores do que alguma vez pensámos. Já não acredito porque na minha cabeça amor era uma coisa a dois, era reflexo e espelho, eram as mãos dadas, juntos no que fosse preciso, para o que fosse preciso. E isto não existe, fazem-nos crer que sim, mas não, é uma alucinação colectiva, com a publicidade mais bem conseguida em todas as artes que nos tocam os sonhos, e que nos vendem esta ideia. O amor é uma coisa nossa, creio que mais imaginação que realidade, mais sonho do que chão onde se caminhe.
Já não acredito no amor, e é talvez por isso que também já descreio na humanidade... Que afinal de contas é dependente do amor, das suas variadas facetas: de compaixão, solidariedade, amizade...  a humanidade depende da capacidade de amar de alguma forma. Humanidade e amor: não há humanidade sem amor, e o amor pleno vai além da humanidade. Sem amor nem gente chegamos a ser, e os animais amam melhor.

[foto @moniblanco]

A vida é tão corrida que parece só conseguir respirar fundo 
no desencontro de dois segundos 
sem tempo.

domingo, 12 de fevereiro de 2017


-O que vês na tua janela, Olvido?
-Frio, disfarçado de esquecimento...
-Não será o esquecimento disfarçado de frio?
-Não, quem um dia sentiu o verdadeiro calor pode esfriar, pode encapotá-lo, mas nunca o esquece. Acredita, eu sei do que falo, baptizaram-me de esquecimento, como quem me deseja um destino com futuro, sem o passado nos pés preso. Estou a fazer carreira em tentar e falhar. Até agora.
-um dia será esquecimento, aí nao terá sequer temperatura, como o vazio não tem. O verdadeiro vazio não chega a ter consciência que existe, se tiver não é vazio, é falta.

sábado, 11 de fevereiro de 2017

Post "O que vês das tuas janelas?"
Arbustos a espreitar para dentro... Cuscos!

Tapetes brancos para o chão e cobertores de árvores a fazer "pendant" ;)

Salas para descansar os ossos e refrescar as vistas... A ouvir o vento assobiar para o lado, e para a frente e para trás... Está indeciso o moço...

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017


Atravesso os campos como quem passeia pelo seu peito sem voz.
Corpo abandonado, pele em pousio, peito por lavrar de beijos semeados com amor, colheita sempre urgente no desejo quente como sol de verão. Peito desabotoado de quem o proteja de intempéries, que o salve de pragas, que entre e o abotoe por dentro, cada botão a fazer-me casa, num gesto que me toca e me aproxima. 
Assim como quem fecha a porta por dentro e tranca o mundo lá fora. 
Assim como quem se abotoa mudo a um peito sem voz.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017


Está um frio de rachar, acordei com dor de cabeça, levanto-a a custo mas à força da obrigação. Levo a criança, cada vez menos criança, à escola. Paro o carro à porta, vejo alguns blogs em atraso, desisto, rendo-me ao frio. Subo as escadas com os dedos revestidos do branco enregelado do ar, a sonharem vestir uma chávena cheirosa de café quente para derreterem o frio. Faço-lhes a vontade. Procuro palavras que aqueçam, vem-me esta à ideia: aconchego - o melhor antídoto de dias frios e de vida entusiasmada de desânimo. Aconchego de um sorriso quente, aconchego duma gargalhada que abraça, aconchego da ternura num beijo puro, aconchego em palavras doces. Não tenho, só tenho um conjunto de letras que diz o que eu gostaria de ter, brinco com elas e fico-me pelo café, pelo frio derretido nos dedos que escorrem da alma, não vale a pena murmurar palavras que não sabem o caminho até mim... Sorrisos, gargalhadas com braços, beijos, palavras doces.
Aconchego...nem tudo o que me vem à ideia me chega à boca... 

Bom dia

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Cada vez mais me vejo pessoa de rituais, como este que começou sem saber como, tomar um café depois de deixar a miúda na escola às oito e meia. Tiro um café, vou buscar o iPad e sento-me a escrevinhar o que me der na cabeça. Gosto do silêncio, do me deixar aqui só comigo, com o café quente e as palavras por vir. Ponho-me a pensar que gosto de rituais mas pouco de hábitos e desato a discutir palavras dentro da cabeça... Qual será a diferença? É só porque não gosto da palavra hábito, ou da ideia que ela me dá? Como coisa que se faz por mecânica, sem pensar, só com base no costume... No "faço sempre assim", no "fui sempre assim", no "foi sempre assim". Não gosto de saber que faço alguma coisa só porque é como costuma ser feita, ou sequer, por que costuma ser feita!... torna tudo mecânico, sem vida, nem se nota que foi feito ou ficou por fazer, não se chega a sentir o que se faz, ou por que se faz. Um ritual tem só em comum a repetição, mas sabe-se exactamente porque se faz, e faz-se em nome disso, os momentos pesam mais, falam-nos mais devagar, dão-nos prazer ou a sensação de um determinado fim a ser cumprido que sabemos e temos consciência de querer. Um ritual é uma espécie de reverência, um hábito uma mera repetição impessoal. Um ritual é artesanal, um hábito é produção em série. Eu gosto de rituais, deste começo de dia entre palavras e pensamentos com cheiro de café. Quando venho no caminho de regresso da escola, já o venho a pensar, a desejar estes minutinhos, mais meus que maior parte do dia. À noite quando pego nisto é também um hino à minha companhia em silêncio, quando deixo a cabeça falar, quando dou corda ao coração. Quando me apetece sento-me à janela e vejo a noite passear na rua, conversar debaixo dos postes de iluminação, rir nas esquinas das ruas que descem, que tantas vezes foram descidas como subidas, nunca ficaram... Quando o tempo não rói os ossos sento-me na minha varanda, nas minhas paletes pintadas à mão, que tanto gosto, fico-me ali, com um cigarro entre os dedos, a mãos com conversas de coração, a tentar convencê-lo a não ser parvo, mas sou sempre mais parva que ele, acaba sempre por me convencer sem quaisquer argumentos - basta falar, às vezes nem isso, é suficiente o estar calado a sentir-se. A fazer-me sentir.
Não cumpro rituais, desfruto-os.


Ia jurar que eram as suas mãos
Mas de que servem juras,
Se nem as juras de amor 
Passam de injúrias ao coração?
De que serve o amor
Se as mãos são suas 
Sem serem minhas?
Juro que não me servem de nada
Aquelas mãos sem amor.
Nem as minhas.