quarta-feira, 28 de agosto de 2019

... confiem em mim, é um boa política. Para toda a gente.

Entrei na caixa de mail errada como quem entra na sala errada e se depara com o que não quer. Fiquei a olhar para a resposta em rascunho por enviar datada de alguns meses. Os mesmos da decisão de não responder, mas também não apagar, sabe-se lá porquê esta ultima parte... Tal como quem entrou numa sala que não era o destino procurado, mas está em sua casa, numa divisão não muito visitada, dá-se o caso de mexermos nalgumas coisas que estão em cima da mesa, esquecidas, ou apenas ali abandonadas da última vez que a divisão ainda era parte viva da casa, altura em que não era ainda museu.  Antes de decidirmos fazer daquela sala museu das coisas que, a certo ponto, não quisemos mais, que recusámos, mas que existiram. Demais até. Reli o mail, pouco curto, num misto incerto de sensações, e nenhumas boas... E digo-vos só: não sei porque não acerto no Euromilhões, tudo o que lá está escrito, assim aconteceu. Tudo como previ. Tudo o que chegou a ser dito foi esquecido, tudo o que foi prometido foi mentira, toda a confiança que me foi afiançada foi deitada por terra, mentida sem problemas, tudo que foi avisado ignorado foi, para que o resultado fosse nada resultar dali. Resta-me a dúvida da intencionalidade de tudo, dúvida de que já não quero, sequer, aclaração. Só me fico aqui a pensar se tenho também a chave vencedora, o bilhete premiado, no bolso, e só não sai porque não jogo... será? Pelo menos naquele bolso sou muito rica, e sábia. Mas só naquele bolso, do que nunca foi jogado, daquilo em que nunca me apostei inteira, ali, onde acerto a previsão de que nada de bom me sairia dali. 
[imagem @diego_cusano]


Enfiar a cabeça em café, como outros em ideias feitas.
Submergir o resto do corpo em trabalho, como (quase) todos que se fogem.
Acordar dos sonhos estranhos que me protagonizam as horas de olhos fechados. 
Esquecer a inundação de casa há noites atrás, em que quase morri. Penso que procurava-se concluir que acordei a tempo (suponho eu, ou o sonho, já não sei), que a água que subia não me afogou, mas que era estranho, e tão assustador, caminhar sem ver o chão, mais estranho ainda era perceber que só dentro da minha casa as cheias tinham chegado. Só comigo a vida estava zangada. Do lado de lá da porta, tudo como dantes. Há desastres que só nos acontecem a nós, submergem o nosso chão, mas não morremos. Hoje o sonho foi estranho. Talvez eu tenha mesmo acordado a tempo. O peito em que descansei a cabeça quando a cabeça dormia, nunca teve nada meu dentro, e eu nunca tive um peito para encostar e descansar, para me aninhar sem precisar de defesas, mesmo que parecesse que sim. Era o tempo de todas as defesas, e eu despojada, sem saber. Agora até os sonhos concordam, contam-me o mesmo com várias histórias, e que já perdi muito, que tenho mesmo de ter acordado a tempo. Depois de acordar, o café ajuda. E agora tomo o meu sem açúcar. 

domingo, 25 de agosto de 2019

Começou a relampejar e o céu estava lindo, não me apetecia ir para casa, dei uma volta maior para esticar a viagem, mas não me estiquei muito. Cheguei a casa e não consegui apanhar nenhum raio. Raios! Mas subi dois andares e apanhei este céu que nem a fotografia consegue descrever as cores... que maravilha...


[Rui Caeiro, in O sangue a ranger nas curvas apertadas do coração.]

E quando o perdemos, deixamos, outra vez, de ser um corpo inteiro. A alma descose-se da pele pelos abismos do desencontro, e sabemos menos do que antes, menos do que alguma vez soubemos. Do mundo, de nós, dos outros: essa amálgama disforme e contínua, que é tudo o que não somos, nem entendemos.
Um dia, um dia encontramos um corpo que somos e não somos, e quando deixamos de o ser perdemos tudo o que não soubemos saber, e queremos esquecer. Teremos de aprendermo-nos de novo, como se acreditássemos. Como se não soubéssemos menos do que alguma vez soubemos. Como se não soubéssemos que na vida não há norte, nem bússola, nem o caminho traçado nas estrelas, nem retorno. Que nada tem uma razão, e isso é a razão de tudo... Se ainda acreditarmos que um encontro não é um desencontro fora de tempo, que o tempo apanha. Sempre. 
Sempre?

quinta-feira, 22 de agosto de 2019

[foto @nurukimondo1]

Quando precisarem de uma massagem ao ego, dum upgrade na auto-estima... de serem enganados descaradamente, pronto, ponham umas fotos no fakebook. É que digo-vos, não importa a fotografia, se está bem ou mal, se estão apresentáveis ou parecem precisar urgentemente de remodelações, estando horríveis ou  giras de parar o trânsito... os comentários são sempre que estao o máximo! Verdadeiras belezas estonteantes. Chegamos a duvidar se estão a ver a mesma fotografia que eu... ou se estão a gozar desenfreadamente e sem vergonha.
Às vezes vejo comentários desses e só me pergunto como é possível dizerem-se tais barbaridades... que eu agradeço, porque farto-me de rir, confesso. Mas também me pergunto se os visados acreditarão... mas olha, uma coisa é certa, lá que sabe bem ler quando somos nós, sabe. Tenho de começar a usar para massagem ao ego, a sério...
O pior é conseguir acreditar... e pelo que vejo em muitos casos só se for para rir... mas há dias em que é mesmo isso que se precisa :D



[foto @_georgemayer]

Viste-me,
eu olhei-te
sem saber se te via
Sem saber quem via

Como quem ouve um eco
Que retorna
O que nunca foi dito

Senti
Que não te senti
Como um novo sentido
Sem ti

quarta-feira, 21 de agosto de 2019

[Nuno Moura]

... um beijo. 
Um só beijo.
Uma calamidade.
Uma viagem sem regresso.

terça-feira, 20 de agosto de 2019

[foto @woodycampbell]

Chapéus há muitos, seu palerma!!!
Pois... mas o verdadeiro palerma enfia o barrete!!
(ou quase, às vezes ainda se vai a tempo, mas só quando se quer, 
e não se é verdadeiramente palerma (quero acreditar)...
e não se gosta de barretes, vá. há quem goste, pois, não duvidem. 
e também há gente estúpida, isso também, mas isso ninguém duvida.)

Isto a modos que resume o (meu) estado de espírito....
... deve ser do sono bem aproveitado :)))

sexta-feira, 16 de agosto de 2019

[Jorge Roque, in Telhados de Vidro, Ed. Averno (não era esta foto que estava nesta publicação, mas cruzei-me com este texto e não resisti... gostei das palavras, muito.)]

Palavras: letras, sons, significados.
Ritmos e simetrias,
Melhores se assimétricas,
com ou sem métricas
bem medidas
prefiro cem vezes sem

Finas superficies de profundos abismos
escondidos nas fendas dos sentidos
Escondem tanto quanto mostram,
enganam tanto quanto confessam:
quem lê, vê como lê;
quem vê, lê como vê.

Refúgio dos que não podem ser protegidos
desespero dos que não podem ser entendidos

Companhia dos que querem estar sós.

Palavras,
como a pele sobre ferida de alma.

quarta-feira, 14 de agosto de 2019


... impressionante como chamamos casa a um sítio onde dormimos durante meia dúzia de noites. Dizemos "vamos para casa"... e há uma certa estranheza neste hábito. Não é "casa", casa é mais do que um tecto onde guardamos as nossas coisas e dormimos durante uns dias. Ou devia ser, mas parece que não distinguimos. É tudo a mesma coisa. E quando regressamos deste sítio a que chamamos "casa" também dizemos que "vamos para casa". Então, tudo é casa...? há não só estranheza, mas promiscuidade neste pensamento. E não é verdade, nem tudo é casa. Casa é onde estamos, onde vamos descansar, onde procuramos refúgio, protecção, e para onde queremos voltar - é o nosso regresso, isso é verdade. Mas é mais do que isso, é onde somos nós, onde nos sentimos parte, onde as coisas nos espelham, onde o ambiente tem tudo a ver connosco, onde tudo é familiar, até o cheiro, único, nosso... A questão é se levamos isso connosco para onde vamos, e fazemos casa de cada sítio onde ficamos, mesmo que só enquanto lá estamos? Então o que é ser "casa" realmente? É de onde não temos vontade de sair (a não ser para, temporariamente, chamar casa a outro tecto) ou o sítio para onde temos sempre a certeza de poder voltar? 

Depois há quem diga que há pessoas que são "casa"... lembro-me, sem saber porquê. Os pensamentos são como as cerejas, e piores que as conversas. Há coisas que pensamos e conseguimos não dizer, só não conseguimos é impedir de nos lembrar, ainda que percebamos que lembramos, com o tempo, de formas diferentes. Suponho que isso é aprender, ganhar perspectiva, amadurecer - crescer. Só não sei se as lembranças através dos pensamentos, se nós. Ou se há, sequer, diferença.

segunda-feira, 12 de agosto de 2019

As paredes cheias de amor e as ruas sem alguém que ame. 
Nos muros da cidade faltam sombras de gente.
Faltam conversas mornas e lentas, como as horas daqui.
Talvez a Marta tenha partido, ou talvez o amor se tenha partido,
talvez dos cacos nasça o vazio das ruas.
Talvez o vazio profundo escorra das paredes escritas à superfície.
Só as palavras continuam a vestir os muros frios.
As palavras não aquecem.
Talvez a Marta saiba.

[faz-me perguntar o que aconteceu à Marta e a quem escreveu há nove anos este achado que foi um encontro do que queria. E queria mesmo? Nove anos pode ser tempo demais ou pode saber a muito pouco, umá coisa é certa, é tempo suficiente para não se repintar paredes...]

sábado, 10 de agosto de 2019



Aqui deitada na rede, com um copo de vinho branco no chão, sinto o vento calmo arrepiar-me a pele e eriçar as estrelas. Deixo-me aqui ficar e dou por mim a pensar em Penélope - à noite desfaz o que à luz do dia alimenta. Penso se dou por mim a deflagrar o próprio inconsciente, não sei quanto tempo depois. Muito, talvez. Quão longa vai a mortalha? O que a noite me traz, eu devolvo com repúdio à luz racional do dia, à clareza da mente, à verdade do tempo. Quanto mais sentir a noite, mais a luz da razão queima o dia, mais afasto o que sei que não quero. E sei-o bem... Ainda assim, quando a escuridão se derrama no céu e as estrelas fazem a lua abrir-se, a cabeça fecha-se, adormece, ou esquece, ou sonha, ou nada disto e tudo o resto que nem sei imaginar. Não sei dizer de certa magia que me embala e enfeitiça, que me leva pela mão e me cala, que solta o que de mim não sei prender. Espírito noctívago este que se nega a ser-me fiel, ou talvez infiel. Sei que a manhã, o raiar pleno do dia, fecha os olhos às estrelas, desce as pálpebras da lua que tudo vê, e desfaz o feitiço, enquanto eu desfaço tudo o que a noite me desfez: faço - afasto de mim tudo, o que não me estando próximo nem distante, trago em mim como se conseguisse repudiar. E consigo. Tenho números como norte e falta de tempo como ponte. Só o Alentejo me atraiçoa por se negar a trair-me. Não haverá noites mais puras... mas o dia traz com força tudo outra vez, eu sei. Até logo.
Gosto de sítios onde posso deixar as portas abertas, para onde o olhar pode  fugir. Em que a luz entra, os sons passeiam-se pelos cantos do silêncio, onde estamos dentro sem deixar de estar fora,  em que há uma sensação de parte de nós estar na brisa que passa. E que nada mais passa que não seja dali. Tudo pertence, nós pertencemos. Não há gente, não há vozes que nos sejam estranhas. Há uma vida só nossa, ou parece, onde o tempo nos brinca nos dedos, ora os paralisa ora desenham coisas indizíveis no ar, ou na pele, ou só em sonhos. 
As portas só se fecham à noite por causa das melgas assassinas, ou quando não há alma em casa. 

sexta-feira, 9 de agosto de 2019

Habituava-me a isto...
Sossego, sol, pequeno almoço ao ar livre (podiam era levar as abelhas que são ligeiramente chatas) e com coisinhas boas, é só desembrulhar e tirar do cesto: compotas, sumo, croissants dos bons, dos que comprei durante muito tempo lá para casa (lembro-me agora que há muito não compro, e penso isto sem mais, não há dores reflexas aqui e percebo isso...)... 
... mas o que eu precisava durante muito tempo era disto... ahhhh precisava.
Ontem até encontrei o monte perfeito para comprar... num ponto mais alto, perto e com vista para a água, e com ruínas para reconstruir, longe da estrada o problema seriam acessos, electricidade e saneamento, mas nada impossível... a não ser o seu grande defeito.... já estava comprado por quem não vende... enfim as vezes as coisas são perfeitas mas só à primeira (ou segunda, vá) vista...

Bom dia!

quinta-feira, 8 de agosto de 2019

E agora? Qual o senhor que se segue?
Uma pessoa vem uns poucos dias para longe e como não sabe nunca o que lhe vai apetecer, traz três livros além do que já vem começado... depois há dilemas complicados de resolver... bahhhh

quarta-feira, 7 de agosto de 2019


... quanto vale a “doçurazinha de carneiro”?... e de que é feita? Tão depressa a doçura deslaça e se aponta o dedo acusador, como se passa rapidamente para o outro lado do dedo. E vice-versa. Juízes neste mundo há muitos, não podemos julgá-los mas não nos podemos deixar julgar por eles, ou não por qualquer um. As leis divinas regem o céu, na terra as divindades escasseiam tanto como a justiça, a coerência ou a razão. Já a ironia abunda e abusa onde há vaidade de sobra. 

[o livro é diferente do que pensava, muito diferente, já há várias páginas marcadas, estou a gostar e quase a acabar...]



Um chapéu fechado 
guarda o sol que abrirá amanhã

Uma cama com lençóis de clara brisa 
onde me deito com a escuridão 
e acendo todos os segredos que apaguei

Uma rede onde o olhar se balança  
nas estrelas que não caem, que ficam.
as que caem soltam-me sonhos no regaço 
que não caem, nem ficam.

A lua escuta a noite comigo 
e manda calar-me os gritos de silêncio

terça-feira, 6 de agosto de 2019

... das decisões difíceis...
Aiiii que a vida é tão difícil 
quando se tem de tomar decisões... 

Bom dia!

domingo, 4 de agosto de 2019

... quando eu morrer não vou para o céu. É o que me ocorre, quando me apercebo que quando boto os olhos em certos sítios e coisas, invadem-me pensamentos pecaminosos... que me fazem rir sozinha, e pensar que também não sei se vale muito a pena ir para o céu depois de morrer, acho que mais vale umas incursões em vida... que é já de si um pensamento digno de herege...
há sítios tão divinais que só podem ser pecado dos mortais...
E onde apetece voltar, noutros tempos de que procuro calendário.

Hummm... tão bom...
Apetecia-me. Tanto.
Tenho de arranjar um descapotável, é isso! :)))


O meu primeiro carro dava para andar com o cabelo ao vento, 
sempre adorei passear assim. E gosto de velocidade mas um descapotável (quando sem a sua capota) não é para o prazer da velocidade, mas para o mastigar de paisagens e do tempo que roda suave nas curvas. É coisa de deleite, não de adrenalina. São outros prazeres. E há tantos...

Além do monte no Alentejo acho que vou arranjar um descapotável,
usado, vintage talvez. Gosto das coisas com uma certa patine. 
Melhor ainda se combinadas com coisas contemporâneas, numa combinação elegante e perfeita.
Coisas que levaram tempo e ficaram.
Que ficaram de um amadurecimento que apurou e depurou, que refinou,
mas não apodreceu, nem estragou. 
Onde o tempo foi afago e não carrasco.

[Só tenho é de arranjar dinheiro e tempo, o que é uma chatice... ou não,
porque gosto de trabalhar, sempre gostei.]

sábado, 3 de agosto de 2019


Fiquei cá a pensar... Sagitário, ‘tá certo... mas o cão ou o dono??
Voltei a ler melhor... o cão. Definitivamente o cão, claro!! 
Ehehehe
O pessoal não manda em nós, principalmente não tendo lógica :DD

Bom dia!
[a minha sorte é tão macaca que já hoje me ri muitas vezes da minha desgraça... a vida é engraçada, a sério. E desta vez, mais uma vez a minha cadela pregou-me a mesma partida. Parece que espera que eu esteja sozinha e tenha planos... danada da gaja...]

sexta-feira, 2 de agosto de 2019


Saí daqui há bocado,  pelo menos parece-me, mesmo que tenha sido há umas raquíticas dez horas... já aqui estou.... preciso dum café. E dum pente novo, ou dentes... Que isto é muita trunfa para mim e pouco pente...

terça-feira, 30 de julho de 2019


“ Um dos erros da vida, embora seja certamente uma excelsa virtude nas religiões monoteístas, é aceitar as coisas tal e qual elas se nos apresentam.
A resignação – pois é disso que se trata – é contentarmo-nos com aquilo que existe. Escusa até de ser mau, até pode ser bom. Mas vir ao mundo e depois sair dele sem ter alterado nada é uma tristeza porque perdemos uma oportunidade de adaptar as coisas ao nosso gosto particular, individual.”

Miguel Esteves Cardoso (crónica da Fugas desta semana)


Assim sendo, não sou monoteísta. E não sabia. Mas realmente nunca fui de endeusar ninguém.  Talvez seja nadaísta. Se calhar é isso. 
Adaptar as coisas ao nosso gosto, ao que somos, gostamos e acreditamos, não aceitar simplesmente o status quo, parece-me um bom mantra, ou mote. E principalmente não nos queixarmos e criticarmos se nada fizermos pela mudança. 
Li esta crónica do MEC ( que não tem nada a ver com o assunto, é sobre o gelo perfeito que agora se comercializa) depois duma discussão com alguém que simplesmente não mandou passear uma pessoa (recomendada por mim... ainda por cima que vergonha valhamedeus)  que estando no desemprego, sugeriu que o período de experiência no novo trabalho fosse pago "por fora".  Claro, para não perder o subsídio de desemprego (e na verdade quem está com dúvidas não é quem vai empregar, que anda há mais de seis meses à procura de alguém com alguma experiência...)... E eu que me passei, que me indignei, fui chamada de exagerada... ahhh e tal é normal, disseram-me... ao que respondi que da próxima vez que se indignarem com o que os políticos alegadamente fazem e do se aproveitam,  e do que roubam ao que todos pagamos com impostos, lembrem-se que pelos vistos não se podem, nem devem indignar, porque na medida do seu possível, fazem o mesmo. Alimentam o que criticam, e aceitam-no como generalidade, como normal. 
Fui eu que recomendei a moça, e sentia como responsabilidade tentar arranjar-lhe um emprego, mas realmente nada a fazer, e agora não me sinto minimamente culpada por afinal estar no desemprego... parece que é onde sempre quis estar... isto há cada uma valhamedeus! Fico doida com certas coisas... cambada de monoteístas, é o que é!

apetecem-me palavras
para entreter a boca enquanto
não as espanta o grito que
já espreita debaixo da língua

Bénédict Houart


[apetecem-me. 
apetecem-me palavras desfiadas de sentidos
mas não as procuro, não me apetece. 
fogem-me como os pensamentos que não poisam, 
sempre em voos longínquos que não quero atentar, decifrar, 
sequer saber do seu destino. 
não quero ser o silêncio que mastigam,
nem  acordar o grito que não quero adormecer. 
Não o quero saber, sentindo-o; 
nem desconfiá-lo, sabendo-o. 
quero que me fuja como as palavras que não me apetece procurar, 
para dizer que nada mais quero deixar dito.]

sábado, 27 de julho de 2019


“Gosto de ver o teu nome no visor do meu telemóvel”. Escreveram-me ontem, depois duns tempos a trocar mensagens. E não me sai da cabeça. E pergunto-me porquê. Aquilo tocou-me. Não sei explicar, tocou-me duma maneira que não sei explicar. De que talvez até tenha fugido de pensar. De como há coisas que nos magoam e procuramos não ver. É um misto de sensações e coisas que me remexeram o por dentro. O meu nome no visor: coisa tão simples. Que é agradável a alguém. Talvez como o sorriso que tantas vezes eu não dava conta que sorria ao ver todos os dias, ou quase, o visor do meu telemóvel. E depois esta sensação, a certeza, que durante tantos anos não fui tratada como merecia, como me dei. E fui eu que deixei.

quinta-feira, 25 de julho de 2019


Uma pessoa que gosto muito deu-me isto há uns dias.
Disse que era para eu trazer para o meu escritório novo.
Para saber para onde quero ir, para me dar alento.
O meu monte no Alentejo, diz-me.

...e agora parece que começa a ser de muita gente, 
deu para estar na moda aparecer em todas as capas de revista...
 não há direito... 

mas eu olho para o quadro que me deram
 e apetece-me. ainda. a paz, 
a tranquilidade em tons de dourado sobre a terra. 
Disse-o, e quando me questionaram sobre esse gosto, face à presença de tal quadro no escritório:
“ e consegue? Com essa dinâmica toda?? Que lhe faz?  Nahhh não acredito”...
 (eu devo enganar muito à primeira vista, esta gente não sabe o que diz) 
... danadinha para isso ando eu. nem sabem...só mais uns anos. 
só mais uns anos, e penduro-o no meu futuro novo escritório: 
um alpendre :)) com vistas sem telhados até ao horizonte.

Alguns sonhos ainda tenho. :)

segunda-feira, 22 de julho de 2019

[foto @ryanmuirhead]


Quando ouvidas à distância

Da minha pele silenciada da tua,

De todas as tuas palavras

Escorre vazio

E sobra mentira.



No início ouvia em tudo o que dizias um fundo de verdade

Depois aprendi em tudo o que dizias um fundo de mentira

No fim, nada do que dizias tinha fundo,

Por muito profundamente que o repetisses.

E repetias. Tudo. De novo.



De que vale dizeres-me

Ser a tua sorte grande

se nunca cresceste para a reclamar.

De que valeu repetires-me

Ser eu a mulher da tua vida

Se sei seres homem de muitas vidas e pouca palavra?




(Deves ter alma de gato... das que morrem seis vezes caindo de pé, assistem ao próprio funeral, levantam-se e continuam a percorrer telhados ou vielas, esgueirando-se por entre as sombras das noites pardas)

domingo, 21 de julho de 2019

Gostei.
 As pérolas que a Agustina vai deixando cair ao longo do texto, são tão preciosas quão deliciosas.
 O tema é denso e vasto (devastador às vezes): a culpa, esse grande motor, ou travão. Depende.
E que venha o próximo.

[foto @la.melancolique]

Sentados no murete em frente à tela.
Vinte centimetros entre nós. E eu tive vontade de menos, não sei porquê. Apeteceu-me proximidade, talvez até que me tocasses. Talvez. E no entanto há sempre o medo, o medo de me arrepender, de, se, ou quando, me tocares, eu não esteja lá, não como estive tanto tempo por quem não mereceu. Não te chegaste e eu não me mexi. Rimo-nos, falámos e estivemos, com vinte centímetros de permeio. A medida de alguma coisa, ou de coisa nenhuma.

Cinema Paradiso ao ar livre. 
E fica-se a pensar que muitas vezes as cenas cortadas são as que guardamos, as que ficam até ao fim. E que sem paixão - sem uma paixão -, a vida passa-nos pelos olhos mas não a vemos realmente. Não importa de onde a vemos, ou quão bem instalados estejamos. Não vemos. 
Dizem que a paixão cega, mas sem paixão não se vê verdadeiramente, olha-se apenas.
Há coisas que só a cegueira vê...
E o cego não viu.

O que a última cena guarda é genuinamente delicioso.

sábado, 20 de julho de 2019

Dia disto, ou manhã tardia, vá.
Há que lembrarmo-nos de, de vez em quando, tratarmos de nos tratar bem. 
Numa manhã de fim de semana, com o ritmo dos dias lentos que descansam o tempo.
Coisas de gajas, portanto. 
Nem a cadela se safou... :)))

[ahhh... e nem faltou a banda sonora de ontem, que agora já posso deixar aqui... a música é fixe, faz-nos mexer (paradoxalmente se calhar), até ela gostou, e não costuma ser fácil gostar das músicas que gosto e lhe mostro... a miúda tem a mania que sabe do que gosta, e não é tímida em dizê-lo... mesmo quando tem mau gosto.... ]


Há dias em que falta o beijo de boa noite.
E há noites em que faltam dias inteiros. 
...depois há momentos que não chegam a ser tempo,
onde o sempre e o nunca se tocam em eternidades.

sexta-feira, 19 de julho de 2019

[foto @zynp]

Hoje acordei cheia de vontade de dormir. Só me apeteceu que o dia acordasse quando entrei no carro  e o Mr Ferry me sacudiu a névoa matinal dos ossos...
 Let’s stick together 
C’mon c’mon let’s stick together
melava-me ele aos ouvidos (que há coisas que nunca concordei ou concordarei, mas com a música certa, e alguma disposição, tudo se come como bom..) 
e o dia adoçava-se na boca que acompanhava a música e a linha do refrão. 
Às vezes só interessam as parangonas, não é mesmo? 
... O resto são pormenores que não queremos mesmo saber (principalmente se já os sabemos..)
Não a consigo agora pôr aqui (no telefone não consigo...) mas ficam as cores da primavera e dos amores-perfeitos que combinam com certos acordares, tantas vezes tanto tempo depois de termos aberto os olhos...

Ahhh... e se alguém vir por aí, fugido, o sacana do verão solarengo, mandem-no falar comigo sa’xavor, que temos de ter uma conversinha séria... e que não me venha cá com a história do “ não és tu, sou eu” para ter desaparecido sem combate, que isso eu sei. Claro que não sou eu... homessa! O moço tem de cumprir as suas obrigações, ora! Tem até certo dia de agosto para dar à costa. Considere-se notificado, portanto. 

Bom dia!

segunda-feira, 15 de julho de 2019

... e ligam-me a dizer que me cortaram a água... #%^*&@... lindo!!
O almoço passei-o na fila da loja do cidadão. Volto para o escritório e como no vizinho, com vista para o viaduto. Ao menos dantes quando a comida era de plástico a paisagem era Atlântico puro. Agora engorda mas não lava a alma, agora é o viaduto e os minutos a contarem-se no relógio. Nem a alma se sente. Enfim, coisas... 
(nem todas más, dantes teria de pedir a alguém para me tratar do assunto, agora já posso ser eu. Mas a neura ninguém me tira. Mas isso não mudou...)

domingo, 14 de julho de 2019

Agustina Bessa-Luis, in Antes do Degelo 

Há coisas tão particulares e imensas que as palavras não cabem. Não há diálogo possível, nada consegue, ou pode, ser dito, depois de tudo que ficou por dizer no que foi dito, e desdito.


Acordámos mais cedo que o costume domingueiro. Sapatilhas e uns calções para combinar com o sol que chamava pelas janelas. Fomos indagar um sítio que me falaram ontem à noite, na minha própria cidade , tão perto de minha casa, e não conhecia. Tem baloiço com vista para o rio e tudo. Continuámos a nossa passeata e o sol começa a apertar a esta hora. De regresso a casa, paramos num jardim para tomar um café, água, e deixar as pernas respirar à sombra. E agora regressar, passar pelo jardim do costume a caminho de casa para a pintarolas correr... se ainda conseguir. 


Deve ser arte dizer-se a uma pessoa o contrário do que se diz a outra, 
conseguindo mentir às duas. 
Se não for arte há-de ser pelo menos coisa de um grande artista...

[Hoje, já não sei porquê dei comigo a pensar isto, enquanto as mãos pensavam outras coisas. Talvez haja sítios na nossa cabeça que as mãos atarefadas não ocupam sempre. 
Agora, chegada a casa, aqui parada e a degustar o frio da noite ao som dos carros que passam e das vozes de esplanada, surge-me outra vez. Agora, as mãos quietas, mexem na memória do dia para me relembrar isto. Não sei porquê, é apenas uma constatação, não uma conclusão. Deve ser pela curiosa duplicidade da coisa, dos contrários que não se anulam nem se reforçam... ou porque há que dar reconhecimento aos artistas. Não sei.]

sábado, 13 de julho de 2019

[foto de Jacqueline Illemann]

Há que seguir o destino à risca.
Ou o vento que enfuna o mar em grandes ondas.
Ou o mar, sem ondas.
Ou a vontade desalinhada. Ou nada.
...Não seguir nada à risca.
Arriscar tudo. Mas o quê?

Bom dia :)

quinta-feira, 11 de julho de 2019



Vou fumar um cigarro a outra vida,
a um país distante, que é lá fora,
vou à varanda ver-me, de fugida,
correr pelo passado que demora.


Miguel Martins

[vou à varanda fugir-me, porque lá não me escapo... vou fumar um cigarro longe do fumo do dia, revisitar tempos distantes que são agoras futuros, e são já agora]

quarta-feira, 10 de julho de 2019


E ao terceiro dia chegou a falta da paisagem no caminho, que nos mostra que o tempo passa mesmo quando não damos conta que passa, que passou. Falta-me a viagem de manhã e o regresso com as cores quentes que fazem o olhar respirar fundo. Falta-me o cigarro a meio caminho a fazer ponte entre o dia e o receber a noite. Faltam-me os rituais que eram meus. Gosto de rituais, não gosto de hábitos, que parece terem gasto o propósito ou o gosto. O ritual cumpre-se por gosto, não por obrigação ou quando o sentido se esvazia. Talvez por isso ao terceiro dia o sentido se tenha ressentido do vazio que lhe dei. Resta-me a varanda e a noite de verão na pele.
A lua está baixa, os sapatos no chão, fora dos pés, o cigarro ainda está na caixa e a cadela ainda não sossega o olfacto, cheira tudo sem descanso. Eu descanso na brisa que passa, deitada na varanda. Há uma música ao fundo que preenche os vazios. No fundo não é preciso muito mais. Ainda sou a mesma. Até quando não pareço. Respiro fundo. Há agora um véu de nuvem sobre a lua, deixa passar a luz, não o brilho. Não é preciso mais. Que o cigarro saia da caixa, talvez.

terça-feira, 9 de julho de 2019



Às vezes ainda me pergunto se pensarás se estragaste a tua vida quando me conheceste, ou  quando não ficaste comigo, até ser já tarde demais para haver essa hipótese. Depois lembro-me que não pensas nada disto: não estragaste a tua vida, nem pensas sequer se estragaste em alguém alguma coisa, e lembro-me, de vez e para sempre, que não pensas em nada disto, que provavelmente nem pensas, que foges de perguntas a que tenhas de dar resposta. E de respostas que não te dêem o que queres. Fazes só o que sempre fizeste: nada. Nada, a não ser fazer o contrário que disseste vezes sem conta. O contrário, sempre. Em tudo e em todos os lados, a toda a gente. Cumpres todas as promessas ao contrário. É curioso, pareces o contrário de ti mesmo.
Às vezes esqueço-me que já esqueci isto tudo e tropeço-me no tempo enrolado nos dedos parados. Aquieto aqui as palavras e ponho-os a mexer a outras músicas. Que eu possa dançar.
Às vezes não me pergunto nada. E a música é boa. E eu deixo-me ir.

sexta-feira, 5 de julho de 2019

[foto @veziphoto]

Bom dia, alegria!
Quem inventou e usa com gosto esta expressão antes do meio dia tem o relógio biológico adiantado...
E eu tenho demasiado sono atrasado....irra! 
Domingo vou dormir todo o dia...
Domingo vou dormir todo o dia...
Domingo vou dormir todo o dia...
Domingo vou dormir todo o dia...
Domingo vou dormir todo o dia...
Domingo, a ver se não me esqueço...
Bahhh






[foto @nicoladavisonreed]

Estou completamente exausta,
mas não infeliz.
Nada infeliz.
E isso é toda uma nova vida para mim.
Uma janela aberta com uma brisa de futuro,
uma aragem que me levanta a pele,
que me sorri para dentro de alguma forma.
Posso constipar. Eu sei.
Mas ao menos está-me a saber bem esvaziar de mim o tempo,
para que me reste apenas eu. 
O que quer, ou quem quer, que eu seja.

terça-feira, 2 de julho de 2019

[imagem @jesuso_ortiz]

Há vários dias consecutivos que me parece sexta feira - se calhar desde sexta mesmo - mas nunca mais é sábado... bahhh
E o verão solarengo está como este sábado para mim... bahhhh está tudo bolchevizado como dizem que dizia a minha avó.

Um dia destes acontece acontecer um sábado solarengo de Verão. De certeza. 

segunda-feira, 1 de julho de 2019



... mesmo que sejam Cherry.
... ainda assim, é sempre melhor tê-los no sítio, chérie :)
(melhor que nada, porque ao que parece é mesmo difícil...
coração ao alto ao pé disso é para meninos...)

Bom dia!

domingo, 30 de junho de 2019


Às vezes ainda sinto falta daqueles momentos em que mundo desaparece, em que tudo à volta é inexistente. Em que há um sabor doce que se respira e de que se vive sem saber. Há dias assim, chegamos ao burgo com a cabeça frita, depois de horas de trabalho, jantamos e dividimos uma garrafa por dois, mas ainda assim o mundo parece não ficar longe, não esquecemos as engrenagens que nos esmagam, nem as contas que ficaram por fazer, nem os problemas pendurados à espera de resolução.
São os dias em que percebemos que o mundo é primo, só divisível por um ou por si mesmo, dividido por dois não dá conta certa, dá tudo errado, ou quase. Acho que depende de como dividimos a garrafa. Ou com quem.
Às vezes ainda sinto falta daqueles momentos em que o mundo desaparece.
... mas não de quando mundo me cai em cima dos ombros, logo depois. Talvez se resolvesse com duas garrafas. Ou com outros dois a bebê-la que não estes. Não sei.

Vou dormir, amanhã volta a ser dia de resolver problemas sem solução. De trabalhar sem descanso nem o pedir, ou se calhar querer, mesmo sendo o chamado "dia do Senhor"... mas vai daí ele descansou ao sétimo dia depois de seis dias a fazer m..... eu ainda não fiz tanto, espero eu.

sexta-feira, 28 de junho de 2019


Não sei se a porta estava aberta ou se ma abriram. A casa era antiga, os tectos altos, havia uma sensação de imponência aligeirada. A casa não estava vazia, mas não se viam móveis. A luz entrava alta e permanecia. Entrei num salão de paredes amarelo muito claro mas envelhecido, gasto. É então que me fala, pergunta-me pelo irmão e eu não sei, digo que não sei dele, nem quero. Há um porquê  interrogado no sorriso que lhe cobre os dentes, e talvez por isso lhe diga, sem responder, que saí de onde já não queria estar, que estou bem e ele, tenho a certeza que também. Ouve-me como quem procura com os dedos e de olhos fechados, os interstícios de silêncios entre palavras. Olhei-o para o descobrir absorto em mim, imediatamente antes de haver na sua boca um trejeito (sorri, talvez seja coisa de família, sussurra-me a memória) de ironia, ou de sabedoria oculta e misteriosa, que eu fingi não ver enquanto me virei para as grandes portas brancas, descascadas pelos serões passados, que davam para para o que pensava ser uma varanda, mas não, era um alpendre virado para o jardim decadente, amolecido, escuro. Levantou-se um vento que soprava ruídos e restos de passados no ar. Levantava o que estava no chão e derrubava árvores grandes mas ocas, como cascas em pé. Em pé de vento. E eu não percebia nada, a ventania soprada do vazio - assusta-me o vento como poucas coisas. Tento voltar para trás mas já não há portas, e de repente reparo no tecto, almofadado com o vento a brincar entre a tinta descolada e o esqueleto da casa. E fiquei encantada sem saber porquê. Era bonito sem ter porquê, percebi que gostava de olhar o efeito sem o descortinar por completo. Talvez haja alguma beleza magnética na decadência, nas ruínas, nos destroços do que já foi esplendoroso, ou pareceu. Não sei. O vento desapareceu e ele voltou, meio torto, meio coxo, nem consegui perceber, mas percebia-se que tinha sido um homem lindo, com altura e porte, ossatura da face bem definida, olhos magnéticos. Deveria ter tido aquele ar de quem caminhava sabendo o que queria, ou pelo menos, aparentá-lo, e agora estava ali, a guardar uma casa que não sentia vazia, mas sem mobília onde se possa viver. Agora tudo isso estava demasiado descoberto, não tinha caminho, mas tinha ainda uma beleza qualquer guardada, muda, mas familiar, como se o conhecesse de outras camadas. Chegou e abraçou-me disse-me qualquer coisa de eu não ter perdido o calor. Abraçou-me e uma paz cheia invadiu-me. Não percebi. O despertador, demasiado madrugador, também não. Deixei o sonho onde estava, vim-me embora, mas o abraço durou-me até agora. Até agora, só.
Vamos embora,
 escapamo-nos sem ninguém dar conta.
E se derem, nós nem damos.
Não interessa.
Quero-nos só nós.
Com lua ou sem, mas com mel a escorrer do tempo.

terça-feira, 25 de junho de 2019

... realmente merecem, e é libertador...
As pessoas não mudam. Por muita esperança que às vezes tenhamos
de que isto não seja verdade, é.
Se a facada depender disso, prepara-te para sangrar...
(a esperança sai quase sempre muito cara...)