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quarta-feira, 14 de agosto de 2019


... impressionante como chamamos casa a um sítio onde dormimos durante meia dúzia de noites. Dizemos "vamos para casa"... e há uma certa estranheza neste hábito. Não é "casa", casa é mais do que um tecto onde guardamos as nossas coisas e dormimos durante uns dias. Ou devia ser, mas parece que não distinguimos. É tudo a mesma coisa. E quando regressamos deste sítio a que chamamos "casa" também dizemos que "vamos para casa". Então, tudo é casa...? há não só estranheza, mas promiscuidade neste pensamento. E não é verdade, nem tudo é casa. Casa é onde estamos, onde vamos descansar, onde procuramos refúgio, protecção, e para onde queremos voltar - é o nosso regresso, isso é verdade. Mas é mais do que isso, é onde somos nós, onde nos sentimos parte, onde as coisas nos espelham, onde o ambiente tem tudo a ver connosco, onde tudo é familiar, até o cheiro, único, nosso... A questão é se levamos isso connosco para onde vamos, e fazemos casa de cada sítio onde ficamos, mesmo que só enquanto lá estamos? Então o que é ser "casa" realmente? É de onde não temos vontade de sair (a não ser para, temporariamente, chamar casa a outro tecto) ou o sítio para onde temos sempre a certeza de poder voltar? 

Depois há quem diga que há pessoas que são "casa"... lembro-me, sem saber porquê. Os pensamentos são como as cerejas, e piores que as conversas. Há coisas que pensamos e conseguimos não dizer, só não conseguimos é impedir de nos lembrar, ainda que percebamos que lembramos, com o tempo, de formas diferentes. Suponho que isso é aprender, ganhar perspectiva, amadurecer - crescer. Só não sei se as lembranças através dos pensamentos, se nós. Ou se há, sequer, diferença.

sábado, 10 de agosto de 2019



Aqui deitada na rede, com um copo de vinho branco no chão, sinto o vento calmo arrepiar-me a pele e eriçar as estrelas. Deixo-me aqui ficar e dou por mim a pensar em Penélope - à noite desfaz o que à luz do dia alimenta. Penso se dou por mim a deflagrar o próprio inconsciente, não sei quanto tempo depois. Muito, talvez. Quão longa vai a mortalha? O que a noite me traz, eu devolvo com repúdio à luz racional do dia, à clareza da mente, à verdade do tempo. Quanto mais sentir a noite, mais a luz da razão queima o dia, mais afasto o que sei que não quero. E sei-o bem... Ainda assim, quando a escuridão se derrama no céu e as estrelas fazem a lua abrir-se, a cabeça fecha-se, adormece, ou esquece, ou sonha, ou nada disto e tudo o resto que nem sei imaginar. Não sei dizer de certa magia que me embala e enfeitiça, que me leva pela mão e me cala, que solta o que de mim não sei prender. Espírito noctívago este que se nega a ser-me fiel, ou talvez infiel. Sei que a manhã, o raiar pleno do dia, fecha os olhos às estrelas, desce as pálpebras da lua que tudo vê, e desfaz o feitiço, enquanto eu desfaço tudo o que a noite me desfez: faço - afasto de mim tudo, o que não me estando próximo nem distante, trago em mim como se conseguisse repudiar. E consigo. Tenho números como norte e falta de tempo como ponte. Só o Alentejo me atraiçoa por se negar a trair-me. Não haverá noites mais puras... mas o dia traz com força tudo outra vez, eu sei. Até logo.
Gosto de sítios onde posso deixar as portas abertas, para onde o olhar pode  fugir. Em que a luz entra, os sons passeiam-se pelos cantos do silêncio, onde estamos dentro sem deixar de estar fora,  em que há uma sensação de parte de nós estar na brisa que passa. E que nada mais passa que não seja dali. Tudo pertence, nós pertencemos. Não há gente, não há vozes que nos sejam estranhas. Há uma vida só nossa, ou parece, onde o tempo nos brinca nos dedos, ora os paralisa ora desenham coisas indizíveis no ar, ou na pele, ou só em sonhos. 
As portas só se fecham à noite por causa das melgas assassinas, ou quando não há alma em casa. 

sexta-feira, 9 de agosto de 2019

Habituava-me a isto...
Sossego, sol, pequeno almoço ao ar livre (podiam era levar as abelhas que são ligeiramente chatas) e com coisinhas boas, é só desembrulhar e tirar do cesto: compotas, sumo, croissants dos bons, dos que comprei durante muito tempo lá para casa (lembro-me agora que há muito não compro, e penso isto sem mais, não há dores reflexas aqui e percebo isso...)... 
... mas o que eu precisava durante muito tempo era disto... ahhhh precisava.
Ontem até encontrei o monte perfeito para comprar... num ponto mais alto, perto e com vista para a água, e com ruínas para reconstruir, longe da estrada o problema seriam acessos, electricidade e saneamento, mas nada impossível... a não ser o seu grande defeito.... já estava comprado por quem não vende... enfim as vezes as coisas são perfeitas mas só à primeira (ou segunda, vá) vista...

Bom dia!

quarta-feira, 7 de agosto de 2019



Um chapéu fechado 
guarda o sol que abrirá amanhã

Uma cama com lençóis de clara brisa 
onde me deito com a escuridão 
e acendo todos os segredos que apaguei

Uma rede onde o olhar se balança  
nas estrelas que não caem, que ficam.
as que caem soltam-me sonhos no regaço 
que não caem, nem ficam.

A lua escuta a noite comigo 
e manda calar-me os gritos de silêncio

terça-feira, 6 de agosto de 2019

... das decisões difíceis...
Aiiii que a vida é tão difícil 
quando se tem de tomar decisões... 

Bom dia!

quinta-feira, 25 de julho de 2019


Uma pessoa que gosto muito deu-me isto há uns dias.
Disse que era para eu trazer para o meu escritório novo.
Para saber para onde quero ir, para me dar alento.
O meu monte no Alentejo, diz-me.

...e agora parece que começa a ser de muita gente, 
deu para estar na moda aparecer em todas as capas de revista...
 não há direito... 

mas eu olho para o quadro que me deram
 e apetece-me. ainda. a paz, 
a tranquilidade em tons de dourado sobre a terra. 
Disse-o, e quando me questionaram sobre esse gosto, face à presença de tal quadro no escritório:
“ e consegue? Com essa dinâmica toda?? Que lhe faz?  Nahhh não acredito”...
 (eu devo enganar muito à primeira vista, esta gente não sabe o que diz) 
... danadinha para isso ando eu. nem sabem...só mais uns anos. 
só mais uns anos, e penduro-o no meu futuro novo escritório: 
um alpendre :)) com vistas sem telhados até ao horizonte.

Alguns sonhos ainda tenho. :)

sábado, 6 de outubro de 2018

Ontem fiquei a olhar este céu imenso à espera de ver uma estrela cadente, uma que fosse. Como um sinal ou uma prova de Alentejo (sempre que aqui estou deixo os olhos vaguear pelo céu já noite mais que cerrada ) e nada. Nada mesmo, não vi nem uma. Hoje sentei-me aqui outra vez, debaixo deste céu cheio de pontinhos tremeluzentes, que não sei unir nem deslindar, e de nariz no ar e mão no copo de vinho agarrei uma a escapar-se, a cair céu adentro. Hoje, hoje que não pedi nenhum desejo. Talvez também isso seja um sinal... mas de quê?
Sei que estou aqui oiço cães ao longe e cigarras e o silêncio das estrelas. Mais nada. E de repente, apetecia-me conversar, acho até que me apeteciam coisas que nunca tive... mas com quem? 
Só tenho perguntas assim, sem resposta, talvez seja da garrafa de vinho mais de metade vazia, ou da escuridão inteira que não me adormece, ou da vida que sempre me fica por acontecer... mas porquê?

sexta-feira, 5 de outubro de 2018



Este lusco-fusco, estas cores quentes que me aceleram o passo do coração, estas estradas serpenteadas que me fazem curvar com prazer, num misto de vontade da vagareza do deleite e a tendência de carregar no pedal... se houvesse razões para uma pessoa se apaixonar por lugares, talvez estas fossem as minhas pelo Alentejo. Fujo para aqui e descanso-me do mundo. Quase não falo, e ouvir só a música no carro e pouco mais. Desde ontem o mundo desacelerou, começa na viagem  como se se fosse acomodando à pele, a colá-la, quase a absorvê-la, hoje ganhou outras cores, ontem sossego hoje passeio. Não me canso disto. Pode ser perigoso.

sábado, 2 de junho de 2018





Terra cor de fogo
Incendeia-me o coração
pelos olhos,
Enterrado em ti
Como terra tua
Semeada de
Futuros estéreis

Despertador avistado e em fuga!!...
Agarrem-me senão eu tiro-lhe as pilhas!!!...
... ou as penas, sei lá... O que quer que funcione 
para ele deixar de funcionar, tão cedo pelo menos...

Bom dia!!




Caramba... como é que estaria se não estivessem nuvens?? A luz é tal que inunda o chão. E está menos frio que há bocado. Está-se bem aqui, às quatro da manhã, de pijama já , e enrolada numa manta, a ver esta luz almofadada espectacular e a fumar um cigarro. Depois de ver um filme e ter acabado um livro.
Depois de muito tempo na escuridão os olhos habituam-se, vê-se como ao raiar da manhã, torna-se confortável, doce até, íntima. Depois o que pode ferir é a luz.

Às vezes pergunto-me se não estivesse sozinha se gozaria assim estes dias. Qual seria a probabilidade de estar aqui neste preciso momento?

sexta-feira, 1 de junho de 2018

O primeiro café do dia... é tão bom não haver horas, 
ou haver horas mas não haver horários, 
havendo tempo em vez de tudo isso.
Café...
com massagem ou sem massagem, eis a questão...
:))

quinta-feira, 31 de maio de 2018


A estrada muda, serpenteia a terra na frescura próxima do mar, e ali na cortada de Porto Covo o sorriso cola-se aos lábios, ao ritmo da música abanam-se os ombros, o corpo, rimo-nos à ideia dos moinhos de Quixote a rodopiar ventos à nossa esquerda, que não queremos combater, abrem-se as janelas ao azul estendido no céu e há qualquer coisa que me faz sentir abençoada, sortuda afinal de contas. Há dias em que me regresso, reconheço-me nos caminhos, percorro-os como quem volta ao que nunca deixou de ser. 
E porque sim, porque me apetece, porque maior parte dos desejos são fáceis de satisfazer, resolvo ir sacar umas amêijoas na companhia dum copo de vinho branco, em frente ao mar, numa esplanada deserta, só para mim. Aprecio a brisa e o marulhar... a vida como ela pode ser. 
...Chega um esperto e redesenha a paisagem com uma caravana... a sério. Não há forma de acautelar a nossa sorte da estupidez alheia... mas ele ficou com a melhor vista. A estupidez é relativa... se calhar até a sorte. 



sábado, 21 de outubro de 2017


E um dia o sossego vem. Não vem para ficar, só para dar umas tréguas à loucura dos últimos tempos. No ar paira o perfume a alfazema, à minha volta só campos de alfazema, oiço insectos a voar por aí e um badalar contínuo vindo do monte, e ainda, nesse longe, consigo adivinhar um cão dum lado para o outro, preto, ou escuro, pelo menos... de resto não se ouve mais nada. Olho este céu azul e penso que há dias, durante muito tempo, o dia não chegou a acordar no céu e as cores eram todas feitas de cinza. Agora as nuvens são brancas e compõem o azul claro do céu. Dizemos que tudo volta ao normal, que o tempo trata de tudo, mas na verdade só nos dá oportunidade de começar de novo noutro tempo, que nunca é igual - traz dentro todo o tempo que foi e já não é.


terça-feira, 12 de setembro de 2017


E depois de, como fotógrafa oficiosa do fim de semana, descarregar as fotos e me rir um bocado, escolho esta para o resumir - uma das últimas que tirámos (que se tirou sozinha, na verdade) onde estamos todas na palhaçada -, e volto à minha varanda, ao céu mais pequeno e recortado de telhados, à manta que me enrola e ao mesmo ritual do último cigarro. A época de férias, de verão, de praia, está a acabar ou poderá já ter acabado.... No domingo ainda deu para pôr o pé na areia e experimentar o Atlântico só um bocadinho, o regresso à terra da normalidade (pouco normal) fez-se aos bocadinhos, saltitando praias, mas já com menos conversa, o cansaço já nos amassava o corpo e a perspectiva de mais uma semana "normal" afundava-nos quase todas as palavras leves e risonhas...
Cheguei a casa e a bicha, tão doida de contente, lá me deu mais uma unhada na perna... nunca ninguém ficou tão genuinamente feliz de me ver, a cada dia é como se chegasse da guerra e a minha sobrevivência fosse uma benção, mas por causa das coisas resolveu comer a sandes que trazia no saco de praia (desembrulhou o papel e tudo... uma limpeza), mal me apanhou desprevenida e distraída... o raio da bicha é matreira como tudo, ralhei-lhe e ela aninhou-se de olhos baixos, com a perfeita noção que tinha feito asneira, mas que a sandocha ganhava largamente ao meu discurso e lhe aconchegava agradavelmente a barriga ...  mas fez aqueles olhinhos meigos e indefesos, e lá me levou na cantiga e em mais umas festinhas... danada da criatura, qualquer dia é outra que faz de mim o quer (desde que eu também queira...)
Agora estou assim, no meio de instantes passados, sem vontade de um amanhã de trabalho que (ainda) não me apetece... ficava aqui esparramada nas paletes, debaixo do calor da manta que é apenas meu, e deixava-me anoitecer assim. Só deveria acordar quando me amanhecesse. Com a vida em rotina chegam-me outras coisas que quero afastar. Os sítios estão impregnados de coisas a que dificilmente se consegue fugir, memórias pousadas que o compasso do coração não deixa assentar. Mas enquanto há forças renovadas vai-se tentando e, às vezes até, conseguindo, o pior é depois. Mas o depois pensa-se depois. Agora tenho de pensar em sacudir a preguiça e levantar-me daqui... e apetece-me deixar isso para depois... falta o sol nascer-me na vontade.

domingo, 10 de setembro de 2017




... receitas caseiras... ou só para embrulho... 
porque há doces sem receita possível, 
o irrepetível não tem receita.
Já a última parece-me bem, principalmente se o caminho for acompanhado de Portishead (que apelidaram de meu ritmo e eu tendo a concordar, a sonoridade tem muito a ver comigo). É viver a vida, sem receita e dispensando papel de embrulho, mas parece-me que isto de se ser feliz não deve ser só fazer bolos (senão estou tramada, diga-se...), digo eu.
Bom dia!




sábado, 9 de setembro de 2017


...acordar já com olho na preguiça do alpendre. 
... tomar o pequeno almoço e comer com os olhos. Pensar em um dia mudar de vida e lambuzar-me assim todos os dias, sem cerimónias, sem tempo regateado, sem ânsia por horizontes largos. Talvez um dia, talvez qualquer dia, talvez num onde qualquer, um lugar que se torne o meu sítio. E esta palavra continua a balancear-me por trás do olhar, a dançar-me entre pensamentos, fintando instantes vazios, à procura da medida certa da sua definição. Sítio, o lugar certo para alguma coisa ou alguém, não tem coordenadas, porque não é das geografias mas dos afectos, pode ser gente, pode ser parentesco de coração ou de sangue, pode ser a história que vestimos de um lugar que se torna parte de nós, pode ser qualquer coisa onde nos sintamos pertencer, onde nos sintamos em casa, em que percebemos sentir a nossa inteireza. Só nos apercebemos da importância da inteireza quando nos vimos partidos sem saber o que (re)fazer dos cacos. Talvez o nosso sítio seja onde formos capazes de curar e renascer. Esquecer quem nos despedaçou e lembrar só que podemos quebrar. Preservarmo-nos, conservando o olhar, de dentro e de fora, em sítios onde sentimos beleza, agora e nos agoras que já foram.

quinta-feira, 3 de agosto de 2017


Ahhhhhh já tenho saudades...
Dolce fare niente...
E sabem que mais? Não me safei. Estou metida em sarilhos... eu não bato bem, cada vez tenho mais provas disso... valhamedeus e a minha santa estupidez...

segunda-feira, 31 de julho de 2017



Deixa de fora da janela o azul - o pintado e o do céu que todos falam, pintam, olham e gastam sem provar -, vê-me, deixemos a luz fria lá fora e deixa-me iluminar pelo teu olhar.
Deixemos as grades trancar do lado de fora - só agora, mas para sempre agora - o mundo que não somos, para livres nos sermos inteiros por dentro e por fora.
Deixa, que o mundo de fora se for nosso, se for uma forma de nós, vem parar cá dentro. Não te inquietes, que o dentro é o que nos faz parte.
Deixemos que a nossa pele mate a fome dos sentidos e a alma a sede de vida que transborda o real. Deixemos o azul lá fora para quem quer agarrar o céu e se habituou a mãos vazias. Dá-me a tua mão, que as minhas são tuas, e o nosso céu é este chão onde nos deitamos a amar-nos em todas as cores que os olhos ainda não conhecem.
Poisa todas as tuas cores na minha boca, deixa-as entrar em mim, fazerem casa, serem casa. Desfia uma nuvem de algodão doce e cose a tua boca à minha, só assim, agora, em fio de sonho...
Agora, e para sempre agora.


[mas agora, agora, já mesmo, é mergulhar ali em baixo que o calor coze-nos por dentro em lume brando... Quero fresco. Quero esquecer tudo o resto. Deixá-lo aqui a repousar em palavras. ]