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quinta-feira, 22 de agosto de 2019

[foto @_georgemayer]

Viste-me,
eu olhei-te
sem saber se te via
Sem saber quem via

Como quem ouve um eco
Que retorna
O que nunca foi dito

Senti
Que não te senti
Como um novo sentido
Sem ti

quarta-feira, 7 de agosto de 2019



Um chapéu fechado 
guarda o sol que abrirá amanhã

Uma cama com lençóis de clara brisa 
onde me deito com a escuridão 
e acendo todos os segredos que apaguei

Uma rede onde o olhar se balança  
nas estrelas que não caem, que ficam.
as que caem soltam-me sonhos no regaço 
que não caem, nem ficam.

A lua escuta a noite comigo 
e manda calar-me os gritos de silêncio

terça-feira, 30 de julho de 2019


apetecem-me palavras
para entreter a boca enquanto
não as espanta o grito que
já espreita debaixo da língua

Bénédict Houart


[apetecem-me. 
apetecem-me palavras desfiadas de sentidos
mas não as procuro, não me apetece. 
fogem-me como os pensamentos que não poisam, 
sempre em voos longínquos que não quero atentar, decifrar, 
sequer saber do seu destino. 
não quero ser o silêncio que mastigam,
nem  acordar o grito que não quero adormecer. 
Não o quero saber, sentindo-o; 
nem desconfiá-lo, sabendo-o. 
quero que me fuja como as palavras que não me apetece procurar, 
para dizer que nada mais quero deixar dito.]

quarta-feira, 12 de junho de 2019

[foto @zynp]

Esguias,
empoleiradas na jarra.
A luz a cair do dia,
inclina-se-lhes,
aconchega-se quando lhes chega
quente e lânguida,
a escorrer das paredes, quase anoitecidas
É esta a hora apetecida
que tantas vezes me esquece apetecer
Em que sou
o tempo que me foge
para poder estar
Sabendo ser(me).


[a hora mais melancólica do dia, a cor mais lânguida, a inquietação mais vagarosa, o tempo para preencher de mim, e o espaço enche-se de palavras para me deixar a boca vazia, cheia de alma. Sabe-me bem o tempo às vezes.]

sábado, 1 de junho de 2019


Sinto que não me sentes.
Não te sinto.
E o que mais sinto,
é esse não sentir
teu, que é meu.

E nele aconchegada,
aninho-me,
sonho sozinha.


quarta-feira, 29 de maio de 2019

[imagem @iwitchalice]

Há sítios donde só se sai pelo próprio pé.
Há sítios em que o mais difícil é sair pelo próprio pé.
Ficamos sem pé, e sabemos. 

Como ter vertigens e um abismo para aprender a voar.
Só o medo de nunca voar nos empurra.


(Hoje o despertar foi assim, com frases a colarem-se ao lado de dentro da pele ainda por acordar.)

quarta-feira, 22 de maio de 2019

[foto @sixnfive]

O anoitecer desce primeiro os ombros nus das casas,
entra nos olhos pela vida espremida do dia,
escorre liso pelas paredes em sombras,
alaga o chão até me molhar os pés de tempo,
beber toda a pele e galgar a alma como um touro cansado,
para ir cair na escuridão cerrada do céu
só salpicada por grãos de açúcar que derretem a noite
e não (me) deixam dormir.

terça-feira, 30 de abril de 2019



Abro o peito
cheira-me a terra remexida
à força de arrancar raízes.

Troncos grossos
Que a terra não cedeu,
decepados rente ao chão
Como tambores
Discos riscados
ecoam memórias ocas
Cada anel um sorriso morto
Por enterrar.

Abro a janela
entra um frio
entranhado no tempo
Fecho o peito
Não há tempo
Só frio


quinta-feira, 18 de abril de 2019

[foto @in_somnia_ ]

Saber escrever pouco
Poucas linhas
Não mais que três palavras
Arrumadas por linha
Para ser bonito
Ser clara e concisa

Mas não sei

Uma coisa
É tanta coisa
Na minha cabeça
Até o nada
É uma espécie
De quase tudo

E eu não tenho nada para dizer.

Para ficar bonito.




[... hoje almocei sozinha. Nota-se. Deu nisto.]

quarta-feira, 17 de abril de 2019

[foto @diego_durden]

Como o eco dum passado perdido
a meio caminho do esquecimento
a noite estremece-me do desejo
que há muito foi prazer
pele, língua e cheiro

Mordo o querer enraivecido,
rasgo o arfar adormecido,
cravo as unhas na escuridão
de tudo sentir esculpido
na sombra da pele
a estocadas cruas, cruéis,
de vontades que não envelhecem
de tanto enterrarem
nos intervalos das noites
as rugas do tempo
que não se vive

mas mata

sábado, 6 de abril de 2019

Devagar, como uma sombra de fogo,
o horizonte incendeia-se, abre-se à noite,
sequioso, esfaimado,
com dentes cheios de mãos,
numa paixão sempre por saciar.
Como uma nudez 
à míngua de pele.


terça-feira, 2 de abril de 2019


[imagem @sixnfive]



não me chegam
as migalhas do sonho
que roí sem comer

entretenho
talvez outro sonho,
ou o vazio da esperança

quinta-feira, 21 de março de 2019

Antonio Orihuela


Vamos arder-nos em poesia
Consumar-nos sem métrica nem rima
Na pureza natural do fogo
Que é a vida
No silêncio dum verso
Que a pele guarda por abrir
Como um beijo por incendiar


[Porque é o dia dela.
Porque hoje me apetece.
Porque sim.
Por todas as melhores razões
sem razão.]

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

[foto @niravphotography]

E no precipício de luz, 
o problema nunca é o abismo, 
mas a vertigem.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019


A escuridão fechada na noite
Abre um incêndio ao fundo
Abismo de cada horizonte
Onde o ser se separa da pele
Onde a noite dá o salto
Onde o amor se rebela e revela
Onde tudo é uma incerteza
Tão certa que queima
Se debaixo da pele
não estivermos sós

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019


[foto @karelchladek]

Dá-me canções monossilábicas
e músicas de silêncio inteiro
Vou cobrir os meus lábios de noite
e descobrir, na tua, a boca da lua
Quero morder a vida na tua pele
e lamber o gemido da seiva
a escorrer pela minha
Deixa-me comer a tua fome
que a poesia não me sacia a pele.



terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

[Charles Bukowski]

Cautelosos o suficiente 
para não arriscarem a vida
Seguro o bastante 
para que vivê-la não os mate.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2019


[foto @niravphotography]

Tenho um raio de luz atravessado na espinha
Tenho uma réstia de vida presa na pele

Há luzes que não se extinguem
E só a liberdade escolhe a pele da sua prisão.

Há sonhos que iluminam
Mesmo quando se apagam.

Ficam-nos na espinha, debaixo da pele,
onde só se chega por dentro das mãos.


quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

A estranheza de um silêncio inteiro
dividido em duas palavras:
uma tua, outra minha.

Silêncio que grita
entre sílabas de nada.
Página riscada sem escritos.
Entrelinhas duma folha em branco.
A vida toda por dizer.
Todas as mortes por gritar.

Calemos o silêncio
sem palavras.

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

[foto @seeavton]

Nos dias de neblina parda 
surgem por vezes,
 com uma nitidez desconcertante,
  palavras com boca de beijo,
que mordiscam atrevimentos imaginários 
 e acordam a alma. 
Há quem lhes chame poesia, 
outros chamam-lhes sonhos. 
A mim dão-me vontade de ter vontade 
de beijar com palavras
 a poesia da pele, 
que acorda sem querer, 
num corpo que só deseja continuar um sono dormente.
Há acordares que custam como partos.

Palavras com boca de beijo, 
promessas sempre por cumprir.
Realidades por acordar.