quarta-feira, 19 de abril de 2017

Uma aprendizagem ou o Livro dos prazeres, Clarice Lispector

"Parou com a possibilidade de dor, o que nunca se faz impunemente"
"Eu já poderia ter você com o meu corpo e minha alma. Esperarei nem que sejam anos que você também tenha corpo-alma para amar. Nós ainda somos moços, podemos perder algum tempo sem perder a vida toda." - às vezes perder algum tempo com a pessoa certa é perder o resto da vida toda. Fica hipotecado o futuro com um pedaço de passado...
"Temos construído catedrais, e ficado do lado de fora pois as catedrais que nós mesmos construímos, tememos que sejam armadilhas. Não nos temos entregues à nós mesmos, pois isso seria o começo duma vida larga e nós à tememos." - os sonhos que se acalentam, se os vemos a erguerem-se do chão, onde temos os pés, temos medo, fugimos a sete pés de termos o que sempre quisemos com medo de descobrir não ser o que queríamos, o que vamos querer sempre. Prefere-se não começar uma vida entregue a nós, e ao que desejamos, porque falhar é catedral maior a desabar-nos nas costas, no peso a suportar no caminho que faltar andar. Prefere-se nada se fazer do que falhar sonhos - antes falhar realidades, que é o quotidiano de todos, a morte quotidiana e comezinha das dores menores - com medo de suportar a dor maior, a do sonho falhar e deixar de ter o que sonhar...
"Temos mantido em segredo a nossa morte para tornar a nossa vida possível. Muitos de nós fazem arte por não saber como é a outra coisa. Temos disfarçado com falso amor a nossa indiferença, sabendo que a nossa indiferença é angústia disfarçada." - grande frase esta última, o mundo parece-me demasiado cheio disto. Fingir amar para disfarçar a angústia de não amar. Penso que será ainda mais angustiante depois de se ter amado, mas espero não vir a comprovar. Não gosto de disfarces nem de disfarçar e para angústia basta-me a de não saber se voltarei a amar, dispenso com a força da vida que me resta nas veias, o fingir amar para maquilhar indiferença pura, só para não estar sozinha com a angústia duma incerteza de entre tantas...

segunda-feira, 17 de abril de 2017


Estou eu a fazer o meu jantar com alguém aos meus pés ( o que poderia ser um bom augúrio... não fosse o jantar ser só para mim e o ser aos pés ter quatro patas e pêlo a mais...) como já é hábito e lembro-me de aqui há uns dois anos alguém me dizer "Ah e tal porque é que não arranjas um cãozito?"... E eu responder... "Irra ainda não estou assim tão encalhada!!...acho que esse deve ser o último reduto... Eu ainda só estou encalhadita, vá... "
E, pronto, é isto... tenho a pintarolas enrolada nos pés. Valha-me o rir-me das minhas próprias parvoeiras...


Irrita-me já não escrever como dantes, dói-me como se me tivessem arrancado um bocado de dentro de mim à dentada, e a frio. Irrita-me porque sei que não escrevo assim porque já não é para ele que escrevo, já não é para ninguém que escrevo, escrevo para me falar, só. Não para me dizer a alguém. Só para mergulhar em mim e chegar-me a sítios onde não me chego se não estiver fechada dentro duma folha em branco com palavras. Uma dimensão de mim que agora só existe em palavras, em sons, em sorrisos por dar e palavras guardadas por dizer. Um a dimensão de mim que morreu e respira pelas palavras e suspira entre virgulas, agarra-se às reticências como a uma cura por vir não prometida.
Às vezes vou passear por outras vidas, vidas minhas que já não são, vou ler-me e surpreender-me com o que dantes me saía dos dedos da alma, e há uma revolta daninha no peito que me esmaga por já não saber escrever assim, de já não sentir assim, de já não ter a quem entregar as palavras para me saírem assim. Leio-me no passado e espanta-me terem saído de mim, e entristece-me que tudo tenha sido para ele, dele, e que nunca nada tenha sido suficiente. Se o melhor de mim não chegou, se não chega nunca a ninguém, para que sirvo eu? E agora ainda mais, amputada de sentires e de palavras, que se não as tenho sem ele, eram dele. Se não fossem dele não desapareciam com ele - e a revolta esmaga-me o peito ao ouvir-me por dentro, por sentir, por perceber isto; revolta que não se domestica nem acalma. Se fossem minhas as palavras, ainda as tinha a lavrar os dias como quem lavra o vento, incessantemente, pelas velas enfunadas da alma. 
Fecho-me dentro de palavras antigas e vejo que havia uma parte de mim arrendada, ou talvez tomada de assalto, invadida, que era dele, era ele em mim antes de o saber ou conhecer, habitava-a  e habitava-me, e eu que pagava a renda, religiosamente, todos os dias com amor, com ternura, com desejo, e ainda assim fui despejada. Despejada de mim, despejada por ele, sou devoluta de mim mesma. Quero habitar-me, devolver-me, apropriar-me de mim e das palavras que me espelham, que me são, que sou. Quero ser casa própria em todas as assoalhadas. Não quero ninguém em mim que me seja mais eu do que eu.



Se calhar a simplicidade mais pura, mais feliz, é quando se está sozinho. Estava a pensar nisto quando à tarde num passeio a seis patas pelas redondezas me deparei com esta frase da fotografia. Faltava-me aquele bocado... quando se está sozinho sem inquietação. Sem solidão. A solidão é a falta de alguém, de alguma coisa, e toda a falta que corrói é o espaço duma inquietação. 
Se calhar a simplicidade mais pura, mais feliz, é quando se está sozinho em paz.

[fiquei a pensar que àquela frase só falta o "n" em reinventar, mas que, de resto, está lá tudo. Agora quando a pus aqui fui pesquisar a autoria da frase (quem teve a indecência de a pôr lá, teve mais decência intelectual que muito pseudo-intelectual erudito por aí, que não põe aspas no que não é seu..) e descobri que é de Vergílio Ferreira, no livro "Alegria Breve", que não li. Gosto muito do que escreve, um dos volumes do seu "conta-corrente", é meu livro de cabeceira, para reler às vezes numa página aleatória, há vários anos, porque faz-me pensar. Como esta frase acabou, completou, o que vinha a pensar no silêncio doce dum passeio de domingo vagaroso a seis patas e muito sol.]

domingo, 16 de abril de 2017


A danada a roer-me uns chinelos...
A danada apanhada, já sem o chinelo nos dentes...
A sacaninha com ar quase arrependido...
... Mais um domingo de manhã, daqueles domingos com aquelas manhãs que duram até quisermos, duram quase até à noite. 
Há dias em que só me apetece ver o sol passar da minha varanda. Eu passeio os olhos pelo passeio dele e ele passeia-se-me na pele. E durante estes passeios, às vezes, consigo não pensar em mais nada... E então a alma descansa, domingueira.


sexta-feira, 14 de abril de 2017

...então boa Páscoa. 
... mas vejam lá, não cansem demais o(a) coelhinho(a)...
;))


Clarice Lispector, in Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres

Adoro isto.
... Talvez fosse bom experimentar essa silenciosa alma animal.

"Ter uma inteligência mas não entender"; "ter loucura sem ser doida"...
E sempre que se pensa que se entendeu algo, usando a inteligência, então, entendemos errado. Quase sempre. Compreender é sempre errado, não ousar entender é ousar nunca errar. Adivinhar, pressentir, sentir saber pelas sensações sem qualquer razão, adivinhar, é uma espécie de curto-circuito, como um amor correspondido para Beckett... É raro, mas não será impossível. A vantagem do impossivel é que nunca se prova. 

quinta-feira, 13 de abril de 2017


Se precisas de um beijo hoje para que a tua realidade pareça inteira,
 hoje é o teu dia.
Se beijas para que os dias te sejam inteiros,
todos os dias são teus.


[e se alguém se perguntar o que raio faz esta foto a ilustrar um post no dia do beijo (dizem que é internacional o dia e tudo...), eu só posso alegar, em minha defesa, que há coisas que não se explicam; se alguém não as entende sem explicação, não há explicação possível que os faça entender que há olhares que nos beijam de tal forma que a alma resplandece em sorrisos assim, como o da foto: a que não tem beijos.]

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Jean-Luc Godard (une femme mariee)


"Sabes, ainda vejo.
Aquele indicador esticado, a enrolar e a desenrolar, o cabelo negro, enquanto lês O. Wilde no sofá, a mostrares as pernas, dobradas, com a minha camisa vestida.

Sabes, ainda vejo.
Aquele olhar, verde, penetrante, cortante, as pupilas dilatadas, as pestanas ainda maiores, que só acabava no quarto, com um suspiro.

Sabes, ainda vejo.
O morder do lábio, em gesto nervoso, sedutor, de quem me quer falar, confidenciar, um pensamento ou um desejo.

Sabes, ainda vejo.
O sorriso, maroto, terno, em busca da minha indignação porque não sabes comer esparguete.

Sabes, ainda vejo.
A pasta dos dentes aberta, porque tu nunca, mas mesmo nunca, a fechavas.

Sabes, ainda vejo.
E sinto. As tuas mãos no meu rosto, quando eu definhava, e tu, fria e assertiva, me gritavas "viver é a coisa mais rara do mundo, a maioria das pessoas apenas existe.", do teu querido O. Wilde.

Sabes, ainda vejo.
Os dias que eu nada dizia, ou quando por tudo, ou por nada, tu vias-me, tu sabias adivinhar o meu pensar, e fazias gala nisso.

Sabes, quando o teu cabelo passou a negro brilhante, o verde dos olhos ficou maior. Sabes, só de olhar-te, a dormir, como dormem os deuses, eu tinha tudo.

Sabes, é claro de sabes. Afinal dei-te tudo.

Sabes como sei? Porque não esqueço, que o que escrevi, disseste-me tu ao ouvido sobre mim, no dia que partiste.

É curioso. Sabemos que estamos perante uma das mulheres da nossa vida, como amiga, ou amante, quando lhe reconhecemos as pequenas coisas do dia-a-dia, e gostamos dos seus pequenos gestos e trejeitos.
Sabemos da importância de alguém, quando esse alguém, nos olha, e sabe, sem nada dizermos, o que se passa cá dentro, o que nos corre no íntimo, sem ser água ou sangue."

conta corrente (aqui), in como olho e as vejo
(lá saiu dos rascunhos, CC)


" só de olhar-te, a dormir, como dormem os deuses, eu tinha tudo"...
...mas sabes, nunca tive nada. Nada de ti, nada teu, nada que me quisesses dar, a não ser o lugar de alguém que tinha tudo só de olhar-te dormir, não tendo nada, não querendo mais nada.

Sabes, estou forrada de memórias de pequenas coisas, em que cada uma é maior que eu, cada uma dessas pequenas coisas, mal me cabe se as recordo,
...mas sabes, nenhuma és tu, nenhuma é tua, nenhuma é sequer pedaço de ti, são todas minhas, em que te imaginei do tamanho dessas pequenas memórias que me forram e transbordam, em que a mais pequena mal me cabe de tão inteira - ou de tão inteira me fazer.

Sabes, eu sempre te disse que fui tua, que desde que tu és tu para mim, sempre fui tua,
...mas sabes, não fui, eu fui de quem me entreguei sem saber, quem me foi tomando o olhar e a pele sem licença, e sem dar conta de não ser precisa licença para me invadires - porque de tão meu, deixei-te entrar como se fosses. Meu. Como eu.

Sabes, o tamanho das coisas que vemos está no nosso olhar, e os meus olhos a ti viram as tuas pequenas coisas com a imaginação do que nunca foste, nem fizeste, nem quiseste fazer,
... mas sabes, fizeste-me sentir - o avesso escondido dos teus pequenos gestos, das tuas pequenas  doces sombras, foram-me sempre enormes, avassaladoras de vida. Foram-me tudo o que tu me eras. Agora já não sinto que sinto.

Sabes, às vezes, ainda sou dessa imaginação, ainda sou uma das mulheres da tua vida, aquela de quem notavas os pequenos jeitos e trejeitos, como eu ainda vejo aqueles que em ti imaginei,
...mas sabes, disseste-me que podia ter sido a mulher da tua vida, podia... se podia, falhaste em imaginar o mesmo que eu, não me sentiste como te senti, como se tu  já fosses parte de mim antes de nós, e sempre continuasses a ser, porque não havia depois. Não havia depois de nós. Não havia, mas houve, mas há.

Sabes ainda me pergunto o que imaginavas tu, quando, no silêncio, eu imaginava que te adivinhava  e me adivinhavas só por nos olharmos,
...mas sabes, o que vemos é do tamanho do nosso olhar e tu nunca me chegaste a ver. 




Quando vi isto e guardei, lembrei-me do Moon... Hoje passei outra vez por ela e deixo-a aqui.

Se a alma hoje me viesse para o lado de fora eu estaria coberta de tempo que passou, muitas camadas diferentes de tempo - os passados são tantos e voltam tanto. Muitas texturas diferentes porque eu sou muitas, eu sou tantas e todas essas que sou me trazem passados que se multiplicam como feridas que abrem na pele de fora para dentro. Abrem, e há dias que crescem.
Hoje o sol não me aquece, a luz não resplandece. Não encontra eco em mim, ainda que toda eu seja paredes.
Hoje vim a viagem em silêncio, cheia de vontade de música. Daquela música que nos dá vontade, vontade de ter vontades, que faz o corpo começar a ondular, o sorriso a dançar e os pés a gargalhar, sem a cabeça dar conta. Hoje queria que a cabeça não desse conta de nada. Que a alma se colasse à pele, que que se colou à música que dançou sem saber... Mas não havia música. Queria que a alma ficasse quieta por trás da lua que não se vê, até ao dia em que se veja o brilhante da lua e o seu avesso, tudo ao mesmo tempo, tudo a um só tempo, como uma só. Como se só houvesse agora.

... Mas isto não era para nada disto, era só para dizer que me ainda bem que o Moon voltou :).... o resto escapou pelos dedos do tempo que me escapa pelos dedos.


terça-feira, 11 de abril de 2017


[foto @olheosmuros]

Isso!...
E mandem os currículos para aqui, sim?
(Que a falta de experiência não seja motivo de acanhamento, será providenciada logo logo...)
  

segunda-feira, 10 de abril de 2017


[Auto-retrato de Almada Negreiros]

"Encontrar sem buscar é coisa difícil e rara: achar aquilo que se busca é cómodo e fácil; ignorar e buscar (aquilo que se ignora) é impossível." - a frase que me fez tirar a fotografia, diz hoje tudo o que eu não consigo dizer  (acho que também faria parte do meu auto-retrato de sempre  -se o tivesse-, mas dos últimos dias, especialmente. O auto-retrato não são só traços de fisionomia, como me parece que este ilustra tão bem.)

domingo, 9 de abril de 2017


... Engraçado como a lua parece trazer a clarividência fria do que está (ou estava) oculto. E, no entanto, já houve tantas luas antes desta. Talvez eu ainda estivesse demasiado quente.

sábado, 8 de abril de 2017


Eheheh...
... E que belo dia para isso!!
(o sol é provavelmente o melhor antidoto para a melancolia...)

sexta-feira, 7 de abril de 2017


Irra que estão grandes!!.. As duas! Devia haver uma cláusula de proibição de crescimento a partir dum momento escolhido por nós... A patuda daqui a uns três meses está quase no tamanho adulto, a pezuda daqui a cinco anos começa a apresentar-me namorados (só tem autorização a partir dos quinze por isso só mos apresentará a partir daí...), vai começar a namorar primeiro que eu, já dizia um amigo meu cheio de sabedoria... Bahhh
E ainda por cima estão de férias a curtir o jardim inundado de sol... E eu entre quatro paredes... Buaaaaa... É injusto...
O que de mim destila
escorre em formas de ti
Tu vazas secura
Para que não sou vaso
Não guardo nada de ti
Escorres-me em palavras
Num rio
De que já não és mar
Palavras a que já não chegas
Dum lugar onde sempre fui partida
Nunca chegada
Nunca destino
Já cheguei onde não estás.
Ainda que me habites,
Já não te procuro onde não estou.
Escorres-me em palavras, só.

quinta-feira, 6 de abril de 2017


Dou por mim a pensar que a minha capacidade de síntese equivale à capacidade sprint dum caracol que não se babe (suponho que ainda andem menos depressa que os outros, né?...). Até na resposta aos vossos comentários escrevo várias vezes (muitas) várias linhas... espraio-me nas palavras como quem estende a toalha na areia dourada duma praia cheia de tempo e de caminhos e de conversas solarengas à sombra das palavras já ditas. Umas palavras - as vossas - trazem ideias e outras palavras agarradas, e, depois, não sei, juntam-se e parece que se multiplicam, e eu, de nada, escrevo parágrafos inteiros... não sei bem como nem porquê, acontece só, como quem desenovela o que já está estendido...  Não é normal, as pessoas normais só têm uma ou duas linhas de comentário. Acho que não sei comentar. Mas não digam a ninguém, que na ignorância desta minha incapacidade nós vamo-nos  entendendendo, sim?

      [imagem @trechosdelivro]

Há tantas metades em mim
Sou meia em tanta coisa
Meia doida
Meia racional
Meia destravada
Meia lógica
Meia complexa
Meia simples
Sou demasiadamente feita de metades
para me voltar inteira. 

E no meio de tanta volta
Pouco me mudo.


terça-feira, 4 de abril de 2017

Dias há em que é uma bênção ter números por perto, estar rodeada de números cheios de papeis, ou papeis cheios de números cheios de razões e outros tantos erros escondidos à espera que os descubra. Como hoje. Dias em que os números me cercam os pensamentos e cerceiam os sonhos, não os deixam vadiar pelos momentos que se arrastam a pairar em vidas enterradas. Há dias como hoje em que adoro mergulhar nos números para asfixiar as palavras que me enrolam o coração, porque os números batem certo, entendo-os, mesmo que não goste do que dizem. Têm lógico, têm um fio condutor, se o soubermos seguir descobrimos erros e descobrimos a verdade. As palavras não têm verdade que não a do seu dono, e mesmo essa tem dias... dias como hoje.
A verdade é que esta hora, em que a luz vai poisando nas coisas, lânguida e vagarosamente, é um convite descarado e atrevido a conversas e silêncios de tons quentes e sorrisos abertos. A verdade é que é sempre uma hora que suspende o tempo em momentos. Os números desvanecem-se entre os dedos do sol que vão deslizando pelo céu até descansarem no colo do horizonte, onde dormirão quentes, até amanhã. E eu sonho com um horizonte feito colo, em tons de pôr do sol e silêncios atrevidos...
... mas acordo,de volta aos números (quase lado a lado não ao colo...), que há coisas para acabar... 

??? Is there?